Prison Magic

19 Capítulo 19


Parte 19

“— CONSEGUI!” – Gritou o loirinho, abrindo de súbito a porta do quarto.“—AHHHHH!!!” – Gritou histericamente de pavor ao ver aquilo.

Guille desesperou-se ao ver como as coisas andavam naquele quarto. Poderia facilmente desmaiar com a cena a sua frente, entretanto foi mais forte, segurou com força os copos que carregava -um em cada mão-, para não ter o risco de caírem.

Respirou fundo, completamente pálido com o que via, suas pernas tremiam fortemente enquanto se aproximava daquela cama. Parou bem ao lado dela, ‘sartisfeito’ por pelo menos terem parado de se mexer quando aparecera.

Olhava com extrema raiva para Vectorius , afinal, como ele não pode aguentar aquilo? A tentação de um garoto, de um garoto inocente! Se nem ele, o sujo, impuro, havia realmente tentado algo com o moreninho, como aquele morcego ousaria fazer isso?

“— Vectorius...” – Vociferou com raiva o nome deste, não conseguindo ocultar uma aura assassina que o rodeava. “— Dê... Isso... A... Ele.” – Falou pausadamente, estendendo um dos copos.

“— Mnh!” – O vampiro mordeu os lábios com força, fechando os olhos ao sentir o demônio se remexer.

Sentia que se este forçasse aquilo, iria com certeza ‘entrar’.

“— Vectorius... Não me importo contigo. Não vou deixar um ser sujo tocar no Cainzinho desta forma!” – Gritou.

“— Gui...” – Gemeu o nome deste, olhando para o loiro. “— Não briga com o Veck… Eu... Mnhn...” – Encolheu-se voltando a se remexer.

Guille alarmou-se mais ainda quando viu aquilo. Se o vampiro não faria nada, ele mesmo faria. Virou um dos copos em sua boca, ficando com o liquido lá, deixando o vidro cair em seguida no chão, puxando com força os cabelos de Cain.

“— Aiii! Isso do-Mmmm!?” – Quando o moreninho ia reclamar o loiro o beija, passando assim o antídoto para este. “— O... Que...?” – Afastou-o, depois de ter sido obrigado a tomar tudo que o outro lhe passara.

“— Coisa loira dos infernos! Como ousa fazer isso com meu hospedeiro!?” – Reclamou Yami, notando Cain meio zonzo agora.

“— Cala a tua boca!” – Gritou, virando o outro, puxando agora o cabelo do demônio e o beijando.

“— !!!”

Quando terminou de passar o líquido, largou aquela boca, ficando em pé, vendo o desfecho daquilo.

Veck respirava pesadamente, estremecendo, odiando do fundo da alma ter visto os lábios do moreninho em contato com o do loiro, mas felizmente tinha uma boa causa. Logo notou que ambos, demônio e príncipe, desmaiaram em sua cama.

“— Pronto.” – Avisou Guille. “— Terminei o trabalho que um incompetente como você não pode fazer!” – Gritou novamente.

“— Cala... Cala a boca...” – Tentava a todo custo se conter.

“— Escuta aqui...” – Puxou-o pela franja, até que se levantasse. “— Não me mande calar a boca, seu ser imundo!”

“— Me larga!”

Veck empurrou o loiro com força, afastando-se dali com um pouco de dificuldades. Não entendia, realmente não entendia como não conseguiu se controlar. Uma tarefa tão fácil.

“— Não... Ouse me chamar de imundo... Não tem o direito...” – Reclamou Veck, tampando sua intimidade com as mãos, tentando esconder algo que não teria como ocultar.

“— Ohhh! Por que não tenho? Por que me deito com qualquer um?” – Sorriu pervertido, aproximando-se do outro. “— Escute aqui. Eu NUNCA sujei algo puro, NUNCA me aproveitei da situação para fazer isso com um amigo.”

“— A culpa é tua!”

“— Não ‘ouse’, levantar a voz para mim novamente, Vectorius...” – Vociferou imponente, em um tom deveras ameaçador.

Veck realmente se assustou com aquilo, nunca, nunca pensou que sentiria tanto medo de algo como sentia de seu Mestre. Mas aquele loiro a sua frente, com os olhos estreitos, o sorriso malévolo, estavam lhe assustando da mesma forma. Como se fosse seu Mestre.

“— Escute calado...” – Mandou Guille. “— Esse antídoto, irá fazê-los esquecer tudo o que aconteceu, dês da hora em que tomaram o afrodisíaco.”

“— ...” – Apenas concordou com a cabeça.

“— Então, o que aconteceu nesse quarto NUNCA aconteceu. Entendeu?”

“— ...” – Concordou novamente, ainda abismado demais para retrucar algo.

