Prison Magic

1 Capítulo 1


Prison Magic

Em meio a um mundo repleto de mistérios, a luz do sol iluminava um belo reino. Seu nome era Radiance e seu símbolo era o resplandecente sol que brilhava no topo do céu sobre a cabeça de seu povo.

Em seus rios percorriam águas cristalinas, em suas árvores brotavam as pequenas e delicadas folhas verdes de um tom alegre e intenso e, no coração de seu povo, se escrevia uma história de paz e felicidade.

Seu rei tinha dois belos filhos que com sua personalidade amável, ganhavam cada dia mais a confiança e admiração de seus súditos. Só que mesmo na terra da felicidade, segredos eram escondidos atrás de cadeados. Todos ignoravam tais portas.. Ou melhor, quase todos.. Exceto uma única pessoa.

“— Cain, não de distraia.” – orientou um dos soldados ao seu príncipe, prosseguindo com o treino matutino.

“— Ah, sim..” – concordou o rapaz, voltando toda a sua atenção a batalha que travava.

Cain, príncipe de Radiance, era sem dúvida um caso raro. Para muitos seria apenas mais um herdeiro do trono, mas bastava olhar no fundo de seus olhos para saber o quão especial ele era. Eram roxos, que dependendo do ambiente poderia se tornar um escuro ou claro.

Era como uma jóia seus olhos, uma verdadeira ametista, brilhando em uma inocente e ingênua cor púrpura. Esta condição sua era rara, mas não tão estranha na família real, pois a cada cem anos nascia um herdeiro ao trono com tal peculiaridade. tt Já o corpo de Cain demonstrava o quão duro ele trabalhava em seus treinamentos físicos. Tinha sinais de músculos em seus braços e abdômen — não que estes fossem tão exagerados, eram sutis ainda -, fazendo contraste com seus traços angelicais, que revelavam sua verdadeira essência...

Um ingênuo rapaz de seus recém completados dezoito anos.

Suas roupas eram sempre elegantes, cheias de enfeites — claro, por ser da realeza -, mas de fato gostava mais de suas roupas de treinamento. Estas pareciam lhe cair bem melhor que a pomposidade que era seus trajes.

E, agora usava uma destas, algo um pouco mais justo ao corpo, sempre na cor negra com detalhes em dourado ou roxo — estas três cores eram suas favoritas. Fora um manto da primeira cor citada, bordado detalhadamente com linhas de ouro um sol — símbolo do reino — nas costas.

Sendo como era, Cain não desconfiava das pessoas, mesmo trazendo consigo várias dúvidas que não eram respondidas por ninguém, nem pelas pessoas mais próximas de si. Em seu castelo, por exemplo, existia uma porta com dezenas de cadeados e trincos já gastos.

Mesmo com os vários mistérios guardados em seu interior e nenhum motivo aparente para seus diversos cadeados, nada era dito sobre o lugar e sua regra era clara...

Era proibida a entrada de qualquer pessoa naquela sala, mas era regra que o local nunca fosse aberto e, sendo correto, não a desobedecia. O que havia certa ironia, pois era um dos poucos com poder — afinal, era príncipe — para fazer as regras e com curiosidade para desejar saber o que era escondido.

“—Cain!” – repreendeu seu instrutor de treino. Mais uma vez Cain devaneava na batalha, ou ao menos assim aparentava estar.

“— Estou... Quase lá!” – rebateu o ataque, fazendo o homem recuar um passo.

Um sorriso tímido foi desenhado em seus lábios quando teve êxito em sua performance, levando uma de suas mãos até os seus curtos cabelos negros e jogando-os para trás, removendo-os de seu rosto — que já começava a transpirar pelo exercício.

Não poderia se dizer que era uma pessoa orgulhosa, mas sem dúvida alguma admirava o próprio esforço, amando ver que seu treinamento intenso rendia cada dia mais frutos.

“— Vamos tentar mais uma vez, depois fazemos uma-” – o instrutor estava no meio do diálogo quando uma voz foi ouvida a longe.

“— Cain!! Cain!!” – gritava uma voz feminina.

Todos os soldados que treinavam interromperam o que faziam para se voltar para a responsável pelos gritos. Risos baixos foram ouvidos dos homens, achando graça pelo modo aflito e confuso que a menina vinha a se aproximar deles.

“— Princesa Tamako...” – murmurou o instrutor, afastando-se alguns passos de Cain para que ele conversasse à vontade com sua irmã mais nova.

“— O que aconteceu?” – perguntou Cain, dando o mesmo riso suave que os outros homens, enquanto batia em leve em suas roupas para remover qualquer resquício de terra.

Era engraçado ver sua irmã desse modo, com a respiração descompassada pela corrida intensa. Só não entendia o porque do desespero da garota. Em sua mente, nada justificaria aquela atitude, pois todo o dia estava se mostrando pacífico e alegre.

“— Venha rápido!” – disse, tomando um dos pulsos do irmão e puxando-o. Seu tom era sério e sua mão estava úmida, mostrando que correrá o mais rápido que era capaz, ultrapassando os próprios limites.

“— O que aconteceu...?” – insistiu com a mesma pergunta.

No início achava que pudesse ser apenas um comunicado sem importância, mas agora temia a reação que ela estava tendo. Tamako, vendo que seu irmão não a seguiria sem que ela desse uma explicação rápida, resumiu em tom firme.

“— A profetiza falou!” – explicou, com apenas três palavras.

Todo o clima alegre do ambiente desapareceu. Buscavam em Tamako algum sinal de que ela estivesse apenas brincando, que tudo aquilo fosse mentira. A profetiza nunca falava. Exceto quando o inevitável era visto.

Os fortes soldados ficaram com os membros rijos e a pele fria e pálida. Cain parecia reflexo deles, engolindo a seco e notando o desconforto geral. Respirou fundo, concordando com um pequeno sinal e movendo as próprias pernas em direção ao castelo, esforçando-se para correr. Tamako seguiu-o, esforçando-se um pouco para acompanhar seu irmão que tinha as pernas mais longas e era mais rápido que si. Nada no mundo poderia tirar o foco de Cain naquele momento. Era seu dever ir averiguar o que ocorria e ninguém poderia impedi-lo. Exceto talvez, uma voz.

“— Cain, use-me...” – foi a voz vazia ouvida pelo príncipe.

No mesmo momento as pernas do moreno pararam de obedecê-lo, parando bem diante da porta selada. que possuía vários símbolos, maçaneta e dobradiças enferrujadas, sabia muito bem que ninguém entrava ali, mas sua curiosidade nunca o deixou sossegado toda vez que passava por aquele caminho e via esta.

Mas, desta vez, sentira aquela misteriosa dor, certa agonia, um medo não solucionado ainda. Ficou lá, olhando para a porta, perdido em pensamentos. Sabendo e ao mesmo tempo não sabendo que havia algo de errado ali, algo que ninguém do reino lhe explicava.

“—Isso...” não concluiu a própria frase, balançando a cabeça negativamente.

“— Cain, use-me...” – novamente a voz coou daquele cômodo lacrado.

Gelou, ouvindo tal voz fantasmagórica por detrás da porta. De imediato pensou que era engano, afinal, aquela porta estava trancada há anos, não existia meios de alguém lá dentro tê-lo chamado.

E, estranhamente, aquela voz lhe pareceu tão melancólica, apesar de extremamente sombria. Parecia algo indomado a seu ver.

“—Cain?” – a voz de sua irmã chamou-o a realidade novamente.

O jovem herdeiro virou-se para a sua irmã, um tanto atordoado pelo recém ocorrido. Ela ficou a observá-lo por alguns segundos, tentando desvendar nele o motivo daquela estranha atitude. Tinha se esforçado muito para tentar acompanhá-lo e agora ele havia parado do nada.

“—Tama-... Tamako você não ouviu uma voz monstruosa me chamando?” – Olhou para a porta e depois para sua irmã com uma cara pálida.

“—Não, deve ter sido sua imaginação, vamos logo irmão!” – Falou, já se distanciando do mais velho e indo para seu destino.

O príncipe ficou mais uns segundos olhando a porta e depois seguiu sua irmã. Não podia fazer nada. Com certeza era como sua irmã havia dito, somente a imaginação pregando peças.

Finalmente após andarem quase todo o castelo, pararam em frente a uma porta vermelha com manchas de sangue, entrando no lugar sentaram-se ao lado de seu pai, o Rei Tristan III.

O lugar era escuro, um cheiro de incenso rodava o ambiente, dando aquele lugar quase uma cara mórbida. Avistaram uma velha vestida de preto e com os olhos vendados por um pano extremamente branco sentada bem no meio da sala. Havia também algumas pessoas vestidas de vermelho em volta dela formando um círculo.

De repente a velha começa a falar algo.

“—Na prisão onde jaz o demônio negro, não...” – A sua voz começou a mudar para uma voz masculina. “—Será preciso apenas um sacrifício, apenas uma jornada, mas vários desafios...” – A voz mudou novamente, mas agora para a de uma garotinha, uma voz melosa, mas suave. “—Da prisão à espada pode libertar, na prisão à espada pode punir...” – Aos poucos a volta ser a voz da velha normal. “— O reino corre perigo. O rei tomará a atitude mais errada, porém ao mesmo tempo a mais correta.” – Sentenciou por final.

Após dizer isso a anciã desmaiou, como se apenas dizer aquelas poucas palavras fora exaustivo demais para esta. Alguns minutos de completo silêncio tomaram conta do lugar, até o rei se levantar aflito e sair da sala.

Cain e Tamako seguiram-no silenciosamente, mas apreensivos, nunca haviam visto o pai daquela forma, tão aturdido. O rei parecia muito nervoso, andava sem parar pelo castelo.

Foram direto para a parte mais alta do castelo onde pararam em frente a uma enorme janela. Tristan olhou toda a extensão das terras de seu reino, mas não notou nada de estranho.

Então começou a conjurar uma magia rápida, era um mago poderoso na verdade. Lentamente as cores de seus olhos mudaram para uma tonalidade vermelho sangue. Agora podendo ver muito melhor, avistou além do horizonte uma mancha preta vindo em direção ao seu reino.

Seus filhos apenas esperaram alguma ordem de seu pai, já estavam ficando impacientes. Nenhum deles possuía dons para magia, o mais velho era um ótimo espadachim e a mais nova possuía apenas uma alta etiqueta.

“— Filho, corra e avise para todos que se prepararem para guerra!”

O jovem príncipe não entendeu a ordem, apenas obedeceu e saiu sem dizer nada. Nunca desobedeceria uma ordem de seu pai.

“— Filha, convoque todos os aldeões e mande-os se prepararem. Irei relatar aos bispos e magos, mais tardar de hoje à noite teremos a maior guerra que este reino já teve!” – Falou muito preocupado.

—--X---

Após muita agitação no reino, todos já estavam preparados para a batalha. Ao pôr do sol ouviam-se barulhos de bater de asas cada vez mais perto. Outrora se ouvia gritos e barulhos de espadas.

Cain estava na linha de combate dos cavaleiros. Alguns magos e bispos esperavam mais atrás em outra linha de combate, como uma última defesa caso os invasores entrassem no castelo. O moreno estava muito ansioso, apesar de ser extremamente habilidoso com a espada, nunca havia estado em uma luta real.

Ao dar uma olhada ao redor do campo de batalha, notou que seu pai estava na linha de ataque primário, junto dele. Então decidiu ir falar com este.

“—Pai!” – Parou em frente de seu pai. “— Pai... O senhor é um mago, lugares de magos são lá atrás pois aqui só ficam os guerreiros, o senhor sabe disso.”

