Prison Magic
22 Capítulo 22
Solidão. Confusão. Abandono. Medo...
O peito deste doía com a junção destes sentimentos, uma dor tão profunda que só realmente entende quem é abandonado. Mas, porque fora abandonado?
Realmente fora abandonado?
Seus olhos esverdeados vagavam assustados pelo lugar, segurava a ponta de sua trança como se pudesse lhe trazer algum amparo. Ato inútil. Já que não conseguiria isto de si próprio, o único que o ajudaria era aquele cujo amava.
De seus lábios, murmúrios sôfregos saíam, pequenos chamados, súplicas quase mudas.
“— Mestre...”
Via-se em uma floresta escura, na calada da noite, onde suas lágrimas eram camufladas pela chuva forte que caia sem parar sobre si. Seus pés descalços, sentiam a umidade no chão, dando-lhe uma sensação de arrepio a cada passo que dava, como se andasse por algo profano.
Apertou mais sua trança, como se pudesse desta vez, parar seu coração que parecia bater desesperado de tão dolorido que estava.
Implorava para que conseguisse encontrar o amparo que precisava no sangue puro misturado ao seu próprio em suas vias. Este era seu único refugio, sentir o sangue de seu Mestre correndo por si.
Não entendia o motivo, parecia que tinham lhe tirado algo extremamente precioso, mas, de precioso, só possuía seu Mestre, e este não desapareceria... A dor que sentia era de uma solidão profunda, e pior, já havia sentido dor igual antes e desejava muito nunca mais passar a sentí-la.
Infelizmente, ou felizmente, não poderia findar com sua própria vida. Tinha a entregado a alguém, sua vida era dele, propriedade dele, por esse motivo pensou que nunca mais passaria pela dor de tal perda novamente.
Pensava que este o mataria no mesmo instante que perdesse a utilidade. Então, ainda possuía utilidade? Ou... Seu Mestre...
“— Mestre...”
Seus olhos verdes, tão belos, ainda tentavam encontrar uma saída, uma luz naquelas trevas. Fora então que sentira uma presença, uma imponente e assustadora. Sorriu, afinal, só poderia ser daquele cujo tanto procurava.
Soltou sua trança, correndo com passos incertos, tentando encontrar o caminho correto. No entanto, só que o que vira, teve que levar um bom tempo para conseguir assimilar...
“— Mestre...?”
Empalideceu mais do que naturalmente já era. Seu Mestre, seu amado, morto, definitivamente morto. Olhava assustado para este estirado no chão, tórax aberto, como se algum animal selvagem o tivesse rasgado ao meio.
Sangue... Sangue por toda a parte, só então percebeu que a chuva não era chuva, e sim sangue deste, como a água no chão era apenas mais sangue de seu Mestre.
Era um desespero tão grande, que suas pernas fraquejaram, caindo ajoelhado ao chão, tocando este e olhando para aquele líquido carmesim que tanto admirava agora opaco. A dor e o desespero de se ver, verdadeiramente e novamente, sozinho no mundo.
“— ...Mes-... tre...”
Não tinha forças para ir até este, seu corpo todo tremia descontroladamente. Não sentia um único resquício de vida no mais velho, nenhuma chance de conseguir ajudá-lo. Se pudesse, doaria sua vida no mesmo instante.
Mas, se a presença que sentira a instantes não era de seu Mestre, então de quem seria? Fora então que avistara outro ser, entretanto não conseguia reconhecer quem era, mesmo com sua visão noturna. Aquilo mais parecia algo fantasmagórico.
“— Quem...?” – Fora a primeira palavra que falou, assustado.
Engoliu seco ao ouvir aquele ser ilusório gargalhar alto, de modo debochado e cínico, enquanto ia até seu Mestre. Tentou se levantar, mas suas pernas não o obedeciam. Fora então que reconheceu a voz, era a voz daquele caçador desconhecido que falara com Vitor.
“—Morra, morra morceguinho, vire só pozinho...” – Ouviu o outro melodiar em um tom insano. “— Tchau, tchau paizinho...”
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—-X--
Oroi acordou assustadíssimo, com a respiração completamente descompassada. Olhou temeroso e meio aturdido ainda para os lados, acalmando-se ao ver seu Mestre, só assim respirou fundo ao notar-se no quarto deste.
Sorriu, respirando mais aliviado notando que tudo não passara de uma peça de sua mente, algum sonho medonho que teve. Mas quando sentou-se na cama, e olhou melhor para seu Mestre, mesmo sabendo que tudo não se passou de um pesadelo, lágrimas começaram a rolar de seus olhos.
Tentava se controlar, mas só em pensar que algum ser poderia matar aquele cujo tinha mais zelo, o torturava a alma com uma força de igual tamanho que não sabia mais o que fazer. Pelo simples pânico de se ver sozinho no mundo, abandonado.
Respirou fundo novamente, abaixando sua cabeça, sentindo seus longos cabelos negros, agora soltos da trança caírem por seus ombros, sorriu triste recuperando-se aos poucos do pesadelo.
Poderia se fazer de forte, mas um simples e idiota sonho podia o abalar desta forma.
“ Pare com isso Oroi... Foi apenas um sonho... ” – Pensou, fechando os olhos com força, para realmente acreditar nisto.
Soltou um suspiro, limpando as lágrimas com as mãos, notando que aos poucos elas paravam de sair, fora só uma crise, nada mais, ninguém precisava saber. Ninguém saberia.
Olhou novamente para seu Mestre, não conseguindo evitar em avermelhar-se ao lembrar de quando estivera nos braços deste até seu limite, até desmaiar de tanto prazer e não se lembrar de mais nada adiante.
Sorriu alegre agora notando, desde que Vitor tinha entrado no quarto deste aquela vez, o mais velho não fazia nada consigo, nem alimentava-se mais por conta disto. Mas agora, sentia aquele sangue desenfreado em suas veias, uma sensação de estar completo.
Sentou-se um pouco melhor, aproximando-se de seu Mestre, vendo este dormir. Era a única hora que o via sem aquele sorriso de crueldade mesclada com luxúria e aquela aura imperiosa o rondando.
Levou sua mão a aquele rosto, descendo em uma carícia leve com as pontas dos dedos, contornava as sobrancelhas, os lábios, descendo aos poucos de modo ousado indo para o peito desnudo.
Para si, aquele que todos odiavam, era seu apoio, sua vida e morte. Levou uma mão aos seus próprios cabelos, segurando-os em quanto se inclinava em direção aquele ser, beijando de leve os lábios voluptuosos.
“— Mestre... Te amo...” – Declarou-se baixinho, com a voz amorosa.
“— Vecto-... rius...” – Murmurou o Puro Sangue em sonhos.
“— ...” – Afastou-se.
