Princesa Errada

13 Capítulo 12


O formigamento em meus lábios cessaram no mesmo instante em que Sasuke encostou sua boca na minha, me prensando na porta.

Sem aviso sua língua abre meus lábios e se apossa da minha boca, suas mãos correndo por meu corpo.

Minhas mãos se levantam e tocam em seus cabelos, eram macios e sedosos.

Seriam essas coisas que aprendeu lendo? Eu fiquei muito feliz em saber que fui a primeira pessoa que beijou.

Ele se afasta e quando vou respirar, seus lábios já agarram meu pescoço e solto um gemido baixo, sinto ele sorrir e continua a beijar meu pescoço.

— Sasuke… — Gemi novamente e lhe chamo.

Minha fala deve ter causado algo nele, pois ouço murmurar alguma coisa e desce seus braços para minha perna, e me puxa para cima segurando firme minhas coxas e agarra novamente meus lábios abertos, me ensinando uma nova dança com seus beijos, aquilo estava indo a outro nível, e eu não conseguia me controlar.

Meu penteado acabou desfazendo e umas mechas caíram por meus ombros, as mãos dele subiram um pouco mais e deslizou pelo vestido, tocando na pele da minha coxa.

Seus dedos estavam um pouco gelados, mas não me incomoda, pois me fizeram aquecer e sentir um desejo ardente, não sabia o que fazia e minha cintura se moveu sozinha para sua direção.

Sasuke ainda me segurava firme, mas ele aos poucos vai parando e suas mãos em mim afrouxam, parecia que estava numa luta complicada, se deveria ou não prosseguir.

Ele me desce com calma e respirando ofegante assim como eu, ficamos em silêncio um pouquinho, o lado sensato bateu a porta.

— Sakura — Sussurrou ele, e senti o calor novamente — Sei que é tarde para isso, mas me perdoe pelo atrevimento, sei que estamos noivos, mas não quero ultrapassar essa linha — Seus olhos me encaram com carinho — Eu gosto de você Sakura, e a desejo como minha esposa.

Meus olhos brilharam com sua declaração, o vi corar por um momento e eu acabo corando junto.

Seguro sua mão:

— Eu também gosto de você, Sasuke! E n-não é abuso algum, eu quero… — Eu gosto quando me beija, mas deixei essa informação só para mim.

Ele ficou sem saber o que dizer e usou sua mão para cobrir meus olhos.

— Fico feliz — Ouço sua voz mansa e um tanto quanto alegre — Boa noite, Sakura — Diz ainda com a mão em minha visão, então beija minha cabeça e se afasta, me deixando ver apenas suas costas.

Ainda o olhava até sumir da minha vista, só então entrei no quarto.

Ainda estava sem reação pelo que acabou de acontecer, ainda sentia os toques dele e não conseguia parar de imaginar além disso.

Quando deitei na cama, não consegui dormir. Só pensava na declaração dele…


Ouvi batidas na porta do quarto, me sentia cansada por não ter dormido corretamente, mas me levantei e sigo até ela.

Meu dia acabou de piorar:

— Bom dia, princesa! — Meu pai sorria como alguém que acabou de aprontar — Dormiu bem?

Hoje seus cabelos estavam úmidos, as roupas mais extravagantes, cores azul e dourado.

Ele brincava com este reino.

— O que deseja? — Pergunto — Não deveria estar aqui, a minha amiga na volta.

— Tenten? Ah, não se preocupe — Ele dá de ombros — Ela precisa cuidar da mãe, não vai aparecer tão cedo.

— Como sabe?

— As paredes ouvem tudo, sabia? — Desdenha — Preciso vender e receber informações, ou Hana me caça… Mas enfim como vai com o príncipe? Ele te deu alguma coisa já?

— Não, mesmo se desse eu não aceitaria! — Tento fechar a porta, mas ele ainda insiste em segurar a ponta — O rei sabe que eu nunca pediria nada.

