Priscila
7 Drogas e Tatuagens
Naquele final de semana ela me levou para conhecer alguns de seus amigos e simples como as coisas entre nos ficaram perfeitas, rapidamente e monstruosamente elas decaíram e se destruíram.
Chegamos era cerca de nove horas da noite. Priscila conhecia todo mundo presente naquela boate, o que seria casual para mim se tornou em uma grande cena da qual eu primeiramente me senti muito desconfortável com. Assim que me acostumei eu comecei a me sentir estranha. Nunca estive tão orgulhosa de estar ao seu lado, me sentia como namorando uma estrela de cinema ao algo do gênero. Ganhamos cerca de duas ou três doses de graça de tequila e eu comecei a me animar. Estava leve, mas talvez, leve demais, porém tudo parecia certo quando eu não era mais a garota deslocada do canto que nunca tem amigos, eu dançava com a estrela, a beijava e todas as garotas de lá nos observavam.
Então eu fui buscar mais bebida e acabei me perdendo de Priscila. Mariana segurou a minha mão e me puxou para dançar, no meio de todos. Ficamos ali na pista de dança com seu corpo suado tocando o meu pelo que pareceu uma vida. Ela era linda, estonteante e eu fiquei meio perdida em meio a seus cabelos, sua boca, seu toque firme, mas meu estomago começou a doer, a embrulhar e eu tive que a abandonar ali. Por algum tempo eu fiquei pensando no que tinha acontecido com a minha capacidade de beber.
Segui para o banheiro, procurando não envergonhar-me na frente dos amigos de Priscila. Assim que entrei, joguei agua em meu rosto, mas ainda continuava tonta. Pensei em ligar para Emma e pedir que ela me socorresse, mas enquanto aquilo se passava pela minha cabeça, o fato de que eu também poderia perder meu telefone e nunca mais encontra-lo também me perturbou. Eu pensei em muitas coisas, mas não fiz nada.
Caí sentada em um banco que havia no canto do banheiro. Era claro que eu precisava sair dali. Procurei meu telefone em meu sutiã, onde eu costumava deixa-lo, mas assim que eu o encontrei, Priscila saiu de uma das cabines com Thais, que arrumava as suas roupas.
Todo aquele tempo que estive no banheiro eu ouvia gemidos e barulhos de beijos, mas eu nunca imaginei que as duas estariam ali, fazendo aquilo, naquele momento. Eu juro que pude ouvir meu coração se quebrar em mil pedaços quando o cenho dela se franziu ao me ver, ou como ela olhou para Thais e para mim mecanicamente durante muito tempo. Priscila fez que iria falar alguma coisa, mas antes que pudesse eu vomitei, abaixando a minha cabeça, segurando meus cabelos, e abrindo os pés.
Senti todo em meu estomago sair, senti o vazio, senti o gosto acido e o cheiro horrível, então eu vomitei novamente. Limpei meu rosto com a minha própria mão. Thais saiu correndo do banheiro e Priscila se sentou ao meu lado, mas não fez nada, apenas ficou ali.
Mariana correu para o banheiro, lavou meu rosto e me deitou no banco, foi quando tudo ficou preto e eu cambaleei mesmo deitada. Olhei para todos os lados e tudo parecia tremer de uma forma rápida e continua, me devorando. Daquele momento em diante eu tenho certeza que desmaiei, pois não me lembro de mais nada.
Acordei bem desnorteada. As paredes eram brancas, o gosto em minha boca era horrível, meu irmão segurava uma das minhas mãos e minha mãe estava sentada a minha frente. Demorou algum tempo até que eu notasse que estava em um hospital.
–Mas que merda...? – em minha cabeça soou um zumbido alto intenso e eu tapei meus ouvidos esperando obter algum resultado.
–Oi. – minha mãe retirou as minhas mãos da minha cabeça, colocou sua fria mão em minha testa, sorrindo – Você está em um hospital desde ontem a noite. Te fizeram uma lavagem estomacal e acharam algumas drogas no seu sistema. Priscila disse que você teve uma espécie de convulsão.
–Me drogaram? – em um impulso me sentei na cama, segurando a mão de minha mãe. –Eu não tomei nada, eu juro! Eu bebi, eu realmente bebi, mas não usei nada. Você acredita em mim, não é? Você me conhece, sabe que eu não faria isso. – meu olhar virou para ela, quase que como uma suplica para que ela acreditasse em mim.
Acho que até hoje, a minha mãe não tem ideia de que naquela época eu realmente usava drogas, mas eu não estaria mentindo, eu não tinha ideia de como eu tinha drogas no meu sistema.
Minha mãe assentiu, minha cabeça começou a latejar e eu tremi, me jogando na cama.
Haviam me drogado e Priscila havia me traído com a minha ex-namorada que tinha destruído a minha vida.
Talvez a pior parte de toda aquela historia era que que nós não namorávamos, então aquela não era uma traição real.
Decidi dormir. Eu iria para casa no dia seguinte e eu não queria pensar naquilo. Baixei um filme qualquer e vi com meu irmão, que parecia desesperado para que eu melhorasse. Não recebi nenhuma mensagem dela. Isso realmente parecia o nosso fim.
A noite minha mãe teve de levar meu irmão para casa e Mariana veio me ver, largando sua gêmea dentro do hospital.
–Priscila também está internada. Assim que eu chamei a ambulância ela teve uma convulsão e apareceram mil policiais foi algo muito louco. Vocês duas estavam drogadas. Quer saber quem foi preso com uma quantidade absurda da droga que foi usada em vocês duas? – Mariana segurou a minha mão com um sorriso enorme no rosto.
–Eu vou gostar da resposta?
–Te garanto que sim!-
–Me conte.
–Caroline. – ela deu uma pausa dramática, bateu nas pernas como tambores e soltou o nome, depois ficou olhando em meus olhos esperando uma reação, mas eu apenas gargalhei então ela continuou – Eu a Thais tínhamos um relacionamento aberto, então eu não tenho como crucifica-la por ter ficado com uma garota. Mas ela me contou o que aconteceu e eu acho que você precisa escutar a Priscila. – ela arrumou o cabelo em minha testa.
–Eu não quero falar dela. – suspirei.
–Então vamos falar de como eu estou irritada com a minha irmã por ter alisado o cabelo.
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