Prison Magic
28 Capítulo 28
Autora: Toynako
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Prison Magic
Capitulo 27 (ou 28, se for no Nyah!)
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Um par de olhos azuis olhavam cansados pela janela do alto do castelo de Even, aquela neve toda era em demasia chata, sem contar que aquele reino era tão parado que nada acontecia de bom. E sabia de quem era a culpa.
Queria tanto conhecer o reino do sol, onde diziam que era o mais belo reino que existia. Só que Radiance era para poucos, ele era só para os ‘humanos’. Nenhum ser de outra espécie conseguia botar sequer os pés naquele lugar.
Havia uma barreira protetora forte ali, algo que os bispos cultivavam dia após dia, onde era regado pelo sangue da Rainha sempre. Radiance não era de muitos herdeiros, apenas o primeiro filho cuidaria de tudo. A menos, é claro se este pudesse nascer com olhos roxos.
Neste caso, a Rainha era deixada viva por mais tempo, até conseguir gerar um verdadeiro herdeiro para o lugar. O que causava certo desequilíbrio na barreira por alguns anos.
“— Cain e Tamako... Que terrível destino vocês tem. Evangeline deve estar tão triste...” – Murmurou, sentindo um vento gélido bater de encontro a si.
Sabia de tudo, tudo que tivesse interesse, é claro. Os anos de vida o ajudaram em tal busca. E Radiance era uma de suas maiores curiosidades. Talvez não só para ele, quase todos os Puros Sangue tinham tal fascinação pelo lugar.
Acabou que soltou um suspiro longo, cansado de esperar o regresso do servo loiro de seu adorável sobrinho.
“— Irei atrás.” – Falou decidido, levando as mãos ao cabelo completamente branco, prendendo melhor o rabo de cavalo no alto da cabeça.
Richard olhou de um lado ao outro, ignorando a pomposidade daquele cômodo. Já havia morado ali mesmo, antes, bem antes, quando eram só ele e seu irmão. Antes deste se juntar a fêmea Primordial.
Deu de ombros, pegando seu rumo para ir falar com o atual dono daquele lugar, afinal, já fazia muito tempo que Vitor havia ido chamar este. Pobrezinho, deveria ter se perdido no lugar por causa das pirralhices do filhote dos Abyssinians.
Abriu a porta grande do cômodo e saiu, começando a vagar pelos corredores. Por sorte, era tão bom quanto seu bebê em andar por ali, sempre achava o que queria rapidamente. Só que desta vez, não sabia em qual sala o moreno estaria.
E aquele gato rejeitado deixava seu cheiro em tudo que era lugar, parecia querer provar que aquele castelo era seu, não só o castelo, pois Even era governada por ele também. E ninguém se recusaria a isto, se não era morte na certa.
O único modo encontrado de achar logo o filhote era ir de sala em sala, procurar em todas as que ele tinha transformado em ‘sala de tortura’. Coisa de vampiro insano isso, aquele habito devia ser mudado logo, se não ninguém o amaria.
Acabou que parou de andar de uma hora para outra, sentindo um cheiro familiar, algo que o fez estreitar o olhar de forma sombria até, deixando de lado o suntuoso rosto risonho que sempre possuía.
Andou rápido então, indo certeiro para onde queria. Vendo seu não mais adorável sobrinho abrir a porta com um sorriso de orelha a orelha, arrastando pelos extremamente belos cabelos prateados seu amado bebê.
“— Vectorius!!” – Gritou o nome deste, andando rápido até os dois.
Shisue ergueu o olhar, vendo aquele vulto branco e quase fantasmagórico se aproximar com tanta raiva que já sabia perfeitamente o que era. Soltou o cabelo da cria, ignorando o fato deste cair no chão, quase que desmaiado.
Riu baixo, dando um passo e ficando a frente deste, confrontando aquele olhar azul, com altivez.
“— O queres quer aqui, desgraçado?” – Indagou o de cabelo negro.
“— Morar!” – Gritou o outro.
“— Teu filho te abandonou? Que triste...” – Riu alto novamente em puro deboche, ainda bloqueando a passagem dele para a sua cria.
“— De quem será a culpa disso, filhote?” – O tom raivoso na voz se fazia presente.
“— Minha, é claro.” – Gabou-se, achando é graça da cara raivosa do outro.
Só que sua atenção fora desviado para algo vermelho no chão, guiou o olhar negro para isto então, notando ser sangue, e pelo cheiro doce que vinha dali sabia de quem era o dono.
Virou-se um pouco, lambendo os lábios perante o quadro tão belo ali. Vectorius, sua bela cria, jogado ao chão completamente despido, onde sangue saia abundante das mordidas brutas que tinha feito no próprio.
A língua deslizou de modo atrevido pelo canino, cortando-se um pouco e sentindo o próprio gosto do sangue enquanto contemplava a bela moldura vermelho carmesim em volta dele.
Fora o castigo por não ter o obedecido e se ‘animado’ com Oroi. Alem, é claro, daquele bate boca sem sentido algum que eles ficaram travando. Desviou seu olhar dele para dentro da sala, vendo seu outro servo no chão, ofegante e com um sorriso vulpino e satisfeito nos lábios.
Diferente da palidez mórbida e da expressão de nojo que tinha no rosto da sua real cria, aquele lá estava contente com tudo, tentando normalizar a respiração para voltar as suas funções.
Não era para menos, fazia meses que não tocava de uma forma mais íntima e pecaminosa aquele vampirinho. Talvez devesse dar mais atenção a este, já que ele aceitava a tudo de tão bom grado.
Mas é claro, em outra hora, agora tinha que dar um jeito no Primordial ali.
“— Olhe para mim!” – Bradou Richard, recuando um passo e tentando ver o que o fazia olhar tão fixo.
Os olhos azuis se arregalaram, estremecendo da cabeça aos pés, vendo o estado que ele tinha deixado seu amado bebê, e aquele sangue espalhando-se pelo chão. Fora o cheiro frutífero que este tinha que atraiu-o para ali, só um vampiro tinha aquele cheiro no sangue.
