Princesa Errada

16 Capítulo 15


Tinha desistido de tentar lutar contra o forte homem, e por uns cinco minutos ele era acompanhado por meus pais andando tranquilo por entre os corredores.

— Nada pessoal querida — Diz minha mãe — Mas sacrifícios devem ser feitos para algo maior.

Como estava com a boca amarrada, apenas revirei meus olhos, eu queria esganar esses dois.

Chegando bem no fundo o homem forte abre a cela com uma mão e me empurra para dentro.

Infelizmente tudo que posso fazer é obedecer, e fico observando sua silhueta por uma tocha.

Ele era alto e usava uma capa preta, parecia com roupas simples, então ele não era soldado.

— Obrigada, querido. — A simpatia em pessoa sorria ao rapaz — Minha querida filha não vai atrapalhar, Hana não pediu para arrumarmos as pontas soltas — Tanto ela quanto meu pai pararam na frente do portão e de braços cruzados eles davam um sorriso de vitória.

Seus olhares eram de tudo, menos do que verdadeiramente deveriam ser.

Como já estava presa, então apenas tomaria coragem e levei as mãos onde minha boca estava coberta, puxei o pano e falei o que estava instalado em mim:

— Eu amava vocês, de verdade… — Os olhei agora com raiva e ergui a cabeça — Mas agora tudo que me resta de vocês dois é raiva e ódio! Eu odeio vocês! Achavam o que? Que riqueza iria sempre cair aos seus pés?! Pedindo dinheiro e se achando a realeza! Que piada! — Eu chorava, mas me mantinha gritando — De vocês tenho pena, pois ficam se rastejando por qualquer coisa!

— Mas que criança insolente e ingrata! — Minha mãe dá um passo na frente da cela — Lhe demos de tudo, e é assim que nos recebe?

— INGRATA? — Dei passos o suficiente para que ela recuasse um passo — VOCÊ É UMA DESGRAÇADA! Afinal por que me deu a luz, se no fim não me ama de verdade?

Meu pai sabendo que isso não levaria a lugar algum se aproxima e levanta as mãos em rendição:

— Querida…

— Mas que família mais barulhenta — O homem que me trouxe diz despreocupado e simplesmente empurra meus pais para dentro da cela junto comigo e a tranca.

Ambos tropeçam caem sentados no chão sujo, pensei que estavam trabalhando juntos.

Antes que minha mãe falasse algo, o rapaz a interrompe e mostra seu rosto a nós na luz:

— Kizashi e Mebuki Haruno — Ele nos olhava com atenção, esperando alguma reação — Eu me chamo Juugo e estou de olho em vocês há tempos.

Seu rosto era sério, os cabelos alaranjados e bagunçados, lábios finos e olhos parecendo caramelos.

Ele era bonito, admito. Mas parecia esconder algo perigoso.

Tirando de sua capa ele ergue alguns papéis e vai lendo alguns trechos:

— Sem parentes próximos — Juugo ri — Caramba é de nascença? Mebuki roubou o próprio pai para conseguir pagar o dote ao Haruno aí… — Eu olhava em surpresa para eles — Caíram na própria armadilha, um achando que iria conseguir o dinheiro do outro — Ele ria e meus pais agora se entre olharam — Olha, digo que não foi nada fácil achar a árvore genealógica de vocês viu, se tornaram uma vergonha de família e como tal eles foram embora.

— Com licença, senhor Juugo — ouso me aproximar — Mas você não estava trabalhando com meus pais?

— Sim e não — Responde ele descontando mais papéis e agora me olha — Eu sou a última peça de Hana, o que resolve tudo praticamente… Sua família se tornou uma ponta solta e que vou resolver — Olha novamente para meus pais — Vocês são dois idiotas que voaram próximo demais ao sol, sempre pedindo dinheiro e tendo uma vida que não era sua.

Eles agora tentavam processar tudo o que Juugo dizia, e ambos se levantaram orgulhosamente do chão:

— Só pode estar brincando! — Mebuki diz, agora eu não a chamarei mais de mãe.

Ver seu vestido elegante e sua cara de desespero, estavam me dando um bom show, mesmo que eu também estivesse atrás daquelas grades.

— Hana nos achou na casa daquele barão e ela nos contratou para pegarmos nossa filha e termos direitos com os Uchiha! — Ela prossegue gritando — Temos o nosso contrato, então não vamos cair sozinhos. Você também vai cair.

— Eu? — Juugo parecia se divertir — Eu sou apenas um fantasma, não existe registro algum sobre mim. — E ergue os papéis na visão dela — Mas eu tenho muita coisa de vocês… Como eu disse antes, sou o resolve buracos da Hana.

— P-podemos dividir a herança de noivado da Sakura! — Kizashi vacila ao falar finalmente — Hana nos prometeu… Disse que minha filha se casaria com o príncipe, mas que era necessário fazer ela ser a vilã e depois seríamos seus pobres pais desolados.

