Prison Magic
31 Capítulo 31
Autora: Toynako
—–x.I.x––
Prison Magic
Capitulo 30 (ou 31, se for no Nyah!)
—–x.I.x––
O olhar azul do elfo emanava medo enquanto estavam presos na figura que se retorcia. Sentia até certo asco da massa disforme que aos poucos tomava mais corpo, criava curvas, virava algo mais vivo – se é que podia afirmar que aquilo ali estava realmente vivo. Mantinha a respiração presa, com os olhos vidrados, a névoa a envolver o que quer que fosse não ajudava a esconder o horror de tal transformação.
Quando tudo parou e a nevoa se dissipou, pôde ver o que era. E, definitivamente, não era a sua irmã.
O cabelo – em uma coloração castanho escuro – era curto, um pouco abaixo dos ombros, com as pontas desfiadas – onde estas, eram de uma coloração bem mais escura que o resto do cabelo, era quase negro. Sua estatura era maior que a da Luna, mas não passava de alguns centímetros. Mas, uma das coisas que chamava a atenção eram as curvas, a elfa já era dotada de bons dotes, mas aquela mulher ali era realmente uma escultura modelada com perfeição. Seios fartos, cintura sinuosa que fechavam um quadro perfeito para esta.
“— Compreende agora, elfo inútil?” – A voz que vinha daquela mulher era suave e melodiosa, diferente da acidez de suas palavras.
Usava um vestido vermelho sem alças, onde o mesmo era extremamente justo ao corpo, marcando mais ainda as curvas que possuía. Os lábios perfeitamente pintados na cor vermelha, assim como uma sutil sombra no olhar em um tom azulado... No entanto, o que mais chamava a atenção nesta era a cor dos seus olhos. Um azul celeste, onde os mesmos pareciam vidro de tão reluzentes – talvez por conta do destaque da maquiagem nos olhos.
“— Não sou aquela elfa idiota... ” – Voltou a falar, rindo em seguida. “— Mas como você matou meu disfarce terei que usar outro...”
“— Porque... Porque e a matou!?” – Finalmente o elfo voltara do transe, levantando–se e erguendo o punho em direção àquela mulher estranha ali.
“— Estava no meu plano, para poder chegar até aquele gato preto fujão.” – Lambera os lábios, olhando de cima a baixo o ruivo. “— Não que te interesse isso, é claro. Afinal... Você iria matá-la mesmo, não entendo o drama que está fazendo.”
“— Essa não é a questão! Eu não ia matar ela se ela ainda fosse ela!” – Vociferou.
“— Garoto confuso... Vai ficar repetindo ‘ela, ela, ela’ para sempre?” – Zombou, dando alguns passos em direção ao outro e tocando em seus ombros. “— Você e aquele loiro vivem tramando contra mim... Ele te mandou aqui... Agora meu plano onde a Luna ia com o jovem príncipe está arruinado...”
“— Me largue!” – Tentava se soltar, mas não conseguia, olhando assustado por causa da forma da outra. “— O que.. É você?” – Perguntou enfim, assustando–se com aquele olhar frio a fitá–lo.
“— Não consegue notar? Pensei que você, que gosta tanto de vampiros iria notar uma por perto...”
Ao dizer isso, ela abriu a boca, deslizando a língua de forma insinuante por dois caninos de tamanho levemente maior, onde em instantes estes cresceram mais.
“— Meu nome não te interessa a nada, mas eu sou uma Chartreux... Uma Puro Sangue.”
“— E, para que fazer tudo isso?”
“— Para que contar? Você vai morrer agora...”
Nada mais foi dito antes dela cortar com as unhas perfeitamente pintadas em tom rubro, o pescoço do elfo, fazendo o sangue jorrar pelo lugar...
—X—
Vectorius andava lento pelo castelo, deslizando vagarosamente as mãos pela parede, arranhando a mesma com as pontas de suas unhas. Um barulho agonizante podia ser escutado por causa deste ato, algo que entrava nos ouvidos causando desconforto de tão agudo que era.
Este ser a fazer nada vagava em tédio, não achando nenhuma utilidade para se fazer ali. Era horrível de admitir, mas sem seu Mestre em Even, as coisas ficavam estranhas mesmo. Talvez, porque com a presença deste tivesse alguém para culpar constantemente, mas com o seu algoz fora, ficava em tédio.
Vez ou outra parava em frente da sala cujo sua amada estava, olhando sem poder entrar, se culpando pelo destino que tinha dado aquela garota tão boa. Seu Mestre lhe dera a permissão somente aquela vez de ver esta, e tentava se contentar com isso. Muitas vezes olhava para o que estava cuidando dela com certo ódio.
Não entendia como seu Mestre parecia ter tanta atenção para aquele vampiro e ao mesmo tempo repudiava–o tanto. No entanto, sabia que Shisue era assim, se divertia em fazer quem tinha um pouco de carinho por si sofrer.
Não tinha como negar que já sentira algo por aquele ser – alem de ódio e repulsa –, claro, não era amor. Quando era mais novo tinha admiração por um ser tão inteligente, e não entendia porque todos da cidade tinham medo dele.
Admitia ter sido uma criança demasiada ingênua.
Além do mais, ninguém do reino gostava de órfãos, diziam dar azar. Poucos tinham a humanidade de não tratar com indiferença. Os pais de Lucy eram assim, sempre aprovaram sua amizade com a filha, alegando que não era porque os pais de uma criança não o criaram que ele deveria ser tratado como lixo.
Dessa vez, apenas vagava, deixando seus pés o levarem para onde quisesse. Poderia até voltar para o próprio quarto e ler algo, se já não tivesse lido todos os livros daquele castelo – e Shisue tinha uma coleção bem modesta –, os únicos livros no qual não se interessou a ler, eram os de necromancia que o Puro Sangue possuía. Mas, não se interessava por esses, e nem seu Mestre aceitaria que aprendesse esse ramo de magia.
Desatento a tudo, seus pés o levaram até uma das salas de tortura daquele castelo. Irônico, não era? Estava sozinho e com tédio e o único lugar que suas pernas o lavaram era para aquele lugar caótico.
