Prison Magic

17 Capítulo 17


Parte 17

Dois garotinhos corriam sorridentes pelos campos, apreciando a natureza tão bela, e aquela casa entre as árvores. Seus dias, desde que se conheciam por gente, eram passados assim. Eles e sua mãe. Só.

Voltavam correndo para sua casa, desviando das plantas do caminho, seus cabelos bem curtos balançavam ao vento com sua agilidade um pouco melhor do que a das crianças normais. Seguiam um harmonioso som de lira que se espalhava pela floresta como se fizesse parte dela.

“— Filhos...” – Uma voz suave e feminina os chamou.

As crianças correram até sua mãe, não aparentando cansaço por terem se divertido tanto. Olharam bem para esta. Lindos olhos dourados, cabelos loiros não tão longos e um sorriso doce, sempre era assim que aquela mulher estava.

“— Parabéns meus filhos, já tem seis anos. O que querem de presente?” – Falou a mãe, acariciando os cabelos loiros de um de seus filhos, loiros iguais aos seus.

“— Me ensina a tocar essa musica...” – Pediu o garoto.

“— E você Lewis o que quer?” – Indagou agora ao outro filho, acariciando-lhe os cabelos negros, vendo seu olhar até frio.

“— Não preciso de nada.” – Respondeu o moreno, abaixando o rosto.

“— Te darei algo melhor... Aos dois.”

A mulher então deu para a criança loira o instrumento que tocava, notando a satisfação nos olhos deste ao ter aquela lira em mãos. O menor tocou algumas notas, já sabia como utilizar aquilo de tanto ver a mãe tocando. Mas queria saber como tocar aquela melodia lenta e doce que esta sempre tocava.

“— Isto é para os dois.” – Avisou a mulher, sorrindo para seus filhos.

“— Não quero...” – Respondeu o moreno, olhando a alegria do irmão com aquilo em mãos.

“— Deixe de ser chato Lewis! Se não quer aprender, deixa que eu aprendo e toco para nós. Me ensina mãe? ” – O loiro disse.

“— A musica que sempre toco, chama-se ‘Tons da Pureza’. Criação minha, para seu pai...” – Entristeceu-se um pouco ao lembrar-se disto. “— Essa musica muda de pessoa para pessoa.”

“— Me ensine mãe.” – Pediu novamente, com os olhinhos dourados brilhando.

“— Observe... Este é o meu ‘tom’...”

A mulher então pegou de volta sua lira, colocando-a na posição correta e começando a tocar. As notas eram suaves, apaixonadas. O som que saia daquela melodia todas as árvores ali perto já conheciam.

Era o tom do amor.

Mas assim que se iniciou o segundo movimento daquela sonata, pareceu que tudo estava invertido, o que antes era amor transformara-se em medo. As cordas eram puxadas com força, o som saía mais alto e mais caótico.

Todavia apesar disto, ainda era uma belíssima melodia, que faria com que todos parassem o que estavam a fazer, se não existissem apenas mais duas pessoas naquela floresta.

No terceiro movimento, a música voltava a ser calma, mas não o tom de amor, e sim de carinho, como se depois de ter passado por tudo isso, tivesse sido presenteado com um doce agrado. Terminando assim aquela composição.

“— Tente meu filho, sei que já sabes como se toca ela.” – Falou sorridente, entregando o presente para o loirinho.

“— Sim mãe, irei tocar.”

O loirinho então pegou aquele instrumento, colocando-o do mesmo modo que sua mãe tinha posto. Logo começou a tocar as mesmas notas, a mesma musica, mas misteriosamente o som daquela melodia era outro.

Notas suaves, doces, e mesmo que tentasse puxar as cordas com força, o som ainda era tranqüilo.

Tom da pureza. De algo nunca tocado.

“— Filho...” – Começou a falar, com o garoto ainda tocando e não entendendo como aquela melodia estava diferente. “— A música, quando realmente tocada, mostra para os outros a alma de quem a faz.”

“— Como assim...?” – Perguntou, não parando de tocar.

“— Um verdadeiro músico abre sua alma por meio das notas que toca, expondo seu coração para quem puder apreciar.” – Explicou, vendo a carinha da criança ainda na dúvida.

“— Meu coração...?”

“— Sim.” – Acariciou-lhe novamente os cabelos de modo terno e materno. “— Seu coração é doce e puro, esta música só fica bela com a pureza na alma.”

“— Não entendo...” – Terminou de tocar, ficando a olhar aquele instrumento.

“— Eu sei.” – Sorriu, abraçando a criança “— Mas um dia entenderá.”

Poucos anos se passaram naquela mesma harmonia. Mas, de uma hora para outra, as árvores da região estavam morrendo, o lindo lago ali perto secara. A mulher já sabia do que se tratava, e sabia muito bem que não adiantava mais fugir.

Sabia ser apenas uma escrava, uma serva de um louco ser, e que por um descuido seu acabara ficando grávida deste, todavia por sorte e ajuda de amigos, conseguira fugir do castelo. Mas desta vez não podia fugir, tinha filhos a proteger, o instinto materno falava mais alto.

Logo aquela tranquilidade se acabaria com a chegada de um ser vil e perverso.

A noite estava chuvosa, trovões cortavam o céu, o lugar cheirava a algo podre, como se quem ousasse sair daquela casa acabaria no próprio inferno. A mãe olhou pela janela da casa, horrorizando-se ao ver uma legião de zumbis rondando sua propriedade.

Correu para a sala, procurando por seus filhos, querendo salva-los do pai destes.

“— Filhos!” – a mãe chamou por estes.

“— Sim?” – Só apareceu o loiro.

“— Onde está Lewis?!”

