Princesa Errada
12 Capítulo 11
— O que faz aqui? — Pergunto assim que arrasto meu pai para o canto e encosto na parede.
Seus cabelos rosados estavam bem escovados, vestia roupas novas e pareciam caras.
— Qual o problema de um pai ver a filha? — seu via o desdém em sua fala — Eu só precisava ter certeza de que estava bem e adorei a nova cor de cabelo, por isso eu não te achei.
— Pai, precisa me dizer agora, quem te trouxe aqui.
Ele se rendeu e disse que Jiraiya foi visitá-los, disse que eu estava bem e sob os cuidados de Minato, até receber a proposta de casamento do rei Uchiha.
— Mas ele disse que eu deveria continuar trabalhando! — Desdenha — Sendo que minha filha entraria na realeza!
— Pai, isso foi responsabilidade sua, não pode simplesmente desejar a riqueza do rei.
— Mas eu sou seu pai, poderia me ajudar a pagar sim?
Eu só queria chorar.
— Não aprendeu nada lá? É claro que eu ajudaria, mas você sempre deseja mais…
— Você aceita que seu pai seja humilhado? — Ele continuava a desdenhar do que eu dizia.
— Onde arrumou essas roupas?
— Ah, assim que Jiraiya saiu, um cavaleiro se dispôs a me ajudar — Não estava gostando daquela conversa — Me disse que a rainha Hana se preocupa conosco, então só bastou eu contar a verdade, mas como não sabia onde te achar ela me deu dinheiro e pediu a recompensa.
— Como pode dizer tudo pra ela? Essa mulher apenas pensa que vamos humilhar a família Uzumaki! — Não consegui não aumentar a voz — Estou assim por sua causa! Minato apenas me ajudou, me acolheu e é assim que agradecemos? Pai você não vai só humilhar a si mesmo, como ao reino Uzumaki e Uchiha — Uma lágrima teimosa desce — Eu ouvi de uma criança, que colocou uma recompensa quem me achasse! Não sabe que isso é perigoso? E se pessoas má intencionadas tentassem me sequestrar?
— Não se preocupe, agora que te achei com a ajuda do guarda da rainha ele vai espalhar que a recompensa já foi feita, só preciso esperar que se case com o príncipe e aí eu pago o que a rainha me emprestou — Ele tenta me fazer um cafuné, mas empurro sua mão — Ah querida, contos de fadas não existem. Deveria saber disso, sobreviver neste mundo é complicado.
— Eu não me importaria em morarmos na simplicidade, se deixasse esse orgulho idiota, vá para casa.
— E trabalhar? Sua mãe está lá, mas eu vou ficar aqui e garantir que não vai dar para trás. Se case e pegue o dinheiro, mesmo que a gente caia, eles serão vistos como palhaços por serem enganados tão facilmente.
Não permiti que ele continuasse, então me afastei dele.
— Por favor não fale comigo, e fique afastado.
Não olhei para trás, andei rapidamente à procura do quarto em que acordei.
Tenten estava lá me esperando, mas disse que poderia descansar então fiquei sozinha no quarto.
Não consegui dormir, apenas chorar de amargura e arrependimento. Meu pai se juntou a Hana, a pior pessoa em que se poderia confiar.
Na manhã seguinte não queria sair da cama, meu segundo dia no castelo e já estava arruinado.
Disse a Tenten que ficaria no quarto hoje, então ela apenas perguntou se eu passava bem ou se precisava de um remédio.
Mas neguei tudo e disse que estava bem, apenas que queria ficar só.
Segurava os últimos fios rosas em minhas mãos, o pote de tinta estava só na mesa.
Não queria dar o gosto da vitória ao meu pai, por mais que o ame ele me feriu muito e ainda se mostra um mau homem.
Ao terminar de pintar lavei o utensílio e escondi novamente em minhas coisas, deixei o cabelo solto e bagunçado, ele pareceu crescer mais e agora já estava no início de minhas coxas.
Permaneci com meu pijama, ele era de seda cor bege, indo até meus pés. Gostava dele por ser macio, além de não ser transparente, então poderia andar livremente.
Me aproximei da sacada e aproveitei para me sentar num sofá de couro ao lado de fora, os raios de sol já embelezavam aquele castelo.
Observava a paisagem e fechava os olhos, recebendo o calor.
Estava fazendo planos para contar a verdade, mesmo que fosse preciso perder tudo.
— O que eu faço? — pergunto a mim mesma e suspiro.
— Sobre o que?
Arregalo os olhos e percebo que na sacada ao lado, Sasuke estava com seu braço apoiado nela e em uma das mãos se encontrava um livro.
Eu estava aí lado dele esse tempo todo?
— É um quarto de hóspedes não o meu — Ele disse como se lesse meus pensamentos — Só venho passar o tempo ou ler — Indica o livro, mas seja dedos cobrem o nome e não consigo ler — Está precisando de ajuda com algo?
Encaro sua bela face, uma brisa suave passa por seus cabelos e os observo.
