Prioridade de Conquista
6 Descobertas
Notas iniciais
Morgana ficou observando as costas de Gwaine, enquanto ele se afastava, o andar sólido e pesado, desmentia o sorriso relaxado que ele exibia, Morgana o conhecia bem, até mais do que tinha consciência, e não se deixou levar pelas palavras leves que Gwaine dirigiu a Leon, por algum motivo inexplicável ela sentiu perigo no simples convite que Gwaine fez a Leon.
Antes de sair pela porta, os olhos de Gwaine encontraram os dela, ele baixou-os parecendo chateado, e rodopiou o cabelo, puxando a porta e quebrando em definitivo o contato visual rápido que tiveram.
Depois da saída de Gwaine e Leon, Morgana ficara com Mordred, ela recebeu os documentos que Merlin havia preparado, repassou alguns dados enquanto Mordred fizera anotações, que depois seriam revistas junto ao financeiro.
Já em posse de dados suficientes para começar uma nova leva de trabalho, Morgana se dirigiu a Merlin.
— Sr. Emrys, gostaria de agradecer por toda a dedicação, eu não esperava menos de um pupilo de Gaius, é claro, mas, confesso que estou realmente impressionada com a sua tenacidade em colher todos esses detalhes e estudar com tanta atenção o mercado. Realmente, obrigada!
— Ah... eu... bem, por favor me chame de Merlin... já que vamos trabalhar juntos eu me sentirei melhor assim. Já é um pouco opressor trabalhar em uma corporação tão grande, se o alto escalão me tratar com tamanha formalidade 24 horas por dia, acho que vou ficar muito aflito.
— Certo então... Merlin! Mas temo que se ficarmos muito amigos eu possa fazer de você um workaholic como eu!
— Provavelmente não, eu posso ser um por conta própria! E nada pode ser pior do que os dias em que trabalhei diretamente com Arthur! Ele quase me fez de seu servo, só faltou mandar que eu polisse sua armadura!
— Arthur é um idiota arrogante, mas, por algum motivo nós dois gostamos muito do que fazemos, e gostamos muito um do outro também... então posso dizer: tome cuidado, ele é meu irmão. — Ela falou suavemente, um simples aviso que esperava que o moreno compreendesse.
Merlin ficou subitamente pálido, toda a simpatia de um minuto atrás anulada depois da fala de Morgana.
— Eu sei disso, não se preocupe. — Ele respondeu seriamente, os olhos azuis não demonstraram medo nem insegurança, frente à altivez dos olhos verdes de Morgana.
— Boa Noite, Merlin. — Ela respondeu satisfeita.
Merlin se despediu cordialmente e se retirou da sala, impassível.
— Não acha que talvez isto foi um pouco forte? — Mordred sorria astuto.
— Foi apenas um lembrete... ele não poderá dizer que não foi avisado, certo?! — Ela disse passando a mão carinhosamente na bochecha do rapaz. — Vamos levar estes documentos para a minha sala, sim?! Está tarde... acho que restam poucos no prédio.
Mordred pegou algumas pastas da mesa, se dirigiu até Morgana que segurava uma boa leva de documentos e retirou-os de seus braços ignorando os protestos dela, depois caminhou regiamente em direção à porta, Morgana o seguiu revirando os olhos, sorridente para o gesto de cavalheirismo.
Muitos minutos depois, ambos já haviam guardado todos os documentos no arquivo, Morgana estava parada em frente à janela, admirada com o céu estrelado que já os cobria, ela não imaginava que prendera a equipe por tanto tempo na reunião... não era de se admirar que todos estivessem tão cansados.
— Morgana.
Ela ouviu a voz macia de Mordred, se virou e encontrou o rapaz que empurrava uma xícara de chá para ela.
— Oh, obrigada... Você tem sido tão prestativo Mordred... talvez eu o roube de Leon! — Ela falou amável.
— O que seria mais do mesmo, já que os setores trabalham com objetivos muito próximos, mas, Morgana, você não precisa de um auxiliar! — Ele respondeu carinhoso, e na sua voz, Morgana notou, não continha nenhum traço de bajulação. — No entanto, se precisar tenho certeza que Gwaine é capaz de encontrar um adequado, não acha?
— Gw-Gwaine? — Ela tornou desconfortável só de ouvir o nome.
