Não foi preciso correr, só andar normal, porque Sosu estava muito devagar. Depois de alguns minutos andando, fui olhar pra trás pra ver se Sosu ainda nos seguia mas esbarrei em alguma coisa.

— Ah, desculpa, eu... vocês! — gritou Pinkie.

— Mamãe! — exclamou Sosu, correndo até Pinkie.

— Filhinho! — disse Pinkie, abraçando Sosu.

— MAMÃE!? — exclamamos.

"Corram enquanto há tempo", disse uma voz em minha cabeça. Fiz um sinal para as garotas e lentamente saímos de lá para que Pinkie não percebesse.

Sábado, 13 de junho de 2015

No hotel, já de madrugada, Ariana, Elen e eu esperamos Demi e Gabita dormirem para podermos conversar:

— O que sabemos sobre Pinkie? — perguntei.

— Ela é psicopata, vingativa, bipolar... — disse Elen.

— É mãe do Sosu, uma ex-pônei burra pra caramba, aliás — completou Ariana.

— Por que Pinkamena fazia aquilo? — questionei.

— Diversão? — disse Ariana.

— Profecia? — sugeriu Elen.

— Existe isso? — perguntei.

— É, ela pode ter lido em um livro que se ela comesse um cupcake recheado com alguma criatura mágica ela ganharia alguma coisa — explicou Elen.

— Quantos livros da biblioteca vocês leram? — perguntei.

— Quase todos — replicou Ariana, sorrindo.

— Quais? — disse Gabita.

— Ela fala dormindo? — questionou Elen.

— Quais o quê? — eu disse.

— Os sucos — disse Gabita.

— Que sucos?

— Que são bons.

— Ah, tem de abacaxi, pêssego... deixa eu ver...

— Huh? Abacaxi, pêssego e fica sentada?

— Quê! — exclamou Ariana.

De repente, Gabita se levantou da cama e começou a andar.

— Ela é sonâmbula, também — eu disse.

— Onde ela tá indo? — indagou Ariana.

— Sei lá — disse Elen. — Haylley?

— Ela costuma ir pra cozinha — falei.

Saímos do quarto e seguimos Gabita. Ela entrou no elevador, mas ele fechou antes que pudéssemos entrar.

— Escadas — eu disse.

— Estamos no décimo andar! — exclamou Elen.

— A Gabita vai se matar lá em baixo! — gritei.

— Aff, tá — assentiu Ariana.

Descemos as escadas correndo até o subsolo e ainda demoramos pra achar a cozinha do hotel. Quando finalmente achamos, escutamos Gabita discutindo com alguém. Entramos no lugar e vimos uma Gabita de pijama rosa (a cor favorita da loirinha) e uma outra garota com seus cabelos negros cheios de cachinhos, gritando uma com a outra.

— Sua filha do Tash, você me atrapalhou! — reclamou a garota.

— Atrapalhei o quê? — indagou Gabita.

— Eu estava fazendo brigadeiro!

— Ah, eu quero!

— Não, não tem brigadeiro pra você, nem pra ninguém, porque você estragou TUDO!!

— Que perfeita! — exclamou Elen. — Ela é narniana, também!

— Já que você é narniana, Elen... — eu disse. — Tash é bom ou ruim?

— É ruim, oras!

— Ei, não fala assim da minha irmã! — gritei. Acho que sou a única que se importa com Gabita.

— Haylley! — exclamou ela, vindo me abraçar. — Eu não vi você aí! Oi, Elen! Oi, Ariana!

— Qual o seu nome? — perguntou Elen.

— Me chamo Sara.

— Você é narniana?

— Tá brincando? Eu moro em Nárnia!

— Yay! Vamos ser melhores amigas!

— A gente se vê amanhã! — disse Sara, depois de alguns minutos conversando.

— Tchau! — despediu-se Elen.

— Como eu fui parar na cozinha? — perguntou Gabita.

— Você é sonâmbula — repliquei.

— Sério? Que legal!

Chegando no quarto, o telefone tocou e Gabita atendeu:

— Alô? É a Gabita! Haylley, é pra você!

Peguei o telefone:

— Alô?

— Senhorita Lovato? — disse uma voz rouca.

— É, uma delas.

— Haylley?

— É, sim.

— Me encontre na torre Eiffel... agora!

— Quem é você?

— Vá... sozinha...

A ligação caiu.

— Quem era? — questionou Ariana.

— Sei lá — respondi.

— O que queria? — perguntou Elen.

— Que eu o encontrasse na torre Eiffel agora, sozinha — repliquei.

— Você não vai, né? — disse Elen.

— Claro que não! Só porque um cara te liga e te convida pra um "encontro" na torre Eiffel, não quer dizer que você vá, né?

Minutos depois, todo mundo dormindo, o telefone do quarto tocou novamente. Atendi a ligação e aquela mesma voz rouca disse:

— Você não tem muito tempo...

— Mas quem é você, babaca!? — gritei.

A ligação caiu.

— O que houve, Haylley? — disse Elen. Provavelmente acordou por causa do meu grito.

— Tenho que ir — eu disse.

— Por quê?

— Eu não quero que nada aconteça com vocês — eu disse. — Se for pra acontecer alguma coisa, que seja comigo.

Me levantei, vesti um sobretudo e corri o mais rápido que consegui para a torre Eiffel, pensando de quem seria aquela voz. Sei lá, talvez fosse Sosu (com um efeito de voz OP), ou outro aliado de Pinkie, ou até a própria Pinkie (ainda com o efeito de voz OP).

Chegando lá, achei um bilhetinho escrito, "suba pelo elevador". O elevador demorou horas pra subir, ou era impressão minha. No topo da torre, encontrei Sosu e Pinkie Pie dançando Conga la Conga.

— Oh, mamãe! — exclamou Sosu. — Ela veio!

— Por que vocês estavam dançando isso? — questionei.

— Porque sim, oras! — exclamou Pinkie.

— Era Conga la Conga?

— Não, era dança da chuva! — disse Sosu num tom irônico.

— Não fala assim comigo, criança! — berrei.

— E você por acaso tem o direito de falar assim com o meu filho!? — indagou Pinkie.

— Tá, tá, o que vocês querem? Por que me trouxeram aqui?

— Porque queremos matar você... — disse Pinkie.

— Você e suas amigas... — continuou Sosu.

— Lenta e dolorosamente...

— E depois possuir seus corpos...

A cada palavra, eles davam um passo na minha direção, e eu recuava. Chegou uma hora que eu já estava na beirada da torre. O elevador magicamente se teleportou pro outro lado, e havia uma mochila a dois metros de distância. Pensei que poderia ser um paraquedas, mas, como minhas escolhas eram morrer ou pular, coloquei a mochila nas costas e me joguei, gritando:

— Au revoir!!

Puxei a cordinha pra abrir o paraquedas...

Mas que paraquedas?

De dentro da mochila saiu um bando de coisas de todo tipo: ovos de galinha, livros, materiais de construção, travesseiros e eu me senti num desenho animado.

O que eu consegui apanhar foi um guarda-chuva de bolinha. A primeira coisa que eu fiz foi abrir o guarda-chuva e imediatamente a velocidade da minha queda diminuiu. Uma ventania me pegou de surpresa e eu saí flutuando pelos céus da França...