Princesa Emily 2
21 O casamento do herdeiro.
Notas iniciais
– Amor... – Charlie sentou ao lado da mulher a abraçando pela barriga beijando a bochecha dela repetidas vezes.
Emily apenas ignorou continuando seu livro.
– Emy, por favor, eu já pedi desculpa, oque quer que eu faça?
– Não sei, talvez ser um pouco mais responsável.
Charlie suspirou.
– Isso foi por...
– Por ter deixado Tyler encostar em uma arma e por esquecer que seu caçula tem alergia a morango!
– Bem eu... – Charlie coçou a nuca, era tão irresponsável – pelo menos com Alex não aconteceu nada.
Emily o olhou daquele jeito e Charlie engoliu seco.
– Desculpa – ele a olhou como um cachorrinho – eu tento ser responsável, mas... eu faço o melhor que eu posso, eu juro.
– Então tem que fazer mais, imagina se não tem ninguém por perto na hora, oque poderia ter acontecido com o Joey?
Charlie olhou pra baixo.
Se levantou e suspirou indo até o painel de fotos.
– Diariamente me questiono por não ser bom pra vocês, nem como pai, nem como marido – ele tocou a foto do casamento deles – Simon teria sido... melhor, com certeza.
Emily ergueu os olhos do livro para Charlie.
– Oque disse?
– Bem – ele olhou outra foto – você reconsiderou a escolha depois de se casar comigo, não foi?
Emily fechou o livro olhando para Charlie com o cenho franzido.
– É claro que não, onde você está com a cabeça?
– Eu só faço besteira, faço você se estressar comigo, a maioria das doenças das crianças são culpa minha...
– Hey – ela tocou o ombro dele.
– Desculpa, por toas as besteiras que faço e ainda vou fazer.
– Não quero que fique desse jeito – ela o abraçou – mas você entende que tem que começar a tomar um pouco mais de cuidado?
– Sim – ele a abraçou bem forte – e quanto ao Tyler... ele quer tanto treinar, meu amor, não é perigoso, é bem seguro, e assim ele vai aprender a proteger você, o Joey, a Alex e a ele mesmo caso eu não possa.
– Charlie...
– Por favor, ele quer muito, meu amor.
– Ele disse isso a você? – ela o olhou bem acariciando o rosto do marido.
– Disse – Charlie a abraçou pela cintura – eu entendo ele, ele quer se sentir útil em emergências e quer fazer algo além de... nada, já que ele já terminou os estudos.
Emily mordeu o lábio pensando.
– Ele pode usar um colete de balas?
– Ninguém vai atirar nele, meu bem.
– Mas ele...
– Ele não vai usar um colete.
– Eu quero falar com ele, agora.
– Ok.
Eles saíram do quarto, passaram no quarto de Tyler e lá ele não estava, então desceram até o salão principal onde ele e Alex estavam jogando baralho e Joey assistindo tudo empolgado.
– Bati! – Alex deu um tapa na mesa e Tyler fez uma cara de "droga".
Emily se aproximou beijando a cabeça de Joey, acariciou o ombro da filha e olhou para Tyler tocando seu rosto.
– Podemos conversar rapidinho, meu amor?
Tyler franziu o cenho.
– Hã... claro – ele deixou as cartas na mesa e seguiu a mãe e o pai – aconteceu alguma coisa?
– Então – Emily se sentou ao lado de Charlie e Tyler se sentou de frente para eles – você realmente se interessa por treinar com seu pai, ou você encara como uma brincadeira?
– Eu realmente me interesso – ele disse.
Charlie lançou um olhar sugestivo para Emily.
– Eu permito que treine com seu pai – os olhos dele se arregalaram.
– Sério?
– Sim – ela sorriu – porém tem algumas regras – ela suspirou – se você encostar em uma arma fora do treino ou quando não for extremamente necessário e se começar a ficar agressivo, os treinos acabam.
– Ok – ele sorriu, nunca pensou que ouviria de sua mãe um sim para treinar.
Emily sorriu e abriu os braços para seu filho abraçá-la e ele assim fez a tirando do chão.
– Vou ficar forte igual o papai, prometo – Tyler sorriu brincalhão.
– Bom que fique – ela riu arrumando o cabelo dele – agora volte a jogar com sua irmã.
