Prison Magic
21 Capítulo 21
Parte 21
Quem olhasse para os olhos daquele ser, imediatamente cairia de amores por esse. Ametistas, uma cor intensa, que brilhava em maliciosidade, a pura e descontrolada sensualidade feroz.
Exalava sedução e emanava pecado, e fazia isso inconscientemente. Não era para menos, que as pessoas ficavam fascinadas no primeiro instante, afinal quem não se renderia aos jogos ardilosos de um íncubo?
Possivelmente, só os anjos, entretanto este íncubo já havia realizado tal façanha. Fora uma diversão e tanto, fazer um ser completamente puro cair, e até, para seu desgosto, fácil demais. Tudo o que teve que fazer fora conquistá-lo, domá-lo, mostrar o mundo de prazeres no qual ‘Ele’ nunca ofereceu a suas crianças.
Enfim, assistiu a queda deste bem de perto, e novamente, para seu descontentamento, de maneira rápida. Pode ver enquanto se alimentava, as penas sempre tão brancas e resplandecentes das asas tornarem-se negras, cor das trevas.
Este era seu novo e já enjoado alimento. Talvez fosse o motivo de um anjo não saber lidar com a luxúria que não mostravam esta para tal ser, chegava a ser meloso vê-lo rastejando por um pouco de atenção.
Ultimamente alimentava-se apenas de dois seres, cada um com sua personalidade distinta. O primeiro, o anjo caído, o que não levara tanto tempo para conseguir fazê-lo um escravo do prazer. O outro, o Rei, este, era atualmente seu maior divertimento.
O Rei era algo engraçado e realmente difícil de ser domado, mas com jeito conseguia. Este havia perdido a mulher recentemente, e ficava apenas a cuidar de seu filho mais novo, aproximadamente uns cinco anos.
Era divertido e fascinante controlar tudo, ainda era novo por isso cada conquista lhe dava uma sensação de poder, principalmente por saber que só precisava usar seu corpo, que teria todos aos seus pés.
Nunca havia passado fome, pois poderia ter quem quisesse. Pense o quão divertido seria controlar um reino inteiro. Sussurrar no ouvido do humano pequenas palavras, atos que queria que fossem feitos.
Seu gesto que vivia repetindo era passar as mãos pelos cabelos revoltosos, cabelos estes que eram lisos e curtos na cor negra, porem ao sol as pontas ganhavam uma coloração vermelha, enquanto que, na noite, uma coloração azulada.
Possuía um sorriso torpe, mostrando os dentes levemente pontudos, e não escondendo o modo vulpino que tinha pelos lábios finos e róseos. Seu corpo era delgado, nada muito musculoso, bem torneado.
Vez ou outra, sua mão esbarrava em seus chifres, que despontavam de sua cabeça em uma coloração marrom, poderia fazer este sumir quando quisesse, assim como a cauda que balançava a cada passo que dava.
Este ser, este íncubo, estava a vagar lentamente, vestido da forma que mais gostava, trajando apenas uma calça justa. Seus olhos ametistas brilhavam em meio aquela escuridão, parecendo um olhar de predador procurando sua presa, o que de fato não era uma completa inverdade.
Seu rumo era certeiro, estava indo se alimentar, daquele que, atualmente era seu maior desafio, pois nunca vira alguém não render-se a si completamente em menos de uma semana, e já se fazia quase um ano que tentava isto do Rei.
Sua mão, já passeava pelos seus cabelos, jogando-os para trás, ao que andava pelos corredores do castelo, pensando nas diversas formas de se alimentar daquele humano teimoso e deveras orgulhoso.
“— Yami...” – Uma voz se fez presente, doce e melancólica. “— Pensei que... Virias a mim desta vez...”
Yami, o íncubo, virou-se para ver o ser que havia chegado, sorriu malicioso vendo o anjo caído de cabelos dourados, com o rosto em uma súplica por atenção. Acabou por aproximar-se deste, tocando em sua face afemeninada.
“— Caído, o que fazes aqui?” – Questionou-o.
“— Eu...” – Avermelhou-se. “— Queria mais de vossa atenção...” – Pediu baixo, manhoso. “— Faz tanto tempo que...” – Avermelhou-se mais.
“— Não tenho fome de ti.” – Avisou-lhe, afastando-se do anjo. “— Quero o Rei hoje...”
“— Entendo...” – Calou-se.
O moreno então não falou mais nada, apenas virou-se rumando logo para os aposentos reais. Já havia enjoado do gosto daquele caído. Mas, às vezes se alimentava deste, não gostava de deixar seus ‘alimentos’ solitários demais. Não era por ser um demônio, que não se importaria com estes.
Logo chegou à porta dos aposentos reais, abrindo esta sem dificuldades, não se surpreendendo ao ver o dono do quarto já dormindo com aqueles longos cabelos vermelhos espalhados pela cama.
Sabia que eram acontecimentos recentes demais para aquele humano aceitar facilmente.
E esta era sua diversão, domá-lo.
Aproximou-se mais da cama de modo gatuno, subindo nesta e ficando de quatro em cima do ruivo. Seu rabo balançava animado de um lado ao outro, porém, depois de algum tempo admirando o outro, acabou cutucando a face do homem com sua cauda.
“— ...” – Este abriu os olhos, visivelmente mau humorado. “— Ora,Yami... O que queres?” – Tentou empurrar este de cima de si, mas viu que era inútil. “— Chega destas futilidades, deixe-me em paz.”
“— Futilidades?” – Riu provocativo. “— Não encaro isso como ‘futilidades’, meu caro Rei...”
“— Mas para minha pessoa, são.” – Tratou de fechar os olhos, tentando ignorá-lo. “— Hoje fora um dia longo, um Rei precisa de seu descanso, sabes muito bem disto.” – Rebateu este de um modo até frívolo.
