Princesa Errada

14 Capítulo 13


Pensei que Fugaku me pararia naquele mesmo momento, mas não.

— Eu sabia minha cara — Respondeu sereno — Sente-se, vamos conversar melhor olhando um para o outro.

As lágrimas desciam pelo meu rosto e eu o olhei perplexa:

— O senhor, sabia?

— Minato é um homem honesto e meu amigo, ele me explicou sua situação e pediu que a desse abrigo, eu claro lhe permiti. — Seu dedo gentilmente apartou minhas lágrimas — Quando eu vi a maneira que meu filho estava em sua presença, sabia que tinha um coração gentil.

— Mas, Senhor eu… Menti para vossa alteza.

— Não por escolha, eu notei seu olhar. Sempre tentava dizer alguma coisa, mas não conseguia. Não se cobre tanto por isso.

— E Sasuke?

— Sabe.

Isso fez meu coração se apertar, ele sabia e ainda assim me aceitou em seu coração.

— Tínhamos receio de falar sobre, pois ainda não a conhecíamos o suficiente. Sasuke aceitou o casamento para ficar mais de olho em suas intenções, mas assim como eu ele tirou sua própria conclusão.

Me sentia envergonhada, mas ao mesmo tempo um alívio tomou conta.

— Eu… Não mereço isso Senhor — Iria baixar minha cabeça novamente, mas ele me impediu.

— Sakura, a culpa dos pais nunca deveria recair sobre os filhos… Você não fazia ideia de quem deveria te proteger, é justamente quem mais lhe machuca. Nós os Uchiha a aceitamos Haruno.

Alívio e gratidão era tudo o que eu demonstrava.

Combinamos para que eu conversasse com Sasuke depois do casamento de Karin, e Fugaku pediria aos aliados força em desmentir as artimanhas dos meus pais.

— Permaneça com os cabelos assim, até resolvermos tudo. O povo pode achar que estamos sendo enganados — Ele ri — Eles acham que somos inocentes demais para descobrir essas coisas.

— Se preocupam com vocês.

Depois da nossa conversa, Fugaku saiu para mandar uma mensagem a Minato, e assim combinarem um bom plano em desmascarar Hana.

Enquanto isso eu iria tomar um banho e descansar para o dia seguinte.


O grande dia, seríamos levados hoje ao casamento de Karin, de manhã Tenten conseguiu comparecer e me ajudar a me vestir, sua mãe estava bem melhor e sua expressão era de leveza.

— Desculpe a ausência princesa, agora minha mãe pode ficar sozinha por um tempinho.

— Não se preocupe, ela estando bem é o que importa.

Como sempre, Tenten fez um belo penteado em mim, ela fez uma coroa com meus cabelos trançados, e apoiou a tiara em cima.

Meu vestido não tinha tanto volume, conseguia me mover com tranquilidade.

Era azul escuro, o espartilho em tons mais claros, um laço médio abraçava minha cintura, mangas longas completavam a roupa e um salto baixo preto.

— Queria tanto que fosse comigo…

— Infelizmente só quem Hana convidou, então é melhor levar a segurança do que uma simples empregada.

— Não diga isso — E lhe dou uma piscadela — Vou tentar te trazer umas guloseimas. — Ela sorri de volta.

Alguém bateu à porta e Tenten sorriu ao abri-la completamente:

— Ela está pronta, majestade. — Disse e se curvou.

— Obrigado. — Sasuke lhe disse e nós olhamos enfim.

Ele estava muito bonito, vestia um sobretudo no mesmo tom que meu vestido, botas pretas.

Os botões da roupa estavam presos, então não conseguia ver sua camiseta.

— Está linda, minha princesa — Sasuke diz e sorri estendendo sua mão.

Sorri de volta e aceitei pegar em sua mão, percebo Tenten sorrir alegre e nos seja um bom caminho.

Entramos na carruagem e respiramos aliviados.

— Parece que agora posso respirar — Falo — Sinto como se Hana fosse aparecer em qualquer lugar — Brinco.

— Bom, estamos indo ao casamento da filha dela, então de fato ela vai aparecer.

Queria negar esse fato, mas me senti envergonhada e apenas sorri.

— Mas é certo que precisamos tomar cuidado com ela, estava quieta até demais.

— Verdade…

Ficamos um tempo em silêncio e apoiei meu cotovelo na janela de escanteio e olhei para Sasuke.

Ele era tão bonito e gentil, que me perguntava como poderia ter gostado de mim.

Meu coração se aperta, será que ele está a esperando que eu tomasse a iniciativa como Fugaku?

— Sasuke, quanto tempo que sabe sobre minha verdadeira identidade? — Sei que disse que esperaria, mas não aguentava mais — Eu disse a verdade ao seu pai…

Noto que ele se remexe um pouco no banco, mas então me encara com sinceridade:

— Desde o começo, acho — completa tocando em seu queixo na dúvida — Mas assim como meu pai alertou, seria melhor esperar que viesse de você mesma a vontade de contar a verdade.

— Eu não estava fazendo nada para tentar me tirar disso, e deixei que os outros fizessem tudo por mim — Confessei — Agora não sei onde estão e Minato está correndo feito louco para resolver esse problema que a minha família causou.