Abrira a porta lentamente, olhando com até mesmo um pequeno sorriso no rosto para aqueles itens de tortura, coisas que o fizeram sofrer tanto em toda a sua vida. Para a sua surpresa, não estava sozinho, avistara Oroi de costas, olhando para umas correntes presas a parede.
O mesmo parecia abatido, deslizando as mãos pela parede a frente, contornando sobre uma mancha de sangue que havia nesta.
“— Saudades dele?” – Indagou Vectorius, de forma irônica ao entrar mais no lugar.
“— Você não sabe o quanto...” – Respondeu o outro em tom choroso, segurando as correntes a sua frente escutando o suave barulho que estas fizeram.
Tentava ser forte, mas nunca esteve afastado de Shisue dessa forma. Se isso fosse um castigo, definitivamente era o pior existente no mundo. Sentia as lágrimas descendo pelo rosto, em um choro contido, mas constante. Desejava demais aquele tirano que amava por perto, se isso não fosse aceitável, que pelo menos soubesse que estava bem.
“— São lágrimas sem sentido estas...” – Comentou o mais velho, soltando um suspiro e andando até o outro. “— Deveria ter mais amor próprio.”
“— Eu deveria estar morto... Por ele, só por ele estou aqui.”
“— Meu Mestre nunca irá olhar para você com outros olhos.” – Negou brevemente com a cabeça, levando uma das mãos aos ombros dele e afagando–o.
“— Eu sei... Só estou vivo porque de alguma forma sou útil para o plano dele... ”
“— Todos neste castelo só estão vivos porque são úteis.”
O olhar esmeralda se encontrou por instantes com o de cor jade, notando as lágrimas e a vermelhidão por conta disto. Respirou fundo, desviando o olhar dele ao ver o outro chorando por quem nunca iria lhe dar valor. Devia ser o pior dos amores platônicos existentes. Apaixonar–se por um ser vil, que usava as pessoas como se fossem simples objetos para serem usadas em um plano maior.
“— Shisue nunca irá te amar.” – Disse–lhe frio.
Não falara dessa forma para apenas brincar com os sentimentos do outro. Queria – neste caso – ajudar porque o episódio de Oroi era um tanto grave. Pelo menos a seu ver.
“— Não se acostume...” – Voltou a falar, para então puxar o menor para um abraço.
Apertou–o bem contra si, não sabendo mais o que fazer para consolar aquele menino. Normalmente apenas o ignoraria e sairia de perto, ou iniciaria alguma discussão por conta da proximidade que ele tinha com a loirinha. Mas, agora o vendo sofrer tanto por quem não merecia era impossível deixá–lo de lado.
“— Se te serve de consolo, meu Mestre está vivo. E em perfeito estado.” – Comentou.
“— Engraçado... Vitor tentou me consolar com uma frase bem similar uma vez...” – Afastou–se, sorrindo sem jeito, limpando o rosto. “— Vocês sabem por serem crias dele, não?”
“— Exato.”
“— Então... Por eu não sentir o meu criador, significa que o mesmo está morto, não é?”
“— Se ele for um vampiro forte, pode ocultar essa presença...” – Viu o moreninho balançar a cabeça, negando sobre o que tinha dito. “— Então esse está morto mesmo.”
Oroi abaixou a cabeça, ainda limpando as lágrimas. De fato, o abraço tinha o reconfortado bastante, e dava espaço para pensar várias coisas. Como por exemplo, sobre seu criador e amigo, aquele vampiro Puro Sangue tão novo que acabou morrendo para lhe salvar.
Poderia dizer–se uma pessoa sortuda?
Não. Não depois do que acontecera com seus pais.
Não. Não por causa da morte do seu primeiro amor...
Sorriu fraco para o de olhos esmeraldas ali a sua frente, no entanto logo o sorriso sumira do rosto, não disse nada mais, apenas pegou seu rumo, saindo daquele cômodo. Tinha que erguer a cabeça. Seu Mestre poderia chegar a qualquer momento – agora o coração estava mais aliviado por saber que o mesmo estava bem –, e teria que estar em bom estado, sem contar com os deveres todos em dia.
Primeiramente fora para o próprio quarto, sentando–se na cama macia e desfazendo lentamente a sua trança. Quando a mesma estava completamente desfeita, levantou–se, retirando as próprias roupas e largando–as por ali mesmo, sorrindo de leve ao sentir as pontas dos cabelos fazerem cócegas em sua perna.
Fora então em direção ao banheiro – cujo era outra porta em seu próprio quarto –, olhou sem muita emoção para tudo ali. A banheira de mármore branco mais ao canto, uma pia do mesmo material mais ao centro...
Engolira em seco por um instante, imaginando–se ali com seu amado tirano. E, de fato, já esteve com ele em sua própria cama, naquela mesma banheira na qual olhava agora a água encher.
Ficaria a ver o próprio reflexo, se já não estivesse cansado de saber que vampiros não se refletiam. Mas, analisando a água entrara logo que a banheira esteve cheia, fechando a torneira e deixando–se relaxar pela água quente, encostando as costas na beirada e ficando a observar o cabelo tão negro que em algumas partes parecia até azulado, soltos na água.
Teria ficado tudo perfeito se não fosse aquela lembrança...
Uma das várias vezes no qual seu Mestre o tomava naquele lugar, se olhasse mais atentamente, poderia ver pequenos arranhões no mármore, traço proveniente das suas unhas ao tentar se agarrar a uma pequena esperança de sanidade.
Shisue era imponente, selvagem, firme, sádico e tão sensual e erótico que poderia excitar–se só em ver aquele olhar severo em sua direção. Aquele olhar negro, o ‘seu’ ônix.
Uma mão deslizou pelo próprio corpo, acariciando–se sutilmente, arranhando em certos pontos que faziam sua coluna instintivamente arquear–se. Com os olhos fechados, dava mais cor e foco ao desejo.
E sabia tão exatamente o que desejar, que sentia descargas elétricas percorrerem seu corpo apenas ao imaginar a figura de Shisue Abyssinian a sua frente, desprovido de roupas, com aquele olhar frio em sua direção.
Bastava isso para que seu corpo reagisse. Apenas isso servia para que sua mão quase de modo automático deslizasse mais para baixo e segurasse o membro já semi rijo, acariciando–se mais.
