Primeiros erros
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O AR DO PAÍS DO CHÁ PARECIA MAIS LEVE... mas Naomy não conseguia sentir isso.
Havia algo dentro dela que não acompanhava a calmaria ao redor. Talvez fosse o silêncio dele, o que ela tinha dito ou talvez fosse finalmente admitir aquilo que vinha crescendo há tempo demais.
Ela caminhava pelo saguão com passos controlados, a postura impecável, o disfarce perfeito de alguém que não carregava nada além de curiosidade turística e um leve interesse pela cultura local. O vestido acompanhava seus movimentos elegantemente, a fenda revelando apenas o suficiente para permitir agilidade.
Mas por dentro, nada estava em ordem. Cada passo parecia ecoar as memórias do que viveu dentro do quarto.
O beijo, a forma como ele a segurou, como a respiração dele parecia sempre mais quente quando estava perto demais.
Como ele a olhava. Naomy pressionou levemente os lábios, sentindo ainda o resquício daquela sensação, como se o corpo tivesse memória própria e ela fosse uma grandessíssima traidora.
— Idiota... — murmurou para si mesma se repreendendo. Porque não era mentira. Não mais.
Ela estava apaixonada. Não aquela paixão antiga e quase ingênua, que nutria na juventude, escondida em gestos pequenos e olhares roubados torcendo para ser vista.
Não.
Isso era diferente, mais consistente com os sentimentos de mulher que ela havia adquiro ao longo dos anos e extremamente mais perigoso e inevitável.
Era o tipo de sentimento que não pedia permissão ou sequer respeitava aquilo que ela tinha feito questão de deixar para trás ou a missão, política e até mesmo as alianças.
Naomy parou por um instante na saída do hotel, sentindo a brisa leve tocar seu rosto. Os olhos varreram a rua em um movimento comum.
"Pessoas comuns." Ela pensou, mas não via nada daquilo. Só pensava nele e no silêncio que ele deixou com suas escolhas.
Meia hora quieto após tudo oque foi dito. Para alguém como Obito isso dizia muito pois ele nunca fugia, então aquele afastamento... não era simples raiva. Os dedos dela apertaram levemente a alça da bolsa.
"Volta logo..." pensou, irritada consigo mesma por sequer desejar isso com tanta urgência, por mais que tentasse racionalizar. Por mais que a missão gritasse prioridade...Por mais que o 'mundo' ao redor estivesse prestes a desmoronar em jogos políticos nada parecia tão instável quanto aquilo entre eles.
Naomy desceu os degraus do hotel, misturou-se à rua e não se perdeu. Sequer pensou que não havia cumprido com o acordo feito junto a Tayuya. No fundo compreendia que uma hora teria de parar de mentir.
Obito não fora apenas esfriar a cabeça, ele foi atrás de informações e de alguns métodos. Depois do que aconteceu no quarto, antes do falcão chegar, ele tinha certeza de que se ficassem sozinhos novamente ele não aguentaria e com a raiva que estava pelo que ela contou, só se imaginava através desse sentimento e não era bem assim que queria tocá-la, não pela raiva.
Obito não fora apenas esfriar a cabeça, ele foi atrás de informações e de alguns métodos. Depois do que aconteceu no quarto, antes do falcão chegar, tinha certeza de que se ficassem sozinhos novamente não aguentaria e com a raiva que estava pelo que ela contou, só se imaginava a fodendo com força e não era bem assim que queria tocá-la, não pela raiva.
Então precisava de distância pra não perder o controle.
As ruas do País do Chá eram tranquilas demais para o estado em que ele estava. Pessoas caminhando sem pressa, comerciantes conversando, o tilintar leve de xícaras e talheres ecoando de pequenas casas de chá... tudo parecia debochar da tempestade que ele carregava no peito.
Ele andava rápido, passos firmes sem direção nenhuma. No fundo, ele sabia exatamente o que estava tentando fazer.