“— No tempo que eu estiver aqui, você não tocará no meu bebê!” – Avisou, fechando o punho com força, tentando controlar sua repentina raiva por tudo aquilo.
“— Pare de caducar...” – O moreno revirou os olhos em descaso, voltando sua atenção para aquele parente inconveniente ali.
“— Ele é só uma criança! Seu pedófilo! ”
“— Criança? ” – Zombou do que ele tinha falado, negando brevemente com a cabeça. “— Francamente Richard, minha cria já é um homem a tempos, se não percebeu ele já tem mais de trezentos anos... ” – Soltou risinho, não acreditando que ele realmente achasse que aquilo era uma criança.
“— ... ” – Ficou mudo, mordendo o lábio inferior sem saber o que dizer. “— Mas a aparência dele é de uma... Não quero que meu bebê, fique nas tuas mãos. Eu sou o pai dele, eu decido.”
Shisue olhou para cima, como se pedisse paciência por conta das idiotices que aquele Primordial falava. Sabia que ele não dizia coisa com coisa, tanto que nem o Caçador filho dele o aturava mais.
“— Não é porque irias adotá-lo que és pai dele.” – Voltou a fitar este, achando absurdo ter que repetir que ele e Vectorius não eram nada. “—Seu filho é outro. Um cachorro que mesmo sendo o líder dos Caçadores, ainda abana o rabo para mim!” – Alfinetou-o por fim.
As auras de ambos aumentaram completamente hostis, fazendo o clima ali ficar pesado e deveras tenso. Não era para menos, ambos estavam irritados com a situação, e qualquer ação poderia acarretar em uma luta sem sentido no momento.
Oroi estranhou o clima do lado de fora da sala, sem saber ainda o que se seguia ali. Respirou fundo mais uma vez, olhando apressados para os lados, levantando-se e pegando suas roupas, vestindo-as de qualquer forma.
Arrumou um pouco a trança e saiu, dando de cara com Vectorius no chão, naquele estado deplorável. Abaixou-se ao lado dele, pegando-o e colocando-o em seu colo para pelo menos ele não ficar lá no chão.
Não tinha nada contra aquela cria de seu Mestre. Certo que ele tomou seu lugar na cama dele por alguns meses, e ainda quando se encontrou com a Lucy a fez chorar por motivos bobos e até infantis, mas nada disso justificava deixá-lo ali.
Já iria levá-lo para o quarto quando os olhos jades se fixam no outro ser ali, só notando-o agora, engolindo em seco, estranhando aquilo. Da ultima a vez que havia visto aquele vampiro este era tão calmo e brincalhão, e agora estava sério e até raivoso como seu Mestre.
Não saiba como ajudar naquilo, era melhor ficar quieto, e esperar os ânimos se acalmarem um pouco para levar o outro ferido para o quarto, depois ir tomar um bom banho e para ir ver como a senhorita Lucy estava.
“— Infelizmente para você, ele é minha cria, obedecerá a mim!” – Riu alto o moreno. “— E acho que não vais querer infringir tal regra... Seu amado filhinho pode mandar os caçadores ao teu encalço.”
“— Pierre não faria isso...”
“— Não? Ele te expulsou não?” – Lambeu os lábios com perversão. “— Você deve ter sido escaldado e chutado como um gato sarnento!” – Riu baixinho. “— Engraçado, fora bem como eu mandei.”
“— Filhote mal criado!” – Bradou novamente, estreitando o olhar azul.
“— Mal criado, eu?” – Falou de modo zombeiro, levando a mão ao peito para dar ênfase ao drama. “— Cresci sozinho, me criei sozinho.”
“— E morrerá sozinho...” – Comentou amargurado.
Desviou o olhar azul para seu bebê, notando-o sendo segurado com zelo por aquele outro servo de seu sobrinho. Pelo menos, parecia que a loucura daquele filhote desmamado não passara para todos. Mas o olhar esverdeado olhava apreensivo para tudo ali, como se tivesse medo do destino do Mestre.
“— Arrastarei todos os gatos de olhos azuis comigo.” – Disse, notando uma movimentação atrás de si.
O Primordial iria reclamar novamente com Shisue, mas desistiu de fazer isso, aquietando os ânimos ao ver o servo dele depositar Vectorius no chão e se levantar, segurando de modo tristonho a manga da camisa do seu sobrinho.
Respirou fundo, levando uma mão as têmporas e massageando-a lentamente, para se acalmar. Não havia sentido naquilo, ainda mais com o outro naquele estado no chão.
“— Achou finalmente alguém que te ama e que possui olhos verdes...” – Comentou Richard, olhando de Oroi para Shisue. “— Devia contentar-se e retribuir tal amor.”
“— Um Primordial falando de amor chega a ser cômico.” – Rebateu este.
“— ... Não é por sermos vampiros que devemos ser loucos e morder qualquer coisa que se mova, muito menos matar por diversão.” – Respirou fundo, voltando a sorrir, e tendo uma face bem mais descontraída. “— Eu amo sim, amo meu filho, amo meu bebê, amo os humanos e essa luta constante em busca do ‘amor’.” – Sorriu mais, lembrando-se de seu filho. “— Mesmo sem saber amar, um Puro Sangue pode aprender. Mesmo que tal amor vire distorcido... Isso é algo que eu ainda estou aprendendo, nem com meus mais de cinco mil anos, aprendi tal coisa direito...”
“— Comovente o monólogo...” – Respirou fundo, olhando para o lado em descaso, pouco ligando para o que ele achava de tudo aquilo. “— Faça o que quiser, mandarei Vitor ficar de olho em você.”
“— Pobrezinho...” – Olhou de um lado ao outro, como se procurasse por esse. “— Ele iria avisá-lo de minha presença, mas acho que se perdeu.”
“— Sim. E mexeu onde não devia...” – Falou raivoso, sabendo de tudo que acontecia ali em sua morada.
“— Bem, mesmo assim, obrigado sobrinho. Amo-te, viu?” – Sorriu amigável. “— Irei pegar meu amado bebê.”
