Prison Magic

32 Capítulo 32


Notas iniciais
Alto nivel de sadismo, cuidado.

Autora: Toynako

—–x.I.x––

Prison Magic

Capitulo 31 (ou 32, se for no Nyah!)

—–x.I.x––

“— O senhor não me ama nem um pouco? Nem a ponto de me matar sem me fazer sofrer?” – Perguntara desesperado, trêmulo de tanta agonia.

“— Não.” – Sorrira tal qual um demônio.

Oroi via com temor os olhos negros o fitando tão friamente e, por uma fração de segundos, odiou com todas as suas forças tal ser nefasto que nem ao menos lhe daria o descanso eterno, no entanto, logo o ódio fora todo focado para si mesmo, já que a culpa no fim das contas era sua.

Sabia desde que botara os pés naquele castelo, que Shisue Abyssinian não admitia que ninguém interferisse na sua vida e em seus planos. Tudo era do jeito que ele queria nada mais, nada menos. Mesmo assim, ignorou este fato por um tempo, tempo que bastou para transformar sua vida nesse caos de agora.

“— Sei que não mereço seu perdão, sei que por um momento me iludi imaginando que uma vez havia visto a chama do amor em teus olhos negros...” – Parou de falar, baixando o rosto. Tudo o que menos queria era ser abandonado novamente. “— Me mate, lhe imploro. ” – Voltou a pedir, abaixando as mãos e pousando–as sobre a intimidade exposta.

“— És um tolo criança. Como pode ter tido a prepotência de pensar que em algum dia eu, Shisue Abyssinian, iria nutrir algum sentimento alem de ódio? ” – Rira da infantilidade do menor, negando de leve com a cabeça.

“— Mestre eu–”

“— Não ouse mais dizer que me ama, tais palavras nunca tiveram valor para mim. Sequer passam de lixo, palavras ditas ao vento sem o menor sentido.”

O trançado abalou–se mais com isso. Seu Mestre nunca tinha lhe proibido de dizer o tanto que lhe amava, achava até que às vezes os beijos do mesmo eram mais intensos, que o olhar dele era diferente voltado para si exatamente por se declarar toda vez que era possuído.

Erguera o rosto, notando no do causador de sua aflição nada mais que nojo e desprezo. Não ousaria mais pedir por sua morte, não tinha nem coragem para isso.

Esperava apenas que fosse jogado como um qualquer, em um lugar que pudesse chorar pela sua eternidade, até que suas lágrimas secassem e enlouquecesse, perdendo a memória de alguma forma.

Esquecer de tudo seria tão bom...

Esquecer desse amor, dessa aflição tão grande em saber que mesmo diante do ser que tanto amava, não poderia dizer isso, não poderia fazer com que tal pessoa entendesse a si pelo menos um pouco.

Amava Shisue Abyssinian, tão intensamente que seu peito era corroído, a aflição era tão grande que achava que morreria só disso. Pena não estar certo. Se fosse tão simples assim para um imortal morrer de amor já teria dado fim a sua vida. O que mais lhe doía era estar tão perto, tão perto de seu Mestre e não poder fazer nada para que esse lhe amasse pelo menos um pouco.

“— Oroi... Para ti, quero o pior dos castigos, por tua culpa terei que mudar meus planos. Compreendes a seriedade disso?” – Aproximara–se, tocando as madeixas negras, levemente azuladas nas pontas.

Era tudo pelo plano, só fazia tudo seguindo tal coisa. Nada, definitivamente, nada poderia fugir deste. Olhara severo para o menor, ainda sentindo a maciez dos fios em seus dedos, deslizando por esses lentamente. Para um simples servo, tinha dado liberdades de mais para esse. Liberdades que apenas tinha dado a Vectorius, sua cria, seu trunfo.

Afastara–se do outro, virando–se e olhando para o próprio leito, divagando sobre o que faria a respeito deste.

“— Sim meu Mestre.” – Falou só depois de alguns instantes, respirando fundo para se acalmar.

“— Já me decidi.” – Falara logo que o outro terminou sua frase, se virando para ele com um sorriso mórbido no rosto. “— Vá tomar um banho...” – Apontara para uma porta. “— ...e volte só depois que estiver completamente limpo... Ah, solte o cabelo.” – Mandara por fim.

Esse tratara logo de obedecer, seguindo com passos lentos para o lugar indicado, levando as mãos à fita verde na ponta da trança e desatando o laço. Quando entrara no cômodo, encostara–se a porta, escorregando por ela lentamente, um tanto trêmulo de medo do que se seguiria. Não tentaria cortar os pulsos, isso seria inútil para alguém que não sabia controlar a velocidade de regeneração, sem contar que em seu ser havia a bela e profana mistura do seu sangue e do Puro Sangue.

Olhara para o teto, sorrindo amargurado por tudo que estava acontecendo, sentindo as lágrimas mornas escorrerem por seus olhos sem controle algum. Chorava igual a uma criança desesperada, mas com medo de expor o que sentia.

Chorava calado.

Ainda em meio ao choro, terminara de desfazer sua tão bela – que agora estava um tanto desfiada por conta dos puxões que levara – trança, se levantando assim que conseguiu. Avistara logo a enorme banheira de granito preto polido, cheia de água.

Não quisera nem saber se estava quente ou fria a temperatura, apenas adentrara de uma vez, ficando submerso nesta.

Ficara assim por longos segundos, deixando que a água – que por sinal estava fria – levasse para longe as suas lágrimas. Quando voltou para a superfície, o verde de seus olhos estavam sem vida, aquela jade tão brilhante agora estava opaca.

Era o peso da realidade sobre si, era só um pobre vampiro recém criado e agora tinha que lidar com tantas coisas que não fazia a menor ideia de um lugar para começar. Iria apenas ficar nas mãos daquele que amava, era respirar fundo e fazer o que lhe fora ordenado.

—X—

Shisue já estava impaciente pela demora do servo.

Estava confortavelmente sentado em uma poltrona um pouco afastada de sua cama, próxima a uma lareira acesa. Em suas mãos estava um livro grande, de capa dura e velho, tão velho que as páginas pareciam dispostas a virar pó a qualquer instante. O olhar ébano analisava a tudo ali com lentidão.

Neste livro estavam os seus planos. Não era apenas um, eram vários. E todos davam ao mesmo destino, davam no que tanto almejava. Sua visão se prendia ali como se estivesse a caçar algo, como se tudo o que almejara pudesse estar ali, naquelas junções de palavras e letras.

Só fechara o grosso livro quando sentira a presença do menor no quarto, portando agora um sorriso de lado, um tanto afiado ao fitar este. Com um leve murmurar seu, o livro desaparecera de suas mãos.

“— Oroi, Oroi... Meu caro Oro...” – Em sua voz não existia mais aquela raiva de outrora, estava afiada e sedutora como sempre.