“— Pelo o que conheço do meu irmão, deve estar brincando lá fora... Ele adora a noite, parece um morcego.” – Comentou.

“— Seu irmão não é um morcego!” – Gritou. Algo que nunca tinha feito com nenhum de seus filhos. “— ... ” – Porém, logo se arrependeu de ter feito isto.

Aquela não era hora de discussões, sentia que logo a morte em pessoa estaria ali para levá-la para o mundo dos mortos, e não deixaria que seus filhos a acompanhassem.

“— Venha aqui. Agora!” – Falou desesperada. “— Esconda-se aqui.” – Puxou-o até um grande armário que tinha naquela sala. “— E não saia. Não saia por nada.”

“— M-Mãe?” – O menino não entendia, nunca tinha visto a mãe naquele estado.

“— Me prometa, prometa-me que não fará nada!”

“— Sim...”

“— Ele não te achará.” – Ajoelhou-se em frente a este. “— Não te achará por causa do meu sangue em você... Por causa desta mistura profana. Um dia, um dia você entenderá o que é ser um ‘caçador’. Em seu irmão esse lado já aflorou...” – Beijou-lhe a bochecha, notando-a salgada pelas lágrimas que a criança vertia sem parar. “— Meu filho, meu Guille, nunca perca essa sua pureza que amo tanto... ”

“— Mãe...”

Um grande estrondo de trovões fora ouvido, a mulher empurrou seu filho para dentro do armário e fechou-o, indo para o meio da sala, aguardando seu assassino. Parte da casa fora destruída com uma magia e logo um ser sombrio entrou naquela casa.

Um sorriso cruel era a nunca coisa perceptível naquele ser com um grosso manto cobrindo-o. Este se aproximou, olhando bem em volta, com nojo daquele lugar medíocre.

“— Meu tédio chegou ao teu numero.” – Proferiu, a voz saindo como um sopro da morte, em quanto baixava o manto que cobria seu rosto.

A mulher tremeu, mas manteve-se firme. Não podia arriscar a vida dos filhos que tanto amava. Apenas ficou em pé, no mesmo lugar, olhando para o chão. Aguardando qualquer ordem.

A criança estava calada, olhando a tudo de uma falha na madeira da porta do armário que estava escondido. Não entendia o que estava acontecendo, aquele homem que aparecera era muito parecido com seu irmão. Todavia ficaria apenas olhando aquilo, não falando nada, iria obedecer a sua mãe e ficar quieto.

“— Os outros lixos que fugiram junto contigo já morreram...” – Olhou bem para a mulher. “— Qual era teu número?”

“— Cento e oito, meu Mestre...” – Respondeu, mordendo o lábio inferior.

“— Lembrei de ti...” – O olhar negro se estreitou. “— Ordeno que toque aquela melodia.”

A loira apenas andou até a lira que era agora de seu filho, pegando-a rapidamente e voltando para onde estava. Logo começou a tocar a mesma melodia de sempre. Melodia esta que no tempo de escravidão tocava quase todas as noites para seu Mestre.

O outro escutava com atenção aquelas notas, estaria tudo igual se não fosse pelo ultimo pedaço dela. Arqueou a sobrancelha, olhando frio para aquela mulher ainda a tocar.

“— O tom esta diferente.” – Olhou bem para o rosto da mulher, parecia temerosa que descobrisse algo. “— Então é isso...” – Gargalhou. “— Devo ter um bastardo. Cadê a criança imunda para que eu a mate antes que vire algo mais imundo ainda?”

“— Não sei do que falas meu Mestre...” – Parou de tocar. “— Vivo só eu nesta casa.”

“— Mentira, essa musica é minha, e eu consigo ver tudo por detrás dela!”

Foi com raiva para perto da mulher, pegando o instrumento dela e jogando no chão com força, fazendo-o se quebrar. A mulher encolheu-se com medo daquele ser, e logo sentiu uma imensa falta de ar com a mão fria do outro em seu pescoço.

“— Mãe!” – Lewis gritou, correndo até sua mãe. “— Larga ela vampiro!” – Esbravejou, pulando em cima do homem.

“— Achei!” – Pegou-o pelo braço, não deixando que aquele garoto fizesse algo. “— Achei a prole imunda que é meu filho.”

O homem olhou bem para o garoto, os mesmos olhos negros os mesmos cabelos escuros, não tinha como se enganar, aquela criança era seu filho. Pegou com força o pescoço deste com uma mão, perfurando o estomago deste com a outra, fazendo o sangue jorrar e sujar a mulher horrorizada ali.

“— Lewis!” – Gritou desesperada, ajoelhando-se no chão, em completo pânico.

O corpo quase morto da criança fora jogada no chão, e a mãe deste logo pegou-o no colo, alisando os cabelos negros deste, com carinho e uma profunda tristeza nos olhos dourados.

“— Lewis?!” – O homem falou com desgosto o nome de seu filho. “— Lewis Abyssinian... Que nome mais feio, não combina com meu sobrenome.”

“— Shisue, por favor! Salve-o ele é seu filho!” – Implorou desesperada, vendo o sangue do garoto se espalhar pelo chão.

“— É apenas um lixo de caçador... Filho de um Puro Sangue.” – Chutou a cabeça da criança.

“— Fu...Fuja mãe...” – Falou a criança com dificuldades.

“— Não fale meu filho! Tente aguentar...” – Pediu a loira, abraçando de modo protetor a criança, recebendo assim os chutes do outro.

“— Não me desobedeça!” – Puxou-a pelos cabelos, jogando-a no chão, ao lado da criança. “— Vou te matar em quanto tomo teu corpo!”