“— Agora vá cuidar disso que tens entre as pernas, pois não quero me sujar conversando com alguém que parece que vai gozar a qualquer instante.” –

O vampiro andou cabisbaixo em direção ao banheiro, voltando a chorar, já o loirinho ficou no quarto. Lentamente vestiu cada um daqueles dois, contente por mesmo apesar de ter feito aquela poção às pressas e não tê-la deixado no fogo o tempo suficiente, ela fizera efeito.

Assim que vestiu os dois, ajeitou-os na cama, cobrindo-os em seguida. Respirou fundo novamente, escutando o barulho da porta do banheiro se abrindo e o morcego saindo de lá com uma toalha enrolada na cintura.

“— Não ouse chegar novamente perto do Cainzinho. Vou esperar na sala, a conversa ainda não acabou.” – Ordenou, pisando forte no piso, saindo do quarto.

Ficou olhando o loirinho sair de seu quarto e este fechar a porta com tanta força que suspeitava até que poderia ter quebrado. Assim que este saiu, seus olhos voltaram-se imediatamente para os dois que dormiam em sua cama.

Andou afobadamente até estes parando ao lado de seu leito. Seu peito doía. Ah! E como doía. Fora realmente como o loiro dissera, um imundo, que se aproveitava do momento de fraqueza do amigo.

E pior, não entendia nem por que se aproveitou disto. Sempre odiou estes tipos de coisas quando seu Mestre o obrigava a fazer, mais sofria do que aproveitava. E entretanto, de fato o prazer que sentira fora tanto nas mãos daqueles dois que até mesmo agora seu corpo estava sensível.

Sabia que se tocasse em si agora, acabaria soltando um incontrolável gemido. Impossível. Extremamente impossível estar em pé, ao lado daqueles dois morenos, tão frustrado como estava agora. Parecia que queria que aquilo continuasse.

“— Devo estar ficando louco...”

Virou-se, indo para um grande guarda-roupa de madeira todo entalhado, abrindo-o e tirando a roupa que usaria no restante do dia. Optou por algo discreto, uma camisa de manga comprida verde-musgo e uma calça folgada em um prata fosco.

Pegou em seguida a escova, tentando dar um jeito em seus cabelos. Quando terminou tudo, amarrou-os caindo para frente com a primeira fita que avistara. Respirou fundo, voltando sua atenção para os morenos novamente.

Tinha que sair dali.

Rápido.

O mais rápido o possível.

E assim o fez, saiu as pressas dali, definitivamente não voltaria até estes terem acordado e saído de lá. Caminhou lento, inconscientemente indo para a sala, seguindo a ordem dada pelo loirinho.

“— Agora que já está vestido, sente-se...” – Murmurou, ainda com raiva o loirinho, apontando para o sofá a frente.

“— Não temos mais nada a falar, tudo deu certo no final.”

“— Mandei sentar-se.”

“— ...!?”

Engoliu seco novamente, definitivamente aquele ali não poderia ser o loiro, mais parecia um clone de seu Mestre do que aquele garoto fresco. Acabou por sentando no sofá, ficando a olhar para este.

“— Agora vamos rever os pontos... Você sabe que os Reis de Radiance tem que ser virgens, não sabe?”

“—... Tinha ouvido falar, mas só acreditei quando Yami falou...”

“— Você sabe que o Cainzinho só está atrás da cura para voltar para o reino dele não é? E que assim que isso acabar ele nunca mais vai te ver.”

“— ...”

“— Da mesma forma em que ele esta te usando para conseguir o trono que lhe é de direito, você o está usando para suprir suas energias...”

“— Co-como sabe?”

“— Isso não importa.” – Olhou-o feio. “— Escute bem. Não me importo se descobriu que gosta da mesma coisa que eu gosto, se quer isso, está cheio de elfos na vila.”

“— QUE!?” – Levantou-se, abismado com que o outro dissera. “— Não sou como tu, eu gosto da Luna, e amo a Lucy.” – Explicou-lhe.

“— Cain me falou delas, bem, a parte que sabia... Uma está morta e a outra prefere ficar com uma tripulação cheia de homens do que contigo por muito tempo.”

“— !!?”

Veck literalmente caiu sentado no sofá pelo que o loiro tinha lhe dito. Pior, não deixava de ter razão.

“— Bem, já lhe disse o que tinha que dizer... Agora...” – Fungou, como se tentasse segurar o choro. “— Não toque no Cainzinho...” – Por fim, não conseguiu se segurar, deixando que as lágrimas rolassem de seus olhos.

“— Guille...?” – Estranhou, mas quando pensou em dizer algo, o loirinho saiu correndo dali.

--X---x---X---

Rotina; Repetição de atos ou hábitos.

Uma vida que é uma rotina torna-se definitivamente monótona, entediante. As coisas em volta não possuíam mais cores, se é que algum dia já tiveram.