Bastou isso para o olhar sem vida de Oroi voltar a brilhar um pouco – não era como sempre fora, mas estava melhor. Não escutara aquela raiva tão cruel que tinha há instantes atrás. Algo estava diferente, era como se o Shisue onde todos os planos estavam certos estivesse ali, diante de si novamente.

Quem dera fosse.

“— Desculpe–me a demora meu Mestre...”

“— De nada me interessa tuas desculpas.”

O que estava sentado se levantara enfim, rumando até ao ser que agora parecia um pouco mais calmo com os seus modos. Mas, não era porque algo de bom podia surgir de uma pequena travessura dele, que o mesmo não seria punido. Logo o olhar se estreitou em uma sublime provocação, enquanto se inclinava e lambia a bochecha alheia.

“— Serás expulso de meu castelo, mas antes... Quero me divertir com teu corpo.”

“— Como desejar, meu Mestre.”

Apesar do brilho no olhar ter voltado, estava cansado. Era angustiante demais conter tudo aquilo que sentia quieto dentro de si. Preferia então esquecer, aproveitar que iria sair dali para esquecer que um dia amou Shisue Abyssinian. Nem mesmo a proposta de passar uma noite com este ser o animou.

Este fato intrigou demais o Puro Sangue, que olhara fixamente para o servo depois de ter dado a lambida neste. Não queria uma boneca de pano. Oroi não.

“— Sente–se na cama e masturbe–se.” – Lambera os lábios lentamente, vendo que seu pedido fora atendido.

Ficara então de frente a cama, olhando atentamente o menor sentado de pernas abertas no meio desta, estas flexionadas para que pudesse ter uma visão privilegiada do que quer que ele fosse fazer.

Oroi então começou, deslizando a mão pelo corpo, respirando fundo. Seu olhar estava focado no mais velho, como se quisesse memorizar cada mínimo detalhe daquele rosto. No entanto, as lágrimas voltaram a surgir em sua face, parando então de se acariciar ao ver que de nada adiantaria.

“— Desculpe–me...” – Virou o rosto, encolhendo–se na cama e abraçando as pernas.

O Puro Sangue olhou um tanto curioso para tal reação do menor, não existira nenhuma vez – mesmo quando o encontrara na floresta ao redor – que este não tinha ficado animado com o ato em si. Oroi estar desgostando disso, para si, era algo bem peculiar.

“— Porque ajudastes aquela fêmea?” – A pergunta veio seca do mesmo, mostrando o quanto estava desgostoso pelo outro ter parado o que fazia, no entanto não obteve respostas. “— Responda–me!”

“— Eu entendo o que é amar alguém...”

Oroi parara de falar, só estreitara o olhar para o mais velho por um pequeno tempo, desabraçando assim as pernas e movendo–se sobre o colchão, saindo da cama. Seus passos eram lentos e decididos, dando a volta até ficar a um passo de quem havia lhe feito tal pergunta.

Se Shisue queria a resposta, lhe daria a resposta.

“— ... E preferir morrer do que ter esse sentimento mudado.” – Terminou então a frase anterior.

Não ouve respostas, não ouve falas, o que aconteceu assim que o menor desafiara o mais velho falando tais coisas fora uma tapa em seu rosto, onde Shisue fizera questão de usar força o suficiente para jogá–lo de volta na cama. Para em seguida a sua risada ecoar pelo cômodo.

O trançado levara uma mão a face, apoiando–se de lado na cama, olhando aquela cena, a dor do tapa não significava nada em comparação a dor que sentia no peito.

“— Eu iria lhe dar um uma noite bem animada, para que recordasse de tal momento durante toda a eternidade... Mas vou fazer você recordar de mim de outra forma.” – Murmurou Shisue, jogando os cabelos para trás.

“Recordar a eternidade? Ele queria que eu nunca o esquecesse...?” – Pensara Oroi, vendo o mais velho retirar a parte de cima da roupa, ficando com o tórax exposto “... Porque?”

Talvez tal pergunta nunca fosse respondida para Oroi, assim como várias outras que já se seguiam. Apenas via o olhar predador banhado em luxúria completamente direcionado para si, como se nunca tais olhos de ébano houvessem focado em outro ser.

Grande logro.

Shisue subiu por cima do menor, ficando a observar sua nudez e beleza, aqueles cabelos tão negros que qualquer luz que batesse de encontro a eles, deixava–os com uma magnífica coloração azulada – tais como os seus próprios cabelos. Tocara nestes então, passando levemente as pontas dos dedos pelo manto que cobria a cama.

Teria sido uma atitude um tanto gentil, se a mão não tivesse fechado em uma mecha e puxado até que esse reclamasse de dor. No rosto de quem fizera este ato, estava apenas o mais puro – se é que pode dizer que algo em Shisue era ‘puro’ – sorriso de escárnio. Estava claro o quanto estava adorando puxar aqueles cabelos que há pouco tinha tanto admirado, puxara a ponto dos fios que segurava se arrebentarem.

Olhara então para a mecha de cabelo arrancado que tinha em mãos, aproximando–o do rosto e aspirando o suave perfume que vinha destes. Logo contemplou estes desaparecerem, como se fossem fumaça, nada mais. Não precisava olhar para saber que tinham voltado para seu ‘dono’, por assim dizer.

Nada em um vampiro criado podia ser mudado, claro, não que algumas magias cruéis de alguns vampiros fortes não dessem conta do caso. A prova bem clara disso era Vitor, que após ser queimado vivo pelas chamas negras de seu criador, ao se regenerar os fios loiros perfeitamente cacheados, tornaram–se lisos.

E, Shisue sabia perfeitamente que sua cria mais nova queria mais que tudo esquecer aquela pequena ‘brincadeira’ que fizera. Mas também, aqueles cachos loirinhos estavam dando nojo no Puro Sangue, parecia mais um anjinho do que um vampiro de fato. Deste jeito estava melhor, era isso que achava.

Entretanto, por costume apenas, olhara para o menor abaixo de si, que tinha se arrastado medrosamente até a cabeceira da cama, uma mão na cabeça – na área dolorida onde haviam sido puxados os cabelos –, e a outra reunindo todos os fios negros, segurando–os com zelo.

O cabelo arrancado já havia sido regenerado. Simples assim.

“— Eu poderia muito bem botar fogo em todo este cabelo...” – Gracejou de maneira cínica, sentando–se na cama e olhando para cima, como se nada que o rodeava importasse. “—... Mas seria um baita desperdício, não?” – Completou, olhando de relance para o menor que concordara.

“—Tal castigo não combinaria com o senhor...” – Abaixara a cabeça, sabendo que aquilo, apesar de tudo, não era um ‘castigo’, digno de alguém que errou.

O mais velho nada falara, de fato, aquela coisinha idiota de cortar os cabelos era insignificante, comparado a dor que o daria. No entanto, não estava mais com toda a raiva de outrora realmente. Afinal, alguém que queria fazer o que queria, não podia agir só pelo impulso e guiado por um cometimento destes.

