Princesses to Illéa!
2 Prince Nicklaus Schreave
Notas iniciais

Princesses To Illéa!
Príncipe Nicklaus Schreave
O sol na província de Angeles era tão intenso, que ofuscava a visão da maioria que se atrevesse a olhar para o céu límpido. Apesar disso, os campos estavam banhados com as cores diversas das flores, e a grama verde, tão macia como uma pena. A época mais bonita do ano, e também a mais esperada pelos cidadãos do Reino de Illéa naquele ano. Era o mês de maio, o último mês de primavera e também, o aniversário de maioridade de um dos príncipes daquele país.
E por tal motivo, o palácio estava com seus ocupantes em frenesi, cuidando dos últimos detalhes para a tão esperada festa de aniversário. Com seus funcionários cuidando da arrumação, andando de um lado para o outro, o castelo não era o melhor lugar para estar; pelo menos essa era visão de um dos príncipes.
E este, andava a passos largos pelos longos corredores, no caminho desviando de vez em quando de alguma apressada empregada. Seu humor era visivelmente péssimo, se sua carranca na face bela, era algum tipo de indício de tal coisa. Os olhos claros que sempre mostravam algum tipo de malícia eram cheios de pura irritação enquanto vagavam por entre os cômodos a procura de algo; ou melhor, dizendo, de alguém.
Por um momento parara em sua caminhada, olhando através da janela o verde e colorido jardim que ficava ao redor do palácio. Conseguia ver a floresta que nunca fora autorizado a ir, e ainda, alguns montes mais ao longe. Que péssimo dia, pensara o moreno, voltando a andar. Desistindo da sua procura, seus pés automaticamente levaram ao cômodo que há muito tempo não entrava.
Não fazia a mínima ideia do 'porque' de estar indo lá, apenas sentia a necessidade de ir. Necessidade, esta, que pensara que há muito tempo estivesse perdida.
Perdida no meio da realidade.
Com grandes vidraças tapadas parcialmente pelos longos cortinados vermelhos, a luz pouco resplandecia no lugar. Em uma das paredes do lugar, era uma estante grande e abarrotada de livros, enquanto no seu oposto, se via sofás e um divã. Com quadros enfeitando um dos cantos, junto às flores e tendo no chão o carpete vermelho. Era um belo cômodo. Mas não era isso que chamava a atenção do jovem príncipe. Era um instrumento grande, negro e brilhoso com suas teclas brancas, que por um longo período não foram tocadas.
O moreno, parado no batente das portas duplas, hesitou antes de entrar no lugar, fechando com cuidado as portas; se certificando que não seria encontrado, muito menos, for interrompido. Andou até o piano de cauda, sentando-se no banquinho estufado, apenas olhando a partitura que ali estava em sua frente. Ninguém nunca tirara aqueles papéis dali, ou melhor, ninguém nunca ousou fazer isso.
Por um momento, fechara as pálpebras, impedindo que as lembranças o afogassem em um mar revolto de angústias e tristezas. Não iria ceder, não importasse o que. Respirando fundo, abriu os olhos, observando novamente aquela partitura. Seus dedos finos, com um leve tremor, foram de encontro às teclas brancas e intocadas. A primeira nota repercutiu por todo o salão, era grave e vibrante. Depois mais uma se juntou a outra, e mais uma, mais uma e assim sucessivamente.
Era uma melodia.
A melodia que pertencera apenas a ela e de mais ninguém.
Não sabia quanto tempo passara que estava a tocar, mas para o príncipe Nicklaus Schreave, isso nada importava. Apenas deixava a mente se esvair, esquecer os recentes problemas e notícias novas e velhas que apareciam para atormentá-lo. Seus dedos, tão graciosamente, bailavam em um ritmo quase frenético. Isso o acalmava, estava em paz como nunca outra vez esteve. Por que mesmo havia parado de tocar? Oh, sim, desde aquele infeliz dia...
A música parara abruptamente, os dedos paralisados e seus olhos olhando a frente, sem realmente ver algo. Suspirando, passou as mãos nos cabelos negros, os despenteando mais do que já eram naturalmente. Não queria pensar, na verdade, não queria sentir mais nada. Talvez se deixar afogar naquele mar revolto não fosse uma má ideia.
