Princesa Emily
31 Sinto sua falta.
Notas iniciais
Hoje, Sexta -feira era a festa que Emily demorou tanto para planejar.
Ela se arrumava no quarto com Carla. Dessa vez o seu vestido era azul marinho, e por conta da festa ser mais informal, o vestido ia até os joelhos, o que era um alívio para ela. Não era uma festa mesmo, era uma reunião para todos se conhecerem, por isso ela estava com um vestido curto.
O cabelo dela ficou solto, como ela preferia, e Carla apenas prendeu a franja dela com uma presilha muito azul brilhante, muito bonita por sinal.
A maquiagem foi forte, mas não muito, apenas o suficiente para destacá-la. E como sempre, no final ela estava linda e radiante.
– Unhas – Carla saiu para pegar o esmalte azul celeste.
Sarah entrou no quarto enquanto Emily assoprava as unhas da mão direita enquanto Carla pintava as da mão esquerda.
A morena estava igualmente linda com um vestido verde tão escuro que parecia preto, ia até um palmo acima dos joelhos e era todo rendado. Ela usava um lindo salto preto que realçava suas pernas, a maquiagem estava perfeita e o cabelo preso em uma trança embutida lateral, é, ela estava magnífica.
– Ainda não está pronta, loira? – ela perguntou sorrindo
– Quase Sarah, só falta uma mão e os sapatos – ela disse.
– Ok – ela disse se sentando na poltrona – nervosa?
– Sabe, não muito – Emily sorriu, estava surpresa por não estar nervosa – estou com uma sensação boa para essa noite.
Carla levantou os olhos para ela e sorriu de um modo diferente, como se tivesse certeza de que aquela noite seria boa. Emily não entendeu, mas decidiu não perguntar.
– Sério, está mesmo tranquila? – Sarah perguntou com o cenho franzido.
– Não diria tranquila, mas não estou tendo um ataque de pânico como provavelmente eu estaria tendo.
– E eu devo me preocupar com isso? – Sarah franziu o cenho e Emily sorriu.
– Não, não precisa... e porque você me parece tão feliz? Isso sim é algo preocupante.
Sarah deu um risinho falso. É, ela não só aparentava estar feliz, mas estava realmente feliz. O loirinho brasileiro realmente a procurou nesses dois dias, e Sarah tinha que admitir que além de bonito ele era legal, muito engraçado e eles meio que quase se beijaram, uma não, duas vezes.
Mas não era nada que ela precisasse de preocupar... não é?
– Eu gosto de festas – Sarah disse indiferente dando de ombros, mas na verdade queria encontrar com o brasileiro tão encantador e conversar com ele.
– Carla, poderia trazer um chá para nós, por favor? – Emily perguntou quando ela terminou de pintar suas unhas.
– Claro, camomila?
– Sim, por favor.
Carla saiu e Sarah olhou para Emily pensando por um momento. Se estava de certa forma se envolvendo com o brasileiro não estava... traindo sua amiga?
– Emy.
– Oi.
– Hã... você tem certeza que não gosta de nenhum dos concorrentes?
– Gosto de todos eles, mas só sinto um mínimo de atração pelo Dylan, Simon e Aidan. Os outros são bons amigos.
– Tem certeza?
– Absoluta, por quê?
– Nada não... mas então você não ficaria com raiva se eu meio que tivesse gostando de um deles, né?
Emily negou com a cabeça e só ai entendeu o propósito da conversa.
– Espera um pouco! Você esta gostando de um deles! Há, que máximo! Quem é?
– Eu nunca disse isso.
– Fala logo quem é.
Sarah negou com a cabeça.
– Fala...
– O Nicholas é interessante...
– Há, que legal – Emily estava histérica – ele é todo seu querida, e você deu sorte, ele é lindo e é muito simpático.
– E engraçado – Sarah sorriu meio boba – mas eu não gosto dele, foi só uma hipótese.
– Deixa de ser orgulhosa.
– Não estou sendo.
– Está.
– Não.
– Está.
– Não! – Sarah se exaltou levantando furiosa, uma confirmação de que ela se importava, ou seja, estava sendo sim orgulhosa.
E bem na hora Carla entrou com o chá das duas. Emily sorriu de lado e piscou para Sarah antes de pegar sua xícara, estava feliz pela amiga.
. . .
Emily entrou no salão perfeitamente decorado, ela achou tudo lindo modéstia a parte.
A decoração era prata e preta, não branca e preta, prata e preta o que dava um tom elegante, mas não muito formal ao salão, do jeitinho que ela queria.
Olhou tantas pessoas espalhadas em 17 mesas diferentes. Uma para cada família dos candidatos, uma para família de Sarah e uma para sua própria família.