“— Por isso que estou aqui... ” – Gracejou, sentando-se no abdômen do outro. “— Para você relaxar um pouco...” – Não parou de cutucá-lo com a cauda até este abrir os olhos novamente.
“— Yami, pela última vez, saia do meu aposento.” – Exigiu com raiva, olhando este em cima de si.
“— Que bom que já é a ultima vez...” – Olhou-o confiante, levando suas mãos aos botões do pijama, abrindo um por um. “— Isso significa, que posso continuar sem reclamações tuas.”
Quando o Rei abrira a boca para reclamar de algo, o demônio calou-lhe a boca em um beijo apimentado, exigindo tudo o que este poderia dar. Ignorava os protestos, chutes, empurrões, pois sabia o quanto aquele ruivo era orgulhoso.
“— Então, Rei...” – Falou, separando sua boca deste, notando um cheiro de luxúria rodear o outro “— Gostou?” – Provocou-o sabendo que este estava apreciando, mesmo que negando.
“— Cale-se...” – Virou o rosto, em embaraço. “— Ficas a usar estes truques de um íncubo em mim... Só por isso que eu reajo...”
Yami então riu, nunca usava seus ‘truques’, como o Rei falara, em ninguém. Todos gostavam de si por ser o que ele era, e por oferecer o que eles queriam. Mas não iria contar isto ao Rei, não agora.
“— Será mesmo?” – Deitou-se por cima deste, cheirando a curva do pescoço. “— Sinto o cheiro do prazer em ti...” – Comentou, beijando a área em seguida.
“— Hm...” – Respirou fundo. “— Engano teu...”
“— Irei me alimentar de ti de uma forma bem lenta, tardando seu prazer... Só para te ouvir implorar por mais...” – Sentenciou.
“— Tens milhares de alimentos...” – Comentou emburrado.
“— Os outros são ruins... Quero a ti. És meu preferido, aquele a qual tenho mais apreço.”
“— ...” – O Rei então se calou, ficando corado pela frase dita do demônio.
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Saíra satisfeito do quarto do Rei, só parara de provocar este quando vira o sol raiar pelo aposento. Passava as mãos pelos cabelos, tentando domar os fios revoltosos, quando dera de cara com o anjo.
Este parecia ter esperado a noite toda do lado de fora daquele quarto, como se aguardasse que o íncubo deixasse de lado o humano para ficar consigo.
“— Caído, já estou cheio.” – Avisou-lhe de imediato, parado em frente à porta do aposento.
“— Não!” – Gritou, derramando lágrimas. “— Eu sei que não me quer mais!” – Esbravejou, não conseguindo reprimir aqueles sentimentos novos para si. “— Mas e a mim?” – Tentou limpar as lágrimas com a mão, notando ser inútil. “— O céu não me é mais permitido...”
“— Não culpe somente a mim pela tua queda...” – Revirou os olhos. “— Desejara a luxúria.”
“— Eu... Foi por ti que... Que...” – Abaixara o rosto, deixando a franja loira cobrir este, ocultando as lágrimas.
“— Se o céu não lhe é mais permitido, migre para o inferno, lá é sua nova moradia.”
“— Por que!?” – Caiu ajoelhado no chão, em desespero.
“— O curioso, foras tu, por me observar quando me alimentava...”
“— Eu...” – Levantou-se, ainda não atrevendo olhá-lo.
“— Foi tu que vieste a mim.”
“— Yami eu-...” – Fora cortado pela fala do outro.
“— Saia de meu caminho, quando eu sentir fome de ti, te chamarei.”
“— Entendo... É pedir demais que um demônio tenha sentimentos...”
“— Claro que é, não se iluda...” – Murmurou, olhando fixamente a este. “— Sou um íncubo, isto é de minha natureza... Lamento...”
Aproximou-se então do anjo, tocando no rosto fino e bem afeminado, deslizando sua mão pelo tecido fino da vestimenta deste, satisfeito pelo estremecimento que causou naquele ser.
“— Yami...Eu te a-”
Desta vez o que cortou a fala do anjo fora uma batida brusca da porta próxima a eles. Era o Rei, que aparecera, olhando raivoso para os dois.
“— Chega desta gritaria em frente a meus aposentos!” – Reclamou, com visíveis olheiras, cansado, por ter ficado a noite toda acordado. “— Saiam de meu castelo, antes que chame os guardas!”
“— Meu Rei...” – Yami lambeu os lábios, indo até homem, esquecendo-se do anjo ali. “— Já se recuperaste... Acho que já estás pronto para mais...”
Chegou bem perto, rindo ao ver o ruivo recuar um pequeno passo. Pegou uma mecha dos cabelos deste, levando ao nariz, cheirando-o. Era tão fácil saber quando queriam mais, não tinha como ninguém ocultar o cheiro da luxúria.
“— Saia de perto de mim!” – Empurrou-o. “— Saiam os dois, seus seres insolentes!” – Reclamou altivo, olhando de um a outro.
“— Estais a chamar um anjo de ‘insolente’?” – Rebateu este. “— Um anjo da classe dos Serafim!? A mais alta do céu!”
“— Não vejo um Serafim a minha frente, apenas um anjo caído de asas negras...” – Alfinetou-o. “— E pelo assunto que estava ‘tratando’ em frente a meus aposentos, atrapalhando meu descanso, nota-se que caíra pelo pecado da luxúria.”
“— Eu que sou o pecador?” – Olhou raivoso para o humano. “— Eu andei observando-o... Gostas deste pecado tanto quanto eu.” – Sorriu triunfante. “— Acho até que estais apaixonado pelo Yami.”
“— ...”
“— É isto, não é?” – Sorriu triunfante. “— Só és covarde...” – Deu de ombro. “— Yami não se importa contigo, não passas de um alimento a ele.”
