Prison Magic

9 Capítulo 9


“— Finalmente... Estais agora em minhas mãos, minha bela cria...”

Um ser vestido com uma obscura capa azul escuro, com um capuz encobrindo seu rosto, andava lentamente em meio às árvores, odiando internamente aquela paisagem tão inutilmente bela...

Para ele, beleza tinha que ser vorás, arredia, para lhe dar jus ao nome... E conhecia extremamente bem, quem era a única coisa ‘bela’ a qual tinha tanto zelo... Em quanto andava pelas árvores, indo para seu diabólico intuito. Não lhe faltavam recordações...

Era um passado tão longínquo, mas se lembrava perfeitamente, para sua maior satisfação...

As árvores mortas de sua terra, cobertas por altas camadas de gelo... E uma criança, uma pequena criançinha, a qual teve o prazer de vislumbrar seu afloramento. Esta criança era sempre alegre, brincando com outra de sua espécie.

Era claro o sorriso cúmplices das duas crianças, correndo pelos seus jardins mórbidos, que eram tão puras que não notavam a maldade ao lado delas. Porém apenas uma dessas lhe chamava a atenção, apenas uma era que desejava mais que tudo na morte na qual vivia.

Suas memórias eram tão vividas, que podia se lembrar de cada timbre de voz, cada expressão no rosto deles... Era tão excitante...

“— Shisue... Shisue... ” – chamou alegremente, uma das crianças, que possuía cabelos prateados “— Bom dia. ” – falou, segurando a manga da camisa deste, de modo inocente “— Vai me ensinar o que hoje? ” – indagou em seguida, com os olhinhos esverdeados brilhando em expectativa.

Adorava aquela maldita infantilidade, que teve que o obrigar a ser castro por tantos anos. Afinal, não desejava mais nada além daquela criança. Porém ainda faltava muito para o fruto estar no ponto para ser... Devorado.

“— Calma, minha criança... ” – falou, sorrindo matreiro e provocante, passando despercebidos pelos olhos ingênuos “— Queres aprender sobre invocar chamas? ” – indagou, alisando de modo predador os cabelos da criança.

“— Sim, Shisue! ” – afirmou o outro com convicção.

Era adorável o rosto fofinho e extremamente delicado que aquela criança possuía, dava simplesmente vontade de saborear aquela pequena criaturinha bela no mesmo instante. No entanto, tinha planos tão macabros para esta, que poderia esperar alguns anos...

Anos para quem se é um Puro-sangue vampiro passam rápidos...

E com o passar destes anos, pode ver que para seu total deslumbramento, aquela criança, a seus olhos, ficar mais bela ainda em quanto crescia. A cada ano que se passava parecia um balsamo para seus olhos. Às vezes chegava a se perder na imensidão dos olhos esverdeados que este possuía.

Porém com o tempo, junto com o acréscimo na idade, a pura ingenuidade diminuía e a percepção do mal a volta aumentava... Todavia, isto era perfeito para seus planos. Era ótimo quando via claramente que tudo seguia conforme o planejado... O deixava mais ansioso ainda.

“— Vim para meu treinamento. ” – avisou a criança, não tendo mais aquela alegria de quando era mais jovem, porem ainda possuindo os brilhos nos olhos, almejando sempre mais o conhecimento.

Para ele aquele ser sempre seria uma criança, não importando se seu corpo desenvolvesse, ou os anos que se passavam...

“— Minha bela criança... ” – falou sorrindo sensual, sabendo que não passava mais despercebido pelos olhos desta.

“— ... ” – abaixou seus olhos, não querendo ver o ser imponente a frente.

“— Como andas a outra criança...? ” – indagou, se referindo aquela a qual sempre brincava com este.

“— Não está bem... ” – avisou “— Continua muito doente... ” – andou para mais perto do outro ser, cabisbaixo “— Odeio não poder fazer nada... ”

Encantava-se toda vez que conseguia fazer a sua criança triste. Consolá-la era tão tentadoramente bom...

“— Estude mais. ” – avisou de modo ríspido “— Aprenda mais. ” – continuou, levando sua mão ao rosto do outro, tocando sua face “— Saiba de tudo. ” – falou, retirando alguns fios prateados que teimavam em tapar aqueles belos olhos verdes.

“— Eu precisaria de cem anos, para saber de tudo... ”

Era tão fácil controlar as emoções das pessoas, tão simples, por serem tão fúteis. Humanos eram criaturas estranhas, principalmente para ele que sempre fora um sangue-puro desde o seu cruel nascimento.

“— Minha criança, tens mais poder do que pensas. ” – avisou, passando a mão de maneira bem ousada pelo rosto, descendo para o pescoço deste.

“— Melhor treinarmos, Senhor. ” – pediu o outro, se afastando.

Perfeito, as coisas para serem belas têm que ser fujonas, furtivas... Para poder serem domadas.

“— Me chame de Mestre. ” – ordenou, conseguindo segurar uma mecha dos ainda não longos cabelos do outro.

“— ... ”

“— É uma ordem! ” – ameaçou, sorrindo sínico, puxando o cabelo no qual segurava, quase fazendo a criança cair.

As lembranças mais maravilhosas eram as de dor... Aquelas no qual podia ver, sentir, cheirar o medo em sua bela criança, aquelas pequenas dores que causava, tanto física quanto emocional...

Os anos se passavam rapidamente na sua mente, enquanto andava pela floresta, deslizando sua língua pelo seu canino, sentindo-o desejando novamente sua bela cria... Passavam-se tão rápidos, que já vislumbrada em como sua bela criança havia virado um belo garoto.

Tentadoramente belo... Cabelos longos, com uma misteriosa e única cor prata. Nunca entendera o porquê de este ter cabelos desta cor, todavia não ligava. Chamava-lhe também a atenção também os olhos verdes, brilhando com uma pseudo maturidade, e constante necessidade de conhecimento...