— Não pare. — a voz suave e feminina vinha de trás de si, o pegando de surpresa.
Virando-se para trás, deparou-se com a figura delicada de sua irmã. A ruiva tinha os cabelos soltos e desgrenhados, mostrando que acabara de acordar. Ainda vestia um roupão felpudo e rosa bebê, junto as suas pantufas de coelhinho. Os olhos castanhos, outrora tão vivos e cheios de alegria, estavam opacos e com profundas olheiras. No rosto belo estava um sorriso pequeno nos lábios ressecados. Andava um pouco debilitada até sentar-se ao lado irmão, pousando a cabeça no ombro do mesmo.
Por um momento, Nicklaus apenas a analisou por um breve instante, até descobrir quem era aquela que aparecia. Era sua irmãzinha, Lillith, não a outra. Ele suspirou, aliviado.
— Devia estar na cama, descansando Lillith. — disse por fim o príncipe, passando o braço forte pela cintura estreita da ruiva; sentindo a magreza excessiva dela. Era preocupante.
— Não, chega de dormir. — murmurou, passando as mãos em seu roupão, o arrumando. — Não quero sonhar. Não quero ouvir ela. — as mãos torciam-se uma nas outras, trêmulas. — Não quero, não quero, não... Não...
— Ssshuuuu.... Ssshuuuu... Tudo bem, está tudo bem... Lillith.
Nicklaus abraçou a mais nova, fazendo com que a mesma soltasse as suas mãos, parando seu ato. Murmurava palavras baixas e reconfortantes, de forma suave, enquanto acariciava os cabelos de Lillith. Beijava às vezes a testa da princesa, sabendo que seus gestos sempre a acalmavam. Era um dos únicos que conseguia a acalmar quando tinha esses tipos de ataque. Pareciam que nunca iam acabar e que só pioravam com o passar do tempo. Isso o assustava. Assustava aqueles a sua volta também. Principalmente, aqueles que não a entendiam.
— Toque. — depois de um tempo, a voz trêmula, sussurrada no ouvido do mais velho, fora ouvida. — Toque para mim.
Lillith se soltou do abraço do – considerados por muitos — irmão rebelde, o suficiente para ele poder ter a liberdade ao tocar. O que não tardou muito a acontecer, escolhendo uma das músicas que tanto sua irmãzinha gostava. E esta, balançava com leveza seu corpo, os olhos fechados, parecia mergulhar em uma paz que poucas vezes provara.
Olhando o rosto despreocupado da ruiva, só fazia o príncipe se lembrar do 'porque' que aceitara a proposta do Rei; por coincidência do destino este sendo seu amado pai.
A Seleção é a nossa esperança, pensava ao finalizar a melodia.
♕
Fechava a porta com cuidado extremo, não querendo perturbar o sono precioso de sua irmã, que dormira enquanto tocara para ela. Encostou-se na parede, cruzando os braços, ouvindo atentamente os sons de passos se aproximando. Esperara. Aquele que vinha pelo corredor, era seu irmão, o tão aguardado futuro aniversariante.
Demmyan Schreave andava a passos calmos, contrariando os sentimentos que o abatiam. Os olhos claros fixos na postura, aparente, relaxada do irmão mais velho. O mesmo fizera um sinal de silêncio quando Demmyan se aproximara, apontando para o quarto da irmã. Demmyan assentiu, seguindo Nicklaus até o quarto do mesmo, na qual ficava no mesmo corredor, mas um pouco afastado.
Entrara no quarto deveras grande e bem iluminado, fechando a porta e a trancando, conhecendo muito bem os hábitos do outro. Viu o moreno ir até a bancada que havia no canto, servindo-se de um bom uísque, sem se importar em oferecer ao outro, pois sabia que era desnecessário. Demmyan não bebia, ao contrário do irmão, que às vezes fazia questão de embebedar-se apenas para ver o pai soltando fogo pela boca.