Shisue deu de ombros, puxando Oroi pela cintura para ficar longe daquilo. Tudo o que menos queria era outro servo sendo ‘amado’ por aquela coisa de cabelos brancos. Ainda mais a sua criança.
Mas acabou soltando um muxoxo meio raivoso, vendo sua cria nos braços daquele inconsistente, franzindo o cenho perante a cena. Entretanto logo respirou fundo, tinha coisas a fazer e a principal era ver se Vitor havia feito algo.
“— Mestre...” – Chamou Oroi, assim que Richard saiu e desapareceu pelos corredores. “— O senhor precisará de mim?” – Deu leves puxões na roupa, de uma forma até tímida. “— Ou devo ir a-”
O trançado mal conseguiu terminar sua frase, pois de súbito fora agarrado mais pelo seu Mestre e beijado de forma profunda. Derreteu-se todo com aquele ato, levando as mãos para os ombros do maior, deslizando por ali até que o abraçou pelo pescoço.
Sorria entre o beijo, sentindo o mais velho aprofundá-lo mais ainda, de uma forma tão estonteante que até estava com dificuldades de respirar, mas entregava-se todo ao ato. Soltando logo um gemido baixo em misto de dor e prazer ao sentir a língua ser cortada pelos caninos levemente afiados do seu Mestre.
Animou-se mais ainda, com o toque ousado da mão do mais velho, deslizando pelo seu corpo de forma faminta até — mesmo que há poucos minutos estivesse o saciado bastante. Onde uma destas subiu lentamente pela coluna, arranhando-a de leve e o fazendo soltar um gemido desejoso.
Puxou mais ele para si, igualando um pouco o ato dele e fincando-lhe as unhas na nuca e costas, dando-lhe aquela dor que sabia que este também desejava. Só não diria que era uma mania de todo vampiro gostar de dor, porque Vitor não gostava nem de receber e muito menos gerar dor a qualquer ser. A menos que lhe fosse mandado.
Mas, agora aquele beijo era sangrento, onde Oroi também mordiscou a língua do mais velho, fazendo algo ficar banhado no pecado que eram suas existências, naquela mistura insana de sangue e saliva, ao passo que suas bocas se procuravam mais ainda, como se não tivessem se encontrado por um longo período – o que não era de todo uma mentira.
Um beijo banhado em sangue era como se cada um tentasse tomar a vida do outro, pela voracidade cujo suas bocas se sorviam, que o sangue escorria delas e descia para o queixo.
Aos poucos o Puro Sangue largava o servo, olhando atentamente para os lábios dele sujos de sangue. Aproximou-se e lambeu o rastro de sangue que descia pela lateral da boca dele, dando uma lambida nos lábios. Para depois lamber os próprios, passando um dedo pelo sangue que escorria.
Lambeu o próprio dedo, da base a ponta, deslizando a ponta da língua por este, com uma perversão tão grande que notara o outro ser ali bem próximo ofegar. Possivelmente imaginando outra coisa daquela cena.
“— Sua existência está ligada a minha, não perderá mais um Mestre...” – Murmurou baixo, sorrindo malicioso de lado.
“— Sou...” – Parou para respirar, tentando se acalmar um pouco das tantas sensações que teve, ainda mais daquela frase dita pelo mais velho. “— Sou seu, sua ferramenta, me use como bem entender... Meu Mestre.” – Avisou com o tom de voz amoroso, completamente feliz pelo ato de instante atrás.
“— Cuide de seus afazeres, minha criança.” – Afastou-se dele, olhando de canto de olho pelo caminho que o Primordial tinha ido. “— Tenho algo para fazer, e, possivelmente terei uma nova função para você.”
“— Estou a vossa disposição.” – Sorriu-lhe polidamente.
“— Não saia de perto de Lucy... Sem minha presença em Even, isto se tornará um caos...”
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“— Senhor Richard, estou as suas ordens...” – Balbuciou Vitor, parando de frente ao corredor.
O louro respirou fundo, havia se passado uma semana desde que o outro vampiro havia aparecido naquela casa, e esta já estava praticamente de pernas para o ar. Paredes se quebravam, coisas mudavam de lugar – mais que antigamente.
Uma hora o castelo todo estava verde, na outra estava azul, e agora, tinha terminado de arrumar a cor ‘rosa’ que estava o castelo, o dono deste só não surtou de vez e quase o botou abaixo por não estar no reino de Even.
Fora um monte de gatos que o Primordial fizera aparecer no lugar, agora, tinha gato para tudo que era lado. Fêmeas, machos, prenhas, filhotes, todas as cores e tipos, todas as raças e tamanhos. De fato, não era à toa que o sobrenome era Abyssinian.
Por isso suspirava ao ficar de frente com aquele vampiro doido, que ficava usando magias inúteis – para não dizer fúteis – para modificar as coisas. Por sorte, conseguira arrumar tudo – fora os gatos. Afinal, estava realmente um tanto estranho morar em uma coisa rosa. Mas por conta disto virara a ‘babá’ daquele mais velho.
Era melhor ficar cuidando de perto dele.
“— Você vem sempre aqui?” – Comentou sorridente ao ver este, recebendo o olhar sério e morto dele, o fazendo até desanimar ante a graça que tinha feito. “— Tudo bem... Mas se não posso fazer nada, o que se pode fazer aqui?” – Respirou fundo, soltando um muxoxo chateado.
“— Nada...” – Respondera o outro, continuando com o olhar fixo nele.
“— Mas... O que faz aqui para se divertir?”
“— Treino magia e esgrima.”
“— Isso é divertido?”
“— Pareço feliz?” – Arqueou uma sobrancelha, realçando bem que ali não tinha nada de útil a se fazer.
“— Não...” – Abaixou o olhar, de uma forma um tanto triste agora. “— Deves sair à noite causando desgraça ao vilarejo próximo...” – Murmurou.
“— Errado. Mesmo que eu ache humanos mais inferiores que vermes, isso não quer dizer que serei como meu Mestre... Exceto, é claro, se for uma ordem do mesmo.”
