Princesa Emily 2
20 Caramelo e amendoim.
Notas iniciais
– Senhor?
Mais uma investida com a espada que por pouco não acerta o guarda James.
– Senhor?
Os olhos de Charlie pareciam faiscar, estavam quase vermelhos. Ele deu uma investida forte que derrubou James no chão. O guarda olhou para Charlie que apontava a espada para ele.
Charlie piscou algumas vezes e jogou a espada na grama a seu lado indo em direção a sua água.
– Hã... – James se levantou – desculpa se estou sendo enxerido demais, mas algum problema senhor?
Charlie o olhou bebendo o resto de sua água e jogou a garrafinha em cima do banquinho.
– Problemas James – Charlie passou o cabelo escorrido por seus olhos pra trás e se sentou.
– E quem não tem? – James sorriu de lado bebendo sua água também.
Charlie acabou soltando um sorriso. James era um dos 10 guardas que ele estava treinando especialmente para aquela situação a pedido do Rei. E enquanto isso, a equipe investigativa do castelo, como uma CIA particular procurava saber mais sobre esses rebeldes, que pelo jeito haviam dado uma relaxada.
– E como vai seu filho? – Charlie perguntou se lembrando que ele tinha um filho da idade do Joey.
– Ah, está bem – ele sorriu – Joey me lembra ele.
Charlie sorriu.
– De volta pro treino! – Charlie se levantou e James riu.
– E eu pensei que conversando um pouco você esquecia o treino.
– Nunca soldado – Charlie sorriu.
* * *
Carter sorriu olhando Rose andando de um lado a outro, o casamento seria amanhã e ela estava quase surtando.
– Temos a prova do vestido, senhorita Rose – uma criada disse.
Rose colocou as mãos na cabeça e suspirou.
– Um minuto, certo?
– Certo.
Ela foi andando até Carter que sorriu estendendo uma taça de vinho a ela.
– Tente ficar mais calma – ela tomou um grande gole – afinal, se você deixasse os organizadores fazerem seu trabalho, não estaria tendo dor de cabeça.
Ela olhou brava para ele.
– É meu casamento, ninguém vai organizá-lo a não ser eu – ela disse.
Carter sorriu levantando as mãos.
– Só disse que você não precisa passar por isso, se não quiser.
– Eu quero – ela passou a mão no cabelo dele.
– Então assim será, meu amor – ela sorriu o beijando rapidamente.
– Tenho que ir, te vejo daqui a pouco – ela disse e ele sorriu assentindo voltando a abrir seu livro.
– Príncipe Carter, precisamos acertar sua roupa.
Carter voltou a fechar o livro encerrando a taça de vinho com um gole.
– Vamos lá – ele se levantou.
A roupa de Carter não era nenhuma surpresa pra ninguém, era idêntica a que seu pai usou em seu casamento. Era semelhante a farda dos guardas, mas ao invés de vermelha era azul escura, uma faixa preta cruzava o peito, os botões eram dourados e vários detalhes na parte de cima como o contorno dos ombros entre outros.
Ele se sentia um militar com aquela roupa, oque era engraçado na visão dele.
– E então? – Sebastian, o estilista de sua mãe (que ela fez questão de que fizesse a roupa de Carter) perguntou com a fita métrica em volta do pescoço.
– Ficou ótimo, muito obrigado Sebastian.
O homem sorriu.
Quando Carter saiu indo para seu quarto finalmente parou para pensar, amanhã iria se casar.
Meu deus, amanhã iria se casar!
Parou de andar por uns segundos e sorriu... iria se casar com alguém que amava e que ele tinha absoluta certeza que o amava.
Voltou a andar contente e entrou em seu quarto ansioso para acordar todas as manhãs e ver aquela morena linda ao seu lado dormindo fazendo aquelas caretinhas lindas.
Colocou o livro em cima da mesa e quase pulou pra trás ao sentir suas mãozinhas tocarem sua cintura.
– Tudo pronto pra amanhã – a voz suave dela o fez sorrir.
– Ótimo – ele se virou pra ela.
– Na verdade faltam detalhes, mas deixei eles com a equipe porque... queria ficar com você hoje.
– Que linda –Carter brincou a abraçando.
– Sabe, eu deveria estar morrendo de vergonha, porque metade daquele povo que vai estar lá amanhã são pessoas que eu não conheço.
– Normal, também não conheço muitos deles.
– Ossos do ofício?
– Ossos do ofício – ele concordou – então está com vergonha?
– Um pouco – ela admitiu.
– Tenho que admitir que eu também – ele sorriu.
– Mesmo? Você parece tão calmo.
– É meu dever – ele sorriu fraco – pareço muitas coisas que não sou, calmo é uma delas.
Ela sorriu o abraçando pelo pescoço.
– Com fome?
Ela sorriu.
– E me diz quando não estou com fome?
Carter riu baixinho beijando a testa da menina.
– Porque não liga para o chefe Carlos e pede algo enquanto eu tomo um banho?
– Ok, alguma exigência príncipe Carter?
