Princesa Emily
30 Você de novo?
Notas iniciais
Estavam todos tomando café, e agora além da família de quatro pessoas havia mais três pessoas muito legais na mesa. O Rei Dave e a Rainha Marta (ex plebeia por sinal).
As duas famílias se davam muito bem por isso que a Alemanha e Gardênia eram países aliados.
Todos conversavam animadamente sobre assuntos diferentes e obviamente Carter estava na conversa dos mais velhos porque se interessava por coisas do tipo.
Emily e Sarah gargalhavam direto, se viam tão pouco, mas se consideravam irmãs.
– E como você está, Emily? – perguntou Marta.
– Muito bem, obrigada – Emily sorriu – e a senhora?
– Por favor, só me chame de Marta, querida – ela disse e Emily assentiu sorrindo.
– Emily, e os garotos, você diz nas entrevistas que não tem um favorito, mas eu sei que tem – Sarah sorriu – e quem é?
Emily engoliu seco, havia um favorito... mas não era um dos quinze.
– Hã... é complicado, depois eu te explico direito, ta? – ela disse e Sarah assentiu vendo que não era algo que não podia ser discutido ali.
– Mas tem um, não tem?
Emily suspirou, já havia contado tudo para Carla, podia contar para Sarah também.
– Sim, mas não é ninguém que você pensa... é realmente complicado.
– Certo – ela assentiu.
O café da manha havia acabado e Emily foi com Sarah até o lugar que sempre fora o favorito das duas quando eram pequenas. O terraço.
Tanto o terraço do palácio da Alemanha quando o de Gardênia era o lugar "delas", uma só ia acompanhada da outra, era uma espécie de ritual sagrado que o tornava especial.
Porem, não era um lugar exatamente "seguro", por isso elas tinham que subir meio que escondidas.
Sarah sempre fora meio delinquente, então driblar os guardas nunca foi um problema, agora Emily sempre foi negativa e medrosa e sempre achava que seriam pegas, mas nunca foram vistas.
– Ai, se me virem aqui... – Emily disse.
– O tempo passou e ainda continua medrosa, não é? – Sarah disse enquanto elas subiam as escadas.
– Algumas coisas nunca mudam, minha cara – ela disse e Sarah sorriu negando com a cabeça.
As duas chegaram ao terraço contemplando a vista.
Elas sorriram se apoiando na grade de proteção, por um momento Emily se imaginou com 12 anos de novo.
– E então, vai me falar sobre o seu favorito? – Sarah perguntou indo até a portinha e tirando as duas cadeiras que ficavam ali só para quando elas subiam ali.
A morena tirou a poeira das duas cadeiras enquanto Emily se preparava para contar tudo.
. . .
Emily chorava no ombro de Sarah que a abraçava comovida com a história de Emily.
Sarah nunca havia se apaixonado, talvez só sentido uma forte atração por um loiro... que ela nem sabia o nome, e coincidentemente havia o conhecido na festa da loira que chorava em seu ombro.
– Mas... e o que você vai fazer?
Emily abraçou a amiga mais forte ainda, havia extravasado mais com ela do que com Carla.
– Nada – ela disse – eu não posso fazer nada.
– Como não? – Sarah perguntou – mas então quer dizer que você não gosta de nenhum dos candidatos?
– Ah, o Dylan é legal, o Simon é um amor, o Aidan é simpático... mas nada comparado a Charlie.
Sarah suspirou enquanto Emily limpava suas lágrimas que haviam borrado um pouco a sua maquiagem.
– E esse guarda, é bonito pelo menos?
Emily riu.
– Ele é lindo – Emily sorriu lembrando daqueles olhos... ah senhor, que olhos!
– Hum, interessante – ela sorriu fazendo Emily se sentir um pouco melhor que antes – e essa festa, fiquei sabendo que você que está organizando.
– Pois é, vê se pode! – Emily disse já elétrica e Sarah sorriu, conseguiu fazê-la sorrir rapidinho, e isso era ótimo.
– É, e já terminou?
– Na verdade faltam algumas coisas.
– E você quer ajuda?
– Mesmo?
– Claro, não tenho nada de interessante para fazer mesmo – Sarah deu de ombros.
– Já disse que te amo?
– Eu também te amo, loira – Sarah piscou e Emily sorriu.
. . .
Sarah estava no jardim andando procurando um lugar confortável para relaxar. Eram 3h00min da tarde, ou seja, a sua Princesa estava com os meninos.
A morena havia ficado realmente comovida com a história de amor fracassada de Emily, não tinha experiências próprias para dizer o quanto aquilo era ruim, mas só de olhar a expressão da loira enquanto ela falava daquilo dava para ter uma noção o quanto aquele tal sentimento, amor, devia ser péssimo.
E era por isso, que Sarah Elizabeth Jones nunca, jamais amaria alguém (a não ser sua própria família) e nem nada do tipo.
Ela riu sozinha se imaginando "apaixonada" por alguém, há! Ela nunca seria tola o suficiente para ficar pensando em alguém, chorando, sofrendo... basicamente uma Emily. Sarah não queria aquela dor para ela, não mesmo!
E tem mais, ninguém merecia que ela derramasse uma lágrima por essa pessoa, ninguém! E bem, Emily agora estava naquele estado, desiludida com a vida e tudo isso por conta de um homem! Certo certo, Sarah podia achar aquela "raça" muito atraente, na verdade, haviam garotos realmente muito bonitos no mundo, mas entre achar um homem gostoso e amá-lo há um grande abismo no meio disso tudo, um Grand Canyon.