“—Filho eu-...” – Nessa hora a parede da muralha é quebrada, e o que se pode ver lá fora infelizmente são somente sangue e mortos, os invasores sofreram pouquíssimas baixas. “— Agora não temos mais tempo filho, vai ter que ser desse jeito!”

Cain se distanciou de seu pai voltando para sua posição inicial. Ao olhar o inimigo, ficou duro de medo. Eram demônios negros com asas e garras sujas de sangue dos soldados que haviam matado a pouco tempo. O moreno recuperou-se rapidamente e partiu para o confronto junto da linha de combate dos cavaleiros.

—--X---

A batalha já estava quase sendo encerrada. O dia já estava quase amanhecendo quando Cain notou que seu pai estava em apuros. Correu então para salvá-lo. Torcia para não chegar tarde demais.

Por sorte, conseguiu chegar a tempo de matar aquele inimigo, acertando um preciso golpe que dividiu-o em dois na vertical. Mas, ao que parece, não fora tanta sorte assim, ao ver seu pai caído no chão.

“—Pai!” – Ajoelha-se ao lado deste, tentando socorrê-lo de alguma forma.

“—Filho me desculpe, mas só assim podemos salvar o reino... Vá para... A décima quarta, a sala de tesouro... Você sabe aonde é... Pegue a espada negra no altar e us-... E us-... Use-a... Essa é a atitude mais correta que um rei poderia tomar... Mas como pai... Nunca fiz algo tão errado em minha vida” – Começou então a se contorcer de dor, sua vista estava embaçada, mal via seu herdeiro. “—Filho PROMETA que se tornará um rei custe o que custar!” – Mal terminou sua frase e sofreu um colapso único, de uma dor tão intensa que o fez morrer nos braços de seu filho.

“— Pai, eu JURO pelo sangue real em minhas veias que me tornarei um rei honrado como o senhor... Adeus meu pai.”

Cain saiu correndo do campo de batalha. Alguns que o viam pensavam que ele havia ficado amedrontado e estava fugindo. Outros viam as lágrimas que escorriam pelo seu rosto delicado e as que caiam pareciam ser desmanchadas pelo vento. O moreno entrou no castelo e foi direto para aonde seu pai o havia mandado ir.

Em frente a décima quarta sala, Cain teve uma sensação horrível que piorou quando ele escutou novamente aquela voz de dentro daquele cômodo.

“— Cain... Sabia que um dia viria a mim... Estive te esperando.”

Este ficou pálido após ter escutado a voz monstruosa, mas sabia que teria que enfrentar o que quer que estivesse lá. Respirou fundo, até se acalmar, limpando as lágrimas do rosto com a manga ensanguentada da camisa. Criou coragem e entrou.

Ele notou uma sala escura, paredes cheias de encantamentos que não conhecia, pareciam selar algo. A única coisa que conseguiu ver na sala era um altar púrpuro com pano branco por cima dando um maior destaque a uma espada negra, reluzente e com enfeites que a deixava sombria. Cain aproximou-se lentamente do altar.

“— Como só uma espada em uma sala inteira?”

Ao aproximar-se da espada pode notar detalhes que ele ainda não havia percebido. Onde se empunhava a arma haviam lâminas que aparentemente pareciam ser extremamente cortantes, apesar de minúsculas. Sabia que teria que empunhá-la, mesmo tendo as lâminas. Ele criou coragem novamente e a empunhou.

A princípio sentiu sua mão sendo cortada de leve, apesar disto não doía. Estranhou ver seu sangue escorrer de sua mão para a espada e mais adiante para um canal que estava esculpido onde a espada estava presa. Ele a puxou, mas a sua força só o fez cortar mais a mão. Agora sim, sentira uma dor horrenda.

Não tinha mais volta, seu reino dependia disto, agora que seu pai havia morrido ele que teria que ser o rei, puxou então mais forte que antes.

As escrituras que estavam esculpidas na pedra de apoio da espada ganharam cor, a cor de seu sangue, o sangue real. Ele pode entender o que ali estava escrito: “Somente os sangues-reais podem retirá-la de seu descanso”.

A espada estava empunhada em sua mão. Uma aura negra misteriosamente começou a rodear seu corpo, aos poucos começava a perder a consciência, como se a espada o estivesse dominando, possuindo-o cada vez mais. Respirou fundo, fechando os olhos e escutando novamente aquela voz monstruosa.

“— Desde seu nascimento, você foi predestinado a cair na minha maldição. Você é o amaldiçoado, o meu hospedeiro que sempre nasce de cem em cem anos na família real, essa será a última vez que falarei assim diretamente com você... Por que a partir de agora seremos um só... Desista de seus sonhos... Desista de sua esperança... E desista de sua vida, pois tudo me pertence... Mas você talvez possa ajudar com meu sofrimento e me libertar também... Parta para uma viagem, você não vai poder ficar no reino por muito tempo, cada vez mais eu fico mais forte, até tomar completamente sua mente e seu coração.”

Após ouvir a profecia, Cain perde completamente o controle de seu próprio corpo e sai da sala em que estava segurando a espada negra em suas mãos, em movimentos extremamente velozes corre para o campo de batalha, chegando lá em apenas alguns instantes.

Em movimentos rápidos mata tudo e todos que aparecerem em sua frente, não importando se eram aliados ou inimigos, apenas matava com aquela espada amaldiçoada fazendo o sangue dos adversários o encharcar todo, fazia tudo isso com um sorriso maquiavélico nos lábios, sem ofegar como de costume, aquilo estava lhe dando prazer.

Depois de Cain eliminar a todos, ele estava ofegante de cansaço, acaba ajoelhando-se. Ficou apenas parado. E quando ele se levantava um vento passa por entre seu rosto fazendo suas mechas de cabelos afastarem-se.

Mas deixou amostra os selos de magias proibidas que estavam por todo o seu corpo. Os magos e bispos de certa forma sabiam do que se tratava, mas muitos cavaleiros não estavam entendendo aquilo.

De repente, com o sol já raiando forte no céu, Tamako aparece por entre os cavaleiros, ficando a olhar o estado ensanguentado do irmão.

O herdeiro sentia um ódio dentro de si, uma vontade maligna de matar, de ver mais sangue, de conquistar mais e mais, mas ao mesmo tempo uma parte sua não queira aquilo, queria sair dali, queria ir de encontro ao pai. Se desse, Cain queria matar a todos que ali estivessem.

Quando Tamako se aproxima do irmão este a encara com um olhar terrível que a espanta. Aos poucos a garota percebeu que os selos que antes escritos estavam sumindo e notando em seguida que rapidamente seu irmão estava em estado de desmaio.

“—Ta-... Ma-... Ko…?” – Cain disse antes de desmaiar.

—-X--

Após uns dias Cain acorda em seu quarto com Tamako chorando sentada em uma cadeira ao lado da cama. Ela havia ficado noites inteiras reunida com a sociedade maga do reino e estes a explicaram a situação que o irmão se encontrava.

“—O que aconteceu?” – Pergunta Cain já se sentando na cama. “— Eu não me lembro de quase nada... Só da espada... E um cheiro insuportável de sangue.”

“— Cain, meu irmão, os magos me informaram... Que você usou a espada negra... A que estava na sala décima quarta...” – Tentava ser forte, mas aquilo era demais para uma garota de apenas treze anos. “— E eles me informaram que você vai sofrer muito por causa dela...” – Logo que terminou de falar caiu em um choro maior.

“—Acalme-se e me explique melhor o que isso quer dizer.” – Disse-lhe com a voz calma, com um zelo de irmão maior, agoniado por vê-la naquele estado.

“— A antiga dona da espada negra que você pegou, viveu há cem anos atrás e tinha a mesma cor que você tem em seus olhos... Ela estava predestinada a ser a rainha... Mas por causa da maldição ela teve que viajar em busca de uma cura.”

“—O que houve com ela?” – Tentou não transparecer a tristeza em sua voz, algo impossível.

“—Nunca retornou, deve ter morrido ou até mesmo se matado.”

“—... Então ela sabia aonde procurar a cura?”

“— Ela foi atrás de um bruxo muito experiente, porém insano, seu nome ninguém sabe... Todavia ele teve um aprendiz, dizem que é tão bom quanto seu mestre...”

“—Qual era o nome do aprendiz?”

“— Vectorius Razard Deamonia. E ele não mora muito longe daqui... E eu me informei e soube que ele ainda está vivo. Se você sair em busca dele amanhã bem cedo você chegará lá um pouco após anoitecer.”

“— Bem, se esse é o único jeito de me livrar disso tudo e voltar para governar Radiance que o nosso pai nos deixou, eu irei enfrentar essa batalha. Eu partirei amanhã.”

“— Irmão pegue isso...” – Entregou-lhe umas algemas especiais feita do mais puro ouro com inscrições gravadas nela em uma língua sagrada antiga que era desconhecida.

“—Para que isso?” – Olhava confuso as algemas em suas mãos.

“—...Os magos a fizeram para poder controlar a ex-usuária da espada quando ela perdia a consciência. E eles disseram que têm certeza de que isso será útil a você.” – Explicou-lhe.

“— Entendi... Toda vez que eu for dormir tenho que usar isso.”

“— Só algo que quero lhe avisar, essa espada só pode ser usada por você, o escolhido da família real.”

“—Obrigado irmã, agora me dê licença, pois irei me arrumar para a jornada.”

“—Claro... Se precisar de algo me chame.” – Tamako se levanta para retirar-se.

“—Irmã...” – Chamou-a, a fazendo virar-se e aguardar o resto do que falaria. “—Qual era o nome da antiga dona da espada?”

“—Yume Eucaristia Radiance.” – Respondeu-lhe, sorrindo gentil, com os olhos castanhos escuros banhados em lágrimas. Como se contivesse para não chorar mais a frente do irmão.

“—Já pode se retirar, obrigado.” – Disse-lhe, respirando fundo.

A garota sai da sala chorando, Cain ao ver tal cena fica triste, nunca gostou de ver sofrimento por parte de ninguém. Por esse motivo sairia nessa jornada, iria ferir muita gente se continuasse em seu reino.

Começou então a arrumar tudo para a jornada que faria atrás do tal bruxo chamado Vectorius. Após tudo arrumado, se despede de amigos e familiares. Finalmente ao anoitecer foi para seu quarto, botou as algemas nos pés e nas mãos e tratou de dormir cedo.

—-X--

Antes mesmo de o primeiro raiar do sol surgir, Cain já estava no estábulo arrumando o famoso cavalo do reino. Ele se destacava, pois era o mais rápido, o mais forte e o mais robusto de todos os cavalos que eram conhecidos.

Possuía uma bela e única cor negra e se chamava Júpter. Colocou então sua espada na cintura, montou em seu cavalo e partiu do reino, sem comunicar a ninguém, apenas passando por poucos guardas, mas nenhum ousou perguntar o motivo do futuro rei estar saindo a essa hora.

Após percorrer um grande trajeto, finalmente estava fora dos limites de seu reino. Parou um pouco e olhou para trás. Percebeu que poderia perder tudo o que sempre sonhou. Respirou fundo, soltando um dolorido suspiro.

Via de longe seu reino sendo iluminado pelos primeiros raios de sol. Parecia tão angelical. Teve um leve pensamento de que tudo aquilo estava acontecendo, que tudo não passava de um pesadelo e que iria acordar em sua cama quente e aconchegante como todos os dias, mas despertou de seus pensamentos quando um vento gélido, mais do que os de costume, bateu em seu rosto trazendo-o de volta à realidade.