Soltou um suspiro cansado, aquilo doía, mas não chegava aos pés da dor de se ver sozinho. Além do mais, não poderia e nem tinha o direito de cobrar nada do mais velho. Sabia ser só um servo, nada mais, o Puro Sangue se divertia com qualquer um que existia naquele castelo, todos eram dele, afinal.
Mesmo sendo atualmente o favorito, e ter mais privilégios que os outros, ainda assim, tinha que saber seu lugar. Por conta disto, tinha também deveres a ser feito.
“— Mestre...” – Chamou-o mais alto, cutucando-o. “— Já está na hora de acordar... O plano...”
“— Mais cinco minutos...” – Murmurou o outro, puxando o menor para si.
Oroi riu divertido, aquele ser tão imperioso estava sendo tão mimado puxando-o assim enquanto dormia, mas logo tratou de se afastar. Tinha hora a cumprir. Já deveria ser tarde e ainda tinha que falar direito com a Lucy, prepará-la para a festa que aconteceria dentro de poucas horas.
“— Deixe-o dormir, o pobrezinho fica fazendo exercícios demais...” – Soou uma voz branda, calma.
O menor assustou-se, puxando a coberta para se tapar, e a seu Mestre também. Seus olhos procuraram o dono daquela voz, avistando assim um homem aparentemente da idade de Shisue, sentado na poltrona deste.
Não fazia a menor ideia de quem poderia ser, mas de uma certa forma sentia-se ameaçado com o olhar azul claro tão fixo em si. Engoliu em seco, estranhando o desleixo que o outro estava se vestindo.
Roupas folgadas, mal colocadas, como se não desse a mínima importância para a aparência, a única coisa que pode ver ajeitado fora o cabelo deste, completamente branco amarrado em um rabo de cavalo acima da cabeça.
“— Ele anda mimado como sempre, não é?” – Comentou novamente o estranho. “— Esse filhote dos Abyssinian não tem jeito...”
“— Pare de me chamar de filhote...” – Murmurou Shisue, acordando raivoso, logo se sentando. “— Saia de meus aposentos... Não tens permissão de vir a minha morada.”
“— Vossa morada?” – Sentou-se melhor, apoiando a cabeça no encosto da poltrona. “—Esta casa já fora minha...” – Comentou, espreguiçando-se. “— Me chame de ‘titio’ vamos...”
Oroi viu claramente uma veia saltar na testa de seu Mestre, além como, de uma aura negra de irritação o rodear. Logo escutou murmúrios de alguma magia, e notou que era melhor se afastar um pouco deste.
Shisue tratou de conjurar a magia mais forte e rápida que possuía, lançando em direção ao outro ser, onde um fogo negro e esverdeado tomou conta de metade do seu quarto. Mas percebera que fora em vão, quando sentiu um abraço em si.
“— Como és malvado com o ‘titio’...” – Falou o de olhos azuis, sentado na cama, abraçando o outro de lado.
“— Mestre...?” – O menor não sabia o que estava acontecendo.
“— Oroi... Saia daqui, agora!” – Gritou com este, contendo em sua mão uma bola de luz vermelha. “— Vá para Lucy... Apronte-a para o plano...” – Falou mais ameno, mas ainda extremamente raivoso.
“— Ele tem que ir mesmo?” – Murmurou aborrecido, agarrando-se mais ao Shisue. “— Deixe-o descansar, você deve tê-lo drenado completamente...” – Olhou para Oroi, e em seguida para a bola de luz que o Shisue tinha em mãos. “— Pensando bem, melhor ir mesmo...” – Sorriu para o menor.
Oroi apenas tratou de se enrolar na coberta, catando suas roupas e saindo as pressas dali, não ousando olhar para trás. Correu pelos corredores, até encontrar a porta que levaria a ‘cela’ da Lucy, mas não poderia encontrar a garota, com apenas uma coberta o cobrindo.
“— Fugindo do meu Mestre, trançado?” – Vitor indagou, passando por ali, possivelmente iria ao aposento de Shisue.
“— Não. Eu apenas sai por-” – Calou-se.
Ambos, loiro e moreno, olharam assustados para metade do castelo desaparecer, ruindo aos poucos. Misteriosamente o lado cujo estavam, estava intacto. Oroi arregalou os olhos, assustado, lembrando-se do seu sonho.
“— O que aconteceu!?” – O loiro olhou aturdido para aquilo. “— Você irritou o Mestre a ponto disto?”
“— E-Eu não... Acho que foi um homem de olhos azuis que apareceu sem avisar no quarto... Conhece?” – Olhou para o outro, querendo explicações.
“— Olhos azuis? Nunca vi nenhum vivo por aqui, todos morrem... Não faço à menor ideia de quem seja...”
“— Mestre...” – Ajoelhou-se no chão, chorando, no medo de perder o outro.
“— Ele está vivo, se te serve de consolo...” – Resmungou. “— E intacto...”
“— Co-como sabe?”
“— Eu sou cria dele... Diferente de uns que são apenas parasitas.” – Jogou na cara deste. “— Agora pare de chorar...”
O menor chegou a estranhar, o Vitor o havia consolado? Aquele que a pouco havia ouvido falar com um caçador?
“— Porque que esse filhote é sempre tão estressado?” – Soou a voz daquele homem, atrás dos dois.
Olharam sem entender nada, além disso, ainda podiam ouvir explosões do lado já destruído do castelo. O Puro Sangue ainda estava a brigar com alguém.
“— Quem seria você...?” – Indagou Vitor.
“— Richard Abyssinian, sou tio do Shisue, prazer em conhecê-los. ” – Sorriu-lhes cordial.
“— Um Puro Sangue mais forte e velho que meu Mestre?” – Vitor ficou surpreso, e fascinado em saber que tinha alguém acima do ser que odiava.
“— Sim, estou vivo desde da criação deste mundo... Antes era apenas eu e meu irmão... Mas este está morto, fora absorvido completamente pelo filho...” – Comentou, como quem não quer nada.
“— Mas...” – Oroi teve que respirar fundo para continuar, levantando-se. “— Porque meu Mestre o detesta tanto?”
“— Não sei... Sinto-me tão rejeitado... Eu o vejo tão raramente...”
“— És mais forte que ele?” – Indagou novamente o loiro.
“— Sim.” – Ouviu sua resposta.
“— Este é o motivo... Alguém orgulhoso como meu Mestre não aceitaria a ideia de ter alguém mais forte que ele...”
“— Verdade?” – Falou meio triste o outro.
“— Óbvio...” – Responderam Oroi e Vitor ao mesmo tempo.
“— Por isso que ele nunca vem me visitar...” – Respirou fundo. “— Eu só vim falar algo importante, mas como podem ver, este continua lutando com meu clone, e não me escutará...” – Se aproximou de Vitor, tocando em seu rosto. “— Podem dar o recado a ele...?”
—X---x---X-
Enquanto isso, na vila élfica...
