Princesa de Vidro

5 A Hora de Esquecer


Notas iniciais
(sexta-feira, 3 de julho de 2015, às 00:00) Eu vou deixar o passado para trás, já tive o suficiente. Não há tempo para arrependimento. Sim, é hora de esquecer. Estou me libertando. Esqueci a L, e conheci a C.

Acordei essa manhã, com os raios solares atravessando a janela, parando em meu rosto. Assim que minha vista se acostumou com a iluminação atual, reparei no desenho de coração ao lado da cama. Não lembrei a quem pertencia. Com esforço, a descrição breve da dona invadiu minha mente. O nome — agora proibido entre minha roda de amigas — foi recitado com suavidade. Resolvi deixar de lado, ignorar a primeira tentativa de aviso que um feito enorme trabalhado por anos foi concluído. Me entreguei a rotina durante a tarde, passeando pelos corredores gelados da escola e rindo com pedaços de conversas captados na aconchegante biblioteca.

Chegado o anoitecer, os lençóis macios da cama me acolheram novamente. Em poucos minutos me vi perdida em lembranças, boas e ruins. Não senti nada. O amor que fora transformado em ódio em momentos raros se tornou pó. Amadureci o suficiente para não ter desprezo por erros passados, cresci o bastante para desejar o melhor, mesmo para quem até pouco tempo parecia não merecer. Percebi que o que lutei por anos para se tornar verdade, finalmente aconteceu.

Eu a esqueci.

Fechei os olhos, prometi para mim mesma que tudo iria mudar. Que eu nunca mais iria arriscar.

Confiei cegamente em minhas promessas, criticando todos que quebravam juramentos, até que fiz o mesmo que eles ao conhecer você. Na mesma noite em que fechei uma porta, trancando um passado doloroso, uma outra porta se abriu. Um presente misterioso; que poderá me levar a um futuro desastroso.

Sabia que era mais uma prova do destino para ver se eu havia aprendido com a experiência, uma armadilha para o coelho seguir até o lar da raposa. Um coelho inocente, mas não ingênuo, habilidoso para correr de situações de perigo. Ele se rendeu ao custo para uma amostra de adrenalina, e espera que voltará para casa com vida.

E eu serei como ele. Mil vezes mais esperta, mil vezes mais cuidadosa. Correndo atrás de pessoas que ao me colocarem em risco de morte, me mostram como eu devo viver a vida. Registro aqui, o inicio de uma longa jornada. O percurso em uma rua traiçoeira, uma aproximação tentadora, a amizade em linha tortas e o possível amor em linhas sinuosas. Tinha certeza que na manhã seguinte, partiria para um mundo familiar, porém inexplorado. E voltará de lá com momentos vividos que iguais aos antigos, demoraria para esquecer...

Notas finais
A cópia de livros na íntegra é crime, previsto na Lei Federal nº 9.610/98 (Lei de Direitos Autorais), de 19 de fevereiro de 1998.