Princesa Errada

11 Capítulo 10


Nunca pensei que meu primeiro beijo fosse numa carruagem.

Talvez a única maneira que Sasuke encontrou de me fazer calar a boca fosse essa.

Não que eu esteja reclamando…

Mas foi um toque, um pressionar de lábios para me fazer derreter complementarmente. A boca dele era macia e acolhedora.

Eu não sabia o que fazer então fiquei parada, perplexa com tamanha ousadia.

Ele então moveu a sua boca, para que a minha o seguisse, e com a sua mão em meu rosto ele o desceu para meu queixo, e gentilmente me fazia inclinar a cabeça para um lado.

Sasuke era o maestro da minha orquestra.

Minha mão subiu e segurou em sua camiseta, senti seu músculo pelos meus dedos.

Ele mudou suas mãos para minhas pernas e me puxou para cima, me alinhando em seu colo, então as mãos pousaram em minha cintura me prendendo firme.

Lentamente Sasuke foi encaixando sua língua na minha, e me senti levada até as nuvens, mas senti o ar faltar e nos separamos, respirando ofegantes.

Me sentia febril, desnorteada. Então era assim o beijo?

Sasuke começou então a beijar meu pescoço e mordeu levemente minha clavícula, involuntariamente solto um gemido.

Ele captura minha boca novamente com rapidez mas a carruagem balança novamente e me joga um pouquinho para o lado.

Então como se a consciência voltasse ele me solta, se afastando lentamente e ainda me segurado sussurra em minha orelha:

— Eu não estava evitando você, estava tentando evitar que isso acontecesse.

Mantive os olhos fechados, aquilo era demais para o meu coração.

— Desculpe, mas você não ficou quieta.

— E-eu que peço — Consegui dizer, mas ainda permanecemos assim, sem ver o rosto do outro — E-eu achei que não, não me…— Tentava respirar, mas não conseguia encontrar as palavras.

— O correto era no casamento, mas eu não aguentei.

Meu coração agora dava piruetas e facilmente iria explodir, então fiquei em silêncio.

— Vamos ter bastante o que conversar, agora fique aí ok? — Ele disse e me sentou ao seu lado, e apoiou a mão na minha cabeça.

Sasuke me impedia de ver seu rosto, mas eu queria tanto ver.

Minha cabeça ficou encostada em seu ombro e sua mão me fazia um cafuné lentamente.

Como que de repente estamos assim? Depois de uns dias sem ele sequer me olhar agora… agora ele!

Eu sofreria um infarto e ele parecia normal!

Fechei os olhos para tentar sentir o seu cheiro e acabei dormindo.


Não sei como, mas cai num sono profundo e agora estava deitada tranquilamente numa cama grande e macia.

Consegui me sentar e observei a luz lá fora, uma cortina cobria a claridade.

— Bom dia princesa! Ou melhor, já estamos perto da hora do jantar!

Uma voz alegre percorre pelo quarto e observo uma garota da minha idade, cabelos castanhos e presos em dois coques um de cada lado da cabeça, era era uma gracinha.

Ela sorria mostrando os dentes quando se posicionou ao meu lado da cama.

— Me chamo Tenten e estou aqui para lhe servir, princesa.

— Obrigada — Ela me ajuda a calçar os sapatos e arrumar meu vestido, estava penteando meus cabelos quando pergunto — Pode me dizer quem me trouxe ao quarto? Acabei dormindo no meio da viagem.

— Ah foi Sasuke, achei tão romântico a forma que ele te carregou!

— Sério? — Coro e não consigo imaginar como ele teria feito.

— Sim! Ele não permitiu que um guarda a trouxesse — Ela suspira — Desejo esse tipo de homem para minha vida.

Ela terminou meu cabelo, fazendo uma bela trança de lado.

Não poderia me esquecer que quando molhasse teria de secar e pintar rapidamente… então optaria por sempre trocar de roupa sozinha.

— E quanto a isso? — Pergunta e aponta para minha clavícula.

Uma pequenina marca avermelhada, me fazendo lembrar quem a pôs ali.

Corando no mesmo instante passo a mão:

— Um mosquito talvez? — Arrisquei, mas não sei se ela acreditou nisso, pois tinha me dado um sorrisinho suspeito.

Então apenas soltou meus cabelos e cobriu com eles a marca.

Tenten me acompanhou até a sala de jantar, o rei e Sasuke estavam lá.

Já se via que o castelo era bem diferente do Minato, os Uchiha continha uma arquitetura mais gótica e cores escuras.

— Boa tarde — Cumprimento e eles me acolheram com saudações.

Quando meus olhos foram até Sasuke não consegui sustentar por muito tempo, pois logo o nosso beijo me apareceu como um replay e desviei rapidamente para seu pai.

— Obrigada por me receberem em sua casa.

— É minha convidada de honra, sinta-se à vontade Sakura — Fugaku diz — Venha, se sente à mesa.

Ele estava com seu cabelo preso num rabo de cavalo, roupas um pouco largas, a coroa talvez estivesse guardada ou sendo polida.

Me sento na cadeira da ponta, ficando de frente para os dois.

— Como foi a viagem? Eu a vi dormir, então não quis atrapalhar — Fugaku diz.