“— Shisue...” – Gemeu o nome dele, alto, sem pudor algum já que estava em seu próprio banheiro.
Não tinha o costume de tentar aliviar–se sozinho. Mas a carência era demais, todo seu corpo implorava pelo do mais velho de uma forma até assustadora, desejava–o e amava–o a ponto de não parar de pensar neste o dia todo.
“— Volte meu Mestre... Volte por favor.”
A voz saia de si lentamente, banhada às vezes com pequenos ofegos e gemidos. A mão fechava–se mais em sua intimidade, apertando–a de leve, subindo e descendo por esta.
Ninguém poderia entender o quanto Shisue Abyssinian significava para a vida – ou morte – daquele vampiro tão jovem, talvez nem o próprio Oroi entendesse essa sua dependência absurda do mais velho.
Era um amor sem limites, uma dependência extrema que fazia–o devotar sua vida toda àquele ser malévolo. No entanto não reclamava disso, aquele amor era o que o mantinha, de certa forma são. Saber que tinha um propósito, saber que alguém precisava de si era realmente uma realização que poucos entenderiam.
O menor acomodou–se melhor na banheira, abrindo as pernas e dobrando–as, ao que olhava para uma mão com insistência, queria algo que lhe fizessem sentir aquela dor e prazer que seu Mestre lhe dava. Como se não existisse mais nada a fazer, deslizou essa mão pelo peito, arranhando–se com força o suficiente para se cortar, gemendo languidamente por isso.
A mão não parou ou deteve–se em nenhum canto, continuou a descer, arranhando todo o peito, passando então para o baixo ventre onde desviou–se um pouco para arranhar a parte interna das coxas, não querendo demorar–se. Parou de se acariciar com a outra mão, fechando fortemente os olhos, somando três dedos de sua mão e forçando–os para dentro de si.
Morrera como um virgem, seu corpo nunca iria se acostumar de início a aquilo, só que, acima de tudo, era um extremo masoquista e agradecia por sentir aquela dor da penetração – mesmo que fosse dos próprios dedos e não a do real desejo. Forçava os dedos com força, de forma rude e só de imaginar que o Puro Sangue faria dessa forma gemia mais.
“— Mestre!” – Clamou por esse.
Trincou os dentes, forçando mais os dedos de encontro a si, voltando a mover a outra mão no próprio membro. Aquele era o pequeno consolo que tinha. Aquela dor, aquele prazer, poder imaginar que era outro ser a dar isso para si.
Entreabrira os olhos, podendo jurar que tinha um gato em seu banheiro, mas não se importou – devia ser alucinação sua mesmo. Voltou às caricias, movendo ambas as mãos em sincronia, sentindo que não aguentaria muito tempo.
“— Loiro, o que quer me mostrar a...”
Oroi parou tudo, olhando para a porta, deparando–se com ninguém menos que Vitor, parado ali com uma cara de quem tinha visto a coisa mais estranha de seus anos de vida. Para logo em seguida ver o mais velho ficar vermelho e abrir a boca para tentar falar algo.
“— Não. Ouse. Falar...” – Ameaçou Oroi, encolhendo–se na banheira.
“— Mas o gato...”
“— Que gato!?” – Exclamara.
“— Aquele... Gato. ” – Apontara, um tanto sem jeito.
O menor focara sua visão para onde fora apontado, avermelhando–se mais ainda ao constatar que realmente tinha um gato ali – que por sinal, lambia a pata alheio a tudo. Não sabia mais onde enfiava a cara, continuava apenas encolhido em um canto.
“— Eu o estava seguindo e–” – Vitor tentava se explicar, mas fora cortado pelo outro.
“— E quem é o doido que fica seguindo os gatos do senhor Richard!?” – exclamou exasperado.
Só então o loiro caiu em si. Realmente estava seguindo um gato, isso era completamente insano, mesmo que o felino tenha lhe mostrado onde Shisue escondera Siwel, isso não queria dizer que fosse saudável seguir aquele gato de coloração dourada. Chamou o gato e esse se aproximara de si imediatamente, ronronando entre as suas pernas.
“— Er...” – Sorrira amarelo, pegando o felino no colo.
“— Só. Vá. Embora.” – Ameaçou o outro, jogando um pouco de água.
Por sorte para Oroi, o mais velho saíra dali mesmo. Respirara fundo então, olhando para a mão que ocultava a intimidade... Que azar fora aquele? Vitor não tinha mais a menor ideia de que aquele era o seu quarto? A loucura do Primordial talvez estivesse mesmo influenciando o outro.
Quando o susto por tudo passara e a adrenalina sumira, começara a rir sozinho naquele cômodo, levando uma mão a testa e pendendo ela para trás realmente rindo do que tinha acontecido. Se contasse isso para alguém, definitivamente ninguém acreditaria.
Onde já se viu? Vitor Áster, andando seguindo um gato pelo castelo? Era hilariante.
No entanto, em meio de tudo aquilo, lembrara–se de algo que fazia. Mas dessa vez iria fazer direito – iria garantir que ninguém o atrapalharia. Levantara–se da banheira, sentindo o cabelo solto grudar em suas costas, onde apenas juntou tudo e jogou sobre o ombro.
Os passos lentos foram até a porta, fechando–a com uma mão, aproveitando e usando essa para se apoiar na mesma. Ainda achava um tanto de loucura o que fazia, mas desejava seu Mestre demais.
Respirara fundo – mesmo ar sendo desnecessário para seus pulmões –, encostando a testa na madeira, e inclinando–se de leve. Olhara para trás de relance, sorrindo convidativo para algo que nem estava ali, chamando com a mão livre para si.
“— Vem Mestre...”
Gemera baixo, fechando os olhos e voltado a encostar a testa, usando a mão que tinha chamado para acariciar as próprias nádegas, um dos dedos não demorara em procurar a entrada, forçando–o novamente penetrando a si mesmo e sorrindo agoniado.
Só aquilo nunca seria o bastante. Comparar seus dedos – mesmo que todos –, ao que Shisue Abyssinian tinha era quase como se fosse uma piada.
Mas por hora bastava.
