Ele retornara a sua casa no dia seguinte. De início não queria falar nada a Shayen. Entrara sorrateiramente, deixando suas coisas em seu dormitório. Até que o mais velho aparecera no arco da porta. Elôrem levara um susto.

- Achei que estivesse no laboratório.

- Vim pra casa mais cedo. – Dissera, observando-o atentamente. Elôrem estava ficando sem graça com aquela abordagem. As vezes sentia que havia feito algo errado.

- Ei...? Por que está me olhando... assim? – Indagara sem encarar Shayen, que sentara-se à cama ao seu lado.

- E então? Como se sente? – Perguntara de forma curiosa.

- Eu estou bem... – Shayen o olhara minuciosamente.

- Sua energia está diferente. Está mais equilibrada, suave e tranquila.

- Ela não era assim antes?

- Não... nos últimos dias, estava conturbada. Eu sei que uma união com o complemento resulta em equilíbrio energético. Para nós, vocês são novidade. Ninguém mais faz sexo aqui, e principalmente energias tão fortes e primordiais como vocês dois. – Elôrem baixara o rosto, realmente ele sabia. – Não precisa se envergonhar. É algo lindo. Essa união é sagrada, pura e amorosa. Para nós é rara e única.

- Acha que posso engravidar? – Shayen erguera uma sobrancelha.

- Vamos realizar exames em algumas semanas e ver como está seu corpo. Mas não se preocupe. Se acontecer, é ainda mais belo. – Ele dissera, sorrindo ao rapaz, apertando suavemente um de seus ombros.


Ele sentira-se diferente após tudo que passara com Julius. Talvez sua ligação tenha se intensificado, talvez a sensação de pertencimento tenha ficado mais forte; estando com ele, ao misturar suas energias, fora como vivenciar a unidade uma vez mais. Ao lembrar-se de tudo, seu corpo reagira imediatamente, sentindo-se arrepiar, o coração disparar e seu estômago revirar de uma forma boa, nervosismo? Talvez fosse a palavra. Ele se pegara sorrindo bobamente, revivendo tudo na memória. Levara uma das mãos ao ventre, e se? Mas logo tratara de espantar a ideia da mente.


Elôrem recebera uma convocação naquela tarde. Julius não especificara o que era, mas o chamara para comparecer na base. E um frio na barriga depois de tudo, se apoderara.

Ele caminhara lentamente naquela tarde quente. Ao longe, podia ver Julius e toda sua equipe reunida. Elôrem sentira seu coração disparar. Quando os membros o viram, automaticamente ficaram em formação e quando ele estava perto o suficiente, todos ajustaram a postura e bateram continência a ele. Elôrem não entendera, pensando ser brincadeira, olhara para Julius. Até que Goel se aproximara.

- Me perdoe, perdoe a todos nós por pensar coisas que não corresponde a quem você é de verdade.

- Nós devemos a vida a você. – Holp disse.

- “Muito obrigado!” – Disseram em uníssono. Elôrem não sabia o que pensar. Aquilo fora uma surpresa, mais uma vez ele olhara para Julius.

- Não foi ideia minha! Eles me pediram para te convocar hoje aqui. – O mais velho se prontificara em responder.

- Devemos desculpas por duvidar de você. – Goel dissera mais uma vez.

- Vocês... não me devem nada. – Ele dissera num sorriso sincero.

A tarde seguira com todos os membros reunidos na base, comemorando a recuperação de Elôrem e por não ter havido nenhuma baixa durante a missão.

- Ahh, eu reparei que você tem um volume aí no meio, general! – Um dos colegas brincara.

- Na verdade, até Elôrem tem! – Goel dissera, e os dois, Elôrem e Julius, ficaram sem jeito. Ok, eles entendiam que para os phisianos aquilo deveria ser novidade.

- O que podemos fazer se viemos diferente? – Julius brincara, tentando quebrar o clima. Todos riram dele e Elôrem estava corado. Alguns notaram isso.