Sasuke facilmente é um quadro retratando algo celeste, sua beleza era magnífica. Me perguntava se ele era humano mesmo.
Os olhos pretos, me chamam como um ímã: impossíveis de resistir.
— Nao, obrigada — Respondo como uma tola e me curvo a ele — Boa noite, majestade.
Com isso adentro meu quarto outra vez e a solidão volta a mim.
Depois de uma semana no castelo, já estava praticamente acostumada com sua rotina: eu levantava mais cedo, fazia minha higiene matinal e pintava os cabelos.
Fugaku se via ocupado, então não conseguimos ter outra conversa a respeito do meu segredo.
Eu e Sasuke não tocamos no assunto da carruagem, e nenhum dos dois parecia querer chegar nesse ponto, mas toda vez que estava próxima dele, sentia minha boca formigar.
Ele começou a evitar ficar a sós comigo, mantinha Tenten num espaço considerável então tínhamos nosso tempinho para dar uma volta.
Pedi que me mostrasse onde treinava, e vendo ele atirar com arco e flecha fico admirada ao notar o quão bom ele era. Sua mira impecável, acertava o alvo no centro, todas as vezes.
Meu pai não falou nada depois, mas aparecia na minha linha de visão, para me infernizar e me lembrar da sua arrogância.
Não vi a garotinha e nem descobri mais nada dela, então eu creio que meu pai parou com os boatos da recompensa.
Fugaku ainda me apresentaria ao seu reino, quando estivesse perto de me casar com seu filho.
Eu continuei a observar Sasuke treinando: a forma como seus dedos eram firmes puxando a corda e preparando o arco.
Sua concentração em olhar apenas um ponto, a respiração diminuir e seus lábios se entreabrir para soltar o mínimo de ar possível.
Me sentia uma pervertida ao olhar tanto assim para ele, mas eu não resistia. Ver seus músculos tensionar e depois os dedos soltarem levemente a flecha.
Ouvia um zumbido, então lá estava ela.
No centro novamente.
O gatinho tinha aparecido do nada e pulou em meu colo, sorrio e começo a lhe dar carinho. Ele me respondeu com seu ronronar felino.
O coitado não tinha um nome, então eu o chamava de bola de pelo. E ele estava sendo muito bem tratado, um verdadeiro lorde.
E Sasuke parecia mais sorridente com ele também, isso me acalmou.
Não notamos o tempo passar e era noite novamente, o gato resolveu se aventurar enquanto eu, Sasuke e Tenten seguíamos aos aposentos.
No meio do caminho uma outra servente passa correndo entre nós e se curvando vira-se a Tenten:
— Perdoem a intromissão, mas a sua mãe…
— Os remédios? — Sua expressão era de preocupação — Desculpe majestade, mas minha mãe está frágil e precisa de ajuda com seus medicamentos — Tenten se curva a Sasuke — Meu pai é mercador e se encontra em viagem, restando a mim apenas para cuidar dela.
— Não se preocupe, vá cuidar dela — Responde ele gentil — Eu vou acompanhar a princesa a partir daqui.
Ela sorri largo em agradecimento, então vai atrás da sua colega rapidamente.
E ficamos só nós dois.
Continuamos o trajeto ao meu quarto, e mais parecia uma eternidade.
— Sei que faz uma semana, mas não lhe agradeci adequadamente — Começo a falar — Quando… Me carregou da carruagem.
— Ah, isso? Não se preocupe — Ele sorriu e se aproximou de mim — Além do mais você é levinha.
Envergonhada olho para o chão, a aproximação dele só me deixava grogue e minha boca não parava de formigar e incomodar.
Automaticamente levo minha mão aos lábios e sinto meus dedos gelados.
— Aquele foi meu primeiro beijo — Sussurro para mim, praticamente inaudível.
Mas meu coração gela quando pegando em minha mão ele roça meu dedo em sua boca e diz:
— Foi o meu também.
— N-não p-parecia — Gaguejo, quase sem ar pelo seu toque.
— Eu li num livro — Diz como se fosse a coisa mais normal do mundo.
— Num livro?! E tem como aprender com isso?
— Se praticar sim… — Ele notou como isso soou e parou no meio da frase.
Sasuke parecia nervoso, talvez assim como eu. Mas a diferença era ele saber disfarçar bem.
Sasuke ainda segurava minha mão, e senti meu corpo se aquecer.
Não tinha ninguém lá, nenhum guarda ou servente, apenas nós e uma pequena chama que clareava o corredor.
Meu peito estava para explodir, olhei para ele e o mesmo me encarando de volta. Seus olhos como uma noite estrelada, tão lindos e acolhedores.
Não resisti e olhei para sua boca, ele tinha falado alguma coisa, mas eu não tinha escutado.
— Perdão? — Pergunto e desvio o olhar em seus olhos.
— Eu disse que era por isso que não queria ficar a sós com você — Dizia ele, e seu tom de voz vacilou — É impossível resistir.
Mais rápido que meu cérebro poderia processar, ele passou uma mão em minha cintura, a outra levantou meu queixo e sua boca capturou a minha.
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