Se tinha algo que aquele Rei mais odiava, era ser chamado de covarde. Sorriu debochante para o anjo, se aproximando do que era o motivo da discutição. Sem mais nem menos puxou-o para um beijo ardente que fora prontamente correspondido.
O caído se enfureceu com aquilo, com aquele beijo tão carnal a sua frente, com a entrega de ambos aquele ato. Já era possível notar uma aura negra formando-se a sua volta.
“— Yami...” – O ruivo sussurrou o nome deste, assim que apartou o beijo, agora abraçando-o pelo pescoço. “— Queres mais de mim...?” – Indagou só para provocar o anjo.
“— Estavas a reclamar de que não aguentava mais...” – Puxou-o pela cintura, colando mais os corpos. “— Só por este fato, me afastei de ti.” – Comentou, ignorando o terceiro ali.
“— Yami...” – Fora a vez do anjo loiro o chamar. “— Prefere a esse humano que a mim?”
“— Sabes que sim.” – Respondeu de imediato a este, afastando-se um pouco do Rei.
“— Basta!!!” – Vociferou, ardendo em ódio. “— Se não és meu, não serás de mais ninguém!”
Talvez fosse por esse motivo que não se devia mostrar ‘o mundo’ para os anjos. Estes eram sensíveis demais às emoções que descobriam. Eram como recém nascidos, não conseguindo assimilar corretamente os limites de seus atos.
O caído então criou uma espada, aparentemente celestial, porem emanava um brilho corrupto, em um negrume assustador.
Brandiu esta rapidamente em direção ao íncubo, tentando desferir um ataque letal, todavia o Rei conseguiu frustrar o repentino ataque utilizando uma rápida magia de luz, que fez um brilho absurdo desviar a atenção deste.
A aura negra do anjo aumentava cada vez mais, pela raiva que estava sentindo do humano mago, que o distraíra toda vez com alguma magia diferente.
Yami já havia deixado de ser o alvo há um tempo, e estava encostado a parede, segurando o riso. Era um pouco normal a disputa entre dois alimentos seus. E além, de que assistir a luta de um poderoso mago e um anjo Serafim era algo privilegiado.
Só não estava gostando dos cortes que a espada do anjo estava fazendo no majestoso corpo do humano, sabia que demorariam a cicatrizar, mas relevou isso, apenas assistindo o desfecho daquilo.
Não iria deixá-los se matarem, mas não negava que a diversão estava boa. As paredes do castelo já estavam quebradas, e os guardas só não estavam a ajudar o Rei, por ordens expressas dele de que era para isolar todo aquele lado do castelo.
Jogou seus cabelos para trás, notando que já era hora de parar aquilo antes que algum deles morresse.
“— Parem!” – Gritou alto, ficando no fogo cruzado destes. “— Querem se matar mesmo!?”
“— Cale a boca, seu demônio da luxúria!” – Esbravejou o anjo, ignorando-o e partindo para cima do humano.
O ruivo estava distraído e acabou levando uma espadada no estômago. Afastou-se às pressas do loiro, conjurando um magia de cura para que não morresse com hemorragia. Mas seu estado era crítico, e logo caiu ajoelhado no chão.
“— Rei!?” – Yami olhou desesperado para este, sem nem entende o motivo.
Tratou de ir impedir o anjo, que queria matar de vez o humano. Parou em frente a este, entre os dois novamente.
“— Seu demônio corrupto!” – Esbravejou o loiro. “— Morrerão os dois!”
Anjos são seres realmente instáveis, uma pequena oscilação, pode acarretar um prejuízo que vai além da vida.
“— Na prisão onde jaz o demônio negro...” – Começou a conjurar o anjo, batendo suas asas com força, fazendo uma ventania forte se formar ali, impedindo a aproximação do íncubo.
“— Esse feitiço...” – O humano empalideceu, olhando imediatamente para Yami. “—Corra!” – Avisou-lhe.
“— Será preciso apenas um sacrifício, apenas esta jornada, mas vários desafios...” – O anjo tocou em sua espada, que se modificava em algo sombrio, com lâminas em sua empunhadura. “— Este é o carma que te passo!” – Gritou por fim, impulsionando-se para frente, acertando o coração do demônio. “— Serás meu, ficarei com teu espírito!”
Falando isso, puxou a espada, vendo com um sorriso perverso e triunfante o ser que o havia feito cair. Olhando a vermelhidão do sangue deste em suas vestes finas.
“— Yami!” – Gritou o Rei, engatinhando até este. “— Aguente firme!” – Tentou usar uma de suas magias, mas estava sem reservas. “— Yami...” – Começaram a verter lágrimas de seus olhos.
Só depois de ver a cena, que o anjo voltou um pouco à realidade, notando o que tinha feito. Começou então a gargalhar, de um jeito triste, forçado, quase louco.
“— Ele não será meu... Não será teu... Porque, meu Deus!? Porque tenho que viver com este pecado?” – Ajoelhou-se, chorando desesperado. “— Eu o amo!”
Fora uma depressão tão profunda que o caído não aguentou mais, cravou com força a espada em seu próprio peito, se matando, dando finalmente um fim aos seus sofrimentos. Aquele sentimento distorcido e forte que nunca teve.
O amor.
“— Yami...” – O Rei chamou por este, colocando a cabeça em seu colo. “— Idiota! Idiota!” – Falou choroso, abraçado ao corpo quase morto do outro. “— Eu não quero perder mais ninguém que amo!”
O ruivo então limpou as lágrimas, olhando decidido para o rosto do que estava em seu colo. Já sabia o que fazer. Levantou-se com extrema dificuldade, rumando para onde estava o anjo que se matara.
“— Precisarei de tua espada...” – Avisou, mesmo sabendo que o loiro estava morto.
Puxou esta, cortando-se com as lâminas da empunhadura, logo fora a Yami, cortou seu pulso com força, fazendo uma grande quantidade de sangue sair. Rodeou o corpo deste, fazendo um circulo com o próprio plasma.