“ Tenho que focar minha mente em meu destino novamente, e voltar o mais rápido possível.” – Pensava tentando botar em ordem suas idéias, voltando a cavalgar.

Depois de breves pausas ao longo do caminho para descansar e comer, e horas e mais horas cavalgando, finalmente havia anoitecido e havia chegado ao seu destino. Parou em frente a uma casa que aparentava ser muito antiga, mas bem conservada. Era meio sombria, pássaros negros estavam no telhado o encarando.

A escadaria para a porta principal estava coberta de lodo, as paredes tinham uma escritura invisível aos que olhassem de longe, mas um pouco mais perceptível aos que se atrevessem a chegar perto. A terra era fria e úmida. Tudo que cercava aquela casa parecia ser sombrio, sem alegria e morto. A casa era muito grande, aparentava ser uma antiga hospedaria.

Desceu de Júpter, deixando-o amarrado a uma velha e retorcida árvore ali. Ao descer sentiu uma dor profunda em seu peito que o faz se segurar em seu cavalo para não cair, quando a dor passou, partiu logo em direção a aquela morada, ao tentar abrir a porta percebeu que não estava trancada.

Curioso, Cain entrou casa adentro.

O local era grande, as paredes escuras da casa pareciam adquirir vida a cada passo que dava. O chão rangia, parecendo gritar por perdão, os quadros pendurados na parede permeavam cada movimento que dava.

Adentrando mais no local passou por um grande corredor, que era iluminado apenas por poucos castiçais cor prata. Todavia, ao adentrar mais um pouco sentiu uma dor muito mais forte do que a que sentiu a poucos instantes.

Olhou uma porta naquele corredor, abrindo rapidamente e avistando uma mesa com cadeiras em volta, acabou se dirigindo para lá, para descansar até a dor desaparecer. Respirava fundo, com dificuldade, não entendendo aquele mal-estar todo.

Já sentado Cain quase se assusta ao do nada surgir um garoto quase da sua idade ali perto do seu lado.

Este tinha cabelos muito longos na cor puramente prateada, era alto de olhos verde claros, mais belos que as mais lindas esmeraldas. Seu físico era delicado, mas bem definido, não tanto quanto o de Cain. Possuindo ainda uma pele muito alva que dava um destaque em seu robe prata com verde, com uma lua minguante delicadamente bordada em suas costas.

“— Me admiro que um humano já não tenha morrido em contato com esse solo amaldiçoado.” – Falou o de cabelos prateados.

“—Você é o bruxo chamado Vectorius Razard?”

“—Sim, este é meu nome, o que deseja de mim?” – Vectorius fez gesto de quem ia sentar, mas não havia uma cadeira atrás, o que assustou Cain. Mas ele logo percebeu que uma cadeira havia andado até onde há pouco nada havia.

“— Eu... Fui amaldiçoado, por usar esta espada.” – O moreno então coloca a espada em cima da mesa.

Vectorius ao olhar aquela arma sorriu marotamente, com seus olhos se enchendo de luxúria ao ver tal tesouro em sua frente.

“— Como tal artefato foi parar em tuas mãos, humano?” – Falou o anfitrião da casa, sem tirar os olhos um instante sequer da espada.

“— Em primeiro lugar...” – Fez bico, não gostando de ser chamado de ‘humano’. “— Me chamo Cain Eucaristia Radiance, sou o príncipe herdeiro do reino de Radiance, desculpe a minha falta de modos por entrar assim em vossa casa, mas é que senti um mal estar ao descer do cavalo...” – Explicou-lhe, sorrindo gentil.

“— Deves ser muito resistente. Humanos normais morrem só em entrar em contato com o solo ao redor de minha casa.” – Comentou Vectorius, como quem não quer nada.

“—Então como você consegue morar aqui?” – Indagou Cain, não sentindo mais aquela dor.

“—Quem disse que eu sou um humano normal?” – Arqueou a sobrancelha, rebatendo uma pergunta com outra, possuindo certo ar de superioridade.

“—Se você não é um humano, o que seria?” – Olhou um pouco confuso com o que ouvira há pouco.

“—Sou um meio humano e meio vampiro.”

“—Vampiro... Mas se aqui não entra uma alma viva sequer, como estás vivo?”

“—Sou um tipo raro de vampiro espiritual. Eu me alimento de energias e a minha favorita é a energia maligna.” – Sorriu para Cain e pegou a espada que estava em cima da mesa. “— Eu fui expulso, ou seria mais correto que fugi de meu Mestre, mas só aqui tem a energia que mais gosto e o suficiente para mim, mas com essa espada, poderei sair deste lugar, só me alimentando de sua energia maligna.”

“— Me desculpe Vectorius, mas essa espada e eu temos um enlace que não pode ser quebrado...” – Cain sentiu uma tristeza profunda ao falar.

“—Hunf!” – Suspirou. “— Já é tarde... Vamos dormir e descasar um pouco. Amanhã nós terminamos a conversa”

“—Mas! Você pode retirar essa maldição?” – Olhou para Vectorius com o mais profundo olhar de tristeza em seus olhos, como se a vida fosse acabar para ele.

O meio vampiro ao olhar a tristeza estampada na face do príncipe, sentiu como se fosse se perder nos seus olhos ametistas. Sentiu que ele precisava ser protegido. Nunca pensou que sentiria tais emoções novamente, a de querer proteger algo.

“— Me desculpe... Mas aqui eu não tenho equipamentos o suficiente para fazer uma magia para ver que tipo de maldição é. E mexer com maldições é proibido, mas há um lugar que tem tal tipo de equipamento.”

“—Podemos ir lá?” – Ainda estava triste, olhando-o

Vectorius não entendia, mas havia algo naquele olhar que por mais que tentasse não conseguia entender, simplesmente sentia que devia o ajudar.

“— Certo, eu vou pensar em um meio para eu poder sair daqui hoje à noite... Amanhã dou a resposta se vamos ou não, agora é melhor você descansar príncipe.” – Levantou-se da cadeira. “— Mas acho melhor você dormir lá fora... Por que lá a energia maligna é mais fraca. ”– Apontou então para a porta que dava no corredor, como se estivesse-o mandando se retirar naquele momento.“— Não é seguro que fiques aqui dentro por muito tempo.”

“—Tudo bem, mas uma coisa, não chegue perto de mim à noite.” – Cain falou já indo em direção à porta. “— Boa noite Vectorius.” – Falou virando-se para o anfitrição com um delicado sorriso, no qual se expressava toda sua esperança.

Este então fica mudo diante de uma cena tão bela. Cain ficava extremamente lindo quando sorria daquele jeito, e não entedia o porquê. Mas, algo dentro de si, instigava-o a querer mais daquele sorriso.

“—Me chame só de Veck, por favor. Boa noite Cain.” – Disse para este, vendo-o sair daquele cômodo.

Nunca havia usado aquele apelido, mas um sentimento dentro de si mandava-o começar tudo do zero em sua vida, quem sabe esquecer de vez seu passado. Esperou então o príncipe sair da sala e por meio de magia teleportou-se para seu quarto.

Andou pensativo de um lado ao outro, desviando de vários livros no chão, seu quarto mais parecia uma biblioteca, com estantes de madeira lotadas de livros, todos já lidos dali, mas gostava de rele-los.

Fora em direção a uma prateleira específica, cujo ficava mais longe de sua cama. Nesta tinha livros somente sobre maldições, apesar destas serem um tabu. Iria ler tudo àquilo para ver se achava algo útil ali.

Passado várias horas, com a noite no seu auge, o vampiro para, respirando fundo, havia algo que o estava atiçando desde que falara com o príncipe.

“Idiota... Devia ter avisado que é da natureza dos vampiros serem extremamente curiosos... O que será que acontece se eu me aproximar dele?” – Estava mergulhado em seus pensamentos. Sorria internamente com a sua curiosidade sendo testada de tal forma. “— Hunm... Ainda tenho que pensar em como me manter vivo fora daqui, tomara que tenha algo nesses livros e depois mais à noite vou interromper os sonhos do principezinho...”

—-X--

Mais tardar, na calada da noite Veck saiu de sua casa, usando um traje galante. Uma camisola de seda verde escuro, uma calça também de seda verde com detalhes em laranja e um sobretudo que o deixava parecendo um membro da alta classe.

Andou silenciosamente em direção a uma fogueira que Cain haveria de ter feito para se aquecer naquela noite fria. A noite estava misteriosamente linda, a lua minguante, meio coberta por nuvens escuras, o céu meio estrelado. Parou ao lado do outro olhando um pouco o ser que dormia inocentemente ali. Ajoelhando-se em seguida ao seu lado.

“ Por que tanto mistério... Deve ser nada.” – Pensou, olhando-o todo coberto. “Será que se eu o descobrir, acontece algo?” – Não podia mais controlar sua própria curiosidade.

Então bem vagarosamente Veck começa a descobri-lo, parando no mesmo instante ao notar que ele tinha se algemado. As algemas reluziam o brilho que a lua fazia sobre elas. Era algo até bonito de se ver, mas que atiçavam mais sua curiosidade.

“ Para que ele usaria uma algema espiritual?” – Perguntou-se com um sorriso malicioso surgindo em seu rosto.

Inclinou-se então lentamente, se aproximando mais das algemas e misteriosamente conjurou uma magia em um tom de voz que somente ele mesmo ouvia. Alguns instantes depois tocou nas algemas das mãos e nos pés de Cain.

Sorriu mais ao ver um brilho maior que o comum, um brilho extremamente dourado pairar sobre os locais que havia tocado. A lua se escondeu por completa atrás das nuvens. Como se estivesse amedrontada pelo que se seguiria.

Notou então que o príncipe lentamente começou a se levantar possuindo uma aura sombria volta dele. Antes a sua face angelical agora mostrava um ar de monstruosidade, um olhar vago, sombrio, mas marcante e misteriosamente belo, algo exótico. Por todo o seu corpo surgiam novamente os selos proibidos.

Soube do que se tratava, era a língua élfica, sagrada, muito antiga e já extinta, mas ele não sabia o que os selos eram, e muito menos o que eles faziam. Ao olhar tal transformação diante de seus olhos, algo tão magnífico, tão misteriosamente belo, mordeu seu lábio inferior na tentativa de se controlar e não pular e morde-lo, monopolizando aquela energia maligna, tão atraente, para si.

Aquele já não era mais o Cain doce e gentil que conhecera a pouco, era apenas um demônio que mataria tudo o que encontrasse em seu caminho. E para a infelicidade de Veck ele estava no caminho deste.

Percebeu no olhar do príncipe, um olhar predador, como o de uma coruja, intuitivamente assassino, frio e misterioso, olhando sua presa esperando o momento certo para atacar. Estremecera de leve, para si aquele olhar era tão sensual. Mas ao notar aquilo, percebeu que estava com problemas e teria que se defender.

Não viu outra solução. Simplesmente fechou os olhos e numa profunda concentração aos poucos foi abrindo a sua boca. Seus caninos faziam um barulho de arranhar e começam a se alongar lentamente. Parecia ser doloroso para Veck, mas aos poucos ia se acostumando com a dor que aquilo lhe trazia, e de fato até gostava desta.

Quando eles pereceram atingir o tamanho máximo, Veck mostrou também o seu lado obscuro. Tinha uma feição vampiresca, extremamente bela, que era de incomodar quem lhe olhasse. De atrair encantos de qualquer ser. Talvez com aquele olhar esverdeado brilhando em perdição.

“ Se eu puder ‘domesticá-lo’ poderei ter essa energia sempre...” – Pensava, vendo-o se aproximar predatoriamente com um ar sombrio em seu rosto.