- Ouvimos dizer que fragmentos primordiais são peculiares. E que você inclusive é uma quimera, com os dois gêneros no corpo. É isso mesmo? Talvez por isso aquele Qikrum se interessou por você! – O mais jovem do grupo, Tanrel, indagara a Elôrem. Todos se calaram no mesmo instante, notando que uma linha delicada fora cruzada.

- Isso não é coisa que se pergunte, Tanrel. – Julius começara. – Aquele Qikrum cometeu uma violação e ser violado não é bom, concorda? Muito menos ser lembrado do que aconteceu. Imagine se fosse você ali. Iria gostar de todos aqui comentando como se fosse um assunto trivial? – Dissera. Todos baixaram a face.

- Me perdoe, general. Me perdoe, Elôrem. Não quis ser descortês. Só não sabemos bem como lidar com você... – Ele fitara Elôrem.

- Porque não sabem? – Insistiu Julius, fazendo Tanrel perder o jeito.

- Bom, ele... É diferente de nós...

- Diferente? – Elôrem indagou. Queria mesmo ouvir o que tinham a dizer.

- Sim, você é um garoto, mas ao mesmo tempo não é. A maioria de nós aqui somos masculinos. As phisianas tem que ser tratadas com reverência e respeito. Os phisianos também, mas é diferente, as brincadeiras, as conversas... e com você não é bem assim. Entende? – Julius notara a expressão entristecida que tomara a face de Elôrem. Ele só queria ser aceito, e isso estava sendo um desafio.

- Entendi... – Dissera, permanecendo em silêncio nos minutos que se seguiram. A conversa mudou de assunto e todos continuaram o papo, mas para Elôrem tudo havia mudado ali.

- Eu tenho que ir. Agradeço a gentileza de todos vocês. E peço perdão por lhes deixar pouco à vontade em minha presença. Realmente, não era minha intenção desde o início. – Ele se levantara. A tristeza já havia se apoderado de seu coração.

- Ahh... Eu não... – Tanrel tentara se explicar, percebendo a indireta, mas fora parado por Julius.

- Eu te acompanho, meu amor. – Todos ali ficaram em silêncio. Eles sabiam que eram complementos, mas nunca ouviram Julius o chamar assim, o que pesara ainda mais o clima. A roda se desfez e todos observaram Julius sair com Elôrem de suas presenças.

- Você piorou as coisas! – Holp dissera a Tanrel, lhe dando um tapa no ombro.

- Ai! Mas eu estou errado? O cara é muito estranho! Todos sabem e inclusive vocês já comentaram isso!

- É, mas foi antes de ele salvar a vida de todos nós aqui! Idiota! – Goel dissera.


***


Julius acompanhara Elôrem até em casa. Ficaram em silêncio durante o curto percurso.

- Eles não são ruins... Mas não concordo com o que disseram, você sabe disso, não é?

- Eu sei. Obrigado por intervir. – Ele olhara Julius e o mesmo reparara no quão cansados estavam seus olhos. Embora fossem gêmeos, ele por vezes sentia-se anos luz mais jovem que aquela grandiosa energia diante de si. Ele apanhara as mãos de Elôrem nas suas, beijando seus dedos de forma carinhosa. Elôrem sorrira tristemente. – Obrigado. Eu... tenho que descansar.

- Tudo bem. – Julius se aproximara lhe dando um selinho e Elôrem logo entrara sem olhar para trás.


Shayen estranhara o silêncio ao chegar em casa. Adentrara sorrateiramente e então vira Elôrem sentado, olhando a janela tristemente. Havia uma mala pronta ao seu lado.

- Elôrem? O que é isso? – Indagara-o.

- Pai, eu vou voltar para Mirtop.

- O quê?

- Eu não quero mais ficar aqui.

- Mas e seu trabalho de resgatista?

- Eu não sou bem aceito. Eu não quero continuar sentindo isso. Eu preciso procurar o meu lugar. Onde eu possa ser quem sou sem julgamentos. Entende?

- O que aconteceu? – Elôrem respirara fundo e então lhe contara tudo.

- Mas... e Julius?