“— Me desculpe... Perdoe-me por prender tua alma a este mundo... ” – Avisou, já quase sem forças, utilizando sua energia vital para aquele último feitiço. “— Da prisão a espada pode libertar, na prisão a espada pode punir...”
Cravou com força a espada novamente no coração deste, banhando esta com seu sangue, vendo-o escorrer para o corpo do demônio e começar a formar varias escrituras. Estranhou a escrita diferente desta, mas logo percebeu que seria por conta do sangue do anjo que ainda estava na lamina da espada, além, é claro, de a arma ser dele.
Por fim, quando já estava quase tonto, ajoelhou-se ao lado, beijando os lábios finos.
Quando se afastou, uma linha brilhante na cor negra ligava ambos, com seus últimos suspiros de vida, puxou aquela linha até o fim, aniquilando a existência daquele ser em qualquer plano.
“— Lhe dou... Ao menos essa chance...” – Murmurou com dificuldade, enrolando a linha negra por toda a espada, vendo esta adentrar no objeto. “— Yami... Eu te amo...” – Largou-se ao lado deste, já quase morrendo, levando sua mão aquele rosto viril. “— E este sentimento é belo demais... Desejo que tenhas verdadeiramente ele um dia... Ame alguém... Viva para este alguém... ”
Aproximou-se, dando um último beijo naqueles lábios outrora tão quentes, por uma ultima vez, e morrendo ao fazer isso.
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Veck olhava de um para o outro, agoniado por tudo aquilo. Não sabia o que estava acontecendo, só sabia que já estava há quase um dia em pé, entre os dois, nunca atrevendo-se a soltar uma daquelas mãos.
Via a dor no rosto dos morenos, como se sofressem algo profundo, de uma vida passada. Queria saber, queria entender o que estava se passando por estes, mas nenhuma palavra soava naquele lugar.
Exceto a sua, que vez ou outra chamava o nome de um destes, quando sentia um aperto em uma das mãos. E toda vez que isto acontecia, sentia uma tristeza profunda, como se a agonia passasse deles, para si.
Fechou os olhos por um instante, respirando fundo, estava ficando cansado de estar em pé tanto tempo, apenas zelando aqueles dois, mas logo os abriu notando uma movimentação.
Não se lembrara a última vez que sorriu tão feliz, ao ver aqueles olhos ametistas o encarando fixamente. Ambos haviam acordado, e olhavam para si, um de modo dócil e outro na sua forma selvagem.
“— Yami? Cain?” – Chamou-os, extremamente feliz por estes terem acordado.
“— Que estupidez...” – Comentou o ex-íncubo, levando a mão livre ao rosto, tampando-o. “— Que passado mais idiota!” – Gritou, acabando por cair na gargalhada, ao que lágrimas caiam de seu rosto sem parar.
“—... Yami? O que aconteceu?” – Veck olhou para este preocupado.
“— Eu estou assim por culpa de dois idiotas!” – Gritou novamente.
“— Cala a boca!” – Fora a vez de Cain gritar, tomando a atenção de ambos ali. “— Você que é o idiota! Como pode fazer aquilo!?” – Sentou-se na pedra que estava, soltando a mão do amigo.
“— Ora príncipe, você viu que é minha personalidade... Não venha você também com o sentimentalismo tosco, que nem o daqueles dois!” – Reclamou, imitando o que seu hospedeiro tinha feito.
“— Seu íncubo covarde!” – Gritou novamente o príncipe, levantando-se.
Os olhos de Cain se estreitaram, mesmo que destes saíssem lágrimas interruptas, que nem as do demônio. Apenas dera um soco bem forte no rosto daquele idêntico a si, fazendo-o cair deitado na pedra novamente.
“— Cain!?” – O vampiro olhou assustado para aquilo, não entendendo o que estava acontecendo ali.
Saiu então do meio das duas pedras, indo para o lado do Yami, levantando-o um pouco da pedra. Não entendia o motivo daquilo, de ambos chorarem como se o mundo fosse acabar no outro dia.
“— Eu senti a dor daqueles dois! Toda aquela angústia de te amar e não poder ser inteiramente seu!” – Gritou Cain, fazendo Veck olhar para si com curiosidade. “— Se amar é sofrer daquele jeito, eu não quero ter este sentimento!”
“— Humano tolo...” – Tentava segurar o choro, mas sentia seu corpo fraco. “— Você já tem este sentimento! Mas esconde-o tão bem que nem sabe que existe ainda!” – Começou a rir mais ainda.
“— Por favor, podem me explicar o que está acontecendo?” – Pediu Veck, vendo os ânimos alterados dos dois.
“— Simples, meu caro vampiro, eu morri porque duas bichas loucas mal comidas brigaram por mim... Pelo gostosão íncubo aqui...” – Riu mais ainda, já sentindo dor na alma por dizer isto.
“— Íncubo?” – Veck arregalou os olhos, olhando bem para o ser em seus braços. “— Então era isso que eras...”
“— Não foi bem assim...” – Cain se pronunciou. “— Ambos amavam demais a ele... Queriam apenas um pouco da atenção, e do carinho... Mas... ” – Voltou a sentar-se na pedra. “— Um deles não sabia lidar com este sentimento... O ciúme acabou controlando suas ações...” – Explicou, abaixando a vista.
“— Não importa... O que importa foi que por causa daquele Rei, eu estou assim... Vagando de corpo em corpo na família real...”
“— Melhor isso, do que a morte eterna... Você realmente não consegue entender a dor daqueles dois?” – Desesperava-se mais e mais, sentindo a angústia daquele anjo e do Rei.
“— Eram dois inúteis...” – Falou amargurado, parando e rir. “— Veck...” – Olhou para o vampiro, que o segurava. “— Depois explicarei as coisas com mais calma... Agora... Eu quero algo de ti, enquanto ainda tenho um corpo...”
