Princesa Emily 2
31 Sentimentos mais fortes.
Notas iniciais
O homem escrevia observações nas folhas espalhadas por cima da mesa. Franzia o cenho hora ou outra para coisas que estavam erradas, coisas que não deveriam estar erradas, mas estavam.
Mas no geral, estava tudo indo bem, não tanto quanto ele esperava, mas estava.
– Senhor – ele olhou para o homem vestido de preto na porta – Fields chegou.
Ele assentiu deixando as folhas de lado de forma organizada e fechou a caneta a colocando por cima dos papéis.
– Mande-o entrar.
Ele desapareceu e poucos segundos o soldado Fields entrou na sala. O homem o encarou e apontou para a cadeira á sua frente, o soldado logo se sentou meio apreensivo mexendo de forma nervosa nos dedos sem parar.
– Olá Fields.
Ele fez uma pequena reverência apenas com a cabeça.
– Senhor M.
O homem cruzou os braços olhando fixamente para o soldado Fields.
– Está me decepcionando, Fields.
– Me desculpe, eu...
– Você está naquele palácio para fazer apenas uma coisa, Fields, apenas uma coisa.
– Eu sei, e peço perdão.
– Qual foi a droga do plano, Fields?! – o homem gritou dando um murro na mesa – eu queria ele morto, então me diga por que diabos Charlie Martin ainda está vivo?
– Ele é mais habilidoso do que pensávamos.
– Claro que idiota é habilidoso seu grande retardado – ele revirou os olhos – ou seu brilhante cérebro achava que ele era General apenas por ter um sorriso bonito?
– Tentamos de tudo, senhor – Fields tentou se defender – havia vários homens lá e o Martin quase morreu.
– Quase nunca foi o suficiente para mim, deveria saber que quando eu passo uma instrução, espero que ela seja cumprida a risca, e uma quase morte, não é um morte. Me entendeu bem, Fields?
– Sim senhor.
– Quero todos mortos, todos tem o sangue dele – ele se afundou na cadeira – menos ela.
– Se me permite, posso perguntar por que quer todos mortos menos ela?
– Eu quero todos os que possuem o sangue do Martin em um caixão, meu problema é com ele, não com ela.
Fields assentiu ainda sem entender porque.
– No próximo ataque quero todos mortos – ele reforçou – eles, ou vocês, creio que agora façam direito.
– Sim senhor, mas como matá-los vai causar o fim da monarquia?
– A Princesa é frágil, perder o marido e os filhos vai ser um pesadelo para ela, e com todos fragilizados, ficamos mais fortes. Depois será o herdeiro, e se nada adiantar, o Rei e a Rainha. A Princesa sozinha não aguenta o tranco, e adeus monarquia. Simples assim.
O homem assentiu.
– E porque manter a Princesa?
– Porque se todos morrerem, Gardênia vai tirar outro herdeiro do raio que o parta, e então nosso objetivo não será concluído. Se mantemos a princesa, ela será a única opção, não irá aguentar, e desistirá da monarquia ao ver que sua família toda foi morta por esse motivo, e então, o país será governado por alguém eleito pelo povo, e esse é meu objetivo.
– Seu jeito de fazer as coisas é ácido, você gosta de vê-los sofrerem?
– Não todos – ele disse com um sorriso sarcástico – mas quem está na chuva, é pra se molhar.
Ele franziu o cenho e o homem apenas suspirou.
– Soube que estão fazendo interrogatórios com todos os guardas e funcionários. Já passou pelo detector, Fields?
O soldado negou.
– E está pronto para a pressão, Fields?
– Creio que sim, senhor.
– Crê que sim? – ele assentiu – e se sua crença estiver errada? Sabe oque acontecerá se for julgado culpado?
– Não pensei sobre isso.
– Então deixe eu lhe dizer, Fields – ele se debruçou sobre a mesa – você será levado discretamente para uma sala com o Martin, o Rei, Príncipe e pode ser que mais alguns guardas – ele piscou duas vezes – e então, o Martin descontará sua raiva de ter ferido a ele e sua família em você, com certeza terminará bem machucado – e ergueu as sobrancelhas – e por fim, alguém apontará uma arma para sua cabeça e atirará em você.
Fields engoliu seco.
– Mas sabe oque acontecerá antes disso, Fields? – ele negou – te interrogarão a base de tortura para que fale quem comanda isso alegando que será melhor se falar logo, que nada vai te acontecer. Mas a verdade, é que irão te matar do mesmo jeito.