- Ele tem a vida dele, é respeitado aqui. Não tenho o direito de intervir, mas eu preciso buscar meu próprio caminho, onde eu me sinta bem. Eu sempre amarei Julius. Se ele quiser, poderá vir me visitar. – Shayen entendia Elôrem e tudo que ele sentia. Se era esse seu desejo, voltaria com ele para onde se sentisse melhor.


Julius recebera uma mensagem de Elôrem logo pela manhã do outro dia, e fora até sua casa. Elôrem estava sentado no gramado, bem na frente de sua moradia.

- O que aconteceu? – Indagara, vendo o outro usar um uniforme acinzentado, diferente do azul que havia ganho.

- Oi... Eu quero conversar com você. – Julius sentara-se ao seu lado. – Julius, eu vou voltar pra casa. – Ele o olhara surpreso.

- Mas...?

- Eu não posso continuar aqui. –Elôrem esticara a mão, abrindo em sua palma, onde brilhava um broche redondo. Ele lhe entregara a insígnia que recebera meses atrás. – Eu te agradeço, por tudo. Você me ajudou quando ninguém mais queria ajudar. Esteve comigo e me fez sentir melhor em todos os sentidos. – Ele notara lágrimas se formarem nos olhos verdes brilhantes do mais velho.

- Mas não foi o suficiente, você está indo embora! – Elôrem sorrira docemente, acariciando os cabelos dourados e longos do outro.

- Eu preciso. Eu não sou bem-vindo. E eu preciso encontrar o meu lugar. Você viu, não estou inventando coisas. – Julius baixara a face. Infelizmente não tinha como contestar um fato. Ele baixara o rosto e as lágrimas desceram, contornando suas bochechas. Ele empurrara a mão de Elôrem.

- Fique com você. Foi uma nomeação por mérito. Você é um resgatista aonde quer que esteja. – Elôrem sorrira docemente, abraçando a insígnia contra o peito.

- Obrigado! – Dissera, vendo as lágrimas descerem por seus olhos sem pausa. – Não chore, por favor. Você pode vir me visitar quando quiser, não é um adeus. Eu estarei te esperando.

- Não é a mesma coisa... – Elôrem enxugara suas lágrimas.

- Só alguns quilômetros de distância. É pertinho! E ainda temos que repetir a dose daquilo! – Julius gargalhara mesmo em lágrimas. Elôrem tinha esse poder. Ele puxara o rapaz para si, o abraçando fortemente contra seu peito.

- Você consegue ser mais forte do que qualquer um que já conheci. Obrigado por me dar uma chance de estar por perto. – Ele dizia, enquanto beijava os cabelos brancos e com cheiro de frutas. Elôrem sorrira, sentindo as lágrimas rolarem finalmente, aspirando o cheio almíscar amadeirado do outro. Mesmo a distância jamais seria capaz de separá-los, e ambos sabiam disso.


Elôrem partira naquela manhã. Julius o acompanhara, vendo-o acenar antes de embarcar, na plataforma próxima ao laboratório central da cidade. Ele decidira e logo se fora, sem mais. Elôrem podia ser imprevisível às vezes. Holp olhara Julius dar seu adeus antes da nave partir, sem deixar rastros.

- Como ele mesmo disse, você pode ir lá visitá-lo. – Seu amigo dissera. Mas algo chamara atenção; ele o vira chorar, pela primeira vez em sua vida, vira seu general tão respeitado e admirado por todos, chorar. Não que fosse anormal.

- Eu não vou conseguir ficar longe dele.

- Mas você é nosso general. Tem sua equipe aqui.

- Minha equipe não pensou em mim quando resolveu atacar Elôrem! Minha equipe não considerou como ele se sentiria, não considerou como eu me sentiria! Porque devo continuar aqui? – Holp baixara os olhos.

- Não vamos encontrar ninguém tão bom quanto você por aqui.

- Ninguém nasceu grudado comigo, aliás! A única pessoa que de fato nasceu grudada comigo, escolheu partir pra não me fazer passar vergonha.

- O quê?

