Princesa Emily 2
35 Homens ao ataque.
Notas iniciais
Emily abriu a porta da sala de Carter sem ao menos bater.
– Preciso da sua ajuda.
Carter a olhou tirando seus óculos de grau com o cenho franzido.
Emily olhou para o lado onde Rose estava deitada no sofá lendo e agora a olhava.
– Oi Rose – a mulher sorriu se levantando.
– Oi Emy – ela sorriu – acho que vou deixá-los a sós.
Assim que a mulher fechou a porta Emily voltou a olhar para o irmão.
– Então, vai ficar ai de pé?
Emily foi até a cadeira em frente a Carter e se sentou.
– Soube que acharam Joey – ele sorriu.
– É, acharam – ela sorriu minimamente – e por isso que eu preciso de você.
Ele voltou a franzir o cenho.
– Pensei que Charlie e os guardas já estivessem se arrumando para ir atrás dele.
– Sim, estão – ela disse.
– Então qual o problema?
– Eu quero ir junto – ela disse – eu não vou ficar sentada como uma donzela indefesa esperando meu marido arriscar a vida dele e do meu filho.
– E se você estiver junto, será sua vida em risco também.
– Mas eu quero ajudar.
Carter suspirou mexendo no cabelo e olhou para a irmã fixamente.
– Eu não vou permitir que se jogue na morte.
Emily arregalou os olhos e Carter tossiu.
– Não que Joey e Charlie estejam se jogando na morte – ele voltou a tossir – só digo que é arriscado, Charlie é treinado para isso e já terá que proteger Joey, será pior para todos se precisar te proteger também.
– Eu não preciso ser protegida, sei atirar, muito bem por sinal.
– Sei que sabe, mas você me entendeu – os olhos verdes encararam os azuis esverdeados – não concordo com você ir, e se precisa da minha ajuda acredito que Charlie concorde comigo.
– Ele quer me proteger, mas eu também quero o proteger.
– Então nisso eu e ele concordamos.
– Por favor, Carter.
– Nem pensar, Emily, se fosse ao contrário você deixaria?
– Não, mas...
– Então respondido – ele disse – agora vá descansar que logo Joey estará de volta.
– Preste atenção – ela disse – sinto que tem algo mais, e Charlie sabe oque é.
– Como assim?
– Não sei, é isso que quero descobrir.
Ele suspirou.
– Porque senhor? Porque tão teimosa?
Emily suspirou revirando os olhos.
– Vai me ajudar ou não? – ela o olhou – pense como se fosse com Rose.
Carter ficou em silêncio alguns segundos.
– Eu... – ele suspirou massageando as têmporas – e como eu posso te ajudar?
Emily sorriu.
– Preciso que arrume cinco ou mais guardas para irem comigo – ela começou – e preciso de uma autorização como se você tivesse nos mandado.
– Charlie verá que é você.
– Com toda aquela roupa a prova de balas?
– Sim – Carter disse – você ainda é uma mulher Emily, homens não tem certas curvas que você possui.
– Vai estar escuro e a roupa vai me ajudar – ela disse – por favor, é só escrever uma autorização que eu vou atrás dos guardas.
– Eu não sei – ele disse – você sabe que se alguém descobrir quem morre sou eu certo?
– E porque acha isso?
– Porque temos um pai e uma mãe que não nos deixam sair até a esquina sem um monte de guardas – ele disse – muito menos ir para uma guerra.
– Isso é pra compensar todos os anos em que fui uma ótima filha – ela disse – preciso desobedecer um pouco.
– Já estourou sua cota quando casou com Charlie – ele disse e Emily o olhou brava.
– Estou falando sério Carter – ela disse já sem paciência.
– Ok – ele suspirou pegando um papel – Charlie irá em um carro blindado com vinte quatro guardas – ele disse escrevendo algo – chame mais quatro para acompanhar você e feche em trinta – ele disse olhando para a irmã rapidamente – quando estiverem entrando no carro, entregue isso a ele – entrou o papel para ela que sorriu.
– Muito obrigada, mesmo – ela se levantou indo até a porta.
– Emily.
Ela se virou para olhá-lo.
– Tome cuidado, por favor.
– Prometo.
* * *
Emily entrou depressa na sala escondida onde quatro guardas a esperavam. Todos já estavam com a roupa preta a prova de balas com as armas em cima de uma mesa.
– Todos prontos?
– Sim princesa – um deles sorriu.
Eles a ajudaram a colocar todo o equipamento sobrando apenas o capacete.
– Esse capacete além de ser a prova de balas – um deles começou a dizer – tem um comunicador, então se você apertar esse botão ao lado da orelha, vai poder falar e todos os guardas vão te ouvir – ele disse – fora isso, vai estar ouvindo tudo.
Emily sorriu, ela sabia que a tecnologia por lá estava muito avançada, mas mesmo assim ficou impressionada.
– Você está totalmente protegida.
Ela assentiu preparada.
Os cinco chegaram a saída dos fundos exatamente quando os guardas começavam a entrar no carro preto a prova de balas.
Charlie era o único sem capacete olhando cada guarda que entrava na traseira do carro como se os contasse, oque era bem provável que realmente estivesse acontecendo.
Charlie olhou para o lado finalmente avistando os cinco guardas novos e não recrutados por ele.
Antes que ele pudesse se pronunciar um dos guardas entregou o papel com a assinatura de Carter a Charlie.
– O Rei e a Princesa nos convocaram, senhor – ele disse.