Se fosse para fazer, o faria consciente de seus atos... Se não, acabaria louco como Richard Abyssinian. Por isso iria se divertir – mesmo que em algum momento perdesse o controle e enraivecesse com algo, ainda sabia do que fazia –, aplicar uma de suas ‘brincadeirinhas’, tal qual fizera ao pobre e azarado Vitor.

Virara–se para o menor, que engolira em seco diante do olhar tão profano vindo de seu Mestre. Oroi já não sabia o que fazer, por isso deixara tudo nas mãos dele, sem questionar o que fosse – talvez, nem tanto.

Afinal, era culpado... Mesmo tendo feito o certo.

“—Minha criança... Não passas de um resto, que pode ser jogado fora ou reaproveitado.” – Alfinetou–o, não vendo reações no outro. “— E, eu tomei minha decisão. Espero que sofra... Que viva e que sofra... Pela eternidade recordando desta dor e, por conseqüência, de minha pessoa.”

“—Porque recordar...?”

O Puro Sangue nada respondera, puxara–o bruscamente para si, tomando os lábios do mesmo em um beijo voraz, deslizando a língua sem a menor permissão para a boca alheia. Por um tempo notara que o outro estava surpreso demais para corresponder, mas quando o mesmo percebera tudo e fora tentar participar daquele ato, se afastara.

Levantara–se em um ímpeto, arrastando sem dó nem piedade – como se algum dia houvesse tido isso – o menor pelos cabelos novamente, notando esse andar falho e cair várias vezes, se machucando pelo percurso. Para a sorte de Oroi e resmungo de Shisue, este parou logo que chegara perto da lareira, jogando o menor ao lado dela.

“— Alguém sabe onde seus planos o levarão Mestre?” – Perguntara, jogado no chão para baixo, da mesma forma que fora deixado. “— Ou, pensando melhor... O senhor sabe onde seus planos o levarão?” – Apoiara–se sobre um braço, olhando sobre os ombros e para cima.

“— Está ousado, criança.”

“— O que perderei sendo ousado? Ou o que ganharei?” – Rira baixinho, deixando algumas lágrimas rolarem pelo rosto. “— Perderei a chance de ser seu servo? Ganharei mais machucados?” – Negara com o rosto, abaixando este. “— Que diferença fará?”

Isso enfureceu o mais velho, que estava até bem calmo. No entanto era isso que Oroi queria. Queria o pior que fosse. Quem sabe enfurecido o mais velho sem querer o matava em algum castigo? Era só ver se suportaria a tudo...

“—Insolente...” – Vociferara Shisue, dando um chute no corpo do menor.

Não pensara duas vezes, pisara com um pé no torso do menor, abaixando–se e pegando uma perna, erguendo–se e trazendo a mesma consigo. Puxara e torcera, quebrando os ossos e deslocando a mesma como se Oroi não passasse de uma boneca a se brincar.

E, para si, todos eram.

“—Ahhhhhhhh! Mestre!” – Gritara o menor, agarrando–se ao chão e tentando puxar a perna.

O grito ensandecido parecia a mais melodiosa das músicas. O urro de dor era tão belo a seu ver, tão excitante. Ainda mais por presenciar ele se contorcendo no chão, tentando se salvar, tentando fazer diminuir aquela dor.

Era apenas o começo.

Continuara a torcer e quebrar os ossos como se não fosse nada aquela perna, e quando se deu por satisfeito, soltara como se soltasse lixo. Sabia que o menor não estava alimentado o suficiente para que se regenerasse logo e, do jeito que deixara, iria demorar um bom tempo.

Ignorava completamente os pedidos para que parasse, onde tais coisas só inflavam seu ego, já que a pouco aquele pequeno insolente o estava desafiando de forma tão descarada.

Se bem que não ignorava completamente, já que tudo ali lhe excitava de forma absurda, podia sentir o membro teso preso na calça. Só não possuía aquele ali de vez, porque era apenas o inicio.

Além do mais, iria se aliviar um pouco vendo um grande espetáculo.

“— Isso! Grite!” – Incitara o outro a fazer exatamente o que queria.

Não demorou muito em pegar a outra perna, dando o mesmo tratamento especial que dera a primeira, notando o sofrimento tão explícito nas ações e na dor no rosto do outro.

“Ah Oroi, ficas tão belo com esta cara.” – Pensara, levando de relance uma mão ao membro, e acariciando–o por cima das vestes.

“— Mestre, por favor, Mestre! Imploro–lhe! Eu estou arrependido!”

“— Comovente... Pensei que para um masoquista do seu nível, estaria gostando.” – Zombara do pedido.

“— Meu prazer com a dor...” – Parara para respirar, engolindo o choro e agarrando–se mais ao chão. “— É porque mesmo sem notar, o senhor sempre buscou o prazer de ambos... Como se retribuísse o tanto que te amo...”

O mais velho não conseguira pensar em nada rápido para dar de resposta ao seu ex–servo, de fato até parara para pensar se era realmente isso que fazia... Surpreendente fora notar que realmente seus jogos sádicos com o menor, sempre fizeram ambos saírem satisfeitos. Diferente de quando usava Vectorius, onde não importava em nada se este sentia prazer ou não. Já que só o seu importava.

“— Não sabe a resposta... Não é?” – Reunira forças para continuar a falar. “— O senhor sempre sentiu algo por mim... Por isso não quer me matar...”

“— É isto o que acha? Provarei o contrário.” – Torcera a perna, quebrando–a no meio em seguida.

“—Ahhhhhh!” – Exclamara desesperado, encolhendo–se.

Ao deliciar–se com o grito, soltara a perna, parando um pouco para contemplar aquela visão. O acesso de fúria fizera com que os ossos rompessem o músculo, atravessando assim a pele, como se os mesmos fossem estacas perfurando o jovem morcego.

O sangue profano da bela criatura, agora impregnava quase toda aquela área. Parede, teto, piso, lareira, bem como quem fizera tudo aquilo... Tamanha fora a fúria do algoz. Em determinados momentos, o sangue parecia pairar no ar.

A dor sentida pelo vampirinho vinha de todas as partes do corpo, inclusive de partes que parecia nem conhecer, era como se células de seu corpo tivessem sido destruídas pelo vampiro.

O olhar de medo, desespero, aflição e temor fazia com que Shisue gargalhasse ainda mais – bem como quase gozasse com a cena –, sempre atento como se procurasse um novo local para causar dor e sofrimento ao vampiro ao seus pés.

“—Está doendo muito? Logo sua regeneração irá ativar.” – Comentou ácido, como uma cobra que produz veneno demais e este escorresse como fel em sua boca.

Abaixara–se ao lado do menor, vendo de perto aquele panorama do inferno no qual este se encontrava. Deslizara os dedos pela pele dos ombros, dedilhando sobre os respingos de sangue do ocorrido ainda há pouco. Afastara até os cabelos para um lado, inclinando–se sobre o ouvido deste e mordiscando o lóbulo.