Juntara mais dedos ali, estocando–se com rapidez, inclinando e movendo o quadril no ritmo. Não queria pensar em nada, queria apenas satisfazer o corpo, mesmo que fosse por algo falso...
A mão que antes apoiava a porta, fora para o membro, agarrando este desesperadamente, não tardando em nada em movê-lo rápido, gemendo alto o nome daquele que não saia de seu coração.
Porque amava tanto Shisue? Não sabia. Só amava, e quem achasse que isso era pouco para explicar o amor, não entendia desse... Não havia explicações para isso.
“— Volte...”
Um pedido mudo saíra dos lábios do ser que procurava tão desesperadamente um pouco de carinho, onde como se fosse para contradizer a voz tão baixa, um gemido mais alto surgira.
E então, tudo parou.
Oroi olhou para a mão suja, tirando os dedos de dentro de si lentamente. Não era em nada comparado o prazer de fazer isso com seu Mestre olhando, ou com a mão do mais velho em si... Era só um ato sem sentido.
Bom, mas sem sentido.
Um alívio imediato, mas que doía o peito depois...
Deixou o corpo pender, ajoelhando–se ali, naquele chão frio...
Naquele lugar, ninguém veria as lágrimas silenciosas caírem de seu rosto e tocarem o chão.
—X—
Oroi saíra de seu quarto lentamente. Nada da dor e da solidão que se passou dentro de seus próprios aposentos denunciava em seu rosto. A trança estava impecável, amarrada no fim com uma fita longa de cetim verde, da mesma cor intensa do olhar jade que possuía.
Dali a algumas horas iria anoitecer, podia ver pelas janelas que o sol logo sumiria do céu. Sorrira, ajeitando as vestes elegantes de material fino. Vestia–se como se o tivesse feito para agradar aquele que ama. Usando um de seus melhores trajes, algo discreto que o deixava com um ar de mistério – ainda mais pelas marcas pretas abaixo de seus olhos, proveniente das olheiras de quando vivo.
Apesar de contrastar com o frio do lugar – nem o sentia mesmo –, vestia algo sem mangas, e justo ao corpo, cheio de bordados delicados pelo tecido verde escuro, quase preto. Cor essa que combinava com a calça que delineava as pernas e deixava–o com mais curvas.
Botas de couro marrom nos pés e por fim uma manta sobre os ombros. Essa, contrariando com as roupas escuras, era de uma cor mais clara, era branco. Estava um conjunto harmonioso, que com certeza faria Shisue Abyssinian o jogar na parede e o possuir no mesmo instante.
Dessa vez, tinha um rumo certo, iria ver como que a amiga estava. A mesma às vezes parecia abatida e fraca, suspeitava que fosse – também – pela falta da energia de quem a havia revivido.
Segurava levemente a trança, olhando para a ponta dela até notar um som um tanto peculiar.
Gemidos.
Parou por um instante, sorrindo amplamente em imaginar que Shisue teria voltado, eram gemidos de dor, desespero, gritos por socorro. Soltara a trança de modo confuso, podia sentir que não era esse, por tal motivo o sorriso morrera em instantes. Se não era seu Mestre no castelo, o que seria isso?
Vectorius se divertindo sozinho? Não, não era.
A voz era suave, doce... Apesar da agonia na qual era literalmente gritada.
O coração se apertou, deu mais uns passos e escutou aquilo mais alto. De súbito, uma ideia lhe veio em mente e bastou isso para correr desesperadamente pelos corredores, escutando mais e mais aquele som tão aterrorizante sendo soado.
Só parou em frente à porta do cômodo de Lucy, levando a mão à porta tentando–a abrir desesperadamente, no entanto sem nenhum resultado. Notava bem claro que eram gritos dela, pedidos de ajuda.
“— Senhorita Lucy!” – Batera com as duas mãos na porta, gritando o nome dela.
De dentro só escutara gritos e risadas de alguém que não era a sua amiga, e isso estava lhe desesperando. Batia e batia na porta, clamando para que fosse quem fosse, parasse logo. Que largasse a garota. Ameaçara até dizendo que seu Mestre iria punir quem quer que fosse o estuprador, mas falar isso só fez os gritos dela parecerem mais sofridos.
Sentia–se sem rumo, olhara de um lado ao outro, forçando a porta a abrir de qualquer forma e não conseguindo.
“— Ajuda! Alguém tem que vir me ajudar!” – Gritara para o corredor, querendo que qualquer um aparecesse ali para ajudar a amiga.
Batera e socara tanto na porta que suas mãos já estavam sujas de sangue. Apesar disso ainda tentava, aquela porta nunca esteve fechada para si. A magia de seu Mestre repelia apenas os outros... Como poderia ter acontecido isso!?
“— Pare! Seja quem for, pare!!!” – Exclamara, extremamente alterado por não poder fazer nada.
Não soube dizer se ficara contente ou mais desesperado ao parar de escutar a voz da amiga, já que aquelas risadas ainda eram ouvidas. O medo tomava mais conta do seu ser ao imaginar que a loirinha não tinha mais forças... Só deixava–se ser usada como se não fosse nada.
Fechou os olhos, contendo as lágrimas, respirando fundo, sendo tomado por um pavor estonteante, sentia–se até com ânsia de vomito. No entanto, continuava a socar a porta, ignorando o sangue que escorria por essa.
Quando tudo findou, parou de respirar por uns instantes, recuando até encostar-se à parede de frente a porta – no corredor. Escutava passos perto, sons secos que pareciam aterrorizantes em meio aquele lugar tão extremamente quieto agora.
Apoiou–se na parede, sentindo suas pernas fraquejaram ao ver a porta se abrir e um vulto branco sair da mesma. Mas não completamente branco, estava vermelho, vermelho sangue.
“— Senhor Richard!?” – Chamara pelo nome dele.
Uma risada insana ecoou pelo local. O mais velho se virou, lambendo um por um os dedos ensangüentados. Em sua cara portava um sorriso doente, como se fosse de algum louco. Os olhos azuis estavam tão enevoados que pareciam jóias opacas, sem o seu brilho.
Parecia insano. O Primordial, apesar de olhar para Oroi não o via, por isso ria, ria e limpava o sangue de suas vestes, virando–se e saindo novamente. Tomando rumo pelo outro lado do corredor.