“— Como?” – Veck não entendeu.
Yami então sorriu, puxando a cabeça do vampiro em sua direção, dando-lhe um beijo de súbito. Abraçou-o firme, negando o afastamento deste. Domou-o por completo, deslizando sua língua para dentro daquela boca, obrigando-o a fazer o mesmo.
Cain ficou de queixo caído, olhando abismado aquela cena. Seu peito doeu de igual forma a quando o anjo vira o Rei beijar o Yami. Mas não fez nada para impedir, ficou calado, de rosto virado para não ver mais aquilo.
“— Yami... Me larga!” – Empurrou-o Veck, conseguindo soltar-se do abraço deste.
Yami então largou-se na pedra novamente, sentindo-se tão fraco que mal conseguia ficar de olhos abertos. Respirava lento, com dificuldade, e isto chamou a atenção daqueles dois.
“— Yami? Você está bem?” – O moreninho perguntou preocupado.
“— Não... Eu...” – Esforçou-se a olhar para Cain. “— Venha para perto... Hospedeiro...”
Cain fez o que o outro pediu, levantando-se e dando poucos passos até este, olhou-o o chamar com um dedo para mais preto, como se fosse falar algum segredo. Assim que aproximou-se mais deste, fora puxado para um beijo, assim como Veck fora.
Ficou completamente sem ações, de olhos arregalados, sentindo-o puxando para si, era algo tão estranho, parecia tão igual a si, como se fizessem parte de um mesmo ser. Acabou por fechar os olhos, deixando o outro fazer aquilo, mas não correspondera como seu amigo fizera, nem sabia beijar de tal forma também.
Veck engoliu em seco com a cena, lembrando-se da vez que os dois tinham tomado aquele afrodisíaco que o lorinho havia feito. Respirou fundo, iria pedir, para depois que os animo destes se acalmarem, uma explicação decente sobre tudo.
Assim que Yami largou o Cain, este imediatamente se ajeitou, levando a mão aos lábios, sentindo-os inchados, pois nunca tinha beijado desta forma.
“— Cain... Veck...” – Chamou o ex-íncubo. “— Eu quero um corpo... Um corpo só meu...” – Falou com dificuldades.
Sem nenhuma explicação aparente, o corpo de Yami vira pó, sujando aquela mesa, e assustando os outros dois que olhavam aquilo sem entender.
“— Yami!?” – Gritou Cain, tocando naquela poeira, no resto do outro.
“— O que... Aconteceu...?” – Veck olhou aquilo espantado. “— Yami... Onde está o Yami?” – Desesperou-se um pouco.
“— Comigo...” – Falou o moreno baixinho, tirando sua mão do pó negro na pedra, levando ao seu coração. “— Voltou para mim...” – Sorriu um pouco aliviado ao notar isso. “— Eu o sinto... Agora consigo sentir a presença de outra alma dentro do meu corpo...”
“— Voltaram a ser um só...”
“— Sim... Ele está dizendo que está cansado, e depois conversará direito...” – Comentou, sorrindo radiante.
“— Você o entende?”
“— Parece que sim... Pois me parece que ele está mais forte... Mas pelo menos eu sei que ele não dominará meu corpo, a não ser que tenha algum motivo.”
“— E agora... O que faremos...?” – Veck soltou um suspiro.
“— Primeiramente...” – Avermelhou-se completamente. “— Eu quero me vestir...”
Veck então olhou para o corpo do amigo, avermelhando-se como este também. Logo seus olhos procuravam pelo cômodo as roupas deste, achando-as e já as entregando para seu dono que se vestiu em instantes.
“— Cain, precisamos falar com a anciã, ela irá nos dizer se tens que ficar mais um tempo neste lugar ou não...”
“— Não será preciso.” – A que fora mencionada aparecera na porta. “— Eu já sabia que o íncubo não iria aguentar este ritual pela segunda vez...” – Disse a elfa.
“— Sabia que ele era um íncubo e não falou nada?” – Indagou Cain.
“— Qual seria a diferença, meu príncipe? Se iam descobrir numa hora ou noutra...” – Sorriu-lhes triste. “— Não gostariam que eu revelasse cada surpresa que irá existir na vida de ambos...”
“— Tens razão, desculpe a pergunta.”
“— Por hora, oro para que descansem, pois amanhã a noite haverá o baile de máscaras desta vila... E vocês não podem faltar...”
“— Tudo bem. Obrigado...” – Cain sentiu-se um pouco tonto, acabou por apoiar-se no ombro do amigo.
“— Vamos Cain, você precisa descansar...” – Segurou-o pela cintura.
—-X---x---X--
De volta a casa na qual estes estavam morando temporariamente.
“— Cainzinho!? O que aconteceu!?” – O loirinho aparecera na porta, vestindo um avental por cima da roupa. “— Sumiram por um dia inteiro... ” – Olhou bem para aqueles dois, notando a falta de um ali. “— E o Yaminho?” – Indagou.
“— Se você me chamar de Yaminho novamente eu te arrebento seu loiro esquisito!” – Gritou Cain, com o tom da voz grave, fazendo ambos olharem para si.
“— Yami?” – Veck olhou estranhando.
“— Não... De-desculpe Guille... Perdi o controle...” – Sorriu bobo. “— Acho que de agora em diante isso vai acontecer mais vezes...” – Avisou meio sem graça.
“— Tu-tudo bem...” – Ainda estava espantado. “— Eu já estava fazendo a janta, daqui a pouco irei servi-la... Quer que eu entregue no seu quarto Cainzinho?”
“— Não tenho fome e-” – Fora cortado pelo amigo.
“— Você vai comer sim, ficou o dia todo naquele ritual louco, elfas insanas, aquilo nem parecia magia élfica...” – Comentou, levando Cain consigo ao quarto. “— Guille, me chame que eu pego a comida quando estiver pronto.”
