Prioridade de Conquista
5 Fervilhante
Notas iniciais
A cidade amanhecera gelada, ainda era outono, no entanto as chuvas impertinentes pareciam se revezar com o tempo frio. Gwaine atravessou rapidamente o caminho que o separava do prédio da empresa, viera de táxi hoje, pois estivera cansado demais para dirigir, ele sorriu lembrando que os colegas sempre achavam que ele não tinha tantas coisas para serem resolvidas no Setor de Recursos Humanos, mas estivera trabalhando até tarde e ainda não terminara seu próprio relatório sobre a nova empresa francesa, por isso chegara mais cedo ao prédio da Camelot’s corp.
Quando atingiu a entrada da empresa, Gwaine não se surpreendeu ao ver Leon conversando com Morgana, embora não tenha ficado nenhum pouco contente, algo dentro dele ameaçava estourar, e ele continha este sentimento a força.
— Bom dia Gwaine! Chegando cedo também?! Esta empresa precisa parar de crescer, ou vamos acabar transformando nossas salas em dormitórios, sinceramente! — Leon falava ao ver Gwaine, sorridente e tranquilo como geralmente o colega era. Mas Gwaine não estava em um bom dia.
— Ah, sim, mas eu preferia que minha sala se situasse no último andar, onde estão as mulheres... com certeza eu promoveria festas do pijama que seriam recordadas por gerações, festas épicas!
— Você faria algo assim, eu aposto! Já eu iria preferir dormir, de preferência no almoxarifado do velho Kilgharrah, lá deve ser menos “animado”.
— Oh, não faça isso, você não deixaria todas as mulheres lindas desta empresa para mim, deixaria?
Morgana que estivera silenciosa durante a conversa se mostrou repentinamente pálida, Leon abriu um grande sorriso sem olhar para a colega e disparou.
— Provavelmente não... mas você me conhece, eu sou um cara discreto! — Respondeu o colega piscando, neste momento Mordred chegou, Leon o cumprimentou com um meneio de cabeça, e se dirigiu para Morgana — Vamos subir?
Gwaine mal teve tempo de olhar o rosto dela, Morgana simplesmente girou nos sapatos magníficos, rodopiando um sobretudo que vestia, o casaco chegava até o joelho e deixava uma dica de um vestido longo azul que ela usava por baixo. Gwaine observou-a caminhando em direção ao elevador, de repente uma mão apertava seu ombro.
— Você tem estado com este olhar ultimamente. É assustador.
Lancelot o encarava, as sobrancelhas erguidas, e uma expressão preocupada, Gwaine, pego desprevenido, ficou sem resposta por um longo momento, e quando conseguiu reunir seus pensamentos, disparou:
— Olha! Gwen está chegando! — Apontou por cima do ombro de Lancelot, o colega imediatamente virou, e não havia nada, ele voltou o pescoço para Gwaine, dando um soco amigável no braço do amigo, e se moveu para o elevador, sendo seguido pelo outro.
Já dentro do elevador, Gwaine lembrou de um assunto que precisava conversar com Lancelot.
— Hey Lance, acho que precisamos sair novamente. Sabe, acho que estou enlouquecendo com tanto trabalho...
— Acho que sou obrigado a concordar... mas como vai convencer os outros? Merlin parece não querer nem mesmo sair da própria sala, e Mithian aparentemente anda misteriosa demais para querer sair.
— Vou dar um jeito em Merlin, mas agora estou amarrado, tenho relatórios para terminar, a reunião está tão próxima quanto a lâmina da guilhotina que vai separar minha cabeça do meu pescoço, e eu não tenho mais tempo a perder.
— Nossa, do jeito que você falou acho que meus processos são peixe pequeno, huh?
— Ora, cale a boca, seu Don Juan do jurídico!
Por um momento Gwaine esqueceu a raiva de antes e se permitiu relaxar, sorrindo verdadeiramente, Lance é um cara legal, ele pensou.