A criança que estava no armário via a tudo horrorizada, estava em um estado de pânico tão grande que não fazia nada, mal respirava, tudo o que fazia era ver. Ver seu irmão agonizar pela vida em quanto sua mãe era violentada por aquele que devia ser seu pai também.

Misteriosamente não chorava, parecia que as suas lágrimas tinham secado por ver aquilo. Assim que viu aquele homem ir embora, esperou mais um pouco e correu até sua família.

Gritou, gritou como nunca havia gritado em sua vida, vendo sua mãe destroçada e seu irmão morto ao lado. Não sabia o que fazer mais, então correu, correu naquela chuva sem destino algum.

E de tanto correr cansou, e nesta hora desmaiou, sentido todo o peso da solidão em sua alma, todo o peso da dor de ter perdido sua família para aquele monstro infernal.

Quando acordou, não sabia onde estava.

Estava em uma cela, em algum lugar. Olhou em volta, assustado, e logo descobrira que alguém o tinha capturado e feito dele um escravo.

“— Olha que lindos olhos e cabelos, jurava que era uma garotinha na rua quando a peguei.” – Soou a voz de um homem, tocando no corpo da criança.

“— M-me larga!” – Gritou o loirinho.

“— Deixe de drama garoto, bem vindo ao inferno!”

Mal havia feito nove anos e a criança já sabia muito bem como servir a alguém na cama. E desde então, havia trocado de dono em dono. Por anos e anos. Séculos e séculos. O garoto não entendia mais nada.

Tudo a sua volta passava, todos envelheciam, diferente dele pois sua beleza continuava igual. Seu encanto era o mesmo. Seus cabelos continuavam loiros, só que maiores, seu corpo ainda era andrógeno e delicado.

“— O que sou eu...?” – Indagou uma vez para si mesmo, olhando-se em um espelho.

Os anos continuavam a passar, mas com o tempo, nenhuma mudança acarretava em seu corpo. Até que depois de mais séculos se perguntando, um dono lhe deu a resposta. E em sua lembrança as falas de sua mãe vieram à tona.

Era um caçador. E de acordo com seu pai, era um caçador Puro Sangue. Sentiu nojo de seu corpo assim que descobriu o motivo de tudo aquilo. Era muito mais nojento do que faziam consigo, muito mais nojento do que as mãos sujas que tocavam seu corpo.

Fugiu então pela primeira vez, achando por meio de um bizarro instinto, mais seres de sua espécie, juntando-se a Associação dos Caçadores e logo em alguns anos já tinha virado o melhor caçador daquele clã.

Todos o respeitavam, todos almejavam seu poder, e todos que queriam seu corpo bastava lhe pedir. Aquele caçador loiro não se importava com quem se deitava, fora treinado assim, aprendera a viver assim. Gostava de viver assim.

Entretanto um boato de que o Puro Sangue, Shisue Abyssinian, estava na lista para os que teriam que ser caçados fez o loiro despertar. Aquele era seu alvo, sua missão. Mataria todos para conseguir botar as mãos naquele pescoço e estrangulá-lo.

Saiu então com esta missão, e logo conseguiu, de certa forma ajuda. Encontrara um vampiro Classe C que era servo de seu pai, e o fez se juntar a sua vingança. Já que o morcego também queria se livrar daquele Mestre severo.

Logo o plano fora feito, e mais logo ainda executado. Apesar de não ter gostado, o outro loiro arquitetou uma invasão de monstros a um reino, enquanto ele voltou a ser escravo em seguida.

Não ligava se teria que se deitar a força e com quem não quisesse, só não gostava de envolver humanos inocentes em sua vingança, todavia, para conseguir o que conseguiu fez qualquer coisa.

Após poucos dias finalmente a isca estava ao seu lado.

Olhou bem aquele garoto com olhos ametistas em seu cavalo, parecendo estar preocupado consigo, não se importava com o que fizera com o reino deste para levá-lo ao seu verdadeiro alvo.

Sorriu doce, notando que em outro cavalo estava seu alvo, o morcego de olhos verdes e cabelo prata.

Usaria tudo e todos para conseguir o que queria. Sua vingança. Mataria aquele que matou sua alma. Aquele que calou sua musica, que distorceu o tom de sua pureza.

---XxX---

O loiro sentou-se às pressas na cama que estava, sentindo certa dor de cabeça por fazer isso tão rápido. Olhou para seu lado, vendo um elfo ruivo completamente exausto a dormir em seu leito. Respirou fundo notando que já ia amanhecer em seguida. Sorriu amarelo, levantando-se, cobrindo sua nudez com a coberta.

Andou lento até um grande espelho, vendo-se por inteiro. Os cabelos loiros caindo soltos sobre seus ombros. Olhou-se bem, soltando aquele pano e vendo-se completamente. Jogou seus cabelos para trás, lhe dando um ar mais rebelde e adulto.

Mas não importava o que fizesse, ainda tinha uma aparência frágil, uma delgada androgenia. Sabia ser feminino demais para um homem, todavia por isso era mais ágil que os outros caçadores e mais sorrateiro.

“— Oitocentos e quinze anos...” – Sussurrou, tocando em seu reflexo no espelho. “— Este corpo parece que não vai envelhecer mesmo...”

Fechou os olhos, como se querendo negar a realidade que o rodeava nem que fosse por alguns instantes e quando voltou a abri-los, seu olhar estava frio, raivoso. Seus olhos possuíam um brilho âmbar, dando um ar assassino a seu semblante.

“— Não acho que sentiria orgulho deste corpo mãe...” – Murmurou com asco, arranhando com suas unhas perfeitamente vermelhas o espelho a frente.

“— Gui...?” – O elfo acordara, sentando-se na cama e olhando para o loiro.

“— Ny?”

