Princesa Emily 2
30 Pareço mais inteligente?
Notas iniciais
– Eu preciso de um café – Carter massageou as têmporas.
– E eu de uma solução – Edwin soltou as folhas em cima da mesa.
Carter olhou para um guarda que estava em pé na porta.
– Pode pedir para um empregado trazer dois cafés com creme bem fortes, por favor?
– Sim senhor – o guarda fez uma pequena reverência saindo atrás de um funcionário.
– Nunca passamos por isso – Edwin olhou para o filho – depois da guerra, Gardênia tem sido um dos lugares com melhor qualidade de vida do mundo, e agora, estamos enfrentando esse absurdo!
Carter jogou suas costas no encosto da cadeira cruzando os braços.
– Também nunca passamos por uma desistência do trono.
– Não comece a implicar com sua irmã novamente.
– Não estou implicando, apenas constatando os fatos.
Edwin bufou.
– Eu penso bem agora, e Emily não daria uma boa rainha – Carter ergueu as sobrancelhas – eu amo sua irmã, mas... ela não é firme como você. É muito sentimental, e por mais que ela preze a bondade... não é só isso que importa.
– Eu sei – Carter disse – mas veja, por exemplo ela como mãe – Carter se ajeitou na cadeira – ela criou meus sobrinhos muito bem, foi firme e amorosa e eles são essas graças hoje, acho que ela conseguiria ser uma boa rainha sim.
– Pode até ser, mas nunca iremos descobrir – Edwin suspirou – eu só quero descobrir oque esses vândalos querem. Porque bem, eles estão protestando, ok, mas todo protesto tem uma exigência, mas eles não. Afinal, oque querem? Que você renuncie e ela assuma o trono? Que sentido isso faria?
Carter mordeu o lábio inferior.
– Não havia parado pra pensar nisso – ele disse – realmente não tem fundamento algum.
– Pois então temos que descobrir oque eles querem e se for possível, dar a eles, porque não sei você, mas estou farto disso.
– Todos estão.
– Não sei, temos que conseguir um contato deles e marcar uma reunião e ver oque eles querem.
– Contato? Como pretende arrumar um contato?
– Na teoria esse grupo tem alguém infiltrado aqui, certo?
Carter assentiu.
– Então não vai ser difícil – ele deu de ombros – quando Charlie voltar a ativa vamos os três interrogar todos os funcionários, podem nos enganar, mas o detector de mentiras não.
– Todos os funcionários?
– Sem exceção.
– Mas isso demoraria semanas, não é algo prático.
– Não temos muita opção no momento filho.
A porta foi aberta e uma funcionária com uma bandeja com duas xícaras grandes de café entrou na sala.
– Com licença.
– Obrigada – Carter agradeceu pegando uma das xícaras.
Edwin sorriu para a mulher pegando a outra e olhou para o filho.
– Acha que o Martin aguenta uma semana inativo?
– Não mesmo – Carter riu.
* * *
Anne entrou aparentemente meio brava no salão das refeições. Todos almoçavam tranquilamente e Charlie estava um pouco mais feliz por não ter que usar mais a cadeira de rodas, apenas as muletas para diminuir o impacto nas pernas.
Ela se sentou em seu lugar de sempre e Alex a olhou.
– Tudo bem, vó?
– Sim querida, tudo bem, tudo ótimo, tudo maravilhoso – Alex arregalou os olhos olhando para o lado com uma cara de "ok né" – desculpe, não está tudo bem não.
– E oque aconteceu? – Emily perguntou.
– Seu irmão e seu pai são uns machistas que não me deixam... ajudar em nada.
– É proteção, Anne – Charlie se intrometeu – eles querem seu bem estar, também não deixaria Emily se envolver em assuntos como esse.
– Isso se você pudesse mandar eu fazer algo e eu de fato obedecer – Emily disse revirando os olhos e olhando para a mãe – talvez eles só precisem de tempo, os dois estão bem estressados com a situação.
– Todos estamos filha, isso não é uma desculpa muito plausível – Anne jogou o guardanapo na mesa – quer saber? Vou apelar, estou entrando em greve de... – Emily conseguiu tampar a boca da mãe antes que ela terminasse, Anne olhou para ela e depois para as crianças– obrigada.
Charlie apenas riu.
Tyler olhou para Isabelle que estava levemente vermelha e sorriu beijando sua bochecha.
– Com o tempo você se acostuma – ele sussurrou em seu ouvido.
Ela sorriu e se virou para ele que deu um selinho rápido nela.
– Estou tentando comer aqui, é possível? – Alex disse só pra provocar e Isabelle riu enquanto Tyler mostrava a língua pra ela – o excesso de fofura ta me dando enjoo.
– Quer ajuda? – Joey perguntou inocentemente para ela que sorriu pra o irmão.