— Sim, Gwaine... tenho certeza que ele é bastante eficaz quando o assunto é contratação! Ele me entrevistou e se eu tentasse enganá-lo teria sido pego! — Mordred lembrou.
— Ah, bem, não me impressiona... já que ele é o expert em mentiras e fachadas. — Ela respondeu amarga, sentindo um ligeiro calor no rosto quando percebeu que Mordred a observava com as sobrancelhas arqueadas. Ele desviou os olhos dos dela e mirou a rua.
— Veja... — Ele apontou para a calçada abaixo da janela. — É Merlin... não imaginei que ele ainda estivesse no prédio.
— Tem razão. Está apressado e parece incomodado com algo. Espero que não tenha nada a ver com o que eu disse a ele na sala de reuniões... — Ela voltou o rosto para Mordred que olhava fixo para a rua.
— Tenho certeza que não. Olhe! — Ele apontou.
Morgana franziu a testa, na calçada era possível ver Arthur caminhando incerto e lentamente, parecendo frustrado e cansado.
— Amanhã vou me informar, Arthur já está passando dos limites e pode se arrepender a qualquer momento.
— Eu diria para você ir até Gwaine, ou Lancelot. Ou ambos.
Olhos azul-petróleo miraram longamente os verdes.
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Na manhã seguinte, Gwaine se arrastava, perdido na enorme descoberta que fizera na noite anterior, mil ideias de somo conquistar Morgana surgiam em sua mente, para em poucos segundos se desvanecerem, ele não era capaz de achar nenhuma ideia boa o bastante, certo que estava de que seria impossível romper a barreira de gelo que Morgana sempre impunha entre eles.
Quando se encaminhava para sua sala, viu ao longe Merlin, cabisbaixo entrando na sua sala. Gwaine franziu o cenho e mudou seu percurso, se encaminhando para a sala de Lancelot.
— Bom dia, Don Juan do jurídico... não imaginei que o encontrasse sozinho... — Gwaine o cumprimentou sorridente, a melhor maneira de esquecer um problema, era focar nos problemas de outras pessoas.
— Ora, vamos... eu sinto que sua visita não deve ser algo muito bom, a começar por este sorriso aí! — Lance apontou divertido.
— Bem, estive tentando fazer vocês se divertirem, mas parece que Merlin e Arthur não estão se divertindo nenhum pouco ultimamente.
— Tem razão. Mas não há nada que possamos fazer... é o acumulo de trabalho, e tudo o mais — Lance ergueu o dedo apontando os processos espalhados na própria mesa — é um pouco difícil estar animado com tantas coisas a resolver.
— Bobagem! Você me parece bem animadinho. Toda a vez que o vejo está sorrindo, eu sei bem que porra isto significa. — Gwaine acusou malicioso fazendo Lancelot corar.
— Okay, e o que você tem em mente? — Lance questionou, ignorando o próprio rubor.
— Vou convidar todos para sair, é claro! Armar um tipo de armadilha, se os pombinhos morderem a isca, melhor! — Gwaine rodou o cabelo vitorioso, era uma ideia estupenda, e ele talvez pudesse se ocupar com os outros e esquecer o próprio problema.
— Bem, não posso impedir você, não é?
— Nem mesmo tentar!
Dizendo isso, Gwaine saiu em disparada para a sala de Merlin, quando entrou, apontou um dedo na cara do colega.
— Você! Merlin você vai sair hoje conosco, vá em casa e tome um banho, e eu juro, se você não aparecer naquele pub, eu vou até o seu flat e o arrasto por estas orelhas ridículas. — Gwaine riu com prazer quando o amigo se encolheu e levou as mãos às orelhas, e aproveitando o momento, ele emendou. — Hoje, Merlin, você vai até lá!
Gwaine deu as costas para Merlin, antes que o moreno resolvesse reencontrar a língua, então saiu da sala e fechou a porta atrás de si, o próximo passo era chamar a Princesa, ajeitou o terno e marchou para a sala de Lancelot, o encontrou lendo um processo particularmente enorme.
— Feito! E se ele não aparecer eu o arrasto, juro por Deus! Simplesmente não suporto mais ver a cara que a Princesa ostenta... céus, não achei que isso era tão sério! Pensei que talvez era só uma foda, ou algo assim, mas não...
Nisto um furacão de fogo verde, cabelos longos e encaracolados cruzou a sala de Lancelot, em velocidade estonteante, em direção a Gwaine.