Teria que parar Cain que vinha avançando em sua direção, criar rapidamente uma barreira mágica para deter o ataque. E fora isso que fez, pulou para trás, conjurando-a rapidamente, mas não conseguiu deter o ataque do moreno por completo.

Estranhou aquela força absurdamente estrondosa, algo realmente inumano. Gritou de dor, ao receber um ferimento das garras do outro não muito profundo em seu braço, o suficiente para causar uma dor horrível.

“—Arrgt! Seu... Como conseguiu passar minha barreira!?” – Se afastou mais, segurando aonde havia sido acertado. “—Eu sou o MELHOR bruxo que existe!” – Gritou Veck furiosamente para Cain que começava novamente a avançar em sua direção.

Concentrou-se novamente e começou a conjurar uma nova magia, mas toda vez que tentava isso Cain partia para cima de si, ele era muito rápido, não teria como conjurar uma magia potente para detê-lo.

Deu uma pausa nisso então, correndo em direção a escadaria de sua casa. Quando chegou nesta, olhou para trás e notou que o outro parecia procurar algo entre seus pertences perto da fogueira.

Aproveitando a distração do moreno, tentou começar uma nova conjuração de magia, mas sem tirar os olhos deste para ver o que estava procurando.

Após algum tempo Cain achou o que estava procurando, a sua espada. O bruxo sabia que estava mais enrascado agora. Com ela em mãos, Cain faz dois movimentos no ar o que faz surgir duas manchas em formas de lâminas negras.

Elas vinham em alta velocidade em direção a frente da casa, onde Veck estava. Sem conseguir terminar a magia, o mesmo se apóia no corrimão da escadaria com seu braço direito, coloca muita braço e gira, se apoiando no corrimão e em seguida caindo do outro lado das escadas, assim escapando por pouquíssimos segundos do ataque devastador de Cain.

O ataque da espada faz com que toda a frente da casa fosse destruída. O vampiro, ao cair de pé no chão acaba com a conjuração, aponta os braços em direção a Cain e conjura por completo a magia.

“—Damage! Canhão dos Mortos Vivos!” – Um brilho prata sai de suas mãos e vai direto para o alvo.

Sem conseguir desviar, Cain leva todo o golpe caindo de joelhos no chão. Aquela magia parecia estar lhe tirando o ar dos pulmões. Veck agora olhava vitorioso para o príncipe que estava ofegante e indefeso ajoelhado no chão de cabeça levantada, tentando puxar ar para seus pulmões.

Sorriu começando a andar em direção ao outro e logo mais se ajoelhando a sua frente. O moreno ainda tentou atacar com suas garras, mas as mãos de Veck eram mais rápidas e mais fortes no momento.

Este segurou com uma mão só, as duas mãos do humano e a outra mão livre foi ao pescoço dele o segurando com força e levantando um pouco. Agora tinha uma visão realmente tentadora, Cain ainda ofegante tendo todo aquele lindo pescoço branquinho para saciar sua sede, sua vontade.

Os olhos verdes esmeralda de Veck expressavam a mais pura luxúria, não aguentava mais, precisava sentir o sabor daquela energia tão tentadora. O outro tentava libertar as suas mãos, mas toda vez que tentava, sentia-o apertar mais seu pescoço o que o deixava mais ofegante e indefeso.

“— Fique quieto Cain, assim não vou aguentar. Você quase não vai sentir dor, pelo contrário, sentirá algo que nunca sentiu e poderá até gostar. Eu sei que você irá gostar...” – Veck falou não podendo esconder seu sorriso malicioso.

Lentamente se inclinou em direção daquela energia tentadora, abrindo sua boca deixando a amostra ainda mais seus caninos e mirando no pescoço. Vagarosamante se aproximou do pescoço, estava apreciando cada momento, onde mais lento ainda começou a forçar seus dentes no pescoço alvo.

Os dentes perfuraram a pele do humano como as lâminas que cortaram a mão do mesmo quando ele tentou tirar a espada. Aos poucos eles atingem a veia mais próxima e a furam. Um sangue quente começou a escorrer até os lábios de Veck. Sentia-o se contorcer da dor que aquilo lhe causava e o escutava emitir pequenos gemidos.

Colocou um pouco mais de força na sua mordida e o sangue real escorreu ainda mais, todavia ele não ligava para o plasma e sim pela energia que ele proporcionava.

Ao ser mordido com tal fome Cain solta um grito de dor.

O vampiro suga-o com fome, sentindo um sabor que nunca em sua longa vida haveria de ter experimentado em seus lábios e em sua boca tal gosto. Aquele sabor era viciante fazendo-o querer mais e mais.

O humano por sua vez sentia uma sensação cálida, mas se sentia bem provando pela primeira vez o que Veck lhe estava proporcionando. Sua vista estava enevoada, seu coração que antes estava acelerado agora diminuía os ritmos. Queria sentir muito mais daquilo, queria-o mais.

O que se alimentava soltou então a mão do pescoço a levou gentilmente para a nuca intensificando a mordida. Cain dá mais uns gemidos de dor pela última vez, pois seus gemidos mudaram de tom, como se estivesse apreciando.

A mão de Veck que estava segurando as mãos do moreno, às solta deslizando suavemente pelo seu braço até alcançar seu ombro. Este com suas mãos livres em vez de atacá-lo, as levam a cabeça de seu agressor as entrelaçando em seus cabelos prata, que brilhava intensamente, agora com a luz do luar novamente que se fazia. Puxou mais a cabeça de Veck a seu encontro. Realmente, queria-o mais.

Os dois ficaram um bom tempo perdidos naquele mar de emoções, sensações, sentimentos. O possuidor de lindos olhos verdes não queria nunca mais experimentar outra energia depois de ter experimentando tal sublime e suculenta energia, mas sentiu que ele estava ficando sem forças, notando que as mãos que estavam antes em sua cabeça agora começavam a soltá-la e descer por seus ombros.

Então rapidamente tirou suas presas de Cain, lambendo os lábios e depois cuspindo o sangue no chão, não havia ingerido uma gota sequer de tal líquido. Viu o humano cair desmaiado em seus braços e novamente com o rosto que para si, estranhamente, já era conhecido.

“—Viu... Após uma rápida dor.” – Falou baixinho, notando as marcas no outro sumirem. “—Tenho certeza que gostou, sua energia é maravilhosa...”

Colocou-o de novo no lugar aonde dormia. O cobriu e deixou tudo exatamente do jeito que estava antes, não se esquecendo de algemá-lo de novamente. Logo depois de arrumar tudo se levantou e foi em direção a sua casa parando pasmo na frente dela. Não havia notado o quão grande fora o estrago que o ataque de Cain tinha feito nesta. Ela estava quase toda destruída.

“Droga! Aquilo deve ter destruído a minha casa... ”— Pensou Veck entrando em sua residência procurando um quarto não destruído para descansar. “Mas sem problema, agora tenho algo mil vezes melhor, só tenho que ‘domesticar’ um pouco.” – Ponderou as idéias, como se tivesse achado um gatinho selvagem para criar.

—-X--

De manhã, Cain acorda e a primeira coisa que faz é tirar as suas algemas.

“—Hum... que noite agradável eu tive...” – Fala com um ar de criança travessa se espreguiçando.

Levantou-se e deu uma olhada ao redor, como era de costume, avistou todo o terreno meio diferente do que havia visto ontem e quando olhou para casa de Veck se espantou ao notar o estado em que ela se encontrava. Correu em direção a casa para ver o que havia acontecido.

“— Veck! Onde estás!?” – Gritava espantado, procurando-o em todo o lugar. “—Veck! Vectorius!” – Parou ao notar um abrir de porta ao lado. Virando-se rapidamente para encará-la.

Seus olhos roxos fitavam a porta que se abria lentamente, apenas deixando o momento mais angustiante. Todavia quem procurava aparece na sua frente usando só uma calça verde clara. Enquanto arrumava seus longos e prateados cabelos, que estavam caindo no rosto, viu-o por fim acabar tirando uma fita de seda verde de um bolso e os amarrando.

“— Veck... O que aconteceu?” – Indagou-lhe não entendendo o que estava acontecendo, Veck parecia tão calmo e feliz amarrando seus cabelos.

“—Dormistes bem jovem Cain?” – Não respondeu-lhe sua pergunta, terminando de amarrar seus cabelos e encarando-o com um sorriso malicioso nos lábios.

“—Eu?” – Piscou os olhos não entendendo a pergunta. “—De fato, tive uma ótima noite, dormi feito uma pedra.”

Agora fora a vez de Veck não entender. Como poderia ter se esquecido de uma luta tão intensa como a que tiveram?

“—Cain, er... Não se lembra de nada?” – Indagou-lhe, colocando sua mão no braço que estava machucado, como estava muito feliz ontem nem teve tempo de se curar. Apesar de tal fato ocorrer naturalmente.

“— Não! Não acordei nem uma vez à noite e estou muito bem. Parece que tirei um enorme peso de meus ombros...” – Disse-lhe, olhando-o confuso, logo se espantando ao notar aquele ferimento. “— O que aconteceu ontem enquanto eu dormia, e o que houve com seu ombro?”

Veck olha surpreso para Cain, pensando em como ele não sabia de nada. Acabou por pensar rapidamente em alguma coisa para fazer ele se esquecer do que havia dito. Quem sabe uma pequena mentira. Não queria ter o risco de perder aquela tão deliciosa fonte de alimento.

“—...! Você não vai acreditar, mas uma Quimera apareceu dos céus e atacou a minha casa, tive que dar um jeito nela, mas como Quimeras são rápidas, sofri esse arranhão, mas não se preocupe... Eu posso me curar rapidamente.” – Falara após um breve intervalo pensando, saindo de dentro do quarto em que estava.

“— Quimera?” – Olhou-o espantado. “ Devia estar mesmo cansado da viagem ontem... pois não escutei nenhum som.” – pensou em seguida.

O de cabelos longos começa a andar pelo corredor, mas logo para um pouco adiante, virando-se para o humano, com um ar de alegria no rosto.

“— Venha, acho que a cozinha ainda deve estar em bom estado. Você tem que se alimentar, pois vai ser uma longa viagem...” – Falou olhando nos lindos olhos ametistas de Cain que após ouvir a frase se encheram de alegria.

O moreno seguiu feliz o outro, pois agora talvez finalmente removeria a maldição. Notou rapidamente pelos lugares em que passam o estrago que a ‘Quimera’ fez e também que a casa era enorme com vários quartos e salas. Chegando a cozinha, Veck puxou uma cadeira, afastou-a um pouco da mesa.

“—Sente-se, prepararei algo.” – Disse Veck se afastando e se dirigindo para os armários para procurar algo comestível ali, já que não tinha o costume de comer comida humana, apesar de ainda fazer isso. Por esse motivo algumas vezes buscava mantimentos no reino ali perto.

“—Obrigado, precisas de ajuda?”

“—Não, muito obrigado, farei algo rápido e delicioso...”

Um silencio mortal reinava na sala. Já estavam há muito tempo mudos. Veck fazendo o café da manhã e Cain olhando-o e reparando no quão a cozinha era bonita e arrumada. Mas ficou curioso, já que o outro parecia ser mais novo que si, e diziam que era um bruxo experiente.

“—Hum... Veck estava reparando... Quantos anos têm?” – Indagou-lhe, querendo quebrar o silêncio do local iniciando qualquer assunto.

“—Eu?” – Virou-se um pouco olhando-o pelos ombros, mostrando um grande sorriso em seu rosto. “— Quantos anos acha que eu tenho?”