Anos nos quais ficara sem beber valeram toda a pena, em poder ver a ex-criança quase desfilar a cada passo que dava, mesmo sabendo que esta fazia sem notar tal fato. Via-o cada vez mais ligado a outra criança. Esta também tinha crescido, virado uma garota, mas não era de seu agrado... Parecia apenas mais um projeto de humano fútil, apensar de saber que ela era generosidade em pessoa.

“— Como andas a outra criança? ” – indagou, sabendo que toda vez que perguntava isto, fazia o outro se lembrar do estado no qual esta estava.

“— Está bem. Eu estou cuidando dela. ” – respondeu, não querendo transparecer o medo que torturava seu coração.

“— Ela vai morrer. ” – advertiu cínico, chegando por trás da sua bela criança “— Vai ser tão triste... ” – comentou, segurando o ombro a frente “— Conhecendo esta doença como eu conheço... A morte dela será assombradora. ” – sussurrou-lhe ao ouvido.

“— Eu estou me empenhando mais, Senhor... Sei que poderei achar a cura. ” – avisou, tentando se afastar, não conseguindo.

Aquela idade era perfeita, dezessete anos, assim o conservaria belo eternamente. Porém não queria apenas mordê-lo e transformá-lo em um vampiro... Queria mais, queria um escravo que atendesse a todos os seus desejos e que fosse resistente o suficiente para ainda o negar...

“— A morte dela será tão horrível... Sabes muito bem... ” – comentou, segurando com mais força os ombros do outro, para este não fugir “— Morrerá sangrando por todo os lugares... Agoniando, implorando para ser morta, pois sua tragédia demoraria semanas até que se findasse... ” – avisou.

“— Eu sei muito bem... Não precisas me lembrar de tal fato... ” – respondeu, não contendo em deixar lágrimas rolarem por seus olhos.

“— Posso ajudar-vos... Se tu a ama tanto assim. ” – propôs.

Finalmente a hora estava perto, sentia seu sangue vampiresco clamar pela criança a frente. Mal conseguia se deter, a única coisa que o fazia controlar-se um pouco era saber do sofrimento que causaria a esta depois.

“— Como faria isto, Senhor...? ”

“— Tu não és tão ingênuo a ponto de não notares o que lhe rodeia... ” – avisou, tirando alguns cabelos prateados da visão para o pescoço “— Deves ter notado há anos... ”

“— Eu... ” – o garoto tentou se soltar novamente, e dessa vez conseguiu, pois o vampiro lhe soltou.

Foi tão bela a reação de fascínio e medo, que vira nos olhos da criança, quando lhe mostrou pela primeira vez seus caninos, e o olhar predador...

“— Não gostaste da proposta? ” – indagou, lambendo os lábios.

“— Isso não adiantaria de nada... ” – falou, dando alguns passos para trás.

Apesar de querer e poder, simplesmente mordê-lo... Subjugá-lo os seus desejos era muito mais doce...

“— Penses em tua amada. ” – avisou, dando um passo a frente.

“— Isso só a faria sofrer. ” – recusou mais.

“— Penses bem, minha criança... ” – mais um passo “— Tu sendo um vampiro, poderias fazer o mesmo com ela... Assim esta não morrerias... ”

“— Mas nos queremos ter uma vida juntos... Como humanos. ”

“— Mas vós podeis. ” – avisou.

“— Podemos...? ” – parou de recuar, deixando que o vampiro se aproximasse mais de si.

Ingenuidade. Se alguém olhasse para aquela criança naquela época e olhasse a que se tornou agora, perceberia em instantes que esta não tinha mais nenhum pingo de pureza...

“— Sim, minha criança. ” – tocou-lhe o rosto “— Os vampiros que não são puros, tens que tomar o sangue de seu Mestre, para tornarem-se completos... ” – explicou “— E até que isto esteja feito, o Mestre pode cancelar a transformação... E o Vampiro, volta a ser apenas um Humano ” .

“— Então... ” – o garoto já tinha formado um plano completo em sua mente “— O Senhor me morde... Eu mordo ela... Depois procuro a cura com mais calma, e quando a achar, devolvo a humanidade dela... ” – comentou, sorrindo esperançoso “— Mas o Senhor devolveria a minha humanidade? ” – indagou, um pouco desconfiado.

“— Claro... ” – mentiu “— Aceitaste a ideia antão? ” – indagou.

“— Me de um dia para pensar... ” – pediu.

“— Claro, vá conversar com a sua amada. ”

“— ...Ela não pode saber disso... Por enquanto. ” – pediu.

“— Não preocupe-se, minha criança. ”

Lembrava-se que misteriosamente aquele único dia de espera, para saber o veredicto, parecia ter demorado mais que os anos a qual esperava a fruta amadurecer. Porém se lembrava que esperou pacientemente, pensando nas atrocidades que faria uma a uma com aquela bela criança...

“— Eu aceito me tornar um vampiro... ” – falou o garoto.

Soltou um suspiro, olhando para as copas das árvores e lambendo os lábios só de se lembrar dos momentos a seguir... O qual o tinha mordido da forma mais brutal que conhecia, fazendo-o sentir a dor desde já. Lembrava-se tão claramente dos gritos que escutou, em quando aquela bela criança morria em seus braços... E do beijo do vampiro que dera para reavivá-lo...

“— Calma minha criança... ” – falou, vendo o outro a seus braços, como uma boneca de trapos “— Aguente uns instantes... ”

Mordera com força o próprio pulso, sugando seu sangue amaldiçoado, armazenando grande parte em sua boca. Olhou jocoso para o garoto a seus braços, não podia mais vê-lo apenas como uma criança... Com um corpo tão belo como aquele, que ficaria congelado para sempre, preservando sua beleza.