Um homem andava lento por aquelas ruas cobertas de neve, aquela cidade chegava a ser patética de tão branca. Branca Even, era assim que era conhecido aquele lugar. Muitos viviam ali, apesar do clima sempre frio que tinha naquelas bandas. O sol era algo raro ali, pois sempre estava encoberto por grossas nuvens obscuras.

Muitos viviam ali apesar deste clima, e de saberem que um malévolo Puro Sangue morava nas redondezas em seu monstruoso castelo. Todos sabiam os riscos de se morar ali, assim como era exatamente por esses riscos que alguns procuravam o lugar.

Ultimamente de branco, puro, só existia a nomenclatura daquele lugar, pois nem a neve que possuía em todo canto era mais branca, sempre estava manchada de vermelho.

A volta daquele homem a caminhar, só existia as luzes que provinham de algumas tochas espalhadas pelas ruas. Voltava tarde para sua casa, sabia disto, entretanto estava voltando mais cedo que o de costume, queria ver o rosto sorridente de sua amada mulher o aguardando.

“— Cheguei...” – Murmurou baixinho, ajeitando sua espada na cintura.

Cuidar da ordem naquele reino era algo complicado pelos mal feitores que rondavam aquela região, além da área ser propícia a lobisomens e outros seres deste tipo. Mas fazia tudo perfeitamente, não queria que sua amada e seus amigos acabassem sendo mortos por algo do tipo.

“— Querida?” – Olhou melhor em volta, não a achando.

Silêncio, estranhou aquilo, sua mulher era sempre tão tagarela. Era só chegar a casa que esta corria para si para reclamar ou falar da vida alheia. Estranhou mais, havia chegado mais cedo que o normal, por querer fazer uma surpresa para comemorar os dois anos de casados.

“— ...”

Já estava começando a ficar com medo, e se algo tivesse acontecido a ela? O que seria de sua vida sem sua amada? Andou pela a casa aflito, e logo se assustou ao escutar um barulhinho estranho.

Andou em direção para a porta de seu quarto, abrindo-a sorrateiramente, segurando sua espada para caso fosse algum ladrão. O choque que teve ao ver aquela cena fora tão grande que ficou sem ações.

Sua mulher, sua amada mulher, na cama com outro em cima deste. Um flagra. Esta gemia contentemente, deliciando-se com os movimentos que o homem fazia.

Teve que respirar fundo, uma, duas, três vezes, ficando parado vendo aquilo. Definitivamente não haviam notado sua presença, pela luxúria com que os corpos se juntavam.

Nunca em sua vida, sentira tanto nojo de algo. Nojo de ser um humano. Encostou-se na porta, prestando atenção naquilo, notando o jeito bruto que aquele homem tratava sua mulher. Sempre a tinha tratado tão gentilmente...

Aquilo lhe deu raiva, segurou mais firme no cabo da espada, aproximando-se sorrateiramente, chegando quase ao lado da cama, sem ser notado. Sorriu cruel e insano pela primeira vez em sua vida, levantando a espada e cravando-a com força nas costas daquele homem.

A força usada fora tanta que a lâmina transpassou o corpo deste e ainda feriu um pouco o peito de sua mulher. Um grito de dor fora ouvido da parte desta, já que o homem parece que morrera na hora. Pela primeira vez, achou magnífico o grito de dor dado por alguém.

Ouviu gritos de desespero da mulher, mas ignorou-os com um sadismo ímpar, retirando a espada do corpo daquele morto, o chutando de cima de sua mulher com tanta força que este rolou até cair da cama.

As lágrimas não paravam de rolar pela face delicada de sua mulher, agora sentada na cama, implorando pela sua vida, tentando explicar os fatos, tentando negar tudo. Mas de nada adiantava, a realidade era aquela, sabia disto.

Estreitou o olhar, ignorado cada desculpa esfarrapada que ela dava.

“— Pare, eu lhe imploro! Estou grávida de um filho teu!” – Gritou esta no final, abraçando a barriga.

“— Como se fosse realmente meu ‘isto’ que guardas no teu ventre...” – Vociferou.

Não teve pena, e nem quis escutar mais sobre aquele filho, apenas segurou firme sua espada e decapitou-a, sujando a si próprio com o sangue imundo daquela mulher que um dia amou.

Em toda sua vida talvez nunca rira tanto quando riu naquela noite, vendo a cabeça desta rolar da cama e o corpo inerte tombar para o lado. Não se culpou, ou se alarmou por ter tirado tão facilmente a vida de um ser humano.

Deixou tudo como estava, saindo de sua casa, arrastando a espada, deixando um rastro vermelho naquela neve por onde passava. Naquela noite fria, assim como as outras, não existia pessoas nas ruas a essa hora.

Andava sem destino, sorrindo como um louco, manchando a Branca Even... Nada mais importava...

“— Um humano sujo de sangue?” – Soou uma voz fria ao seu lado.

“— Parabéns, por notar isso...” – Zombou em um resmungo, parando de andar para ver quem era que estava lhe incomodando a esta hora.

