Primeiros erros
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EMMA ESPEROU PELA RESPOSTA QUE NÃO VEIO. Naomy desviou o olhar envergonhada. Ela não disse toda a verdade, mas também não mentiu. Ela sentia que Orochimaru e sua mãe eram farinha do mesmo saco. Não que sua mãe fosse uma pessoa ruim, não era. Ela tinha seus próprios pensamentos e intenções.
Sua mãe tinha um sangue muito forte, considerado uma deusa, sempre foi. Orochimaru queria acesso àquilo, queria descobrir e estudar e entender porque os genes dela eram tão diferentes, porque ela era considerada uma deusa antes de chegar a Konoha. E principalmente por que ela lhe dizia que poderia lhe dar a imortalidade que ele tanto quer. Era algo que Naomy não tinha como mencionar a Emma ou mensurar para Obito. Não tinha como explanar algo que nem ela mesma tinha consciência. Mas sabia do que sua mãe era capaz.
Ela sabia exatamente o quanto sua mãe era intrigante e extremamente valiosa. Sabia que seu pai Ichi tinha plena consciência de tudo que a esposa azia e ele não só era conivente, como aceitava aquela relação meio doentia que ela possuía com Orochimaru.
Afinal, Ichi amava sua esposa e não via problema algum em fazê-la feliz do jeito que ela quisesse. Mesmo que para Naomy isso não fosse certo. Ainda assim, ele conseguia colocar os valores do clã acima de tudo e assim como a esposa mantê-la segura.
O problema real é que o líder do País do Fogo, o atual Imperador, estava começando a ver Konoha como um grande problema. Uma vila militar que cresceu muito além do que se imaginou. Mesmo que no passado, depois de fundá-la, Hashirama tenha capturado as bijus e distribuído para que igualasse forças, deixando claro que Konoha era totalmente devota ao seu compromissos de manter a paz e respeitar o líder da nação, não era o suficiente. Não quando um dos maiores nomes do mundo shinobi e aquele que fora considerado um deus era daquela vila.
Os samurais respondiam diretamente ao Imperador do País do Fogo. Inclusive, atualmente Azuma, filho de Hiruzen e primo de Naomy, estava a cargo do Imperador, trabalhando em sua segurança junto aos outros nove integrantes que faziam parte de sua comitiva particular.
Obito entendia tudo o que estava em jogo. Só não conseguia aliar ainda qual foi o pergaminho que sumiu, quais foram os dados que Konoha perdeu e da onde saíram. Era isso que estava faltando para que aquela missão finalmente chegasse ao fim e, ela pudesse retornar para sua casa.
Emma suspirou, alguma coisa no olhar de Naomy confirmava que ela não estava contando toda a verdade mas ele já havia pressionado o suficiente. Enquanto Obito não disse nada, apenas esperou para ver o que o grande rei macaco faria quando conseguisse a resposta que tanto queria e, assim como Obito o macaco permaneceu em silêncio por alguns segundos experientes demais para serem enganados por meias verdades.
— Você não contou tudo. — Ele suspirou ao afirmar e, curiosamente, não insistiu.
No fundo sabia que quando Naomy escondia algo, não era por medo e sim pelo peso que fora depositado em seus ombros.
Ele virou o rosto levemente, passando a mão pelo queixo antes de soltar uma risada curta, sem humor.
— Hm. — bufou. — Humanos... sempre achando que conseguem equilibrar três lâminas sem se cortar.
O olhar dele então deslizou para Obito.
Lentos e avaliativos. Não como alguém que o desprezava... e sim que ainda não tinha decidido onde ele se encaixava naquela equação.
— E você — disse, apontando levemente com o queixo — vai continuar parado aí só ouvindo?
A provocação foi seca, mas Emma não esperou resposta, ao invés disso, voltou-se para Naomy.
— Escuta bem, princesa. — A voz dele mudou. Mais firme e direta. — Isso aqui não é uma missão. É uma encruzilhada política mal disfarçada de tarefa.
Ele cruzou os braços.
— Sua mãe está brincando com uma cobra que já decidiu morder o mundo inteiro. Os samurais estão tentando manter o equilíbrio porque sabem que, se isso desandar, não é só Konoha que sangra.
Uma pausa.
— E você... — Os olhos dele estreitaram. — Você foi colocada no meio porque é valiosa demais para ser descartada... pois é confiável demais para ser ignorada.
O ar no quarto pareceu ficar ainda mais pesado.
— Traduzindo: se algo der errado... — ele inclinou levemente a cabeça — você vira o ponto de ajuste.
O quarto caiu em um silêncio apático enquanto Naomy imaginava se seu pai sabia disso, se fosse mesmo verdade, ninguém tinha a olhado como um ser humano antes de mandá-la para uma possível morte.