“— E mulheres, digo, diversão com estas ou... Homens talvez...” – Lambeu os lábios disfarçadamente, olhando-o com interesse.
“— Não sou obrigado a responder tuas perguntas.” – Disse-lhe frio, entendendo um pouco o porquê de seu Mestre o detestar.
“— Porque não? Conversar faz bem.”
“— ...” – Preferiu ficar mudo.
“— Entendo... Você parece bastante como meu filhinho.”
“— Ah...” – Falou baixo, sem um pingo de interesse no assunto.
“— Sim. Ele é lindo, um pouco frio, mas lindo... Seu jeito me lembra ele.”
“— Interessante...”
“— São idênticos!” – Apontou para ele, rindo baixinho, simpatizando completamente com aquela cria de seu sobrinho.
“— Se quer conversar, tudo bem, só não me associe com Puro Sangue loucos...” – Estreitou o olhar esverdeado.
“— Puro Sangue? Não, não... Meu filhinho é um humano... Quer dizer, um Caçador, o líder da associação.”
“— Líder!?” – Espantou-se, olhando abismado para o outro mais velho ali. “Porque sempre se meto com algum Caçador...?” – Pensou por fim.
“— Fofo não? Ele é o orgulho do papai. E pensar que ele que criou aquela burocracia toda... Cansa-me só de relembrar o trabalho que ele teve.”
“— Notei...” – O tom na voz era um pouco mais interessado no assunto, apesar de ainda não se sentir a vontade com aquele olhar penetrante azul.
“— Filhote, vamos tomar um chá para conversarmos mais?”
“— Chá...?” – Perguntou incrédulo de que era aquilo mesmo que ele queria.
“— Sim, chá. Ultimamente viciei nisto. É intrigante tal alimento humano com gosto amargo... ”
“— Certo...” – Acabou concordando, era melhor que ficar parado no meio do corredor conversando com aquele Primordial louco. “— Só não estou em condições de lhe guiar pelo lugar... Como pode ter notado, as coisas mudaram novamente de lugar” – O olhar verde voltou-se para baixo, arqueando a sobrancelha ao ter um gato amarelo-alaranjado se esfregando em sua perna.
“— Eu nunca me perco.” – Comentou, tomando a atenção do loiro novamente.
“— Convencido...” – Murmurou, sem nem notar tal fato, só percebendo quando o azul intenso estreitou o olhar. “— Desculpe, não quis ofender.”
“— Tudo bem, não precisa me tratar diferente, só por ser um Puro Sangue.” – Comentou animado, tomando o rumo para onde queria.
“ Não me parecia isso...” – Pensou, indo atrás do outro.
Pelo caminho, Vitor mandara um servo qualquer lhe trazer o que era pedido, para que assim pudessem ficar em paz. Ambos então começaram a andar pelo castelo, não demorando quase nada para encontrar uma sacada grande em uma das torres altas daquele lugar.
O vento gélido de Even passava pelos dois, fazendo os cabelos e roupas de ambos balançarem. Mas, também, nada mais que isso, já que os vampiros não chegavam a notar o quão gelado estava ali fora.
O louro deu um suspiro, se movendo em passadas firmes, indo logo para a delicada mesa esbranquiçada redonda, onde ficava bem próxima a sacada. Virou-se um pouco, notando o sorriso de lado daquele outro vampiro, já sabendo que coisa boa daquele ali não devia ser.
Puxou uma cadeira, apontando educadamente para que o ser de longos cabelos brancos — branco como a neve de Even — sentasse-se naquele lugar, se afastando quando este fizera tal coisa, indo para a cadeira ao lado.
“— Estou aqui apenas para lhe vigiar...” – Avisou o Classe B, dando ênfase no ‘apenas’.
“— Que pena...” – Entristeceu-se, sem fingimento. “— Pensei que estivesse aqui porque queria...” – Comentou, recaindo o olhar azulado no esverdeado.
“— Por isto expliquei isto logo.” – Falou frio apesar de calmo.
“— Não queria ficar sozinho...”
“— Para um Primordial, não és um tanto... Estranho?”
“— Não é por eu ser um vampiro que tenho que ser calculista e ardiloso...” – Sorriu alegre, lambendo os lábios. “— Mas esqueça isso filhote... Conte-me sobre quando era um humano.” – Os olhos brilharam em pura curiosidade.
“— Humano?” – Bufou, olhando para o lado. “— Não quero me lembrar que fui tal ser nojento.” – Reclamou.
“— O que aconteceu filhote... Conte-me...”
“— Humanos são sujos e repugnantes, como ratos. São como cobras, covardes e traiçoeiras. Tecem teias de mentiras, como aranhas!”
“— ...” – Espantou-se com aquela fala do outro, soltando um suspiro longo. “— Se não quer me contar tudo, pode me responder algumas perguntas apenas?”
“— Porque quer tanto saber sobre mim?”
“— Talvez por você ser parecido com meu filho.”
“— ... Pois bem, pode perguntar.” – Deu-se por vencido, afinal, teria que ficar com ele mesmo.
“— Vamos começar pelo básico...” – Sorriu de orelha a orelha, olhando-o de cima a baixo “— Nome e a idade, a atual é claro.”
“— Vitor Áster... E sobre minha idade, não me lembro mais, mas devo ter em torno de cento e trinta a cento e quarenta.” – Deu de ombros.
“— Porque o filhote dos Abyssinians te vampirizou?” – Sorriu de lado, um tanto pervertido até. “— Digo, está longe do ideal dele... Exceto pela cor do olho.”
“— Não faço à menor ideia. Talvez pela minha vontade de morrer naquela noite...” – Fechou o punho com força, mas logo se acalmando. “— Ou por causa dos meus olhos. ”
“— Ainda come comida humana ou só se alimenta de sangue?”
“— Só sangue me alimenta... Mas às vezes como algo humano, só não sei o motivo de fazer isso...”
“— Homens ou mulheres?”
“— Tudo é alimento...”