Olhou bem este, o reconhecendo prontamente, quem ali não reconheceria o vil Puro-Sangue que possuía um castelo naquelas terras? Mas de fato, apenas revirou os olhos com óbvio descaso, ignorando completamente aquele ser e voltando a andar, tendo em mente agora um destino.

“— Que ousadia é esta!?” – Reclamou o vampiro, segurando o outro pelos cachos loiros. “— Irei te matar agora mesmo, humano inútil.”

“— Isto está doendo...” – Reclamou, olhando frio para este. “— Largue meu cabelo.”

“— Humano...” – Vociferou, puxando com mais força os cabelos deste, o machucando mais. “— Nada fará com que eu desista de te matar.”

“— Hahahahaha!” – Caiu na gargalhada. “— Vai me matar?” – Sorriu marotamente, parando de rir. “— Apenas me pouparia passos... Meu destino era o penhasco mais próximo!” – Cruzou os braços. “— Vamos, mate-me! Pinte mais essa neve de vermelho.”

“— Humano sem graça...” – Soltou-lhe. “— Não se debaterá ou gritará... Sua coisa suja... Humano sujo.”

“—Humanos são sujos e repugnantes, como ratos! São como cobras, covardes e traiçoeiras! Tecem teias de mentiras como aranhas.” – Riu novamente.

“— Gostei do discurso...” – Bateu palmas em deboche. “— Ser quer a morte, serei tua morte.”

“— Até agora só o notei falando asneiras, agindo quase nada...” – Zombou.

O Puro-Sangue puxou com força novamente os cabelos deste, olhando-o bem nos olhos, sorriu pervertido notando a cor verde daquelas íris. Pareciam dois quartzos verdes aqueles olhos.

Animou-se com este fato, finalmente um ‘olhos verdes’ depois que sua preciosa esmeralda havia fugido com uma elfa. Ultimamente estava sem ninguém para se divertir, e por que não ter uma cria nova?

“— Qual teu nome?” – Indagou, analisando-o completamente.

“— Apenas me mate.” – Reclamou, já impaciente.

“— Eu lhe fiz uma pergunta. Responda-me!”

“— Vitor... Vitor Áster.” – Respondeu-lhe, olhando-o com desprezo. “— Está esperando o que para me matar!?”

“— Irei transformar este teu desejo em um eterno desespero...”

...

--X---x---X---

“—Vitor...?” – Soou uma voz meio tristonha.

O loiro então lentamente abre os olhos, com dor de cabeça por causa daquele maldito sonho, notando de imediato o loirinho a sua frente.

Olhou em volta, em seguida percebendo estar na floresta perto da vila élfica, no mesmo lugar onde se encontrava com o Caçador. Sentou-se, rindo baixo de si mesmo por ter acabado por dormir, esperando o outro.

“— Você está bem?” – Indagou-lhe o loirinho, ajoelhando-se ao lado do outro.

“— Que tipo de pergunta cheia de piedade é esta, Caçador?” – Rebateu, olhando bem para este.

“— Mas... Você... Está chorando.”

Fora só então que Vitor notou tal fato, levou suas mãos ao rosto, retirando aquelas lágrimas frias. Nunca chorara deste modo, por um sonho, por uma lembrança. Na verdade não havia chorado nem quando matou sua esposa. Só uma vez havia chorado tanto, e nesta vez fora quando conhecera o Caçador.

Era, de fato, uma decadência, pois um homem de quase cento e cinqüenta anos, ficar chorando por causa de um mísero sonho, era algo muito estranho.

“— Vitor...” – O loirinho o abraçou.

“— Caçador... Estás estranho... Normalmente só me chamas pelo nome quando está com raiva...”

“— Quieto...” – Murmurou baixinho, em um tom emburrado e meio triste.

“— ...Caçador?”

Agora sim, sabia que tinha algo de errado com o outro, já o tinha chamado de Caçador várias vezes e este continua quieto, frágil.

“— Guille...” – Chamou-o agora pelo nome. “— O que aconteceu? Nunca te vi assim...” – Calou-se um pouco, lembrando-se de algo. “— Só naquele dia...”

“— Quieto...” – Murmurou novamente, em tom baixo, agora parecendo choroso.

O loirinho levantou-se um pouco, sentando-se no colo do vampiro, olhando fixamente para o rosto deste. Tão adulto, vinte e cinco anos, faziam aquele corpo ser tão perfeito para ‘seu uso’. Não sabia muito do passado deste, mas sabia que sofria muito nas mãos daquele Puro-Sangue vil...

Vitor arqueou a sobrancelha, notando que quem agora chorava era o loirinho. Respirou fundo, levando sua mão naquele rosto macio, retirando as lágrimas dali, ou pelo menos tentando, já que estas não paravam de rolar.