“—Perfeito não?” – Gracejara.

Sorriu de lado, virando o menor para cima e levantando–se, pegando agora um dos braços do vampirinho, sobre o olhar mais assustado desse. Percebia que o outro não tinha mais forças para gritar e se debater como antes, possivelmente a dor estava tanta que poderia perder a consciência. Mas não deixaria esse desmaiar em um momento tão...

Excitante.

Logo voltou a posicionar seu pé no corpo do menor – para manter esse bem firme ao chão –, a única diferença era que agora pisava em seu peito e não nas costas. Segurara mais firme o braço em mãos, puxando–o lentamente, para fazer tal lentidão ser uma tortura a mais para o vampiro tão jovem.

Como estava sem forças para reclamar de tal dor, o único som que se ouvira no ambiente desta vez, eram os sons de ossos se deslocando, bem como o som erótico – ao ver de Shisue –, da carne sendo rasgada. O algoz puxara o braço deste até que arrancasse o mesmo do corpo no chão.

Brincara com esse em mãos, lambendo o sangue que escorria da parte dilacerada, sujando boca e queixo com o carmesim daquele servo – ou ex–servo. Era tudo tão excitante, sentia seu baixo ventre vibrar, repuxar, umedecendo um pouco da roupa íntima. Era uma visão bela por demais.

“— Ahnw... Oroi...” – Gemera rouco e baixo, ainda a lamber o plasma.

Movera–se um pouco, ficando com uma perna lado a lado na cintura dele, olhando para aquele rosto quase apagado. Notava então os olhos opacos, a saliva escorrendo pelo canto da boca onde possivelmente nem mais engolir essa o menor conseguia, as lágrimas que desciam lentamente pelo rosto.

Sabia que ele ainda estava ‘ali’, vendo a tudo, só estava desacordado um pouco, até mesmo meio anestesiado em meio a tanta dor – de fato, nunca tinha brincado dessa forma com ele.

Da forma que Oroi estava aos seus pés, olhando para cima, dava para ver o enorme – mais que o normal, por conta do real deleite da situação – volume que aquela calça era obrigada a ocultar.

“—Não nego, és belo... Belíssimo...” – Gemera, virando o braço em mão e olhando para este.

Sugava os dígitos dele, fazendo–os brincarem em sua boca. Esticando a língua para fora e umedecendo esses, brincando de provocar ainda mais aquela criança. Em seguida, levara a própria mão até a calça, abrindo a mesma apressadamente e liberando finalmente o sexo.

“— É sua mão... Mas não sentirás o prazer do toque...” – Melodiou lentamente, olhando para os olhos do menor, como se em cada palavra, o veneno impudico e irônico escorresse por entre elas.

Usara uma das mãos para segurar o braço arrancado, enquanto a outra se firmava na parte de trás da palma, para assim guiá–la até próprio membro, fechando mão e por conseqüência a do menor sobre esse.

Oroi só via, ou nem sabia se via. Era tudo tão borrado, tão embaçado. A dor era tão intensa que nem sabia há quanto tempo havia começado tudo aquilo, e a cada regeneração que sentia iniciar em suas pernas, uma nova dor agora se iniciara – talvez porque as conexões nervosas ficavam sensíveis.

Quem sabe sua vida fosse resumida a apenas alegrias e perdas, como no caso do seu criador e amigo. Não compreendia como todos os acontecimentos bons eram tão bruscamente arrancados de si. Talvez, seu pior erro era simplesmente ‘acreditar’.

Acreditar que seria feliz, acreditar que alguém o amava, acreditar que mesmo na pior das situações tudo melhorava... Agora compreendia um tanto o pessimismo de Vitor.

“—Você nunca sentiu o calor das chamas, não é Oroi?” – Perguntou enigmático, parando o que fazia e olhando para a lareira. “— Dá para provar o meu amor por ti assim... Vendo–o queimar!” – Rira alto, jogando o braço que segurava nas chamas perto.

Como se não bastasse só este braço, arrancara o outro, bem como as pernas do menor. Onde não parava de rir nem um instante ao jogar os membros na chama para consumi–los.

“— Quero tua dor, não teu amor. Quero a tua loucura, não tua ternura.” – Sussurrara tal qual um príncipe das trevas, lambendo os lábios perante a visão. “— Quero ver te sofrer... Oroi, meu Oroi... Cravarei a dor tão funda na sua alma que nunca se esquecerás de mim.”

O vil Mestre inclinou–se ao lado do quase desmaiado, levando uma mão até o rosto deste, acariciando a bochecha com uma suavidade quase divina, apenas sentindo e retirando as lágrimas daquela área, a carícia tão atípica em vez de trazer conforto ao ferido, só trazia mais medo...

Este tinha a plena consciência que seu Mestre só era gentil por sarcasmo ou ironia, e desconfiava com toda sua força que era apenas isso. Como sempre. Mal tinha força para manter seus olhos abertos, só que parecia que o sangue do mais velho o obrigava a ficar olhando–o, estar bem atento a dor e ao desejo sádico daquele ser.

Porque o amava mesmo?

“—Perdido em pensamentos, criança?” – Zombara, olhando para os lábios dele. “—Agora é que a diversão começa... Eu preciso me aliviar...” – Avisou–o, dando uma pequena espiada no próprio baixo ventre pulsante.

Levara o pulso à boca, estendendo seus caninos a cravando no pulso, provando e armazenando do próprio plasma na boca. Quando a mesma estava cheia, se inclinara para um beijo no menor.

Seria um beijo como qualquer outro que os dois imortais já haviam trocado, sangrento, pecaminoso... Como também podia ser o melhor e o pior beijo de cada um. Ou nada, simplesmente um ato.

Beijos não significavam nada, apenas um contato entre os lábios, guiado por algum impulso, algum desejo de uma das partes... Neste caso, poderia ser apenas um ato de alimentação de um Mestre para seu Servo, só...

O sangue enchia a boca do mais novo de forma enlouquecedora, mas não despertando a sede amorosa que sempre sentira, era apenas o instinto primitivo de querer estar vivo que o fazia sorver dos lábios e do sangue oferecido. Mal sentia a mão levemente gélida em sua nuca, puxando–o em meio a uma misteriosa carícia, sua percepção estava naquele plasma, na língua alheia que cortara com os próprios caninos para que degustasse mais.

Foi algo demorado, lento, um bebendo a saliva do outro, um trocando o sangue para o outro. Apesar de tudo, era algo animalesco, de um egoísmo estonteante de Shisue, como uma cobra peçonhenta a envenenar lentamente sua presa. Que provava sem cerimônia alguma a boca tão abandonada ali, que enlaçava a língua com a sua apenas por impulso.