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No meio da manhã, um par de óculos descansava na superfície branca impecável da mesa, enquanto a proprietária deles sorvia uma xícara de chá, suspirando deliciada, as planilhas recém-terminadas estavam todas empilhadas em frente ao rapaz de cabelos escuros e terno azul marinho.
— Acho que podemos encerrar nossa parte, Mordred, como falei antes: estas pastas devem ser revisadas com o Financeiro, já conversei com Gaius e ele vai enviar Emyrs para a sala do Planejamento, acho que Leon ainda quer avaliar alguns resultados, mas a finalização ficará com você e Emrys.
— Entendo, Merlin parece ser uma excelente companhia, e igualmente dedicado, aparentemente ele e Arthur terminaram uma revisão para a compra da Caerleon em tempo recorde. — Mordred ofereceu, admirado com o contador, que mesmo novo na empresa, parecia bastante talentoso.
— Sim, verdade, mas tive que pressionar Arthur, mesmo que tenha sido rápido, o conheço e sei que ele esteve alongando o tempo, e eu posso imaginar o motivo. — Morgana declarou, lançando um olhar profundo a Mordred.
— Talvez eu também possa. — Ele correspondeu ao olhar e ambos ficaram por um instante em silêncio, até que a voz de Morgana se fez ouvir novamente.
— Claro que pode, você é bastante esperto, Mordred, fico feliz que tenhamos você nesta empresa! A propósito, se nós dois estamos pensando a mesma coisa, e você confirmar algo, por favor, fale comigo.
— Não se preocupe, ficarei atento!
O rapaz apanhou as planilhas e com um meneio de cabeça saiu da sala, deixando Morgana sozinha e pensativa. Ela sorriu percebendo que tinha um aliado.
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Durante a tarde, Arthur irrompeu na sala de Morgana, ela desviou os olhos da tela do computador e deu a ele um olhar de reconhecimento, ele não esperou pelo convite, simplesmente se jogou na poltrona que havia ali.
— Pensei que encontraria Leon aqui, achei que ainda estavam trabalhando em conjunto.
Morgana desviou novamente o olhar do computador e resolveu dar atenção ao irmão.
— Como pode comprovar, não. Na verdade terminamos, mas ele ainda está trabalhando com Mordred agora, eu estou me preparando para a reunião.
— Eu vejo — disse Arthur com as sobrancelhas franzidas — de qualquer maneira tenho alguns assuntos para discutir com ele.
E assim como chegou, Arthur repentinamente saiu, Morgana achou devidamente estranho o comportamento silencioso do irmão, mas não mencionou nada.
Ela voltou os olhos para a tela, terminando de responder alguns e-mails, revisou o material da reunião e se perdeu por alguns minutos, sendo trazida de volta a realidade quando o telefone tocou. Do outro lado da linha, a voz comedida de Mordred, soou sorridente.
— Morgana? Acho que você pode estar certa... — Ele disse, e ela sabia que falava sobre Arthur.
— É como eu imaginei, há algo acontecendo entre Arthur e Emrys, eu só não sei o quanto eu devo me preocupar com isso. Mas, Obrigada, Mordred, você foi muito gentil mantendo um olhar no meu irmão encrenqueiro!
— Sem problemas, vejo você na reunião.
Eles desligaram o telefone e Morgana terminou mais algumas anotações, reuniu o que precisaria, deu uma última olhada e se dirigiu a Sala de Reuniões.
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Ela entrou na sala, já observando que todos estavam ali, rastreou com os olhos Arthur, mas antes acabou se deparando com o sorriso de Gwaine, ela desviou o olhar rapidamente.
Morgana caminhou até a mesa e, de pé, começou a falar.
— Gostaria de manter todos os senhores atentos ao mercado alvo da Rennes, que é sensivelmente menor em abrangência do que aquele trabalhado em relação à Caerleon: Cardiff possui uma população um pouco maior em números para o consumidor final, no entanto é agradavelmente mais interessado no produto britânico. Entretanto, devo lembrar que ainda assim, estamos falando de um mercado diferente, agressivamente, ao que já vimos e trabalhamos aqui na Camelot’s corp, no coração do Canary Wharf.
