Princess Haylley's Diary - Volume III
4 That's My Forest!
Aterrissei na cobertura do hotel, e como o décimo andar era o último, foi só descer uma escadinha e já estava no corredor. A porta do quarto estava trancada. Tentei fazer uma pegadinha. Como eu estava de sobretudo e a luz do corredor estava apagada, não dava para ver meu rosto. Bati na porta e Ariana apareceu.
— Mãos para o alto! — eu disse, imitando um homem.
— Por quê? — questionou Ariana.
— Você está presa por excesso de beleza.
— Hm... quê?
— Venha comigo.
— Eu não! Vai você!
— Mas eu sou desse quarto... — eu disse, com minha voz normal.
— Ah, tá. Haylley — Ariana me deu passagem e eu entrei no quarto. — Sosu?
— Foi — respondi, me jogando na cama. — Sosu, Pinkie, Conga la Conga...
Quinta-feira, 18 de junho de 2015
Claro que, com Ariana no grupo, não poderíamos ir embora de Paris sem ir na Chanel, né? Expulsaram Demi, Gabita e eu da loja só porque a gente ficou brincando de pique-esconde policial lá dentro. Pique-esconde policial é tipo pique-esconde normal, mas você coloca um boné de policial e fica procurando as pessoas com uma pistola de água (mas também dá pra improvisar imitando uma pistola com a mão, mesmo) e quando você acha alguém, tem que gritar, "mãos para o alto!". A gente AMA brincar disso, desde pequenininhas, mas como era uma loja chique e tal, tiraram a gente de lá.
O pior é que, depois de alguns minutos do lado de fora, começou a chover.
— Que ótimo! — resmunguei. — Agora a gente vai ter que esperar elas na chuva!
— Eu acho que não! — exclamou Demi, tirando uma chave do bolso.
— Onde você pegou isso? — indaguei.
— Bem, eu tava procurando um lugar pra me esconder e esbarrei na Ariana, e isso caiu do bolso dela — replicou Demi.
Depois disso, Gabita, Demi e eu corremos para o hotel e ficamos brincando de pique-esconde policial no quarto.
— Aff, que chato! — reclamou Gabita, assim que Demi a encontrou — não tem nenhum lugar pra se esconder direito, aqui!
— Hey... falando em se esconder... o que vocês acham da gente se esconder delas? — sugeri.
— Da Elen e da Ariana? — disse Demi.
— É! — repliquei — A gente ficava debaixo da cama e elas iam ficar tipo, "cadê elas!?" quando chegassem!
— Sim! — exclamou Gabita. — Vamos fazer isso!
Então, cada uma ficou debaixo da sua cama, e quando elas chegaram...
— Ué, cadê elas? — disse a voz de Elen.
— A gente sabe que vocês estão aí! — gritou a voz de Ariana.
Ninguém falou nada por alguns instantes.
— Mãos para o alto!! — gritamos, saindo de debaixo das camas.
— Vocês são mesmo malucas — disse Ariana.
— Nunca subestime as Lovato! — exclamei.
Após alguns minutos de muito blá blá blá, as cortinas se fecharam e as luzes se apagaram do nada, nos deixando na completa penumbra.
— Apagaram o Sol de novo? — disse Gabita.
— Não, coisinha — respondi.
— Ué, então o que aconteceu?
— Sei lá.
— Vamos só falar com alguém da recepção que desligaram as luzes do nosso quarto — disse Ariana.
Escutei alguns passos e uma tentativa sem sucesso de abrir a porta.
— Quem trancou essa coisa? — perguntou Ariana.
— Ninguém — eu disse.
— Cadê seu celular, Demi? — questionou Gabita.
— Tá aqui — respondeu Demi.
Nesse momento, ouvimos um grito e segundos depois a forte luz do Iphone de Demi revelar que estávamos sozinhas no quarto.
— Cadê todo mundo? — indagou Demi.
— Devem ter ido pro reino perdido do Beleléu — respondi.
— Isso não é hora pra brincadeiras! — exclamou Demi.
Segundos depois, ignorando o que Demi acabou de falar, caímos na gargalhada. Sei lá, deve ser coisa de irmã, rir mesmo nas horas de perigo. Rimos tanto que do nada a parede do quarto começou a brilhar com uma luz roxa.
— Que isso? — perguntou Demi, limpando as lágrimas.