— Como ela está? — perguntou o mais novo, sentando-se na ponta da cama grande e cheia de travesseiros. Sua voz mostrando sua preocupação.
— Agora? Bem. — respondeu simplesmente, tomando um gole de seu copo, olhando o mundo lá fora através da janela.
— Lillith?
— Sim.
Por um momento, o silêncio pairava no quarto. Demmyan não se lembrava de quando a convivência com o irmão se tornara assim. Limitada, quase não tinham um assunto em comum para falarem, a não ser Lillith. A irmã, talvez, fosse a única que conseguia fazer com que os dois se inteirassem, ficassem juntos, mesmo que por pouco tempo, agissem como irmãos que um dia foram.
Mas, há alguns dias atrás, um novo assunto em comum surgira. De forma inesperada e abrupta, pegando-os de surpresa. A Seleção. O anúncio da mesma seria naquela noite, e não seria qualquer Seleção. Seria a Seleção, não só do irmão, mas de Demmyan também. Uma Seleção dupla, mas só uma se tornaria a Rainha, aquela escolhida por Nicklaus. E a chegada da maioridade de Demmyan só fora uma desculpa para o anúncio de tal coisa, já que o mesmo não haveria a necessidade de ter uma naquele momento.
Uma Seleção para amenizar o sofrimento do povo por causa dos rebeldes. Os grupos rebeldes... Não, não queria pensar naquilo naquele momento. Deixou-se deitar na cama do irmão com um suspiro, observando o mesmo ainda prostrado em frente à janela, o copo vazio em mãos; as sobrancelhas franzidas em profundos pensamentos. O que tanto passa por sua cabeça, en, irmão?
Já Nicklaus, tinha a cabeça realmente vagando para o longe. A Seleção, para ser mais específico. Oh, como odiara a ideia. Não se sentia preparado para encarar tal responsabilidade. E muito menos queria uma esposa, pelo menos, não naquele momento. Mas ao contrário do que muitos pensavam, ele era uma pessoa muito observadora e atenta as coisas que aconteciam ao seu redor. Principalmente em relação aos seus irmãos e ao povo de Illéa.
Ele percebia e via as coisas acontecerem por debaixo dos panos, coisas que às vezes, nem o próprio Rei estava ciente; e por assim, muito menos a população. A situação estava piorando, e se deixasse que aquilo acontecesse, era Illéa que iria sofrer. Fora isso, além de outros motivos, que aceitara tão bem aquela artimanha dos mais velhos. Talvez fosse mesmo a hora de assumir aquilo que já era seu por direito, e para isso tinha que se preparar para a guerra que iria travar.
Seus olhos saíram do verde, para poder observar o irmão mais novo, o mesmo também o observando. Demmyan, em sua visão, era apenas mais um dos ingênuos que acabaria no meio daquela luta. Para isso, teria que começar a mover as suas peças.
— Demmyan, querido irmão... — começara a dizer de uma forma um tanto debochada e com um sorriso torto nos lábios. Via o outro erguer uma sobrancelha, como se esperasse algum problema vindo do outro. — Sabe, estava pensando em algo que muito irá gostar.
— E por que acha isso? — indagou o outro, sentando e arrumando os cabelos castanhos, os olhos se estreitando um pouco, desconfiado.
— É sobre Lillith. — respondeu em um tom e rosto sério, coisa que raramente se via naquele príncipe.
— Fale.
Nicklaus quase sorriu. O cavaleiro se movia.
♕
A tarde passara tão rápido, que Nicklaus só notara quando já era hora do Jornal Oficial de Illéa, quando fora chamado para tal. Depois de sua longa conversa com o irmão, que fora do jeito que pensara que fosse, fora convocado pelo pai a terminar a papelada que devia. Estava quase terminando, só mais uma pilha de documentos. Fora nesse momento, que sua empregada pessoal, e melhor amiga, o encontrara.
Francesca O'Connor. Entrara de manso dentro do quarto do príncipe, e este estando em sua mesa, de costas para a porta. Os braços estavam cruzados em cima das pastas e folhas, enquanto sua cabeça repousava em cima dos braços. Dormia tão tranquilo que parecia um pecado acordá-lo.