O risinho baixo do outro lhe fez arquear uma sobrancelha. Claro que sabia da pergunta que ele lhe fez, só que não achava lógico ficar respondendo aquele questionário. Porém, tinha que ficar de olho naquele ser.
“— Prefiro mulheres.” – Respondeu novamente a pergunta, notando o outro estreitar os olhos em desaprovação.
“— Entendo. Sádico ou masoquista?”
“— ...Nenhum dos dois. Sou normal.”
“— Já se apaixonou?”
“— ...” – Desta vez ficou mudo, não querendo responder aquela pergunta.
“— Me responda.” – Falou sério, meio raivoso por ter sido ignorado.
“ Uma vez Puro Sangue, sempre Puro Sangue...” – Pensou, respirando fundo em seguida. “— Já. Uma vez, quando ainda era humano... Amava a minha esposa.”
“— Foi casado então... E como é amar?”
“— É querer estar perto, proteger... Ajudar no que for necessário...” – Parou de falar, mordendo de leve o lábio inferior.
Acabou lembrando-se do loirinho, aquele Caçador sádico e deveras egoísta. Recordando principalmente que não o via há tempos e que precisava avisar diversas coisas para iniciar um plano novo.
“— É querer morder também?” – Indagou-lhe, com uma curiosidade quase infantil.
“— Eu fui casado ainda quando era humano.”
“— Porque o único ser cujo quero realmente morder, não me é permitido tal ato...?” –Ficou a cutucar a mesa branca, deslizando o dedo por ela. “— Pierre... Bonito nome não? Fora a mãe dele que escolheu.”
“— Como ela era? Não a amou?”
“— Era uma morena sádica... mas preferiu morrer como humana. E não a impedi. ” – Olhou para cima, para o céu que escurecia mais e mais. “— A amei sim, da mesma forma como amo meu filho, meu sobrinho, meus gatos, meu bebe, os humanos e você.”
“— Falando assim, parece que não sabe o significado da palavra...”
“— O da palavra eu sei, só não a compreendo em pratica.” – Riu baixinho. “— Me ensina?”
Dito isso o mais velho se levantou, dando pequenos passos até onde o loiro estava sentado. Deslizou as pontas dos dedos pelos fios claros daquele cabelo, notando as pontas destes meio queimadas, mas que com aquele corte desigual ficava extremamente bonito, deixando o rosto mais másculo até.
Adorava este tipo.
Parou atrás dele, levando agora as mãos — um tanto gélidas demais — para os ombros dele, massageando-o de leve, e rindo baixinho ao notá-lo tenso. Inclinou-se um pouco então, deslizando a língua sobre a orelha, assoprando de leve na mesma depois.
“— Eu adoraria te usar...” – Sussurrou-lhe como um segredo. “— Podemos fazer as escondidas, sem meu adorável sobrinho saber...”
“— Lamento, mas logo terei que ir para meu treinamento...” – Desconversou-o, sem um pingo de interesse naquele assunto.
“— Serei delicado... Aposto que te farei gemer mais do que você faz gemer tuas mulheres...”
“— Teu chá chegou.” – Avisou com asco daquele ser, apontando depois para dois servos trazendo bandejas.
Os servos ficaram tensos por um instante, mas logo se aproximaram da mesa, ajeitando tudo que era necessário, se curvando polidamente e saindo em seguida, sem nenhum deles querer tomar algum tempo daqueles seres imortais.
O Primordial apenas respirou fundo, sorrindo todo o tempo em que os garotos arrumavam tudo, por fim, fora novamente para a cadeira que estava antes, sentando-se nesta.
Olhou bem para o conjunto de xícaras belíssimo que estava sobre aquela mesa, não demorando em levar sua mão para a sua xícara, segurando-a pela asa com graça. Levou a porcelana aos lábios, provando daquele sabor, mas logo afastou de si, pousando-a na mesa novamente.
“— Está doce...” – Murmurou contrariado. “— Se suponha que chá era para ser amargo não?” – Sibilou, olhando aquele líquido de coloração verde.
“— O gosto de meu Mestre é esse...” – Pegou a sua xícara, provando-a também. “— E, para mim, está normal...” – Comentou, tomando pacientemente aquilo.
“— Odeio coisas doces...” – Reclamou, pegando a xícara e colocando mais perto do louro. “— Filhote, me empreste sua mão?”
Vitor deu de ombros lentamente, parando de tomar aquele liquido e colocando a porcelana no pires, estendendo a mão para o outro, como lhe fora pedida. Mas, sabia que algo estava errado naquele pedido, tanto que não estranhou quando a mão fria segurou-lhe e puxou mais o braço em direção a xícara dele.
Iria até perguntar o que ele queria, mas de seus lábios só saiu um grito de dor, por causa da ação súbita do outro, tentando puxar a mão com força. Engolindo em seco ao notar eu esta nem saia um centímetro do lugar, não importando o quanto de força usasse. E que o dono daqueles olhos azuis não fazia o menor esforço para manter sua mão presa ali.
Agora entendeu o motivo de ele ter lhe pedido para estender a mão, quando sentiu as unhas dele realmente dilacerando seu pulso, como se fosse papel ou algo até mais frágil que isso, fazendo um forte profundo onde o sangue escorria.
E este, continuava a cortar, não deixando sua cicatrização agir, só parou de fazer isso, quando o sangue transbordou da xícara, se misturando ao chá que já tinha lá. Só assim, pode enfim tirar sua mão de perto dele, ficando a lamber o local ferido até cicatrizar. Ao que o outro deliciava-se em lamber os dedos sujos de sangue.
“— Custava ter pedido?” – Balbuciou Vitor, terminando de fazer cicatrizar o ferimento. “— Eu mesmo poderia ter feito isso.”
“— Lamento, esqueci que não era masoquista...” – Comentou mas, de fato, não se importou com a dor alheia.
“— Não é isso o que me parece...” – Murmurou bem baixo. “— Mas tudo bem.” – Ignorou isso, não era a primeira e nem a última dor que iria sentir na sua morte.