“—Hum... Você parece ser um pouco mais novo do que eu ou ter a mesma idade, então...” – Falou pensativo, tentando adivinhar a idade do outro.

“—Verdade?” – O sorriso de Veck ficara maior, como se estivesse gostando muito do rumo que a conversa, ou talvez pelo fato de não ter falado muito com ninguém por anos. “— E Quantos anos tens?”

“— Tenho dezoito anos, e você deve ter dezessete, acertei?”

“—Passou perto, errou só por trezentos e vinte e cinco... Ainda sou novo, tenho só trezentos e quarenta e dois anos.”

Os olhos do moreno se arregalaram, tamanho fora seu espanto ao escutar a idade daquele outro garoto ali. Parecia tão jovem.

“— Parece espantado, não se esqueça que sou um vampiro, e vampiros não envelhecem, mas se te serve de consolo... Em termos de vida humana tenho dezessete anos, por que é a idade que virei um vampiro.”

“— Dezessete anos... Por que virou um vampiro tão cedo?”

“—Eu...” – Calou-se, voltando a fazer o café da manhã. “—Mais para frente eu lhe conto sobre minha história...” – Falou, após um longo tempo mudo.

“—Tudo bem, eu entendo, sinta-se à-vontade para contar quando desejar.” – Confortou-lhe dando um sorriso bobo.

As palavras de Cain fizeram Veck parar o que estava fazendo, virando-se para este segurando duas bandejas na mão, sua face estava com uma sensação de paz com as palavras ditas por aquele tão mais novo que si.

“—Um dia eu lhe conto Cain.” – Avisou-lhe, colocando as bandejas com a comida em cima da mesa e se sentando logo em seguida.

—-X--

Após terminarem o café da manhã, o anfitrião arruma suas coisas, enquanto o outro o espera do lado de fora da casa olhando as redondezas. Após algum tempo, Veck aparece com o seu robe prata com verde, e com aquela lua minguante bordada em suas costas que Cain descobriu que adorava admirar.

“— Que dia lindo!” – Fala o de olhos verdes soltando seus cabelos.

“—Mas vampiros não morrem com a luz do sol?” – Perguntou-lhe curioso indo em direção a Júpter, o seu cavalo.

“— Só vampiros mais fracos morrem disso, mas não vou negar que eu prefiro a noite do que o dia.”

“—Então... Onde vamos?” – Perguntou-lhe novamente, subindo em sua montaria.

“— Iremos até o santuário ao sul, deve ter algo muito útil lá, levaremos sete dias para chegar ao litoral, uns cinco dias de navio e mais três andando de cavalo novamente pelos pântanos.” – Explicou-lhe.

“— Tudo isso... Precisamos até de um navio.” – Comentou maio chateado pela demora, mas sabia não haver jeito. “— Agora notando, onde está seu cavalo? ”

“— Estás a ver aquele amontoado de ossos ali?” – Apontou para este. “— Pois é ele.”

“— Mas... Aquilo já esta morto há tempos...” – Olhou bem para aquilo, sentindo pena do animal.

“—Eu sei, eu o matei, é mais pratico assim... Você verá...”

Se aproxima então lentamente daquela pilha de ossos amontoados próximo a uma árvore velha, respirando fundo por alguns instantes e começando a conjurar algo.

“— Holy! Ressurreição temporária!” – Conjura por fim, com um brilho celeste a cobrir o amontoado de ossos.

Do nada os ossos começam a se juntar, em algo quase medonho, músculos artérias e veias começam a se enervar dali, por fim aparecendo a pele e uma pelagem por cima revelando um belo e robusto cavalo completamente branco.

“— Pronto, toda a vez que eu precisar dele é só o reviver... Mas ele fica se alimentando da minha energia.” – Explica, subindo no animal e acariciando sua cabeça.

“— Agora lembrando...” – Fez uma pausa, olhando para o outro. “— De onde vai tirar energia maligna que precisas?” – Pergunta curioso já se movendo para o sul, mas não parando de encara-lo.

“— Err...” – Veck vira o rosto, na tentativa de não mostrar seu rubor. “— Eu... Bem... Você não entenderia, é coisa de vampiro.”

“— Tudo bem, deve ser algo complicado então.”

“—Ufa...” – Da um suspiro de alivio. “—Vamos então ao sul... Na direção do santuário.”

Os dois marchavam em direção ao sul, Cain olhava para todos os lados admirado com a beleza dos lugares que não conhecia.

—-X--

Os dias de viagens foram calmos e felizes, pois ambos conversavam muito e isso deixava a viagem mais animada. No cair da quarta noite de viagem. Cain e Veck estavam sentados em volta de uma fogueira jantando.

“— Por que mesmo que estamos indo em direção ao santuário?” – Indaga-lhe Cain, com um prato de comida nas mãos.

“— Por causa de uma lenda de quinhentos anos, e talvez ela possa te ajudar” – Responde o outro.

“—Que lenda?”

“— A de uma besta sagrada, dizem que ela entende a nossa língua, quem sabe ela possa nos ajudar...” – Explica, cutucando a comida em seu prato com o garfo, não estava com fome daquilo.

“—Mas... Por que essa besta estaria lá?”

“— Parece que sem lugar para ir depois que seu mestre morreu, passou a viver lá. Algo do tipo...”

“—Então temos que matá-lo e entrar no santuário?” – Indaga novamente o moreno, deixando o prato de comida vazio no chão.

“—... Matar um animal sublime como esse?” – Deu umas leves risadas. “—Vamos fazer algumas perguntas a ele, e depois entrar no santuário. Apenas isso.”

“— Está bem... Irei dormir, amanhã teremos um longo caminho para percorrer...” – Falou já se deitando e colocando suas algemas nos respectivos lugares. “— Boa noite!”

“Sempre são boas agora...” – Pensou olhando-o de cima a baixo. “— Boa noite, vou ficar mais um tempo apreciando a lua.”

Veck espera algumas horas para ter a certeza de que Cain havia mesmo dormido, se ajoelha ao seu lado removendo cuidadosamente sua coberta e conjurando algo silenciosamente, então retira suas algemas. Ficando só a esperar ajoelhado ao lado deste.

“— Já faz cinco noites que nos encontramos, e a cada vez você parece estar mais dócil... Submisso.” – Comentou, olhando deslumbrado as marcas do outro aparecerem, e ele se sentando lentamente ainda de olhos fechados. “—Aos poucos você se torna mais...Meu!” – Seus olhos brilhavam com voraz intensidade olhando Cain lentamente abrir seus orbes cor de ametista. “— Meu caro Cain, não tente lutar dessa vez, você sabe que gosta disso!”

Se aproxima calmamente do outro, que se encontra no mesmo lugar, fitando-o com um olhar quase de nojo.

“Ele não vai tentar resistir como nas ultimas vezes...? Cada machucado que eu levava... Será que realmente não vai resistir?”— Pensava, ao se aproximar mais e mais.

Todavia sem mais nem menos Cain crava suas garras em seu ombro, com uma força absurda.

“— Argh! Justo quando pensei que dessa vez nada de mal me aconteceria!” – Reclamou, para logo depois alongar suas presas, partindo para o pescoço de Cain, os cravando com força e vontade.

“— Ahhh!” – Grunhiu o príncipe, cravando mais fortemente sua garras.

Veck novamente sentia aquele sabor viciante de que tanto gostava. Realmente a energia maligna que Cain tinha quando estava inconsciente era maravilhosa. Botou suas mãos nas costas deste puxando-o mais para si, fazendo seus corpos colarem e assim aprofundando mais a mordida.

Já o que era mordido estava de olhos cerrados sentido uma leve dor, mas apreciando a sensação que sentia, sua boca estava aberta emitido alguns gemidos baixos, quase inaudíveis.

Tanto Veck quanto Cain estavam perdidos naquele mar de sensações. O vampiro queria muito continuar absorvendo aquela energia para si, por muito, muito tempo, mas sabia que aquilo não duraria muito mais.

Depois de algum tempo perdido nas emoções, sente que as mãos de Cain, antes cravadas com força, agora soltando e descendo por seus braços os arranhando com as pontas das unhas, fazendo seu corpo inteiro arrepiar.

Interrompe então a mordida para reclamar algo por causa da dor. Enquanto via o príncipe desmaiar, não demorou a arrumá-lo do jeito que estava antes, notando quando foi algemá-lo que, as mãos dele estavam sujas de sangue. Olhou rapidamente para seu próprio braço vendo seu sangue escorrendo em sua pele alva.

“— Dessa vez você até que não causou tanto estrago atacando feito um animal selvagem... Mas você me machucou sério...” – Reclamou baixinho, procurando algo para limpar o sangue em seu braço e nas mãos de Cain.

Após uma breve procura por seus pertences acha um pano, limpando assim cuidadosamente as mãos do moreno, se afastando um pouco deste para conjurar algo silenciosamente para si.

“— Holy! Restauração!” – Murmura, vendo um brilho dourado ficar em cima das marcas de garras, fazendo cicatrizar sem deixar nem uma marca. “Agora após essa deleitosa refeição, é hora de eu ir dormir também.” – Pensou, deitando-se do outro lado da fogueira.

—-X--

Já de manha cedo, Cain fora o primeiro a acordar, e estava reluzente como sempre.

“— Vamos Veck acorde, não sei por que, mas você sempre parece meio cansado de manhã.” – Fala Cain sacudindo o outro que estava dormindo.

“— A culpa é sua... Se você fosse mais... Dócil...” – Murmura manhoso e baixinho, ainda dormindo.

“— Minha?” – A única parte que escutara é que a culpa era dele. “—O que eu fiz?” – Para de sacudi-lo, ficando a olhar fixamente para este.

“— Opa!” – Acorda, sentando-se e olhando para a sua fonte secreta de alimento. “—É que... Eu... Err...” – Não sabia o que inventar, acabando por dar uma risadinha como se estivesse sem graça. “— Ainda estava dormindo... Devia estar falando com alguém em meus sonhos...”

O moreno olha-o bem, não entendendo o motivo do outro estar tão sem graça, mas decide não tocar no assunto. Afinal, sonhos são sonhos.

“— Bem... Então se aprece e se apronte rápido, estou ansioso para ver o mar.” – Comenta radiante, levantando-se e colocando sua espada na cintura e com um enorme sorriso reluzente no rosto.

“— Cain...” – Levanta-se também, olhando firmemente para o moreno. “— Se eu conseguir tirar essa maldição, você não terá mais um enlace com essa espada negra... Então você a daria para mim?”

“— Eu...” – Reluta por uns instantes, aquela arma sempre esteve na família real. “— Sim, seria desleal de minha parte se você me ajudasse e não ganhasse nada em troca, então se é o que deseja pode ficar com ela.”

“— Obrigado, mas você vem me dando algo muito valio-...” – Para de falar, colocando de súbito a mão na boca, notando o que iria comentar com o moreno.

“—O que?” – Olhou confuso. “— Não me lembro de ter lhe dado algo.”

“ Preciso pensar... Rápido... Algo para disfarçar... Ele é ingênuo qualquer coisa que eu diga ele aceitará... Menos a verdade.” – Pensava, olhando um ponto qualquer do chão, tentando achar uma desculpa para o que dissera. “— Você tem me dado sua... Sua...” – pára e pensa uns instantes mais “— Sua amizade!”

Cain fica mudo com o que acaba de ouvir, será mesmo que era verdade? Veck era o via realmente como um amigo? Não sabia o que fazer pois nunca em sua vida tivera um amigo de verdade, todos o tratavam como o ‘príncipe herdeiro’. Mas sabia de uma coisa, também tinha um sentimento de amizade por Veck.