Pena que a loira não pensava daquela maneira, mas deixaria o príncipe dormindo mais um pouco, enquanto colocava a roupa do moreno em cima da cama e seguia para o banheiro. Lá, preparava a banheira, com muita espuma do jeito que o outro gostava, e depois de já concluído o trabalho, voltara ao quarto. Sorriu ao ver a forma de Nicklaus, tão relaxado que só conseguia quando estava a dormir.
Com cuidado se aproximara do rapaz, tocando os cabelos revoltos, assim como o dono deles; fazia um leve carinho. Ouviu um resmungo do outro, mas mesmo assim não acordara, em vez, inclinara-se para o toque. Francesca riu silenciosamente, achava todas as ações daquela pessoa algo, hun... 'Fofo', talvez fosse a palavra adequada. Balançando a cabeça, tentando dissipar os pensamentos e se concentrar em sua tarefa.
— Acorde dorminhoco. — disse, perto do ouvido do moreno, balançando o ombro do mesmo. — Acorde antes que se atrase.
— Não quero... — murmurou o príncipe, ainda com os olhos fechados, mas já bem desperto.
— Ora, mas que príncipe preguiçoso. — seu tom era de brincadeira, os lábios alargando-se, com uma ideia surgindo. — Vamos, Nicklaus, não pode se atrasar. Hoje é o Jornal Oficial, lembra?
— Nãooo...
Nicklaus queria poder dizer mais alguma coisa – ou no caso, choramingar –, mas fora impedido por dedos finos que cutucaram um pouco abaixo de suas costelas. Seu ponto fraco. O riso que escapara de seus lábios fora inevitável, ao mesmo tempo em que tentava contorce-se longe daquelas mãos. Por infeliz destino, acabara caindo da cadeira, levando a mesma ao chão também. Escutando ao fundo, a risada cristalina da mais velha.
— Oh, vejo que está bem acordado agora, príncipe Nicklaus. — falou a loira, seu rosto mostrando a inocência que de longe não tinha.
— De quem será a culpa, não é, senhorita? — indagou, entrando na brincadeira, o sorriso dissimulado na face.
— Hun, não faço ideia. E você, alteza? — Francesca colocara uma de suas mãos em sua boca, contendo a risada que ameaçava escapar.
— Eu tenho um palpite, queres ouvir? — o mais alto se levantara, colocando-se em frente à amiga de infância.
— Adoraria. — dera um passo para trás, mas o Schreave deu duas longas passadas, ficando cara a cara com a mulher, um sorriso de canto enfeitava seus lábios.
— Sim, a culpada é... — por um momento ficou em silêncio, dando um falso ar de suspense. — A senhorita O'Connor.
E assim que acabara de dizer, não dera tempo para a loira replicar, agarrou-a e a colocou em seu ombro; como um saco de batatas. Naturalmente, pega de surpresa, Francesca soltara um pequeno grito, arregalando seus olhos claros. Debateu-se um pouco, até se dar por vencida, sabendo que não adiantaria lutar muito naquele momento.
— Nicklaus! Coloque-me no chão! — exigiu a outra, mantendo a voz tão calma e severa como podia.
— Não. — limitou-se a dizer, começando a caminhar em direção ao seu banheiro particular, divertindo-se ao ouvir o grunhido da amiga.
— Nick!! Tenho trabalho a fazer, esqueceu? — pediu, enquanto dava leves socos nas costas másculas. Sabia que o príncipe estava se divertindo as suas custas, e isso a irritava.
— Não esqueci. — Nicklaus parou em frente à banheira cheia, ainda mantendo-se quente. — Mas está na hora da sua punição por me interromper em um momento tão importante.
— O QUÊ?! — praticamente gritou, contorcendo-se para tentar ver o rosto do amigo, as sobrancelhas franzidas. — Importante?! Importante é o Jornal Oficial que acontecerá em menos de uma hora e meia! Você sabe, já está atrasado.
