Prisma das Sombras

2 Capítulo 1- A Sombra da noite de inverno parte 2


Notas iniciais
O primeiro capítulo é divido em partes. Portanto a segunda parte é intitulada: Um novo amanhecer frio para Hamada.

. O Sol já surgia meio tímido entre as nuvens de inverno, quando uma mão toca o frágil corpo do menino Ike, que abriu os olhos assustado olhando aquela face, por detrás dos galhos de um arbusto.

-I...I..Iran?

Passou as pequenas mãozinhas nos olhos verdes, porém poderia ser visto um leve tom de vermelho na íris devido à fome que atacava, Ike reconheceu o dono daquela mão, o seu irmão mais velho.

-Venha, Ike..vamos embora daqui, você precisa de se alimentar.

Sem muito no que pensar, a criança levantou-se um pouco desengonçado, tentou sair daquele pequeno esconderijo, contudo um arbusto que estava próximo fez com que o pezinho dele ficasse preso, até que ele lutou para se libertar, mas não conseguia, estava sem força. Ao perceber que não poderia sair de lá sozinho, Ike ergueu os braços e olhou para o irmão como se pedisse ajuda, e o jovem o pegou no colo seriamente, levando para casa.

-Iran.. mamãe cadê? Iran, mamãe cadê?

Ao longo do caminho, Ike repetia essa pergunta insistemente , porém, Iran permanecia calado durante toda jornada, apenas passando as mãos nos cabelos do garotinho.

-Bem..chegamos rapazinho, a partir daqui acho que você pode ir andando.

Iran desceu Ike, colocando em pé a frente da grande porta da mansão. Com as mãozinhas, postas perto da boca, ele ficou esperando até o irmão abri-la para poder entrar.

-Vamos, entre e cuidado para não se machucar. Dizia o irmão, segurando a porta para que pequeno pudesse passar.

Ao entrar na casa, Ike atravessou correndo o hall e foi direto para sala. Na sala, no entanto não havia mais nenhum vestígio do terrível acontecimento da noite passada, o corpo do pai dos garotos já não encontrava estendido, Iran já tinha removido daquele local.

Ao chegar à sala, Ike ficou com o olhar fixo para o quadro da família que havia acima da grande lareira, parecia já saber o que havia ocorrido com os pais, pois pequenas lágrimas escorriam na sua face inocente.

-É Ike, agora só restamos nós da família. Em todo mundo das sombras só há dois Hamada, eu e você, somente nós dois. Dizia, olhando também para o quadro friamente, enquanto passava a mão na cabeça do menino.

- Quero, mamãe! Quero mamãe! Aclamava pela mãe enquanto apontava para a face dela estampada no retrato. Iran, por sua vez, agachou, colocando as mãos nos ombros de Ike, encarando parcialmente os olhos verdes do garoto

-Ike, a nossa mãe não pode está mais conosco, assim como o nosso pai, eles morreram.

Uma leve lágrima descia sobre a face de Iran, enquanto falava. Olhou para o lado tentando ocultar a tristeza ao irmão, mas logo voltou a mirar a face de Ike desolada.

-Mamãe e papai morreram? Perguntava a criança inocentemente, talvez nem soubesse o significado da palavra morte.

-Sim, eles morreram, eles foram mortos!

Abraçou o irmão caçula, enquanto contrai as pálpebras evitando que outras lágrimas caíssem. Ike envolveu os seus bracinhos no pescoço do irmão, abraçando também.

- Vamos nos alimentar, você está com fome, vejo pela coloração das suas íris. Iran abraçou o pequeno irmão e colocou-o nos braços, carregando para as escadarias e seu quarto.

Numa mesinha no canto do quarto, Ike viu uma bandeja que possuía um copo com um líquido vermelho e vistoso, que trouxe interesse imediato no jovenzinho. Ele correu, quase tropeçando nos próprios pés, para pegar o copo, enquanto, disfarçadamente, Iran encostou a porta e trancou-a, mantendo o irmão preso.

Depois de beber todo o sangue dentro daquele recipiente, Ike sentiu-se satisfeito, tanto que o sono repentino lhe abateu. Após algum tempo depois de ter adormecido, ele aproximou-se da porta tranquilamente, postou as pequeninas mãos na maçaneta e a girou, porém não conseguia abri-la, mas não desistiu, várias vezes utilizando a pouca força que tinha no seu corpo para conseguir abrir. Porém, finalmente, ao notar que não haveria possibilidade de abrir esta, pois estava trancada.

A criança chamou pela mãe falecida e também irmão mais velho durante bastante tempo, esmurrando a porta, mas parecia que ninguém o escutava. Chorou durante horas, até que num determinado momento, sentiu uma nova fadiga e dormiu ao pé da porta.

No dia seguinte, Ike acordou nos braços de Iran. Olhou-o com medo, mas logo quando o irmão mostrou-lhe um sorriso manso, Ike demonstrou tranqüilidade.

— Vamos dar uma volta, meu pequeno Ike. Iran vai levá-lo para um lugar novo.

— Lugar novo? Onde é? – questionou o pequeno infantilmente, tentando olhar à sua volta.

- É um lugar onde aprenderá ser um lobo na pele de um cordeiro.

Brincou Iran, mas sem sucesso, pois Ike ainda não compreendia frases irônicas do mundo, porém logo aprenderia a compreendê-las e utilizá-las ao seu favor.

Os dois irmãos ficaram parados à porta da grande mansão. Iran mais uma vez mirou para a moradia, suspirando.

- Hora de partir. Espero não tardar a nossa volta, pelo menos a minha, pequeno Hamada de olhos de esmeraldas.

Logo os dois únicos Hamada deixaram a morada para um novo destino.