Princesa Emily
23 Simon.
Notas iniciais
Os olhos de Emily ardiam. Há dias ela não dormia bem, na verdade, não passava de uma horinha de sono por noite o que para ela que sempre foi meio que de hibernar por 8 ou 9 horas por noite, aquilo era muito pouco.
Charlie, esse era o único motivo para ela estar assim, único e mais do que suficiente.
Ela tentava se lembrar dos momentos bons que passaram juntos para talvez a tristeza ir embora ou pelo menos diminuir um pouco. Os beijos calmos e ritmados, os abraços tão apertados e confortantes, os sorrisos meigos, todos os "eu te amo"... mas não adiantava, logo o semblante bravo dele e os olhos verdes não tão mais claros, mas sim escuros detonavam todas aquelas lembranças lindas e faziam a menina chorar até ensopar seu travesseiro de lágrimas e mais lágrimas salgadas que saiam entre grunhidos e soluços.
Carla foi a primeira a notar a mudança de comportamento totalmente radical da Princesa. Um dia, ela estava toda felizinha, sorrindo para o nada de vez em quando, e no outro estava com a cara fechada, os olhos escuros marcados pelo sono e até meio marejados, e estava quieta, simplesmente quieta e muda.
– Está se sentindo bem? – Carla perguntou preocupada.
Emily apenas assentiu ainda séria sabendo que aquilo não convenceria Carla, era mais que óbvio que algo havia acontecido.
– Mesmo? _ Carla perguntou, insistindo um pouco para ver se emily desembuchava.
A loira assentiu novamente soltando um longe suspiro triste se afundando ainda mais na poltrona.
– Vamos, conte para a titia Carla o seu problema – Carla disse sentando ao lado de Emily.
– Não tem nenhum problema – ai, como doía dizer isso sabendo que sim, tinha um problema, um GRANDE problema.
– Olhe para mim – Carla pediu, e Emily assim fez – você acha que eu nasci ontem, querida? E tem outra, você nunca soube disfarçar suas emoções bem.
– É só sono – Emily disse.
– Eu acredito que esteja com sono, parece que passou a noite em claro, ainda bem que maquiagem resolve isso – Carla disse – mas não é apenas sono, e eu aposto todas as minhas fichas que o seu problema não está te deixando dormir dando origem a Princesa Zumbi.
Emily suspirou. Vidente?
– Ok, já que você não vai me contar, vai comer um tranquilizante café da manhã que vou pedir para trazerem, depois vai dormir até a hora do almoço para se recuperar.
– Não precisa _ Emily disse negando levemente com a cabeça olhando para o chão.
– Isso não foi uma pergunta querida, agora aguenta ai que eu já volto _ Carla acariciou de leve o rosto dela e sorriu piscando levemente e saiu do quarto.
Emily tomou um delicioso e fraco café da manhã na cama trazido por Carla e se deliciou com cada partícula de sabor ali existente. Estava morrendo de fome.
E por incrível que pareça aquilo a relaxou tanto que dormiu boazinha enquanto Carla fazia carinho em sua cabeça.
"– Charlie? – Emily disse.
Era noite, Emily estava na fonte e Charlie estava ali de costas para ela mexendo suavemente na água.
Ele se virou ao ouvir seu nome. Estava sério e não expressou nenhum sentimento ao ver Emily.
– O que quer? – ela perguntou frio olhando diretamente para a grama e suspirando.
Ela respirou fundo olhando nos profundos e tão lindos olhos do garoto.
– Que me desculpe – ela disse baixinho tímida e com muita vergonha.
Charlie permaneceu sério e levantou os olhos enfim para ela, eles estavam brilhando um pouco marejados.
– Eu te amo, você sabe disso – ele disse agora olhando para a grama novamente – mas eu não posso conviver com isso, pensei que podia, mas não posso... você vai ter que escolher um deles no final e... não vai poder ser eu.
– Eu também te amo.
– Eu sei – ele acariciou o rosto dela.
Ela o olhou e envolveu seu pescoço com as mãos o puxando para ela e o abraçou com força.
_ Por favor, não me deixa _ ela pediu baixinho no seu ouvido.
Charlie fechou os olhos a envolvendo com seus braços, era gostoso tê-la com ele.
_ Eu vou sempre estar aqui. Cabe a você decidir se me quer ou não.
_ Eu quero.
Ele a soltou para olhar em seus olhos.
Emily o puxou para si tocando seus lábios nos dele. Foi um beijo mais rápido do que ela gostaria.
_ Eu quero, eu quero você _ ela disse.
_ Então faça o que é preciso _ ele disse _ porque se você não for... enfrentar tudo para tentar segui-lo – ele apontou para o coração dela – nada não vai passar de um sonho."
Ela acordou respirando fundo.
Um sonho, só isso.
A cabeça dela começou a doer. Emily olhou para os lados e não viu ninguém, nem Carla estava ali. Virou sua cabeça para o relógio 10h49min. Wow, ela dormiu até de mais.
Sentou na cama esfregando lentamente os olhos como uma criançinha manhosa e bocejou olhando para frente.
Ela não se sentia mais tão cansada, mas ainda estava cansada psicologicamente.
Daqui a pouco Carla entraria para arrumá-la para o almoço quando ela provavelmente teria que dizer para sua mãe que estava viva (porque provavelmente Carla havia dito que ela estava doente para ela poder ficar até mais tarde na cama).