Afastou–se lento da boca alheia, com a língua para fora, de onde escorria sangue para a outra ainda, onde graciosamente tentava captar o restante daquela vida líquida.

“—Este foi teu último beijo... Mais nenhum ser irá provar dos teus lábios...” – Premeditou, olhando o fascínio nos olhos verdes do menor.

Tão cativante verde...

Um jade puro, sem máculas, era isso que olhava para o mais velho. Havia tanta confusão no olhar que talvez se perguntassem o seu nome nesta hora, não saberia responder. Todavia, era isto que o Puro Sangue queria. A loucura em pessoa. Queria ver o que poderia atormentar eternamente aquele que o desafiou e o cativou, o encantou por um bom tempo.

“— Porque todo você me pertence...” – Completara a frase ao se erguer.

Respirou fundo, rindo em seguida do cheiro de carne queimada que impregnava o cômodo, qualquer um teria enjôos da mistura profana que era aquele aroma – que se juntava ao de sangue –, só que aquele vampiro... Simplesmente excitava–se mais com este.

—–X—–

“—Ahnw...” – Um gemido longo escapara dos lábios de Shisue Abyssinian.

O dia já estava a amanhecer e a tortura de Oroi continuava – para o deleite eterno de seu algoz –, que já o havia cortado, furado, arrancado novamente os membros e agora estava simplesmente assistindo o espetáculo enquanto se aliviava. Seu membro estava tão rijo que chegava a ser incomodo, mas agora estava a dar um jeito nisso.

Sentado em sua poltrona – cujo fora arrastada para ficar de frente a lareira, um tanto afastado –, gemia e ofegava baixo, movendo a mão sobre o sexo, acariciando–se sem pudor algum enquanto o negrume dos olhos fitava ensandecido as chamas. Não precisamente estas, mas sim um ser que tinha jogado ali e trancado, deixando–o se debater e sofrer com a labareda a consumi–lo.

Vez ou outra ria ao constatar que o seu sangue no corpo do menor fazia a regeneração ser rápida demais, onde logo curava–se das chamas, e mais logo ainda queimava–se. Era um ciclo sem fim, por demais engraçado para um ser tão nefasto como Shisue. Que não sabia se ria da desgraça alheia ou se gozava de uma dor tão clara nos gritos e no rosto do outro, que se agarrava nas grades da lareira e implorava para ser tirado dali.

Para Shisue, o deleite era estonteante. Seu quarto estava tão sujo, até mesmo suas roupas estavam manchadas com as brincadeiras feitas no outro. Seu baixo ventre pulsava, onde fechava mais o punho, movendo mais afoitamente a mão para arrancar seu prazer. Normalmente não gostaria em nada de fazer isso sozinho, até tinha cogitado a idéia de chamar Vitor para cuidar disso com o ótimo trabalho que ele tinha com a boca...

Mas não queria que ninguém mais visse aquela dor que dava a ele, ela era só sua, aquele ser era só seu. Por isso, estava mais que bom só a si ver aquele espetáculo. Os gritos eram melodias, o cheiro era sublime, a dor tão visível era um bálsamo para os olhos.

Era um prazer impar, só seu. Onde de fato não lembrava de ter feito algo do tipo com aquela criança, talvez por esse motivo Oroi tenha achado que amava–o. Uma tola criança, isso o que era.

Os gritos eram cada vez mais estridentes, os pedidos desesperados se alternavam em súplicas para que o tirassem dali e pedidos ensandecidos para que o matasse de vez. Mas não fazia nem um nem outro. Só se masturbava, deixando claro que não ligava em nada para este.

Quando o gozo enfim chegou, gemera mais arrastadamente, denunciando o nível alto de arrebatamento que teve, logo largando–se por uma questão de segundos na poltrona, rindo em seguida ao ver outra coisa sem ser o vermelho manchando o chão próximo de si. Só depois da crise de risos, fora que a calça foi puxada para cima e colocada direito, onde logo Shisue se levantara.

Estava satisfeito. Ou não, sempre queria mais mesmo, como um egoísta de querer tudo para si.

“—Estas chamas só queimam, não deixam marcas, não em um ser como nós...” – Comentara como quem não quer nada, andando até perto da grade.

Olhara então para baixo, a mão queimada que agarrara em sua calça, o choro no rosto daquele ser, a boca a implorar mudamente... Com um movimento de mãos em uma pequena magia, fizera as grades que prendiam este sumirem, ficando só a observá–lo se arrastar para fora dali. Dessa vez não sorria ao ver isso, só assistia.

Oroi se agarrava ao chão, puxando–se para longe daquela dor horrível. Quando notou que estava longe o suficiente desta, se encolhera no chão, abraçando–se com desespero. Tudo doía, não conseguia nem calcular o tanto da dor que sentia. Se não tivesse tomado o sangue puro do mais velho, nesta hora já não existiria mais.

Não sabia se isso era sorte ou azar...

Aos poucos sentia seu corpo se regenerar causando uma estranha sensação de formigação sobre a área queimada, da mesma forma que notava seus cabelos voltarem a crescer do tamanho que eram originalmente. Em uma velocidade impressionante já estava com o corpo completamente curado, e só o que sobrava eram as lembranças das dores que tivera.

“—Não vai falar nada?” – Indagou o mais velho, andando até perto dele. “—Ou só porque seu corpo está recuperado, pensa que tudo findou?”

“—Só estou a aguardar...” – Sentara–se, mantendo o rosto baixo.

“—Aguardar o que, criança? A morte, mais castigos?”

“—Teu amor.”

O riso do mais velho ecoou pelo lugar, onde movia–se para sentar na poltrona novamente. Aquele moreno poderia facilmente ser um comediante, pelo menos teria sempre um bobo da corte para lhe animar.

“—Assim só me fará é rir.” – Diminuíra um tanto o riso, mas o sorriso no rosto de deboche ainda tinha. “—Porque acha que consegue isso?”

“—Sou imortal, não? Se me deixará vivo é por ter alguma utilidade, nada que não é útil merece estar vivo, não importando o quão medíocre seja.” – Sorrira abertamente, mesmo com o rosto ainda abaixado.

“—Como pode ter tanta certeza disso criança? Sua tolice só faz minha crise de risos voltar.” – Rira um pouco daquelas palavras sem sentido.

“— Eles me disseram.”

“—Quem...?”

“—Eles.” – Erguera o rosto, fitando–o intensamente.

O mais velho sentiu–se estranho com a intensidade do brilho nos olhos esverdeados daquela criança, pareciam tão vivos, cheios de esperança. Ao mesmo tempo demonstravam abandono, uma solidão enorme por detrás da tão bela cor. O olhar direcionado para si era quase uma contradição. Como se mais nada para o menor sobrasse alem de se agarrar a uma teoria sem fundamentos, de surtar de vez e dar lugar a insanidade.

Então esse era o limite que Oroi podia suportar até a loucura...