Virou-se rápido, fazendo seus cabelos voltarem a posição de antes, e com o olhar brilhando no mesmo dourado cheio de vida. Era uma máscara tudo aquilo, sua máscara, que com todos sabia que funcionava.

Afinal, eram séculos de prática.

“— Te acordei? Desculpe-me.” – Sorriu-lhe, voltando para a cama, engatinhando até o elfo.

“— Não se cansou...?” – Indagou-lhe, puxando-o mais para si.

“— Nem um pingo... Quer repetir?” – Falou em tom de desejo, passando seus lábios pelo torço do ruivo.

“—Mas você drenou todas as minhas forças... ”

“— Sei como fazer para essa tua ‘força’ aparecer novamente...”

---X---

“— Yami...?”

Cain tinha acordado a algum tempo, tomado um banho e voltado para o quarto, deparando-se com o demônio ainda dormindo na cama. Caminhou lentamente ao leito deste, sentando-se na beirada da cama.

Era estranho o outro moreno estar dormindo a essa hora, todo dia quando acordava deparava-se com este sentado na cama, já acordado olhando para qualquer canto daquele quarto.

Mas desta vez fora diferente, este parecia dormir tranquilamente, as feições dele até estavam com um ar sereno. Aproximou-se mais um pouco na cama, olhando melhor aquele rosto.

Realmente era como olhar-se em um espelho, o mesmo cabelo, a mesma cor de pele, a única coisa que diferenciava-os era aquelas escritas. Aproximou-se mais, olhando-o de mais perto. Por pura curiosidade.

Quando menos espera, é surpreendido por um abraço deste, puxando-o para si, fazendo-o ficar por baixo. Olhou espantado para o demônio, notando o olhar vago, como se ainda estivesse em meio ao sono.

“— Y-Yami!” – Chamou-o, tentando o fazer acordar.

“— Quieto vampiro...” – Murmurou, fechando os olhos.

O sonâmbulo atacou então a boca do que estava acordado e assustado. Beijou-o profundamente, maculando aquela boca com sua língua, deleitando-se com aqueles lábios.

Cain estava quase apavorado, tentava e tentava afastar o outro de si, mas não conseguia e não entendia o motivo para o outro estar fazendo aquilo consigo. Alarmou-se mais ainda quando sentiu as mãos deste entrando em por dentro de sua camisa.

“— ME LARGA!” – Gritou, dando um soco na cara do outro.

“— Aiw...” – Reclamou de dor, sentando-se. “— Cain...?” – Só agora tinha realmente acordado e notava o que estava fazendo. “— Me confundi...”

Sem mais explicações o demônio sai de cima de seu hospedeiro, andando lento e meio zonzo para a porta do banheiro naquele quarto, entrando nesta e logo a fechando.

O moreninho sentou-se na cama, olhando abobalhado este fazer aquele percurso. Como assim ‘se confundiu?’. A quem ele queria fazer aquilo? Levou os dedos aos lábios, notando-os inchados.

Estranhou mais. Aquilo havia sito totalmente diferente ‘daquilo’ que tinha dado em Veck, apesar da intensidade ter sido bem diferente. Olhou avermelhado para a porta daquele banheiro.

Lembrava-se bem, o outro tinha falado algo como ‘vampiro’ antes de fazer aquilo consigo. Mas, o único vampiro que tinha naquelas regiões era Veck. Emburrou-se imaginando os motivos para aquele demônio querer fazer isso com seu amigo.

Lembrou-se de um sonho estranho que tivera essa noite, seu amigo estava gemendo nos braços do demônio, que se divertia machucando-o, e o pior, seu sonho terminava com Veck mordendo este. Ficou mais vermelho, se sentado naquela cama e abraçando suas pernas.

Não sentia nada com o gosto do outro em sua boca, parecia tão familiar, tão normal. Talvez pelo fato do outro ser um clone seu. Não entendia ao certo, mas deixou isso de lado, momentaneamente, lembrando-se mais do sonho que teve.

Fechou os olhos com força, abraçando mais as suas pernas. Apesar de se lembrar daquele sonho, o queria esquecer. Era tão assustadoramente real, parecia que os gemidos de dor ecoavam por sua mente.

Queria sair daquele quarto, esfriar sua cabeça, mas não podia se separar muito do outro moreno. Respirou fundo, deitando-se na cama deste e então cobrindo-se todo, encolhendo-se naquela cama ainda quente.

Ouviu um barulho de porta se abrindo e continuou do mesmo jeito, sem saber quem teria entrado naquele quarto, já que a coberta lhe tapava a visão.

“— Yami?” – Soou a voz de Veck pelo quarto.

Cain pensou em se descobrir e avisar que não era o demônio, mas calou-se ao sentir Este sentar-se na cama, que de fato não era sua. Queria poder ver o rosto deste, mas se puxasse a coberta um pouco o outro notaria que não era quem estava procurando.

“— Sei que está acordado... Se não quer sair daí, tudo bem, pois serei rápido. Sairei antes do Cain sair do banho.”

O moreninho estremeceu de leve ao sentir uma mão de modo ousado em sua cintura, engoliu seco, remexendo-se na cama, segurando mais aquele lençol para que não se revelasse. Nunca tinha escutado a voz do amigo assim, parecia tão rouca e sensual.

“— Eu vou me alimentar dos elfos, então não me provoque mais. Eu tive uma noite péssima... Eu não queria fazer aquilo com Cain dormido do lado, foi a primeira e última vez... Por isso que...” – Parou de falar, ao escutar que o som da água do chuveiro tinha desaparecido.“— Vou indo...” – Levantou-se.

“— Cain, pegue uma muda de roupa para mim!” – Gritou Yami, de dentro do banheiro.