Tudo já estava pronto para o baile de máscaras, os que iriam já estavam em suas casas arrumando-se.
“— Cainzinho, vá se vestir logo... E você também morcego...” – Avisou-lhes o loirinho, saindo do banheiro com uma toalha na cintura. “— Venham pegar as roupas...” – Falou alegre, saltitando para o seu quarto, sendo seguido por estes.
Apontou para sua cama, contendo três embrulhos de roupas, as que tinha levado algum tempo costurado, mas fizera com todo amor e carinho. Ou não...
“— Eu irei me vestir, e os esperarei lá, tenho uma surpresinha para vocês...” – Continuou a falar, pegando um amontoado de roupa e dando para Cain, em seguida fazendo isso com Veck. “— Vão tomar banho!”
“— Obrigado Guille.” – Agradeceu o moreno, olhando curioso para o que tinha em mãos, ainda não sabia do que iria vestido.
O loirinho então os empurrou para fora de seu quarto, tirando a toalha de sua cintura em seguida quando trancou a porta. Caminhou lento, indo para um armário grande, abrindo-o e tirando de dentro uma lira esverdeada, feita de madeira bem trabalhada.
Tocou esta com delicadeza, pegando-a com um cuidado extremo, mesmo sabendo que não precisaria de tudo isso para tocar aquele instrumento. Deslizou seus dedos pelas cordas, feliz pelo som afinado que saia.
Deixou-a sobre a cama, e tratou de se vestir, pegando em seguida a lira e a sua máscara, a colocaria só na festa, colocou dentro de uma bolsa, onde já tinha uma estaca de madeira banhada em uma mistura de prata e água benta, nunca se sabe quando vai se precisar de uma, um amigo caçador sempre falou isto.
Saiu da casa na maciota, sem fazer barulho, tinha que arrumar algumas coisas para o plano sair perfeito.
—-X-x-X—
A festa já havia começado há algum tempo e já estava lotada. Por motivos de comodidade, e por amar a natureza, fora feita ao céu aberto, em um extenso campo aos fundos da vila.
A iluminação era forte, mas nada muito exagerado. A música, hora era suave, hora era agitada, dependendo do momento. Havia um grande palco, onde os músicos tocavam, e um destes era o loirinho.
Este estava com uma roupa parecida com um pavão, algo justo, onde atrás tinha um grande e aberto rabo colorido, que chamava bastante a atenção. A máscara era verde, e comprida parecia com um bico.
Usava um short pequeno e justo, cheio de penas e uma camisa longa, justa do mesmo jeito, de uma cor esverdeada. Não usava sapatos ou sandálias, apenas uma meia listrada longa, que chegava até o short que trajava.
Era o centro das atenções ali, não só pela roupa que havia costurado para si, mas sim pela musica que tocava. Seus dedos pareciam bailar sobre as cordas da lira. Tocando várias melodias que conhecia, sendo acompanhado pelos músicos sentados no palco.
Seus olhos dourados brilhavam malévolos, ocultos pela máscara, vagando vez ou outra pelo extenso campo a procura daquele que teria o prazer de matar esta noite. Aquele que finalmente o libertaria desta raiva.
Mal se importava com aqueles elfos mascarados ali a quase o devorar com o olhar. Tinha um plano, uma meta, e só iria descansar quando conseguisse. Mas fora então que parou de tocar, notando que o moreninho e o morcego haviam chegado. Logo saiu do palco, dando lugar a líder da vila anunciar os convidados de honra.
Cain avermelhou-se por acabar virando o centro das atenções em um segundo, mas logo recuperou-se sorrindo majestoso, afinal, era um príncipe, aquelas festas eram normais para si.
Sorriu para todos, acenando, andando pelo lugar e sendo seguido pelo amigo, indo para o palco, subindo neste.
Todos então puderam olhar para a roupa deste. Algo realmente majestoso, um traje real. Uma capa longa na cor roxa era prendida por uma corrente prateada com no meio desta o sol, símbolo de Radiance.
Em sua cabeça, tinha uma coroa dourada, nada muito exagerado, que por este motivo deixava-o mais elegante. As roupas eram negras, com detalhes em azul, a máscara discreta e branca parecia dar um ar angelical ao dono que a usava.
Cain estava realmente magnífico com aquela roupa, Guille havia acertado em cheio em fazer algo discreto e culto para o moreninho.
Já Veck, estava diferente, bem diferente. Havia passado algum contorno preto nos olhos, que haviam deixado o verde intenso que eram estes mais brilhantes ainda. Onde eram possíveis os vislumbrar perfeitamente por a máscara ser apenas pintada em seu rosto.
Nada muito exagerado nesta, mas lhe dava um ar selvagem, ainda mais porque seus cabelos estavam soltos e perfeitamente desalinhados caindo pelos ombros à mostra.
Sua roupa era a de um lobo prateado. Estava a chamar tanta atenção quanto o Guille pelo modo como se vestia. Um short bem colado ao corpo onde estava a reclamar mentalmente com o loirinho por ter feito algo tão pequeno e justo para si.
Uma bota cano alto, passando de seu joelho, onde a pele exposta estava pintada de prata. Tinha também uma cauda prateada, que quase tocava ao chão, só não se camuflava com seu cabelo por ser de um prata mais escuro e menos brilhoso com as pontas vermelhas. As orelhas eram uma graça, iguais ao rabo na coloração.
Havia também uma coleira de couro marrom frouxa no pescoço deste, onde tinha um pingente em formato de lua minguante dependurado.
Não estava a usar mais nada, o peito nu tinha alguns riscos em prata, da mesma tinta que tinha nas pernas, para ser a pelagem.
O vampiro praguejava mentalmente, odiando o que estava a vestir. Mas, no final a culpa fora dele. Quem havia mandado confiar em um certo ‘pavão’ para fazer aquela roupa? Pelo menos, a de Cain era algo normal.
“— Vocês estão lindos...” – Falou Jiyha, abraçando um e a outro depois. “— Divirtam-se, esta festa é para a despedida de vocês também...” – Avisou-lhes.
A Ruiva estava a usar um vestido azul longo, que arrastava pelo chão, com uma máscara na cor vermelha, a mesma de seus cabelos. Nada muito importante, esta nunca gostara de se arrumar para este baile, por ser uma despedida dos homens a vila. Mas, entretanto esta estava muito bonita, elegante, por assim dizer.
Logo os três saíram do palco, parando de ser um pouco a atenção, deixando esta para o loirinho que voltou a tocar.
“— Vectorius... Esta roupa...” – Comentou a mulher, olhando este de cima a baixo.
“—... Nós deixamos o Guille fazer elas...” – Comentou um encabulado lobo.
“— Eu achei legal.” – Comenta sorridente o Cain. “— É perfeita... Bem prática para se tirar...” – Comenta malicioso em seguida, levemente mais rouco.