Algo ali estava definitivamente errado. Um fato muito sério deve ter ocorrido para aquele Caçador que o assustava tanto quanto seu Mestre muitas vezes, parecer agora tão vulnerável.

Parecia um garoto assustado.

“— Vitor... O meu plano deu errado...” – Murmurou, tentando segurar o choro. “— O Cainzinho acabou tomando a minha poção por engano...”

“— Qual o mal?”

“— ...”

“— Você não disse que dava para fazer duas doses?”

“— Mas... Foi o Cainzinho... Eu... Eu tinha que ajudá-lo.”

“— Caçad-” – Calou-se por um instante. “— Guille... Gosta tanto daquele humano?”

“— ...”

“— Você vive falando dele... Além disto, já te escutei o chamando, vez ou outra, quando nos deitamos.”

“— Gosto sim...”

“— O ama?”

“— Amor não é digno de alguém como eu.” – Avisou-lhe de imediato. “— Eu apenas admiro a pureza que ele possui... Não posso sujá-lo com minha impureza. Já fui o culpado por matar aqueles humanos em Radiance...”

“— ...”

O único som, que acabou ecoando por toda aquela floresta escura, fora o do tapa bem forte que o vampiro dera no rosto do Caçador. Este piscou os olhos, aturdido, olhando para o outro loiro sem entender o motivo de ter levado aquilo.

“— Por que fez isso!?” – Chiou, levando uma mão ao lugar atingido. “— Porque, seu morcego idiota!?”

“— Finalmente despertou, Caçador...” – Riu cínico. “— Aquela coisa que via a minha frente não era você.”

“— Idiota! Idiota! Como ousa macular meu lindo rosto!?”

“— Cala a boca e me escuta, depois pode me estrangular a vontade com essas malditas mãos.” – Elevou o tom, fazendo o outro olhar para si com mais ódio ainda. “— Eu, que armei o ataque ao reino Radiance!”

“— ...”

“— Eu que estraguei o futuro normal daquele garoto deveras inocente. Se bem que ‘normal’ notei que não tem nada...”

“— ...?”

“— Entendeu agora? Chega de drama!”

Gui olhou bem nos olhos verdes daquele loiro a sua frente, sorriu maroto para este. Parecia mais que este estava querendo o tranquilizar, tirar o peso de seus ombros, e de fato, sentia que tinha o retirado um pouco.

Mas isso não o impediria de zombar com este.

“— Vitor...” – Chamou-o manhoso. “— Querendo me animar, é?” – Sorriu mais.

“— Estava apenas falando a verdade.” – Murmurou, virando o rosto um pouco e ruborizando.

“— Ohhh! Que fofo...” – Zombou, rindo baixinho.

“— Pense no que quiser!”

“— Vitor... Vamos fazer como daquela vez...?”

“— ‘Aquela vez’?”

“— À noite em que nos encontramos pela primeira vez...” – Abraçou-o pelo pescoço.

“— Certas coisas tem que ser esquecidas, pois não se repetem...”

“— Vamos... Faça como daquela vez, sem ser forçado. Me amando daquela forma apaixonada e desesperada. Como se nunca mais desejasse me largar...”

“— Daquela vez, nós dois estávamos loucos, cada um mergulhado em seus próprios problemas e lágrimas.”

“—Tente... Fique louco... Chore... Esqueça que eu sou um Caçador, esqueça que és um vampiro...”

Vitor olhou bem para aquele rosto o qual novamente chorava. Respirou fundo, aproximando-se e lambendo aquelas lágrimas, o abraçando mais firme.

Nunca gostou de ver ninguém chorando, talvez de todos aqueles loucos do castelo de seu Mestre, fosse o mais são. Todavia, quando não gostava de alguém, como no caso do trançado, a pessoa poderia esperar sua inimizade até a morte.

Nunca mais amaria alguém, nunca mais correria o risco de acontecer a mesma coisa, quando entregou seu coração para um amor traidor, falso.

“— Tudo bem Guille...” – Sorriu-lhe mais ameno, acariciando aqueles cabelos dourados do outro em seu colo. “— Eu darei um jeito em tudo... Não chore...”

...

--X---x---X---

O loiro, agora, depois de ter tentando ajudar naquela crise em que o Caçador estava na noite passada, agora no crepúsculo do dia seguinte, havia reunido forças para fazer o seu plano.

Plano este que tinha feito sozinho. E que o colocaria em várias situações que definitivamente odiava. Mas, era a única chance. Tinha que aproveitar que tinha ‘agradado’ Shisue com o plano de usar Lucy.

Passou lento pela porta do cômodo qual Oroi costumava trabalhar. E lá estava ele, sentado em frente a um grande cilindro de vidro, com uma garota dentro. E este lia sorridente para ela.