O Classe B já estava acostumado com tanta dor sentida, também, não era para menos depois de tantos anos vivendo com um sádico, acabou o fazendo relevar tal coisa. Relevar apenas, pois não gostava de receber esta.
Nunca fora ‘treinado’ para isso como sabia que Vectorius fora, por este fato sentia-se pouco a vontade em se ferido e muito menos – em hipótese alguma – sentia prazer com isso.
Ficou então a lamber o próprio pulso, ajudando na cicatrização do mesmo. Não compreendia como aquele vampiro tão velho, um Primordial portava-se de uma forma tão infantil em alguns momentos e tão insano em outros. E, fazia ambos com tanta naturalidade que talvez nem este notasse suas mudanças de comportamento — ou as relevava.
Era estranho aquele Puro Sangue, mas também, todos os que havia conhecido eram estranhos.
“— Queria ser uma fêmea para saber o que está se passando por sua cabeça, filhote...”
“— Meu Mestre não me explicou nada sobre a ‘morte’. O que sei, descobri sozinho, por conta dessa curiosidade adquirida.” – Comentou, voltando a tomar alguns goles do seu chá.
“— Quer saber? Está curioso o suficiente para correr riscos e descobrir mais? ” – Indagou-lhe sério, mas tinha uma certa ironia no que dizia.
“— ‘Eu’ não sou curioso, mas adquiri tal coisa na noite em que morri.”
“— Lamento, nós Primordiais, somos extremamente curiosos...”
“— Há mais primordiais?” – Pousou a xícara na mesa, com uma repentina curiosidade sobre o tema.
Se soubesse de mais, poderia ser de mais ajuda ao Guille. E, por conseqüência disto, conseguiria matar mais facilmente aquele tirano que era seu Mestre. Só, que isso não significava aceitar tudo que aquele Primordial poderia querer.
Por hora iria ficar quieto, fingindo um pouco de interesse no tema.
“— Sim, éramos quatro a princípio, somos os Primordiais. Depois, na mistura de nossos sangues os Puro Sangue apareceram... Incesto para vampiros não é nada.” – Explicou-lhe.
“— Então todos os Puro Sangue são Abyssinians...” – Comentou pensativo.
“— Bem esperto, filhote.” – Riu irônico.
“— Talvez você possa me dar algo que eu queira...” – Murmurou baixo, como se ainda pensasse consigo mesmo.
“— E o que seria isso?”
“— Liberdade, não importando a forma que eu conseguir...” – Respondeu-lhe, com um sorriso de desgosto na face.
“— Cuidado, muitos se aproveitarão de tal desejo...” – Lambeu o lábio inferior, tomando os goles restante do seu chá sangrento. “— O que te faz pensar que eu não me aproveitaria de ti?”
“— Não serias o primeiro e muito menos o último.” – Respondeu-lhe com asco.
O vampiro Primordial apenas começou a rir de um jeito bem infantil, contente pela resposta dele. Era raro achar algum vampiro que lhe interessasse desta forma. Mas assustava-o ao seu filho, pois o jeito de ambos era um tanto parecido.
Os olhos azuis — um tanto felinos — estreitaram-se, brilhando uma forma maliciosa tirando aquele ar infantil que normalmente tinha em seu rosto. Desta vez faria algo diferente, iria fazê-lo desejá-lo um pouco.
Puxou a sua xícara vazia e deixou-a bem perto, para logo levar uma mão ao pulso, cortando-o lentamente — para apreciar a dor — ao que via com encanto um filete grosso do próprio sangue escorrer até a xícara, enchendo-a lentamente.
Vitor arregalou os olhos, sentindo sua boca salivar perante o cheiro que exalava daquele líquido. Os olhos verdes focaram-se, por instinto, naquele ser. Desejou aquele sangue como nunca antes havia desejado sangue algum.
Sentia-se cativado, completamente preso pelo aroma que se espalhava, pelo vermelho que descia — tão instigante. Acabou soltando um suspiro longo ao ver aquele pulso cicatrizar e o sangue parar de escorrer quando o recipiente estava quase cheio.
“— Então Vitor...” – Chamou-o finalmente pelo nome. “— Quem sabe possamos nos entender...”
“— O que quer de mim?” – Tentou desviar o olhar, mas fora em vão.
“— Fora ‘você’, quero que se junte aos meus planos...”
“ Um Guille ativo, que azar... ” – Pensou, olhando para os olhos azuis do outro e avaliando a situação. “— Não irei me submeter a ti, já é humilhação demais ter que fazer isso para meu Mestre.”
“— Beba... Prove...” – Ofereceu-lhe a xícara, com um sorriso perverso nos lábios.
O louro olhou sem entender aquilo. Notando que devia ser esse um dos motivos que fora mandado cuidar daquele vampiro. Parecia que um queria aniquilar o outro, ou coisa do gênero. E, sabia que se ficasse perto deste iria descobrir mais coisas.
Soltou um suspiro longo, focando novamente seu olhar verde vivo naquele sangue. Só sentir o cheiro deste o atiçava. Talvez fosse por esse motivo que Oroi era tão apaixonado pelo seu Mestre.
E se aquele sangue o dominasse? Ficasse a mercê do Primordial como um cordeiro — tal como Oroi -, ou pior, o fizesse abandonar os próprios planos e princípios. Mas, por fim, não conseguiu resistir a tentação de levar sua mão a asa da xícara, pegando-a e trazendo a mesma mais par si.
Não se importou com isso – aquele cheiro o dominava -, bem como não ligou para os passos traiçoeiros até do mais velho vindo para perto de si novamente, abraçando-o pelo pescoço por trás.
O loirinho iria o matar certamente se soubesse de tal associação. Por outro lado, não tinha visto o mesmo a quase dois anos, e por conta disto, tinha que focar-se apenas na sua própria liberdade.
Guille era passado...
Sim. Sempre fora.
Engraçada fora a primeira vez que haviam se visto... Fora tão... Diferente.
“— Eu...” – Balbuciou Vitor, olhando fixamente para o vermelho no recipiente. “ Esse cheiro está turvando minha mente...” – Pensou, pousando novamente a xícara onde estava.