O trançado ficara chocado, em transe por alguns minutos ao ver aquela cena. Mas ao ver a porta do cômodo de Lucy escancarada, correra para ali. E, novamente sentiu–se atordoado.
“— O.. roi...”
Engolira em seco, escutando a voz tão sofrida vindo dela. Vendo de imediato os olhos vermelhos de tanto chorar, o rosto – tão delicado – arranhado e mordido, lábios feridos. Não acreditava realmente no que seus olhos viam. Estava tão chocado que mal piscava.
Lucy tinha sido estuprada.
Olhara realmente assustado para o vestido tão belo rasgado – mostrando partes do corpo dela –, o corpo jogado no chão como se fosse apenas uma boneca, as lágrimas no rosto, o corpo cortado...
O sangue misturado a algo branco descendo entre as pernas abertas forçadamente...
Olhara enojado para trás, sabendo quem tinha feito aquilo. E logo notara que devia era fazer algo em vez de tentar ir a uma missão suicida atrás do Primordial. Retirara o manto branco que usava, correndo desesperadamente até o lado dela e jogando–o por cima, ocultando a nudez.
“— Senhorita Lucy... Aguente... Eu vou, vou...” – Olhara temeroso em volta, tentando achar algo para ajudar.
“— Não vou... Morrer... Por isso...” – Respondera com dificuldade, sentindo um gosto horrível em sua boca. “— Não estou... Viva.”
Lucy sentia–se morta, apesar de saber que já estava, nunca se sentira assim. Sempre teve a alegria em saber que sua alma ainda estava viva, mesmo que tenha sido retirada de onde estava e colocada naquele corpo novo.
Mal conseguia respirar direito, sentia sua boca seca de tanto gritar, seu corpo doía absurdos, mas não era isso o que mais lhe matava a alma.
Estava suja com algo de outro homem, nem sabia quem era aquele que do nada entrou no cômodo e a jogou no chão... Tinha prometido ser pura até que se casasse com Vectorius, quando estava viva, claro. E agora estava usada daquela forma.
Sua alma estava suja, seu corpo destruído...
“— Não diga isso! Eu vou arrumar tudo, irei esperar meu Mestre e avisar sobre o ocorrido. Logo vo–” – Fora cortado.
“— Eu quero morrer!!!” – Exclamou, fechando os olhos e chorando mais.
Oroi sentiu uma dor enorme pela amiga. Era sua culpa, a mesma estar assim, deveria ter sido mais atento e ficado mais com ela... Mas não adianta chorar pelo leite derramado. Não conseguia nem imaginar a dor que ela passava. Apesar de ter sido estuprado pelo Puro Sangue, isso não se comparava.
Naquela ocasião sua, queria a morte, e conseguira uma vida por meio do de olhos negros. Talvez por isso o amasse tanto. Ele o havia revivido, mesmo sendo um vampiro e estes estarem mortos, desejava viver. Tinha um propósito.
Sabia muito bem que a amiga também tinha. Ela desejava de alguma forma ajudar Vectorius, aquele que ela amava. Mas a mesma sabia que ajuda-lo não significava estar junto dele. No entanto, ela seria só dele, pela eternidade.
Inclinara–se, abraçando–a, vendo que a mesma não conseguia nem retribuir o ato de carinho. Tinha que fazer algo...
“— Me mate...” – Pedira Lucy, entre soluços.
“— Não posso...”
“— Lhe... Imploro.”
“— Desculpe, mas... A ordem era para que eu a mantivesse viva.”
“— Oroi... Me tira desse cômodo, você pode... Culpe aquele homem que apareceu...”
“— Eu...” – O olhar jade se fechara, deixando lágrimas descerem por esse também.
A loira esforçou–se ao máximo para erguer o braço, tocando nos macios fios negros do amigo, daquele que cuidava de si com tanto zelo. Acariciou–o, com forças quase nulas, com uma dor profunda em seu peito.
“— Você... Também morreu puro como eu... Ama alguém como eu... Entenderá minha dor...” – Uma breve pausa para respirar, algo que era difícil. “— Aquele homem... Disse que sempre iria fazer isso para ter o que quer de Vectorius...”
“ Ter o que quer de Vectorius? ” – Pensou Oroi de imediato, mas logo focara–se na dor emocional que ela estava sentindo. “—... Certo.”
Iria por a culpa no Primordial – afinal ele era culpado –, por hora, não queria mesmo pensar em nada que aconteceria, só queria ajudar a amiga.
Arrumou a manta que botara nela, pegando–a no colo em seguira. Respirando fundo, carregara–a para fora do cômodo, à área segura que era o único lugar que a mantinha viva. Continuou a andar, saindo do castelo.
“— Na parte de trás do castelo... Tem uma enorme área coberta de neve... Me... Me deixe lá.”
Sem falar nada o moreninho apenas concordou, levando–a para onde desejava, demorando–se um pouco ainda. Olhava constantemente para a loira, vendo um sorriso aliviado em seu rosto, e o choro da mesma ter sumido.
A cada passo que dava para mais longe daquele cômodo, no qual a garota ficara desde que fora criada exceto quando fora arrastada para a vila élfica para ser a isca, sabia que menos chance havia de recuperação para ela. Mas analisava–a constantemente, e se qualquer traço delatando que queria voltar fosse mostrado naquele rosto, recuaria na hora.
Mas isso não aconteceu. O sorriso dela só se ampliara ao ver o céu que logo iria escurecer, com tantas estrelas no céu que poderia se contar nas mãos ainda.
Lucy tremia, nunca tinha sentido tanto frio, nem mesmo no dia de sua morte. Talvez por ter morrido nos braços de quem amava, ou perdido a consciência antes de ser tirada de Vectorius.
Em sua mente passavam tantas coisas, mas parecia que as que se focavam eram as memórias de quando era criança – memórias plantadas em si, mas não se importava –, o primeiro beijo que dera, a vermelhidão que vira no rosto e os olhos tão verdes brilhando em contentamento pelo seu ‘sim’, dito a pergunta.