– Não precisa Joey, pode comer.
– Tem certeza? Não me importo de ajudar.
– Tenho, fique tranquilo, estou bem.
Alex olhou para a mãe que sorria orgulhosa de seu pequeno e sorriu também.
– Se sente melhor, senhor Martin? – Isabelle perguntou olhando para Charlie que sorriu.
– Estou ótimo querida, e por favor, sem formalidades, apenas Charlie – Isabelle assentiu – ou sogrinho, como preferir.
Ela ficou vermelha e Tyler olhou para o pai em advertência, esse apenas que deu de ombros.
– Não se preocupe querida, ele é um palhaço mesmo – Emily disse lançando o mesmo olhar para Charlie – com o tempo a gente aprende a amar.
Charlie a olhou.
– Engraçadinha você hoje hein?
Emily sorriu e deu de ombros voltando a comer.
– Vocês dois não mudam nunca, não é? – Anne olhou para os dois que sorriram.
– Oque seria da minha vida sem zoar com ele pelo menos uma vez ao dia? – ela olhou para Charlie que fez bico – seria um dia incompleto.
* * *
– Até parece um adulto desse jeito.
Connor ergueu os olhos para Alex e sorriu.
– Obrigado – ele cruzou as penas voltando a ler seu livro.
– Os óculos... caíram bem em você.
– Me sinto mais inteligente – ele sorriu voltado a olhá-la – pareço mais inteligente?
Ela assentiu.
– E mais bonito também.
Ela corou assim que notou que havia falado demais.
– Não precisa zoar tanto – ele disse obviamente não achando que ela falava sério, mas falava.
– Um pouquinho não mata – ela entrou na zoeira – e nem venha com essa porque quando eu usei aparelho com 10 anos você ficou me chamando de princesa metálica por meses!
Ele riu baixinho.
– Aquele aparelho rosa choque foi épico.
– Eu só tinha dez anos – ela cruzou os braços – e eu fiquei linda até de aparelho.
– Ficou mesmo – ele esperou dois segundos e ergueu os olhos – não gosto de admitir, mas você consegue ficar bonita de qualquer jeito.
Ela sorriu lisonjeada.
– Eu sei, obrigada.
Ele sorriu de lado voltando a ler o livro.
– Meu pai vai demorar um pouco mais hoje – Connor disse de repente – vamos jantar juntos, princesa.
– Eu acharia isso esplêndido se não fossem os motivos para seu pai ter que ficar mais.
Connor assentiu.
– Eu sinto tanto medo disso uma virar uma guerra – ele disse – do país virar algo desastroso, de quem quer que seja que faz isso conseguir seguidores – ele engoliu seco e olhou para ela – e acima de tudo, tenho medo de acontecer algo com você.
– Diante disso eu não sou nada – ela disse – normalmente eu já não sou muita coisa, agora então.
– Oque quer dizer?
– Bom, meus avós são o rei e a rainha, então são as maiores celebridades do país, meus pais tem além da história deles, o carinho do povo por serem tão bondosos e lindos juntos e blá blá blá, Joey é o pequenino que todos amam porque ele é uma graça. E agora, Tyler além de ser amado aqui, principalmente pelas meninas, é amado na Itália também!
Connor franziu o cenho.
– E eu sou a bonitinha que é intitulada de metida, nojenta, arrogante e encalhada – ela suspirou se afundando na poltrona.
– Não é verdade – ele disse – boatos sempre existem, mas sua fama não é essa.
– Claro que é Connor – ela o olhou e deu de ombros – eu só não fico calada e depois daquela entrevista onde fui um tanto grossa com a mulher que me tirou do sério, isso só piorou tudo.
– Posso afirmar que não é essa sua fama – ele segurou a mão dela – as meninas são apaixonadinhas pelo Tyler, e os garotos por você, isso é fato.
– Isso é irrelevante – ela disse.
– Irrelevante é a opinião dos outros sobre você – ele chegou mais perto dela – cara, você é incrível, não diga o contrário – ele a olhou e suspirou – você é tão confiante para algumas coisas, mas tão insegura pra outras. Desde quando a opinião dos outros te afeta?
– Não afeta, mas isso é um fato – ela disse dando de ombros – uma coisa é eu ficar deprimida por causa disso, e a outra é apenas aceitar, eu apenas aceito, mas não deixa de ser verdade.
Ele acariciou a delicadinha mão dela com o polegar.
– Então saiba que você é uma das pessoas mais importantes pra mim.
Ela sorriu segurando forte a mão dele.
– Você também é pra mim.
Connor se aproximou mais dela a olhando bem de pertinho.
– Uma pena que não seja da mesma forma – ele soltou voltando para seu lugar.
Alex ia perguntar oque significava, mas alguém entrou no salão antes.