Fields voltou a engolir em seco.
– E aonde quer chegar com isso? – Fields quase gaguejou.
– Que é bom aprender a mentir Fields, ou a falar a verdade distorcendo a resposta, porque caso o contrário, eu não poderei fazer nada por você.
Ele assentiu.
– Agora vá, e faça oque era para ter feito da primeira vez.
– Sim, senhor M.
* * *
Connor suspirou olhando a cena, tinha certeza que aquilo não daria certo.
– Estou tentando entender oque de fato estamos fazendo aqui – Connor cruzou os braços.
– Estamos servindo de objetos na competição pessoal desses dois – Isabelle olhou para Connor que assentiu olhando para Alex.
Alex e Tyler mantinham os olhos fixos um no outro enquanto Tyler passava a bola de futebol de uma mão para a outra.
– Eu nem sei jogar isso, Tyler! – Alex disse e Connor riu.
– Ué, não disse que me vencia em qualquer coisa?
– Vamos fazer algo que use o intelecto então, não o desempenho físico!
– Não, quero futebol.
– Mas é injusto!
– Claro que não, uma menina e uma menino ai e uma menina e um menino aqui, está mais do que justo.
Alex olhou para Isabelle que apenas deu de ombros.
– Você concorda com essas maluquices dele?
– Acho divertido – ela sorriu e Tyler a abraçou de lado beijando sua bochecha.
Alex olhou para Connor que ergueu as sobrancelhas.
– É só um jogo, querida – ele deu de ombros também e chegou perto dela – eu te ajudo – ele segurou a cintura dela que o abraçou suspirando em seu peito.
– Me ajude, por favor.
– Sempre ajudo, não é?
* * *
– Oque está fazendo?
Emily levantou os olhos para Charlie rapidamente.
– Vendo alguns detalhes do orfanato – ela disse – vai tudo muito bem.
– Que ótimo – Charlie se sentou deixando as muletas de lado.
– E então...?
– Então oque?
– Porque veio pra cá?
– Nossa, não posso ficar com a minha mulher?
Emily riu e olhou para Charlie.
– Claro, só é meio incomum vir essa hora sem nenhum interesse.
– Certo, tenho um interesse.
Emily sorriu deixando as coisas de lado e olhou para Charlie.
– Diga, meu amor.
– A verdade é que eu to carente, não posso trabalhar porque não posso me estressar, não posso treinar porque é exercício físico, não posso nem jogar golfe com Joey. Eu não sei oque eu faço!
– Oque acha de descansar? Porque não aproveita essas férias forçadas e relaxa antes de voltar a ativa?
– Porque não sei relaxar.
Emily riu segurando a mão dele.
– Oque acha de deitar aqui e eu fazer carinho em você até dormir?
Ele sorriu e deitou no peito dela que começou a fazer cainho em seu cabelo.
– É uma tortura meus filhos estarem jogando futebol lá no jardim e eu não poder nem ajudar.
Emily riu baixinho dando vários beijinhos na testa dele.
– Para de ser rabugento – ela fez bico – agora dorme.
– São quatro da tarde!
– E daí? Sono tem hora agora?
Charlie riu baixinho enterrando ainda mais a cabeça no peito dela.
– Vai dormir também ou vai me esperar dormir e depois ir embora?
Emily sorriu se deitando direito na cama.
– Vou dormir também – ela disse – Joey está com os amiguinhos e minha mãe está cuidando dele, e os mais velhos estão brincando, então tudo ok.
– Então vem – dessa vez Charlie a puxou para seu peito – assim você vai escutar se o amiguinho ai parar de bater.
– Não fala isso!
– Desculpa – ele a abraçou, sempre esquecia que tinha que medir as palavras com Emily.
– Ponto!
Os dois se olharam e Emily franziu o cenho.
– Eu tenho que ver isso – Charlie curioso se levantando devagar indo se apoiando nas coisas até a janela.
Emily se levantou e foi até a janela também.
– Eles estão jogando futebol e não me chamaram!
– Esqueceu que não pode jogar? – ela o abraçou pela cintura por trás beijando sua nuca.
Ele virou para ela.
– Já disse que odeio isso?
– Já – ela sorriu e o abraçou devagar.
– Gosto só de você cuidando de mim – ele sorriu de lado quando ela começou a acariciar o cabelo dele beijando seu pescoço.
– Quer assisti-los jogar?
– Você me permite? – ele disse irônico e ela sorriu.