“— Certo morcego...” – Deu de ombros, voltando para a cozinha, tinha que terminar logo aquilo, precisava se encontrar com Vitor.
Voltou então para a cozinha, amarrando seus cabelos direito. Não faltava muito para terminar tudo aquilo, depois teria que dar um jeito de sair da vila para dar as últimas instruções de seu plano para o morcego loiro.
X---x---x---X
Oroi andava lento dentro de um cômodo do castelo de seu Mestre. O lugar estava cheio de itens mágicos que Shisue colecionava, mas mal dava importância a estes. O menor sabia o que procurava, qualquer coisa poderia ajudar, desde que fizesse o teleportar para fora do castelo, seguindo o rastro de Vitor.
Já havia virado sala de cabeça para baixo, a procura de qualquer coisa, por final achou uma pequena esfera verde, olhou bem para esta, e logo correu atrás de um livro que vira a instantes atrás.
Folheou este rapidamente, achando um desenho igual da esfera que tinha em mãos. Deu uma olhada sobre a utilidade desta e sorriu satisfeito. Achara o que procurava. Tentou arrumar tudo na bagunça igual a que estava antes, e guardou a esfera no bolso, saindo daquele cômodo.
Correu para o lugar onde a loira estava presa, queria comentar com ela o que achara. Entrando no cômodo desta, a viu dentro daquela cela de vidro, como sempre.
“— Achei, senhorita Lucy!” – Fala satisfeito, tirando a esfera do bolso e mostrando a ela. “— Com isso irei seguir o Vitor... É mais ou menos esta hora que ele sai do quarto de meu Mestre... Deseje-me sorte.”
“— Terá toda sorte do mundo...” – Sorriu contente.
Fechou os olhos por um instante então, concentrando-se, segurando bem firme aquela pequena esfera com as duas mãos. Tinha lido no livro que era só pensar na pessoa no qual queria estar perto para a esfera o levar até esta.
Concentrou-se, focando sua mente no Vitor, e quando abriu os olhos, não sabia mais onde estava, só via árvores a sua volta. Olhou de um lugar ao outro, tentando reconhecer o ambiente, mas não dera certo.
Guardou rapidamente a esfera no bolso, assim que escutou passos entre as árvores. Caminhou o mais gatunamente que podia, seguindo o barulho, acabou por se esconder atrás de uma árvore.
“— Caçador...” – Escutava a voz de Vitor.
Arregalou os olhos, ao escutar esta palavra, porque um vampiro estaria se encontrando com um membro da associação dos hunters? Ficou quieto, com os ouvidos atentos.
“— Já lhe disse para parar de me chamar assim!” – Escutou outra voz, e em seguida um barulho de um tapa. “— Cale a boca morcego, como está indo o seu ‘agrado’ ao morcego velho?”
Infelizmente não dava para ver os rostos, era melhor ficar o máximo possível oculto, só escutar o assunto da conversa bastava.
“— Tenho certeza de que eu irei a esta festa...” – Cala-se por um instante. “— Que roupa é essa!?” – Ouviu-se Vitor.
“— Eu que fiz para você... Tem a máscara e tudo, quero que a use e... Tem um morcego aqui!” – Comentou a outra voz, de modo raivoso agora.
Oroi encolheu-se todo, tinha que dar o fora dali antes que aquele caçador o achasse. Pegou a esfera, e concentrou-se na garota, fechou os olhos, com sua mente só na Lucy. Quando abriu os olhos, respirou aliviado ao ver-se de frente a esta.
“— Oroi... Estás bem?” – Perguntou esta preocupada. “— Está tão pálido agora notando...”
“— Estou bem sim... E estou assim por não me alimentar... Não se importe com isso.”
“— Não tens falado mais com o senhor Shisue...?”
“— Não. Ele anda ocupado demais com o Vitor... Vitor!” – Lembrou-se dele. “— Aquele traidor estava conversando com um caçador! E se ele estiver atrás do meu Mestre!?” – Falou desesperado.
“— Fale isso a ele!” – Avisou a garota.
“— Irei agora mesmo!” – Falou, guardando a esferinha no bolso, esta ainda poderia ser útil mais vezes.
Correu daquele cômodo, olhando de um lado para o outro, tentando achar em que lugar seu Mestre estava, já que aquele lugar era enorme. Mas logo conseguiu achar o caminho, batendo algumas vezes na porta de seu Mestre.
“— Mestre, é o Oroi...” – Pronunciou-se, ainda do lado de fora do quarto.
“— Entre...” – Escutou a permissão.
Abriu a porta cauteloso, entrando com passos lentos, temerosos. Seus olhos verdes recaíram-se logo naquele ser que tanto amava, que o fazia correr riscos só para a segurança deste.
Engoliu seco, lambendo os lábios de puro desejo ao vê-lo despido sobre a cama, lendo um livro qualquer. Era muita tentação para um garoto tão novo como si.
“— Mestre...” – Sua voz saiu rouca, necessitada, olhando sem pudor algum para aquele corpo.
“— Sentes fome... Minha criança?” – Indagou o Puro Sangue, fechando o livro.
“— Hm...” – Sentiu sua garganta seca, assim como uma pontada em seu baixo ventre pela visão tão deslumbrante.
“— Fora por este motivo que aparecestes, não é?” – Levantou-se.
Caminhou a passos felinos, em direção ao menor, de modo extremamente predador, não se importando de estar despido. Foi até este, tocando em seu rosto, arranhando-o em seguida com uma unha sua.
“— Sentes fome... Só por isto estais aqui...” – Murmurou até meio raivoso.
“— Não meu Mestre... Sinto fome sim. Mas estou aqui por vossa segurança...” – Desviou o olhar, tentando ocultar suas presas ligeiramente maiores. “— Temo que Vitor o esteja traindo, meu Mestre.”