E mais uma vez Alex esqueceu que era dia de visitas no castelo. E mais uma vez um bolo de pessoas voou nela, dessa vez não eram crianças, eram pessoas da idade dela.
– Connor! – ela gritou pulando no colo dele.
– Meu deus! – ele saiu correndo deixando seu livro lá e subiu as escadas com ela no colo enquanto os seguranças barravam as pessoas nos degraus.
Eles olharam lá de cima todo mundo e Connor começou a rir.
–"Eles me odeiam" – ele disse com uma voz engraçada.
– Não disse que me odiavam – ela levantou um dedo para ele.
Olhou para baixo novamente vendo o alvoroço que havia causado e sentiu dó dos guardas segurando as pessoas.
– Gente! – ela gritou e todos pararam de gritar para olhá-la – esperem um pouco, ok?
Ela chamou um guarda que estava perto dela.
– Eles querem fotos... ?
– Provavelmente sim.
– Certo – olhou para Connor – que tal algumas fotos, querido?
– E porque iriam tirar foto comigo?
– De certa forma você é importante – ela deu de ombros – topa?
– Hã... claro – ele passou a mão no cabelo – estou descente.
Ela assentiu.
– E eu?
– Linda.
Ela sorriu e enganchou o braço no dele.
– Avise a eles que tiraremos fotos com todos, de forma organizada, óbvio – ela pediu ao guarda que assentiu.
– Isso será divertido – Connor a olhou.
– Sempre é – ela sorriu beijando a bochecha dele – obrigada.
Ele ficou vermelho e a olhou.
– Não sei por que está agradecendo, mas não há de que.
* * *
– Por que não podemos descer?
– Hoje é dia de visitas – Tyler explicou beijando o pescoço de Isabelle que sorriu – mas está tão bom aqui...
Isabelle o soltou e se deitou na cama dele.
– Mas eu queria dar uma volta no jardim com você.
– Quando eles forem embora a gente vai – Tyler disse tirando os sapatos e deitando ao lado dela.
– Ok – ela se virou para ele que fez o mesmo.
Ela o olhou por alguns segundos e deslizou a mão pelo peito do garoto levantando um pouquinho sua camiseta para poder tocar a pele quente e bronzeada do garoto. Eles não estavam mais tão tímidos um com o outro como eram antes, e Tyler gostava disso por ser sentir mais livre.
– Quer que eu tire? – ele sussurrou e ela sorriu.
– Seria ótimo, mas estou satisfeita assim – ela disse subindo a mão um pouco até a barriga dele devagar – caso o contrário não vou me concentrar em mais nada.
Ele sorriu beijando a bochecha dela a puxando pela cintura para ficarem mais próximos.
Isabelle sorriu o abraçando pelo pescoço tocando seu nariz no dele.
– É tão bom ficar assim, sem fazer nada – ele sussurrou abraçando a cintura dela totalmente tentado a apertar a bunda dela, mas o nível de liberdade não chegava a ser tanto assim.
– Concordo – ela sorriu beijando a bochecha dele ainda com os olhos fechados.
– Você vai me bater muito se eu dormir um pouquinho?
– Não, porque eu to ficando com sono também – ele sorriu abrindo os olhos vendo sua menina aparentemente relaxada.
Acariciou sua cintura beijando a testa dela demoradamente. Ela levantou o rosto fazendo bico e ele a beijou. Isabelle abraçou a nuca dele mais forte assim que suas línguas se tocaram e suas pernas se entrelaçaram. Tyler mordiscou o lábio dela voltando a beijá-la sentindo o calor do corpo dela o deixando tentado a tirar toda a roupa dela para olhar cada detalhe daquele corpo.
– Oque vocês estão fazendo?
Tyler arregalou os olhos.
– Finge que está dormindo – ele sussurrou contra os lábios dela que fechou os olhos imediatamente.
Tyler se levantou vendo o irmão confuso e imediatamente colocou o dedo em frente a boca em sinal de silêncio, o menininho assentiu.
– Ela ta dormindo, fala baixo nanico – Tyler sussurrou.
– Ta dormindo?
Tyler assentiu e Joey foi andando devagar até eles olhando para Isabelle.
– Eu posso dormir com vocês? A mamãe não ta e o papai ta vendo o peito no hospital.
Tyler sorriu.
– Ta, mas é pra dormir, hein – ele disse pegando o irmão no colo.
– Ok.
Tyler o colocou entre ele e Isabelle que sorriu minimamente.
– Isa – Joey sussurrou e ela abriu os olhos devagar com se estivesse acordando.
– Joey?
– Só pra avisar que você pode me abraçar, ta?
Ela sorriu o abraçando com força, quase o esmagando.
– Vem cá meu lindinho!
Tyler sorriu se juntando ao abraço.
– Vocês são estranhos – Joey murmurou – mas é legal.
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