Prisma das Sombras

1 Capítulo 1- A Sombra da noite de inverno parte 1


Notas iniciais
O primeiro capítulo é divido em partes. Portanto a primeira parte é intitulada: A falsa tranqüila noite de inverno

Era uma noite fria de inverno na Rússia. Os pequenos flocos de neve caíam lentamente até tocarem o chão alvo, já coberto por alguns centímetros. Os ventos fortes faziam bater as janelas de uma mansão com imensas janelas de uma construção antiga, localizada bem afastada da civilização humana. Minuciosamente esculpida, muito bem decorada com móveis de mogno e enormes pinturas antigas. Alguns artefatos raros espalhados pelos cantos davam um toque rústico a aquele lugar. Na sala, alguns tapetes se estendiam por todo o cômodo, se encontrando no centro, bem enfrente à majestosa lareira que lançava sua luz e calor a uma poltrona aveludada e confortável, bem grande e que balançava para frente e para trás lentamente. Esta ocupada por um homem. Sua feição nobre e seus longos cabelos arroxeados refletiam o brilho de seu sorriso. Seus olhos extremamente verdes eram fascinantes e agora caminhavam de um lado ao outro, enquanto suas calejadas mãos folheavam um misterioso livro de capa vermelha de couro.

Enquanto tal homem lia o livro, no andar de cima ouvia-se uma doce risada infantil; Lá, sem nenhuma preocupação, uma mulher de longos cabelos loiros, olhar penetrante uma pele pálida, porém macia, brincava com seu filho caçula em seu quarto. A grande porta de madeira se encontrava meio aberta. Os dois se divertiam tanto, ambos sorriam e gargalhavam quando a pequena criança, muito parecida com a mãe, se irritava com o pequeno urso de pelúcia. A meiga mulher pegou seu filho no colo, rindo da face engraçada dele, quando ela sentiu uma forte dor no peito. Mirou seu olhar sobre a janela embaçada e sussurrando para o filho deixou que caísse uma sincera lágrima dos olhos.

- Estou com um pressentimento forte aqui no peito, como se algo ruim fosse acontecer. Apertou com força o peito, em seu lado esquerdo e deixou derramar mais uma lágrima que deslizou por todo seu rosto macio, até cair na testa da criança. Ouviu um estrondo esvoaçar lá de baixo, na sala, e um tilintar de metais. Repousou a criança na cama, e saiu correndo até que cruzou as portas de madeira.

Caminhou até o centro da escadaria, viu diante de seus degraus seu amado esposo com uma espada estancada pelas costas. Elevou as mãos até a boca, apertando com força o peito, enquanto um poderoso sentimento de tristeza lhe cobria. Caiu em pranto, em desespero. Aquele sangue escorrendo pelos degraus trazia ao fundo de suas narinas um aroma que não tinha misturas de outros sangues, apenas o da família Hamada. Seus olhos antes verdes se tornaram vermelhos como rubis e suas presas e tornaram afiadas como lâminas. Ficou se lamentar, até que ouviu um grito de seu filho, vindo do quarto onde antes estava. Levantou-se com fúria, pegou a borda de seu vestido branco e saiu em disparada.

Ao entrar no quarto, deparou-se com um homem coberto por um manto branco impecável, apontando uma espada para o nariz da pobre criança, que gritava.

- Quem é você?! O que quer aqui conosco?! — Exclamou a mulher, já se lançando sobre o misterioso homem encapuzado. O desconhecido homem, apenas desviou, dando alguns passos à direta com extrema rapidez. A mulher, não pôde fazer nada e bateu de frente com a parede, caindo sobre o chão com fortes dores.

Aproveitando do fraco estado dela, o misterioso homem caminha até beira a cama, mira seus olhares na criança que também o olhava como se o conhecesse, pegou este pelo pescoço e encostou uma espada em seu pescoço, ameaçando-o.