Pensar, organizar e não voltar. Não enquanto os sentimentos estivesse a flor da pele, mas a mandíbula travada denunciava o esforço.
A cada lembrança do que ela disse, peça daquele quebra-cabeça absurdo envolvendo Orochimaru, a mãe dela, os samurais. E, pior, a cada lembrança do corpo dela contra o dele e do jeito que respondeu.
Obito fechou os olhos por um segundo enquanto caminhava, passando a mão pelo rosto com força.
— Merda... — Aquilo não era só desejo e era exatamente por isso que era perigoso pois, se fosse só físico, ele resolveria fácil. Sempre resolveu.
Mas com Naomy sentia que não tinha mais espaço para errar. Ela não merecia e ele não queria.
Com ela vinha junto o orgulho ferido, a raiva, a preocupação, o instinto de proteção... e algo mais que ele ainda não sabia nomear sem ficar irritado consigo mesmo por ter demorado tanto a despertar.
Ele parou por um instante, apoiando as mãos na cintura, respirando fundo, a mente tentou organizar o caos.
"Missão". Sussurrou mentalmente, era nisso que ele precisava focar, por isso tinha ido atrás de informações.
Mapeou mentalmente rotas da vila dos samurais, lembrou de contatos antigos, avaliou possibilidades de infiltração, pensou em disfarces, em formas de entrar com ela mesmo se negassem a presença dele.
Porque uma coisa estava clara: Ela não pisaria lá sozinha. Nem que ele tivesse que quebrar protocolo, regras... ou pessoas.
Mas aí, a imagem dela voltou. O vestido, a forma como ela o olhava e a maneira como o corpo dela reagia ao toque dele.
Obito soltou uma risada curta, sem humor, balançando a cabeça.
— Que merda de timing. — Ele não confiava em si mesmo pra manter as coisas do jeito que queria. Ah, o corpo dele claramente tinha outra opinião. Ele respirou fundo mais uma vez, mais longo dessa vez, forçando o próprio controle de volta ao lugar.
— Primeiro a missão… — murmurou, mais pra si do que qualquer outra coisa.
Mas até isso soava como desculpa.
Ele sabia que mais cedo ou mais tarde não ia conseguir segurar. Não se tratava simplesmente de contato físico e sim dos sentimentos que haviam despertado.
Fechou os olhos por algum momento se dirigindo a uma rua vazia, uma espécie de beco, mesmo que estivesse absurdamente limpo para aquela denominação ainda assim era o que necessitava para manter a mente no lugar porém, quando abriu os olhos percebeu que não seria tão simples assim, porque, não muito longe alguém com um vestido claro e andar familiar atravessava o fluxo de pessoas. E, claro, ele reconheceria aquela silhueta em qualquer lugar.
Naomy. Perfeita e impecável e completamente fora de hora.
O destino tinha um senso de humor bem específico. E claramente… Estava se divertindo às custas dele.
Ele ficou ali espreitando a mulher mais alguns minutos antes de decidir se aproximar, apenas para vê-la melhor. Ela estava linda naquele vestido, mesmo que não houvesse grande decote ou uma fenda tão generosa quanto o que ela usou na comissão, ele continuava a achando encantadoramente deliciosa naquelas vestes.
"Porra", foi tudo que Obito pensou, antes de se aproximar mais e tocar o ombro dela. Naomy virou devagar, ainda com o corpo em alerta — hábito de quem vive esperando o perigo —, mas bastou encontrar aqueles olhos escuros para tudo ceder como sempre acontecia.
A tensão nos ombros dela desmanchou quase imediatamente, mas o coração... ah, esse traiu sem pudor. Disparado. Alto. Insistente.
E então veio o erro, os olhos dela desceram direto para a boca dele. Por um segundo pequeno demais para ser evitado e grande o suficiente para ser notado.
O canto da boca dele quase se moveu, mas não chegou a formar um sorriso, estava mais para enviesado e cínico.
Ele estava mais calmo mas não estava resolvido.
