Os sapatinhos estavam sujos, por mais que Konoha fosse limpa aquele não eram sapatos para andar em ladrilhos ou ruas. Obito respirou fundo com toda a impaciência dela, isso era algo que não tinha mudado e sem esperar mais a travou pelo quadril pegando-a nos braços e atraindo atenção.

— O que você…

E assim sumiram mais uma vez.


Quando reapareceram, estavam na varanda da casa Sarutobi. Dessa vez, Naomy ainda estava no colo dele, os braços instintivamente apoiados nos ombros largos que fingia ignorar.

Ela olhou em volta e percebeu os olhares. Membros do clã. Empregadas. Jovens aprendizes.

— Obito… — ela olhou para os lados percebendo os olhares das pessoas de seu clã. — Me coloca no chão, as empregadas estão olhando. — A vergonha a consumia, era muito difícil lidar com aquele clã.

Em vez de obedecer, o Uchiha voltou a caminhar só que dessa vez para dentro da casa, fazendo o mesmo caminho que gravou para o escritório.

— Porque o Hiruzen não está aqui ele não tinha se aposentado?

Naomy percebeu que ele se demorara de propósito a colocá-la no chão, não eram mais adolescentes para terem aquele tipo de atitude, mas sabia que ele não hesitaria em sumir com ela novamente se sentisse que não conseguiriam conversar direito, seno assim se deu por vencida, mesmo que o coração estivesse a ponto de pular para fora do peito e a cabeça começasse a doer por estar nos braços dele, sentindo aquele perfume familiar por tanto tempo.

— Meu tio se aposentou do cargo de Hokage. Ele tinha poder para mudar muita coisa na vila, mas para alterar as estruturas do clã precisaria assumir a liderança interna. E convenhamos… — ela respirou fundo — Hiruzen sempre detestou lidar com a política do clã. Preferiu permanecer apenas como líder de Konoha.

Fez uma pausa.

— Agora quer fazer o favor de me por no chão? — Obito apenas a apertou mais e ela sentiu o rosto esquentar.

Mas que tipo de ideia frívola era aquela? Naomy se perdeu no cheiro dele e nos pensamentos e o Uchiha sorriu arrogante como se soubesse exatamente o que passava na mente dela

— Seus sapatos…

— Ah claro… meus sapatos… — Foi tudo o que ela disse antes dele continuar caminhando pelos corredores e observar as empregadas abrirem a boca e desviarem o olhar. Achava ridículo o sistema daquele clã parecia tão ruim quanto o dos Hyüga. Ela desviou o olhar para a uma das jovens do clã e sorriu: — Poderia me dizer onde meu pai está por favor?

— Claro senhorita, ele não saiu do escritório depois da senhorita.

— Que engessado. — Obito sussurrou e sentiu um beliscão na costela que o fez conter um leve arfar divertido.

— Obrigado Hiraki pode avisar a Hanna que ela deve conduzir o chá até que eu volte? — Perguntou. Obito achou uma graça o fato dela pedir em vez de ordenar, afinal ela era a filha do atual líder do clã.

— Claro, com licença. — Antes de sair a jovem olhou de ciam abaixo para o Uchiha e Obito para assustá-la ativou o sharigan e ela correu.

— Deixa de ser infantil! — ele deu de ombros antes de abrir a porta do escritório do pai dela sem anunciar nada, o olhar de Ichi foi de um para o outro ele ficou mudo e sério imediatamente.

— Se você machucou a minha filha…

— Ele não fez isso papai. Eu decidi que…

— Será minha noiva. — Obito se meteu na conversa deixando claro que tratariam o assunto seriamente e ela precisou se segurar para não enfiar uma kunai na costela dele.

Ichi levantou-se devagar os encarando incrédulo pela cena.

— Coloque minha filha no chão.

Dessa vez, Obito obedeceu.

Naomy ficou de pé ao lado dele, a postura ereta e expressão controlada. Por dentro, queria matar o Uchiha, já o patriarca cruzou os braços.

— Explique.

Naomy tomou a frente e encarou o Uchiha seriamente.

— Se me interromper novamente eu revogo o que eu disse e você que se dane! — O moreno ergueu as mãos em rendição enquanto ela desamassava o vestido.

