Primos

2 Capítulo 2


Lara soltou um suspiro e se dirigiu para frente do café, assim como sua tia havia lhe pedido. Aproveitou para pedir um café para beber, já que estava quase morrendo de sono, e foi se sentar em uma das poucas mesas que ainda não haviam sido ocupadas.

Ela se assustou ao constatar o tamanho do copo de café que havia recebido, mas mesmo assim, o tomou inteiro o mais rápido que pode enquanto mexia em seu celular, que naquele momento estava carregando. Resolveu tirar uma foto e colocar em sua história do Snapchat para "se gabar um pouquinho". Então, viu a sua lista de compras e de lugares para visitar e suspirou.

Naquele dia, iria, no mínimo, ir visitar o Central Park ou o Empire State Building. Lara resolveu então, começar a ler um livro que havia comprado em uma livraria no aeroporto de São Paulo. Ficou entretida ali por vários minutos, até que sentiu um dedo cutucando suas costas. Levou um susto e virou para encarar a pessoa que havia resolvido atrapalhar sua leitura.

De cara o reconheceu: Filipe, seu primo de primeiro grau estava a encarando com a maior cara de tédio.

— Lara, certo? — Ele perguntou, e sua voz expressava ainda mais sua indiferença.

— A- Aham — Ela gaguejou. Estava surpresa com a beleza daquele deus grego que estava à sua frente. Claro, ela já tinha o stalkeado pelas redes sociais, mas ele parecia muito mais atraente pessoalmente .- Filipe?

— Isso aí. Vamos, minha mãe está nos esperando no carro.- Ele disse, com uma enorme impaciência, pegando as malas de Lara que estavam em uma espécie de carrinho e colocando suas mãos em volta do pulso dela, mas não com força, era quase um toque carinhoso. Eles andaram até a entrada, e nessa caminhada Lara observou os detalhes de tudo que ela via por ali: as pessoas, o piso, as costas de seu primo...

Eles correram até um Mini Cooper Preto, e lá encontraram Daiane, tia de Lara. Ela era loira, com os cabelos loiríssimos, olhos azuis-escuros e tinha seus 46 anos. Assim que os dois entraram no carro, as duas começaram a papear enquanto o único menino presente se concentrava em seu celular.

***

Depois de praticamente uma hora, eles haviam chegado a Manhattan, bairro que Lara estaria vivendo pelos próximos 2 meses. Ela ficava completamente maravilhada com tudo que via, se sentia como se estivesse em um filme.

O carro logo parou, e ela se deparou com um apartamento extremamente luxuoso, todo repleto de janelas. Lara estava se sentindo muito feliz e alegre e não compreendia como seus tios eram tão ricos. Mas então, lembrou-se que sua tia era presidente de uma empresa bem sucedida, e seu tio, médico-cirurgião, e tudo se encaixou em sua mente.

Ela se sentiu ainda mais animada quando percebeu que o Central Park se localizava logo à frente do apartamento. Ela desceu do carro e pegou suas malas que estavam no porta-malas, mas logo foi impedida por Filipe, que pegou elas de suas delicadas mãos quase no mesmo instante em que elas haviam sido colocadas no chão, sem olhar para ela ou alguma coisa do tipo.

Ela aproveitou que não tinha que carregar nada e resolveu dar mais uma observada na vizinhança. Definitivamente, lá era muito diferente do Brasil. Foi apenas quando ela tropeçou na escada e quase caiu de boca no chão que resolveu prestar atenção em onde andava, e não no parque.

Entrou no elevador somente com Filipe, já que sua tia estava lá fora conversando com uma mulher que provavelmente era sua amiga.

— Sabe, se você parasse para olhar por onde anda, talvez não caia da próxima vez. — Afirmou ele, com extrema ironia na voz.

— Você tem olhos nas costas ou algo do tipo? — Lara perguntou, e ele revirou os olhos, ainda sem olhar para ela.

"Plim". O elevador chegou ao andar do apartamento, que no caso era o 54º. As portas se abriram e ela ficou maravilhada com o apartamento no primeiro instante que colocou seus olhos nele. Logo na entrada, havia um sofá cinza em formato de "L", com várias almofadas azul acinzentadas, duas poltronas da mesma cor das almofadas, um tapete daqueles fofinhos, uma mesa de centro de vidro e uma TV de tela plana incrivelmente enorme. Atrás da sala de estar, havia uma escada meio que no estilo caracol, e, aparentemente, aquele apartamento era um triplex. Percebeu ainda que todas as paredes eram repletas de janelas, que mostravam uma linda e ampla vista da cidade.

Olhando à sua esquerda, viu a cozinha, que era bastante moderna. Tinha um longo e largo balcão branco, uma geladeira e um fogão que aparentavam custar 3.000 dólares cada um. Logo à frente, estava a sala de jantar, que incluía uma mesa de vidro e muitas poltronas.

— Tente não babar.- Filipe arqueou as sobrancelhas, olhando para Lara, que estava com a boca aberta.- Venha, vou te mostrar o seu quarto.

Ela apenas concordou com a cabeça e o seguiu. Seu quarto estava localizado no segundo andar, ao lado do quarto de seu amado primo incrivelmente irônico e lindo.

Ele abriu a porta para ela, e ela não conseguia compreender como o quarto era tão... perfeito. Primeiro que ele era maior do que a sala de estar do andar de baixo, e depois que tinha uma decoração bem no estilo dela. Ela largou suas malas no chão e ficou observando- o por alguns segundos.

Havia uma cama de casal encostada na parede (que era coberta por janelas), com um édredon com estampa de mandala, almofadas espalhadas, um criado-mudo branco, que tinha em cima dele uma luminária de mesma cor.

Um tapete felpudo ocupava praticamente todo o quarto, e sob ele, estava uma escrivaninha preta, uma poltrona azul, e em outro canto do quarto havia uma cadeira daquelas suspensas no ar.

— Seja feliz- Filipe disse e rapidamente fechou a porta.

A primeira coisa que ela fez foi se jogar no tapete e ficar rolando ali por alguns minutos, até que alguém abriu a porta. Ela levou um susto e se sentou o mais rápido que pôde.

— Desculpe interromper a sua alegria de rolar pelo tapete, mas acho que você deveria conhecer Lua.

Assim que seu priminho disse isso, uma adorável Samoieda adentrou o quarto, saltitando a cada passo que dava. Ela se aproximou de Lara com um sorriso na cara, e logo lambeu a cara inteira dela.

— Que amor!- Falou ela, gargalhando.

Ela tinha percebido um sorriso no rosto de Filipe, e comemorou internamente ao ver que havia conseguido fazer com que ele demonstrasse alguma emoção além de puro sarcasmo.

Ele se sentou do lado dela no tapete, acariciando a cabeça da Lua.

— Você quer descansar ou dar uma volta pelo Central Park?

— Dar uma volta pelo Central Park, obviamente!

Ele se levantou e ofereceu sua mão à Lara, que agradeceu, e ao tentar alcançá-la, caiu, pois Filipe resolveu tirá-la bem na hora. Ele gargalhou e disse:

— Te espero lá em baixo.

— Chato do caramba.- Reclamou Lara, se levantando sozinha e correndo para chegar até o andar de baixo.