– Não senhora – ele sorriu – pode pedir qualquer coisa.
– Ok.
* * *
– Muito fraca – Tyler negou com a cabeça.
Alex o olhou erguendo a cabeça e jogou a bola de footbol em seu peito.
– Então joga sozinho, babaca.
Ela saiu e Tyler riu indo atrás dela.
– É sério – ele passou o braço pelos ombros dela – tenho dó do homem que terá que te aguentar todos os dias.
– Eu não sou uma bruxa, ok? – ela o olhou – eu sei ser delicada, e carinhosa, e fofa, e tudo oque for preciso.
– Sabe? Não parece.
– Isso tudo é ciúmes de mim? – ela sorriu abraçando o irmão sorrindo.
– Talvez um pouco, mas não é de completo isso.
– É oque então?
– Bem, você é minha irmã, mas eu acho você muito bonita.
– Igualmente, caro irmão – ela sorriu entrelaçando seu braço no dele.
– E, além disso, é princesa – ela assentiu – eu sei que esse medo não é só de minha parte, mas tenho medo que se apaixone pela pessoa errada.
– Defina pessoa errada.
– Um interesseiro por causa de seu título na Monarquia.
Alex olhou bem para o irmão.
– Acha que sou tão ingênua a ponto de não identificar um interesseiro?
– Não acho que seja ingênua, mas o amor é cego irmã – ele a analisou com os olhos – posso afirmar isso, porque eu faço tudo por Isabelle, é mais forte do que você acha e é impossível controlar.
– Então isso é um alerta?
– Exato, e se possível, me apresente ao garoto antes do papai e da mamãe, eu conseguirei ver detalhes com um olhar mais amplo.
– Ok – Alex deu de ombros.
– Promete?
– Prometo.
Eles voltaram a andar e Alex sorriu olhando para o irmão.
– Sabe, é adorável o jeito que você se preocupa comigo.
– Deveres de irmão mais velho, minha cara Alex.
– E quais são meus deveres como irmã mais nova?
– Aprontar para eu cuidar de você sempre, te dando broncas é claro, mas bem, faz parte.
– Ok, gostei de meu papel.
Os dois entraram no castelo e viram um vulto pequeno passar, e depois um vulto maior. Mais conhecidos como Joey e Charlie.
– Joey!
– Pai? – Tyler perguntou.
– Vocês dois, pelo amor de deus, peguem essa criança e deem esse remédio pra ele, eu tenho que ir trabalhar – Charlie deu um remédio na mão de Alex.
– Cadê a mamãe?
– Foi em um evento de uma escola, não entendi direito, mas enfim, façam isso por mim, por favor.
– Claro – disseram em uníssono.
– Obrigado – ele abraçou cada um com um braço e beijou a testa dos dois – amo vocês, até logo.
E assim saiu apressado com seu costumeiro uniforme azul escuro.
Os dois irmãos se olharam e Alex fez cara de matadora como se a seringa com um líquido meio esverdeado fosse uma arma.
– Você encurrala o pirralho e eu enfio isso goela a baixo.
– Fechado – Tyler sorriu.
Joey se escondeu, mas Tyler o achou, e assim que viu o irmão o pequeno saiu correndo feito um doido.
– Volta aqui moleque!
– Eu não quero essa coisa ruim!
– Mas tem que tomar!
– Não!
Joey tropeçou e Tyler apertou o passo conseguindo pegar o garotinho.
– Por favor Tyler, não! – ele se debateu.
– Ei, olha pra mim – ele se abaixou segurando os braços do menino o fazendo olhar para ele – eu sei que é ruim, mas é pra você não ficar doente, ou você prefere ficar doente, na sua cama o dia todo sem poder fazer nada e com um enjoo terrível?
Joey se calou.
– Vai tomar o remédio, direitinho?
– Mas eu...
– Depois eu te dou chocolate.
– Mesmo? – os olhos dele brilharam.
– Mesmo – Tyler sorriu enquanto Alex se aproximava – então vai tomar?
– Ta, mas eu quero aquele chocolate com amendoim e caramelo.
– Certo – Tyler pegou a seringa de Alex – Alex, vá na cozinha e pegue um chocolate com caramelo e amendoim pra esse rapazinho, e um copo d'água.
– Ta – Alex sorriu e saiu.
– Então vamos, abra a boca – Tyler pediu.
Joey hesitou, mas abriu a boca e Tyler espirrou o liquido lá dentro o qual o garotinho engoliu fazendo careta.
– Aqui – Alex chegou dando o copo de água ao menino que tomou em um gole.
– Viu? Não foi tão ruim assim – Tyler sorriu para o irmão.
– Chocolate – Joey estendeu os braços para Alex que entregou o chocolate a ele.
– Agora vá brincar – Tyler o despachou e Joey saiu feliz com seu chocolate.
Alex olhou para o irmão que suspirou meio cansado de correr atrás de Joey.
– Não, reclame, você era pior – ela deu dois tapinhas no ombro dele e saiu indo para seu quarto.
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