“— Pensando em mim?” – Gracejou o de olhos azuis, olhando-o de lado, ainda bem abraçado a ele.
“— Não... Pensava em um... Amigo.”
“— Guille não é amigo nem da própria sombra.” – Chiou, com a voz irritada por ele ter mencionando o Caçador loiro. “— Este apenas olha para ele mesmo... Junte-se a mim, prove... Prove do meu sangue...”
Vitor voltou sua atenção para aquela adorável xícara sobre a mesa, onde o sangue parecia extremamente tentador. Não resistiu novamente, estendendo a mão até aquilo novamente, mas desta vez um tento receoso.
Algo lhe dizia para não fazer aquilo, era um sentimento estranho. Acabou que reteve a respiração por alguns instantes, sentindo uma mão em seus cabelos, segurando-os com força como que para obrigá-lo afazer logo o que devia — ou não — ser feito.
“— Não pense que você é dono do teu próprio destino.” – Sorriu pervertido, segurando mais ainda os cabelos. “— Você segue apenas o mais forte, quem te comande. Não tens direito de escolha, quem conseguir te domar melhor ganha.”
“ Isso é o que pensam...” – Pensou, um tanto amargurado com o próprio destino.
Não se fez mais de rogado então, levou a xícara aos lábios, provando com lentidão aquele sangue. Estremecera da cabeça aos pés, arregalando os olhos verdes ante ao gosto que aquilo possuía.
Era doce, era amargo. Era quente, era frio. Era a vida, era a morte.
Era tudo.
Era sangue puro.
Fechou os olhos, tomando em um único gole aquilo – com fome repentina -, jogando a delicada xícara no chão em seguida, ignorando o fato desta ter se quebrado toda com seu ato.
Ficou um bom tempo parado, como se estivesse chocado com o que tinha sentido. Era algo tão confuso para si, que chegava a ser inexplicável. Sentia-se como se pudesse ficar louco com tal sangue, provando-o ou não.
“— Delicioso, não?” – Sussurrou Richard, como se fosse a própria encarnação do pecado. “— É meu ‘néctar’... O sangue mais puro que você se quer um dia pensou em provar...”
“— Esse sangue... Me deixa...” – Calou-se, não achando uma palavra para denominá-lo.
“— Insano?” – Uma terceira voz se fez presente no lugar, completando a frase pendente no ar.
Richard soltou-se do louro, olhando sorridente para quem havia chegado.
“— Sim, meu bebê, meu sangue é o sabor da insanidade... Se lembra deste sabor até hoje não...?”
O louro se virou um pouco na cadeira, para ver quem era a terceira pessoa ali. Fora impossível não abrir a boca, como se o chão tivesse saído de baixo de seus pés. Aquele ser, daquela forma?
“— Devo um castigo a você, por ter tocado no que é meu.” – A voz do invasor era deslizante, cínica até.
“— Vectorius....?” – Vitor não pode estar mais surpreso ao ver este ali.
O Classe C, andava lento até a mesa onde estavam. Trajava-se com roupas elegantes, na cor vermelha com pequenos detalhes em preto. O cabelo estendia-se por seus ombros, como um manto reluzente ao pouco luar daquela noite.
E os olhos, estavam frios, aquele verde esmeralda belo de sempre. Só que podia se ver uma aura assassina naquele olhar penetrante, completamente oblíquo. Este andou a passos sorrateiros até a mesa.
“— Sim, este é meu nome... Agora, Vitor Áster... O que faremos com você?” – a voz estava tão fria que nem parecia o mesmo ser.
“— Meu bebê, deixe-me brincar com ele...” – Pronunciou um brincalhão Richard, pegando o loiro pelo cabelo e puxando-o até que este caísse da cadeira que estava.
“— Faça-o gritar de dor...” – Avisou, como se a sua decisão fosse o que valesse ali.
“— Algum motivo especial, bebê?”
“— Claro...” – Riu baixinho, andando até o outro que estava no chão, olhando-os com nojo. “— Se lembra de Cain Radiance?”
O de cabelos prateados levou a mão ao rosto do que era mais novo ali, pegando-o com força e fazendo-o o encarar.
Odiava-o por conta de algo que este tinha feito.
“— Sim, lutei com este.” – Respondeu Vitor, incrédulo pelo que estava vendo.
“— Aquele homem é meu.” – Riu, dando um tapa no rosto do outro. “— Não toque-o com suas patas imundas novamente.”
“— Quem você pensa que é? Não passa de uma cria de nosso Mestre, tanto quanto eu.” – Vociferou Vitor, sentindo-se ainda segurado pelos cabelos pelo outro.
“— Eu? Sou seu pior pesadelo aqui...” – Riu cinicamente, um tanto insano até, se levantando e olhando para o mais velho. “— Pai, pode brincar.”
“— Fico agradecido... Mas e quanto meu adorável sobrinho?”
“— Quando o gato sai, os ratos fazem a festa...” – Comentou calmamente, jogando o cabelo para trás. “— Meu Mestre saiu de Even, aproveite.”
“— Então, filhote... Você quer a mim, não?” – Indagou para o loiro.
“— Eu... Eu te quero, eu te amo...” – Respondeu Vitor, sem pensar no que dizia, mas logo recuperando o juízo. “— O que... O que tinha naquele sangue!?”
“— Algo que meu pai me ensinou... Serve para domar alguém... Pode-se fazer isso ao morder também, injetando sangue, ou no meu caso energias...” – Melodiou Vectorius, calando-se em seguida. “— Só por isso que ele...” – Mordeu o lábio inferior.
“— Meu bebê, não fique triste, eu estou aqui, cuidarei de você novamente... Estamos juntos não?” – Comentou sorrindo, com o azul dos olhos fixo nos verdes dele.
“— Sim, meu pai.” – Respirou fundo, um tanto magoado, como se sua consciência voltasse um pouco e notasse o quão idiota estava sendo. “— Eu...” – Fechou os olhos com força, abraçando-se. “— Irei ver Lucy...”