“— Co-como!?” – A mulher olhou assustada para o humano
“— Desculpe!” – O moreninho riu sem jeito. “— Eu deixei Yami com metade do controle... E às vezes ele fala algo sem mais nem menos...” – Explica-se.
“— Príncipe... As novas algemas, não são uteis...?” – Indagou-lhe, preocupada.
“— Não é isso... Eu posso escolher deixá-lo assim... Não quero que fique apenas preso, e ele prometeu se comportar, só falar quando estou com amigos...” – Sorri-lhes doce. “— Não é verdade Yami?” – Perguntou a o ex-incubo, mas este nada falou.
“— Parece estranho... Bem, mas vou deixá-los curtirem um pouco, aproveitem bastante...” – Falou a mulher, já se afastando. “—Ah! Vectorius, tem uma surpresa pra você, ela deve chegar daqui a pouco... ” – Falou por falar, não se virando, apenas saindo da vista dos dois.
“— Nunca gostei desta festa...” – Murmura Veck assim que a mulher sai.
“— Falou algo?” – Não conseguiu escutar por causa da música.
“— Venha...” – Segurou-o pela mão, puxando-o dali.
Levou-o até um lado mais calmo, com algumas árvores grandes e um banco feito de madeira, acabou por sentar-se ali, chamando o moreno para fazer o mesmo. Tinham que conversar um pouco, não havia feito isto direito desde o ritual com a anciã.
“— Cain, posso falar com o Yami?” – Começou Veck, virando-se um pouco. “— Há algo que preciso perguntar a este, agora que tudo está mais calmo...”
“— Claro... ” – Respirou fundo fechando os olhos e quando os abriu o ametista brilhava em malicia. “— Digas o que quer vampiro...” – Indagou-lhe agora Yami.
“— Essas mudanças rápidas ainda vão gerar confusões...” – Comentou, levando uma mão ao rosto do outro, retirando a máscara. “— Ainda mais agora, que as inscrições não aparecem como antes...”
“— Elas aparecem, mas só quando eu estou com o domínio completo, quando meu hospedeiro dormir, este corpo será meu, e elas surgirão...” – Explicou-lhe. “— Mas você não quis que eu aparecesse por causa disto...” – Aproximou-se um pouco, de modo malicioso.
“— Eu quero saber o que você realmente quer.” – Afastou-se na medida em que pode.
“— Você. Simples, não?” – Falou de imediato, lambendo os lábios.
Veck teve que respirar fundo, o outro estava mais ousado desde que descobrira que na verdade fora um íncubo, e com certeza absoluta só não fazia algo por causa de Cain. Fechou os olhos por um instante, tentando colocar em ordem os pensamentos.
“— Eu não perguntei isto, mas sim o que quer agora, ficar assim dividindo o corpo com Cain ou uma liberdade... Mas pode ser apenas que te mate isto.”
“— Não fará muita diferença... Viver assim com meu hospedeiro o matará aos poucos, e aos poucos ficarei mais forte. Um dia, quando este dormir de noite, não conseguirá mais acordar, e esse corpo será meu... Depois, outro dia, o corpo dele não me aguentará mais, e nós dois morreremos, digo, eu encarnarei em outro herdeiro do trono...”
“— Co-como?!” – Assustou-se.
“— Sim. Cain sabe disto, eu falei... Mas ele não queria que te contasse...” – Revirou os olhos em descaso.
“— Então, o que posso fazer!?”
“— Tecnicamente... Nada.” – Soltou um suspiro. “— A não ser que saiba necromancia e me faça um corpo...”
“— Não sei fazer isso...” – Virou o rosto, de modo raivoso. “— Esta é a especialidade de meu Mestre... Sabe disto.”
“— Outra opção também... É Cain virar vampiro...”
“— Nunca!” – Olhou medroso para o moreno. “— Esse destino, não quero a ele!”
“— ...” – Soltou um suspiro. “— Não sei por que ainda tento dialogar, com todo esse favoritismo...”
“— Não é favoritismo. Cain é meu amigo.”
“— E a mim. O que sou?”
“— Você?”
“— Sim. Não tem nenhuma opinião quanto a mim?” – Levantou-se, raivoso. “— Não. Espere. Tem sim... Sou seu alimento, sua fonte de energia maligna...”
“— Não ponha palavras em minha boca...” – Olhou-o com repreensão. “— Essas palavras soam irônicas vindo da boca de um ex-íncubo.”
“— Vampiro... Vou para a festa, fique com suas palavras não ditas em sua boca então...”
Aproximou-se de Veck, inclinando-se perigosamente, como se fosse roubar um beijo, mas no entrando, apenas pegou sua máscara de volta, colocando-a logo em seu rosto. Sorriu amargurado, dando as costas, indo para a festa.
O vampiro então deu um suspiro, encostando-se no banco melhor. O lugar onde estava era bem mais calmo, e dava para ver quase todo o lugar. Estreitou os olhos, ao ver Cain ou Yami, não tinha como saber, dançando com um grupo de elfas.
Sentiu-se entediado, não queria ir dançar com as elfas, iria gerar confusão, além do mais, nunca gostou de festas. Tinha pensado que iria ficar com o moreno, em um canto a festa toda apenas conversando. Mas notou que se enganou.
“— Sozinho Vectorius...?” – Indagou Nyha, aparecendo do nada.
“— Estava escutando a conversa...?”
“— Sou inocente até que se prove o contrário.” – Alegou, sentando-se ao lado do vampiro.
“— Culpado...” – Murmurou, olhando para este melhor agora.
Riu divertido, parecia uma das roupas de Luna, já que o ruivo estava vestido de pirata, onde a máscara era um pano amarrado no rosto.
“— Vai entrar para a tripulação de Luna?” – Indagou Veck.
“— ...” – Emburrou-se visivelmente. “— Esta é a minha roupa. Não tem mais ninguém aqui, nem minha irmã.”
“— Calma, só comentei...” – Deu de ombros, não entendendo o emburramento do outro.
“— E você? Foi esquecido pelo príncipe e pelo demônio?” – Olhou para a festa, vendo o moreno dançar com uma elfa. “— Pensei que o papel seria o inverso... Ele sentado aqui e você lá.”
“— Sabe que não gosto de festas... Cain nasceu nelas, e Yami tratara de aumentar a líbido de seu hospedeiro.”
“— Então fora realmente esquecido...” – Provocou-o. “— E acho que ainda deve estar com fome...” – Olhou-o com desejo.
“— Estou sim, ultimamente muita coisa aconteceu... E a minha fonte de alimento está ‘revoltada’...”
“— Confia em mim?” – Olhou-o fixamente, segurando suas mãos.
“— Nem um pouco...” – Disse-lhe logo. “— Seu pensamento deve ser que eu o morda.”
“— Exato!”
“— Novamente com isso Nyha...?”