— Foi… — Meu olhar passa por Sasuke de novo, e ele me olhava intensamente, respirei nervosamente e voltei ao rei — Bem tranquila, majestade — Percebi pelo canto do olho que ele sorria.

Sasuke você me paga.

Seu irmão o Itachi não se encontrava no castelo, estava em viagem com a esposa.

A comida estava deliciosa, e quando retiravam a mesa Fugaku me chamou para dar uma volta ao castelo com ele, Sasuke apenas deu de ombros e se retirou para algum lugar.

O lugar era mesmo lindo, por quer que olhasse cada detalhe se alinhavam com outro, do lado de fora os bancos não eram de concreto e sim madeira, fome e bem forte.

Como estávamos no outono então as flores de plantas caiam e as árvores em volta estavam mais alaranjadas, suas folhas estavam espalhadas e algumas teimam em ficar penduradas.

Alguns serventes varriam os corredores e acenaram para nós quando passávamos.

— Sabe, eu escolhi a primavera pois era a época favorita da minha esposa, Mikoto. — Ele parou em frente a uma grande árvore, estava quase seca, sua folhagem cairá quase tudo. — Plantamos essa árvore quando éramos crianças.

— Eram amigos de infância?

— Sim, ela era filha da dama de companhia da minha mãe, então aparecia às vezes pelo castelo. — Seu olhar pareceu viajar ao passado — Me apaixonei por sua beleza, mas principalmente por sua gentileza. Ela trazia muita calma e sabedoria… Quando ela se foi, Sasuke se sentiu mais desamparado, pois vivia agarrado nela… Ele tinha se fechado ao mundo, já me alegou sua amizade com Naruto — Ele agora me olhava, como um pai — Mas eu vi um sorriso novo nele, no baile quando pegaram aquele gato malandro — Ele sorriu — E por falar nele, Sasuke insistiu que o trouxessem, agora o bichano está no quarto dele.

Eu não sabia o que dizer, tentava encontrar boas palavras, mas de nada vinha.

Mas precisava ao menos começar…

— Majestade… Eu realmente desejo merecer seu filho, e não desapontar nenhum de vocês. — Agora encaro a bela árvore de Mikoto — Gostaria de ter tido a honra de conhecer sua esposa, seu filho é muito gentil e educado.

— E vejo pelo seu olhar, que está gostando dele.

Pega em flagrante, Fugaku me vê corar.

— Mas não importa, eu não o mereço, pois não passo de uma mentirosa. — Admito e Fugaku ergue uma sobrancelha — Sei que é meu primeiro dia aqui, e o senhor me acolheu tão bem.

— Espere ao menos uma semana — Ele olha, como se estivesse entendo onde eu poderia chegar — E então, poderá me contar o seu segredo — Ele me lança uma piscadela e disse que eu poderia ficar ali quanto quisesse.

Acabei ficando um tempo, me remoendo por dentro, ele deseja que seu filho seja feliz.

Queria convencer a mim mesma que já era hora de jogar o balde, se não for agora eles sofreriam depois.

— Quem é você?

Viro-me surpresa, uma voz feminina e ríspida fala comigo.

Era uma garota jovem, aparentava ter doze anos, cabelos lisos e castanhos, uma franja lhe cobria o rosto, estava com um vestido bufante e em tons de azul.

— Eu me chamo Sakura, estava com o Fugaku agora a pouco…

— É rei, Fugaku para você — Essa criança era bem ríspida — Eu sou Aiko, a futura esposa do Sasuke.

— Oi?

— É surda? — Ela bate o pé — Minha mãe cuidou dele quando a senhora Mikoto não estava, agora eu vou cuidar dele!

Ah, minha querida, se eu te contar…

— Eu sou a nova amiga do Sasuke, vim de outro castelo.

— Sério?

— Sim. Só vou aprender coisas novas, com você também, já que o conhece bem!

— Ah então vai poder levar as pétalas para mim, quando passar de noiva.

Que criança abusada…

— Não é muito nova para ele?

— Que nada! Só preciso achar uma garota com sobrenome Haruno e então ele vai se casar comigo.

Isso havia mesmo me deixado assustada.

— Poderia me explicar melhor?

— Claro! — Ela empina o nariz para se exibir — Um homem chegou aqui e disse que daria uma recompensa, o que quiser! Quem encontrasse uma tal de Haruno.

— E ele disse como sabe dela?

— hm… — Deu de ombros — Não sei, mas só quero me casar com ele logo. Então Saia aqui, é o descanso da senhora Mikoto!

— Posso te ajudar a achar essa Haruno?

— Só falar com a minha irmã! Ela quem recebe os recados.

E a danada me enxotou para fora, sem ao menos dizer quem era sua irmã.

Como essa informação chegou até aqui? Essa história estava ficando cada vez mais difícil.

Alguém pode chegar em Sasuke e seu pai, antes que eu consiga dizer a verdade.

Ando rápido no corredor em busca de alguém, mas acabo encontrando algo pior.

Meu pai estava andando por ali, vindo na minha direção com um grande sorriso.

O que aconteceu entre eles e Jiraya? Como meu pai estava aqui?

— Sakura? — Ele para quando nota meu rosto — Então era verdade? Vai se casar?

Meu estômago ficou embrulhado.