Cada um dos candidatos estava sentado com as suas famílias, alguns conversavam animadamente, mas com certeza a atenção toda foi para Emily assim que ela entrou.
Certo, respira fundo e vai cumprimentando todos de mesa em mesa, seja simpática e não pare de sorrir.
Emily se dirigiu a primeira mesa, a da família do Lorde Sander.
Cumprimentou primeiramente Sander depois seu pai, mãe e irmã.
– Você é muito mais bonita do que eu achava – disse o pai de Sander fazendo Emily corar de vergonha.
– Pai... – Sander disse e Emily olhou para ele.
– Não tem problema, gosto de ser elogiada – ela disse simpática e seu pai e sua mãe riram.
Continue assim, continue assim.
E assim ela foi cumprimentando a todos, demorou um bom tempo para terminar, mas conseguiu, logo depois se sentou á mesa com seus pais. Edwin tinha um sorriso orgulhoso no rosto.
– Muito bem, Emily – ele disse.
– Você foi ótima querida – disse Anne.
– É, tanto faz – disse Carter e Emily sorriu pegando uma taça de vinho e a levando docemente aos lábios. Única bebida da noite.
– Só não fique bêbada – disse Anne com um sorriso para a filha.
– Não esquenta, essa é minha primeira e será a única – Emily disse, não gostava da sensação de beber muito, porém o vinho era gostoso, e apenas uma taça não iria matá-la.
– É assim que se faz – disse Edwin levando sua taça aos lábios.
– É, deveria seguir o exemplo da SUA FILHA, não é, querido? – disse Anne á Edwin que já estava na terceira taça.
Ele olhou para a esposa e ergueu uma sobrancelha, ela fez o mesmo e ele suspirou deixando a taça na mesa a fazendo sorrir e acariciar a mão do marido.
– Bom garoto – ela disse dando um beijinho em sua bochecha.
– Pronto, todos já me viram, agora posso ir embora? – perguntou Carter meio entediado arrumando a gravata prata (coincidentemente combinando com a decoração).
– Não – responderam o Rei e a Rainha em uníssono.
– Então posso beber vinho?
– Não – novamente a decisão foi unanime.
Carter bufou desapontado se afundando na cadeira comendo um camarão com um molho bem gostoso que ele não sabia o nome e nem se importava em saber.
– Só mais sete anos e vai poder beber – disse Edwin com um sorriso de lado.
– Iupi! 2.555 dias, mal posso esperar – ele disse irônico e a Rainha sorriu acariciando o ombro do filho.
– Tudo ao seu tempo, meu filho – ela disse e ele fez uma cara nada agradável de "ah, dane-se".
. . .
Emily dançava com Sarah porque já havia dançado com todos os homens presentes naquela sala, as duas se divertiam bastante. Tocava uma música mais agitada fazendo praticamente todo mundo ir para o centro do salão e dançar, a festa havia passado de oficialmente chata, para oficialmente divertida em um piscar de olhos quando um guarda se aproximou e tocou de leve o ombro da loira.
– Me desculpe interromper, mas me pediram para lhe entregar isso – ele estendeu um bilhete a ela.
– Obrigada – ela agradeceu pegando o bilhete e o abrindo.
"Armário em baixo da escada, agora".
Era só isso o que dizia, não havia assinatura, nem nada mais além daquela frase. Emily franziu o cenho, quem será que havia mandado?
– O que é? – perguntou Sarah.
Emily levou os olhos para ela.
– Não faço ideia, mas vou descobrir isso agora – ela disse saindo andando.
Todos estavam se divertindo tanto que nem notaram quando a Princesa saiu pela porta da frente indo sorrateiramente até a escada principal. Poucas pessoas sabiam que havia um armário ali em baixo o que a deixou mais curiosa ainda.
Ela olhou para a portinha escondida e a abriu entrando dentro daquela mini-sala, ou armário, como preferirem.
Estava escuro, mas não tão escuro, a pequena lâmpada no teto estava acesa. O armário não era tão pequeno, na verdade ele era bem grandinho.
Ela olhou para os lados com o cenho franzido. Não havia ninguém ali.
– Oi.
Emily franziu o cenho e olhou para trás, conheceria aquela voz há quilômetros de distância.
A porta foi fechada por Charlie atrás de si.
Fazia tanto tempo que ela não o via e ela várias vezes chegou a cogitar que ele foi um sonho, mas não, ele estava na sua frente naquele momento, ele não era um sonho.
– Charlie – ela disse baixo olhando fixamente para aqueles olhos reluzentes, ela não estava tendo um sonho com ele, nem uma alucinação.