– Certo, obrigado mãe – ele a abraçou novamente – e muito obrigado pai – ele praticamente pulou no colo de Charlie que riu dando dois tapinhas nas costas do garoto.
– Te acordo as sete amanhã – ele piscou para o filho que riu e voltou ao jogo.
– Vamos colocar Joey na cama e dormir – ela abraçou Charlie – amanhã vai ser um dia de certo modo bem cansativo.
– Realmente – Charlie deu um selinho nela – Joey! – ele bateu uma palma e Joey olhou para o pai – pra cama garoto, vamos.
– Pai...
– Vamos vamos, ligeiro – ele foi até o filho o colocando por cima de seu ombro o fazendo rir enquanto andava com ele no colo – boa noite!
– Boa noite! – disseram Alex e Tyler ao mesmo tempo.
E assim Charlie partiu com Joey, Emily foi até os filhos ainda rindo da cena e beijou a testa dos dois.
– Não demorem pra dormir, ok?
– Ok.
– Ótimo, boa noite – ela sorriu e foi.
Chegou no quarto de Joey onde o garoto já estava de pijama e deitado e Charlie puxava uma cadeira para se sentar ali.
– Mamãe! O papai vai contar história pra mim!
– Ah vai? – Emily sorriu indo até eles.
– Deita aqui comigo – Joey bateu na cama, Emily sorriu tirando as sapatilhas e se sentou ao lado do filho – pode começar papai.
– Certo – Charlie sorriu piscando para Emily.
* * *
– E o garoto...
Charlie olhou para os dois loiros na cama, Joey dormia cuidadosamente no colo de Emily que também dormia.
Charlie sorriu, é claro que Emily dormiria.
Se levantou beijando a testa de Joey e o tirou devagarzinho do colo de Emily. O certo seria acordar Emily, mas ela dormia tão sossegada que Charlie não conseguiu ter o sangue frio de acordá-la. Pegou as sapatilhas delas as colocando em seus pés e depois a pegou no colo como um grande bebê, sorriu quando ela envolveu o pescoço dele pousando a cabeça sob seu peito e saiu do quarto cuidadosamente fechando a porta com o pé.
Claro que alguns olharam curiosos para a cena, mas ao verem o rosto relaxado de Charlie, sabiam que não se tratava de uma emergência, ele apenas estava carregando-a pelo palácio, super normal.
Pediu silenciosamente para um guarda abrir a porta de seu quarto e agradeceu com um sorriso entrando no mesmo o fechando com o pé e com dificuldade trancando as fechaduras automáticas e ativando o alarme, como sempre.
Levou Emily até a cama a repousando sob os travesseiros e sorriu minimamente tirando sua roupa que era o uniforme, ou pelo menos a parte de baixo dele, porque a blusa não estava mais em seu corpo há um bom tempo.
Ficou só de cueca colocando sua roupa no cestinho e foi até seu closet pegando uma calça de moletom preta, foi até o closet de Emily pegando uma camisola qualquer e voltou para o quarto. Conseguiu com muito esforço tirar a roupa de Emily e colocar a camisola nela sem acordá-la e sorriu ao ver que cumpriu seu objetivo de não acordá-la, se deitou ao lado dela na cama cobrindo os dois e bateu duas palminhas fazendo a luz apagar.
Emily o abraçou pelo peito pousando sua cabeça ali e Charlie a envolveu com os braços sentindo ela se mexer minimamente.
– Eu amo você – ela disse apenas e Charlie sorriu beijando a cabeça dela.
– Também amo você, minha loira.
* * *
– Filho – Anne bateu na porta do quarto do filho.
– Entra mãe.
A Rainha entrou no quarto do filho exalando toda sua exuberância naquele lindo vestido longo roxo cheio de pedrarias nas mangas e busto, encantador, como tudo que vestia.
– Oh meu bebê!
Carter estava com sua roupa, a mesma que seu pai usou quando se casou já que foi a mesma que todos os homens da sua família vem usando nos casamentos á séculos, e o primeiro que usou era um General que se casava com uma princesa, e por ele ter dado de certa forma "origem" aos Davis no trono, em todos os casamentos ele era homenageando, por isso a roupa que era uma farda parecida com a do general, porém mais refinada e bonita com detalhes em outro e todas essas frescuras reais.