Rira baixinho, chamando a atenção do amigo, que parara de andar. Olhou para o lado então, com certa dificuldade, vendo a imensidão do branco a sua volta. Aquele branco puro de sua amada Even, aquele lugar cujo recriminavam muitos, não era o melhor dos lugares, mas era o seu lugar, a sua terra.
Oroi sabia que a garota não demoraria muito tempo viva... Quando chegou a imensidão branca, colocara–a na neve fofa, deixando–a ali.
Mas não sairia de perto dela.
Sentou–se ao lado, apenas olhando para a mesma, não querendo forçar ela a falar, onde chorava baixinho por ter feito algo para matar a única amiga em todo aquele castelo. Mas entendia a dor dela.
A garota olhava para o céu compenetrada, e sorria. As lágrimas agora desciam sem parar por seu rosto, mas sorria como se um alívio enorme estivesse escorrendo por elas.
Toda a dor, toda a humilhação, todo aquele horror que se passara consigo com aquele homem louco desaparecia. Por fim, desaparecia.
Estava finalmente morrendo. E sua morte iria libertar a pessoa que amava. Só lamentava–se de não ter tido a oportunidade de conversar, ou pelo menos olhar para esse, uma última vez.
“— O que está acontecendo aqui!?” – Indagou uma terceira pessoa chegando ao lugar.
Os dois ali no chão olharam para o dono da voz, deparando–se com um assustado Vectorius, que estava literalmente em choque com o que via.
“— Lucy!” – Não demorara nada para correr até a amada, ajoelhando–se ao lado e olhando o estado dela. “—Porque? Quem fez isso!? Me diga, por favor lhe imploro... ” – Desesperado, pegara–a no colo abraçando–a firmemente.
Lucy riu baixinho. Sabia que não tinha mais tempo para nada, muito menos para explicar as coisas, mas precisava libertar o outro. Agora poderia morrer em paz, poderia morrer novamente nos braços dele.
“— Vectorius... Me escute.” – Pedira com a voz falha e baixa, bem próximo ao ouvido dele. “— Nosso tempo passou... Você tem que perceber que não me ama mais, que tudo o que...” – Parara para dar uma pausa para respirar fundo, sentindo uma fincada no peito ao fazer isso, o ar parecia lhe queimar por dentro. “— ... Sente por mim é carinho. Eu já estou morta, não se apegue ao passado... Viva, por favor... Viva.”
Ela olhara para o lado, vendo o por do sol dourado e fraco naquele lugar, cujo descia lentamente, como se fosse seu contador, demonstrando que iria desaparecer junto com ele. A diferença era que não voltaria na manhã seguinte.
Estava morrendo, mas estava morrendo novamente nos braços do homem que mais amou em toda vida. Como amigo e como companheiro, sempre tivera sonhos bobos de se casar com Vectorius e ter vários filhos, ver esses correndo pela casa e puxando o cabelo do pai. Mas eram só sonhos.
Não tinha mais força para permanecer de olhos abertos vendo aquela imagem, mal conseguia escutar os gritos desesperados que clamavam por si, tudo estava tão quieto, tão calmo e puro quanto a neve de Even.
Com as ultimas forças que possuíra, erguera os braços, abraçando o outro, juntando seus lábios ao dele em um beijo suave, onde se focava agora só naquele rosto.
“— Eu te... Amo...” – Dito isso, fechara os olhos.
Vectorius ficara estático, olhando para o corpo sem vida agora do seu grande amor.
“— Lucy!? Lucy não me deixe. Não me deixe novamente!” – Desatara em choro, abraçando–a mais firme.
Oroi respirou fundo, com um nó na garganta por causa da cena que vira. Finalmente a amiga tinha dito o que queria, ou um pouco já que sabia que tinha muito mais. Desviara o olhar para o horizonte, vendo que o sol tinha desaparecido e consigo vinham as trevas, a bem vinda noite para os da sua espécie.
Se a si sentia falta da loira, imagine a dor que o outro estava sentindo... E, de certa forma entendia o que era ter a pessoa que amava morrendo em seus braços. Era uma dor tão sufocante que poderia deixar qualquer um demente.
Levantara–se, querendo deixar o casal em paz.
“— Porque fez isso?” – Falou Vectorius, direcionando seu olhar entre uma mistura de solidão e raiva para o menor.
“— Ela... Me pediu. Vivia me pedindo... Desta vez, não pude recusar.” – Explicou–se, com o rosto baixo, vendo as gotas de suas próprias lágrimas caírem na neve.
O mais velho dali olhara então para a amada novamente, pousando–a no chão e estranhando de imediato. Não demorou em nada em retirar aquele manto que a cobria, levando uma mão até a boca, espantado pelo que notara.
Levantara–se às pressas, caindo uma vez ao fazer isso, recuando uns passos e só então notando toda a gravidade da situação.
“— Porque fez isso!?” – Gritara exasperado, correndo até o outro e segurando–o pela gola da roupa.
“— Como ousa dizer que eu fiz isso a ela!?” – Tentara se soltar, sendo em vão ao notar que o outro tinha mais força.
“— Seu animal!”
Empurrara o outro, fazendo–o cair e sentando–se no abdômen deste, dando socos pelo rosto e chorando copiosamente, descarregando sua fúria e tristeza no outro. Como o outro tinha ousado matar a única pessoa cujo tanto amou, cujo dera o coração.
“— Saia!” – Tentava se livrar Oroi, mas era em vão.
Por mais que fosse um vampiro Nobre, ainda era muito novo – extremamente novo comparado aos outros daquele castelo –, mal sabia magias, tentara impedir de todas as formas os golpes contra si, sentindo a intensidade da fúria dos golpes diretamente em si.
“—Não foi... Eu! ”
Qualquer tentativa de explicar era repelida pelo outro. Quando notara que o mais velho tinha parado, aliviou–se um pouco, mas logo um frio passou pela sua espinha. Via um sorriso quase doentio no rosto tão jovem ali que estava em prantos, e esse começar a rir como se fosse a ultima vez que faria isso na vida.
“— Você...” – Tentou indagar pelo estado do outro, mas o olhar gélido que recebera fizera Oroi calar a boca.