— Você não tem influência ou maneiras de pagar serviços, não se cobre por isso.

— E se eu tivesse contado desde o início? — Olho para baixo e aperto as mãos no vestido — a mentira se espalhou tanto, que até uma garotinha desejava me entregar para assim você ficar em paz.

Vejo suas mãos aparecerem e segurarem as minhas, ele estende a outra e toca em meu queixo me fazendo levantar a cabeça e olhar para ele:

— Não se arrependa das decisões do passado, ele não passa disso, passado. Aprenda com ele e repense o que pode fazer agora, o seu futuro.

Seu olhar era determinado e ele tinha plena certeza do que dizia.

— Obrigada, Sasuke — Disse e lhe abracei forte — Me perdoe por não ter me apresentado devidamente a você.

— Teremos bastante tempo — Afirma ele e me abraça em resposta.


Um momento depois finalmente chegamos ao castelo de Hana e fomos recebidos por vários servos e guardas.

Cada um de nós fomos por uma escolta até o local da cerimônia.

Parecia o centro do castelo, um espaço enorme como um salão de festas, mas a céu aberto.

Tinham colunas com flores as contornando, bancos elegantes e brancos preenchiam aquele belo espaço.

Mesas de ambos os lados e discretas, com guloseimas e bebidas para os convidados.

Meus olhos varrem aquele lugar belo e elegante, até ver duas figuras que me fizeram entrar em pânico.

Meus pais estavam bebendo alguma coisa e sorriam como duas pessoas civilizadas, como se nada tivesse acontecido até agora.

Tento falar com Sasuke, mas ele foi abordado por outros duques e conversavam com ele despreocupado.

Não queria interromper, então iria prosseguir até que virou as costas, mas alguém segura minha mão.

— Eu também os vi — Sasuke falou baixo e segurava minha mão.

Olhei para ele, os duques olhavam com curiosidade.

— Minha noiva, que mencionei a vocês — Ele diz e me encaminha na frente deles, curvo a eles — Sakura.

— Que encantadora! — A esposa de um deles fala.

— Obrigada, madame — Agradeço — Devo dizer que a Senhorita está belíssima.

— Nossa, faz tempo que não me chama de senhorita! — Sorri ela orgulhosa — Obrigada!

Ela não parecia velha, seus trinta anos talvez, estava muito linda mesmo.

Cabelos castanhos, olhar penetrante e atento. Seu vestido era longo e sem babados, apenas as mangas eram bufantes nos ombros.

Ouvimos um latido e logo o cachorro que nos uniu estava ali todo alegre.

— Akamaru, espere! — O seu dono sorria ao conseguir pegá-lo — Desculpe mãe, mas ele queria conhecer tudo.

— Ah, kiba! Só tome cuidado para não quebrarem nada.

— Está me incluindo porquê?

— Vocês dois, quero que se comportem.

O cachorro se senta em sinal de obediência e isso me faz rir.

— Ah, princesa Sakura! Que prazer te conhecer — Kiba diz e estende a mão — Ainda não me desculpei devidamente ao meu amigo aqui — Responde encarando o outro, que na mesma hora finge não ser com ele.

— Ah não se preocupe, gostei muito dele — Respondo e aceito pegar na sua mão.

Depois de um tempinho conversando, na curiosidade olhei novamente para a direção que meus pais estavam e notei que eles me olhavam de volta.

Minha mãe está com sua cabeleira loira solta, um vestido liso e cinza, simples e ao mesmo tempo elegante.

Meu pai com os cabelos rosas lisos para trás, exibia um sorriso para mim, para me aproximar deles.

— Eu já volto — Falei e apertei de leve a mão de Sasuke.

Ele sabia onde eu iria e com isso poderia nos observar dali.

Caminhei a passos largos e decididos, no meio do caminho vi Minato, mas ele não me notou.

Optei por não parar e vi muitos convidados entrando, Hana chamou bastante gente.

— Este lugar não é esplêndido? — Minha mãe diz assim que me aproximo.

— O que desejam? — Pergunto.

— Estamos apenas aproveitando, querida — Responde meu pai — Não vai nos julgar por isso não?

— O que fizeram com Hana não é seguro, parem agora e vão embora — Afirmo — Se entrelaçar mais a ela vocês não vão sair…

— Foi por ela que achamos você. — Minha mãe responde — Ou melhor, que você achou a gente.

Segurando firme em meu cotovelo, um homem alto me força a começar a andar na direção oposta da festa.

— Se fizer alguma coisa, seu príncipe morre.

Não me importo com a ameaça, pois duvido que com esse grupo de pessoas eles fariam alguma coisa.

Tentei gritar, mas sua mão cobriu minha boca quando não estávamos mais no salão.

Meus pais andavam tranquilamente e se aproximaram.

O homem me ergueu como se fosse nada, a alguns centímetros do chão.

Não fazia ideia de onde estavam me levando.

— Solta! — Consegui falar, e minha mãe logo cobre minha boca com um pano.

O homem me põe no chão, só até ela me amarrar e eu não conseguir falar.

— Calma meu bem, melhor terminar isso sem que ninguém veja.

Tentei chutar, mas de nada adiantava e eu era arrastada pelos corredores escuros.