“— Mande lembranças minhas a ela.” – Sorriu-lhe, vendo o outro sair. “— Gostou do que fiz a ele?”
“— Você... Fez isso...?”
“— Sim... É tão estupidamente ingênua a mente daquele garoto... Se apega a tão pouco...” – Sussurrou-lhe baixo.
“— Você pode usar meu corpo, mas quando meu Mestre voltar ele irá descobrir teu cheiro em mim.”
“— E ele fará o que? Shisue não consegue me matar, sou mais forte que ele.” – Disse confiante.
“— ...”
Vitor preferiu não falar mais nada, ao ter o rosto prensado no chão e as roupas arrancadas com selvageria.
—X-
Vectorius andava lento pelos corredores, apoiando-se as paredes. Sua mente estava turva como que se lembrasse e ao mesmo tempo não se lembrasse do que tinha feito. A cabeça doía horrores e nem se lembrava mais para onde ia.
“— Richard...”
Sabia o que era aquilo. Devia ter sido uma das brincadeiras de seu ‘pai’. Ou, era como o outro gostava de ser chamado. Este era divertido, alegre, bondoso... Desde que nada o contrariasse.
“— Vectorius? ” – A voz curiosa ecoou pelo corredor. “— Estava indo ver a senhorita Lucy? Ela está a sua espera...” – Murmurou Oroi.
Fazia quase uma semana que não via duas pessoas, a primeira – e mais importante – era seu Mestre e a segunda era aquele vampiro ali. Só sabia que este estava no quarto com o senhor Richard e nada mais.
Mas, com ele daquela forma, agindo um tanto estranho ao se apoiar na parede o intrigou. Não devia ainda estar ruim dos castigos que levara do mais velho. Se a si próprio já estava curado bem dizer logo após o ato, porque ele não estaria também?
“— Você... Está bem?” – Voltou a indagar, se aproximando do outro.
“— Não... Por favor Oroi, poderia me dar um soco...?” – Pediu, como se qualquer coisa que fizesse sua mente voltar fosse útil.
“— ...” – Respirou fundo, fechando o punho e acertando em cheio a face alva do outro, vendo este cambalear. “— De-desculpe!”
“— Obrigado...” – Sorriu de lado, lambendo os lábios pelo sangue que tinha escorrido do ferimento que abrira pelo soco. “— Desculpe ter te tratado mal... Eu estava apenas... Sendo manipulado por todos os lados... Mas...” – Sentou-se no chão, encostando-se na parede. “— Vitor irá ficar no meu lugar...” – Sorriu, fechando os olhos e dormindo.
“— Vitor?” – Estranhou, indo até o outro vampiro e cutucando-o, notando que estava realmente dormindo. “— O que está acontecendo aqui?”
Continuou a andar, lembrando-se das palavras de seu Mestre antes de sair de Even... Este havia dito que iria se tornar um caos, no momento pensou que fosse só uma frase sem sentido, mas agora estava dando razão a este.
Só parou de andar quando escutou um grito, e vozes alteradas vindo de fora do castelo, de uma sacada. Correu até lá, ficando completamente incrédulo com aquela cena. Mas, sabia que era sua obrigação cuidar daquilo.
Era Vitor, aquela cria de seu Mestre e o tal tio do mesmo. Ambos no chão sem roupa, onde o que era mais velho segurava as pernas do outro – que tentava fugir de todas as formas -, obrigando-o a se submeter.
Oroi Conjurou a primeira magia que lhe veio em mente que seria útil, demorando-se um pouco nesta — por ter quase se esquecido as palavras para dizer -, mas logo a fazendo. Desenhou um circulo no ar com um dedo, fazendo em seguida um jato de água encharcar aqueles dois no chão.
“— Não é permitido que as crias e servos selecionados de Shisue Abyssinian sejam passivos em uma relação sem ser com o mesmo.” – Avisou autoritário, sendo as atenções dos dois agora. “— Vitor, devia saber disto.”
“— Acha que gosto de ser usado!?” – Empurrou o outro, tirando este de cima de si.
“— Filhote idiota...” – Richard olhou feio para Oroi, que nem se moveu e continuou firme. “— Escolha melhor o lado que fica.”
“— Sou leal apenas a meu Mestre, sigo apenas as regras deste.” – Estreitou o olhar, agüentando-se firme para não fraquejar diante daquele olhar azul raivoso. “— Por favor, peço para que volte para seus aposentos, se queres diversão, mandarei algum servo que possui tal função ir lhe satisfazer.”
“— E se te oferecer liberdade, ou meu sangue.” – Sorriu malicioso, ajeitando os cabelos.
“— Minha vida é ser servo dele, se algum dia este não me quiser mais, o próprio me dará a morte. E, quanto ao sangue, odeio tal coisa. Somente tomo de meu Mestre.”
“— ... Por hora... Acho que aprendeu a lição, não Vitor?” – Gracejou, olhando para este.
Riu alto, estralando os dedos e sumindo dali. Oroi ficou sem entender em nada, ainda mais pelo estado que se encontrava a cria de seu Mestre ali, iria sobrar para si, ajuda-lo. Não só a este, teria que colocar Vectorius em seu leito.
Even sem Shisue ficava estranha...
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.
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CONTINUA...
16/11/10
Nota da autora:
É, as coisas ficam estranhas sem o Shisue por perto, e mais estranhas ainda com aquele olhos azuis. Antes que odeiem o Richard – ou não — ele é um personagem para gerar alegrias ao PM – certo, até agora não parece, ainda mais para o Vitor. Falando em Vitor, ele é um dos meus personagens favoritos, eu adoro ver ele se dando mal em qualquer situação, não importando o lado que ele fique.
Ah! E eu vou ameaçar dessa vez! *aura maligna* Se não deixarem comentários vou demorar a postar o outro cap, Bwuahahhaha!
Comentário da beta:
AAAAAAAAAAAAAAAAAH
AAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHH
AAAAHHHHHHHHHHHHHH *Capota*
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