Se fosse contar só a dor física, seria bem pouco, em consideração a coisa piores que fizera com Vectorius e com Vitor, sem que estes ficassem loucos... Mas no trançado tinha uma questão a mais que nenhuma destas crias possuíam.

Oroi lhe amava...

E essa era a tortura que mais impregnava ele, era isso que gostava de por a prova e que sempre se mostrava mais claro que este o amava mais ainda. Só não conseguia entender o que tanto uma criança como ele via em si. Certo que sua aparência era arrebatadora, mas seus modos eram vis, pisava e humilhava sem se importar com o ser que fazia tal coisa.

Então porque dizia que lhe amava tanto?

“—Irei aguardar, meu Mestre... Meu amor será só seu...”

“—Pare...”

“—O senhor pode me torturar o quanto quiser, este sentimento ainda será o mesmo. ”

“—Chega...”

“—Eles me garantiram... O senhor não passa de um gato assustado, que mata a tudo por medo de se apegar e ser abandonado como fora quando bebê...”

“—Chega!” – Levantou–se em fúria, erguendo a mão e batendo no rosto do menor.

Novamente um riso ecoou pelo lugar, mas dessa vez não provinha do mais velho, e sim de Oroi, que ria ensandecidamente. Era completamente atípico deste tal reação, ainda mais depois de levar um tapa na face. No entanto, o riso continuava, cada vez mais doentio.

“—Mais um para o time do Richard, mas este a loucura é por conta da idade... E você, por ter sido tolo demais.”

“—Amar não é tolice.” – Parara de rir em um instante, erguendo–se e levantando o rosto para continuar a fitá–lo.

“—O que é tolice então?”

“—Sua existência.” – Falou firme, desafiador. “—Uma existência que fecha os olhos para a realidade a volta, que segue apenas uma linha até o destino que quer... E quando chegar nesse? Partirá para o ‘time do senhor Richard’ também? Ou a loucura já está impregnada tão fundo no senhor, pelo medo de ser abandonado novamente, que quer se agarrar a esperança que continuará são no final? ”

Shisue respirou fundo, erguendo a mão e tocando na face a sua frente. O toque deslizava por entre a maçã do rosto, onde as unhas encostavam de maneira suave na tez clara. Sabia muito bem o que eram esses surtos de rebeldia que o menor possuía...

Um animal encurralado por um predador maior, ao ver–se sem esperança alguma de fuga ou sequer uma chance de permanecer vivo, se agarra a qualquer coisa a sua volta, partindo para a agressão. Como se fosse uma última e suicida tentativa.

No entanto, as frases suicidas de Oroi de nada serviam. Eram só palavras, ideais de uma mente que ama e também da loucura que o acometia agora.

Era a dor de amar. Não só um Puro Sangue, mas sim, a dor de amar e saber perfeitamente que algo platônico nunca chegaria em nada... Apenas ao desespero daquele que nutre tão triste e dependente sentimento.

Amor era para fracos, amor era para poucos... No entanto só os fortes amavam, muitos mantinham amor por algo...

Uma contradição.

“—Este seu lado não conhecia.”

“—Desde quando o senhor quis conhecer algo de mim?”

“—Então porque me ama?”

“—Um Puro Sangue nuca entenderá o quão complexo e simples ao mesmo tempo é o amor?” – Rebateu a pergunta com outra, sorrindo um tanto oblíquo.

“—Os que foram humanos, e os que possuem a vida eterna agora, nunca compreenderão como nós vemos o mundo. Não é por serem a maioria que seus ideais são certos... ”

“—O que o senhor desejar, o senhor terá...”

“—O que eu quiser, eu terei.” – Confirmou a frase do menor, não conseguindo tirar os olhos daquele verde a lhe encarar.

“—Eles estão certos... Por isso eu estou certo.”

“—De nada suas palavras são.” – Dera as costas, rindo baixinho de tanta sandice vindo daquela criança.

O mais velho andara pelo quarto, ignorando o outro de cabeça baixa e chorando baixinho. Passara pela camisa que estava usando antes, abaixando–se rapidamente e passando a mão sobre o tecido de cor escura um preto azulado, e então o rasgando, tirando uma faixa e enrolando no pulso. Ficara longo o suficiente para dar várias voltas. Logo, voltou a procurar algo, pegando em um pote de vidro transparente, de tamanho médio.

“—Eu o quero...” – Murmurou olhando para o vidro, abrindo a tampa e examinando dentro por questões de segundos. “—Não precisará de dois mesmo...”

Cortara o pulso com as presas, deixando que o sangue caísse dentro do recipiente e enchesse este. Perder uma quantidade assim de sangue não significava nada para alguém Puro como ele. Sem contar que poderia chamar qualquer servo depois para que lhe alimentasse. Quando o pote estava cheio, o ferimento cicatrizara em um instante.

“—Minha pedra preciosa...” – Falou sem pensar, voltando a se aproximar do menor com o vidro em mãos. “— Meu jade.”

Oroi sorriu, com lágrimas nos olhos, com dor no coração, com toda a ternura que possuía ainda teve tempo de sibilar três palavras de puro amor. Mesmo com tudo isso sorrira. Um sorriso puro que dera antes de ver as unhas vindo em direção ao seu olho e tudo ficar preto em seguida...

Eu te amo.

—–––––x.X.x––––––

“—Vamos Guille.” – Chamara o príncipe, completamente animado.

A neve rodeava todos, bem como um frio insuportável quase, ainda mais para quem era tão acostumado com climas quentes como Cain. O navio estava atracado em um pequeno porto, e o moreno já estava do lado de fora a aguardar o loirinho e a elfa que seria o guia de todos na viagem.

Esse estava tão animado, que mesmo sentindo um pequeno cansaço – apesar de ter acordado recentemente –, não deixava Yami cuidar do corpo. Queria por demais explorar esse continente, achar um caminho que o levava a tão querido amigo.

As vezes parava para tentar entender o que o levava ir atrás de Veck, não compreendia a imensidão do que o acometia, mas sentia–se no dever de ir resgatar este. Por mais suicida que fosse o que estivesse fazendo.

Os sonhos que tinha, cada vez deixavam–no mais incomodado com a situação, os sonhos que tinha eram algumas memórias do demônio que o possuía, e estas eram pervertidas demais para si. Outrora um sonho se misturava com o outro, onde se via com Veck em algo impróprio para dois homens, quando tinha tal tipo de sonho – ou pesadelo – acordava exaltado, reclamando com Yami por conta de saber ser dele a culpa do que tivera.

O passado promíscuo deste não lhe dava repulsa, o que lhe dava era a forma com que ele tratava aqueles que chegavam a gostar dele de outra forma sem ser a pura carnal. Sentia pena, e muita, de dois casos em especial, ou era um dos poucos que conhecia. Estes eram o Anjo e o Rei.

Compreendia a dor deles de uma forma tão extrema que lhe doía o peito quando se lembrava do que vira, era como se a dor que estes sentiam foram passadas para uma parte da alma de Yami por meio da espada celestial – que acabou virando maldita – que possuía.