“— Você não é nada de meu Mestre. É apenas um verme sujo que fora acolhido e limpo... Mas uma vez verme, sempre verme.” – Levara uma mão ao pescoço do menor, cravando–lhe as unhas, asfixiando–o.
Oroi não se deixara levar pelo que o de cabelos prateados falara – sabia que ele estava em choque pela morte de Lucy –, e muito menos se importava em ter a respiração privada, não iria morrer por aquilo. No entanto, o pavor se apossou de seu olhar jade ao notar que não era só aquilo.
Escutava os murmúrios de uma magia, e via a outra mão dele criar uma espécie de esfera translúcida, que gotejava um liquido carmesim onde poluía a branca neve em que estavam.
O medo tomou conta de todo seu ser. Não podia deixar–se ser morto por mais ninguém. Aquele privilégio era único e exclusivo do Mestre que lhe acolhera, levara as mãos a que estava em seu pescoço, tentando inutilmente se salvar, se soltar.
“— Pare Vectorius! Não fui eu!” – Gritara desesperado, arregalando os olhos e temendo pelo pior.
“— Vectorius espere!” – A voz de Vitor se fez presente no lugar.
Ambos ali no chão pararam sua atenção para fitar o loiro, que andava calmamente para perto de toda aquela confusão, olhando de forma avaliativa a tudo. Este respirara fundo, parando ao lado da garota e arqueando uma sobrancelha.
“— O trançado não fez isso. Eu estive com ele a pouco, impossível que tenha conseguido fazer um estrago assim em tão pouco tempo.” – Respondeu de forma séria para aqueles dois, olhando com descaso para aquela infantil briguinha ali.
Vectorius então parou de conjurar, fazendo aquela magia desaparecer. Um pouco de sua sanidade tinha voltado com que o loiro tinha dito. Não teria como Oroi fazer tudo aquilo, e Vitor não iria falar algo que era mentira só para ajudar o outro – já que odeia o mais novo.
E, se levasse em conta, também estivera com o menor a um tempo, então era impossível tudo isso acontecer de verdade... No entanto, sem mais nenhum culpado, ninguém a quem culpar dali, voltara a chorar.
Oroi se sentou, retirando o outro de cima de si e levando uma mão ao rosto dolorido, acariciando–se um pouco, respirando fundo e fitando Vitor.
“— Porque me ajudou?” – Indagou a esse.
“— Te ajudar? Apenas achei que morrer assim seria simples demais, em conta de um castigo superior que poderia levar...” – Sorrira afiado, comentando de forma sarcástica.
“— Não entendo Vitor...” – No rosto do menor, demonstrava o não entendimento do que fora dito.
Um vento gélido passou pelo lugar, fazendo os cabelos e roupas de todos ali moverem–se em um único sentido. Mas não era só isso, havia também algo carregado naquele vento, algo maléfico e um tanto corrupto. Aquela presença que deixava o ar mais frio, o clima mais pesado...
Como se nada tivesse acontecido, eis que surge Shisue Abyssinian, andando a passos raivosos de seu castelo até o lugar cujo existia aquela reunião de seus servos. O olhar frio e estreito delatava que não estava com um bom humor.
Este ser vil olhara um por um, continuando a se aproximar até parar ao lado da garota, chutando o manto que a cobria e constatando o que tinha acontecido.
Aquilo não estava em seus planos.
Uma aura negra de pura raiva se formou em sua volta, fazendo os outros três tremerem de medo ente a tão poderosa presença.
“— Quem fez isso?” – Indagou com uma voz de trovão, delatando mais ainda que aquilo não estava de seu agrado.
Nenhum dos três falou, muito menos ousou olhar para o mais velho. Mantinham a cabeça baixa, tensos por uma repreensão. Até Oroi que amaria receber um castigo, estava temeroso por algo.
“— Suas línguas não são mais úteis?” – Voltou a questionar, andando até o que estava mais próximo e segurando–o pelos cabelos. “— Me responda. Ou as arrancarei.” – Vociferou ao Vitor.
“— Cheguei agora...” – Dissera baixo, desviando o olhar do outro já que o negro dos olhos de seu Mestre estava tão intenso que parecia um pedaço das trevas.
Shisue jogou o loiro no chão com raiva, dando ainda um chute em sua costela. Não tinha como manter–se calculista ou portar seu sorriso de escárnio... Alguém ali tinha atrapalhado seu plano.
Fora então para o próximo a indagar, preferindo agora ir até Oroi. Puxou–o pela trança, fazendo–o se levantar, não desviava o olhar daquele ali, analisando–o. Não fizera mais nenhuma pergunta, apenas queria a resposta daquelas que já havia feito.
“— O senhor Richard... Ele estuprou a senhorita Lucy...” – Respondeu com uma voz baixa, submissa.
“— Isso não a mataria. Quem a tirou daquele cômodo?”
“— Foi...” – Engoliu em seco, tremendo de medo. “— Fui eu, meu Mestre.”
“— Desobedecestes a minha ordem primaria de manter aquela fêmea viva?” – O olhar negro parecia brilhar e perversidade.
Oroi nunca vira seu Mestre tão raivoso, e ainda mais por culpa sua. Nunca pensara que as conseqüências de seus atos levariam a tanta fúria descontrolada daquele ser tão altivo. Não tinha mais nem força de olhar para ele, preferira fechar os olhos e apenas aguardar.
“— Ela... Sofria.”
“— E o que isso importa, servo inútil!?”
“— Eu não quis lhe desobedecer mas–...” – Fora cortado.
“— Mas desobedeceu.”
Shisue não queria mais saber de nada, teria que mudar tantas coisas em seus planos, e estes estavam indo tão bem... Era tudo culpa daquele ser ali, afinal de contas Oroi não era uma cria sua, era apenas uma cria desgarrada de algum Abyssinian que renunciara esse nome.
Olhara com nojo para aquele ali, puxando–lhe a trança para que caísse no chão, sorrindo infimamente pela cara de dor dele. Mas nem isso fazia amenizar o ódio que sentia por ter que rever seus planos. Desviara o olhar dele para Vectorius, vendo–o engatinhar até aquela loira morta e abraçá–la, chorando copiosamente.
Revirara os olhos em descaso por tal cena.