— Mas se for exposta, sabe dos riscos. Pode não só nos afundar… nunca mais a sociedade vai nos aceitar e o príncipe te largaria.

Queria que ele parasse, ou me desse um tempo.

Peguei então um dos meus vestidos e o deixei bem dobrado.

— Toma, pode vender esse — Estendi a ele a contragosto — Pode vendê-lo, mas me deixe uma dias em paz.

A ganância em seus olhos brilham, ele então sem hesitar pega o vestido com delicadeza.

— Que generosa princesa, isso vai me ajudar por enquanto — Ele se curva a mim é se retira.

Ele estava me deixando sem escapatória, iria me apressar em contar ao rei.

Mesmo sabendo que Sasuke gostava de mim, eu não queria continuar mentindo.


Mais tarde recebemos belos convites para o casamento de Karin, era um envelope belíssimo, cheio de detalhes e cores, ainda por cima os nomes dos noivos eram contornados por ouro.

— Isso tem cara de Hana — Itachi se pronunciou.

Ele tinha voltado pois foi convidado, então agora nos reunimos na sala de jantar.

Sua esposa ficou no reino dele, a tratar de assuntos reais.

Ele estava com seus cabelos soltos, eram lisos até os ombros, o olhar sereno enquanto segurava uma xícara de chá e relia o convite.

Itachi era bem estiloso, suas roupas eram um sobretudo preto com detalhes em vermelho, a costura da casa Uchiha em suas costas.

Sasuke estava despreocupado sentado ao meu lado, e eu não conseguia parar de corar. Estava na esperança que os demais não notassem minha estranheza. Os cabelos dele estavam penteados para trás, um fio ou outros se via na sua face, seus rostos angelicais eram tranquilos e serenos.

Usava uma camiseta branca de mangas cumpridas e uma calça preta, sapato coturno. Talvez ele fosse treinar depois do café.

Já eu usava um vestido liso branco, apenas os braços com renda branca. Meus cabelos estavam soltos.

Tenten não teve muito tempo para me ajudar a arrumar depois que meu velho atrapalhou, mas me afirmou que sua mãe estava bem melhor de saúde tomando os remédios, me deixando aliviada.

Mas estava empolgada em me preparar para o casamento, cochichava animada comigo enquanto íamos à sala de jantar, e agora se encontrava junto das outras serventes atrás de nós.

Fugaku comia um pedaço de bolo alegremente e parecia não se importar com mais nada.

— Já me sinto feliz por Hana deixar a coitada da filha de casar com quem ela escolheu — Ele diz ao mastigar — Minato me contou tudo sobre, mas vamos ficar de olho, esse tipo de mulher gosta de um drama.

Ah, então ele sabia sobre a personalidade forte dela…

— Com licença majestades, mas venho lhe entregar uma carta — Um guarda se aproxima de nós e estende um papel para mim — Pertence ao rei Minato.

Olho surpresa para o papel e Fugaku me encorajava a pegar:

— Vá ler com calma, pode se retirar da sala.

— Obrigada, senhor — Me curvo aos demais e sigo para fora, pegando a carta.

Tenten me olha com cautela, mas respeita meu espaço e permanece ali parada, apenas me acena com a cabeça, caso precisasse dela.

Apenas me sentei em um muro pequeno, em frente a sala, assim não precisava ir tão longe.

Mas ainda assim tomei cuidado para olhares curiosos:

“Querida Sakura,

Me perdoe, mas notei tardiamente que seu pai e sua mãe saíram da casa onde estavam.

Alguém a mando de Hana seguiu Jiraya e agora os dois estão em busca de você.

Jiraya se sentiu mal e está procurando se redimir, tudo que descobriu foi que seu pai já deve estar aí no reino de Fugaku como um vendedor ambulante, mas que está espalhando notícias de uma princesa falsa que deseja as Graças do rei.