“— Eu... Também considero você como um amigo.” – Comenta o moreno com um enorme sorriso de alegria no rosto

“ No que eu estava pensando ao falar isso?” – Pensou, vendo a alegria estampada na face daquele que era seu ‘amigo’ agora, como se ligasse para tal coisa. “— Então vamos, temos ainda um longo caminho até chegar no mar.” – Falou baixinho para o outro. “ Será mesmo que eu o vejo como um amigo?” – Perguntou-se em pensamentos por fim.

Os dois então, após algum tempo arrumando tudo, partem para o Sul. Veck nota que no dia inteiro o príncipe não tirava aquele sorriso de ‘criança que ganhou um brinquedo novo’ do rosto. Era até divertido vê-lo assim.

—-X--

No final da tarde do sexto dia, o céu brilhava em tons de vermelho mesclado com azul, o sol começara a se pôr. Os dois ‘amigos’ param em frente a uma clareira para acampar, mas Veck arrumando as coisas percebe algo.

“— Em seis dias de viagem temos ficado quase sem comida, será melhor irmos a cidade, tem uma bem próxima daqui.” – Comenta, procurando algo para o humano comer em meio as coisas.

“— Não posso ir, podem me reconhecer, vá sozinho, por favor.” – Pede Cain, com um tom de tristeza.

“— Esta certo, mas vai escurecer antes de eu voltar, você me espera acordado?”

“— Claro!” – Responde-lhe dando um sorriso.

Cain vê Veck se afastar em seu cavalo, e após um tempo indeterminado, olha para o céu notando que o tom de azul escuro reinava nele, com uma lua minguante misteriosamente parecendo um sorriso macabro. Começou então a fazer uma fogueira, mas para imediatamente ao sentir uma sensação estranha.

“ Não deve ser o Veck, Será um monstro ou um...” – Pensou alerta, sacando sua espada ao notar que algo pequeno vinha em sua direção.

Defende-se com perfeição, cortando o que quer que seja aquilo no ar com sua espada, depois de fazer isto, olhou para o que tinha acertado.

“— Uma flecha? Mas por...” – Olhou atentamente para aquilo, mas acabou ficando com a guarda baixa, não notando uma segunda flecha vinda por trás. “—Argh!” – Reclamou de dor, sentindo uma flechada em suas costas.

Do nada, saem de trás das árvores cerca de doze pessoas, a mais forte a alta destas se aproxima com um sorriso vitorioso e cruel nos lábios.

“— Um tolo você é, vagando sozinho por essas bandas, tudo isso aqui me pertence!” – Falou o mais forte, provavelmente o líder do bando.

“— O que vocês querem, saiam já daqui... Eu...” – Sentiu sua vista escurecer, e uma dor absurda vir de onde a flecha estava. “— O que vocês... fizerem...?” –

“— Há! Há! Há! Parece que começou a fazer efeito, havia veneno na flecha!” – Debocha o homem, se aproximando de Cain. “— Hum... Você tem um porte de nobre, deve valer um bom resgate!”

“— Saia de perto de mim seu insolente...!” – Grita, reunindo forças para brandir sua espada em direção ao maior.

“— O que temos aqui...” – O ladrão rouba rapidamente a espada da mão de Cain. “—Essa espada de lêmina negra é tão bela, me faz ficar com vontade de vê-la cheia de sangue!”

Os olhos do ladrão ficaram brancos, sua face começou a deformar, e em um ato doentio começou a cortar suas pernas, apenas para ver o sangue escorrer. Logo depois o mesmo se vira para seus comparsas e mata o que estava mais próximo, o mutilando, o cortando, o estraçalhando.

“ Então é verdade o que a minha irmã disse... Que a espada só pode ser usada por mim...” – Pensou meio zonzo, tentando controlar a dor, removendo a flecha de suas costas.

Quando o ladrão termina de mutilar seu comparsa, todos os outros já haviam fugido de medo deste, então só sobrara Cain ali. Andou lentamente em direção a este, já mirando atacá-lo.

“— Acabou, não tenho mais força para nada...” – Murmura bem baixinho, só para si mesmo, vendo o ladrão vindo em sua direção. “ Acabou! ” – Pensou por final.

A espada já estava em sua direção, pelo ataque daquele ser maior, mas de repente Cain a para a com uma mão, segurando a lâmina. Um pouco de sangue começa a descer pelo braço deste.

“— O que é meu não me acerta!”— Falou Cain com uma voz rouca, levemente sensual, com suas manchas características começando a aparecer pelo seu corpo. “—Vou lhe mostrar o que é sofrer!”— Profere por fim, dando um sorriso malicioso e mostrando um olhar predador e insano para o ladrão.

—-X--

Enquanto isso, Veck solitariamente anda pela floresta em seu cavalo, voltando para aonde Cain estava.

“— Que cheiro é esse?” – Puxa as rédeas de seu cavalo, dando uma pausa. “— Parece com... Sangue!” – Ao notar, rapidamente desceu da montaria, indo correndo para onde Cain devia estar.

Fica completamente espantado ao ver Cain encharcado de sangue e com corpos mutilados ao seu redor. O príncipe se encontrava em estado de choque ajoelhado, olhando fixamente para suas mãos ensanguentadas.

Veck, ainda de longe, observa sete vultos negros se formando em volta de Cain e um enorme heptagrama se formando em cima de sua cabeça.

“— Da prisão a espada pode libertar, na prisão a espada pode punir...” – Os sete vultos ficam repetindo essa frase em um tom mórbido, para algum tempo depois sumirem.

Cain ainda se encontrava em estado de choque sem se mover, apenas observava suas mãos, e nem notara os vultos. Aquilo era demais para ele.

“— Isso é tão horrível e repulsivo... E o pior... Ainda assim não consigo me lembrar de nada!” – Falou com uma voz chorosa.

“— Cain você-...” – Para de falar, percebendo algo. “— Alguns monstros foram atraídos pelo cheiro de sangue, rápido Cain, vamos embora!” – Avisou.

O moreno nada respondia, parecia que tinha perdido toda a razão de viver. Não demorou muito para os monstros se esconderem atrás das árvores que os rodeavam, não era de muito longe dos dois.

Por sorte eram monstos fracos, entretanto pareciam estar em grande número. Veck já estava fazendo de tudo para mantê-los mais longe o possível, conjurando magias rápidas, mas não tinham muito efeito, só os fazia afastarem-se por algum tempo.

“— Cain, se você não os detiver por algum tempo, eu não conseguirei atacá-los de forma mais apropriada... ” – Avisou-lhe enquanto lançava uma magia em um mostro escondido entre as árvores. “— Me escute, seja lá o que aconteceu NÃO foi sua culpa!” – Disse, correndo para aonde este estava ajoelhado.

“— Veck eu...” – Ergue sua cabeça para olhar o amigo que vinha em sua direção. “— Eu não-...!” – De súbito para de falar, ao ver uma criatura saindo de trás de uma árvore e correndo para atacar este.

Não pensou duas vezes, pegou sua espada, que ainda estava banhada com sangue daqueles ladrões, e correu em direção ao de cabelos longos, desviando-se no último instante e atacando uma criatura atrás deste que já estava pronta para atacá-lo.

Veck para e se vira para o que saíra de seu transe simplesmente para lhe proteger. Era tão raro alguém fazer algo por si.

“— Ca-... Cain?” – Chamou-o preocupado, vendo que depois de lhe salvar, ele continuava parado no mesmo lugar, observando o que tinha matado. “— Estás bem?”

“— Sim, já estou melhor... Desculpe não ter ajudado antes era que eu...” – Deu uma pausa, sentindo um mal estar absurdo, respirando cansadamente. “— Preciso lhe contar algo... Eu...”

“— Me desculpe, mas agora estamos sem tempo, temos que recolher rápido as coisas e sair o mais rápido possível daqui, pois monstros mais fortes podem aparecer...” – Explicou-lhe, dando uma rápida olhada ao redor. “— Quando estava voltando achei um local lindo, possuindo um pequeno riacho, você poderá se banhar neste lugar. Criarei uma barreira em volta para caso monstros insistentes queiram nos seguir.”

Os dois recolhem tudo o que tinham e saem dali.

—-X--

Já o outro local, o que Veck havia mencionado, era realmente muito belo, tinha um pequeno riacho com uma cachoeira e um campo florido em volta. Cain decide que era melhor realmente se limpar, pois estava coberto de sangue e enquanto isso o outro se contentava em fazer uma fogueira.

Apos terminar de aprontar a fogueira, Veck sai um pouco do local, indo para o meio das árvores, pegou um pequeno punhal em baixo de seu manto e furou seu dedo, vendo o sangue cair na terra.

“— Restricted! Barreira de sangue!” – Pronunciou, e uma barreira vermelha, que logo em seguida ficaria invisível, se formou em volta da área aonde iriam passar a noite. “—Pronto, agora tenho que voltar para ver como Cain está... Depois dou uma olhada naquele local.” – Comentou, guardando o punhal e voltando para onde tinha feito a fogueira.

Chegando lá encontra Cain, já limpo, sentado em volta do fogaréu, acabou por sentar-se também, ao lado deste. Estavam num silêncio absurdo, nenhum deles tinha coragem de começar a falar algo, estavam mudos, pois nem sabiam por onde começar.

“— Veck eu... Tenho que lhe contar algo, eu...” – Fez uma pausa, tivera coragem de iniciar uma conversa, mas falava em um tom triste. “— Eu não lhe contei tudo sobre mim... Na verdade, por causa da espada, um demônio reside dentro de meu corpo.”

“ Isso eu já sabia desde a primeira noite.” – Pensou maliciosamente Veck.

“— É por esse motivo que eu sou obrigado a dormir usando umas algemas espirituais... Se eu perder a consciência, algo toma o controle do meu corpo...” – Avisou-o, aquilo já estava engasgado em sua garganta a dias. “— Desculpe não ter lhe contado antes...”

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“— Mas, hoje... Como aconteceu aquilo?”

“— Eu... Não me lembro... Pensei que ia morrer, algo aconteceu que não consigo lembrar... Só me lembro do sangue em minhas mãos e em volta de mim... Por isso fiquei naquele estado.” – Respondeu-lhe, olhando-o com seus olhos ametistas tristonhos.

“—Não se preocupe.” – Levantou-se de seu lugar, indo para mais perto ainda do outro e sentando-se ao lado. “— Você tendo uma boa noite de sono vai melhorar rapidinho...”

Veck percebeu agora que estava mais perto que o cabelo do outro ainda estava todo molhado. Sorriu, se esticando para pegar uma toalha que estava próxima, a jogando-a em cima da cabeça de Cain para começar a secar seus cabelos.

“— É melhor você secar direito esse cabelo se não quer pegar uma doença, e trate de dormir logo. Já passou da hora de crianças irem dormir.” – Comentou com um tom de voz alegre, enquanto ainda secava-o.

“— Não me trate como uma criança.” – Fez bico, mas logo abriu um enorme sorriso, sabia que o outro estava preocupado consigo. “— Mas, você esta certo... Estou mesmo precisando de uma boa noite de sono, para recuperar meu ânimo!” – fala animado, esperando-o terminar o que fazia “— Boa noite, Veck.”

“— Boa Noite Cain!”

O vampiro espera até o humano adormecer por completo para sair do local, estava curioso, tinha que investigar o local que estavam antes. Rumou então para esta, antes verificando se a barreira estava em perfeitas condições, não queria que nada atacasse o outro.