— Fugindo? — perguntou, a voz baixa, rouca de quem ainda não tinha reorganizado tudo por dentro.
Os olhos dele desceram rapidamente pelo corpo dela, absorvendo cada detalhe do vestido, da fenda, das tiras na coxa, da forma como tudo parecia... casual demais para ser inocente. Conhecia a mulher que havia desposado o suficiente para saber que devia haver inúmeras armas naquela peça.
— Ou só decidiu passear enquanto eu não estava? — completou, agora inclinando levemente a cabeça.
A proximidade entre eles era tão íntima que ninguém desconfiaria e Naomy podia sentir o controle dele se forçando a permanecer, mesmo que estivesse no limite.
Ele deu um passo mais perto.
Só um.
O suficiente para que a voz dele não precisasse ser mais alta.
— Eu fui atrás de informação — disse, direto — e de um jeito de entrar com você, independente da resposta daquele pergaminho.
Uma pausa.
O olhar voltou para os olhos dela firme e cheios de convicção. Uma característica tão Uchiha que chegava a ser bela.
— Você não vai sozinha. Simples assim. — A mão dele subiu devagar. Os dedos tocaram de leve uma mecha do cabelo dela, deslizando até o ombro com um cuidado que contrastava demais com tudo que ele estava sentindo. — E antes que você comece a discutir... — murmurou — a gente ainda não terminou aquela conversa.
O polegar roçou de leve o tecido do vestido, tentando parecer distraído e sem propósito ... quase conseguiu.
— Só achei melhor não ter ela dentro de um quarto. — Agora sim um resquício de sorriso curto e perigoso. — Porque eu não estava com muita paciência pra me controlar lá.
O olhar dele desceu outra vez rápido e honesto demais, como se quisesse que ela sentisse. Quando voltou, estava mais escuro.
— E você também não ajudou muito.
Naomy não sabia como respirar, parecia ter esquecido, só de olhar para Obito daquele jeito, falando aquelas coisas para ela. Aí sim, tinha uma sensação tão intensa que ela tinha certeza que as coxas vibraram. Mas ela disfarçou bem. Obito, por outro lado, não.
— O que você acha da nossa conversa? Ou melhor, damos uma voltinha na cidade, parecemos turistas, recolhemos informações e depois voltamos para o quarto. — Naomy demorou um segundo a mais do que deveria para responder porque o corpo dela ainda estava reagindo antes da mente conseguir organizar qualquer coisa.
A proximidade dele, o tom de voz, o jeito como ele a olhava... tudo conspirava contra qualquer tentativa de parecer indiferente. Mas ela era boa nisso.
Sempre foi.
Respirou fundo — discreto, controlado — e inclinou levemente a cabeça, como se estivesse analisando a proposta dele com frieza, e não tentando ignorar o fato de que as próprias pernas ainda estavam... sensíveis demais.
— Acho uma excelente ideia — respondeu, finalmente, a voz estável, apesar do caos interno. — Os olhos dela se moveram ao redor, avaliando o fluxo de pessoas, as barracas, os pontos de observação.
Quando voltou para ele, havia um leve brilho estratégico ali.
— Dois turistas chamam menos atenção do que dois shinobis parados no meio da rua se encarando como se fossem se atacar ou... — Ela interrompeu a própria frase, mas o olhar completou. Um canto do lábio dela subiu de leve.
— Além disso, podemos observar rotas, entradas secundárias, movimentação local... — continuou, agora retomando o controle com elegância — e ainda manter o disfarce intacto.
Ela deu um passo à frente e passou por ele. De propósito, o tecido do vestido roçou de leve na lateral dele. Uma provocação sutil e dessa vez calculada.
— Então vamos — disse por sobre o ombro, sem olhar diretamente — antes que você decida que o melhor plano é me arrastar de volta pro quarto.
Houve uma pausa pequena e maliciosa.
— E esquecer completamente da missão. — Ela sabia exatamente o que estava fazendo e, pelo leve peso no ar entre eles. Sabia que ele também.