- Exatamente. Foi por isso que ele se foi. Porque não queria me fazer sentir mal por ter alguém que não aprovam, que é inadequado. É assim que ele se sente! E isso me machuca de uma forma que ninguém seria capaz de entender! Elôrem é o garoto mais incrível que eu já conheci e não consigo entender porque não o aprovam! – Holp via no desabafo, toda a tristeza que Julius sentia por tudo que acontecia ao seu gêmeo. Ele puxara seu amigo para um abraço, tendo o outro desabando em lágrimas.

- Desculpe. É tudo culpa nossa. Vocês dois são incríveis! Fomos salvos duas vezes por Elôrem. Nos perdoe, meu amigo.


Naquela noite, Julius não conseguira dormir. Rolara em sua cama e num dado momento procurara o cheiro de Elôrem pelos lençóis. Ele se levantara, caminhando pela pequena casa, até alcançar a área externa. A noite estrelada estava magnífica. Ele se deitara na grama, pensando em Elôrem e no quanto sentia sua falta. Sem que notasse, o sono o alcançara, e ele adormecera, banhado pela noite, cuidado pelas estrelas.

- Ei... você é lindo dormindo, sabia? – Ele escutara a voz de Elôrem e abrira os olhos imediatamente. Vira a figura do rapaz em estado luminoso e translúcido.

- O que está fazendo aqui? É você mesmo? – Elôrem sorrira.

- Estava com saudades e vim fazer uma visita. – Julius o abraçara fortemente mas não sentira o cheiro habitual de frutas em seus cabelos. – Você está dormindo agora.

- Estou? – Ele olhara em volta e vira seu corpo adormecido na grama.

- Sim, estamos em um estado em que podemos viajar grandes distâncias físicas, em menos de segundos. Porque o tempo e o espaço são uma mera ilusão. Você sabia disso? – Ele piscara algumas vezes tentando assimilar as coisas.

- Não... eu não sabia. – Dissera sorrindo. – Eu estou feliz que você esteja aqui, comigo.

- Eu também estou. Na verdade, eu senti sua dor e por isso vim te ver. Eu não quero te ver triste. Você sou eu. Não quero que estejamos tristes. Somos parte um do outro. – Ele esticara as mãos e as pusera em cada lado do rosto de Julius. – Promete que vai melhorar logo? – Julius sorrira.

- Não posso te prometer isso...

- Por que não? – Ele olhara Elôrem profundamente.

- Porque eu amo você e não quero estar longe. – Elôrem sorrira.

- Eu também te amo. – Dissera.

- Ei, Julius! Acorde! – Ele escutara uma terceira voz que o chamava de forma urgente. Até sentir alguém o chacoalhar fortemente. Julius abrira os olhos. Ainda estava no gramado, mas ao contrário do sonho, já estava de dia, e Holp sentado ao lado. – Meu irmão, você dormiu aqui fora? – Julius procurara por Elôrem, mas nada, nenhum rastro dele podia ser notado. Ele esfregara o rosto com as duas mãos.

- Dormi sim...

- Está se sentindo bem? – Ele olhara para seu amigo.

- Sim... Eu preciso ir a plataforma. – Dissera, se levantando. Estava um pouco tonto, cambaleando alguns passos, sendo amparado por Holp.

- Descanse hoje, amanhã você vai.

- Não. – Ele entrara em sua moradia e Holp não gostara muito de ver como seu amigo estava.

Julius mirara sua equipe naquela manhã. Todos conversavam e sorriam, mas ele não conseguia estar feliz. Eles partiram em missão e ele os convocara para fazer um mapeamento de um planeta abandonado. Nada para ele era mais a mesma coisa. Tudo ali estava sem graça, sem cor. Nem mesmo as missões que tanto gostava, nada parecia fazer real sentido. Seus colegas notaram sua mudança, que permanecera durante toda aquela semana. Até que em uma manhã, Julius não comparecera.

- Alguém sabe onde ele está?

- Provavelmente em casa. Vou até lá. – Holp dissera, e mais uma vez fora em busca de seu amigo. Só esperava não encontrá-lo adormecido no gramado novamente.


A casa estava escura e silenciosa. Ele chamara por Julius, mas o mesmo não respondera. Adentrara no dormitório e ele estava encolhido em meio aos lençóis.