Engoliu seco, seu coração estava acelerado ao extremo, tão forte que parecia que iria explodir e rasgaria seu peito. Seus olhos lacrimejaram e ela avançou nele o abraçando com força.
Charlie respirou fundo sentindo o calor de seu corpo contra o dele e a envolveu forte com seus braços tendo a absoluta certeza que ela sentia seu coração disparado por estar com a cabeça em seu peito.
– Eu acho que precisamos conversar – ele disse meio tímido e ela o soltou olhando brevemente para o chão e depois para os olhos verdes do garoto.
Ela abriu a boca para falar, mas vacilou e a fechou, não tinha o que falar.
– Eu... – ele foi tentar falar, mas também vacilou.
Eles ficaram se olhando por um tempo até que abriram a boca para falar, mas pararam ao ver que o outro ia falar.
– Pode falar – eles disseram ao mesmo tempo, e logo depois acabaram sorrindo um para outro.
Ela suspirou ficando séria de novo.
– Sinto a sua falta – ela disse bem baixinho, mas ele ouviu, perfeitamente.
Charlie fechou os olhos respirando fundo, os abriu novamente e segurou a mão delicada e gelada da loira.
– Não tanto quanto eu sinto a sua – ele disse.
Emily franziu os lábios um contra o outro lutando com as lágrimas que se formavam em seus olhos.
– Porque faz isso comigo? – ela perguntou deixando uma lágrima escapar.
Estava brava por tudo que ele a fez passar e por simplesmente sumir do mapa. Mas só estava brava porque o amava e a ausência dele doía muito. E cada dia parecia ser pior
Charlie a olhou e engoliu seco.
– Eu sou um ser humano – ele disse – eu sinto ciúmes, e raiva, sinto muita raiva – ele disse olhando agora para o chão – e esses sentimentos se intensificam quando o assunto é você.
Ela suspirou.
– E fugir é a solução? – ela perguntou agora um pouco mais brava sabendo que sua maquiagem estava borrada, mas não ligava para isso – você faz ideia, de quanto eu sofri sem você? De quanto eu chorei por você?
Ela olhou para o chão negando a cabeça enxugando os olhos.
– Aquele beijo não foi culpa minha, eu te amo e nunca te trairia, mas você não confia em mim – ela disse ainda meio chorosa – e agora eu tenho que aguentar, sofrer sozinha, chorando por ai por causa de você.
– Eu também sofri – ele disse segurando o rosto dela.
– Então por que sumiu? Por que me deixou sozinha e não deixou que eu explicasse?
– Porque é muito mais doloroso do que você imagina ver a pessoa que você ama beijando outro!
– Você sabe que eu não posso controlar isso, não é escolha minha! – ela derramou lágrimas de novo – que droga, não percebe que eu te amo? Que eu faço a maior cagada da minha vida que é desobedecer meus pais para ficar com você? Acha que eu correria esse risco por qualquer um?
Charlie segurou o rosto dela com as duas mãos limpando suas lágrimas com os polegares. Eles se olharam por alguns segundos até Charlie fechar os olhos e tocar os seus lábios nos dela.
Ela demorou um pouco para reagir, mas abraçou com força o pescoço dele o beijando descontando toda saudade e raiva ali.
– Nunca duvide do meu amor por você – ele disse baixinho com o rosto bem perto do dela – tudo o que eu fiz, foi por um motivo.
– Qual motivo? Não tem um motivo plausível para você simplesmente sumir!
– Te deixar livre, porque você não é minha!
Ela o olhou por alguns segundos. Não era nada legal ver os olhos de Charlie faiscando, muito menos ouvi-lo aumentar um pouquinho a voz com ela. O encarou por mais algum tempo e simplesmente do nada o abraçou pelo pescoço.
– Mas quero ser – ela disse baixinho no ouvido dela – já faz tempo que o meu único desejo é você.
– Eu não poso demorar aqui – ele disse a soltando com muito custo, se pudesse ficaria a noite inteira com ela – só tenho cinco minutos.
Ela ficou triste, mas assentiu.
– Deixe a janela do seu quarto aberta – ele disse segurando o rosto dela com uma mão – as dez horas nós conversamos.
Ela assentiu derretida com a mão dele em seu rosto o acariciando de leve.
– Vai me esperar?
Ela sorriu assentindo.
– Sempre.
Ele sorriu minimamente e deu um demorado beijo em sua bochecha.
– Deve ter ouvido isso muitas vezes hoje, mas você está linda – ele disse a olhando uma última vez e saindo do armário.
Emily tocou o próprio rosto no lugar onde Charlie havia a beijado e fechou os olhos sorrindo.
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