Trouxe aquele que lhe era símbolo de beleza para mais perto, tomando seus lábios em um beijo feroz, passando o sangue que continha na sua boca para a do outro... E ainda aproveitando para explorar pela primeira vez aquele tão desejado lugar.

Parou de andar, encostando-se a uma árvore qualquer. A lembrança era tão forte que seu sangue fervia.Passava lentamente sua mão pelo seu corpo, por cima do manto azulado que o ocultava. Toda vez que recordava o passado, tinha esse estonteamento quando chegava nos derradeiros finais.

Suspirou, já se controlando, voltando a andar pela floresta, com um só pensamento, Encontrar sua cria bela... Porém suas memórias ainda vagavam, parecia que a ansiedade de reencontrar-se com este era tanto que não conseguia olvidar seus pensamentos.

“— Ahnnmw... ” – gemeu a sua, agora, cria em seus braços “— O que...? ”

“— Calma, minha cria... ” – falou de modo zeloso, uma das poucas vezes que fizera isso “— Sente-se bem? ”

“— Não... ” – avisou “— Estou com frio... Sede... Fome... ”

“— Normal. ” – proferiu “— Sentes frio, pois não tens mais sangue em seu corpo. Sede e fome, pois agora necessita constantemente se alimentar... ” – explicou “— Consegues se levantar? ”

“— Sim. ” – falou, já levantando-se, separando-se de seu, agora realmente, Mestre.

“— Vá transformar sua amada... ” – avisou o vampiro puro “— Tu saberás o que fazer. ” – falou malicioso.

“— ... ”

Lembrava-se claramente, que assim que sua cria saiu e seu castelo, havia gargalhado muito, só de saber que seu plano daria certo.Sorrindo malicioso, seguiu, cautelosamente, sua nova cria.

Vendo-o entrar normalmente na casa da amada deste, indo para o quarto. Escutou e viu este explicando a situação para a garota. Esta tinha chorado tanto... E tinham feito tantas juras de amor...

Os humanos quando chegavam a essa idade ficavam tão melosos... Principalmente as fêmeas da espécie...

O que viu depois fora esta se jogando aos braços de sua cria, chorando, mas aceitando tudo, pedindo para viverem justos. Gargalhou novamente, aquela cena era realmente patética...

Mas logo calou-se ao ver os dentes de sua cria crescerem, e fincarem na doce garota. Olhou a cena sem nem piscar, ente o prazer que sentiu ao ver que naquele momento o mundo de sua cria estava quebrando mil em pedaços...

Pode vê-lo após algum tempo, tentar soltar a garota, mas não conseguia, seu instinto animal o fazia querer repor o sangue eu não existia em seu corpo...

Era um fato que não tinha explicado para sua bela cria. Vampirinhos novatos, ao tomarem seu primeiro sangue, matam, mesmo que intencionalmente, o indivíduo do qual estão se alimentando.

Via claramente a garota morrendo nos braços de seu amado, não que esta ainda tivesse muito tempo de vida... Mas o que lhe maravilhava mais, era o lutar frenético entre a razão e o instinto, que sua cria travava...

Porém olhou realmente estranhando a cena que aconteceu. Notou que os belos cabelos prateados de sua cria, mudavam de cor lentamente, começando pelas pontas, adquirindo uma cor vermelho carmesim...

Nunca tinha visto algum relato de um vampiro, Puro-sangue ou nobre, acontecer tal fato. Suspirou encantado, aquela criança ainda era mais misteriosa e fascinante do que pensava...

Quando viu que a garota estava por um fio, entrou no quarto, tirando-a dos braços de sua cria, de modo brusco não ligando se algum dos dois se machucassem.

“— Tu vais matá-la. ” – avisou “— Levá-la-ei comigo... ”

“— Não! ” – exclamou, tentando socorrer sua amada “— Deixe-me transformá-la. ” – pediu.

“— Achas que um vampiro tão baixo quanto tu, podes fazer tal coisa? ” – comentou, gargalhando extremamente alto e maligno.

“— Então transforme-a Mestre! ” – pediu, ajoelhando-se no chão, chorando copiosamente.

“— Não posso, já transformei-te hoje. ” – chantageou, gargalhando mais, segurando a garota quase morta por um braço, não ligando o jeito que esta estava “— Levarei esta infeliz comigo, terás muita finalidade. ”

“— Você mentiu! ” – exclamou, levantando-se e olhando furiosamente seu Mestre.

O que veio a seguir, se lembra claramente... A primeira vez em que maltratou sua cria, a primeira vez em que realmente pode comer a fruta madura... Lembrava-se dos gritos, os gemidos, o choro incessante que fluía daqueles olhos que também tinham mudado de cor... Nunca esqueceria isso.

Escutava claramente e lembrava-se com perfeição, ele implorando, mesmo entre toda dor que sentia, para salvar a garota, ou pelo menos tirá-la daquele lugar... Mas não fez nada disso, humilhou-o com a amada ao seu lado, sentada em uma cadeira como uma boneca.

Suas mãos percorrendo a pele branca e macia de sua cria... Como a tinha desejado. Seus lábios passeando pelos contornos do corpo, lambendo-os com insistência predadora. E fazia tudo isto sentindo que este mesmo o repudiando, mesmo o negando com todas as forças, não conseguia conter seu corpo...

Eram um balsamo para seus ouvidos o choro copioso do garoto abaixo de si, de tão aterrador que era os acontecimentos recentes, este mal se atrevia a olhar em direção a sua amada. A vergonha de estar fazendo aquilo ali, na cama desta, com seu Mestre e com esta sentada de frente a eles, como se estivesse assistindo a tudo, era demais.

Escutava-o gemer alto, sendo escravizado pela dor prazerosa que lhe causava...