— Conversei com o Obito a sós como disse que faria e eu quero retomar com o nosso noivado. — As palavras deixaram o pai mudo, de repente Ichi se sentou e abriu a gaveta, tirou de lá o contrato que estava muito bem guardado, o pergaminho continha selos sanguíneos, depois pegou um frasco de remédio e tomou dois comprimidos seguidos por água.

— Papai o senhor está bem?

Ele respirou fundo

— Isso vai depender de vocês. Eu já estou velho demais para esses chiliques e rompantes adolescentes, preciso de estabilidade mesmo que seja falsa, isso vai calar a boca do clã e trazer a maldita paz que sua mãe anda precisando. Então se vão levar isso a sério será do meu jeito.

Naomy engoliu a saliva com dificuldade antes de olhar para o líder e também pai.

Executou um jutsu de selo de mãos, cortou a ponta do dedo e parte do pergaminho se abriu. Depois encarou a ambos que entenderam que deveriam fazer o mesmo, quando o contrato já estava aberto Obito passou os olhos em uma leitura rápida e Naomy fez o mesmo.

— Isso é um absurdo! — Ela afirmou ao ver o critério.

— isso é uma tradição. Quando a primeira Sarutobi se casou com o primeiro Uchiha, delinearam esse acordo de casamento e tem sido assim de geração em geração. Obito você é o último que possui o mesmo sangue deles, já você, Naomy, tem uma irmã mais nova que pode substituí-la se recusar.

— Eu não vejo problema algum nisso — O Uchiha deu de ombros passando o dedo cortado no local indicado finalmente assinando e Naomy piscou diversas vezes, como assim, ele não pensava não?

— Assine, querida, ou chamo sua irmã. — aquilo era golpe baixo. A mais nova tinha interesse no irmão de Hanna e a mesma idade do Naruto, mesmo que assinasse aquilo a mando do pai só poderia estar com Obito daqui a anos quando ele passasse dos trinta e ainda assim seria estranho, muito estranho.

Ela passou a ponta dos dedos na boca sujando de sangue sem perceber pelo nervosismo, os lábios ficaram rubros e o Uchiha desviou o olhar, era uma visão bela demais para o momento. Naomy respirou fundo pressionando o polegar no lugar da assinatura notando a quantidade de polegares que vinham acima dos seus sempre em uma fileira, aquele definitivamente era o contrato mais velho que ela já tinha visto.

Ichi sorriu, estava feliz e irritado. Feliz por finalmente ter se livrado daquele fardo que era ser cobrado sobre a filha todos os dias nos últimos anos e, irritado por ela ter escolhido continuar com Obito mesmo assim, então ele fez a única coisa que um pai poderia fazer.

— Vocês já estão casados, então se você morrer, Uchiha, não fará diferença.

— Papai!

— Calada — O olhar dele voltou para Obito. — Se magoar a minha filha novamente ou a constranger … eu vou atrás de você. Não subestime o fato de eu ser “apenas” líder de clã.

A saliva de Obito desceu espessa, Ele conhecia o dōjutsu do clã Sarutobi. Já vira Naomy usá-lo. Sabia que não seria simples enfrentá-lo, poderia até vender mas teria trabalho. Muito trabalho.

— Isso não vai acontecer. Nunca mais. — De repente segurou a mão de Naomy que surpreendeu a todos. — Então agora é senhora Uchiha.

Ela puxou a mão claramente envergonhada e irritada, já Ichi voltou a relaxa na cadeira, mas o olhar continuava atento.

— É sim, mas façam direito. Se aparecerem como casados agora, o conselho vai perceber que esconderam isso. E eles não lidam bem com surpresas. Até o casamento da sua amiga, comportem-se como noivos. Depois disso, podem assumir publicamente.

Fez uma pausa com a clara intenção de deixar Obito confuso.

— Até lá, não posso impedir que Naomy receba cortejos enquanto estiver aqui.

Isso fez com que Obito arqueasse uma das sobrancelhas, e não gostou nadinha do que ouviu e Naomy parecia não se importar.

O que o irritou ainda mais. Ele fora ali para reativar um noivado e saiu legalmente casado. Tinha certeza de que a avó daria uma festa e que teria de lidar com Naomy depois já que ela ainda queria distância. Muita distância.