“ Tenho que checar algo...” – Pensou, quase chegando ao local. “— Será que o demônio esta tomando conta do Cain...?” – Perguntou-se baixo.

Chegando ao local, não pode evitar se espantar, o lugar onde antes estava cheio de corpos mutilados e sangue por toda parte, agora parecia só a límpida planície a qual encontraram mais cedo. Não havia mais nada, nenhum resquício do que ocorrera.

“—...! O que aconteceu?” – Murmurou espantado, indo bem para onde encontrara Cain ajoelhado quando chegou.

Olhou para cima, vendo o céu escuro ali. Por ser um meio-vampiro conseguia enxergar com perfeição na noite. Lembrou-se dos vultos que apareceram em volta do moreno e o heptagrama pairando em cima de sua cabeça.

Respirou fundo, fechando seus olhos por uns instantes.

“ Nenhum resquício de magia... Que estranho, se aquilo não era uma magia... O que seria?” – Perguntou-se em pensamentos.

Respirou fundo novamente, abrindo os olhos e voltando a averiguar o local, procurava por qualquer coisa que ajudasse-o a solucionar aquilo. Todavia, depois de um bom tempo procurando algo, que pelo visto não existia, decidiu que não adiantava mais procurar nada ali.

E não era bom deixar o outro desprotegido por tanto tempo. Voltou lentamente para o acampamento, encontrando Cain dormindo graciosamente, tal qual um anjo. Olhou bem para este, e acabou por lamber os lábios, aproximando-se mais.

“— Pensei em te deixar dormir em paz hoje, mas você parece tão saboroso... Deve ser pela energia que eu estou gastando com a barreira... Bem, é melhor eu me precaver...” – Murmurou bem baixinho, olhando-o quase faminto, como se fosse realmente o devorar.

Olhou bem para o que dormia, notando-o se remexer, parecia estar tendo um pesadelo, pois uma lagrima solitária estava em seus olhos fechados. Aquilo lhe agoniou por algum motivo desconhecido.

Aproximou-se mais, pensando bem se era mesmo correto fazer isso depois de tudo que ele passou hoje à noite. Ficou vendo-o dormir, só zelando por aquele sono inquieto que estava tendo.

Mas não se aguentou muito, acabou por se decidir após algum tempo. Ajoelhou-se bem ao seu lado e fez o de sempre, conjurou algo, removeu as algemas e esperou.

“— Não quero despertar agora...” – Murmurou Cain, com a voz rouca, levemente sensual.

“—...! Que? Você... fala?” – Não pode conter seu espanto.

Cain, já cheio daquelas escritas cujo ninguém sabia do que se tratavam, mas que era a base com certeza de sua maldição, levanta-se, sem tirar seu olhar ametista brilhando em luxúria do outro que estava parado no mesmo lugar em choque.

“— Não se espante vampiro... Estou assim por que a energia está oscilando entre a minha e a de Cain... Parece que estou ficando mais forte.” – Respondeu-lhe, olhando-o predatoramente.

“— Se é assim então, não resista e cumpra seu papel, me de sua energia que é tão saborosa.” – Avisou-lhe, levantando-se.

“— Me derrotaste várias vezes, ou me pegaste de guarda baixa vampiro, mas por que acha que podes ter minha energia sempre que estiver com vontade?” – Bufou de raiva.

“— Por quê?” – Fez uma pausa, lambendo os lábios. “— Você não quer mesmo ‘doar’ sua energia?” – Terminou a frase com um tom de sarcasmo na voz.

“—...! Seu...” – Soltou um muxoxo, recuando um passo.

“— E então?” – Sorriu malicioso. “— Vai se comportar como um bom animalzinho?”

“—Animal?! Quem você acha que eu sou!” – Gritou de raiva. “— Só falta querer que te chame de ‘mestre’.”

“—Mestre?” – Estremeceu ao escutar tal palavra, mas, de certa forma gostou. “— Perfeito! Vai servir para remediar os machucados que me fez.” – Avisou-lhe, olhando diretamente nos olhos ametistas.

“— Vampiros... Sempre os mesmos.” – Chiou baixinho, olhando-o com extremo nojo. “—Não posso confiar em ti!” – Dá mais alguns passos para trás, desviando seus olhos do outro. “— Podes me trair como outros já me traíram... O ultimo, por exemplo, desistiu de me ajudar e matou a minha antiga hospedeira... Aquela tola, acreditou no amor dele, e por coincidência ele também era um vampiro, e um dos poderosos.” – Voltou a olhar para Veck, com fúria. “— É por isso que não posso confiar em ti!”

“—E por que um vampiro o traiu, achas que todos fariam o mesmo?”

“—Eu... ” – Não soube o que responder. “— Aquele vampiro desgraçado se eu o ver, eu o MATO! ”

“— Mas então... Em que precisa de ajuda?”

“— Grrr! Já que Cain te trata como um amigo, e como ele é meu novo hospedeiro... Eu lhe conto.” – Resmunga, com a voz um pouco menos raivosa. “— Eu estou preso à família real de algum modo, mas não tenho memórias... Só as de quando possuo alguém e mesmo assim não são todas.”

“—Hum... Então você quer sair desse corpo?”

“— Que-...” – Para de falar, colocando de súbito a mão sobre o coração. “—Fiquei muito tempo oscilado entre as duas energias... Ainda não estou acostumado com esse corpo...” – Avisou-lhe dando uns passos em direção ao outro. “— Hunf! Se vai querer minha energia, é melhor a pegar agora!” – Vociferou.

Veck respirou fundo, aquilo estava bem confuso, mas não podia fazer nada, e aquele ‘convite’ para mordê-lo era bem tentador. Levou sua mão ao rosto à frente, antes tão angelical, agora possuindo um ar mais adulto, mais sensual.

Deslizou seus dedos até o queixo, inclinando-o de forma sutil para o lado, ao passo que juntava ainda mais os corpos. Seus olhos verdes brilharam com fome ao ver aquele pescoço alvo ali.

Sorriu pervertido, aproximando sua boca daquele pescoço, ameaçando morder, mas parando na metade do caminho, dirigindo-se para o ouvido deste.

“— Não importa o que seja, eu vou lhe ajudar...” – Sussurrou bem baixinho, para que só o outro escutasse. “— E também, vou fazer mais lento dessa vez... Para que não sofra muito, já que aceitou ‘doar’ sua energia.”

“— Pare de frescura vampiro desgraçado! Moda logo e acabe com isso! ” – Reclamou, levando suas mãos a cabeça do outro e puxando-o mais em direção ao seu pescoço. “— Rápido! ”

Veck então não aguarda mais, morde Cain, o penetrando lentamente, sentindo um sabor um pouco diferente do normal, mas igualmente bom. Pouco tempo o príncipe começa a perder a consciência sentindo que aquela sensação que o estava viciando.

“— Se... Ousar me trair... Na próxima reencarnação eu te mato, assim como vou fazer com aquele vampiro o Shi-...” – Desmaia antes de concluir a frase.

Respira fundo, o colocando de volta no chão, arrumando-o como sempre para ficar como estava. Sorriu fraco quando terminou tudo, sentando-se ao seu lado e ficando a observar a lua, pensando no que estaria por vir.

“— Isso está cada vez mais complicado... Mas não desistirei... Irei acabar com essa maldição.” – Sussurrou baixinho, olhando Cain dormir angelicalmente, como se nada tivesse acontecido. “— Amigo...” – De seus lábios esta palavra deslizou, quase sibilada. “ Talvez até possa valer a pena tudo que estou fazendo...” – Pensou, levantando-se do lado do moreno. “— É melhor eu ir dormir também... Amanhã terei que aturar aquela mulher...” – Soltou um suspiro cansado.

Deitou-se, com seus pensamentos a refletir tudo que tinha acontecido nestes últimos dias, das conversas que estava tendo com aquele príncipe. E que tudo aquilo tinha começado com este pedindo ajuda em sua casa.

Acabou dormindo pensando neste.

—-X--

O dia amanhecera como todos os outros, em uma temperatura agradável, lentamente Veck acorda, espreguiçando-se no chão.

“— Bom dia...” – Disse, sentando-se. “— Por que não me acordou Cain...?” – Já ia se levantar, mas para ao notar que o outro ainda dormia pesadamente. “— Cain?” – Acabou se levantando, indo ao lado deste, chamando-o seu nome enquanto o cutucava com o pé. “— Acorda!” – Cutuca mais forte. “— Que estranho... Você sempre acorda primeiro, o que aconteceu?” – Coloca as mãos na cintura, olhando meio desconfiado.

“— ...?” – Lentamente abre seus olhos. “— Veck...? Já amanheceu?” – Perguntou-lhe, apesar de saber a resposta. “— Que estranho... Não estou me sentindo muito bem... Mas deve ser passageiro.” – Murmurou baixinho, esfregando os olhos.

“—Se aprece e vamos Cain, chegaremos ao litoral logo.”

“— Mas nessa parte do litoral vai ter um navio por lá? Que eu saiba, o porto é mais para o leste...” – Comentou, levantando-se e arrumando suas coisas para sair.

“— Infelizmente... Vai ter um navio, tenho quase certeza.”

“— ‘Infelizmente’?” – Olha curioso para o amigo. “— Por quê?” – Indaga-o, já com tudo arrumado.

“— Depois eu lhe conto... Mas se alguém me atacar por lá... Por favor, não revide...”

“— Está certo...” – Olhou-o mais curioso ainda. “— Vamos?” – Montando em Júpter. “— Transforme logo essa pilha de ossos em seu cavalo...” – Sentia um pouco de pena do animal.

Este apenas revive sua montaria, partindo depois com o moreno em direção ao litoral. Pelo caminho iam conversando assuntos comuns, pouco a pouco se conhecendo mais, como se nada que tivesse acontecido no dia anterior fosse real.

Mais tarde, naquele mesmo dia, no auge da tarde, finalmente chegam ao seu destino. Cain olhou surpreso para aquilo, não acreditando no que via.

“—Um porto clandestino! Terei que usar ele?” – Pensou meio inquieto, olhando em volta.

O lugar era completamente sujo, imundo por assim dizer, com tabernas sórdidas onde podia-se ouvir discussões e brigas. Pessoas bêbadas pelas ruas e navios ancorados com grandes bandeiras negras com uma caveira branca. Piratas.

Era realmente enorme aquele porto clandestino o moreno não entedia como aquilo podia existir próximo as terras de seu reino, verdadeiramente não era o lugar ideal para um jovem príncipe ficar andando.

“— Chegamos Cain, não te preocupas, aqui ninguém te reconhecerá.” – Falou Veck, com um sorriso cínico no rosto. “— Me ajude a achar um navio grande, com velas negras e uma caveira branca com um arco atrás em cada uma delas... É a marca dela...”

Os dois então adentraram mais no porto, procurando pelo cais o navio que Veck descrevera. Após algum tempo tentando localizar este, finamente o acharam. Sorriram entre si de forma amigável, descendo de seus cavalos e indo em direção a este.

Quando chegaram perto, do nada algo pula do navio indo parar alguns metros a frente de Veck, este congelou ao ver a figura que temia ver, desta forma, assim na sua frente. Queria ter tido tempo para conversar.

“— Vectorius! Seu desgraçado!” – Falou a garota, que pulou como pluma do naviu ao cais.

Esta aparentava ter seus dezessete anos, era alta com corpo escultural, seios fartos. Seus cabelos cor fogo reluziam com o sol que fazia, eles estavam belamente trançados, chegando quase aos seus joelhos.