“— Hummm... ” – gemeu,parando e levando a mão a seu baixo ventre “— Eu o quero novamente... ” – falou, voltando a andar pela floresta.

Os anos que se seguiram foram os mais belos para sua morte, ou vida. Tinha colocado a garota em um vidro enorme a qual a conservava jovem... E para mais sofrimento de sua cria, a conservava, de certa forma, viva.

Tudo havia se resumido a torturar sua bela cria. Fazendo-o ficar naquele lugar, tudo conforme aos seus planos. Exceto o fato deste não querer mais tomar sangue... Alimentando-se de energias.

Apesar de ter estranhado, adorou aquilo. Havia mais um modo de judiá-lo. Fazê-lo sofrer com tudo a sua volta. Afinal, sabia que se saísse dali, sua bela amada, morreria de formas piores do que se tivesse morrido pela doença.

Possuía um escravo, relutante. Uma refém, semi-morta. Tudo o que um vampiro Puro-sangue como ele desejava. Em um desejo mórbido. Que sabia que pioraria a partir dos anos que se seguiriam.

“— Vectorius... Minha amada cria... ” – sussurrou o homem encapuzado, ainda a andar “— Você voltará para mim. ”

Finalmente após andar tantas horas, dias. Chegou, de modo imperceptível, onde queria. Vendo enormes muralhas em meio à floresta. Ocultou mais, apagando completamente sua existência. Tocou esta, lembrando-se da última vez que estivera ali.

Porém parecia que a segurança estava mais reforçada... Precisaria de ajuda de alguém de dentro para conseguir entrar... E já tinha tal pessoa trabalhando para si. Alertou-se quando ouviu um barulho de dentro da muralha.

Sorriu vitorioso, pareciam duas pessoas, e por suas vozes não serem femininas, sabia que se tratava de humanos. Ficou lá, impassível, esperando todo o desfecho. Porém quase que explodiu o lugar ao escutar, com seus ouvidos sensíveis, uma terceira voz que acabara de aparecer...

Fazia tantos anos que havia escutado esta... E continuava com um belo timbre. Reconheceu na hora de quem era. Era de sua cria, sua criança... Parecia que estava brigando com outro humano.

Sorriu estudando tudo, e por final os três saírem do lugar, voltando para a proteção. Sabia muito bem que faltava pouco para conseguir o que mais queria...

Sentou-se encostando suas costas na parede da muralha. Só teria que esperar, aquele era o ponto certo. Já estava tudo combinado...

“— Faltas pouco, muito pouco... ”

---X---

Lentamente o trio andava pelas ruas daquele povoado élfico, atraindo a atenção de todas ao redor.Andavam calmamente, conversando entre si parecendo animados com tudo que os rodeavam.

Exceto para o loiro, que apenas fingia aquela conversa animada. Não gostava de estar certado de tantas mulheres... Os piores castigos que recebera foram destas, quando ainda era um escravo e as mulheres descobriam o que seus maridos, irmãos, filhos faziam consigo.

“— Guille, você está bem? ”

“— Estou sim, Cainzinho, não se preocupe. ” – falou manhoso, aproximando-se de depositando um leve beijo na bochecha deste.

“— Quem te deu essa intimidade com ele? ” – reclamou Veck, separando-os rapidamente.

Começaram uma briga naquele local, mas todos já estavam acostumados com aqueles dois discutindo, mal davam mais a importância. Todavia, Veck parou de reclamar quando ouviu algumas risadinhas animadas daquelas elfas, precisamente aquelas três que sempre os rodeavam e que ousavam se aproximar mais. Estas chegaram mais perto, sorrindo cordialmente.

“— Querem passear conosco? ” – indagou uma das elfas.

“— Mostraremos vários lugares. ” – informou outra, sorrindo.

“— Vamos Vectorius e Cain... ” – insistiu a terceira.

“— E eu? ” – reclamou Guille, meio chateado por ter sido esquecido.

“— ... ” – as três se entreolharam.

“— Não precisam falar mais nada... ” – virou a cara, dando um muxoxo “— Sei que estão com inveja de mim. ” – sorriu, fazendo jogo de cintura “— Eu não queria nada com vocês mesmo. Vamos Cainzinho... ” – falou por final, olhando para o moreno “— Você não me deixaria sozinho, não é? ”

“— Claro... ” – falou, olhando para o Veck em seguida “—Vá passear com elas Veck, pelo menos poderá dormir a noite ” – pediu meio tristonho, abaixando o rosto e andando sem falar mais nada, sendo seguido pelo loiro.

“— O que ele disse...? ” – pensou Veck, em voz alta, não entendendo o que tinha acontecido, vendo os dois se distanciarem rapidamente.

---X---

O moreno e o loiro andaram a passos rápidos de volta a casa no qual estavam morando. Sem nem olhar para os lados. Um com um sorriso no rosto e o outro com este abaixado, deixando a sua franja encobrir suas feições.

“— Cainzinho... Você está bem? ” – fora a vez do loiro se preocupar com o amigo, assim que entraram na casa.

“— Acho que sim... Talvez... ” – respondeu este, andando por dentro da casa, sentando-se próximo a mesa “— Veck nem comeu... ” – falou distraído, vendo que o café estava intocado.

“— Morcegos não precisam... Quero dizer, vampiros não precisam. ” – avisou Guille, ajoelhando-se de frente a cadeira do moreno “— Ele não precisa comer... Olhe à volta, está infestado de elfas bem cheias de sangue. ”

“— Mas ele não toma isso... Você sabe, eu te contei. ”

“— ... Cainzinho... ” – o loiro se aproximou mais “— Ele pode comer o que quiser delas... ”

“— Eu sei. ”

“— E por que parece que está chateado? ” – indagou.