“— Venha comigo...” – Falou baixinho.
Levantou-se, olhando fixamente naqueles olhos verdes. Por incrível que pareça estes estavam mais magníficos que normalmente, talvez pela maquiagem da máscara. Sorriu calmo, puxando as mãos do vampiro, contente quando este se levantou.
Arrastou-o mais para as florestas, lá era um lugar bem mais reservado. Logo empurrou-o de encontro a uma grande e grossa árvore ali, segurando, prendendo as mãos deste ao lado da cabeça.
“— Nyha, me solte...”
“— Se você realmente quisesse ser livre, não pediria...”
Aproximou-se mais, juntando os corpos, as bocas quase se colando, levantou mais as mãos deste, prendendo com apenas uma das suas ambas dele, podendo levar a livre direto para a cintura.
“— Vectorius, já deves estar no seu limite... Há quanto tempo não faz algo deste tipo?”
“— Não faço por não gostar...” – Virou o rosto.
“— Mentira...”
Aproveitou que o mais velho virou o rosto para levar sua boca ao pescoço deste, dando suaves mordidas na área, notando este se remexer, como quem quer fugir, mas estava claro que queria mais.
“— Pare...” – Avisou o de olhos verdes.
“— Tome minha energia...” – Propôs. “— Que tomarei você para mim em seguida.”
O ruivo apertou a cintura do outro com gosto. Sabia como desarmar o outro agora, antigamente só havia usado a tática errada. Não acreditava como era só fazer isso, tudo bem, antigamente era muito novo para tentar ser ativo mesmo.
“— Olá Vectorius...” – Soou uma voz feminina.
Os dois pararam o que faziam para olhar quem havia aparecido ali em um lugar tão distante e reservado da festa. Nyha gelou completamente, soltando de imediato o vampiro, ficando pasmo com aquilo.
“— Irmã!?” – Falou este, olhando bem para a elfa ruiva.
“— Luna?” – Veck tratou de empurrar de vez o outro de si.
A ruiva olhou raivosa de um para outro, colocando a máscara de volta no rosto, meio oculto por um chapéu grande na cor vermelha. A sua fantasia? Capitã pirata claro, simples rápida e que definitivamente entoava muito bem as curvas desta por ser justa ao corpo.
“— Acho que cheguei a tempo para a festa... Não?” – Sorriu-lhes doce, terminando de pôr a máscara.
“— Há qua-quanto tempo irmã...” – O elfo até gaguejou ao falar.
“— Sim. Muito tempo, agora seja um bom menino e volte à festa, eu apareci para fazer companhia ao meu Vectorius...” – Estreitou o olhar, mas este ato fora oculto pela máscara.
Nyha arregalou os olhos, sabia o quanto sua irmã estava com raiva, ainda mais pela forma como estava com o vampiro. Acabou por dar de ombros, indo para a festa atrás de alguma elfa ou quem sabe achar algo mais interessante.
“— Deve estar querendo uma explicação, não é Luna...?”
“— Devo responder a esta pergunta?” – Colocou as mãos no quadril, aguardando o outro falar tudo.
“— Apenas fome.”
“— ...” – Irritou-se mais ainda.
“— As coisas foram bem conturbadas ultimamente... E a minha fonte que estava sendo a ‘primária’ está revoltada demais para se tentar algo.” – Explicou-lhe melhor.
“— Tudo bem...” – Respirou fundo.
“— Sério?!” – Chegou até a estranhar.
“— Se fossem tempos antigos, você não se importaria em me falar nada, mas vejo que está mudando mesmo... Onde está o príncipe?”
“— Dançando com uma elfa.” – Quase cuspiu a resposta.
“— Então vamos dançar?” – Sorriu-lhe, estendendo sua mão e tocando o rosto deste. “— Ou queres algo melhor de mim...?” – Insinuou-se, chegando mais perto.
“— Já te avisei para não me provocar quando estou com fome.”
“— Você não me morderá...” – Sussurrou em seu ouvido. “— Te darei algo melhor...”
—-X—X—X--
Oroi andava de um lado ao outro no castelo, estava literalmente perdido, não achava uma porta certa, já estava procurando o quarto de seu Mestre a um bom tempo. O castelo havia sido reconstituído, mas, como sempre, estava tudo em lugar diferente.
Já estava a quase correr pelo lugar com medo de ser esquecido e não ser levado para a festa. Já havia ajeitado tudo pela parte da loira, esta já estava pronta em sua cela, esperando só a hora de entrar em cena.
Enquanto corria, segurava com uma mão uma enorme cartola vermelha em sua cabeça, que saiam grandes orelhas de coelho pretas. Sua roupa era meio folgada vermelha com detalhes verdes, um espécie de smoking, onde havia atrás, preso na calça um rabinho de coelho.
Sua outra mão segurava uma bandeja onde tinha algo que havia feito para seu Mestre, aquele que amava. Sim, havia seguido o conselho de Lucy e feito o bolo para este, mas teria que entregá-lo antes de saírem.
Não sabia o destino que iria dar aquela festa.
Parou um pouco, ajeitando-se melhor, colocando no bolso de sua roupa a máscara prateada que estava em seu rosto, logo em seguida ajeitando uma coleira que tinha em seu pescoço. Esta tinha uma corrente fina que chegava quase aos seus joelhos de tão longa, onde no fim desta tinha um pingente com o nome do Puro Sangue.
“— Estou atrasado, estou atrasado...” – Murmurou voltando a correr, fazendo sua trança bem feita ricochetear.
Não entendia o porque do mais velho em algum surto de insano, adorar mudar completamente as coisas de lugar. Parecia que não aguentava ver tudo do mesmo jeito. Ou simplesmente gostava de pregar peças aos seus servos e crias.
Sabia que até mesmo Shisue se perdia em sua própria morada muitas vezes, e só ia para os lugares que desejava por meio de teletransporte, mas, suspeitava que seu Mestre tivesse um péssimo senso de direção. Talvez por este motivo mudasse tanto as coisas de lugar.
Se iria se perder, porque não fazer todos se perderem também?
Quando achou a porta que levaria ao quarto deste, bateu rapidamente nesta. Esperou e esperou, mas não ouviu nada. Quando pensou que iria achá-lo, este não estava em seu quarto, ou pensava assim.
Abriu furtivamente a porta, entrando neste, olhando para os lados a procura do mais velho. Escutou um suave barulho de água, e soube que este estava ali, no cômodo do lado, um luxuoso banheiro que tinha ali.
Lambeu os lábios de maneira marota, ao imaginar o outro todo molhado em uma enorme banheira. Acabou por colocar o bolo em cima da cama deste, rumando para a porta aberta do banheiro.
Sentiu salivar ao ver aquela cena, o outro moreno já estava a sair da água, por isso pode vê-lo com tanta perfeição que ruborizou visivelmente, recuando um passo e chamando a atenção deste.