— É, é tanto faz. — com uma das mãos, fez um gesto como se dizendo que era irrelevante. Com o rosto inexpressivo passando, de repente, a ter uma expressão maliciosa. Oh, Francesca sabia que era sinal de problemas. — Acho que você deveria tomar um banho comigo, sabe...
— Oh, você não ousaria... — disse um pouco assustada.
Soltou um grito quando sentira seu corpo ser impulsionado para frente, em direção a banheira cheia e espumante. Mas em vez de sentir a água em si, sentira o fofo estufado do pequeno banquinho que ali havia ao lado da banheira. Por alguns segundos ficara paralisada tentando raciocinar o que acontecera. Sua linha de pensamentos fora cortada quando ouviu a sonora risada do herdeiro à coroa.
Seus olhos se estreitaram, as bochechas avermelharam-se, sentindo a bolha torcer em seu estômago; estava muito irritada. Nicklaus a havia enganado. Bufou, levantando-se e cruzando os braços, encarando o moreno ainda rindo. Uma ideia surgiu, fazendo os lábios se curvarem minimamente. Caminhando em direção a um distraído príncipe, sem mais delongas e com toda a sua força que conseguiu reunir, o empurrou. O estrondo do corpo forte batendo contra a água fora de imediato, espalhando água e espuma ao redor da banheira.
— Francis!! — exclamou Nick, depois de emergir, estando todo molhado e com espumas em seu rosto. Uma visão realmente adorável, pensava a mulher, rindo.
— Minha vingança. — apenas se compeliu a dizer, afastando-se e indo até a porta, ainda rindo levemente. — Aproveite que já está aí, e tome um banho. Está cada vez mais atrasado, alteza. – debochou sem medo.
Assim dizendo, saíra do cômodo, ainda podendo escutar os resmungos contrários do mais novo. Balançara a cabeça. Mesmo conhecendo o outro desde que ele era um bebê — e ela uma garotinha -, ainda poderia se surpreender com as ações de Nicklaus. Na verdade, ele sempre nos surpreende, pensara enquanto arrumava a roupa do moreno, um sorriso brincando no rosto delicado.
♕
O Príncipe Nicklaus descia as escadas, com o objetivo de ir para o salão onde ocorreria o Jornal Oficial de Illéa; quando encontrara a figura solitária da irmã. A ruiva estava sentada nos últimos degraus da escadaria, os joelhos de encontro ao corpo, com os braços envoltos nos mesmos. Suspirou, passando as mãos nos cabelos negros ainda úmidos por causa do recente banho, se aproximou da mais nova parando ao lado da mesma.
A ruiva não deu indícios de ter percebido a chegada do irmão e quando este pensara em se pronunciar, a princesa se levantara apoiando-se no corrimão. Os olhos castanhos se encontraram com os azuis, e só naquele olhar, Nicklaus pode saber quem era. America estava de volta.
— Oh, sweet, sweet, brother. — a voz de America, ao contrário de Lillith — que era suave e doce, melodiosa aos ouvidos -, tinha o tom provocante, beirando a sensualidade, assim como a sua postura e seus maneirismos. — Estava a espera por você. Estava com saudades, sweet?
— Sinceramente, não. Não de você, America, pelo menos. — respondeu, seu tom era neutro, mas os olhos mostravam a frieza, na qual não abalara a garota. Pelo contrário, divertia-a.
— Hun, que rude da sua parte, dizer-me isso. — a jovem fizera beicinho, em óbvio falso drama; enjoativo na opinião de Nick. — Isso me magoa, sweet. — Ele bufou, fazendo pouco caso.
— Não me perturbe, America. — Nick falara ao terminar de descer a escadaria, passando pela irmã e seguindo caminho.
— Ah, você não muda, não é mesmo? — perguntou retoricamente, seguindo o mais velho um pouco atrás do mesmo, observando a sua forma.
Nicklaus a ignorou todo o caminho até o salão, incluindo suas investidas nada discretas. Realmente, ele tinha quase um ódio por America, e só não o tinha por amor a Lillith. Então, classificava seus sentimentos pela ruiva ao seu lado, como sendo de desgosto, amargo profundo. E sabia que assim como ele, Demmyan tinham um sentimento semelhante. Mas o mais novo sempre fora mais complacente e suportava America mais do que ele, sendo que quase sentia pena da mesma. Na verdade, ambos ainda conviviam com ela apenas por causa de Lillith, já que sentiam como se estivessem a traindo e abandonando-a se não fizessem isso.