Sorriu maroto, notando que o menor lia distraidamente, conversando vez ou outro com aquela boneca morta-viva a sua frente, tanto que perdera à hora. Este já devia tê-la deixado para ir ver se seu Mestre precisava de algo, mas o jeito alegre como estavam conversando o fez esquecer isso.

Vitor então seguiu seu rumo, indo fazer o que o trançado deveria estar fazendo. Sim iria até seu Mestre, sem este o forçar a fazer tal ato.

Este era seu plano, iria roubar o favoritismo daquele garoto sórdido que aparecera naquelas terras para si, assim o Puro-Sangue o levaria para o Baile de Máscaras da vila élfica.

Respirou fundo, agora em frente ao quarto de seu Mestre. Estava com tantos pensamentos na cabeça que nem percebeu que suas pernas o levaram direto para aquele monstro que procurava.

Aproximou-se mais, batendo na porta.

“— Mestre, é Vitor.” – Anunciou sua presença.

“— Vitor...?”

De dentro, pode-se ouvir uma alta gargalhada, como se o ser lá descançando tivesse ouvido a melhor piada já dita. Vitor, apenas continuou calado, com os punhos fechados com força, rente ao corpo.

“— Entre.”

Não esperou segunda ordem, pois sabia que se tivesse desistido daquilo ali, já se imaginava nos próximos meses em uma masmorra, sendo açoitado toda hora. Entrou, deixando meio aberta a porta atrás de si de propósito.

“— O que queres? Tens por acaso, algum outro plano bom como aquele?”– Indagou Shisue, fechando o livro que lia, ajeitando-se na poltrona que estava sentado.

“— Não, meu Mestre.”

“— ... Então, não me digas que...” – Riu novamente, do jeito cínico e medonho como sempre fazia. “— Impossível que veio em meu quarto, a esta hora, se sabes o que gosto de fazer...”

“— Sim Mestre...” – Mordeu os lábios, aproximando-se cautelosamente daquela poltrona.

“— O que fez a Oroi?” – Estreitou o olhar.

“— Nada meu Mestre, ele continua lá, conversando, se divertindo com aquela humana.”

Pronto, ali estava mais um ponto ao seu favor. Sabia que mesmo Shisue tendo ordenado o trançado a cuidar daquela humana, este odiava qualquer segundo a mais que ele passava com ela.

Alem de que o vampirinho a tratava quase como uma princesa.

“— ‘Se divertindo’? ” – Vociferou baixinho. “— Minhas ordens eram para ele a tratar como ela merece. Um lixo, apenas.”

“— Eu sei, meu Mestre.” – Continuava a se aproximar, lentamente, aproveitando e fazendo o outro ficar com raiva daquela criança.

“— ...”

“— De que adianta ser ‘belo’... Se é inútil e lhe desobedece...” – Sorriu pervertido, parando agora em frente ao mais velho.

“— Vitor... O que queres, vindo a meu quarto, há esta hora, parando a minha frente e me olhando desta forma...?” – Provocou-o.

“— Mestre...” – Ajoelhou-se, baixando a cabeça, fazendo uma reverência. “— Deixe-me entretê-lo...” – Lambeu os lábios, olhando agora para este.

“— Me entreter? Desde quando consegue fazer isso?” – Riu. “— És tão péssimo quanto um humano, a única diferença é que continuas vivo depois que te uso.”

“— Então, esperará pacientemente pelo trançado?” – Alfinetou-o, mesmo sabendo ser algo arriscado. “— Ficará em segundo plano, sendo substituído meramente por uma fêmea humana morta-viva?”

“— Vitor...” – Chamou-o em tom de advertência, se este ousasse o ridicularizar mais, o deixaria em pedaços e vê-lo-ia agonizando pelo tempo que levaria para se recuperar.

“— Meu Mestre...” – Tocou de leve nas coxas deste, deslizando os dedos pela calça negra que usava. “—... Só quero lhe entreter... Estou com vontade de fazer... Não irei o desapontar...”

Shisue olhou bem para aquela sua cria. Algo estava errado ali, mas a raiva de ter sido trocado por Lucy não o fez pensar no motivo que levaria Vitor a aparecer no cair da noite em seu quarto. Riu de canto, voltando a abrir o livro na parte que estava lendo.

Sabia que o loiro era péssimo naquilo, então melhor se distrair com algo antes que tivesse uma cria a menos.

“— Faça seu melhor.” – Avisou, virando uma página e recomeçando a ler.

O loiro olhou bem aquilo. Irritou-se internamente, não era ruim de fazer aquilo. Só não gostava de fazer, e isso refletia-se toda vez quando seu Mestre o usava. Mas desta vez, pelo bem de seu plano e seu próprio bem, iria fazer da melhor forma possível.

“— Agradeço... Mestre...”

“— ...” – Virou outra página.

Respirou fundo, deslizando suas mãos pelo tecido da calça que usava, lentamente foi até os joelhos, abrindo um pouco para acomodar-se melhor. Olhou para cima, vendo este ainda a ler.