“— Vitor?” – Riu cínico. “— Digas algo de que não sei, minha criança.” – Afastou-se deste, voltando a cama.
“— Ma-mas Mestre... Eu vi, vi Vitor se encontrando com um caçador.”
“— Quem pensas que sou?” – Olhou-o frio. “— Acha que não sei do que se passa com meus servos? Ou dos bastardinhos que tenho pelo mundo?” – Riu mais.
“— Bastardinhos...?” – Arregalou os olhos. “— Então... O caçador que Vitor estava falando era seu... seu...”
“— Filho? Sim, era... O único que deixei vivo... E isto me rende uma grande diversão... Além, é claro, de me fazer ter todo o domínio da associação dos hunters” – Revelou, começando a rir.
Oroi ficou espantado, pensava que seu Mestre não sabia de nada, mas pelo que notou sabia bem mais que todo mundo ali. Claro, havia se esquecido que nada poderia fugir do controle daquele ser malevolamente sensual.
“— Desculpe se fui insolente, meu Mestre... Eu apenas... Não queria que se machucasse...” – Falou baixo.
“— Venha, minha criança, tens fome, tome de mim...” – Avisou.
Shisue então levou uma mão ao seu pescoço, cravando suas garras neste, e descendo até o peito, formando grandes sulcos em sua pele, onde o sangue escorria por si. Lambeu os lábios olhando convidativo para o menor, que logo tratou de se aproximar.
Aproximou-se lento, ajoelhando-se entre as pernas de seu mestre, começou então a lamber aquele sangue que escorria por este, deliciando-se com o gosto que tanto amava, lambeu de modo pervertido, limpando-o todo até chegar ao ombro deste, dando um delicado beijo na area.
“— Mestre... Eu posso...?” – Indagou já agoniado, queria tanto aquele ser cruel.
“— Meu jade...” – Empurrou a cabeça deste de encontro ao seu pescoço. “— Faça.” – Aquilo era definitivamente uma ordem.
O trançado então fez o que queria, mordeu lentamente aquele pescoço que há instantes atrás tinha ferimentos causado pelo dono deste. Sentiu suas presas, furarem a carne do mais velho adentrando aos poucos mais neste, sentindo mais e mais desejo por aquele ser impuro, que possuía o sangue mais puro que já provara.
Quando sentiu o plasma sanguíneo adentrar em sua boca, uma corrente de prazer trespassou por todo o corpo, sentindo seu desejo por aquele ser fluir mais, assim como uma excitação tomar conta de seu corpo, de sua alma.
Abraçou-o firme, aprofundando mais seus dentes, sugando famintamente seu Mestre, esfregando-se de encontro a este, sentindo as mãos do outro ser apertando a si, em cada pedaço, e logo apertando seus quadris, tentando livrá-lo daquela roupa incômoda.
Shisue gemeu baixinho, quase mudamente pela dor em seu pescoço. Era tão raro ser mordido, só aquela criança teria esta permissão. Suas mãos cansaram de tentar abrir a calça deste, acabaram por rasgar o tecido da roupa que usava, assim teria mais liberdade.
O menor gemeu entre a mordida, sentindo as mãos firmes do outro o apertando sem pudor algum, tirou suas presas lentamente daquele que amava, ficando a beijar o local loucamente, querendo mais daquele líquido.
Afastou-se apenas um pouco de seu Mestre, livrando-se dos restos do que um dia fora uma bela vestimenta. Ficou assim parado em frente a este, olhando-o com um desejo absurdo.
“— Mestre, te amo tanto...” – Declarou-se, tocando naquele rosto adulto.
Sentiu-se ser puxado e jogado na cama de qualquer forma, não escutando a resposta que tanto almejava do outro. Mas sabia, não precisava desta, poderia muito bem conviver sendo apenas ‘servo’ daquele ser.
Podendo olhá-lo, sentí-lo, amá-lo, já era o bastante para si.
—--X—x—X--
Veck estava em seu quarto, olhando o teto, não estava com sono e não estava com vontade de ir atrás de elfa alguma para se alimentar, passar fome uma noite não faria mal.
Havia escutado todo o passado do Yami, este próprio o havia contado, junto com algumas interrupções de Cain, mostrando outro ângulo da história. Estava apenas a refletir, definitivamente entediado. Mas logo escuta alguém batendo na porta.
“— Entre...” – Falou, sentando-se na sua cama.
“— Vampiro...” – Aparecera apenas com uma calça folgada.
“— Yami?” – Veck arregalou os olhos, levantando-se indo até a porta. “— Como conseguiu sair...?” – Preocupou um pouco.
“— Meu hospedeiro deixou.” – Sorriu pervertido.
“— Cain?”
“— Ele falou algo sobre ser injusto só ele comandar, então foi ‘dormir’ e me deixou controlá-lo...”
“— Como é ingênuo...”
“— Concordo plenamente...” – Aproximou-se mais. “— Sabe de uma coisa boa, de ter notado o que eu sou?” – Pegou uma mecha de cabelo deste, cheirando-a. “—Fora recuperar instintos antigos... ”
“— O que queres aqui...?” – Afastou-se um pouco.
“— Eu só pensei que um certo vampiro estaria com fome...” – Riu. “— Mas parece que me enganei.”
Virou-se então, tocando na maçaneta da porta para abri-la e sair dali, mas sorriu triunfante ao sentir um abraço do outro por trás. Apenas respirou fundo, virando um pouco o rosto, deixando a mostra seu pescoço.
“— Me morda.” – Falou.
Veck respirou fundo, levando seus lábios aquela região, beijando a macia pele que Cain possuía, deslizando a língua por cima das inscrições que Yami possuía. Suas mãos ainda o seguravam no lugar, não querendo deixá-lo escapar.
“— Mn... Comece logo com isso vampiro.” – Reclamou meio impaciente.