Anne foi até o filho o abraçando forte. Dentro do castelo ninguém nunca via Carter com o cabelo exatamente arrumado ou sem seu cavanhaque que ele tanto amava, porém hoje seu cabelo estava penteado para o lado com gel e seu rosto lisinho... Anne viu o pequeno Carter de 15 anos que era todo arrumadinho, mas lá pelos 17 ele parou de ser tão obcecado com arrumação, aparência e tudo mais.
– Você fica mais bonito sem cavanhaque, fique sem daqui em diante – ela disse brincalhona e Carter sorriu.
– Pensarei no assunto, gostei do resultado – ele alisou o rosto com a mão – e como estou?
– Um digno Rei – ela sorriu e ele a abraçou.
– A senhora não poderia estar mais bela.
– Você e sua mania de me chamar de senhora! Sou sua mãe garoto e exijo que me chame como tal – eles riram.
– Sim rainha Anne, mãe.
– Certo certo – ela sorriu – está pronto?
– Melhor que isso não fica né – ele riu e Anne riu batendo nele.
– Não fale assim, você está lindo, e devo dizer que vi muito de seu pai em você quando entrei por ali. Você pode negar, mas é tão parecido com ele quanto sua irmã é comigo.
– É a vida – ele sorriu – e... Rose? Já a viu?
Anne sorriu imensamente.
– Sim, acabei de sair de lá, estão terminando de arrumá-la.
– E como ela está? – os olhos dele até brilharam oque fez Anne sorrir como idiota.
– Belíssima – Anne alisou o casaco dele – só não babe.
Carter sorriu.
– Prometo que não.
– Carter?
Os dois olharam para a porta, Emily estava ali com um sorriso tímido.
– Bom, então eu vou indo acalmar seu pai que está mais nervoso que você e Rose juntos, nos vemos daqui a pouco – Anne sorriu para o filho beijando sua bochecha e saiu.
Assim que Anne passou pela porta Emily olhou para Carter.
– Posso...?
– Entre – Carter seu olhou no espelho mais uma vez enquanto Emily entrava.
– E-eu sei que continua furioso comigo por... aquilo, mas quero que esqueça disso por um tempinho ok? – Carter a olhou e apenas assentiu, Emily sorriu e o abraçou – eu o amo muito, meu irmão, e te desejo toda a felicidade que seja possível alcançar nesse mundo, sei que nas primeiras semanas o casamento pode parecer assustador por ter outra pessoa praticamente invadindo sua vida, mas saiba que tudo fica muito bom depois de um mês, então não se equivoque no começo, prometo que vai melhorar.
Carter assentiu, Emily o olhou de perto e passou a mão pela bochecha dele.
– É muito estranho ver meu irmãozinho se casar, mas agora aquele nanico, além de mais alto que eu – ele sorriu – agora é um homem, e apesar de tudo, saiba que eu tenho muito orgulho desse homem que você se tornou e mesmo que questione isso todos os dias, eu sei que será um bom Rei, tão bom quanto o papai é, e talvez ainda melhor, porque você é capaz, e nós dois sabemos disso.
Carter mordeu o lábio.
– Boa sorte – ela sussurrou no ouvido dele beijando sua bochecha lentamente e depois foi em direção a porta.
Carter a olhou se afastar e deu cinco passos apressados até ela puxando pelo pulso a abraçando forte, bem forte.
– Obrigado – ele disse e suspirou se afastando um pouco dela, seus olhos levemente marejados – talvez eu negue tudo amanhã – ele sorriu ameaçando chorar – mas eu tenho muita inveja da coragem que você teve de desistir de tudo por um amor, e hoje eu entendo suas atitudes, porque sei oque eu seria capaz por Rose. Admiro o relacionamento forte que mantém com Charlie, e amo os sobrinhos que meu deu, desde que se casou, secretamente sonhei ter uma pessoa que me amasse e uma família como a sua – ele segurou as mãos dela beijando as costas da direita – então saiba, que não importa o quanto eu esteja enfezado com você, eu a entendo e a admiro não como irmã, mas como pessoa, e agradeço tudo que fez e ainda faz por mim.