Não se importou, guiou suas mãos ao botão daquela peça de roupa, abrindo-a e abaixando-a junto com a roupa íntima, puxando até que retirou aquilo do mais velho. Deslizou lentamente, suas mãos, uma em cada perna. Subindo da canela para os joelhos, dos joelhos para as coxas e destas para o lugar onde deviam estar.

Suas mãos começaram a acariciar lentamente aquilo, provocando aos poucos, usando as pontas dos dedos para sua unha arranhá-lo. Odiava ser passivo, não era nem um pingo masoquista ou sádico. Mas sabia que estes dois últimos, seu Mestre era.

Se teria que fazer aquilo, faria do jeito certo... Qualquer coisa... Imaginaria ser o loirinho, exceto por aquilo em mãos ser absurdamente grande.

Lambeu os lábios, tirando uma mão dali e levantou um pouco à camisa que este usava, expondo o abdômen, logo levou sua boca ali, ao que sua mão continuava a se mover. Beijava, lambia, vez ou outra até mordia com força.

Entretanto não arrancava uma gota de sangue do outro, se fizesse isso, além de ser inútil, pois para ser um vampiro livre o Mestre tem que dar de bom grado sangue, acabaria seus dias nas masmorras.

Sim. Era um difícil trabalho conviver com aquele monstro. Cada passo, cada ação poderia acarretar em algum tipo de punição. Mas logo jogou os pensamentos para o alto, quando sentiu uma das mãos de seu Mestre empurrando sua cabeça para baixo.

Olhou para cima, pensando que pelo menos o livro estava fechado, e tinha conseguido tomar completamente a atenção deste. Entretanto, se frustrou, ao ver o outro lendo ainda o livro, sendo seguro só por uma mão.

Frustrou-se, mas não desistiu.

--X---x---X---

Em outro canto do castelo, após algum tempo, Oroi continuava conversando de forma animada com Lucy.

“— Hahaha! Não acredito que Vectorius quase desmaiou quando você deu o primeiro beijo nele.” – Ria o moreno, sentado de frente a cela de vidro da loira.

“— Verdade. Ele ficou tão vermelhinho, foi tão fofo.”

“— Deve ser tão legal ter um amor assim, recíproco.” – Comentou, ainda animado.

“— Sim. Eu o amo e ele me ama.” – Logo a loira notou algo, que a fez levantar-se com força, olhando assustada para o outro. “— Oroi, já não passou da hora!?”

“— Hora? Que hora...” – Foi então que notou.

“— O senhor Shisue deve estar esperando-o a tempos...”

“— Tenho que ir!” – Falou rápido, levantando-se e dando um ligeiro beijo no vidro da cela desta. “— Depois me fale mais sobre como é grande este amor de vocês.”

“— Sim. Mas agora vá cuidar do seu.” – Avisou-lhe sorrindo doce, sabia muito bem o quanto o moreninho gostava do Shisue.

“— Ah... Sim...” – Avermelhou-se um pouco, saindo logo dali.

Andou apressadamente pelos corredores daquele castelo. A sua trança balançava de um lado ao outro, quase tal qual uma serpente, pela forma que andava. Só parou em frente ao quarto de seu Mestre.

Quando ia bater na porta, notou-a aberta, por curiosidade, olhou pela fresta, estranhando de imediato a cena a frente.

Seu Mestre, sentado na poltrona, com as duas mãos no cabelo de Vitor, e este tinha na boca o membro do mais velho.

“— Mnn...Vitor, não sabia que tinhas uma boca tão boa...” – Falou rouco, segurando com força naqueles cabelos, obrindo-o a ir cada vez mas rápido. “—A-acho até que podes ensinar uns truques para Oroi... Ahmm... Isso... Talvez você possa até aparecer aqui no lugar dele...”

Chocou-se ao ver aquela cena. Sabia que seu mestre por vezes procurava outros servos para se satisfazer, sem falar em seu próprio atrazo. Mas era óbvio, o menino não havia tido sequer uma chance.

O que pensou, quando imaginara que seu mestre poderia amá-lo? Provavelmente, este não era capaz de tal façanha… Mas o que dizia? Não poderia falar assim do ser que lhe acolheu, mesmo o moreninho não sendo seu servo de verdade. Talvez fosse por isso, quem poderia saber? Perguntas sem respostas.

O garoto fechou a porta com delicadesa, tomando cuidado para não cometer nenhum deslize, não provocar barulhos. Porque deveria interromper seu mestre? Foi até a parede oposta a porta, escorregando suas costas por esta, deixando as lágrimas lavarem seu rosto.

A mágoa persuadia sua mente, não sabia exatamente o que pensar. Na verdade não tinha o que pensar, a verdade era clara. Acabou sentado ali no chão, chorando baixinho, tão próximo do vil que amava, mas ao mesmo tempo, tão longe dele.

