Princesa Emily 2
32 Não permita que ela vá.
Notas iniciais
– Obrigado Tyler – Connor disse terminando de abotoar a camisa de Tyler.
– Por nada cara – Tyler deu um tapinha amigável em suas costas – já que você perdeu, era o mínimo que eu podia fazer.
Connor revirou os olhos e Tyler riu enquanto eles saíam do quarto. Isabelle brincava com Joey que ria escandalosamente, era adorável pra falar bem a verdade.
– Confraternizando com o pestinha hein? – ele disse e Isabelle sorriu.
– Não sou pestinha!
– Claro que não pestinha – Tyler afagou os cabelos dele que fez bico.
– Hã... você viu Alex? – Connor perguntou sorrindo ao ouvir Joey rir novamente quando Tyler o pegou no colo.
– Deve estar no quarto chateada ainda – Isabelle disse e depois olhou para Tyler – ela não aceita derrotas muito bem, não é?
– Nunca aceitou, não importava que tipo de derrota – Tyler observou.
– Certo, vou ver se ela está bem – Connor sorriu rapidamente indo até o quarto de Alex colocando seu suéter no meio do caminho.
Parou em frente a porta branca com um grande A pintado de dourado na porta, respirou fundo esperando a fera que Alex devia estar e deu dois toquinhos na porta de leve, essa que já estava aberta.
– Alex?
Ela não respondeu nada então ele terminou de abrir a porta colocando a cabeça para dentro. Ela não estava ali.
– Alex? Está ai?
– Não entra Connor!
Ele recuou até a porta rapidamente.
– Ok, estou na porta.
– Ta, entra senta no sofá e não saí daí!
– Ta ta ta – ele assentiu e entrou fechando a porta atrás de si sentando no sofá – oque está fazendo?
– Terminando de me trocar.
– Ata – ele assentiu – sua roupa... tem jeito?
Ela riu.
– Creio que não, não sei se grama mancha, mas se manchar eu ganhei um vestido verde.
Connor riu.
– Está brava?
– Óbvio, aquilo foi mais do que injusto.
– Na verdade foi justo, você que não sabia jogar.
Alex saiu do closet com uma saia preta e uma camiseta curta branca que exibia parte de sua barriga quando se movimentava de forma brusca.
– A culpa não é minha se não sei jogar um jogo de trogloditas.
Ele sorriu.
– O desafie em algo intelectual então – ele deu de ombros e ela se sentou ao lado dele colocando suas sapatilhas douradas.
– Tyler é um troglodita – ela afirmou e ele sorriu – essa camisa é dele?
– É sim, a minha estava extremamente suja.
– E quase transparente porque se molhou – ela disse e ele sorriu assentindo.
– Pois é – ele a abraçou de lado – e foi uma graça vendo você tacar o dane-se pra tudo e tentar jogar, mesmo que isso significasse se sujar toda.
Ela riu.
– Deveria saber que eu sou competitiva.
– Ah, eu sei, claro que sei, mas hoje você realmente se superou.
Ela riu novamente e Connor sorriu, ela ficava linda sorrindo, isso era algo que era impossível não reparar.
– Tyler tira o único controle que ainda resta em mim – ela olhou para o garoto – você também.
– Nossa, justo eu que sou tão amável.
Ela revirou os olhos sorrindo.
– A maioria do tempo, agora oque resta dele você consegue ser extremamente chato, irritante e inconveniente.
Ele ironicamente estendeu a mão a ela que franziu o cenho, mas apertou.
– Prazer, sou um ser humano.
Ela riu dando um tapa nele soltando um "idiota".
Eles desceram as escadas rindo dos eventos ainda do jogo de futebol, Connor riu lembrando de Alex pulando em cima de Tyler.
O silêncio durou dois segundos até as janelas do palácio se quebrarem todas de uma vez, assim como nos filmes.
O único problema é que não era um filme, nada era cenográfico e não haviam dublês.
Alex rapidamente puxou Connor para o chão quando os tiros começaram a ser disparados.
– Droga! – ela disse obviamente irritada.