“— Cain?!” – Alarmou-se, olhando para aquilo embrulhado na cama.

“— O vampiro está aí?” – Sai de dentro do banheiro, todo molhado, com uma toalha branca em sua cintura.

“— Yami?!” – Alarmou-se mais ainda, olhando para o demônio daquele jeito.

“— O que fez a meu hospedeiro?!” – Enraiveceu-se apontando para Cain.

Este já tinha se descoberto e estava sentando-se na cama. Sua cara era de poucos amigos e de seus olhos desciam lágrimas. Levantou-se raivoso, chamando mais a atenção daqueles dois, que definitivamente não sabiam o que fazer.

“— Não foi um sonho?” – Indagou irritado para os outros, com as imagens daquele sonho em sua mente.

“— Do... Do que está falando?” – Veck tentou despistar o assunto, rindo sem jeito.

“— De você!” – Aponta para o vampiro. “— E de você!” – Aponta agora para o demônio. “— Gemendo um nos braços do outro!”

“— Há, há, há, há, há!” – Riu Yami. “— Qual o problema?!” – Colocou as mãos no quadril, fazendo pose.

“— Não piore as coisas!” – Reclamou Veck para o outro, preocupado com o rumo daquilo.

“— Quietos! Os dois!” – Olhou com raiva de um para outro, repetidas vezes, logo fixando seu olhar arroxeado em seu amigo. “— Por que Veck?”

Este ficou mudo, completamente sem ações, vendo que o círculo estava se fechando. Tentava pensar em algo e de preferência o mais rápido possível. Todavia não conseguia, sentia seu coração bater rápido, em um ritmo angustiado, como se temesse que o moreninho deixasse de ser seu amigo caso descobrisse a verdade.

“— Se não quer me responder...” – Respirou fundo, fechando os olhos por um instante. “— Perguntarei ao Yami!” – Fixou seu olhar neste agora. “— Fale-me!”

“— O principezinho tá perdendo a calma é?” – Provocou-o, com os olhos parecendo sorrir em deboche. “— Ele só estava se alimentando...” – Andou para mais perto deste, ficando cara a cara. “—Feliz? A resposta é essa.”

“— E porque todos aqueles cortes? E aqueles... Aqueles... Gemidos...” – Abaixou o olhar, ruborizando.

“— Oh...” – Zombou-o mais. “— Cada um geme pelo que gosta...” – Tocou de leve na face à frente, notando-o ainda zangado apesar da vermelhidão mais presente ainda. “— Eu gosto de causar dor e angustia e você... Se esfregar de forma manhosa e submissa.” – Riu.

“— O... QUE!?” – Arregalou os olhos, completamente corado pelo que o demônio havia dito. “— Como ousa...”

“— Quando você dava seu sangue ao vampiro...” – Aproximou-se mais, para lhe sussurrar o resto da frase. “—Você gostava, quase se perdia naquela sensação... Querendo mais e mais... ”

“— Seu demônio!” – Empurrou-o dando-lhe outro soco no rosto, o fazendo cair no chão.

“— Yami?” – Veck correu para ajudá-lo a se levantar. “— O que está acontecendo com vocês dois!?”

“— A verdade!” – O demônio gargalhou alto. “— A verdade que ninguém deste quarto quer admitir! Essa maldita verdade!”

“— Que verdade!?” – Gritaram juntos Cain e Veck.

“— Idiotas... Descubram sozinhos!” – Resmungou, já em pé, realmente já cheio com tudo aquilo. “— O Veck me mordeu sim! Aquela foi a primeira e ultima vez, satisfeito!?” – Falou, olhando diretamente Cain.

“Yami...?”– Pensou Veck, olhando curioso e impressionado para este. “Por que me ajudou...?”

“— Agora... Gostaria de me vestir...” – Sorriu provocante para ambos, tirando em seguida a toalha que lhe cobria e jogando na cara do outro moreno.

Veck e Cain ficaram vermelhos pela ousadia do outro e logo saíram do quarto. Cain, no entanto sentou-se na parede ao lado da porta, lembrando-se que não poderia se afastar muito daquele demônio.

“— Veck...” – Respirou fundo, chamando-o, em quanto olhava para um ponto no chão.

“— ...Sim?” – Olhou para este, já estava quase saindo do corredor.

“— Sente-se...” – Bateu de leve no chão ao seu lado. “— Eu quero conversar...”

O outro ficou um pouco pensativo, mas logo sorriu para este andando lento até o moreno, sentando-se como este tinha pedido. Ajeitou-se melhor, encostando-se na porta. Sabia que teria que explicar alguns fatos para este.

“— Por quê... Por quê mordeu o Yami?”

“— Ele me provocou, mas não nego que eu fui atrás...”

“— Estava com fome...?” – Olhou-o de modo preocupado.

“— Sim.”

“— Por quê?”

“— ...” – Pensou rapidamente no que falar, algo que não incriminasse. “— Minhas reservas estão acabando e eu não as quero utilizar...”

“— E o que sentiu?” – Questionou, olhando fixo para este.

“— Sentir? Como assim?” – Piscou os olhos meio aturdido, o rumo daquela conversa estava cada vez mais estranho.

“— Com... Com... Errr... Digo...” – Avermelhou-se, desviando o olhar. “— Mordendo Yami.”

“— Por que quer saber isso? Não aconteceu nada demais.”

“— ...” – Franziu o cenho, não gostando o outro não ter lhe respondido.

Cain moveu-se, ficando ajoelhado de frente ao amigo, olhava para este como se o analisasse. Mordendo o lábio inferior ao lembrar-se daquele não mais sonho, logo levou suas mãos para a camisa deste, tentando abri-la.

“— Cain!? O que está fazendo?”