“— Não sei... ”

“— Cainzinho... Você é mesmo fofo. ” – falou, sorrindo alegre, levantando-se do chão e levando a mão ao cabelo.

Cain olhou o sorriso do loiro se transformar em puro medo, este até recuou alguns passos. Levantou-se da cadeira, querendo saber o que tinha acontecido com este. Aproximou-se mais, olhando de modo preocupado para este... Nunca o tinha visto tão assustado.

“— Guille? ” – chamou.

“— Eu perdi... ” – falou o outro com tom choroso “— Perdi... ” – repediu, começando realmente a chorar.

“— Perdeu o que? ” – indagou Cain, querendo fazer o outro parar de chorar.

“— Uma presilha de cabelo... ” – avisou o outro esfregando os olhos, tentando cessar o choro.

“— Como? ”

“— Era de minha mãe... ” – explicou o valor sentimental “— A única coisa que tinha, para me lembrar que até mesmo eu, um dia devo ter tido uma mãe. ”

“— Não está no quarto? ” – perguntou preocupado.

“— Não, dessa vez eu estava com ela no cabelo. ” – respondeu.

“— Será que não deixou cair pelo caminho? ”

“— Talvez... ” – seus olhos voltam a brilhar com esperança “— Talvez quando eu cai em cima de você, naquela hora. ”

“— Temos que ir lá olhar. ” – comentou Cain, sorrindo de modo reconfortante

“— Mas o morcego brigou comigo... ”

“— O ‘morcego’ está ocupado com três elfas. ” – explicou Cain.

Guille parou de chorar, sorrindo realmente alegre, em quanto enxugava o restante de suas lagrimas com suas mãos. Terminou tudo, e arrumou sua roupa, segurando a mão do moreno e saindo com este da casa novamente.

Andaram quase correndo de volta ao local, não ligando para as mulheres à volta. Apenas andaram... E só quando chegaram, fora que Guille soltara a mão de Cain. Parecia que o loiro estava com medo de ficar sozinho.

“— Nos temos que ser rápidos... ” – pediu Cain, andando entre as flores do lugar “— Se o Veck nos ver aqui novamente, levaremos mais relação.”

“— Procure mais para ali Cainzinho... ” – apontou para onde a muralha estava “— Pode ter voado longe quando eu cai. ” – explicou.

Apesar de se lembrar claramente da advertência que tinha recebido de Veck, não pode negar em ajudar o loiro, afinal aquilo o qual estavam procurando parecia possuir muito valor para este. Andou naquela direção, porem meio cauteloso.

Olhava para o chão insistentemente, a procura de um objeto que nem sabia como era. Não se lembrava de ter visto algo na cabeça do loiro. Todavia, este parecera tão desesperado quando perdeu a sua única lembrança...

Já estavam procurando há bastante tempo, porém não encontravam nada. Guille sentara no chão voltando a chorar, e Cain, intensificara a busca, distraidamente indo para mais perto da muralha.

“— Criança... ” – falou uma voz, que parecia penetrar a mente de Cain.

“— Como? ” – indagou o moreno, olhando rapidamente para o loiro, vendo-o longe demais e ainda a chorar “ Devo estar escutando coisas... ” – pensou.

“— Ajude-me... ” – falou novamente a voz, na mente de Cain “— Dói tanto... ”

“— Precisa de ajuda...? ” – indagou baixo, ainda não acreditando que estava falando com uma voz em sua mente.

“— Por favor... ”

“— Me digas como posso ajudar. ” – indagou novamente.

“— Socorro... ”

Cain olhou em volta quase desesperado, não tinha mais ninguém perto, não conseguia identificar de onde vinha aquela voz misteriosa que lhe pedia ajuda. Mas algo como um instalo veio a sua mente. Aquilo estava estranho demais. Parecia uma armadilha... Que nem cairá da ultima... E o resultado fora quase ter matado seu melhor amigo.

“— Quem és tu? ” – indagou Cain, já desconfiado.

“— Ajude-me... ” – falou novamente a voz após algum tempo.

“— Não vou cair neste truque, não sou tão bobo assim ”

“— Preciso de ajuda... Sou amigo de Vectorius... ”

O moreno ficou tenso ao ouvir o final, talvez aquilo não fosse uma armadilha e fosse realmente alguém pedindo desesperadamente por ajuda. Afinal, se este era amigo de Veck... Como pode ser tão covarde a ponto de não prestar socorros de imediato?

“— Co-como faço para ajudá-lo? ”

“— Chegue mais perto da muralha... ” – pediu a voz, ficando mais forte a medida em que o moreno se aproximava do lugar “— Ajude-me... ”

Cain chegou bem perto, parando a um passo da grande muralha coberta por densas plantas. Por um momento novamente ficou meio receoso, alguma coisa dentro de si, dizia que ele conhecia aquela voz. Apesar de nunca a ter escutado antes. Sentia seu coração agitado, como se implorasse desesperadamente para que fosse embora.

Não sabia o que fazer, se seguia seu instinto e saia dali o mais rápido o possível, ou se ajudava aquele desconhecido que necessitava de ajuda. Decidira rápido, afinal, não era de seu feitio negar ajuda a ninguém.

“— Como posso ajudar? ” – indagou.

“— Remova as inscrições... ” – soou a voz “— Apague-as da muralha... ” – completou.

“— Não tem inscrições, a muralha está cercada de plantas. ” – avisou.

“— Corte-as... ”

Soltou um suspiro. Ainda sentindo que aquilo era o errado a se fazer. Olhou para trás, vendo que o loiro ainda chorava desesperadamente longe dali, não notando nada ao seu redor.

Não havia jeito, depois que ajudasse o desconhecido amigo de Veck, iria voltar a procurar o objeto que Guille perdeu. Por hora, tinha que primeiro socorrer quem precisava de ajuda.