- ME DIGA! ONDE ESTÁ A-QUI-LO?! A mulher erguia os seus olhos vermelhos escarlates e com a voz enfurecida, porém um pouco fraca replicava, forçando com os braços para se levantar.

— N-Não s... Não sei do que está falando. - Bem, então acho que terei que usar a força. - Disse o homem, virando sua cabeça para a indefesa criança em seus braços, forçando de leve a ponta da espada em seu pescoço.

- Eu te falo, mas, por favor, deixe meu filho em paz... Eu te imploro! — A mulher suplicava de joelhos, com lágrimas escorrendo por todo seu borrado rosto. - Piedade é pra fracos como vocês. -

Jogou a criança no chão sem dó nenhuma. Caminhou até a mulher e lhe deu um tapa, deixando a maçã da face bem avermelhada. - Anda sua imprestável, levanta! Quanto antes você morrerem melhor. -

Pegou novamente a criança no colo, perfurando mais um pouco seu pescoço com a ponta da espada. A criança gritava e esperneava de dor e mesmo assim ele continuava, cada vez mais fundo a espada penetrava.

- Ike, NÃO! - Gritou a mulher caindo em prantos aos pés do rapaz, puxando com força seu manto, implorando clemência e prometendo lhe entregar o que queria. O homem cessou com as torturas e fez um sinal positivo com a cabeça.

A mulher se levantou cabisbaixa e foi caminhando. Passaram pela porta. Eles cruzavam vários corredores, entravam e saíam por portas, subiam e desciam tenebrosas escadas, até que chegaram a uma sala úmida e com um péssimo cheiro de mofo.

- Ali está! - Sussurrou ela, apontando para uma pequena vitrine de vidro opaco, que guardava um pequeno objeto brilhante. Caminhou ele passo a passo, com ambição de pegar aquele objeto. Largou o menino na metade do percurso, que foi agarrado pela mãe. Um rosnado saía da boca do homem, enquanto pegava de leve, com toda delicadeza aquele misterioso objeto, tão importante pra ele.

Sorrateiramente, a mulher busca com as mãos um pedaço de madeira, deixa o filho assentado no chão e vai com tudo para cima do homem, sem fazer nenhum barulho. Com pequenos movimentos ela acertou exatamente no centro do crânio da rapaz, que caiu desmaiado no chão.

Em desespero, a mulher pegou o filho e saiu correndo, infiltrando-se na floresta congelada, ao lado da mansão. Alguns pequenos buracos se faziam presentes sobre a alva neve, em formato de pés, pequenos e delicados. A respiração da mulher era acelerada e ofegante, se fazendo presente a cada passo dado, com extrema dificuldade.

Os dois, a mulher e a criança, cruzavam árvores e mais árvores, na mais pura escuridão. Os corpos, desprovidos de agasalhos já estavam arroxeados de frio, congelando. Um barulho de passos rápidos e velozes parecia os seguir.

- Ai meu Deus, eu preciso fazer alguma coisa. Ike, a mamãe te ama... Eu vou voltar... Eu vou voltar meu filho. — Tocou a testa do filho do filho com muito amor e tristeza, e permaneceu assim por algum tempo, chorando como se fosse o último encontro. Enxugou as lágrimas e com um suspiro deixou o filho encostado no tronco da árvore e saiu em direção aos passos.

A indefesa criança, ficava sorrindo e brincando com pedrinhas, não sabendo o mal que lhe rodeava. Brincava ingenuamente, enquanto do outro lado, sua mãe sentia seu corpo sumir, suas esperanças acabarem, serem carregadas pelo vento. Mesmo morrendo de dor, abriu um sorriso sincero, antes de sumir por completo, deixando apenas as lembranças de um dia feliz.

A criança adormeceu ali, com o barulho dos grilos e corujas, naquela fria noite de inverno. O Sol já surgia, quando uma mão toca o frágil corpo do menino, que abriu os olhos assustado olhando aquela face, por detrás dos galhos de um arbusto.