Quando ambos chegaram ao salão, tudo já estava pronto, apenas esperando o horário chegar e se iniciar o Jornal. America passou por si, sorrindo provocante, andando até onde se encontravam o resto da Família Real de Illéa; já sentados em seus respectivos lugares. America se sentou a esquerda da Rainha, falando brevemente com a mesma. E pela expressão de desgosto que apareceu na morena, sabia que America tinha dito algo insultante, no mínimo.
Do outro lado da Rainha estava o Rei, ou seja, seu pai, que falava com um dos produtores do jornal. Maxwell lhe poupou um rápido olhar, que claramente dizia que estava irritado com sua chegada atrasada. Nicklaus apenas dera de ombros, sem se importar com as 'chatices' do pai, andando até se sentar ao lado do irmão. E assim que sentara, reparara que Demmyan estava distraidamente mexendo com a abotoadura de seu terno cinza. Estava claramente nervoso.
— Ei, — chamou o moreno, sorrindo de canto. — não precisa ficar nervoso, irmãozinho. Não vamos escolher nossa esposa hoje, você sabe né? — não pode conter a voz sarcástica no final.
— Eu sei. — Demmyan respondeu duramente, olhando um pouco irritado ao irmão. — Mas não quer dizer que não posso ficar nervoso. — ele suspirou, passando as mãos nos cabelos, como se fosse os arrumar mais do que já estavam. — Pensar que daqui a alguns dias terão um monte de garotas aqui, nos disputando, é meio estressante.
— Eu não acho. Estou começando a gostar da ideia, sabe? Ter um monte de garotas aqui há muitas possibilidades... — deixou a frase inacabada, apenas sorrindo maliciosamente fazendo Demmyan corar um pouco.
— Você é um idiota, Nick. — balançara a cabeça e revirando os olhos, parecendo exasperado.
— Mas todos me amam assim. — retrucou, aumentando o sorriso. Demmyan abrira a boca para falar algo, mas fora impedido quando alguém tomou a frente.
— Meninos, quietos. — a voz fria do Rei vinha à esquerda de Nicklaus, em um sussurro. Os olhos mostrando seriedade fazendo Demmyan engolir em seco.
— Si-sim, senhor. — respondeu em um murmuro, ajeitando-se melhor no trono, menor que o do Rei, mas ainda mostrando seu poderio assim como a dos irmãos.
— Claro, claro. — Nick revirou os olhos, mas também se arrumava corretamente.
Maxwell se limitou a lhe mandar um olhar frio, pois um dos funcionários avisava que o jornal iria começar. As luzes diminuíram um pouco, enquanto era iniciada a contagem. E em segundos, ouvira o hino nacional de seu país, para logo terminar e então o apresentador aparecer. Os cabelos loiros bem comportados e o sorriso grande e alegre era uma das coisas que fazia Chado Willians um queridinho entre os espectadores. Sem contar a personalidade descontraída e espontânea do mesmo.
— Boa noite povo amado de Illéa! — a voz era suave, andando até quase o meio do salão, no seu terno impecável. — Sei que todos estão curiosos para saber o porquê dessa transmissão especial. Antes de qualquer coisa, devo cumprimentar nossos ilustres convidados.
A câmera, então, virara para a Família Real, com Chado aproximando-se deles também. O Rei mantinha a postura, como sempre, séria e impassível; há muito tempo o povo não via seu verdadeiro sorriso. A Rainha mantinha a postura deveras superior e um pequeno sorriso, ao seu lado America mantinha o olhar malicioso. Enquanto isso, os irmãos Schreave estavam também tendo tipos diferentes de reações. Demmyan sorria nervoso, sentindo suas bochechas doerem, as mãos fechadas em cima dos joelhos. E Nicklaus mostrava uma postura relaxada, com um sorriso preguiçoso. Apesar de seus olhos não se manterem em mesmo foco por muito tempo, quase como se fosse um tique.