Começou a puxar as plantas que estavam espalhadas por toda a muralha, lamentando-se por ter que destroçá-las, porém era para uma boa causa, Arrancou muitas, e logo pode ver algumas inscrições, que estavam escondidas pelas plantas, na muralha.

“— Achei as inscrições. ” – falou contente.

“— Apague-as ” – repediu a voz.

Não sabia como removê-las, simplesmente passou a mão por cima destas, notando um brilho mórbido aparecer, e logo em seguida um pouco das inscrições começarem a sumir. Repetiu o processo com outras, querendo apagá-las o mais rápido o possível.

“— Não!!! ” – gritaram desesperadamente quatro vozes unidas.

Cain, em quanto apagava a ultima inscrição que via, olhou para trás. Espantou-se pela cara de pavor e medo que vira em Veck e nas três elfas que o acompanhavam. Não entendeu o alarme todo, e nem notara que ainda passava a mão removendo assim o resto das inscrições.

“— Pare Cain! ” – gritou Veck, implorando com todas as forças “— Afaste-se deste lugar!!! ”

O moreno ficou em choque, parando instantaneamente o que estava a fazer, afastando-se como o amigo tinha lhe pedido.

“— Não adiantas mais... ” – Soou uma voz imponente, fazendo a terra toda tremer.

O chão tremeu completamente, fazendo todos caírem aos chãos. Veck ainda tentava se levantar, para tirar o mais rápido o possível Cain daquele lugar, porém não conseguia.

Não poderia ser verdade aquilo, tinha que ser apenas mais um de seus pesadelos...

“— Invoco-te ó guardião das trevas, levar-me-ei onde está meu tesouro, destrua tudo que estais em meu caminho... ” – soou novamente a voz, agora tendo um timbre mais ameaçador.

Um brilho sombrio pode ser visto nos céus, e em instantes a muralha começou a ruir. Cain conseguiu fugir para mais longe o possível do local, não se machucando com o desmoronamento da enorme parede.

“— Não... ” – falou Veck, visivelmente assustado.

A fumaça dos destroços estava alta, quase nublando a visão de todos, mas era visível um vulto no horizonte, entrando na vila das elfas, pisando sobre os destroços do que um dia já fora uma grandiosa muralha.

A cada passo que este dava começava a ser mais notável um ser de manto azul escuro, o capuz da mesma cor encobria seu rosto, não sendo possível ver sua face, porém nada podia esconder a aura maligna e macabra que emitia.

Veck observava tudo mais apavorado do que nunca, seus piores pesadelos estavam se concretizando... Seu Mestre, seu odiado Mestre de quem tanto tivera fugido o havia encontrado... Mas como?

A poeira baixou, e junto dela, uma gargalhada demoníaca fora ouvida por todos, assustando ainda mais a Veck e as elfas. Viram quando este levou suas mãos ao capuz, empurrando para trás e soltando seus longos cabelos tão negros quanto às trevas.

Este olha para Cain, sentado, sem entender nada a poucos passos dali. Levou as mãos aos lábios, contornando-os em um gesto provocante, aproximou-se mais do moreno, ficando a um passo deste agora.

“— Este olhar... Tu me és familiar. ” – falou, com a voz rouca e sensual que possuía, abaixo-se um pouco, olhando mais atentamente os olhos de Cain.

O moreno ficou tenso, aquele ser era misteriosamente belo e maléfico, de olhos cor ébano tão profundo emanavam as puras trevas. Não pode resistir em observar melhor as belas feições deste.

Tinha traços mais adultos do que Veck, dando um ar mais sensual e misteriosamente fascinante. Seus lábios eram róseos, cheios de volúpia, onde podia-se ver pontas de dois caninos expostas, tornando-o desta forma uma criatura ameaçante, que expressava terror. Apesar do belo rosto que possuía.

“— Cain! ” – gritou Veck, levantando-se do chão “— Deixe-o em paz. ” – ordenou, apesar de ser extremante notável em sua voz o medo.

“— Deves ser o novo hospedeiro de Yami. ” – comentou o Mestre de Veck “— Shisue, este é meu nome. ” – apresentou-se, sorrindo diabólico para Cain, fazendo uma pequena magia para deixar este imóvel.

“— Saia- ” – Veck parou de falar, quando recebeu um olhar fulminante de seu Mestre.

“— Minha bela criança... ” – soou melodioso, porém ainda ameaçador “— Estais do modo que imaginei... Ainda és tão belo... ” – falou, afastando-se de Cain “— Minha criança, voltei para resgataste deste mundo trivial... Voltes para meus braços.”

“— Nun-ca. ” – avisou Veck, com a voz tremendo “— Não adiantas.... Nunca, jamais me terás completamente. ”

“— Cria insolente... ” – bufou “— Vejo que necessitas de mais adestramento... ” – proferiu, com um olhar ameaçante “— Deves ter sentido falta disto... ” – provocou.

Veck, sentado no chão, tremia, não conseguindo esconder seu medo diante da imponente figura de seu Mestre. Via-o andar lentamente em sua direção, sentindo com perfeição a aura insana e perversa que sempre emanava deste. Porém, não conseguia reunir forças para tentar fugir daquele lugar.

“— Vectorius! ” – gritaram as três elfas, levantando-se do chão e ficando entre os dois.

“— Não deixarei que faças mal a ele. ” – avisou uma das elfas, tomando a dianteira.

“— Elfos ou Humanos... Não passam de lixo. ” – falou raivoso, andando de modo soberbo, sem se abalar pelas elfas a sua frente.

“— Saia de nossa vila! ” – exclamou a mesma.

O olhar sombrio de Shisue se tornou mais gélido, em quanto olhava atentamente a elfa a sua frente. Fútil. Era a única coisa que podia pensar desta... Aproximou de sua cria, tentando desviar daquela fêmea insolente.