“— ...” – Continuou mudo, apenas abrindo-lhe a aquela peça de roupa.

O moreno só parou quando conseguiu o que queria, olhou bem para aquela pele clara, vagando com seu olhar ametista para cada canto visível. Passou de leve as pontas dos dedos por onde sabia que tivera sido cortado.

Estranhamente lembrava-se daqueles cortes como se tivesse feito no outro. A cara de dor que o mais velho fazia com cada ferimento que se formava em seu corpo. Era horrível imaginar aquilo.

Não entendia como aquele demônio podia fazer algo deste tipo a seu amigo. É tão medonho pensar que alguém gosta de maltratar os outros e que alguns gostam disto.

E o pior, lembrava-se de escutar o outro gemendo, como se gostasse de sentir dor.

“— Não dói?” – Indagou-lhe, tocando de leve pelo lugar onde sabia ter sido ferido, mesmo que mais nada restasse por causa da regeneração do vampiro.

“— Não.”

“— E na hora?”

“— Sim.”

“— E por que deixou?”

“— Cain...” – Tocou de leve em sua cabeça, bagunçando seus cabelos. “— Por que tantas perguntas?”

“— Desculpe...”

“— Tudo bem, eu que lhe devo várias desculpas...” – Calou-se um instante, mas logo voltando a falar “— Pelos dias em que eu te mordi.”

“— Mas foi minha culpa...”

“— Chega. Vamos apenas esquecer tudo isso...”

O moreno sentiu-se ser puxado para um abraço, no qual era apertado de forma amigável contra o mais velho. Não conseguiu evitar em sorrir como um bobo, deitando sua cabeça no ombro deste, sentindo um suave carinho em sua cabeça, um afago terno e gentil. Fechou os olhos deixando-se nos braços de seu amigo.

Veck olhava atentamente aquele humano tão inocente aconchegado de forma manhosa em si. Realmente Cain era completamente diferente de Yami. Seria praticamente impossível o demônio ficar daquele jeito consigo.

Não que quisesse, é claro.

Sorriu, passando as mãos pelas costas do outro, notando satisfeito e encantado este se remexer em busca de mais contato. Parecia um gatinho manhoso em busca de atenção e carinho.

Respirou fundo, fechando os olhos para apreciar o momento, mas logo algo lhe chamou a atenção. Voltou a abrir os olhos, sentindo o cheiro do outro, algo suave que por algum motivo lhe atiçou os instintos.

Levou seu olhar esmeralda para aquele pescoço claro e macio, completamente desprotegido e indefeso. Afastou-lhe um pouco os cabelos cor ébano para poder ver mais claramente aquele pedaço do moreno.

Não entendeu a fome de sangue que apoderou completamente de seu ser, sentia a artéria ali pulsando, o plasma passando apressado por dentro desta. Não resistiu em beijar com luxuria aquele lugar, sugando a pele, deliciando-se com o sabor, já pensando em maculá-la com suas presas.

Mas para, notando o outro ficar tenso e estremecer. Só então notando o que ia fazer.

“— Desculpe Cain!” – Avermelhou-se de imediato, quando notou o que tinha feito.

“— ...Fome?” – Perguntou-lhe, ainda aconchegado da mesma forma só que estava um pouco incomodado com aquilo.

“— Não.” – Respondeu de imediato. “— Mas meus instintos responderam ao teu cheiro... Ao teu sangue...”

“— ...” – Ainda estava tenso.

“— Deve estar se perguntando o motivo...” – Respirou fundo. “— Foi por causa da minha queda de nível... E de você ter me alimentado...” – Falou com um grande pesar.

“— Eu fiz errado...?”

“— Não gosto de sangue... Preferia que tivesse me deixado morrer...” – Comentou.

“— Não!” – Protestou de imediato, afastando-se um pouco e olhando bem naqueles olhos.

Os ametistas se encontrando com os esverdeados, ficaram assim por um longo tempo. Até que Cain não aguentou e desviou o olhar, sentia-se estranho ver-se refletido naqueles olhos cor esmeralda.

“—Desculpe se fiz errado, mas eu não queria te perder... Você é mais que um amigo para mim...” – Falou baixinho, corando.

“— Cain...?” – Piscou os olhos, achando que estava imaginando coisas demais novamente.

“— Você é como um irmão... Quero teu bem...”

“— Eu também...” – Mexeu-lhe nos cabelos, o trazendo mais para o abraço.

“— Veck...”

“— Sim?”

“— Você... Tem certeza de que não quer?”

“— Querer o que?”

O moreninho afastou-se um pouco, levando uma mão aos seus cabelos os segurando para trás, enquando a outra mão passava pelo pescoço. Os dedos deslizando por uma marca roxa ali, marca que nem sabia existir.

O meio vampiro engoliu seco vendo a mancha que tinha deixado no pescoço deste. Sabia que o moreno não tinha feito aquilo para lhe acusar daquela marca, possivelmente nem sabia que tinha ficado isto em seu corpo. Fechou com força seu punho, chegando quase a ferir sua pele.

“— Não tomo sangue.” – Respondeu-lhe, virando o rosto para não ver aquilo. “—Não gosto de sangue...”

“— Mas você dizia que gostava dele... Que seria o único que tomaria... E você mordeu o Yami...” – Emburrou-se como uma criança contrariada.

“— Cain o que quer?” – Estranhou-o. “— Até parece que agora que está com ciúmes de eu ter mordido o Yami.”

“— Não é isso!”

“— Então me diga o que é.”

“— Eu não sei...” – Calou-se por um tempo, olhando bem para o amigo. “— Veck...” – Moveu-se, apoiando seus braços no peito deste. “— Se tem fome... Pode... Pode... Me morder.”