— Foi você não foi, Gwaine? COMO PÔDE fazer isso com meu irmão? — Morgana tinha no olhar um brilho assassino, a voz contida a custo, e pontuando as palavras enfiando uma unha vermelha bem cuidada no peito de Gwaine.
— Wow... eu não sei, fui? Mas gosto do seu olhar, Minha Rainha... — Gwaine respondeu se recuperando da surpresa, o perfume dela já agindo como mágica e entorpecendo seus instintos.
— Cale a boca e explique o que está acontecendo com Arthur. Ele está distraído, apático, cansado, ostenta olheiras, irritado, e isto começou logo depois daquele sábado que vocês saíram juntos. Eu tento falar com ele, mas ele é evasivo nas respostas. Mando mensagens que ele ignora, ligo à noite e ele não atende... — Ela se virou para Gwaine, e notou que ele sorria indolentemente. —PARE DE SORRIR E DIGA LOGO OU EU JURO...
— Calma Morgana... Deixe o homem respirar... — Ela ouviu Lancelot dizer, voltou o rosto para Gwaine que sorria embevecido, parecia não prestar atenção no que ela dizia.
Morgana empurrou toda a agitação que sentia por causa da presença dele e o encarou, raiva, tensão e frustração cultivadas por semanas prestes a explodir frente ao sorriso e olhares promissores que ele lhe lançava. Gwaine pareceu voltar a si e falou:
— Na verdade não sei se fui eu, até acho que fui usado... não que eu não goste de ser usado, entende? — Ele disse sedutor, os olhos deslizando pelo corpo dela, Morgana não conseguiu desviar os olhos da língua dele, que rodava nos lábios carnudos como se fosse uma promessa.
— Você não pode parar um minuto?! Meu irmão está arrasado, e eu não tenho certeza do que possa ser, desconfio, lógico, mas tudo me leva até você, todas as confusões levam até você, Gwaine.
Morgana estava se sentindo agitada, quando viera até ali não esperava reagir tanto à presença de Gwaine, mas a maneira como ele a observava em nada ajudava, ela precisava se concentrar na situação do irmão e forçar sua parede defensiva em relação aos olhares de Gwaine.
— Sim, você não tem ideia... Minha Rainha... — O olhar dele escorregou do pelo corpo dela mais uma vez e parou nos sapatos, ela viu o exato momento em que ele engoliu com dificuldade, os olhos castanhos fixos nos pés dela, Morgana sacudiu a cabeça incrédula e jogou os braços para cima, em sinal de rendição.
— Lancelot. Diga o que sabe, enquanto este depravado flerta com meus Ferragamo. — Ela disse apontando a esmo para os pés, a fim de sair da situação, sentindo na nuca o calor do olhar dele.
— Bem, aparentemente há algo sobre Merlin, parece que eles saíram juntos depois da boate, semanas atrás, ou algo assim. Depois disso, segundo Gwen, Merlin também está um tanto esquivo, eu mesmo mal consigo conversar com ele.
— Isso remete ao que eu dizia antes: Pensei que era apenas o celibato enlouquecendo Arthur, mas logo percebi que era o moreno que o enlouquecia. — Gwaine pontuou sensato, colaborando enfim com a conversa, porém de repente pareceu quase cerrar os olhos, ainda encarando Morgana. — Mas quem pode resistir a uma pele pálida e cabelos escuros?
— Certo. Entendi... — Morgana sabia que de repente Gwaine não falava de Arthur, mas sim dele mesmo — Ah, e Gwaine? Eu sou feita de um material superior a este que você está acostumado, então, mantenha-se.
Gwaine assistiu o sorriso mordaz dela se formando lentamente, os olhos brilhantes como fogo verde, ele só sabia que precisava ter esta mulher, mais do que nunca.
— Gwaine... não vá lá, cara... Morgana espalita os dentes com ossos de homens como você no café da manhã. — A voz ponderada de Lancelot o interrompeu quando sua mente, mais uma vez naquele dia, já formava diversas formas de conquistar Morgana.
— Eu não me importo, companheiro! — Gwaine respondeu deslumbrado — Posso ser um punhado de ossos pela manhã, mas tenho certeza que a noite teria valido a pena... de qualquer maneira, como ela sabia sobre meu fetiche por sapatos?