O falcão, ainda empoleirado, mexeu levemente as asas como se sentisse a tensão no ambiente. Emma então descruzou os braços e estendeu a mão.
— Me dá isso.
Naomy entregou o pergaminho novamente. Ele não leu dessa vez, apenas o segurou enquanto pensava e então tomou uma decisão. Com um movimento rápido, mordeu levemente o próprio polegar, deixando uma pequena marca de sangue, e traçou um selo simples no papel.
— Isso não vai impedir uma armadilha — disse — mas vai me avisar se alguém tentar mexer no que não deve enquanto você estiver lá. —
devolveu o pergaminho.
— Agora presta atenção. — A voz dele ficou mais baixa e extremamente séria. — Você não vai sozinha.
Antes que ela abrisse a boca, ele levantou a mão.
— Não me importa o que está escrito aí. Isso não é uma recomendação, é uma sentença. — O olhar dele deslizou para Obito de novo.
Dessa vez foi diferente sem julgamento algum.
— Se ele for esperto... vai dar um jeito. — Emma então recuou um passo, o corpo começando a se dissipar lentamente. — E você... — olhou mais uma vez para Naomy — para de tentar carregar tudo sozinha como se fosse sua responsabilidade salvar todo o seu clã ou a porcaria desse mundo.
Um meio sorriso surgiu, raro.
— Você não é sua mãe. — O ar vibrou levemente e ele desapareceu.
O quarto voltou ao normal, mas nada ali estava leve.
O falcão ainda esperava e o pergaminho ainda estava nas mãos dela. Agora a decisão não era mais só estratégica, tinha se tornado pessoal e perigosa demais para agir sem o máximo de cautela.
Obito absorveu tudo o que foi dito com um bastante empenho, como se procurasse desbravar o que ela tinha escondido. Ele estava confuso, queria respostas, precisava de respostas e não sabia como iria pressioná-la, mas tinha certeza de que seguiria o conselho de Emna. Antes mesmo do macaco aparecer, ele já tinha deixado claro para Naomy que ela não iria sozinha, mas depois de ouvir aquela conversa, com certeza ele mataria alguém.
Talvez bem mais do que imaginava. Se precisasse exterminar uma vila inteira, ele faria, sem pensar duas vezes. Então era bom que não tirassem sua paciência. Ele não estava nem aí mais para a missão, ele queria saber que porra era aquela, por que era tão importante, por que Emma havia a chamado de princesa e principalmente por que tudo parecia que estava deixando ele no escuro de novo. O capitão da polícia da vila militar mais importante de todo o país do fogo e acima de tudo porque sua mulher mentira pra ele.
Tornando-se plenamente consciente do silêncio que se instaurou no quarto, ele não se mexeu de imediato. Ficou ali, parado, processando tudo... mas a verdade é que aquela sensação incômoda, quase sufocante, de estar do lado de fora de algo que claramente o envolvia o faria tomar uma atitude.
Os olhos dele foram até o falcão primeiro, depois para o pergaminho e só então... Para ela. O maxilar travou a respiração entrou mais pesada, mais funda, como se ele estivesse tentando se controlar — e falhando aos poucos.
— "Princesa"... — repetiu baixo, sem tirar os olhos dela. A palavra saiu amarga. — Rei macaco. Samurais. Orochimaru. A sua mãe fazendo acordo pelas costas da vila... — ele deu um passo à frente — e você no meio disso tudo como se fosse... — a mão dele abriu no ar, irritado — uma peça de negociação.
Outro passo até ficar extremamente perto dela.
— E eu? — a pergunta veio seca — Eu entro onde nessa história?
Não era sobre a missão. Os olhos dele desceram rapidamente para o pergaminho nas mãos dela... e depois voltaram, mais escuros e perigosos.
— Capitão da polícia. Uchiha. Seu marido. — ele riu, curto, sem humor — e ainda assim o último a saber.
Aquilo queimava e dessa vez ele não escondeu. A mão dele passou pelo cabelo, impaciente, bagunçando ainda mais os fios já desordenados.
— Você mentiu pra mim. — O olhar firme, preso ao dela, como se quisesse arrancar qualquer outra coisa escondida ali. — E não me vem com "não menti, só não contei tudo" — cortou antes que ela pudesse falar — porque dá na mesma.
A respiração dele encostava nela agora quente e pesada.
— Eu tô aqui, Naomy. — a voz baixou, mais grave — Tô do seu lado. Nessa porra de missão com você. Dividindo a mesma casa... a mesma cama...
Uma pausa curta.
— E mesmo assim parece que tem uma parte sua que eu não posso tocar. — O olhar dele desceu por um segundo... involuntário... como sempre fazia. Mas voltou rápido e o olhar cada vez mais intenso. — Então me diz. — A mão dele subiu firme para segurar o queixo dela e impedir qualquer fuga de olhar. — Até onde isso vai? — O polegar dele roçou de leve a pele dela. — Porque eu não vou entrar num jogo onde todo mundo sabe as regras menos eu.