Nem quis se levantar para se olhar no espelho, sabia que devia estar horrorosa com o cabelo parecendo um ninho loiro, então ficou ali mesmo, "mongando" como disse Carla uma vez há um tempo atrás quando Emily ficou alguns minutos imóvel olhando para o nada.
Ela só queria que as coisas fossem mais fáceis do que eram... mas infelizmente, isso nunca acontecia com a Princesa, tudo sempre era muito complicado para ela.
. . .
Emily entrou no salão com todos os garotos que conversavam entre si e riam de alguma coisa. Se sentia um pouco melhor depois do almoço e da breve cavalgada com Carter que foi bem engraçada na verdade. Só aquele pirralho a fazer rir a qualquer momento.
Ela olhou para todos em geral mais uma vez se perguntando o que estava fazendo ali no meio de 15 meninos.
Olhou brevemente para Sylvia que piscou para ela com um sorriso.
E por algum motivo lembrou de Samantha. Ela andava meio desaparecida ultimamente, não que isso fosse ruim (e não era), mas era estranho.
Viu que Simon a olhava com um sorriso. Ela envergonhada retribuiu o sorriso. Simon imediatamente se levantou rapidamente e foi em sua direção andando timidamente até ela levando aquele sorrisinho lindo como um convite a ir até lá.
Ela não estava nada bem ainda, Charlie não saia de sua cabeça nem um momento se quer. Mas depois de três dias que eles haviam supostamente "terminado" ela chegou a pensar que talvez, talvez tivesse sido melhor para os dois, mas ao mesmo tempo que pensava isso o queria a ninando em sua cama com aquele delicioso carinho em seu cabelo distribuindo beijos por sua cabeça e bochechas.
– Oi – ele disse sorrindo com as mãos nos bolsos da calça timidamente como sempre.
Nesses três dias Emily ficou mais próxima de Simon depois do evento na biblioteca, e ele realmente era um ótimo garoto, bonito, simpático, doce, gentil... gostava de ler.
Era o garoto mais fofo e tímido que ela já havia conhecido.
– Oi – ela retribuiu sorrindo.
– Está melhor?
Ela assentiu, mesmo não estando. Não queria preocupá-lo nem enchê-lo com seus problemas, ele não merecia isso.
– Que bom, quase me matou de susto aquele dia – ele riu – é meio desesperador quando alguém chora e você não sabe o porquê e nem como ajudar – ele encolheu os ombros ainda com as mãos nos bolsos da calça preta.
Emily sorriu.
Agora as coisas estavam mais fácies, eles não tinham uma programação extraordinárias todos os dias, faziam o que quisessem no castelo e isso era bom. As programações no começo foram para aproximá-los mais, e agora eles se virariam com as próprias pernas e correriam atrás da Princesa sozinhos. E era exatamente isso o que Simon estava fazendo.
– Gostaria de hã... er... dar uma volta, ou algo do tipo comigo?
Emily sorriu e assentiu.
– É claro.
Ele estendeu o braço a ela que o segurou e juntos saíram lentamente do castelo até o jardim.
Andaram em silêncio por um tempo até Simon achar adequado falar algo.
– Você está bonita – ele disse, não achou nada melhor para falar então falou a coisa mais óbvia de todas.
– Obrigada, você também está bonito – ela sorriu meio vermelhinha pelo elogio tão inesperado.
– Obrigado – ele sorriu meio envergonhado – quero que saiba que eu estou muito feliz.
– Pelo quê? _ ela o olhou diretamente nos olhos com as sobrancelhas um pouco erguidas.
– Sabe... por estar nem que seja um pouco mais próximo de você – ele olhou para a grama com vergonha de olhar para ela – você pode não acreditar porque a maioria dos meninos não gosta de verdade de você, mas eu gosto, não imaginei que iria me apaixonar por você, mas depois daquele encontro eu não paro de pensar em você... e aquele dia na biblioteca foi o melhor da minha vida porque você me abraçou.
Foi a vez de Emily ficar vermelha igual a um tomate maduro.
– E eu sei que você e o Dylan meio que estão se "dando bem", mas eu queria que soubesse disso.
– Eu e o Dylan não estamos tendo nada diferente do que eu estou tendo com você – Emily disse olhando nos olhos castanhos claros do garoto.
_ É que vocês passam tanto tempo juntos...
_ isso não quer dizer nada.
Simon levantou os olhos para ela, seus olhos brilhavam com a felicidade de ainda haver uma esperança para ele.
Emily sorriu e o abraçou delicadamente contente por ele ter se aberto com ela. O coração de Simon palpitava tão forte que ela conseguia senti-lo.
– No momento dos 15 você é o meu preferido – ela disse sorrindo deixando o menino ainda mais envergonhado.
Simon sorriu mais ainda a envolvendo finalmente com os braços sentindo o maravilhoso cheiro de seu cabelo misturado com o perfume que a impregnava.
– Então eu tenho uma chance? _ ele sussurrou no ouvido dela.
Emily respirou fundo. Charlie, era isso que palpitava em sua cabeça, era nome tão precioso para ela.
Mas ele tinha meio que terminado com ela, seu coração estava partido não somente em dois pedaços, mas em muitos, estava triturado.
E Simon talvez podia ser a pessoa que colaria todos os pedaços novamente.
– Sim, você tem uma chance – ela disse fechando os olhos obrigando seus pensamentos a pararem de lembrar de Charlie – muita chance.
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