Primos
1 Capítulo 1
Fazia calor na noite de 15 de dezembro de 2016 em Curitiba. Lara, que tinha seus 16 anos, esperava pacientemente na fila para o embarque de seu avião para Nova York. Ela estava incrivelmente cansada, já que aquele havia sido seu último dia de aula, felizmente. Tirou seu celular do bolso de sua calça jeans preta para verificar o horário. 22:59.
Percebeu que havia uma notificação que não havia visto antes. Diego havia mandado uma mensagem, que ela não se deu o trabalho de ver. Pegou seu fone de ouvido e o conectou no celular, logo colocando o albúm "Electra Heart", de "Marina and The Diamonds" para tocar no aleatório. A fila, depois de alguns segundos, começou a andar.
Quando começou a caminhar em direção ao avião, pensava em seus pais. Sua mãe havia morrido quando Lara nascera, e seu pai se casara novamente quando ela já havia completado 2 anos. Ela não poderia reclamar de sua madrasta, a mulher era sempre muito gentil com Lara, as duas tinham uma relação de "mãe e filha".
Enfim, por algum motivo, nessas férias de verão, eles haviam resolvido mandá-la para visitar a família por parte de pai de Lara, que no caso vivia em Nova York. Pelo o que sabia, eles eram bastante ricos, e viviam em um apartamento de luxo lá. Sabia também, que haviam 2 irmãos, um de 6 e outro de 17, e apenas 1 irmã, que tinha 5 anos. Ela se admirou quando o pai contou que ela moraria com eles por 1 mês. Claro que não estava reclamando, adorava a ideia de ir para Nova York, mas estranhou a escolha dele dela ir morar com pessoas que mal conhecia.
Respirou fundo e adentrou o avião, com suas mãos apertando as alças da sua mochila fortemente. Olhou para sua passagem, para ver onde sentaria. Foi até lá pensando em como a noite seria longa.
Ela ficou observando a janela do avião até ele decolar. Ela faria uma parada em São Paulo, esperaria lá por uma hora e então, pegaria um outro avião que a levaria para Nova York.
Deu uma cochilada e quando acordou, percebeu que o avião já havia pousado, e poucas pessoas ainda não haviam saído. Se levantou em um pulo, colocou sua mochila em seus ombros e foi até a saída correndo. Saiu dando uma acenada para a aeromoça, que repetiu o ato.
Ela correra até o Starbucks para pegar um frappuccino e um cookie para comer, pois estava faminta. Comera o cookie enquanto via seu celular, já que o aeroporto fornecia meia hora de internet grátis. Aproveitou para ler a mensagem que Diego havia lhe mandado.
"boa viagem" Seu coração ficou apertado ao ler a mensagem. Diego era o seu melhor amigo, porém, ela gostava dele mais do que como um simples amigo e havia contado a ele naquela mesma manhã. Ele, então, apenas a abraçou e disse "obrigado". Tipo, quem diz "obrigado" a um "eu te amo"? Ela tinha chorado? Sim, muito.
Ela lembrou então de ver ele beijando outras garotas, e o seu coração se apertou um pouco mais. Uma lágrima ameaçava escorrer, mas ela a deteve rapidamente. Se ele soubesse o quanto doía gostar dele...
Ela respirou fundo e levou um susto ao perceber que tinha que estar na fila de embarque em 10 minutos. Se levantou em um pulo, guardou o seu celular em seu bolso, pegou a mochila e o frappuccino e saiu correndo desesperadamente para chegar a tempo.
Depois de uma longa meia hora, Lara já estava dentro do avião, e para a sua felicidade, as duas poltronas ao seu lado estavam vagas. Ela se sentia a garota mais sortuda daquele avião por poder deitar tranquilamente e dormir ali, e agradecia por ser baixinha. Logo, a comandante autorizou que os cintos de segurança fossem soltos. Levantou os apoios de braço e se deitou nas poltronas.
Dormiu por cerca de 8 horas e acordou com a luz do sol, que entrava pela mini-janela do avião, no caso, a que ela tinha esquecido de tampar antes de ir dormir. Aproveitou que ainda havia cerca de uma hora restante para que pudesse se arrumar. Foi até a cabine do banheiro carregando sua mochila para se trocar. Colocou uma calça térmica por baixo de sua calça jeans e tirou a sua camiseta de manga curta para colocar uma blusa térmica e um suéter. Tirou sua sapatilha e colocou uma bota de cano alto.
Lavou seu rosto com água gelada e foi se sentar novamente na poltrona. Pegou de sua bolsa um espelho e o seu necessaire de maquiagem. Se surpreendeu com o tamanho de suas olheiras, e decidiu aplicar um pouco de corretivo. Colocou também um pouco de rímel e gloss. Já havia deixado um blazer, uma touca e um cachecol ao seu lado para colocar quando o avião pousasse. Decidiu, então, comer umas balas que havia colocado em sua bolsa enquanto desenhava.
Antes que se desse conta, desenhava Diego em seu caderno de desenhos. Ficou com raiva e arrancou a folha em que seu rosto fora desenhado, amassando-a e a jogando dentro de sua mochila. Não havia jogado fora pois, mesmo que não quisesse admitir, voltaria a olhar aquele desenho mais tarde.
Resolveu tentar dormir mais um pouco, e deu certo. Ela não havia sonhado, ou pelo menos não se lembrava de seu sonho. Acordou quando o avião já havia pousado, e as pessoas começavam a sair. Colocou as roupas a mais que havia separado e começou a se mover para fora. Dessa vez, deu tchau a as aeromoças, e foi se embora.
Ela estava ligeiramente perdida naquele aeroporto. Olhava em volta, tentando procurar alguma placa que indicasse onde deveria pegar a sua bagagem e onde ficava o controle de fronteira e visto.
***
Finalmente, pegou sua bagagem e foi procurar sua tia. Vagou por ali por cerca de 5 minutos e não a encontrou. Ela ficou um pouco desesperada quando não a encontrou. Pegou seu celular e ligou para ela a cobrar, pois seus créditos haviam acabado.
— Hello? — A voz dela parecia preocupada.
— Oi tia, é a Lara. Onde você está?
— Ah, oi querida! — Ela pareceu mais aliviada- Estou em casa, por quê?
— Uhm, eu estou no aeroporto. — O desespero aumentou no peito de Lara. E se a tia tivesse esquecido que ela chegava naquele dia?
— Mas você não chegava ama... – A ligação havia caído antes que ela pudesse terminar a frase. Lara percebeu que a bateria de seu celular havia acabado.
"Droga! Preciso encontrar uma tomada para carregar meu celular!" pensou ela, olhando em volta. Rapidamente, encontrou uma e foi conectar seu celular nela.
Teve de aguardar alguns minutos para que o celular ligasse, e quando realmente se ligou, viu que sua tia havia lhe mandado uma mensagem: "Lara, estou chegando aí daqui uma hora... Me espere em frente daquele café que fica pertinho da entrada, está bem? P.S.: Desculpe por esquecer que você chegava hoje".
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