Notas iniciais
(Quando me vi no espelho minha reação foi essa.) Psicofofa pede para o Garoto da Navalha cortar seus pulsos e desenhá-la na parede branca do seu dormitório, e o resultado não a agrada. Pensando nisso e em como foi deixada de lado pelo Indolente, tem um ataque de raiva. Faz coisas absurdas, como cortar sua barriga, tentar mover seu nariz, fazer a dieta do algodão. Se desfigura e vira a diva deformada.

Quem é essa garota
Nesse espelho quebrado?
Cega pela obsessão oculta
De estar dentro dos padrões

Você me pintou nas paredes brancas
Meu vestido vermelho colorido
Com seu próprio sangue ruim
Mas aquela não podia ser eu

Sucção nos lábios até rachá-los
Exposta ao Sol, pronta para
Conseguir o bronzeado natural
Com algodão no estômago,
Serei fofa por dentro?

Cintura de boneca, de pin up
Corset comprimindo os órgãos
Prendendo a respiração,
Tudo isso por você

Eu não sou quem você quer?
Sempre mudarei, nunca a mesma
Me amar pelo o que sou
É o meu desejo proibido

Não sou um monstro tenebroso
Por que me olha desse jeito?
Apenas queria ser bonita para você
Não o agrado? Não o impressiono?
Agora eu sou a diva deformada

Roubarei sua navalha afiada
Minha pele sairá por completo
E eu vestirei um casaco de leão
Assim eu serei macia ao toque?

A maquiagem escondendo as linhas
Da marcação da última cirurgia plástica
Vestidos caros não me dão nenhum valor
Esse é o real preço da beleza atual
Que não é pago com milhares de reais

E apenas brilhando com formol
Deitada no caixão de verniz
Conformada com a distorção
Percebi que fui perfeita

Notas finais
"Eu sou bonita mesmo na minha feiura, você sempre diz"