“— Parado! ” – exclamou a elfa, segurando o braço do vampiro sangue-puro.

“— Não! ” – gritou Veck, exasperado “— Não faça isso... ” – pediu, porém sabia que não teria êxito.

Shisue, em um movimento rápido, segurou o pescoço da elfa com uma mão, erguendo-a do chão. Fincou forte suas unhas, perfeitamente negras, na pele da garota, fazendo sangue escorrer dos locais.

Gargalhou, fazendo todos ficarem com mais medo ainda de sua figura soberba, erguendo a elfa no alto. Sacudiu esta no ar, vendo em seus olhos a agonia e o medo que estava sentindo. Quanta falta sentiu disso.

“—Adeus, adeus, elfazinha, vire fumaçinha. ” – melodiou irônico quase como uma canção, tendo um sorriso extremamente perverso em seus lábios.

Apertou com mais força o pescoço da elfa, a ponto de ser audível o barulho deste se quebrando. Com um ultimo ato de terror, atravessou sua outra mão no peito da garota, fazendo o sangue desta espirrar para todo os lugares.

Agora, definitivamente, aquela fêmea estava morta. Retirou sua mão do ferimento, levando suas garras cheias com o sangue desta aos lábios, lambendo um pouco do liquido vermelho.

“— Amargo... ” – resmungou, cuspindo o sangue que provara “— O único que possui sangue doce, é minha bela cria... ”

Jogou a garota com força aos céus, conjurando extremamente rápido uma magia, fazendo esta explodir no ar. Tripas, vísceras, pedaços e principalmente muito sangue, foram lançados para todos os lugares.

Uma enorme área estava toda banhada com os restos mortais daquela que um dia fora uma bela elfa. As outras duas olhavam assustadas para o desfecho de sua amiga, com os olhos cheios de lágrimas.

Ouviram novamente uma gargalhada malévola do Puro-sangue, em quanto este continuava seu lento percurso em direção a sua bela cria. Não ligando em pisotear os restos da elfa pelo caminho, muito pelo contrario, sorria insano cada vez que pisava nestes.

Porém seu caminho fora novamente obstruindo pelas duas elfas que restavam, em posição de ataque, querendo mais que tudo defender Veck.

“— Ousam ficar entre mim e minha cria? ” – indagou raivoso “— Não há jeito melhor de encontrar a morte! ” – exclamou.

As duas elfas tremeram ente a voz imponente do poderoso ser a sua frente, no entanto não abaixaram a guarda, ficando entre este e Veck. Este finalmente conseguiu reunir coragem para ao menos levantar-se do chão.

“— Parem garotas... ” – pediu “— Vão embora, ele não as poupará. ”

“— Estais contra mim? ” – perguntou Shisue.

“— Eu... ” – Veck recuou alguns passos.

“— Nos não deixaremos que este monstro te leve, Vectorius! ” – falou uma das elfas partindo para o ataque.

“— És uma tola... ” – ironizou, fazendo um gesto com a mão em seguida “— Terás o mesmo destino que tua amiga. ” – sorriu macabro, sussurrando em seguida alguns versos de magia.

A elfa mal viu o que estava acontecendo, quando notou era tarde demais. Um raio púrpuro partiu das mãos de Shisue, indo direto para a garota, acertando-a em cheio.

“— Aahhhhhh! ” – gritou a elfa, de extrema dor.

“— Sofrerá mais. ” – proferiu o Puro-sangue, intensificando mais seu ataque.

A garota não resistiu a tudo, morreu, caindo aos chãos em instantes.

“— Inútil... ” – falou raivoso “— Duraste tão pouco tempo... ” – comentou, olhando agora para a ultima elfa que faltava “— E tu, durará mais? ” – indagou.

“— E-eu... ” – a ultima elfa recuou alguns passos, sentindo seus joelhos tremerem ente ao medo “— Pagará por isto. ” – conseguiu falar.

“— Estou a morrer de medo... ” – rebateu ironicamente, voltando a andar em direção a sua cria.

Veck olhou tudo aquilo mais que aterrorizado, estava em completo pânico vendo seu mestre aproximar de si daquele jeito. Odiava não ter forças para fugir. Talvez tudo estivesse acabado... Seu Mestre o conseguiria de volta...

“— Morra! ” – gritou a elfa, partindo para o ataque.

“— Tola... ” – soltou um suspiro, cansado de toda aquela amolação “— Tu és a única ‘coisa’ que me separas de minha amada cria? ” – comentou rindo malicioso “— Como és tudo tão fácil. ”

“— Maldito! ” – xingou a elfa.

Shisue apenas, pisou com força no solo, fazendo uma enorme cratera se formar aos pés da elfa, que prontamente caiu nesta. Andou lentamente até a borda, olhando atentamente para baixo, vendo a elfa tentando fugir.

“— Isto está ficando chato... ” – comentou o Vampiro.

Sorriu para esta, vendo a cara de medo que seu ato lhe causou, pisou novamente no chão com a mesma força, e lentamente a cratera fora se fechando.

Aos poucos os gritos da garota, presa dentro do enorme buraco que se fechava, ficava mais alto, à medida que esta era esmagada por uma gigantesca pressão.

“— Musica para meus ouvidos. ” – falou Shisue, se referindo aos gritos de socorro da ultima elfa.

Com um grito mais alto, tudo ficara mudo em seguida. A cratera estava totalmente fechada. Levou uma mãos ao cabelo, jogando-o para trás em um gesto sensual e vitorioso, em quanto olhava para Veck a alguns passos de si.

“— Mestre... ”

“— Vectorius, quanta saudades tive de teu rosto em completo horror ” – falou aproximando-se deste.