“— Me perdoe Mestre, lhe imploro... ” – Pediu o menor, não resistindo em chorar de medo de perder tudo o que tinha.
O Abyssinian olhou para este, respirando fundo, e cuspindo na face dele.
“— Você perdeu sua utilidade.”
A resposta que Oroi recebera fora cruel, cínica, fria e crucial para a sua vida.
O jovem servo sentiu seu mundo desabar, onde olhava com extremo temor por tudo. Não era mais útil? Seria morto por ter desobedecido a seu amado Mestre? Parecia isso...
Nada lhe doía mais em saber que estragara tudo o que Shisue fizera, abaixou o rosto, deixando que as sua lágrimas caíssem na neve. Sabia tão bem que a sua vida era tão frágil quanto uma bolha de sabão em um rio, essa continuaria a existir, mas qualquer variável a faria findar.
“— Minha vida é tua, meu Mestre...” – Repetiu uma frase que falara no dia em que aceitara ser servo dele, sabendo muito bem o peso dessas palavras.
O de olhos negros nada disse sobre isso, apenas fora até Vitor – que há essa hora estava sentado e observando a tudo.
“— Livre–se do corpo dessa fêmea.” – Mandara ao loiro.
“— Como quiser, meu Mestre.”
“— Vectorius ouse atrapalhar Vitor que receberá uma dor maior do que essa que sentes.” – Falara para o outro, sem nem olhar para esse, já que seu passos o levaram até Oroi novamente.
Respirara fundo, imaginando o que fazer com aquele ser. As formas de matar mais cruéis possíveis. Logo um sorriso cínico surgira no canto esquerdo dos lábios, delatando que havia tramado um destino mais perverso o possível para o menor. Pegara–o pela trança novamente, arrastando–o por essa, contente pelo outro não conseguir se erguer pelo jeito no qual estava.
Oroi tentava se levantar, mas era puxado e suas pernas perdiam equilíbrio, caindo ao chão e ralando–se com o chão, machucando–se. No entanto, nenhuma dor parecia ser maior do que aquela que estava em seu peito. A dor de ter deixado de ter valor ao mais velho.
Só que seu Mestre parou de andar, assim, logo tratou de se levantar – a trança era longa mesmo –, estranhando a pessoa com quem este falava. Não conseguia ver direito, mas parecia um garoto um pouco mais alto que si, só não conseguia ver o rosto por estar usando um capuz que o encobria.
“— Primo...” – Falara esse ser com capuz, com uma voz fria e suave, levemente melodiosa. “— Devo fazer algo?”
“— ... Contenha aquele gato branco.” – Disse a esse, vendo–o se curvar levemente em sua direção. “— Tire–o daqui.” – Mandou, continuando seu rumo.
Um puxão forte por parte de Shisue fizera o trançado cair novamente, onde esse preferira ficar quieto – desistindo de se levantar –, apenas chorando e emitindo pequenos gemidos pelos arranhões que levava, deixando que seu olhar verde escuro, olhasse molhado pelas lágrimas para todos os lugares, não demorou muito em se ver no quarto do outro, tendo então sua trança solta.
Tratara então de se erguer, ajeitando as roupas e levando a mão aos cabelos, onde o couro cabeludo doía horrores.
“— Tire suas roupas.” – Proferiu Shisue.
Oroi não esperou nada, com as mãos tremulas tirou a roupa rasgada, por ter sido arrastado, engolindo em seco ao retirar a peça intima e parando perto do mais velho, aguardando sua morte final.
“— Matar você não seria um castigo...” – Comentara, levando uma mão ao pescoço dele apertando. “— Mas eu sei qual o seu maior pavor...” – Sorrira afiado, inclinando–se de encontro ao ouvido dele. “— Ficar sozinho.”
“— Não...” – Pediu baixo. “— O senhor mata o que não é útil... Não faça isso comigo.” – Pediu, olhando desolado para o maior.
Morrer era assustador, mas ficar sozinho novamente era a pior das coisas existentes, ainda mais nutrindo um amor tão grande e platônico pelo seu Mestre. Erguera as mãos, levando–as tremulas até o rosto dele, acariciando–o de leve.
“— Lhe imploro... Se não mereço teu perdão, me descarte com a minha morte.” – Continuou a pedir.
“— Sua vida me pertence e cabe a mim, apenas a mim, saber o que fazer com ela.” – Virou o rosto, livrando–se daquelas mãos.
“— O senhor não me ama nem um pouco? Nem ao ponto de me matar e não me fazer sofrer?” – Perguntara desesperado, tremulo de tanta agonia.
“— Não.” – Sorrira tal qual um demônio.
.
.
.
CONTINUA...
20/06/11
Nota da autora:
Adivinha? Eu demorei a postar o
Não me matem, eu posso demorar um tanto, mas eu posto *sorri amarelo*
O que posso dizer? Facul, provas, problemas... O de sempre~
Nesse cap eu coloquei mais um personagem para o PM – se bem que pode ser considerado dois, não? –, o primo do Shisue e a Puro Sangue~
Realmente... Vocês não fazem ideia do quão bem bolado são os planos do Shisue, cada formiga andando pelo chão está de acordo com a vontade dele...
E quanto a Oroi? Esse acabou fazendo o que não devia... Shisue devia ser bonzinho em matar ele? Ou torturar esse e deixá–lo sozinho?
Huhuhuh~
Agradeço muito mesmo aos reviews, sabe.. Cada um que eu leio me enche de alegria, me motiva mesmo a escrever, por vocês~
Comentário da beta:
Tadá~
Estou aqui novamente. Dessa vez podem me bater, eu demorei polegadas para betar e nem sei se ficou bom, quando acho que as coisas aqui estão melhorando elas pioram novamente. Parece que nunca acaba.
Enfim... OROI MEU BEBÊ... COITADINHO T.T
Vai ser castigado – pelo menos não vai morrer, né?
Vela pelo lado bom, Oroizita, você pode ir procurar seu mestre depois! ♥ Ou não. De qualquer forma, comentem e deixem a Mestra feliz, ou mando a Puro-Sangue para assombrar seus sonhos a noite e empacar seus lemons *macumba, macumba*
By: Toynako
Fale com o autor