— Boa noite, Vossas Majestades e Altezas. — cumprimentou o Willians, depois de fazer uma reverência a eles. A voz em um tom mais formal e sério. — Espero que estejam todos bem.
— Boa noite Chado e Illéa. — Maxwell disse de volta, mostrando um convincente falso sorriso. — Estamos bem, obrigado.
— Eu imagino que estejam ansiosos, assim como os nossos telespectadores. — Nick teve que controlar o impulso de revirar os olhos. Só queria que isso acabasse logo.
— É claro, principalmente os nossos meninos. — quem respondera fora Katherine, com sua voz doce, sorrindo para os referidos, mas seus olhos mandavam uma dura advertência. E Nicklaus sabia que era principalmente para ele.
— Oh, claro. — Chado afastou-se dos governantes, aproximando-se dos príncipes. — Então, como se sentem em relação ao anúncio que logo será dito?
— Bem. Particularmente, ansioso. — respondera Demmyan, sorrindo um pouco, na qual fora retribuído pelo loiro. E este se voltou para Nicklaus, levantando discretamente uma sobrancelha, prevendo o que o outro ousaria falar.
— Com certeza, estou animado. — o moreno deixou escapar um sorriso malicioso. — E quem não estaria? Vou entrar no paraíso daqui a alguns dias. — concluiu irônico.
— Certamente, Alteza. — o loiro deu uma breve risada, para então voltar-se para a câmera. — E sem mais demoras, — Chado virou-se para o Rei, que se levantava de seu trono. — Majestade.
— Obrigado. — a voz de Maxwell havia se tornado mais grave, com sua face em branco. — Como todos sabem meu filho mais velho, Nicklaus, já está com vinte e um anos. E que meu outro filho, daqui a alguns dias entrará na maioridade. Por isso, vimos que já está na hora de ambos terem alguém ao seu lado. — o Rei parara por um momento com seu discurso — tedioso, na opinião de Nick -, para dar uma olhada nos filhos, antes de prosseguir novamente. — Enviamos para todas as casas onde se residem moças entre 17 a 21 anos, as cartas para a Seleção. Serão trinta garotas, sendo que quinze para cada um dos meus filhos. As selecionadas serão anunciadas depois do aniversário de Demmyan. Desejo boa sorte a todas as filhas de Illéa.
— Obrigado por suas palavras, Majestade. — Chado caminhou de volta ao centro, depois que o mais velho dos Schreave voltara a se sentar. — Para alegria de muitas jovens, a Seleção se iniciará. Boa sorte a todas.
♕
Havia se refugiado em seu quarto, pulando o jantar, assim não teria que confrontar o seu pai; o mesmo estando um pouco irritado com sua pronuncia no jornal. E Nicklaus se encontrava, agora, apoiado no peitoral da sacada do seu quarto, com um copo de vinho em uma das mãos. A outra se encarregava de segurar uma carta que recebera não há muito tempo, entregue por um dos guardas de sua confiança.
Caro Heike,
Venho por meio de esta carta lhe informar de algo que descobri e tem me intrigado, e muito, se você quer ou não saber. Sabe, andava por entre os muros de minha cela, quando me deparei com o mensageiro da formosa flor venenosa, que bem conhecemos. Minha curiosidade fala mais alto nessas horas, e não pude resistir em saber o que queria aquele ser. Para minha, nem tanta, surpresa, era para o meu amado pai que se referia. Pelo que sei, as peças estão andando rumo ao palco, e o show deve começar logo. Cuidado meu amigo, talvez você não consiga chegar, ou mesmo escapar, deste espetáculo.
Care, the eyes are on you.
De seu amigo,
Shy
Leu e releu, não sabia quantas vezes, mas só conseguia ver a mensagem por trás daquelas palavras tão bem escritas. O jogo, enfim, está começando, pensou ao tomar um gole de sua bebida. A noite era escura, e a lua a única a reinar com sua luz esbranquiçada. E eu ganharei no final.
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