“— Não... ” – lagrimas começaram a rolar livremente por sua face “— isto és um pesadelo... ”

“— Meu amado... ” – sussurrou rouco, parando em frente a Veck.

Este não pode fazer nada, nunca pode. Um meio-vampiro como ele, que nunca aceitou se tornar completamente um ser das trevas nunca poderia ter direito a nada. Essa era a regra.

Era apenas um servo. Um escravo. Tinha um destino pior que o de Guille. Este pelo menos tinha o direito de morrer... E nem isto possuía.

“— Vectorius... ” – pronunciou o nome deste, lambendo-lhe os lábios “— Estas na hora de voltaste para meu lado... Brincaste bastante aqui fora. ”

“— Me deixe... Nunca voltarei mais para ti. ” – vociferou.

Arrependeu-se, quando sentiu um forte tapa em seu rosto, e em seguida as unhas de seu Mestre começarem a arranhar sua bochecha, tão forte que o sangue começava a escorrer.

O Puro-sangue levou prontamente seu dedo manchado de sangue a boca, lambendo-os felinamente, sobre o olhar aterrorizado de sua cria.

“— Doce... ” – falou em quase um gemido “— Ainda és tão doce... ” – avisou, aproximando seu rosto ao de Veck.

Lambeu-lhe toda a bochecha, colhendo o sangue do ferimento que tinha causado, deleitando-se com o prazer de finalmente após tantos anos provar o liquido escarlate que só sua mais preciosa cria possuía.

Lambia com insistia, mesmo após o ferimento já ter cicatrizado e não possuir mais sangue naquele local. Apenas o gosto do outro o satisfazia, deslizava sua língua por toda a bochecha, partindo depois para os lábios deste, sentindo que este estremeceu.

“— Abre. ” – ordenou.

Com mais lagrimas aos olhos, Veck não pode recusar a ordem que lhe fora dada. Abriu sua boca levemente, já sabendo no que tudo aquilo daria.

Shisue sorriu insano, passando sua língua pelos lábios entreabertos sentido-os tremer de puro medo. Não pode se conter mais, beijou com selvageria a boca de sua bela cria, aranhando-o de propósito com seus caninos, para sentir o gosto deste entre o beijo.

Cain estava aterrorizado com tudo, não acreditava no que seus olhos lhe mostravam. Aquela cena horripilante... Tentou desesperadamente se libertar da magia que deixava seu corpo paralisado, quando notou que o cara que tinha ‘salvado’ havia forçado um beijo em Veck.

Aquilo era horripilante, lagrimas rolaram pelos seus olhos, em quanto via ao longe aquele desfrutar da boca de seu amigo.

Aquilo era imperdoável!

“— Veck! ” – gritou, reunindo forças desconhecidas, conseguindo libertar-se da magia “— Larga ele! ” – gritou mais, correndo em direção ao mostro.

Correu, o mais rápido que pode. Não estava pensando direito, a única coisa que queria fazer era livrar seu amigo daquele demônio de manto azul. Quando chegou perto dos dois, em um ato impensado puxou com força o Puro-sangue pelo braço, afastando-o do outro.

“— Ca-in... ” – falou com dificuldade Veck, com os lábios todos sujos de sangue “— Não, por favor, você não... Fuja eu te imploro. ” – implorou, chorando mais, pelo puro medo de perder o moreno.

“— Largue-me Yami. ” – ordenou Shisue.

“— Cale a boca, afaste-se de Veck. ” – falou Cain, segurando sua espada em modo de ataque.

O moreno brandiu sua espada, partindo para cima do outro. Este desviou facilmente de todos os golpes, como se estivesse apenas brincando.

“— Pare Cain. ” – pediu novamente Veck, porem ainda estava parado no mesmo lugar, apenas olhando a tudo.

“— Este humano parece ser ‘especial’ para ti... ” – comentou Shisue, desviando de outra espadada “— Serás útil então. ” – avisou, apenas dando um tapa no rosto de Cain.

Porem este fora tão forte que o moreno voou longe, caindo ficando inconsciente por tamanha força que fora usada em si.

“— Humano fraco... ” – falou irônico, voltando-se para sua cria em seguida “— Onde nós paramos mesmo...? ” – indagou malicioso, aproximando-se novamente de Veck.

Este apenas abaixou a cabeça, culpando-se por tudo o que estava acontecendo. Novamente aquilo iria se repetir... A dor, o sofrimento, a perda, a vergonha... Tudo se repetiria...

“— Afaste-se deste vampiro! ” – exclamou uma outra voz imponente.

Os olhares dos dois se voltaram a Cain, que estava de pá, cheio de marcas espalhadas pelo corpo, e com uma cara de poucos amigos.

“— Shisue, seu miserável, não ouse tocar nele! ” – exclamou Yami, novamente.

“— Infernos... ” – xingou o Puro-sangue, raivoso, pois teria realmente que lutar “— Devia ter matado o hospedeiro... Esqueci completamente de ti... ”

“— Yami? ” – falou surpreso Veck, e aliviado pelo amigo estar vivo.

“— Agora será a minha vez de te salvar! ” – exclamou o demônio que possuía Cain.

CONTINUA...

21/06/09

Nota da autora:

Finalmente, após tanto tempo, eis que Shisue aparece!

Tenham medo, muito medo dele.

Tentei fazer um personagem psicótico... Tomara que tenha dado certo.

Caprichei no começo da estória, espero que tenha dado para ter uma boa noção do que o Veck sofreu.

Agora uma pergunta... Onde foi parar o Guille?

Agradecimentos:

Obrigada a todos!

Novamente eu acabo atualizando o Prison antes das outras FICs (desculpem-me para os que aguardam as outras... Mas não pude resistir em fazer essa estória)

Obrigada novamente.

By: Toynako