“— Que criança levada... Espiando seu Mestre...” – Falou de modo cínico, não se envergonhando por estar despido na frente deste. “— O que fazes em meu cômodo?” – Perguntou-lhe, estreitando o olhar.
“— Eu... Err... Eu... Eu fiz...” – Titubeou, desviando o olhar de um modo tímido, até. “— Eu lhe fiz algo, meu Mestre.”
Shisue se aproximou deste então, de modo felino, como se fosse novamente jogá-lo na cama e abusar deste. Não que a ideia fosse ruim, mas não poderia perder tempo com este servo, já que sua esmeralda poderia estar em suas mãos mais tarde.
Passou uma mão pelo próprio corpo, retirando o excesso de água, depois passando no cabelo, jogando-o para trás.
“— O que fizeste para mim...?” – Indagou-lhe, com a voz mais contida, mais branda, apesar do cinismo ainda ser notável. “— Achas que pode dar algo para mim que já não tenha?” – Provocou-o, tocando no rosto deste.
“— Bolo.” – Sorriu para o outro
“— Bolo?” – Chegou até a piscar algumas vezes, repetindo a palavra do menor.
“— De chocolate.” – Acrescentou.
“— Chocolate?!” – Não conseguiu evitar que um sorriso aparecesse em seus lábios.
“— O... O senhor gosta...?” – Indagou-lhe, abaixando o olhar.
Shisue nada disse, apenas arrastou-o para fora do banheiro. Seu olhar negro fez uma rápida varredura pelo quarto, achando em sua cama o que este havia lhe feito. Lambeu os lábios, puxando o menor para ali.
“— Este bolo?” – Indagou-lhe, apontando para o doce.
“— Si-sim... Desculpe se não gostou Mestre, é qu-”
O menor mal pode terminar a frase, fora jogado de qualquer forma na cama, ao lado do bolo. Quando este tentou se levantar, aquietou-se em parte, sentindo o outro sentar-se em seu abdômen.
“— Me-mestre... Vais molhar minha roupa...” – Falou baixinho, contrariando-o só para provocá-lo.
“— Cale a boca...” – Mandou o mais velho.
Este se inclinou um pouco passando o dedo na cobertura de chocolate do bolo, logo levando a boca. Riu pervertidamente, lambendo de forma erótica aquele dedo, deixando-o entrar em sua boca, brincar com seus lábios.
O trançado engoliu seco, com certeza absoluta seu Mestre havia gostado do que tinha feito, era fácil para si reconhecer quando isso acontecia. E aquela imagem era tão carnal e luxuriosa, que concentrava-se para não se ‘animar’ demais com essa.
Mas como se manter são, com Shisue Abyssinian nu, sentando em seu abdômen, lambendo aquele dedo de forma tão libidinosa? Estava claro que era uma pura provocação, e acabaria caído direitinho nesta, iria acabar necessitado e o outro o deixaria de lado tendo que se livrar sozinho do incômodo.
“— Mestre... O plano...” – Falou pedinte, tentando de todas as formas não olhar para o outro.
“— Mandei se calar...” – Ameaçou-o com a voz fria, mas ligeiramente mais rouca. “— Fique mudo e abra a boca.”
Shisue riu, vendo este não chegar nem a pensar, apenas o obedecendo cegamente. Levou seu dedo novamente ao bolo, pegando mais da cobertura. Ao que depois levou aos lábios do menor, cobrindo-os perfeitamente com chocolate.
Só parou quando viu aqueles belos lábios completamente na cor marrom, parecendo suculentos a seu ver. Então aproximou sua cabeça da outra, esticando sua língua, somente lambeu os lábios deste, retirando o doce que ele mesmo havia posto.
Lambia com perversão, movendo seu quadril mais para baixo, para esfregar-se no membro bem oculto, mas já meio despertado do menor. Por fim, sugou o lábio inferior, tirando todo o gosto de chocolate que havia ali.
“— Hmhn... Mestre... O... Plano...”
O moreno mais velho estreitou o olhar, de fato, adorava coisas doces, mas mesmo aquele chocolate não estava tão doce assim, faltava algo, algo próprio daquele ser. Endireitou-se, repetindo o ato, manchando os lábios deste com o chocolate.
“— Ponha a língua para fora.” – Mandou, descobrindo o que faltava.
Assim que Oroi fez o que pedira, cortou a língua do mesmo profundamente com sua unha, escutando um deliciado gemidinho de susto e prazer. Viu maravilhado aquele sangue manchar os lábios já sujos de chocolate e inundar aquela boca quente e úmida.
Voltou a se aproximar, beijando agora com fervor aquela boca, tragando-a por completo. Dominando-a com sua sede de luxúria, possuindo-a com sua língua que resvalava em todo canto. Era doce, muito doce.
Sangue e chocolate, ou chocolate e sangue, tanto fazia naquela hora. Só importava sorver do menor como se fosse arrancar sua alma por aquele lugar. Os pequenos barulhos molhados das bocas se encontrando mais os pequenos gemidos dados pela sua criança o animaram mais do que acharia que iria acontecer.
Não conseguia se controlar, fato tão estranho este, apenas queria mais daquele vampirinho.
“— Plano...” – Murmurou sem fôlego o de olhos cor jade.
“— Se falar deste plano novamente, eu dou fim nele.” – Comentou raivoso, pela insistência do menor naquilo.
“— E... Vectorius...?”
Shisue até estranhou. E Vectorius? Havia se esquecido deste? O plano era simplesmente para capturar este, para tê-lo em seus braços novamente, como estava a fazer com o garoto sob si.
“— Ele me pertence... Assim como você... ” – Pegou a corrente que levava a coleira deste e puxou-a com força. “— Então cale a boca e me sirva...”
Desta vez ficou realmente mal humorado, olhando para o menor como se fosse matá-lo. E qual foi ação de Oroi ao ver aqueles olhos frios e macabros o olhando? Excitar-se por completo. Simples assim.
Estremecera, soltando um gemido baixo, já estava até pensando em contrariar o mais velho para receber um castigo severo, para sentir seu corpo ser chicoteado, cortado, dilacerado e possuído das formas mais insanas possíveis e já existentes naquele século.
Mas não queria estragar a fantasia que tinha demorado tanto tempo arrumando junto com a Lucy.
“— Sim, meu Mestre... Sou seu... Irei te servir até que me mate por não me achar mais útil.”
“— Bom coelhinho...” – Provocou-o vendo as orelhas grandes na cartola que rolava pela cama. “— Agora use suas mãos, apenas as mãos...” – Mandou-lhe, soltando a corrente e vendo este tombar novamente no colchão.
Oroi fez como este pedira, mas antes não evitou passar as mãos por aquelas coxas grosas em bem torneadas do mais velho sobre si, em um afago instigante e provocativo. Mas não demorou muito ali, tinha ordens a seguir, e além disso, queria ver o prazer estampado no rosto daquele que tanto amava.