Ouvindo seus próprios soluços e os gemidos deliciados dele, ouvindo seu coração pulsar. Como queria naquele momento que este parasse de bater, completamente. Atingir sua morte verdadeira, a morte derradeira.

Infelizmente –ou felizmente- não podia fazer isso. Certa vez, prometera a si mesmo, que sua morte só se daria pelas mãos de seu mestre, ou lutando por este, salvando-o. Poderia parecer fútil para um vampiro, mas era a verdade que sentia.

E chorou, embargando-se naquelas lágrimas, escondendo talvez de si mesmo seu próprio rosto, com as mãos. Chorava baixinho, tentando não alarmar ninguém, porém, não aguentou ao ouvir um gemido mais alto de seu mestre. Soluçou com vontade, comentendo o erro que não queria, fazendo barulho demais.

Correu dali as pressas, soluçando incontrolavelmente, mal olhando por onde ia, não sabendo para onde ir. Não aguentava mais aquela cena, vagando por sua memória. Inesquecível de um modo que não desejava. Correu para o único ser ali que poderia talvez o consolar.

“— Oroi!?” – Lucy falou desesperada ao ver o menor aparecer em prantos em sua sala. “— O que aconteceu? O senhor Shisue está bem?”

“— Ele... Ele...” – Soluçava. “— Está sim... Muito bem... Com ‘Vitor’...” – Falou sentando-se de lado, encostado ao vidro. “— Como posso ter sido trocado por Vitor? Logo ele...?” – Chorava mais.

“— Calma...” – Não sabia como consolar. “— Quem sabe... o Vitor foi lá para o senhor Shisue não ficar bravo por você ter demorado?”

“— O Vitor? Ele? Preocupado comigo? ” – Riu baixinho, amargurado, encolhendo-se ali. “— Impossível... Ele deve ter algum plano para fazer aquilo...”

“— Então... Quando tudo terminar... Pergunte isso a ele.”

“— E começar uma discussão entre nós? A última que teve meu Mestre te feriu... Não quero que isso aconteça.”

“— Então fale com o senhor Shisue, explique o que sente.”

“— Não posso ser infantil ao ponto de pensar que um amor recíproco como o teu, seja igual ao meu platônico...”

“— Desculpe...”

“— Não, desculpe eu... Acabei descontando...”

“— Oroi... Eu conheço o senhor Shisue...” – Parou de falar, mordendo os lábios por um instante. “— As vezes o jeito como ele te olha, é igual a quando via Vectorius...”

“— Eu sei que sou um substituto...”

“— Não foi isso que quis dizer... E sim, que tenha esperança, tenha fé, espere. Um dos lados bons de ser um vampiro é que você pode levar o tempo que quiser para conquistá-lo.”

“— Conquistá-lo?” – Olhou incrédulo, lágrimas ainda rolando. “— Shisue Abssynian?”

“— Sim, vá aos poucos, deixando-o sempre pensar que está no controle de tudo.” – Aconselhou.

“— Acho isso tão impossível...”

“— Tente. Você não o ama?”

“— S-Sim...” – Avermelhou-se um pouco. “— Muito, por ele eu morreria.”

“— Então por ele, você irá lutar.” – Sorriu-lhe doce como sempre, tocando no vidro perto donde este estava encostado. “— O amor é uma batalha constante.”

“— Obrigado Lucy!” – Sorriu-lhe também, ainda com amargura no olhar, aos poucos parando de chorar.

O moreninho levantou-se então. Estava decidido a transformar aquele amor platônico em um recíproco, nem que isto levasse anos ou séculos.

CONTINUA...

04/04/10

Nota da autora:

*fechando o guarda-chuva*

Credo, quanto chororô neste capitulo. XDDD

Mas pelo menos eu estou mais tranquila depois do Guille ter dado aquela bronca no Veck. Agora ele aprende a parar de ser abusado! *falando como uma mãe preocupada*

Mas sim, fiz este cap todo em 5 horas, comecei a meia noite...

Vou passar a páscoa toda em ‘modo zumbi’...

Ah! Para os que estão preocupados com o estado do Cain/Yami, eles estão bem tá? ^////^

Só quero saber é se o Veck vai estar bem e tratá-los da mesma forma no outro dia... Huhuhuh. Próximo capitulo vai ser difícil para o pobre vampiro.

Bem, é isso, agradeço por lerem! E ainda tomo vergonha na cara e respondo aos review de todos tá?

Comentário da beta: AHHHHHHHHHHHH *desespero, chororô.*

OK! Nesse capítulo eu quase chorei pelo Gui, pelo Veck, e caí em prantos pelo Oroi. MEU FILHOTE NASCEU PARA SOFRER!!! T.T

Eu não sei mais o que dizer!!!!! *Vai para um canto se afogar nas próprias lágrimas.*

By: Toynako