“— Pare de brincar comigo Cain.”

“— Eu estou preocupado!”

“— Agradeço sua preocupação, mas não vou me alimentar disto, de você.”

“— Mas você se alimentou de Yami.”

“— É diferente.”

“— Então prefere morder o Yami...” – Abaixou o olhar, ficando desanimado.

Veck respirou fundo, apesar de serem tão diferentes, aqueles dois morenos eram iguais neste sentido. Pareciam crianças querendo atenção de sua mãe. Era a única lógica que conseguia encontrar, já que não conseguia entender o que estes pensavam.

Fechou os olhos, cansado de tudo aquilo. Se antes era difícil aturar um deles por vez, agora que a dose era dupla tinha que manter a calma o dobro. Sorriu fraco, Cain só podia estar com medo de perder o amigo, ou algo do tipo.

Por isso este ciúme do demônio.

“— Cain, não aconteceu nada, eu ainda sou seu amigo e isto não mudará...” – Acariciou-lhe novamente os cabelos sedosos.

“— Veck...” – Sorriu-lhe, voltando a abraçá-lo com força.

Nesta hora a porta do quarto é aberta, e o vampiro que estava encostado nesta acaba caindo, levando Cain consigo.

“— Interessante...” – Observou Yami, aqueles dois no chão.

Sorriu de canto com desgosto daquilo. Seu hospedeiro em cima do vampiro e este com a camisa aberta. Irritou-se de imediato com a cena. Franziu o cenho puxando Cain para si.

“— Vampiro, o que anda fazendo com meu hospedeiro!?” – Abraçou este com força, olhando com raiva para o outro.

“— Como...?” – Veck sentou-se, olhando abismado aquilo.

“— Yami...?” – Cain olhava mais aturdido que o Veck.

“— Que historia é essa de tirar a roupa...” – Indagou irritado para Veck.

“— Não fui eu!” – Levantou-se, começando a vestir-se novamente.

“— Bom dia a todos!” – O loiro aparece saltitante pelo corredor, sorrindo abobalhado, como se a noite tivesse sido boa, mas logo muda a cara ao ver a cena a frente. “— Morcego! O que fez ao Cainzinho!?” – Correu até este.

“— Mas eu não fiz nada...” – Terminou de se arrumar. “— Por que me culpam?” – Bateu na testa.

“— Eu chego, vejo você se vestindo, o Yaminho com raiva e protegendo o Cainzi-”

“—YAMINHO!? ” – Interrompeu a fala do Guille, gritando alto e com raiva o apelido que este tinha lhe dado.

“— Opa!” – Correu logo dali. “— Lembrei que tenho o café a fazer...”

“— Coisa loira dos infernos...” – Bufou de raiva.

“— Yami... Me solta...” – O moreninho tentou se afastar. “— O Veck não fez nada.”

“— Não...?” – Soltou-o.

“— Não. Eu só... Fiquei preocupado se os cortes ainda estavam doendo...”

“— Que corte?” – Lembrou-se de ontem. “— Ah, sim... Ele é um vampiro, isso some em minutos...” – Respirou fundo, jogando os cabelos para trás, mas logo voltaram ao jeito ‘Cain’ que eram. “— Além do mais, ele gostou de recebê-los...”

“— Ninguém gosta de sentir dor.” – Emburrou-se cruzando os braços.

“— Meu caro hospedeiro... Existem tantos mistérios e luxúrias neste mundo que você não conhece...”

“— Não preciso conhecer disto...”

“— Eu sei... Pobre criança, virgem até virar Rei...” – Zomba.

“— Como... Sabe disto?” – Ficou completamente corado.

“— Isso é verdade Cain?” – Veck olhou bem para este. “— Agora tudo faz sentido... Toda essa inocência em demasia.”

“— ...” – Virou-se, tentando esconder a vermelhidão de seu rosto.

“— É só por causa disto vampiro...” – Olhou com malícia e um sorriso vulpino nos lábios. “— Que você está a salvo...” – Falou baixinho, sabendo que só Veck escutaria.

“— Do que estou a salvo...” – Emburrou-se, olhando com cara feia para este.

“— Nada.” – Riu. “— E Chega disto, Cain está com fome.”

“— Como sabe?” – Virou-se novamente para ele.

“— Sabendo.” – Fez pose. “— Eu sei de tudo sobre você. Até mesmo o que você não sabe...”

“— ...” – Avermelhou-se novamente.

Yami riu, era até divertido brincar com seu hospedeiro, ele ficava todo vermelho. Mas preferia brincar com o vampiro, neste, podia fazer o que quisesse. Na medida em que a alma de Cain não atrapalhasse seus desejos.

---X---x---X---x---X---

Um ser de olhos verdes e cabelos loiros andava raivoso por entre os corredores daquele castelo. Era absurdamente fácil se perder neste. Seu Mestre, por meio de magia, vivia mudando tudo de lugar.

O que antes era uma sala, virara um jardim, o que era um banheiro virou cozinha. Aquele castelo era estranho, possuía quase vida própria. E moldava-se perfeitamente aos desejos do seu anfitrião.

Já estava a quase duas horas procurando por seu Mestre naquele lugar, e o pior não podia nem guiar-se pelo cheiro, já que estava em todo lugar. Como um cão sarnento que vive marcando território. Não que Shisue ficasse fazendo isso.

Como odiava aquele lugar. Como odiava a morte que era obrigado a viver como servo daquele louco vil.

Abriu outra porta, seguindo o corredor que tinha neste. Virou o rosto em desgosto, havia parado na masmorra, onde vários seres estranhos eram presos. Fazendo assim a coleção particular do Puro-Sangue.