Possuía ainda orelhas pontudas e grandes, indicando clamarente que era uma elfa. Sua pele, apesar de bem clara, já estava meio bronzeada pelo tanto que ficava ao sol em seu navio. Seus olhos, azuis extremamente celestes olhavam para o vampiro com um ar de desprezo e fúria nestes.

“— Vectorius Razard! Seu cachorro desgraçado, como ousa aparecer aqui!?” – Gritou novamente esta, com o rosto meio vermelho de tanta raiva.

“— Minha cara Luna... Que bom lhe ver também...” – Falou este, recuando alguns passos.

“— Seu ladrãozinho desgraçado, sugador de sangue alheio!” – Vociferou Luna, correndo até onde Veck estava e pegando-o pelo pescoço. “— Pirralho mentiroso! Eu disse que te mataria se voltasse aqui!” – Resmunga raivosa, apertando mais o pescoço deste.

“— Veck!?” – O moreno se aproxima para tentar salvar o amigo. “— O que está acontecendo?” – Indagou inquisidor, tentando tirar a mão da garota do outro.

“— Ca-calma Luna, me solte, por favor.” – Após pedir isso, notou que a ruiva soltou seu pescoço. “— Obrigado...”

“—... Certo, já estou mais calma, para que veio aqui?” – Indagou-lhe, respirando fundo para se acalmar. “—E quem é esse garoto ai ao seu lado...?” – Olhou para Cain. “— Não vai me dizer que é seu novo brinquedinho?”

“— Sua insolente! Como ousa falar assim comigo?” – Reclamou o moreno, não gostando nem um pouco de ser tratado assim.

“— Calma Cain... Esse é o jeito dela...” – Tentou acalmar os ânimos de todos. “— Luna, esse é Cain Eucaristia Radiance.” – Apresentou-o a elfa.

“— Radiance!?” – A garota olhou espantada para o moreno. “— Ele é o príncipe herdeiro do reino de Radiance?” – Recebeu sua resposta ao vê-lo concordando com a cabeça, tendo um sorriso no rosto. “— O que ele estaria fazendo com uma pessoa baixa como você... Não me diga que o sequestrou?” – Comentou, sem saber o que fazer na presença de um príncipe.

“— Nossa...” – O vampiro dá um suspiro. “— Não, ele não é refém... Agora se nós pudéssemos conversar em um lugar mais reservado, adoraríamos...” – Comentou, apontando para o navio.

“— Tudo bem... Sigam-me.” – Concordou esta, sorrindo.

Guiou ambos para seu navio, passando por alguns de seus homens trabalhando, haviam poucos ali, mais da metade estavam bebendo em algum bar naquele porto. Sorriu mais, parando em frente a uma porta, abrindo e dando passagem para eles entrarem em sua cabine.

O moreno surpreendeu-se ao entrar naquele cômodo, era deveras aconchegante, bem iluminado, possuindo ainda vários quadros com belíssimas paisagens decorando as paredes.

Não pode deixar de notar baús mais ao fundo, onde alguns que estavam abertos mostravam as riquezas que aquela garota já havia conquistado. Não queria saber o meio no qual ela conseguiu tanto ouro e pedras preciosas. Moralidade não importava para um pirata.

No meio daquela decorada sala, tinha uma mesa cheia de livros e mapas com cadeiras confortáveis rondando esta. Luna, a capitã daquele navio, fez um gesto gentil e suave com as mãos, indicando para que os convidados sentassem-se.

“— Bem... Já estamos em um lugar mais reservado. ” – Comenta ela, sentando-se também ali, encarando-os.

“— Mas a senhorita é a capitã desse navio?” – O moreno olhou confuso. “— Não és muito nova para isso?” – indagou-lhe.

“— Nova?” – Veck riu, quase gargalhou na verdade. “— Ela é mais velha que eu Cain... Elfos envelhecem bem lentamente.”

“— Não me chame de velha Vectorius.” – Fez bico. “— Você que é só cem anos mais novo...” – Não gostava de ser chamada de velha.

“— Deve ser legal viver muito, queria ser como vocês.” – Comenta Cain admirado.

“— Nunca deseje isso... Por minha curiosidade perdi tudo o que amava... Nunca deseje viver eternamente...” – Falou pesaroso Veck. “—Mas... Mudando de assunto” – Respirou fundo, não queria recordar mais seu passado. “— Luna você poderia nos levar para as margens do pântano de Sauron ao sul?”

“— Seu pirralho maldito por que acha que eu te ajudaria?” – Levantou-se com raiva.

“— Por que você me ama.” – Respondeu friamente, como se não se importasse com tal fato.

“— Seu-!” – Calou-se, quase a iniciar um discussão maior ali. “— Você era só um bruxo sem experiência da vida, e eu te ensinei como sobreviver, ao invés de ser um cachorrinho que só obedecia a ordens daquele desgraçado!”

“— Calada!” – Levantou-se também, batendo os punhos na mesa. “— Se continuar a falar...” – Seus olhos brilharam ameaçadoramente, encarando a garota. “— Você VAI nos levar lá, você não vai tentar mais como uma criança!” – Vociferou por fim, deixando bem claro que aquilo não era um pedido.

A ruiva estremeceu de leve, sentando-se pasma na cadeira cujo estava antes, olhando-o ainda observá-la furioso. Sabia que só mencionar o ‘Mestre’ de Vectorius, este se zangaria com ela. Mas ele não estouraria deste jeito. O meio vampiro que conhecia era frio, quase não possuía expressões.

“ O que aconteceu com o Vectorius... Ele não era sim... Será que a solidão vez mal a ele?” – Pensou ela, mordendo o lábio inferior.

“— Me desculpe Luna, eu não...” – Respirou fundo, sentando-se também. “—Por favor... Eu sei que saí sem avisar nada, e sei também que roubei algumas coisas suas, mas...” – Desviou seu olhar desta.

“— Tudo bem.” – Concordou por fim, sorrindo amável para o outro, pegando um mapa em cima da mesa e começando a riscá-lo. “— Se pegarmos essa rota...” – Riscou mais. “— E sairmos hoje chegaremos em cinco dias...”

“— Obrigado!” – Avisou Veck, contente, levantando-se e sorrindo mais. “— Onde iremos ficar?”

“— Que tal você ficar no seu antigo quarto?” – Indaga a garota, com um sorriso malicioso nos lábios perfeitamente pintados de vermelho. “— O príncipe poderia ficar em um quarto de hóspedes.”

“— É melhor nós dois ficarmos no quarto de hóspedes. Minha dama...” – Olhou-a sereno, mas quase sem expressões, tal qual o Veck que ela tanto conhecia. “— Agradeço muito.” – Logo voltou sua atenção para o moreno. “—Vamos Cain, temos que arrumar as nossas coisas.”

“— Ahn?” – Este estava complemente perdido na conversa, pois não entendia aquele assunto, e não iria perguntar. Era um passado deles apenas.

Veck vendo a confusão de idéias em que o outro se encontrava, caminhou até ele colocando sua mão em seu ombro.

“— Se quiser, depois eu lhe explico algumas coisas, agora vamos.”

“— Há!” – Saiu de seu transe. “— Sim claro, vamos.” – Levantou-se também indo logo em direção a porta, sendo seguido pelo outro.

“— Espere Vectorius, ainda tenho um último assunto a tratar com você...” – Avisou-lhe, recolhendo alguns mapas.

“— Vá à frente Cain, vá trazendo as coisas para dentro do navio que eu já vou.” – Pediu-lhe.

O moreno fez o que este pediu, dando de ombros e saindo daquela cabine.

“— Vectorius parece que achou um brinquedo novo...” – Comentou esta, indo em direção ao outro.

“— Brinquedo?” – Riu baixinho do comentário desta. “— Não... Está mais para bichinho de estimação, mas não comente nada com ele, pois ele não sabe de nada.”

“— Ele não me parece o tipo de pessoa que quando descobrir aceitará isso...” – Murmurou baixinho, com um certo ciúme. “—Vectorius eu gosto de você mas, se ousar me morder novamente nunca te perdoarei.” – Advertiu-lhe, colocando gentilmente sua mão no rosto deste, fazendo uma suave carícia.

“— Não se preocupe minha cara dama, se não quiser não farei nada.” – Concordou com esta, de modo quase frio, afastando-se daquela carícia e virando-se para sair.

“— Vectorius!” – Adiantou-se a ruiva, segurando o braço do outro, antes de conseguir abrir a porta.

Sorriu docemente, puxando-o rapidamente em sua direção, aproveitando-se do momento de distração para dar um suave beijo em seus lábios para logo em seguida abrir a porta e empurrá-lo para fora de supetão, trancando-se dentro.

Veck ficou piscando os olhos, assim que foi enxotado daquela cabine. Tentando entender o que acontecera ali dentro. Apesar de já saber muito bem.

“— Aquela... Continua do mesmo jeito...” – Murmurou, levemente ruborizado.

“— Veck! Me ajude aqui!” – Gritou Cain, tentando trazer seu cavalo para o navio, mas este negava-se com todas as forças. “— Vamos Júpter, é só um navio... Venha...” – Falava baixinho com o animal.

Este sorri para aquela cena, vendo o esforço que o humano fazia para puxar um animal daquele porte que negava-se a obedecê-lo. Acabou por andar lento em direção aqueles dois, pegando as rédeas do cavalo e começando a conjurar algo.

“— Hold! Manipulação!” – Falou por fim, colocando suas mãos sobre os olhos do cavalo. “—Vamos animal, suba.” – Mandou-lhe, e fora prontamente obedecido por esse.

“— Legal!” – Os olhos do moreno chegaram a brilhar ao ver seu cavalo obedecendo-o. Júpter às vezes tinha um jeito muito arredio. “— Agora só faltam algumas coisas e o seu cavalo.”

“—Vocês dois!” – Luna falou alto, saindo da cabine com um sorriso triunfante. “—Terminem logo com isso, eu vou chamar minha tripulação.”

“— Claro senhorita Luna, já vamos terminar.” – Comentou, dando um sorrido radiante, fazendo-a até ficar sem graça. “— Só faltam algumas coisas.”

Algumas horas depois, tudo já estava pronto em seu devido lugar, então finalmente o navio zarpa do porto.

—-X--

CONTINUA...

Data do remake 21/07/10

Notas finais
Nota da Autora: Bem, Para os que iniciam agora o PM, aviso que é uma historia cheia de reviravoltas, onde nem tudo é o que parece. Eu arrumei a historia pelo motivo de ter sido a primeira que eu fiz, e por isso estar cheio de erros ((coisas bem criticas, admito)), até me espantei em notar o quão eu melhorei no modo de escrever. Com o CAP 1, eu ainda queria deixar com o gostinho de primeira historia, e mudei algumas coisas, tipo repetições de ações e nomes. Espero que tenha melhorado. Além, agora a historia ter uma beta, que pelo que notei está fazendo milagres na historia, mas ela só vai começar a betar mais para frente, fora os caps refeitos, então podem rir a vontade dos meus erros até lá. Nota da Beta: o Yooo!!! Gente, eu não faço milagres, na verdade… Nem tem tantos erros assim atualmente(apesar de ter MESMO uns erros muito tensos nos primeiros capítulos) D: Mas de qualquer forma, eu adorei o remake porque tenho um certo… Vício(pra não dizer tara, ou paixão) por Prison Magic *-* E bem, eu sempre li e reli todos os capítulos umas cem mil vezes. Com o remake ficou muito bom!!! Espero que gostem tanto quanto eu gosto… E é isso, até o próximo capítulo. P.S.: EU ODEIO VXL… Por isso demorei tanto a betar… Ficava empacando nas partes em que os dois apareciam ¬¬