Connor a abraçou para que nada a atingisse, até o momento nunca havia presenciado um ataque e pode-se dizer que estava em pânico. Em situações normais você estaria pensando no seu próprio bem estar, mas naquele momento Connor só conseguiu pensar em Alex e como poderia protegê-la.
– Princesa! Fique abaixada e vá para a passagem, rápido! – um dos guardas perto da escada disse e Alex começou a arrastar Connor pelo chão. Se furava cada vez que passava por cima de um caco de vidro, fazia caretas e davam pequenos gritinhos, mas ela realmente não se importava com esses detalhezinhos no momento.
Connor praticamente a abraçou impedindo que qualquer coisa que viesse em sua direção a atingisse, pânico era a palavra que poderia defini-lo melhor naquele momento.
Entraram na passagem em baixo da escada e Alex rapidamente a trancou digitando a senha da trava eletrônica e logo depois Connor a ajudou a fechar todas as trancas manuais.
– Pela escada, vire o túnel a direita.
Foram apressados indo até o final onde havia um monitor com todas as câmeras do palácio em pequenos quadradinhos, esses que foram instalados depois que os ataques se tornaram frequentes.
Alex foi deslizando os olhos pelos quadradinhos e suspirou ao ver Tyler e Isabelle em uma das passagens aparentemente tentando acalmar Joey. Continuou procurando vendo seus avós também seguros, logo depois, Carter e Rose abraçados em outra passagem, prosseguiu a procura respirando fundo ao não achar seus pais em lugar algum.
– Meus pais.
– Oque?
– Eles não estão em nenhuma passagem!
Connor olhou as câmeras e engoliu seco olhando para Alex.
– Eles já vão entrar em alguma, se acalme.
Os olhos dele deslizaram até as penas da menina.
– Você está... – ele engoliu seco e ela assentiu.
– Eu sei, não me lembre, já está doendo o suficiente.
– Sente, eu vou tentar tirar.
– Dane-se os cacos de vidro, eu quero saber onde estão meus pais!
Alex ficou dois minutos olhando para aquele monitor fixamente cheia de cacos enfiados nas penas e alguns nos braços até que se rendeu sentando devagar na espécie de sofá preto embutido na parede.
– Por favor, está doendo muito – ela gemeu.
Connor se sentou o seu lado, ao contrário dela só havia alguns aranhões em seu corpo.
– Vai doer um pouco, mas se acalme, eu vou tirar tudo.
Ela respirou fundo e assentiu mordendo o lábio ao sentir Connor tirar o primeiro caco pequeno de seu braço.
– Porque você literalmente se esfregou no vidro quebrado?
– Porque de certo eu estava raciocinando direito com um monte de balas passando por cima da minha cabeça!
Connor engoliu seco continuando a tirar os cacos até ver uma mancha vermelha enorme começar a se formar na coxa de Alex.
– Meu deus Alex – ele disse tirando o caco enorme dali com cuidado – você está perdendo sangue.
Ele tirou o suéter e depois a camisa a amarrando com cuidado na perna dela.
Alex evitou olhar, evitou mesmo, mas assim que ele tirou a camisa os olhos dela se focaram no peito e barriga malhados dele até ele pegar o suéter e o colocar novamente.
– Isso deve estancar o sangue um pouco – ele disse e ela o olhou assentindo de leve.
Alex olhava fixamente para o monitor esperando seus pais aparecerem enquanto Connor com cuidado, muito cuidado tirava os caquinhos de vidro que sobraram em sua pele.
– Eles vão aparecer, não se preocupe, seu pai tem experiência em situações assim.
– Eu sei que tem, mas... não tem como ficar tranquila – ela disse.
Connor suspirou tirando oque parecia ser o último caquinho e arregaçou as mangas do suéter até os cotovelos.
– Tem mais algum?
Ela negou.
– Não estou sentindo nenhum – ele assentiu sentando de pernas cruzadas de frente para ela – obrigada.
– Por nada – ele sorriu fraco.