Charlie os olhou.
– O acompanharemos e nos certificaremos exclusivamente de sua proteção e de Joey.
Charlie assentiu olhando o papel mais uma vez.
– Ótimo, quanto mais ajuda, melhor.
Todos deram um aceno de cabeça que Emily repetiu meio atrasada.
– Entrem, peguem suas armas e munição.
Novamente deram um aceno de cabeça e entraram. Aquilo por dentro era muito maior do que realmente parecia. Havia dois bancos compridos colados nas duas paredes laterais, e no fundo um armário repleto de armas. Todos os guardas já estavam devidamente armados e sentados em seus lugares.
Emily pegou uma arma grande e um cinto de munição. Já havia visto Charlie usar aquela arma, não deveria ser tão difícil.
Mas por via das dúvidas pegou um revolver que era a única que ela realmente sabia manusear.
– Certo – Charlie disse de pé entre os dois bancos assim que eles entraram em movimento – quero ressaltar que essa é uma missão de resgate, mas eu dou plena permissão a vocês para matar qualquer um que não esteja do nosso lado – ele disse – serão bem recompensados quando voltarmos, e pretendo que todos voltem.
Ele suspirou.
– Deixem os capacetes ligados, o tempo todo – ele ressaltou – vamos nos dividir em grupos e cada um irá por uma entrada e de lá vão se dividindo em corredores, conseguimos informações e parece que o local é um grande labirinto – todos assentiram e Emily apenas ficou olhando para o marido prestando atenção em cada detalhe – qualquer tipo de problema, informem aos outros pelo capacete, e claro, quem achar Joey primeiro me avise e o proteja até a saída – ele olhou para todos de relance – o protejam com suas vidas – foi até o final do automóvel abrindo a parte de cima do armário – todos vocês vão levar um colete e um capacete reserva para quem quer que seja que o ache primeiro, o equipe, certo?
Novamente, todos acenaram concordando.
Charlie foi entregando os coletes e capacetes para todos os guardas, o colete eles colocaram em um suporte das costas, já o capacete penduraram em um gancho na cintura, e claro, Emily apenas fez o mesmo.
O carro logo chegou ao local e Charlie rapidamente dividiu todos os grupos. Emily levou um susto quando um mapa com traços verdes apareceu diante dos seus olhos. Ela definitivamente havia adorado aquele capacete.
– Os pontos vermelhos, somos nós e o verde é você – Charlie disse mesmo sendo quase óbvio – ao apertar o botão da escuta duas vezes, você começará a piscar no mapa e os guardas mais próximos vão até você, então, só faça isso caso ache Joey ou precise de ajuda.
E finalmente os grupos se dividiram. Sendo o maior deles Charlie com os outros cinco.
Emily conteve seu instinto de ficar grudada em Charlie e tomou um pouco de distância ficando entre dois homens. O de trás veio com calma até ela e tirou rapidamente a parte do maxilar do capacete, Emily não fazia ideia que dava pra fazer aquilo.
– Fique atenta, mas em todos os casos vamos priorizar proteger vocês dois.
Ela fez o mesmo e olhou para o guarda.
– Muito obrigada.
Emily ouviu um tiro seco e botou a parte do maxilar rapidamente se virando para frente com a arma.
– Esse foi fácil – Charlie disse.
Eles continuam o percurso e Emily passou pelo corredor vendo um homem com um buraco que jorrava sangue do peito, na mesma hora se lembrou de Charlie quando o mesmo aconteceu com ele, e mesmo que ele fosse cúmplice do sequestro de seu filho, até porque tinha uma arma em mãos, Emily sentiu dó.
Se depararam com uma sala cheia de portas. E Charlie deu uma olhada por dentro.
– Fiquem dois ai – Charlie disse – os outros comigo.
Dois ficaram de guarda e os outros quatro seguiram pelo corredor.
Foram abrindo uma porta por vez, e em todas elas, a mesma coisa. Camas, apenas, camas vazias.
– Ele transformou isso aqui em uma verdadeira fortaleza.
Emily olhou para Charlie e franziu o cenho.
– Ele? O senhor sabe quem é?
Charlie ficou mudo por alguns segundos.
– Não.
Emily já suspeitava de algo, agora tinha certeza que ele de fato sabia quem era.
Os dois que haviam ficado guardando a entrada voltaram e Charlie enviou três para outro corredor ficando Emily, ele e mais um guarda.
Aos poucos eles foram se dividindo pelos corredores e Emily agradeceu mentalmente para todos os guardas que colaboraram muito para que ela ficasse com Charlie.
– Fique atento, estou sentindo que em breve acharemos alguém por aqui.
Emily deu um aceno de cabeça e ao virarem o corredor ela deu um grito e grudou no braço de Charlie ao ouvir uma sequência de tiros.
Charlie virou a cabeça para ela que imediatamente o soltou.
– Desculpa.
Charlie se estreitou na coluna e atirou na cabeça do homem que atirava contra ele, uma bala entrou no braço de Charlie, mas ele não expressou nada, então o micro desespero de Emily passou.
Charlie voltou a se virar para ela e tirou seu capacete.
– Oque foi isso?
Ela suspirou não sabendo oque responder olhando naqueles olhos tão lindos. Com a falta de resposta, Charlie foi até ela e abriu a tela em frente aos olhos arregalando os próprios ao se deparar com suas mais temidas suspeitas desde que aqueles cinco guardas apareceram.
– Emily?
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