A proximidade era sufocante agora, pela pressão que ele exercia com sua presença.
— E outra coisa... — o tom caiu ainda mais, quase um sussurro carregado — se você acha que eu vou deixar você ir sozinha pra um lugar desses depois de tudo que eu ouvi... — Um meio sorriso surgiu tão frio e perigoso. Tão... Uchiha. — Então você realmente não me conhece.
A mão dele desceu do rosto dela lentamente até segurar o pescoço com carinho.
— Agora fala. — Fechou os dedos deixando-a sem escapatória. — O que mais você não me contou?
Enquanto isso, no clã Sarutobi, Hiruzen caminhava tranquilamente. Havia cumprimentado alguns membros do clã e outros sorriam e se curvavam em respeito e orgulho do seu ex-Hokage caminhando entre as ruas de seu distrito. Mas poucos sabiam o motivo da visita.
Hiruzen não chegava a ser recluso, mas ele evitava a casa principal do clã, já que sua mansão ficava do outro lado. Naquele dia, no entanto, ele estava inquieto. Era a quarta ou a quinta noite desde a partida de Naomy para a missão ao lado de Obito. E era a primeira vez que ele se sentia incomodado por algo que não lhe dizia respeito. Por quê? Porque sabia que Emma não estava mais com ele. Sentia que a invocação de Emma tinha sido feita por outro alguém. E a única pessoa além dele que tinha assinado o contrato com Emma foi ela, Naomy Sarutobi.
Então restou a Hiruzen recorrer à cunhada. Conhecia muito bem a sobrinha pra saber que ela não faria uma coisa dessa sem necessidade. No entanto, não confiava na cunhada, não completamente. A quem ele chamava docemente de Yule, mesmo que esse não fosse o nome. Era o apelido que havia lhe dado há muitos anos. E ela, tão condescendente, aceitou.
Agora ele a encarava ali, tão jovem quanto uma primavera nova. Não parecia que tinha praticamente a mesma idade de seu irmão, sendo no máximo alguns anos mais jovem. Pelo contrário, ela parecia ter no máximo a idade da esposa de Minato, jovem, forte e bela, e permaneceria assim para sempre. Afinal de contas, quando Ichi a conheceu, ela já tinha aquela aparência. Quando se casaram e ela teve Naomy, também manteve aquela aparência. Não seria agora, depois de anos de velhice, que a aparência dela mudaria. Não um ser tão imutável quanto ela. Ele se aproximou e ela apenas sorriu antes de levantar. O quimono verde enorme e luxuoso deslizando como ondas pelo chão. Nas mãos trazia um bule e duas xícaras de chás minúsculas.
— Pense, Hiruzen, vamos tomar um chá. — Ele tirou o cachimbo da boca, sorriu e fez o que ela pediu. Ambos se sentaram e enquanto ela lhe servia, ele deu uma tragada, jogou fumaça para o ar e a encarou.
— Não estou incomodando, estou?
— Jamais, caro cunhado.
— Que bom, pois eu tenho muito a conversar. — Ela então se serviu e bebeu um pouco da xícara. Ele fez o mesmo. O chá era de lótus, uma delícia. — Me diga, minha cara Yule, o que foi que você prometeu ao meu pupilo ingrato? E por que Naomy está presa nesse enrascada? Aparentemente, você se enfiou em um problema — foi o que sugeriu enquanto degustava um gole do chá. Ela, no entanto, apenas pousou a xícara na mesa e sorriu encarando.
— Pelo jeito, minha filha ingrata foi fazer uma fofoca. A conhecendo como conheço, ela vai pedir proteção, você que deve estar oferecendo. — Ele respirou fundo. Naomy nunca faria fofoca. Apesar de as coisas estarem estranhas com a mãe há um tempo, ela a respeitava profundamente e nunca abriria a boca para falar nada, se não fosse por ordem da mãe.
— Não pense assim dela. Mas você deve saber que provavelmente ela brotará com algumas questões e Emma ao seu lado.
Ela riu.
— Então terei que lidar com aquele macaco tentando me matar novamente e sendo contido simplesmente pelo contrato que tenho com você? — Ela suspirou — Vocês são muito sentimentais. Não sabem a força que Naomy tem dentro dela. Só precisa despertar. E é apenas isso que eu quero. — Bebeu mais um pouco do chá e respirou profundamente. — A respeito do Orochimaru, não prometi nada a ele que eu não possa pagar. E esse é um assunto pessoal meu.
Hiruzen riu antes de degustar o chá mais uma vez e se levantar da cadeira.