Eles ficaram em torno de dez minutos em silêncio, ele acariciava a mão dela de leve enquanto a mesma olhava fixamente para o monitor esperando seus pais aparecerem, era frustrante.
– Porque não dorme um pouco?
– E porque eu dormiria?
Connor deu de ombros.
– O tempo passa mais rápido quando dormimos – ele disse – assim quando acordar seus pais já estarão aqui.
– Promete?
Ele sorriu acariciando o cabelo dela.
– Prometo – ele disse – eu vou cuidar de você, se alguém entrar aqui eu dou um golpe ninja e tudo certo, você nem vai ver.
Ela sorriu o puxando para um abraço. Connor a envolveu com seus braços beijando sua cabeça.
– Já disse que você é um anjo?
– Algumas vezes – ele sorriu metido e ela o soltou olhando os olhos dele de perto.
– Deveria dizer mais – ela permaneceu o olhando.
Ele sorriu de leve e acariciou o rosto dela.
– Não é necessário.
– É sim – ela o segurou.
– Alex, o fato de você olhar para mim já me fazer sentir importante, não precisa expressar isso em palavras.
– Pode ser que não em palavras, mas preciso expressar de outro jeito – ela tocou seu nariz no dele.
Na hora a respiração dele falhou e o garoto sentiu seu coração dar um salto chegando até a boca.
– Eu... eu tenho quase certeza que eu te amo, Connor.
– Eu também te amo Alex.
– Mas não assim, eu te amo como Tyler ama Isabelle, como meus pais se amam, desse jeito.
Connor a olhou e franziu o cenho.
– Isso é sério?
Ela revirou os olhos.
– Não, estou zoando com você, Connor.
Ela o olhou alguns segundos e suspirou.
– Quer saber? Esquece – ela foi virar o rosto para o monitor novamente, mas ele foi mais rápido segurando o rosto dela antes.
Ela estava brava e ai dar um tapa no braço dele para que a soltasse, porém ele a beijou.
O corpo dela relaxou e Connor segurou forte a cintura dela deixando que seus lábios trabalhassem em sincronia com os dela. O garoto sorriu entre o beijo quando a mãozinha dela se esgueirou por baixo do suéter tocando sua barriga.
– Desculpa.
– Shh – ele voltou a beijá-la puxando-a em sua direção não esquecendo da perna dela que estava bem machucada.
Alex suspirou colocando as mãos nos cabelos dele separando seus lábios atrás de ar.
– Nossa – ele disse sorrindo piscando os olhos algumas vezes – eu não acredito nisso! Eu não acredito que esse tempo todo era recíproco e eu igual uma besta quadrada tentando te conquistar.
Alex o olhou e deu um sorrisinho.
– Então estava tentando me conquistar, é? – ela chegou perto dele – não acha que eu sou muito pra você, não? – ela brincou.
– Acho, por isso que estava difícil – ele disse e ela riu o abraçando pelo pescoço – sempre tive uma queda por você, mas com o tempo ela se intensificou, ai eu desisti, ou tentei desistir porque não deu certo, ai voltou com tudo.
Ela riu.
– Até pouco tempo eu te encarava só como um amigo – ela o abraçou mais forte – até eu perceber que o arrepio na minha nuca quando você me abraçava não era em vão.
Connor sorriu afundando a cabeça nos cabelos de Alex.
– E... agora?
– Boa sorte com meu pai – ela riu logo depois – vai precisar.
Ele engoliu seco e Alex riu.
– Obrigada por tudo, ok?
Ele voltou a sorrir tocando seu nariz no dela.
– Eu que agradeço, baixinha.
– Connor...
– Quietinha e durma um pouco – ele a puxou para seu peito deixando que ela deitasse ali.
– Só se você tirar o suéter – ela murmurou bem baixinho se aconchegando nele.
– Oi?
– Nada – ela olhou uma última vez para o monitor – se eles aparecerem, você pode me acordar?
– Como quiser.
– Valeu – ela segurou o suéter dele e beijou rapidamente seu maxilar voltando a deitar sua cabeça no peito dele.
– Eu que agradeço – ele disse com um sorriso bobo.
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