Veck então fez o que este pediu, mordeu com cuidado a área, maculando mais uma vez aquele lugar, ignorando o liquido vermelho que saia pouco do lugar. Não queria este de maneira alguma.
Aprofundou mais sua mordida, encontrando seu alimento, aquela energia maligna desenfreada que o havia viciado. Mordia-o por trás, de uma forma faminta, apertando o corpo deste de encontro ao seu.
Mas Yami não estava tão satisfeito com aquilo, remexeu-se logo, antes que não tivesse mais força. Queria aquilo, mas não daquela forma.
“— Me largue...” – Resmungou, empurrando Veck de si.
Este olhou-o querendo explicações, afinal, fora ele que aparecera em seu quarto de madrugara querendo ser mordido. Quando ia reclamar algo, Yami se vira o abraçando de frente, quase colando suas bocas, apertando com luxúria a curva de sua cintura.
“— Agora sim... Morda-me...” – Voltou a inclinar o pescoço.
O vampiro não entendeu, apenas voltou a morder de igual forma. Mas, em instantes, não conseguiu evitar um gemido, ao sentir a mão ousada deste em sua cintura, puxando-o mais de encontro a este.
Mal dava mais importância à energia, sua atenção estava voltada para aquela mão que desceu para sua coxa, apertando-a firmemente, puxando-o. Além daquele remexer insinuante que o íncubo fazia, estava se perdendo.
Largou de vez aquele pescoço, não queria mais a energia, abraçou-o com força, lambendo o ferimento para cicatrizar
“— Fiquei com medo de perder vocês...” – Comentou Veck, baixinho no ouvido do Yami.
“— Não perderá...” – Murmurou sensual.
Yami passava a mão imprudentemente por todo o corpo do vampiro, apertando suas curvas, puxando-o mais para si, entretanto, de uma hora para outra este para, afastando-o rapidamente de si.
“— Cain acordou.” – Reclamou furioso. “— Negativo! Você não vai tomar o controle coisa nenhuma! Que?! Não estou fazendo nada! Vá dormir!” – Reclamava com ele mesmo.
Veck ficou olhando aquilo curioso, quase caindo na gargalhada ao ver o outro falando sozinho, mas sabia que estava a discutir com o moreninho. Apenas negou com a cabeça, agora já indo para sua cama.
“— O que!? Como assim quer saber o que eu estava fazendo? Isso não te interessa seu príncipe curioso! Sim, estou com Veck algum problema? Não! Só conversando...” – Olhou para este, quer ria mais na cama. “— Pronto agora ele tá me achando louco por falar sozinho! Quer saber? Pega o controle logo!” – Reclamou, fechando os olhos.
Rapidamente as inscrições desaparecerem, e quando voltou a abrir os olhos, o ametista brilhava na pureza do Cain, este riu sem jeito, vendo o amigo rir na cama.
“— Fiquei preocupado do que ele estava fazendo...” – Ficou encabulado.
“— Tudo bem... Nós só estávamos conversando, nada de mais.” – Avisou Veck, levantando-se. “— Mas, é bom ir dormir, já é tarde.” – Rumou até o amigo, olhando-o bem nos olhos. “— E eu falei isso para ambos.”
“— Certo...” – Cain fez bico. “— Boa noite Veck...” – Saiu do quarto.
“— Boa noite...” – Falou feliz, voltando satisfeito para a cama.
Enquanto essa tranquilidade existisse, tudo estaria bem.
Nunca vivera tempos tão bons como este. Desejava que o tempo parasse, apesar de saber que quando mais se desejava isto, mais o tempo voava.
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.
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CONTINUA...
04/06/10
Nota da autora:
Prison vai fazer dois anos!!! *correndo de um lado ao outro*
Bem, a historia em si, deve ter uns quatro anos já, mas 05/06/08 foi a data que eu publiquei ele pela primeira vez, no FF.NET...
Eu andei lendo os primeiros caps, meu deus, quanta diferença O___O *assustada* Quanto erro, é uma diferença absurda no Bono de escrever também... Parece que aos poucos eu fui melhorando ^______^
Eu fiz esse cap em 3 dias quase, quando notei que o ‘niver’ do PM estava perto, eu comecei a escrever que nem louca para atualizar antes deste dia.
De presente para o PM, eu quero reviews gigantes (façam uma forcinha, só nessa vai).
No próximo cap vai ser o baile tão aguardado, onde o desfecho o PM vai acontecer, não estão curiosos para saber como vão ser as roupas que o Guille estava costurando? *fazendo mistério*
Bem, isso é tudo, aguardo ansiosa pelos review, e se não tiverem muito a falar, podem fazer uma retrospectiva dos últimos caps também.
Comentário da beta:
SHDGBHDJN
Ai meu santinho Belial… Dessa vez eu quase morri.
Certo, sim, eu adoro o Yami, apesar de não admitir. OMG, se ele tivesse sumido, eu ficaria surtando ainda mais!!!
E aqueles beijos…. *¬* Yami e Veck e Yami e Cain… OMB
Não preciso nem comentar que fiquei até prendendo a respiração((Sério ¬¬)) quando o Oroi estava bisbilhotando Vitor e o Gui.
Shisue se revelou ainda mais sabichão.
AHHHHH GENTE!!!
São 11: 58 p.m.
FELIZ ANIVERSÁRIO PM!!!! Vou mandar agorinha!!! Mande reviews para minha mestra!!!
Atenciosamente,
~♥
Perdoem os erros. uu
De Extra, e para comemorar o niver, postarei os desenhos que os leitores fizeram do PM
Cain Radiance—Free-
Shisue + Oroi —Janneene-
Shisue—Nita-
Veck + Cain (lá ao fundo)—Bakinha-
Leviathan atacando o naviu da Luna—Largo Sensei (Meu irmão XD)-
Cain + Veck—Mari-
Yami + Cain—Mizuka-
By: Toynako
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