Tocou primeiramente com leveza o membro deste já semi-rijo, fazendo apenas as pontinhas dos seus dedos causarem pequenas sensações de arrepio neste. Mas ao notar um olhar mais severo em sua direção, tratou de fazer com perfeição o que o mais velho queria.
Fechou sua mão ali, fazendo movimentos ritmados, vendo aos poucos a cara impassível do mais velho começar a se modificar pelo prazer. A outra mão voltou à coxa, arranhando-a com força, fazendo cortes nesta por onde o liquido vermelho escorria.
Colheu aquilo com os dedos e os levou a própria boca, provando o sabor de seu Mestre, aquele sabor que era o único que provaria a partir do momento que entregou sua vida a este.
“— Ferindo seu Mestre...?” – Indagou provocativo este, olhando-o com superioridade.
“— Sim, estou. Queres mais?” – Provocou-o também, contente em ver um brilho de luxúria aparecer nos olhos tão assustadoramente e belamente negros.
“— Que ousado...” – Não respondera, mas também não precisava responder.
Poucos conheciam o lado masoquista daquele Puro-Sangue, em contrapartida ao seu sadismo que era de conhecimento geral de Even. Gostava de se ferir tanto quanto gostava de ferir.
Entretanto deixava que poucos fizessem isto, não era qualquer um que iria sair machucando um sangue puro como ele. Dos que tinha perto, só Oroi tinha esse direito, talvez por ser seu favorito, ou tenha virado seu favorito exatamente por este fato.
Não importava.
Sorriu insano, sentindo mais de sua coxa ser rasgada por aquelas unhas em tamanho normal do menor, e este tragar seus sangue aos poucos, manchando de propósito sua boca ao fazer isso.
Suas mãos trataram de retirar a roupa do outro, estava até sendo paciente, nestas horas já haveria rasgado toda esta, transformando-a só em farrapos. Mas como era a fantasia do menor, deixaria essa ideia para outra ocasião.
Aos poucos o peito claro e jovem ficava a mostra, uma hora ou outra, aparecia uma cicatriz de quando era vivo, mas isso não lhe importava, ficava mais belo daquele jeito. Passou seus dedos novamente na cobertura do bolo, levando-os ali, passando por toda a area, dando prioridade aos mamilos.
“— Mestre... Vai sujar a roupa...” – Falou baixinho, olhando atentamente o que o mais velho fazia.
Não parava um instante de mover sua mão, com força, quase estrangulando aquele membro, ao que a outra o arranhava a ponto de sempre sair sangue daquela area, onde prontamente provava este.
Aquela cena era linda, sua boca salivava em vontade de ter aquilo nesta, de provar seu gosto, lamber aquele pouco líquido que saia do outro, saboreando-o por completo. Mas obedeceria, usaria só as mãos.
Observou-se ficando mais sujo ainda, mas por sorte, parecia que a roupa estava limpa. Encolheu-se um pouco, parando de acariciá-lo ao sentir a língua deste em seu peito, serpenteando de forma faminta para logo parar de fazer isso.
“— Falta algo...” – Murmurou pensativo o mais velho, logo sorrindo macabro.
Cravou suas garras no peito deste fazendo outros cortes profundos na pele do moreninho, começando da clavícula até quase o umbigo. Gargalhou insanamente, vendo-o gemer de dor e arquear as costas, em meio à angústia e prazer que sentira.
“— Ferindo seu servo...?” – Indagou-lhe com a voz fraca, quase a mesma pergunta deste de minutos atrás.
“—Sim, estou. Queres mais?” – Riu, notando os papeis inversos desta vez.
“— Quero tudo que puderes me dar meu Mestre... Sou todo seu.”
“— Meu belo jade...” – Falou baixo, sem nem notar.
“— Eu te am- Ahn...”
Shisue abaixou-se novamente, lambendo o sangue misturado ao chocolate no peito deste. Agora sim aquele gosto era perfeito, para assim saborear por completo aquele ser que era ‘belo’.
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—-X—X—X--
Três desconhecidos se teleportaram para a festa, de moto sutil, discreto. Um pierrô, um coelho de cartola e um corvo. Suas orelhas estavam ocultas pelas máscaras ou por uma cartola, por esse fato não havia como diferenciá-los de elfos.
Shisue, o pierrô, ria maleficamente, completamente mascarado, não podendo ver um pingo de suas expressões, suas roupas eram brancas, como um palhaço monocromático, exceto a máscara que continha uma gota pintada a cair do olho em tom vermelho, assim como estava nos lábios.
Até sua aura normalmente malévola, estava tentando controlar. Não queria chamar as atenções. Não agora. Não antes de se divertir.
Vitor, o corvo, refletia mentalmente o motivo de estar usando a fantasia feita pelo loirinho. Não negava que estava muito bem feita, mas eram justos demais aqueles trajes negros.
“— Elfas...” – Comenta Shisue, olhando para estas se divertindo. “—Acho que baratas são mais agradáveis...”
“— Então, meu Mestre...” – Aproximou-se Oroi, sorrindo para o mais velho. “— O que faremos?” – Esperava as ordens do plano, nem ele nem o loiro ali sabiam o que aconteceria.
“— Por hora... É uma festa, estão dispensados... Matem, estuprem, alimentem-se a vontade, desde que ninguém note...” – Falou-lhes, não dando importância para seus servos, era uma festa afinal.
“— Matar e estuprar??” – O menor arregalou os olhos, meio ocultos pela máscara peluda de coelho.
“— Entendido...” – O loiro deu de ombros, saindo de perto de seu Mestre, tinha assuntos a tratar com o loirinho.
“— Mas... Tem um recado do senhor Richard e...” – Calou-se, recuando um passo ao ver este levantar discretamente a máscara e olhá-lo com raiva, logo abaixando-a novamente. “— Não é nada meu Mestre...”
“— Apenas saia de perto de mim...” – Falou com descaso, andando por ali deixando Oroi sozinho no lugar.
“— Eu...” – Olhou para os lados, sentindo-se desprotegido e abandonado “O que eu faço?” – Perguntou-se em pensamentos, respirando fundo.
Começou então a caminhar por ali, para reconhecer bem o lugar, caso acontecesse algo, era bom estar prevenido. Só que por estar distraído, acabou batendo em alguém, quase fazendo ambos caírem, virou-se constrangido para esse, sorrindo sem jeito.
“— Desculpe, não foi por querer...” – Falou olhando bem para o pavão a sua frente.
“— Tudo bem...” – Guille falou. “— Não tinha te visto aqui, elfinho fofo...” – Sorriu-lhe doce, gentil.
“— E-eu...” – Avermelhou-se, abaixando o rosto.