[...]
Passaram bastante tempo naquelas ruas, pararam para comer, compraram lembrancinhas, turistaram de verdade. Obito em nenhum momento largou a mão dela, continuando com os dedos entrelaçados, como um casal apaixonado e recém-casado faria. Em determinado momento pararam em uma loja com aparelhos eletrônicos e compraram uma câmera ao qual registraram alguns momentos e claro, tiraram fotos dos pontos estratégicos que consideraram como suas principais rotas, ainda assim era inevitável a sensação súbita e boa que ocorria toda vez que ele a provocava.
Os calores que subiam pelo corpo de Naomy cada vez que ele inclinava e falava algo ou tocava com os lábios a bochecha ou a orelha dela eram absurdos, nem ela conseguia controlar. Obito estava abusando e judiando dela de uma forma tão gostosa que ela só conseguia pedir por mais.
Depois que continuaram ali, pararam para almoçar, conheceram alguns moradores da cidade e quando deu por volta das quinze horas, retornaram ao quarto. Já daria tempo do Falcão ter voltado com a resposta e poderiam se preparar melhor e decidir o que fariam, se viajariam pela madrugada até Vila dos samurais ou esperariam até o dia seguinte.
O retorno ao quarto trouxe de volta algo que a rua tinha conseguido disfarçar.
A porta se fechou atrás deles com um clique seco. E, por um instante, nenhum dos dois se mexeu.
Obito ainda segurava a mão dela. Os dedos entrelaçados como se aquilo já fosse natural — como se sempre tivesse sido. O olhar dele caiu primeiro para o espaço... analisando, buscando o falcão.
Nada.
O animal ainda não tinha retornado.
— Ainda não voltou... — murmurou, mais para si do que para ela porém, não soltou a mão dela.
Não imediatamente.
Os dedos dele apertaram levemente os dela antes de, finalmente, soltar devagar.
Ele passou a mão pelos cabelos, soltando um suspiro curto, tentando puxar o foco de volta para o que importava.
— A gente tem duas opções — começou, já mais sério — partir de madrugada e ganhar tempo... ou esperar resposta e ir com vantagem. — Ele caminhou pelo quarto, pegando o pergaminho que ela havia deixado antes, analisando mais uma vez como se, agora, ele fosse revelar algo novo.
— Eu prefiro ir com informação... — continuou — Mas se demorarem demais, a gente não pode ficar parado.
Virou o rosto para ela e foi aí que tudo desandou um pouco. Porque, com calma, sem pressa, sem distração, ele realmente olhou o vestido, a forma como ainda se ajustava ao corpo dela depois do dia inteiro e o leve brilho nos lábios. O jeito que ela ainda parecia... afetada por ele.
A mandíbula tencionou novamente.
— ...Mas isso a gente decide quando a resposta chegar.
A voz dela saiu mais baixa do que o esperado.
E ele percebeu. Por um segundo, desviou o olhar e respirou fundo tentou pensar racionalmente e falhou. Quando voltou a encará-la parte do controle já havia ido embora.
— Você sabia que não ia ser só passeio quando sugeriu aquilo lá fora, né? — murmurou, dando um passo na direção dela sem pressa.
— Ficar andando daquele jeito, me provocando... — Ele parou perto o suficiente para sentir o perfume feminino. O mesmo que tinha sentido o dia inteiro. A mão subiu devagar e parou no braço dela. Deslizou até o pulso. — E depois age como se estivesse tudo normal. — Encarou os lábios dela sem pudor.
— Você faz ideia do quanto isso complica as coisas?
— Porque eu tô tentando manter isso aqui... — ele gesticulou levemente entre os dois — sob controle.
Uma pausa.
— E você não ajuda. — O polegar dele roçou de leve o pulso dela antes que ele desviasse os lábios e, ainda a encarando lascivamente beijou a pele com delicadeza sentindo as pulsações do coração dela em sua boca.
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