– Se você sentar e ficar quietinho, sim, eu permito.
Ele foi andando ansioso para ver suas crianças jogarem, porém Emily pigarreou.
– Não está esquecendo nada?
Ele olhou para baixo e fez um bico pegando uma camisa a colocando. Emily riu pegando a bengala dele a levando até Charlie.
– Aqui – ela deu a bengala a ele que fez uma careta – calma, são só mais alguns dias.
– Intermináveis dias – ele resmungou e Emily segurou o braço dele e assim foram andando até o jardim.
Emily se assustou ao ver os quatro correndo, Connor com uma bola de futebol na mão, com a camisa levemente suja de grama, Alex tinha passado de rosa claro para verde de tão suja que estava, Isabelle era a que parecia estar mais limpa, porque Tyler também não estava em suas perfeitas condições.
– Meu deus!
E lá se foi Alex pulando em cima de Tyler o derrubando no chão, e lá se vai uma bela careta de Emily ao ver o barulho que isso fez.
– Viu? É minha menina – Charlie disse e Emily sorriu.
Charlie sorria igual a um idiota até que Connor caiu em cima de sua menina. As bochechas de ambos ficaram coradas e os dois ficaram paralisados. Connor logo saiu de cima dela e estendeu a mão a ela para ajudá-la a levantar. Emily sorriu de leve e Charlie ficou vermelho de raiva e ciúmes.
– Você...
– Venha, antes que nos vejam – Emily puxou Charlie para o lado oposto do jardim.
– Você viu aquilo? Ele estava em cima dela!
– Já deveríamos te tido essa conversa a um tempo, me desculpe.
– Do que está falando?
Ela permaneceu em silêncio até chegarem ao lugar deles, o meio do labirinto de grama com a mesma fonte e o mesmo banco de madeira pintado de branco.
Charlie a olhei e ela se sentou no banco esperando que ele fizesse o mesmo, e assim ele fez.
– Eu não te disse isso, mas já a um certo tempo eu venho notado... coisas.
– Que tipo de coisas?
– Alex e Connor – ela disse e depois sorriu – eles são amigos desde pequenos e até pouco tempo eu achava que era apenas isso, mas acho que está acontecendo Charlie, de verdade.
– Do que está falando?
Ela riu, às vezes esquecia o quanto seu marido era esperto para algumas coisas, e lerdo para outras, na verdade lerdo para a maioria.
– Eu acho que eles estão começando a desenvolver sentimentos mais fortes do que amizade um pelo outro, meu amor.
Charlie a olhou alguns segundos e segurou a mão dela.
– Mas ela... ela é só uma criança.
– Um ano mais nova que Tyler querido – ela sorriu – eles não são mais crianças.
– Mas eu nem conheço esse garoto direito, eu não permito isso!
– Eu o conheço – Emily tocou o rosto de Charlie – é um bom garoto, um ótimo garoto, e sempre tratou nossa garotinha com o maior respeito possível – ela chegou mais perto dele tocando seu nariz com o dele – eu não farei oque meu pai fez comigo, jamais Charlie. Se ela gosta dele e ele dela, não podemos interferir.
– Mas...
– Passamos por isso lembra? – ele assentiu – e a mesma imagem negativa que você tem dele, meu pai tinha de você. Isso tornava seu amor menor ou uma pessoa pior?
Charlie negou.
– Exatamente – ela sorriu vendo que ele cedeu – e isso ainda está em andamento, mas acho que não demora para algum deles tomar uma atitude.
– Se ele deixá-la triste...
– Vamos deixar para pensar nisso caso aconteça, ok? – ele assentiu e ela sorriu – você é um pai muito bom, sabia?
– É, eu sei – ela riu o abraçando e ele com cuidado a puxou para seu colo – nossa, faz tempo desde a ultima vez que viemos aqui.
– Bastante – ela abraçou o pescoço dele – talvez seja porque eu não precise mais vir aqui para te ver.
– Não aguentaria se as coisas continuassem assim – passou de leve o nariz pelo pescoço dela o beijando depois.
– Agora eu posso te beijar sem medo de alguém chegar de repente – ela segurou o rosto dele o beijando devagar.
Charlie sorriu durante o beijo a abraçando mais forte pela cintura.
– E se alguém aparecer, eu também não ligo – ele disse e Emily também sorriu arranhando de leve a nuca dele.
– É, precisamos vir aqui mais vezes.
– Com certeza.
Fale com o autor