Morgana falou por mais alguns minutos, pontuando fatores importantes que ela desejava que os presentes fixassem atenção, todos a observavam, expectantes eles absorviam cada palavra que ela dizia, depois de uma apresentação inicial, ela fez as últimas intervenções, comparou a empresa recém-chegada ao grupo, com a que fora comprada há um mês, e as táticas de abordagens diferentes que deveriam ser usadas para estes públicos, táticas que ela, orgulhosamente, havia se dedicado em estudar por dias, com auxílio do setor de planejamento, neste ponto ela reconheceu Mordred, sentado ao lado de Merlin Emrys, e sorriu para ele.
— Eu gostaria de ressaltar aos senhores que com um pequeno investimento inicial a empresa pode englobar o público local como alvo infalível. Estive vendo alguns números com o setor de planejamento, e chegamos à conclusão que manter os funcionários locais pode contribuir muito para essa nova roupagem da empresa, não haveria gasto com demissões, e concomitantemente usaríamos a região geográfica das atividades com objetivo de reduzir dos custos, automaticamente haveria uma elevação de faturamento. — Morgana sentiu o olhar intenso do rapaz e se virou automaticamente para Leon
— O que pode dizer sobre isso, Sr. Leon? — Ela perguntou, interessada na ideia.
— Falamos sobre isso antes, e eu poderia acrescentar alguns detalhes que Mordred e o Sr. Emrys trabalharam, onde haveria também um aumento do lucro e maximização dos recursos disponíveis e investidos. Teoricamente mantendo funcionários estaríamos ganhando a confiança do público consumidor da região, é oportunismo, porém as chances de erro são as mínimas.
— Certo Sr. Emrys, tenho certeza de que sua colaboração foi efetivamente colaborativa, estou feliz em contar com o senhor em nossa empresa, tenho certeza que o Vice Presidente se sente da mesma forma. — Morgana disse polidamente, desviando sua atenção, de Merlin para o irmão.
Ela percebeu que Arthur estivera absorto observando Merlin Emrys, que por sua vez corava, o loiro não percebeu que a irmã se dirigia a ele. O silêncio se fez contundente enquanto cada pessoa ali presente esperava uma resposta de Arthur, ele pareceu sair de algum tipo de transe.
— Ah, sim, logicamente. O Sr. Emrys tem sido muito perspicaz e colaborativo, e vejo que tem se sentido à vontade na empresa. Muito. — Morgana notou um toque de raiva na voz do irmão, Gwaine do outro lado da mesa, parecia aumentar o sorriso a cada segundo, os olhos perspicazes correndo de Arthur para Merlin.
Por um momento Merlin nada falou, em seguida cumpriu o olhar de Arthur e respondeu parecendo, por algum motivo inexplicável, bastante irritado.
— Obrigado, tenho trabalhado bastante, e realmente à vontade — ele disse olhando Morgana, e fechando os olhos rapidamente, se virou para Arthur e completou —, conhecendo as intenções da empresa, agir sem embaraço se torna algo natural para mim. — Merlin disse evasivamente Morgana encontrou o olhar de Gwaine, e ele sorria como se estivesse compreendendo tudo, ela tinha suas desconfianças, mas Gwaine parecia ter certezas.
Assim que passaram por toda a pauta, Morgana finalizou a reunião agradecendo a todos, e pediu que Merlin ficasse mais uns minutos, pois ela precisava de cópias dos seus documentos, e iria começar imediatamente a trabalhar as sugestões do setor financeiro.
Arthur reuniu os pertences e saiu rapidamente, Lancelot e Gwen saíram em seguida, Gwaine, caminhou para Leon.
— Terminamos aqui, sim? Pensei que poderíamos tomar algo, o que acha? Eu chamaria Lancelot, mas ele não parecia animado.
Leon lançou um olhar para Morgana e depois para Mordred.
— Gwaine, eu... acho que não, ainda preciso ver algumas coisas com Merlin.
— Ora, vamos lá, Mordred aqui pode cuidar de tudo, não pode, rapaz?
— Obviamente, seria um prazer. — Mordred se postou ao lado de Morgana, altivo.