Ele rodeou os olhos pelo jardim... havia alguns garotos de terno ali que ela não conhecia. "devem ser os pretendentes da loira" ela pensou... mas tecnicamente eles não deveriam estar com ela? O que faziam ali no jardim?
E foi ai, nesse exato momento que seus pensamentos paralisaram e ela não sabia se ficava surpresa, confusa ou amedrontada.
Na festa de Emily ela havia conversado brevemente com um menino, ele era loiro, tinha olhos azuis, era forte e alto. Ele engraçado, a fez rir nos cinco minutos que conversaram, mas depois ela saiu, por algum motivo desconhecido.
E aquele garoto desconhecido, que ela não sabia o nome, nem de onde era estava ali, lindo como ela se lembrava.
Ele a olhou distraidamente e depois voltou imediatamente os olhos para ela arqueando as sobrancelhas loiras, obviamente estava aterrorizado como ela.
O garoto tirou as mãos do bolso e foi andando rapidamente até ela. Mas Sarah, delicada como uma mula, deu as costas e saiu.
– Ei – ele a chamou, mas ela continuou a andar – morena, me espere.
Ela parou de andar e se virou para ele, sem querer eles haviam ficado sozinhos, não havia ninguém naquele local do jardim.
O garoto correu elegantemente até a morena que havia parado de fugir dele e a olhou com a boca meio aberta. Estava muito surpreso por vê-la de novo.
– Você de novo? – ela perguntou, ele apenas sorriu de lado exibindo seus dentes brancos.
– Está me seguindo?
– Eu que pergunto – ela cruzou os braços.
Ele novamente sorriu e cruzou os braços assim como ela, tirando sarro da mesma que por sinal, não gostou nada daquilo.
– Quem é você, exatamente? – ela perguntou.
– Bem, isso depende – ele disse – está perguntando quem sou eu como pessoa, ou quem EU sou?
– O nome, só isso – ela disse já que não entendeu muito bem o que ele disse.
– Nicholas, Príncipe Nicholas do Brasil, mas pode me chamar de Nick, prazer – ele estendeu a mão a ele com a outra no bolso.
Ela suspirou, ele era um Príncipe, e estava no castelo... devia ser um dos pretendentes de Emily.
Ele ficou com a mão estendida um tempo, até ver que bem, Sarah não iria cumprimentá-lo de volta, então a recolheu colocando no bolso da calça.
– Não vai me falar seu nome? – ele perguntou.
– E porque quer saber?
– Ah, então você pode saber meu nome e eu não posso saber o seu?
– Eu não te obriguei a falar – ela sorriu sarcástica.
– Ah, então é assim?
– É.
Nick sorriu. Morena teimosa? Imagina!
– Parecia mais sociável na festa, morena.
– Não me chame assim.
– Bom, eu tenho que te chamar de algo, e já que não me diz seu nome, é morena.
– Sarah – ela disse e ele sorriu satisfeito.
– Belo nome – ele disse – então, você é o que? Seu título.
– Princesa, Alemanha – ela disse e ele assentiu.
– Eu falo alemão.
– Eu também falo português – ela disse.
– Legal – ele disse.
– Aonde quer chegar?
– Apressadinha.
– Fala logo.
– Bem, eu queria lhe dar oi.
– Oi, tchau – ela se virou, mas ele segurou seu pulso.
– Calma ai – ele disse – vai ficar aqui por quanto tempo?
– Porque quer saber?
– Porque é tão rude comigo? Eu não te fiz nada – ele fez um bico como uma criançinha birrenta – vai, diz pra mim – ele piscou os olhos ainda com um bico.
Ela suspirou e cedeu, por incrível que pareça.
– Até sábado de manhã – ela disse.
– Ah, ótimo, então eu tenho dois dias para conversar com você, olha que maravilha.
– Qual é a sua Príncipe Nicholas?
– E qual é a Sua Princesa rabugenta Sarah? – ele disse novamente com aquele sorriso de lado que derretia todas as meninas.
– Já te disseram que você é muito... chato? – ela perguntou.
Ele suspirou.
– E você já foi informada que é rabugenta? Bom, porque caso não saiba, as pessoas só ficam rabugentas quando envelhecem, está adiantada Princesa.
Sarah revirou os olhos.
– Insuportável – ela disse.
– E você adora, admita – ele disse piscando para ela.
Novamente ela revirou os olhos.
– Olha, você não tinha que estar com a Emily?
– Sim, mas ela está conversando com o Simon e todo mundo já percebeu que rola um clima, então ninguém se intromete.
– Então porque você não sei lá, arruma algo para fazer?
– Eu já estou fazendo algo, conversar com você é interessante – ele sorriu.
– Eu discordo.
– Então não gosta de mim? – ele fiz bico novamente.
– E porque eu gostaria?
– Isso não foi uma resposta concreta, o que me leva a pensar que sim, você gosta de mim.
– Eu não disse que gosto...
– Mas não disse o contrário – ele sorriu.
É, ela ficou calada. Porque não conseguia dar as costas e sair era um grande mistério para ela.
– Mas já que não gosta da minha presença, eu vou embora... mas eu vou te procurar amanhã Princesa Sarah morena rabugenta.
E antes que ela pudesse discordar, ele estalou um rápido beijo em sua bochecha saindo em passos elegantes dali.
Mas o que foi isso?
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