No entanto o demônio da luxúria parecia desconhecer isto, ou simplesmente ignorava, mesmo que tenha tentado explicar as coisas para este, o mesmo rebatia dizendo que não possuía maturidade o suficiente para falar sobre o caso. Por isso se calava.

“—Guille!” – Juntara as mãos próximas à boca para chamá–lo de modo arrastado, usando estas para aumentar o som da voz.

“—Já vou Cainzinho!” – Ouvira do navio.

“— Está animado, não é, príncipe?” – A voz ecoou na mente de Cain.

“—Não comece Yami, não me sinto disposto a ficar falando novamente sobre isso...” – Murmurara baixo, respirando fundo em seguida

“—Se continuar a fazer pouco caso dessa energia demoníaca que pesa sobre seus ombros, irá acabar morrendo.”

“—Preocupado comigo?” – Olhara ao redor, andando até um banco de madeira e sentando–se para esperar.

“—Claro, seu corpo é o meu se não notou, caro hospedeiro.” — A zombaria estava clara na voz deste.

Cain sorrira um pouco, neste tempo que se passara, conhecera mais Yami, considerava–o um amigo também, assim como Veck e Guille. Por esse motivo sabia que este estava preocupado consigo e nem sempre era tão arisco assim. De noite, muitas vezes tinha longas conversas com este, vários focos onde o assunto parecia nunca acabar.

“—Yami... Porque quer salvar o Veck?” – Indagou, mesmo que já tivesse escutado a respostas várias vezes.

“—Você sabe o motivo.”

“—Sempre isso...”

Respira fundo, mesmo que o outro falasse que sabia o motivo que o levava a querer ajudar Veck também, não entendia este. Achava que era apenas por conta de dividir o corpo, de que a si era o dominante ainda – mesmo que deixasse várias vezes o outro tomar conta do corpo –, mas com o passar do tempo, vira que Yami poderia já o controlar se forçasse.

“—Prontinho.”

O moreno levara um susto, de tão concentrado em seus pensamentos, não notara Guille aparecer a sua frente acompanhado de Nyha, fato este que estranhou.

“—O que aconteceu com a senhorita Luna?” – Indagou ao se levantar.

“— Minha irmã me chamou no quarto bem cedo... Ela começou a chorar dizendo que não tinha mais força para ir atrás do Vectorius...” – Disse baixinho, abaixando o rosto. “—Há muito tempo ela está com uma doença, e esteve agüentando por muito tempo... Ela esteve se contendo muito bem, mas com o frio isto piorou.” – Explicou.

“—Porque ela não me disse!? Vou ir ver como ela está!”

“—Não!” – Falaram juntos Guille e Nyha.

“—Ela está chorando muito e quer ficar sozinha... Entenda príncipe, ela está por demais triste, o clima aqui é muito mais severo que em alto mar. Foi muito difícil ela ter tomado essa decisão. Mas isso está afetando a memória bem como o corpo... Isso a fez perceber que não seria de ajuda.”

“—Eu... Eu nunca notei... – Disse Cain, desviando o olhar e sentindo–se culpado por ter trazido a elfa para estas bandas.

“—Ninguém notou... Minha irmã era orgulhosa, mas deixou isso de lado por conta de Vectorius... Ela me pediu para que ninguém a fosse ver nesse momento...”

“—Então... Estamos sem pista nenhuma de onde Veck está.”

“— Sim e não, Cainzinho... Eu sei de algumas coisas, posso tentar me comunicar com alguns contatos e tentar ajuda... Primeiramente, vamos ao vilarejo, lá nos abrigamos por hoje e pensamos com a mente mais calma.”

“—Eu queria agradecer a senhorita Luna...”

“—Ela pediu apenas uma coisa... Salvem Vectorius.” – Informou Nyha, portando pequenas lágrimas nos olhos.

“—Cainzinho, vamos... O Nyha não se sente bem, vamos acalmar os ânimos na cidade.”

“— Vamos.”

—X—

“—Um quarto para três, por favor.” – Pedira Cain, tirando algumas moedas do bolso e dando a recepcionista.

O silencio tinha reinado desde que saíram do porto até chegarem ao vilarejo, cada um por um motivo diferente. Cain por respeito a Nyha, por este ter descoberto da doença da irmã de uma forma tão rápida. Guille, por estar feliz demais por seu plano ter dado certo, agora que a elfa estava fora do caminho, era fácil manipular o ruivo. Já Nyha, este estava contendo o riso...

Se bem que não existia mais o elfo, e sim uma vampira Puro Sangue utilizando sua aparência e se divertindo com tudo que estava acontecendo. O plano deste fora arruinado uma vez, mas pelo que podia ler na mente do filho de Shisue, este tinha um plano, só não conseguia ler direito a mente deste, talvez até mesmo por conta de ser um Abyssinian. Mesmo que fosse apenas um gato mestiço, um caçador, ainda tinha o sangue nefasto nas veias.

Não podia negar que sentia–se atraída por este sangue, não pelo corpo, era somente o sangue e o cheiro que lhe atraia. Como noiva, lhe atiçava chegar perto de um sangue tão semelhante ao de seu prometido. Tinha plenos conhecimentos do poder que tinha esta linhagem, por isso a queria para si. Uma prole perfeita, com aqueles olhos das trevas, do único ser que não conseguia ler a mente.

Por isso continuava com seus planos, se bem que sabia que todo vampiro adorava planejar, era quase como um passatempo, um hobby pessoal de cada Puro Sangue. Como fêmea, sabia do plano de qualquer um, uns a mente era tão distorcida que nem valia a pena tentar ler, outros queriam coisas pequenas que eram fáceis de se conseguir...

Mas com relação ao seu noivo, não fazia a menor idéia do que se passava por esse. Fêmeas Puro Sangue, onde entravam para uma família diferente, as Chartreux, tinham o poder de ler a mente, só precisava se concentrar em quem queria que podia ler, mas isso não significava que podiam entender muito dos planos.

Bem como, tinha estudado apenas um ramo da magia, a transmorfa, onde poderia agora facilmente tomar a aparência de quem queria. Claro, tinha alguns contras caso pegasse a aparência de um homem, e pelo tempo que conhecera o filho de Shisue, sabia que esse iria querer o que não podia dar. Todavia para isso, já tinha ótimas desculpas, umas até esfarrapadas, mas que sabia que daria.

Por hora, seria Nyha, portaria–se como Nyha e deixaria–se ser manipulada como Nyha.

“—Acho bom descansarmos ...” – Comentou Cain para os dois, onde já estavam no quarto da pensão.

“—Sim...” – Nyha andou cabisbaixo, sentando–se em uma cama e abaixando o rosto.

“—Ny...” – Guille sentiu–se culpado pelo estado que o ruivo estava, ele parecia tão triste, não demonstrava ser encenação.