— Isso é um portal — disse uma voz de narrador.
— Legal! — exclamou Demi.
— Vocês o abriram — disse a voz.
— Como? — eu quis saber.
— Vocês aprenderam que rir melhora qualquer situação.
— E esse portal vai pra onde? — perguntei.
— Na verdade, nem eu sei.
Entramos no portal e segundo depois nos vimos em uma floresta com árvores tão altas que não dava para ver a copa e tão perto uma da outra que não dava pra fazer nem uma trilha. Não muito longe, avistamos uma clareira e também Gabita, Elen, Ariana, Bisnaga e Shadow. Andamos até lá e Ariana veio na nossa direção. Ela estava toda suja, sem seu salto, com o cabelo todo bagunçado e solto e com uma cara de desesperada (ou maluca, mesmo).
— Onde vocês estavam!? — ela gritou.
— A gente estava no quarto do hotel — eu disse com a maior calma do mundo.
— Nós três estamos aqui há horas e nada de vocês aparecerem!!
— Horas? Não tem nem dois minutos que nos separamos!
— Okay, okay, tá certo... mas o que importa é que vocês tão aqui, né? Agora, por favor, ajudem a gente!
— Vocês querem ajuda pra quê?
— A gente tava tentando fazer uma...
— Fogueira! — exclamou Gabita, perto de um monte de madeira em chamas.
— Você conseguiu!! — exclamou Ariana, correndo até lá.
Nos juntamos ao grupo. Ficamos horas e horas lá na floresta, montando cabanas e fazendo sei lá mais o quê. Quando escureceu de vez, percebemos que havia luzinhas azuis num canto perto das árvores. Eu não consegui dormir, de jeito nenhum, e parece que ninguém conseguiu. Acho que aquele lugar tinha um ar estranho, mágico. Escutava vozes me chamando de toda parte, mas não eram vozes normais, eram espíritos ou sei lá.
De repente, as folhas e galhos da minha cabana caíram. Me sentei e ouvi a voz de Elen dizer:
— Haylley, sai daí!
— Elen? Você também não consegue dormir? — perguntei.
— Não.
— Levanta daí, garota! — exclamou Ariana, me puxando pelo braço.
— Pra quê? — perguntei, de pé.
— Vamos sair daqui, oras! — disse Ariana.
— Mas o que a gente faz com elas? — indaguei, me referindo a Demi e Gabita.
— Ah, deixa elas aí! — disse Elen.
— Deixar quem aí? — disse uma voz no meio das árvores.
— Sara? — falou Elen.
— O que vocês estão fazendo em Nárnia? — questionou Sara.
— Nárnia? — perguntei.
— Eu sabia! — exclamou Elen.
— Que bagunça é essa aí? — disse uma garota baixinha, saindo do meio das árvores. Ela usava uma boina de folhas e uma roupinha feita de folhas (na verdade, era quase como se usasse um arbusto).
— Megan? O que você está fazendo aqui? — indagou Sara.
— Eu vim ver o que vocês estão aprontando na minha floresta — disse Megan.
— Quem disse que essa floresta é sua? — inquiriu Ariana.
— Olha só — replicou Megan, apontando para a escuridão.
— Que isso? — disse Gabita, acordando.
— Aff, alguém tem luz? — resmungou Megan.
— Eu tenho! — exclamou Gabita, correndo na nossa direção com um lampião.
— Onde você arrumou isso? — perguntei.
— Tava jogado no chão e eu acendi! — disse Gabita, com um sorriso.
Megan pegou o lampião e andou até uma árvore, onde estava escrito, "propriedade da Megan".
— Isso não quer dizer que a floresta inteira seja sua — eu disse.
— Cala a boca! — berrou Megan.
— Cala a boca você! — gritei.
— Um fantasminha! — exclamou Gabita, tentando agarrar uma das luzinha flutuantes.
Percebi que essas luzinhas pareciam mesmo fantasminhas, e estavam em fila. A sua luz era somente forte o bastante para conseguirmos enxergá-las, mas não iluminava nada. Peguei o lampião de Megan e comecei a andar, seguindo a fila de luzinhas.
— Tá indo pra onde? — quis saber Ariana.
— Tô seguindo as luzinhas — repliquei, olhando para ela.
— Yay!! — exclamou Gabita, saltitando. — Passeio!!
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