Emily não aguentou e deixou as lágrimas escaparem por seus olhos abraçando o irmão com muita força, quase o esmagando.
– Eu te amo demais – Carter disse.
– Eu também, Carter, eu também.
Eles ficaram segundos, ou talvez minutos apenas abraçados até Emily o soltar.
– Eu tenho que ir retocar isso – ela apontou para o rosto – e terminar de arrumar Joey – Carter assentiu limpando uma lágrima que escapou de seu olho esquerdo – boa sorte.
Ele sorriu minimamente.
– Obrigado – ela sorriu indo até a porta – e ah.
Ela o olhou.
– Provavelmente eu terei esquecido isso amanhã quando as responsabilidades voltarem a me atormentar.
Ela soltou um pequeno sorriso.
– Eu já imaginava isso.
E dito isso ela se retirou.
* * *
Emily colocou suas pulseiras, haviam acabado de retocar sua maquiagem e terminar seu cabelo que como sempre estava solto porque ela odiava prendê-lo, porém havia uma fina tiara de diamantes no topo de sua cabeça e enquanto ela terminava de se arrumar, Charlie que já estava pronto com sua farda tentava enfiar o Smoking em Joey.
Emily pegou sua aliança a colocando, sua aliança já era extravagante demais para precisar de mais anéis.
– Joey, por favor, deixe seu pai dar o nó na gravata – Emily disse se olhando no espelho vendo o reflexo de Charlie e Joey.
– Mas porque ele não está com esse negócio também?
– Porque estou de farda – Charlie disse – mas seu irmão também estará com uma dessas.
– Exato – Emily disse.
– Olá pessoas – falando em Tyler ele entrou no quarto acompanhado de Alex.
Tyler estava com um smoking preto e gravata também preta, igual a roupa de Tyler que Charlie tentava terminar de colocar. Já Alex estava linda em seu vestido longo verde água.
– Nossa, Alex pronta antes que vocês, que milagre – Tyler disse e Alex revirou os olhos.
– Desculpe, eu me enrolei um pouco – Emily disse – querido, por favor ajude seu pai a colocar a gravata em Joey, e Alex, feche aqui pra mim?
Tyler foi até seu pai e Joey que tinham uma conversa de "adultos" e Alex foi andando até a mãe que entregou sua gargantilha de diamantes para a filha se virando de costas para ela.
– Mãe, você está incrível – Alex disse olhando rapidamente a gargantilha – adorei a gargantilha, por sinal.
– Ah, linda não? – Alex assentiu enquanto Emily segurava seu cabelo para que Alex passasse a gargantilha por seu pescoço e a fechasse – seu pai que me deu.
– Alguma data especial ou apenas um presente aleatório?
– Seu nascimento – ela olhou para Alex através do reflexo do espelho – a pulseira foi no de Joey e a tiara no de Tyler.
Alex o olhou.
– Foi totalmente planejado os três? Ou quando cada um de nós nasceu ele deu algo que combinasse com o presente anterior?
– Não faço a menor ideia – Emily sorriu – pergunte a ele, mas acho que tem um dedo de sua avó nisso tudo.
– Com certeza, papai não tem tão bom gosto assim.
– Certamente – ela sorriu para a filha se virando para ela – mas de qualquer forma, desde então uso os três apenas em ocasiões especiais.
– É, não são coisas para se usar no dia a dia, não é? — Alex riu tocando a gargantilha – quero uma dessas, mas um pouco maior.
– Quando casar te dou uma.
– Sério? Mas vai demorar.
Emily sorriu.
– Tem que se lembrar dela como em uma ocasião especial, não apenas como um presente.
– Verdade.
– Porém se fizer algo muito importante antes de se casar, posso pensar no assunto em antecipar o presente.
– É uma promessa?
– Claro.
– Joey vestido! – Charlie colocou os braços pra cima cansado e todos comemoraram – vamos? Falta meia hora para a cerimônia sem contar com o atraso da noiva e tem toda aquela baboseira de cumprimentos ainda.
– Vamos – Emily riu das observações de Charlie.
Os três menores foram na frente e Charlie envolveu a cintura da mulher.
– Não me atrasei no nosso casamento.
– Você que pensa – Charlie alisou o casaco olhando rapidamente suas medalhas penduradas no peito – te esperei por quase uma hora.
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