O loirinho sorriu divertido. O morceguinho não era assim tão estranho quanto Vitor havia falado, olhando bem agora o jeito acanhado e fofo do mais novo, parecia que o Vitor estava era com ciúme deste e seu Mestre.
“— Qual seu nome?” – Indagou-lhe, segurando a mão do outro e levando para um área onde tinha menos barulho.
“— Oroi...” – Falou-lhe novamente tímido, o fato é que não havia falado com mais ninguém, fora seu Mestre e os servos deste no castelo.
“— Oroi...” – Riu divertido. “— Oroizinho então!”
“— Oroizinho?” – Olhou bem para este, simpatizando com o jeito daquele loiro. “— Qual o seu nome?”
“— Guille... Mas pode me chamar de Gui se quiser.”
“— Gui... Prazer.”
“ Que morceguinho mais fofo!” – Pensou o loirinho. “— Então Oroizinho, veio com os amigos e eles te deixaram de lado, estou certo?”
“— Ma-mais ou menos isto...”
“— Não se preocupe, eu ficarei contigo até que se acostume ao ambiente.”
“— Nossa, muito obrigado Guille, digo, Gui.” –Sorriu animado, pelo menos alguém para lhe fazer companhia por algum tempo havia arranjado.
O loiro segurou-o pela mão, levando para a área onde tinha bancos, um pouco mais afastado. Lá encontrou Cain descansando, tomando uma taça de vinho.
“— Cainzinho! Cainzinho! Olha! Achei um Oroizinho!” – Falou animado, dando saltinhos, como se tivesse achado um gatinho, no caso, um coelhinho.
“— É seu amigo Guille?” – Levantou-se, colocando a taça no banco. “— Prazer em conhecê-lo, me chamo Cain Radiance.” – Cumprimentou-lhe educado, cortês.
“— Pra-prazer, Oroi...” – Sorriu para este. “— Mas conheci o Gui agora... Eu estava perdido e ele me ajudou.”
Nesta hora o loirinho abraça de lado o trançado, dando um estalado beijo na bochecha deste, vendo-o ruborizar, e Cain rir divertido.
“— Guille ele não está acostumado.” – O moreno parecia um pouco mais maduro, não se sabia se era por conta de Yami, ou das taças de vinho que andara tomando.
“— Tu-tudo bem.” – Sorriu Oroi.
“— Que coisinha mais fofinha do Gui!” – Apertou agora a bochecha.
“— Gui...” – Avermelhou-se mais.
“— Hahah...” – Riu mais Cain. “— Vamos brindar... A festa está só começando...”
Guille até estranhou o modo do moreno. A roupa, o jeito, parecia que lhe davam um ar realmente de rei, não que de fato já não fosse um príncipe. Mas ao vê-lo voltar a tomar a taça de vinho notou.
Daqui a pouco, todo mundo naquela festa iria ficar bêbado, festas nesta época acabavam sempre assim, e seria a hora perfeita para se fazer botar em pratica o plano. Deixou o moreno e o trançado ali, e saiu rapidamente para pegar uma taça de vinho para si e o coelho que havia achado.
“— Cain... Não beba muito.” – Advertiu o loiro ao voltar, dando uma taça para o menor ali também.
“— Eu não tenho o costume de beber...” – Avisou Oroi.
“— Você está entre amigos...” – Comentou Cain, sentando-se no banco e cruzando as pernas de modo elegante. “— Se beber demais, levamos você para casa e avisamos aos teus amigos amanhã...”
“— Tudo bem...” – Bebeu então um pouco daquele líquido, era estranho, mas era gostoso, viciante. “— Gostei!” – Voltou a beber.
“— Isso beba Oroizinho, beba Cainzinho...”
Logo estavam os dois animados a conversar banalidades, mas nenhum destes de fato estava ligando, fora o loirinho que discretamente jogava fora quase todo o vinho que pegava para si.
Não era nem um pouco seguro um caçador ficar bêbado. Ainda mais agora que estava com o plano tão organizadinho, com tudo saindo como planejado. Só faltava ir atrás de seu pai agora.
Queria antes falar com esse, sendo um completo desconhecido para ver a reação do mais velho, para saber o que falaria consigo.
.
.
.
CONTINUA...
15/06/10
Nota da autora:
Atualizei rápido? Acho que sim, uebaaa!!!
Até que o cap ficou mais grandinho que os outros... Eu não tava conseguindo parar na parte SxO *gota*
Bem... Novos acontecimentos surgiram, eu pensei em deixá-los de lado e encurtar a historia... Mas vi que mais para frente eu teria que os colocar, e para não tumultuar, melhor seguir o plano original mesmo.
Para os que estão com medo, o PM ainda vai demorar a acabar... Sim, eu falei a alguns caps que já estava perto do fim... Mas eu andei avaliando tudo, e não quero encurtar em nada, já que todos gostam do PM.
Ainda tem personagens a aparecer, muita trama envolvendo tudo... A confusão é maior do que todos imaginam *sorrindo maliciosa*
Então? Vamos as apostas, o que quem irá ganhar, Shisue ou Guille?
Ah! Antes de ir, eu queria avisar da existência da comunidade ‘Prison Magic’ no Orkut... Quem quiser entrar e dar algum comentário fiquem a vontade.
Comentário da beta:
AAAHHHHHHHHHHHHHH… Eu já havia comentado com minha mestra que o Oroi não consegue beber vinho… Se ele bebe, não para mais @-@ FUUU, eu não achava que isso ia influenciar na história. OMG OMG OMG… O que acontecerá!? Acho que Shisue vai reconhecer o filhote na hora, e vocês? E agora que o Gui está com Oroi e Cain, o que estará fazendo o Vitor…? Mistério… HEUIHIUHE Hoje estou feliz!! Betei rapidinho, porque uma carta que eu mandei, chegou ao seu destino. *Muito feliz* E o bolo de chocolate? *0* Como Shisue encontrará Veck?! SHISUE ESQUECEU DO VECK… SHISUEEEEEE, FICA COM OROI!!! *Levanta plaquinha* Bem, é isso, acho que me comentário está grande demais, mas quem se importa? Falando em comentários… Estou devendo algo! Até mais pessoal! Leiam e comentem, para a felicidade de minha mestra. ♥
P.S. Perdoem qualquer erro que eu deixei passar. i.i
Autora: Toynako
Extra do Nyah! :
Como gostaram de ver desenhos do PM feito pelos leitores, eu irei continuar a posta-los. Quem tiver algum, e queira ver seu trabalho aqui, mandem uma mensagem, que conversaremos melhor.
Luna —Mari Sathie-
Luna —Mari Sathie-
Todos —Free-
Cain —Bakinha-
Yami —Toynako- ((Eu tinha que colocar umas minhas tambem XD))
Veck + Oroi —Toynako- ((Eu tinha que colocar umas minhas tambem XD))
By: Toynako
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