“—Coisa loira.” – Chamara agora Yami, já possuindo o controle. “—‘Console’ o elfo, um ser que fica chorando pelos cantos não nos serve para nada.” – Olhou frio para o ruivo. “—Se fosse para ficar assim, ficasse com o navio.”

“—Você não entende...” – A voz embargada denunciava a tristeza, onde abraçava o próprio corpo. “—Ela estava tão triste quando falei com ela...”

“—Tanto faz. Ainda é cedo, vou ver o que encontro por aí.” – Avisara, já saindo do quarto.

O loirinho sorriu ao ver o outro sair, voltando–se então para o elfo. Caminhou a passos lentos até este, sentando–se ao seu lado e respirando fundo. Poderia dizer várias coisas, mas pelo que parecia Yami estava com a razão sobre o ruivo precisar de um consolo nessa hora.

“—Ny... Vou te ajudar a esquecer...”

O sorriso fraco quase mostrava que se sentia culpado pelo ato vil que fizera o outro cometer, apesar de estar contendo a felicidade por dentro. As mãos delicadas foram de encontro ao rosto próximo, trazendo–o para si em um beijo que não fora recusado.

Nyha abraçou–se ao loiro com um falso desespero, beijando–o com sofreguidão, puxando–o para si em meio às lágrimas que caíam de seu rosto. Querendo ou não ‘ela’ sentia–se elétrica por estar tão junto de uma prole de seu noivo, sabia o quão sádico e calculista esse podia ser.

Uma pena – extrema até – não ter puxado a aparência do pai...

O beijo continuara ardente, onde logo as mãos ousadas de Guille procuraram a intimidade do ruivo.

“—Pare!” – Este afastou–se, recuando na cama, abraçando–se em seguida. “—Isso não... Eu... Sou sujo... Eu...” – Os olhos azuis mostravam um extremo desespero.

“—Ny... Já passou, você se sentirá melhor... Venha, vou fazer de uma forma bem gostosa...” – Insinuou–se, engatinhando até perto.

“—Chega Guille! Dê um tempo! Eu matei minha irmã hoje!”

“— ...”

“—Por favor... Me deixe sozinho... Na cidade deve ter alguém muito disposto a te dar prazer também...”

“—Você fez a escolha certa ao matar a elfa... E sua historia foi muito boa...”

“—Eu fiz... Porque amo Vectorius, ela iria roubá–lo de mim.”

“—Isso... Ela iria...” – Um sorriso surgira no rosto afeminado. “—Mas irei respeitar, vou sair... De manhã eu volto, avise ao Cainzinho ou Yaminho quando voltarem.”

“—Obrigado...” – Murmurou, vendo–o sair do quarto.

Esperou um bom tempo ainda, para então começar a rir de forma desenfreada, virando–se na cama e batendo as pernas e braços nesta. Era diversão demais! Sempre gostara de agir em vez de ficar quieta em um canto usando os outros de peões – não que não usasse.

Depois de rir tanto, se acalmara, levando uma mão aos lábios e contornando–os.

“—Parece com o beijo dele...”

Eram Pai e Filho afinal, duas cobras peçonhentas, que queria muito provar do veneno. Pena que não podia provar do sangue do caçador, seria por demais divertido drenar todo o sangue desse loiro provocativo.

Realmente... Era uma pena Guille não ter puxado a aparência e porte do pai...

.

.

.

CONTINUA...

07/09/11

Nota da autora:

Desculpem-me pela demora, mas vocês já estão um tanto acostumados as minhas demoradas, não? XD

Nesse CAP eu sofri junto... Foi bem estranho escrever a parte do Oroi, todo aquele turbilhão de sentimentos que acometia-o e o levaram a loucura... Me deu pena, pena e tristeza do que o trançado passou.

Devem estar se perguntando: Se é assim, porque eu fiz isso. Era necessário, acreditem... Não sei o que segue a historia, se é tudo um plano meu ou de Shisue... É estranho eu ler caps anteriores e ver que mesmo a menor das coisas, tinha um ‘dedo’ do vilão no meio, mesmo este não tendo aparecido no inicio.

Agora acabou o lado ‘Dark’ do PM, eu estive focando muito nos vilões, não era? Com esse ultimo sadismo feito, agora vai ser mais com ‘Cain e sua turma’.

O que acharam do castigo do Shisue? Ainda tem muita coisa que não foi mostrada, e vocês vão sentir muita, mas muita pena ainda do Oroi....

Isso é só o

Ah! Eu ri MUITO, MAS MUITO do comentário da minha amiga ao beta xDDDD

Comentário da beta:

ME DIGA PORQUE?!!? PORQUE?!!?!!? Mimimimi ;^; Bem, eu simplesmente adorei o capítulo. Acho que é meu favorito até agora... Pelos menos tirando aquele que tinha o Dark com a fita, o guizo e... Ok, parei. Oroi está ficando louco, nossa, fiquei tão feliz quando li. Eu fiquei surtando de felicidade, rodopiando no quarto e /certo, parei de exageros. Mas ele vai ficar uma graça louco, tenho certeza. Ah, me deparei com algumas pérolas enquanto estava betando... Mestra, sinto muito, mas os leitores precisam ver isso. Meus comentários estão em itálico e os trechos retirados do PM em negrito.

“—Acho bom descascarmos...” – Comentou Cain para os dois, onde já estavam no quarto da pensão.

AHEUHUEAHEAUEAHEAUEAHEAUHAEUEAHEAUEAHUEAHEAUAEHAEUH SIM CAIN! DESCASQUE 8D

“—Você não entende...” – A voz chorosa denunciava o choro........

Jura? :D

...mas pelo que parecia Yami estava com a razão sobre o ruivo precisar de um consolo nessa hora.

HMMM, consooolo~

Nyha abraçou–se ao loiro com um falso desespero, beijando–o com sofreguidão, puxando–o para si em meio as lágrimas que caiam de seu rosto. Querendo ou não ‘ela’ sentia–se elétrica por conta de estar tão junto de uma prole de seu noivo, sabia o quão esse podia ser sádico e calculista.

ECA D: Heterossexualismo!!! E com o Guille! *Agoniza*

O beijo continuara ardente, onde logo as mãos ousadas de Guille procuraram a intimidade do ruivo.

“—Pare!”

Nyha! Seu seu seu eunuco! =x

Eu fiz... Porque amo Victorius, ela iria roubá–lo de mim.”

Veck e Vitor vão ter Victinhos/?

“—Parece com o beijo dele...”

IEEEEEEK D: Guille!!! Não se atreva a chegar perto do meu Oroi! Muito menos beijá–lo. D:

Encarem isso como... Uma espécie de extra. Ou erros de gravação... Ou sei lá – se e que a Mestra vai colocar on air. Enfim, abraços e até o próximo capítulo. Perdoem qualquer errinho...

By: Toynako