— Você não mudou nada. Esse amor que você sente por ele será sua ruína. Afinal de contas, Orochimaru não ama ninguém. — Com essas palavras, Hiruzen deixou o ambiente solene e um pouco entristecido por dentro, pois sentia que, no fundo, seu irmão merecia algo melhor. Merecia alguém que pudesse realmente ter a sua confiança e o seu amor, mesmo que em tempos de guerra e em tempos de revolta, amor não fosse algo que se buscasse ou sequer que se pudesse lidar como um luxo.
A porta já estava fechada há alguns segundos quando o sorriso dela finalmente caiu. Os olhos, antes suaves, perderam o verniz gentil. Tornaram-se... antigos. Profundos demais para alguém que aparentava juventude.
— Amor... — repetiu, baixinho, quase como se testasse a palavra na língua. Um sopro de riso escapou seco sem qualquer calor. — Hiruzen sempre foi péssimo com isso.
Ela inclinou levemente a cabeça, os longos fios deslizando como seda sobre o ombro.
— Amor não é fraqueza... — murmurou, mais para si do que para qualquer outro — é apenas uma ferramenta.
A xícara foi pousada com delicadeza.
— E Orochimaru... — os lábios dela curvaram de leve, quase imperceptível — não é alguém que se ame.
Outra pausa.
— É alguém que se compreende. — Os dedos dela tocaram o próprio pulso, num gesto quase automático... como se sentisse algo ali. Algo que ninguém mais via ou entendia.
— Ele busca eternidade... — continuou, agora olhando para o vazio à frente — mas não entende o preço.
Um brilho estranho passou pelos olhos dela tão perigoso, algo... belo demais para ser seguro.
— E eu posso ensinar. — Ela se levantou devagar, o quimono deslizando pelo chão e caminhou até a janela onde o olhar se perdeu no horizonte de Konoha.
— Naomy... — o nome saiu suave e quase carinhoso para o tipo de mãe que era — ainda acha que pode escolher caminhos sem pagar por eles.
Um suspiro escapou.
— Ingênua — não havia desprezo apenas aquela expectativa irritante. — Mas ela vai entender. — Os olhos se estreitaram levemente. — Nem que seja da forma mais dolorosa.
Uma rajada leve de vento entrou pela janela, fazendo as cortinas dançarem ao redor dela. Por um segundo... ela pareceu menos humana.
— E quanto ao Uchiha... — Um sorriso lento surgiu agora sim era perigoso, todos que conhecia a conduta da senhora da casa Sarutobi e sua índole, sabiam que ela desaprovava com todo o seu ser qualquer vinculo de sua filha com o Uchiha. — Vamos ver quanto ele aguenta antes de quebrar.
A Senhora deixou a sala de chá. A xícara que havia utilizado estava sobre a mesa com um leve trincado na borda, aquilo era mais um sinal de mal presságio.
...
Naomy contara tudo. Desde o que foi dito sobre seu nascimento até cada uma das armações em que sua mãe se envolveu.
Obito não a interrompeu em momento algum, depois da conversa ele saiu, disse que precisava esfriar a cabeça e desde então se passou meia hora. A única coisa que Naomy fez, foi enviar a carta que escreveram onde ela solicitava que mais um integrante de Konoha pudesse adentrar a vila dos samurais, o falcão já havia partido com o pergaminho e era só uma questão de tempo até a mensagem retornar e finalmente partirem em missão.
O que a preocupava era a demora de Obito, por isso resolveu tomar um bom banho antes de se vestir com trajes casuais, afinal estava no país do chá e ali não havia guerras. Naomy optou por um vestido tradicional em tom claro que ia até as canelas e possuía uma fenda do lado esquerdo que acabava na altura do joelho, dando-lhe mobilidade, nos pés as sandálias ninjas de sempre só que na cor clara e para completar o traje, as tiras de apoiou que iam pela coxa e carregavam sua kunai e duas shurikeis, onde o acesso era pela fenda do vestido.
Os cabelos foram deixados como estavam, ou seja, trançados e os lábios tingidos de caramelo, assim ela se pareceria e muito com uma turista, pegou a bolsa e saiu do quarto após trancar a porta.
Esperava encontrar Obito no caminho, mas se não ocorresse pelo menos turistaria enquanto pensava sobre a missão e montava a estratégia para o próximo passo. Era o disfarce perfeito.
Naomy respirou fundo ao tocar o primeiro andar do hotel e passar pelo saguão, em sua cabeça vinham as palavras de Emma e depois o beijo de Obito, a intensidade que ele a tomou nos braços, o sabor e o desejo latente que ainda faziam as orelhas dela pinicarem. A Uchiha não tinha como negar mais, estava completamente apaixonada pelo Uchiha. Muito mais do que já fora no passado.
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