— Você é incorrigível... Mas voltando a Arthur, estou impressionado... nunca vi ele assim antes, tão abalado...
— É um idiota, isso sim! Ele estava indo bem, eu mesmo estava orgulhoso, o aluno superando o professor aqui, mas de repente começa a chafurdar em... sentimentos... Por todos os deuses pagãos, eu pensei ser apenas uma transa, mas agora a Princesa suspira como uma garota apaixonada... e Merlin, esquivo e irritadiço.
— Sim, não é?! Eu não percebi de imediato, mas Gwen comentou ontem à noite, disse que Merlin parecia arrasado por alguma coisa, e que não aparecia mais para conversar no Pub nem na hora do almoço...
— Gwen, é? Ontem à noite... hum... eu sabia que isso ia acontecer... — Gwaine sorria aquele sorriso malicioso.
— Merlin e Arthur? — Questionou Lancelot fragilmente.
— Você e Gwen, seu lerdo! — afirmou descaradamente, Lancelot afundou na cadeira, o rosto em chamas.
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Morgana disparou pelo corredor, a passos firmes e graciosos, ela se dirigiu a sala do irmão, um discurso pronto, era melhor intervir, antes que o idiota se afundasse de vez, pensou irritada.
Quando chegou ao andar de Arthur, Morgana adentrou a sala do irmão sem bater, ele ergueu a cabeça e devolveu o olhar desconfortável, ela viu o irmão voltar o rosto para o pai, um pedido mudo de ajuda, mas Uther estava sentado regiamente na mesa, possivelmente trabalhando demais para notar o olhar desesperado de Arthur.
— Onde é o incêndio, Morgana? — Ela ouviu a voz do pai, porém seu foco era Arthur, imponente ela avançou para o irmão.
— Você está apaixonado, é isso?! Por isso ignora minhas ligações, tem fugido de mim, está com olheiras e com esta cara de cão sem dono, Arthur?!
— Morgana, o quê... — Uther começou, no entanto Morgana ergueu a mão, sinalizando que o pai deveria esperar.
— Olha, eu não sei do que v... — Arthur forçou sua melhor expressão de incredulidade, porém Morgana avançou para cima dele, o olhando fixamente, não permitindo que Arthur se esquivasse.
— Diga Arthur, eu sou sua irmã! Estou preocupada, como poderia não estar? De repente você está prestes a ter o coração quebrado por este Merlin, que chegou há poucos meses... — Por um louco instante Morgana se perguntou se era sobre Arthur, ou se também sentia medo por ela.
Uther olhava de um filho para o outro, se perguntando quanto tempo ele ficara preso em reuniões e perdera todas essas informações. Já Arthur enfrentava Morgana, o rosto vermelho de raiva, como se fosse um balão prestes a estourar.
— O que faz você pensar que este Mer–lin, poderia quebrar meu coração? Eu não sou uma adolescente emo com o coração frágil, nem sou imprudente nos meus relacionamentos. Sou um adulto, Morgana, e você precisa parar de enfiar o seu nariz esnobe onde não é chamada. — Ela notou que o irmão estava mesmo abalado, o fato de tentar afastá-la, só provou que ele estava mesmo tão assustado quando ela.
— O que me faz pensar?! Olhe para si mesmo! Faça alguma coisa com o seu mau humor, use sua boca e converse adequadamente, resolva o seu sofrimento e a sua paixão, ou eu juro, você vai me ouvir novamente, Arthur Pendragon!
Morgana saiu, deixando o irmão lidar com as próprias questões, ela teria que pensar um pouco sobre si mesma também.
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Gwaine parou em frente à porta da Vice-Presidência e respirou fundo, ele sabia que Arthur estava com Lance, ambos resolveram pelo bem da empresa sacrificar o horário de almoço para terminarem as papeladas, o que era um absurdo, então, ele resolveu animar a reuniãozinha dos dois.
Empertigando os ombros, Gwaine entrou sem bater.
Lancelot ergueu os olhos para ele e sorriu, como se a visão de Gwaine fosse por si só um alívio para o tsunami de processos que ameaçava engolir ele e Arthur. O loiro aprofundou uma carranca, deixando claro que não considerava a visita tão bem-vinda quanto Lance.
— Oh pela santa foda, por que estas caras terríveis?! Eu já falei que trabalhar tanto assim pode matar, ou pior, deixar vocês broxas! — Gwaine falou e, sem cerimônia, sentou entre os dois na mesa retangular de trabalho.