Deu as costas para aquilo, sentia nojo de tudo, aqueles seres implorando por comida, por liberdade. Inúteis.

Voltou ao corredor maior que estava antes, continuando seu percurso por ele. Parou quando ouviu um gemido. Sorriu, afinal, onde tinham gemidos, seu Mestre estaria lá. Foi andando, sendo guiado pelo som, chegando a uma grande porta.

Bateu nesta algumas vezes, esperando a confirmação.

“— Entre...” – Soou uma voz rouca de dentro.

“— Meu Mestre...” – Arrepiou-se todo ao ver onde estava.

Uma câmara de torturas, onde o trançado estava preso a uma parede, por grossas correntes negras. Sem nenhuma peça de roupa e completamente sujo de sangue. Agradeceu internamente por não estar no lugar deste.

“— Digas o que quer!” – Ordenou Shisue, dando uma chicotada no peito do menor, que gemeu desesperadamente. “— Bwahaha!” – Riu macabramente lhe dando outra chicotada.

“— Tenho novidades, meu Mestre...” – Tentou ignorar os gemidos do menor, continuando assim a falar. “— Um plano para capturarmos Vectorius...”

“— Meu belo?” – Perdeu de imediato o interesse em Oroi, voltando sua atenção no que o loiro lhe falava.

“— Mestre...” – O vampirinho falou baixinho, triste pela repentina mudança de importância.

“— Haverá um baile de máscaras na vila élfica, as defesas estarão avariadas. Uma oportunidade perfeita para fazermos uma visita.” – Falou-lhe o plano.

“— E já temos a isca perfeita...” – Seus olhos brilharam com uma súbita crueldade.

“— Sim, exato, meu Mestre...”

“— Finalmente me fora útil Vitor.” – Aproximou-se deste, pisando pelas poças de sangue do outro moreno. “— Irei te retribuir...”

“— Mestre...” – Uma sombra de esperança surgiu em seu olhar. “— Deixará que eu tome de teu sangue...?”

“— Não exagere...” – Riu sarcástico. “— Só Vectorius tem o direito de fazer isso...”

“— Mestre...” – Apontou emburrado e desapontado para Oroi.

“— Ele...” – Olhou bem para o que estava preso, sentindo seu interesse neste voltar. “— Ele é ‘belo’...” – Lambeu os lábios, andando lentamente para perto deste novamente.

“— Mestre, te amo...” – Alegrou-se vendo o outro voltando para si, segurando aquele chicote e já lhe acertando. “— Ahhhnwwwm... ” – Gemeu com gosto, sorrindo pela atenção deste ter voltado para si.

“ Medonho...” – Pensou Vitor olhando aquilo, já saindo de fininho daquele lugar.

“— Vitor.” – Shisue o chamou.

“— Si-Sim.” – Estremeceu, voltando sua atenção para seu Mestre.

“— Esteja preparado para teu presente...” – Sorriu-lhe predador.

“— ...” – Respirou fundo, sabia que não podia fugir daquele Puro Sangue. “—Sim... Meu Mestre... ” – Acatou, saindo logo dali.

“— Finalmente uma informação útil daquele loiro...” – Comentou baixinho, passando os dedos pelos cortes no peito do menor “— Já estava pensando em me livrar dele...”

“— Mestre...”

“— Diga, minha criança.” – Levou os dedos cheios de sangue aos lábios, sugando-os com perversão.

“— Ainda lhe sou útil...?” – Indagou-lhe, com a voz meio triste.

“— Sim...” – Aproximou-se mais deste, largando o chicote.

O menor sorriu, pois, momentaneamente, sabia ser o favorito do mais velho. Dentre todos os servos que este possuía, era consigo que passava a metade do tempo. Só não estava com o Puro Sangue, quando tinha que cuidar de seus afazeres.

E mesmo assim, tinha vezes em que fazia estes, na companhia de seu Mestre. Era este amor louco e doentio que sentia, que não o fazia acabar com a própria vida. Amor que somente sonhava que em um dia poderia receber deste também.

CONTINUA...

08/03/10

Nota da autora:

Quem já sabia que o Guille era filho do Shisue levanta a mão o/

Certo isso até era um pouco previsível, mas ele ter oitocentos e quinze anos deve ter sido um choque para qualquer um, não? XD

Pobrezinho do Gui... (nem ligo para ele ><\"), sofreu tanto quando criança... Perdeu até o irmão gêmeo bivitelino...

Espero que estejam gostando, obrigada a todos os reviews que me mandam, juro que quando tiver tempo e menos preguiça respondo eles.

Em quanto isso... Eu cutuco minha beta. *cutuca, cutuca* XDDD

Comentário da beta:

BUAAAAAA!!!!!! Coitado do meu filhote….. Tão bobinho…. ^^

Eu já sabia!!! o/ Mas verdade, com a idade do Gui, eu caí para trás O_O

Eu só tive pena do Lewis….. *foi quem escolheu o nome* Ele seria um Seme tão….. Tão…… *baba*

A propósito…. Eita agonia de Veck, Cain e Yami @-@ Eles estão consumindo o resto do meu juízo!!!! Esqueci o que ia escrever. Ah! Qualquer erro, perdoem-me…..

*Cutucada, cutucada* SI ‘l’ *-----------*

Desenhos:

\"Shisue\"

Shisue

\"\"

Shisue x Veck

\"\"

Yami + Cain

\"\"

Yami x Veck

\"\"

Guille

\"\"

Nyha

\"\"

Lewis + Guille

\"\"

Oroi

\"\"

Shisue x Oroi (ui!)

Foram mais desenhos, pois da ultima vez o Nyah não me deixou postá-los... Espero que tenham gostado XD

By: Toynako