— Acham mesmo que Hana poderia fazer algo assim? Os Uchiha tem grande influência, é óbvio que as pessoas se falariam quando ele escolhe se a noiva — Juugo ria de uma piada que só ele entendia — É preciso desenhar? Vocês, os Haruno são o problema aqui. Estavam manchando a reputação dos Uzumaki e seus aliados, então é lógico que seriam manipulados a se autodestruir — Ele olha para mim desta vez — Só teve a mãe sorte de nascer no meio deles, nada pessoal garota… Mas por ter mentido sobre sua identidade e ainda por cima iria se casar, eles tem como usar contra você isso.

— Eu sei dos meus erros, entendo isso — O encaro de volta — Não concordo com as ações sujas de Hana, mas estou feliz que esses dois vão pagar pela sua ganância.

— Não se preocupe, vou aliviar sua barra — Agora Juugo parecia… Gentil? — Tenho uns passarinhos por aí, e sei que realmente se esforçava em contar seu segredo, mas como envolvia a realeza imagino que não queria envolver seus nomes, mesmo que infelizmente já estavam sendo muito falados.

— Obrigada, eu acho.

— Bom, se você esperar até o julgamento de seus pais, posso ajudar a se desvincular deles. Não terá sobrenome algum, será assim como eu… aí vai ser por conta e risco do Uchiha ainda desejar se casar, mas todas as pessoas saberão quem é você e o que fez. Isso pode afetá-los por gerações.

Se Sasuke ainda me quisesse, eu poderia viver feliz ao seu lado. Mesmo que não tivesse um castelo.

— Eu aceitarei suas condições.

— ESTÁ MALUCA?

Mebuki agora parecia uma outra pessoa, completamente louca.

— Nunca mais poderíamos viver em sociedade! Até sermos esquecidos, os Haruno foram para outro país, nos abandonaram! E agora acham que vão me transformar numa ninguém?! —

Ela balbuciava e gritava andando ao redor da cela, nisso ela se aproxima de uma bacia com água limpa, acredito que era para enxugar o rosto — Não se esqueça da sua natureza! — Ela pega a bacia e a vira para mim, jogando todo seu conteúdo em meu corpo.

Sinto o gelado da água e a tinta em meus cabelos começarem a escorrer. Meu penteado foi bagunçado e agora os fios rosados apareciam, e meu vestido estava se manchando com ele.

Estava encharcada, mas apenas aceitei. Eles já estavam sem saída, o que me fez dar uma gargalhada e ela me encara perplexa.

— A cor do meu cabelo não muda o fato de que eu tenho o sangue de vocês, isso não muda nada — Falei — Mas só de ver sua cara assim, com esse orgulho patético no chão me faz sorrir.

— Sua..!

Ela faz um gesto em querer me dar um tapa, mas Juugo entra na cela e segura seu pulso.

— Tudo bem, o show de vocês me entreterem o suficiente, mas vamos separá-los.

Ele empurra a mão dela para trás, apenas para que ela não fosse atrás de mim quando ele me guiou para fora da cela, apoiando sua mão em minhas costas e a fechou.

— Preciso que fique nesta outra, por favor — Ele aponta para a cela ao lado e vejo que tem outra bacia lá com água — Se desejar arrumar seus cabelos, irei providenciar um quarto a você, mas infelizmente não poderá participar do casamento.

Eu queria tanto ver a felicidade de Karin, ela que tinha feito tanto por mim…

Não respondo e apenas aceito com um acenar de cabeça, a tinta estava me incomodando no rosto, acredito que estava com uma aparência lastimável agora.

Tentando me amparar de alguma forma, Juugo ainda mantinha a mão levemente encostada em minhas costas, talvez para mostrar que não me faria mal, e levemente me encaminha à porta da outra cela.

Mas um zumbido nos faz tremer ao passar rapidamente perto do rosto de Juugo.

Na parede da cela onde eu estava sendo direcionada, estava fincada uma flecha.

Era um aviso.

A bochecha de Juugo levou um leve corte, começando a sangrar e ouvimos uma voz ameaçadora:

— Tire suas mãos dela.

Olhamos para a voz e meu coração logo deu um salto de alívio.

Ver o rosto de Sasuke me fez querer correr para seus braços, mas me contive.

O seu olhar era frio e totalmente ameaçador em direção a Juugo, seu arco e flechas já estava pronto outra vez, ele mostrava claramente que atiraria em sua cabeça.

Eu nunca pensei que veria esse lado dele.

Um latido vem atrás dele, e notei se tratar do cachorro do baile, ele latiu para Juugo e voltou atrás de seu dono.

— Obrigado, Kiba e Akamaru — Sasuke agradeceu o rapaz que se aproximava — Desculpe o atraso Sakura.

Sorri para ele, não conseguia conter e pequenas gotas de lágrimas desciam lentas.

Kiba sorriu satisfeito por ter ajudado, mas logo ao notar a cena ficou chocado.

Olhei para Juugo e ele parecia… Satisfeito? Sorria mostrando seus dentes e então retirou sua mão de minhas costas.

— Eu não esperava isso, superou minhas expectativas Uchiha — Disse ele olhando Sasuke e passou o dedo no corte em seu rosto.

— Espero que me dê uma boa explicação, sobre por que minha noiva está sendo humilhada assim — Sasuke diz sério ignorando o elogio de Juugo — Que seja boa, meus dedos estão coçando em soltar…

Juugo gargalha dessa vez e exclama:

— Gostei desse cara!