— Por todos os deuses, logo se vê que você é um seguidor do Leon e da Morgana. — Gwaine disse sorrindo, os olhos castanhos encontraram os verdes, Morgana engoliu seco, e se concentrou em apanhar os documentos que Merlin alcançava.
— Bem, se não se incomodam, então nos encontramos no saguão, certo?
Gwaine fez um aceno de cabeça e foi em busca de sua pasta na própria sala. Ele não suportaria que Leon acabasse saindo da empresa com Morgana.
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Gwaine caminhou silenciosamente ao lado de Leon, até quando chegaram ao pub, ele fez o pedido silenciosamente, Leon tagarelava sobre a semana, sobre a quantidade de trabalho, e... sobre Morgana.
Não era nada relevante, mas Gwaine sentia-se mal cada vez que o colega citava Morgana, ele falara de Mordred e de como o rapaz era eficiente, de fato Gwaine poderia afirmar que Leon estava feliz com a contratação do rapaz, Gwaine lembrava que a contratação foi feita após o currículo dele ter sido avaliado e aprovado pela própria Morgana.
— Morgana tem faro para contratações, tanto quanto tem para os negócios, eu a admiro, sabe? Penso em como nunca conseguiram tirá-la da empresa, ouvi rumores de que um grande presidente a queria na equipe, você acredita? Mas enfim, rumores são rumores, e Morgana ainda está firme conosco.
Leon sorriu para Gwaine, amigável demais, mas, algo estava deixando Gwaine incomodado, algo que Leon falava, ou apenas o fato dele dizer o nome de Morgana com tamanha devoção.
— Escute, Leon. Somos amigos, não somos?
Leon quase engasgou com a bebida, a voz profunda de Gwaine soava cautelosa, os olhos faiscantes deixaram o outro um pouco preocupado.
— Isso é uma pergunta aleatória, certo?
Gwaine apenas o observou, estudando as feições de Leon, o amigo parecia surpreso, mas não aparentava ter levado a sério a pergunta.
— Estive pensando, você e Morgana estão bastante próximos, eu me pergunto se... você tem algum interesse nela... entende?
Leon derrubou um bom gole da bebida que desceu queimando a garganta, olhou para Gwaine e riu, incapaz de compreender o que o outro falava.
— Ela é uma mulher incrível, não é? Realmente ela é encantadora, acho que cada homem no mundo sente o mesmo tanto de fascínio e de horror em relação a ela.
Mas Leon mal terminou a sentença e Gwaine já tinha os dois punhos fechados em torno da gola da camisa social engomada, não conseguindo controlar mais seu temperamento, ele deixou-se abater por um instante de fúria fervilhante e, mesmo ligeiramente mais baixo do que Leon, ele falou bem junto ao rosto do amigo.
— Pense bem antes de falar qualquer coisa, Leon. Pense. Muito. Bem.
Leon ficou estupefato por um longo minuto, nunca vira Gwaine assim, o amigo era sempre relaxado e alegre, Leon piscou os olhos, e quando sentiu os dedos de Gwaine o libertando, encontrou a voz novamente.
— Gwaine... eu... não é assim... eu e Morgana... somos como irmãos... eu a admiro como profissional... eu não sei o que você pensou, mas acho que não sou o problema aqui, sinceramente.
Gwaine soltou Leon, respirou fundo e colou o nariz na mesa, envergonhado puxou os próprios cabelos, ele sentiu-se perdido, confuso, cansado. Tantas coisas passaram pela sua cabeça que ele não dera conta de desmembrar cada sentimento, ele nem mesmo queria se deter pensando.
— Desculpa, cara... acho que me excedi um pouco... foda-se... devo estar mesmo cansado... acho que meio que enlouqueci um pouco...
— Eu não penso assim... — respondeu Leon dando a Gwaine um olhar onisciente — acho que você meio que se apaixonou um monte...
Gwaine ergueu o rosto apavorado, e encontrou o semblante sólido e sagaz de Leon.
— O quê? Por favor... não diga algo assim... sem avisar antes... merda, Leon...
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