Sua mãe foi descoberta por minha esposa, não foi muito longe ao se fingir se servente, então com persuasão ela contou tudo: Hana ofereceu uma alta patente a eles se concordassem em humilhar você, como ela se sentia, pois Hana não suporta perder e ver que sua filha não vai se casar com Sasuke só fez as outras rainhas e damas zombarem dela.

Seus pais te venderam novamente Sakura, e me dói muito escrever isso, eles desvincularam totalmente o laço que deveriam ter, querem passar toda a atenção para você e assim voltarem como os Haruno injustiçados pela filha rebelde.

Tome cuidado no casamento, mesmo sendo de Karin ela pode fazer alguma coisa. Estaremos lá para você, mas tome cuidado.

E Sakura, está na hora de contar a verdade, pois a mentira se espalha mais rápido.

Do seu amigo, Minato”

Meus olhos tinham pequenas gotas de água teimosas, mas eu não podia me dar ao luxo de cair assim.

Então minha mãe estava lá com Minato, ainda tinha acreditado em meu pai…

Ele aceitou as riquezas de Hana, sem contar que também deve ao Minato. Podem sim ser facilmente presos pelo resto de suas vidas e ainda assim, entregaram minha cabeça de bandeja.

Disse ao guarda que precisava me ausentar, e que ele pediu desculpas por mim ao rei.

Não sei quanto tempo levou para essa carta chegar, mas precisava responder imediatamente, ainda mais com o casamento logo aí.

Andei rápido aos meus aposentos e tratei de escrever em detalhes o que meu pai estava fazendo, parece que o convenci um pouco a parar os boatos, mas não duvido que aquela criança doida pelo Sasuke não me procuraria novamente.

Terminado a carta, peço que a entreguem o mais rápido possível e noto que em minha porta Fugaku estava apoiado no muro.

Ele nada diz, apenas vê seu guarda se curvar a ele e ser liberado com a minha carta.

— Não se preocupe, não sou enxerido — Sussurra — Contanto que não prejudique minha família, pode mandar quantas cartas desejar.

— Obrigada, majestade — Sorriu — O senhor é um homem muito gentil… — Estendo minha mão aos meus quarto e aponto — Se não for rude de minha parte, poderia lhe conversar em particular? Sei que não é o correto, mas pode trazer um de seus guardas…

Ele pareceu notar meu tom falho na voz e apenas apontou para um guarda que estava ali:

— Por favor vigie a porta, qualquer coisa eu lhe aviso.

O outro apenas prestou continência e ficou em silêncio enquanto ele entrava.

Deixei a porta encostada, para o caso dele querer sair ou gritar para me prenderem, então Fugaku se acomodou no sofá e tomou uma garrafa que ali estava.

Uau, eles deixaram mesmo tudo preparado, não tinha notado que trocaram um chá.

Ainda em silêncio, peguei o meu pote de tinta em meus pertences e rapidamente indo ao banheiro pego água. O rei apenas me observa atento, mas nada diz.

Sentei em sua frente e depositei o pote na mesa:

— Majestade, eu venho mentindo e enganando sua família por muito tempo… — Peguei uma mecha do meu cabelo e a molhei no pote, a tinta preta logo em seguida saindo dela e revelando os fios rosados, tomei cuidado para não manchar o lindo vestido e os apertei com força.

Fugaku apenas me olha surpreso e antes que falasse alguma coisa me apoio com os joelhos no chão, a cabeça curvada na direção de seus pés — Eu amo o seu filho, mas não o mereço — Lágrimas agora saiam de dentro de mim — Se me permitir lhe contarei tudo, mas eu já entendo que por mentir não tenho o direito de receber os sentimentos se Sasuke, não desejava machucá-lo, mas eu não posso mais mentir.

Levanto a cabeça apenas o suficiente para ele ver minha expressão: mágoa, tristeza, arrependimento.

Talvez ele não acreditasse, mas era agora ou nunca:

— Eu sou Sakura Haruno, filha do duque Kizashi que está falido e endividado com o rei Minato e agora com a rainha Hana.