- Julius! – O mesmo ardia em febre.

- E...lôrem? – Ele tentara focar mas não conseguia identificar quem estava ali.

- Meu amigo, vamos sair daqui.


Ranael o havia posto em soro, enquanto jogava energia esverdeada em seu chakra cardíaco. Era claro para ele que a dor era emocional. Ele mirara seu protegido por um tempo incerto, se lembrando do quanto aquele phisiano fora uma criança tranquila e quieta. Julius não conversava com quase ninguém, a não ser Shayen e Ranael, que ficara encarregado de cuidá-lo.

- Pai? – Ele abrira os olhos lentamente, tudo branco, ele logo soubera que estava no laboratório. – O que estou fazendo aqui? – Ranael lhe sorrira.

- Em recuperação. Holp te encontrou delirando e com febre em seu quarto. Porque não pediu ajuda? – Ele baixara a face. – Sabe, isso me lembrou quando você chegou aqui. Demorou muito tempo, cerca de meses, até que você pudesse falar e se comunicar conosco. De início parecia perdido, confuso, triste. Passava horas admirando o céu, como se esperasse alguma coisa. Como se aguardasse com paciência a chegada de algo... de alguém. – Julius o olhara. Os olhos vermelhos e inchados. Ranael acariciara seu belo rosto. – Elôrem não disse adeus, você sabe. Ele foi procurar o lugar dele. Só isso. Não quer dizer que não o ame, ou que não se importe. Mas às vezes essa dor de não pertencer dói mais que qualquer coisa, a dor da rejeição, meu filho. Você nunca sentiu isso. Sempre foi bem aceito. Todos sempre amaram você. Por sua luz, por sua alta vibração, imponência e soberania naturais de você. – Julius nada dizia, respirara profundamente. Realmente, nunca soubera dizer o que era ser rejeitado.

- Ele é alegre, espontâneo. Porque não o aceitam como me aceitaram?

- Por que ele é diferente. De todos aqui. É falante, agitado, mas carrega consigo um núcleo forte e uma sabedoria que poucos de nós entendemos, e que alguns não aceitam bem. Ele traz à superfície as sombras de cada um, e que nem todos estão prontos para enfrentar. Por mais gêmeos que sejam, a diferença entre os dois é clara. E você sabe bem disso.

- Eu não queria que isso acontecesse, ele passar por isso tudo. Não merecia.

- Mas faz parte dos desafios de uma vida encarnada. E ele sabe disso.

- Porque dói tanto? Porque dói tanto essa separação? Essa distância? Eu o conheço há poucos meses, mas é como se o conhecesse a vida toda.

- Mas você conhece. Tecnicamente convivem e coexistem há tantos milênios que não conseguiríamos contar. Agora que o reencontrou, não quer se separar. Isso é perfeitamente normal.

- Ele não parece sofrer tanto quanto eu.

- Não vá por esse lado. Esse fato só mostra o quanto ele é mais maduro que você e o quanto você está agindo na dependência. É algo para você refletir. Ele não iria querer vê-lo definhar. Na verdade, ele precisa de alguém forte e que saiba separar as coisas. Aguentar a barra quando um não dá conta. Ele precisa do seu apoio, não do seu apego. – Fora como levar um tapa. De fato, Elôrem era sim mais maduro e Julius sabia deste fato. – Agora que se conhecem, precisam se apoiar. Vá visitá-lo sim, mas não mude sua vida nem quem você é por dependência. O amor real, acolhe, apoia, vibra. Caminha junto, não atrás e muito menos na frente. É lado a lado.

- Obrigado, pai. – Agradecera, tendo tudo que foi dito, reverberando em sua mente. Ranael tinha razão. Elôrem precisava de um parceiro forte e não de alguém que cai no primeiro obstáculo. Ele precisava se tornar esse parceiro. E começaria a trabalhar em si mesmo a partir daquele exato momento, e não tornaria a vê-lo enquanto não estivesse realmente pronto.

Notas finais
Espero que tenham gostado... 👀