— Gwaine... não estou muito no clima... — Arthur respondeu chateado, Gwaine o avaliou por alguns instantes.
— Arthur... nos conhecemos há um bom tempo, e sinceramente nunca o vi assim... e digo isso porque já tivemos momentos piores na empresa. Sabe, o seu problema não é o trabalho. — Gwaine falou tão sério que Lancelot largou a caneta e fechou a pasta que tinha na mão, olhando diretamente para o rosto do amigo.
— Olha Gwaine... com todo o respeito, mas não estou muito a fim de conversar... realmente. — Arthur disse arrepiando os cabelos e expondo a testa em um gesto de cansaço.
— Tudo bem, não vamos conversar, eu vou conversar e você vai ouvir. — Arthur piscou lentamente, um pouco surpreso pela postura do colega que era famoso e reconhecido por ser alguém despojado e sempre divertido. Gwaine continuou falando. — Sabe Princesa, eu estive pensando... existem momentos que um cara precisa fazer o que é certo, não o que é fácil... momentos difíceis que precisamos tomar decisões surpreendentes para nós, estes momentos geralmente acabam sendo os mais felizes de nossas vidas, e não tomar uma decisão apenas nos priva disso.
Arthur o observava sem palavras, depois baixou a cabeça encarando os papeis soltos na mesa e falou, sua voz soou profunda e séria como Gwaine nunca ouvira.
— Você está dizendo isto para mim, ou para você mesmo? — O loiro disparou, erguendo os olhos zombeteiros para Gwaine. Lancelot explodiu em risadas e a sala ficou leve novamente.
— Certo... ponto para você, Princesa! Mas, estive mesmo pensando nestas coisas, eu... talvez está na hora de fazer um movimento arriscado, muito arriscado, talvez o mais arriscado de todos... então... bem... como sou magnânimo, achei que poderia dividir minha sabedoria com vocês. — Gwaine disse, e desviou de Arthur para Lancelot. — Não que você precise de qualquer conselho... pelo que vejo está anos luz a frente de nós dois.
Lancelot parou de respirar por um momento, depois recobrou o fôlego e disse para os dois.
— Acho que boas oportunidades de fazer a coisa certa aparecem muito raramente, é melhor não deixar que elas escapem. Não é fácil e precisa ter coragem. No entanto vocês vão se sentir muito bem depois disso...
Lancelot presenteou os dois com um sorriso ofuscante, e mesmo que um rubor crescesse em seu rosto moreno, ele sustentou o olhar dos amigos.
— Diz o Don Juan do jurídico! Bem, então Arthur, vamos sair hoje... eu já convidei Merlin, então acho que é uma oportunidade sabe... — Gwaine balançou as sobrancelhas.
— Você vai parar com este apelido estúpido?! Arthur, eu já falei com Gwen, ela me contou que Merlin está evasivo, mas vamos lá, desta vez eu tenho que concordar com ele. — Lance apontou com o polegar para Gwaine, que tinha no rosto um sorriso que faria inveja ao Gato de Cheshire.
Arthur olhou para ambos, depois sorriu também.
— Desde quando todos estão envolvidos em atividades amorosas nesta empresa?!
— Não sei, cara, mas acho que eu descobri isso recentemente... — Gwaine falou demonstrando todo o seu cansaço, pela primeira vez.
— E não vai ter tempo de saborear “isso”, uma vez que vai ser morto antes! — Lance apontou, comicamente, mas Gwaine encontrou os olhos de Arthur e viu que o amigo não achou graça.
— Arthur, eu... — Gwaine começou.
— Não precisa dizer nada... eu posso ver o que acontece na minha empresa, e especialmente, com a minha irmã... só não se esqueça de duas coisas Gwaine: Primeira, Morgana é minha irmãzinha e segunda, Lancelot nunca mentiu, logo, se Morgana se machucar, eu vou arrancar os seus cabelos enquanto você dorme, vou cortar suas bolas, passar no moedor de carne, e depois vou jogar tudo no Tâmisa.
— Acho que uma vida celibatária não te fez bem, cara... — Gwaine falou pálido, Lancelot gargalhava ao lado dele.
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Gwaine saiu ileso da conversa com Arthur, de certa forma ainda sentia suas partes mais sensíveis ameaçadas, mas ainda assim, estava inteiro e nem podia acreditar que Arthur já havia notado a tensão entre ele e Morgana, mas este era Arthur, se não fosse um exímio observador no mundo dos negócios, não teria chegado onde chegou.
Já era fim de tarde e Gwaine não tinha mais vontade de sair, então ele resolveu em um ato de extrema coragem convidar Morgana para sair com eles, uma pequena confraternização, ela não poderia recusar sempre...
Pensando assim, ele rumou para a sala dela, quando chegou resolveu entrar sem bater, como era seu costume, e quando a viu, sua boca secou instantaneamente.
Morgana estava de pé, de costas para a porta e admirando o céu pela janela, o contorno do corpo dela recortado no vidro, as curvas suaves e o cabelo solto em cascatas negras descendo em direção ao bumbum, que era deliciosamente empinado por conta dos sapatos altíssimos, o jogo de sombras e luzes deixando a imaginação de Gwaine fora de controle.
Quando ouviu passos atrás de si, Morgana virou-se rapidamente em sobressalto, ao reconhecer Gwaine estático há alguns passos dela, sua tensão só aumentou, ela não queria um encontro com ele, queria poder se esconder dele, ignorar o que estava sentindo e continuar em agradável e bem-vinda negação. Mas a presença dele ali só servia para fazer um rebuliço dentro daquilo tudo que ela organizara tão metodicamente.
Gwaine ao vê-la, simplesmente não resistiu, ele avançou, ergueu a mão colocando um cacho encaracolado atrás da orelha para poder se perder no verde dos olhos dela.
— Gwaine... o que quer aqui? — Morgana falou, tão baixo que ele quase não ouviu, hipnotizado nos lábios dela.
— Felizmente para nós dois, você sabe perfeitamente o que eu quero, não adianta mais negar... — Ele declarou, o perfume cítrico dele anestesiando os sentidos de Morgana, o hálito morno de Gwaine moveu os cabelos dela suavemente.
Gwaine deixou a mão deslizar do cabelo dela e tocou delicadamente a bochecha pálida, apreciando a pele de porcelana, a pele tão diferente da dele e tão tentadora. Morgana piscou brevemente para ter certeza que não era mais um louco sonho, e de fato não era, ele estava ali, sólido, quente, tão entregue que ela teve medo.
— Trabalhamos juntos, Gwaine, e o que acontecer aqui pode influenciar diretamente no seu desempenho. — Ela pontuou, apenas para lembrar que eles tinham responsabilidades, que ela não queria pôr tudo a perder.
— E você seria a primeira mulher a reclamar do meu desempenho. — respondeu ele, o sorriso malicioso enfeitando o rosto, Gwaine a encarou, sentindo todo seu corpo febril.
O desejo cintilava nos olhos de Morgana, eliminando qualquer traço de frieza que estivera ali algum dia, as bochechas pálidas coraram repentinamente, a boca era um convite obsceno que Gwaine atenderia, generoso. Ele aspirou profundamente o perfume que vinha dela observando o olhar ficar turvo gradualmente, Gwaine fechou os próprios olhos tentando controlar seus instintos mais selvagens, e delicadamente desceu os lábios em direção ao pescoço de Morgana, ela ofegou, e o som fez o coração dele disparar, ela passou os braços delicados em volta dos ombros dele, em busca de apoio, estava prestes a perder o equilíbrio, Gwaine não se conteve, segurou o rosto gracioso e beijou os lábios saboreando cada canto da boca que ele tanto desejou.
O coração de Morgana estava em franca explosão, todos os sentimentos que ela por tanto tempo ignorou romperam a proteção tão bem tramada e cultivada, e agora brilhavam dentro de suas pálpebras, ela se sentiu entregue como nunca antes havia estado, cada músculo derretendo silenciosamente, seu corpo reagia involuntariamente, todas as atitudes obscurecidas pelo desejo que a tomara tão intensamente quanto a boca quente e doce de Gwaine.
Então tudo aconteceu muito rápido, Morgana o empurrou, pegou a bolsa que estava sobre a mesa e saiu praticamente correndo pelo corredor o sapato denunciando a pressa dela em estar longe dele.
Gwaine encarou os sapatos e sorriu amargo. Porra, estou tão fudido! Ele confidenciou para a sala vazia, no último andar da Camelot’s corp.
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