Primeiros erros
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FOI APENAS UM BEIJO. Bastou um toque de ambas as bocas para que tudo ao redor desaparecesse. Obito a pensava na parede intensamente, marcando seu corpo com toques cada vez mais intensos. A língua adentrava a boca dela sem pudor e era correspondida à mesma altura. Naomy arranhava suas costas, segurava seu cabelo e tudo sem desconectar os lábios. Os afares escapavam baixinhos, quando as junções dos lábios apenas ecoavam para recuperar o fôlego e depois voltavam a se tomar de forma faminta e insaciável, como se ambos estivessem esperado a vida inteira por esse momento.
A mão dele Obito entrou por baixo da peça dela de forma desajeitada, apertando a cintura com vontade. Ela realmente estava excitada e ele louco por mais.
A boca deslizou foi lento, até alcançar o pescoço — quente, macio, com aquele perfume que parecia feito sob medida para desarmá-lo e, ele pressionou os lábios ali, Obito não precisava falar para que Naomy o sentisse profundamente. Sentiu mais do que qualquer palavra poderia traduzir. O corpo reagiu primeiro, traidor, entregando cada arrepio e contração leve que subia pela espinha e se espalhava pelos braços.
Quantas vezes ela tinha imaginado aquilo?
Quantas vezes, em silêncio, desejou que ele se aproximasse... que a olhasse, que a tocasse não exatamente assim — não com essa intensidade — mas com algo que ao menos se aproximasse disso?
As defesas que ela construiu com tanto cuidado começaram a ruir. Obito estava quebrando seus receios aos poucos, minando qualquer tentativa dela de ficar longe e ele... bem, não estava muito diferente. Afinal o sentimento era recente, pelo mesmo era isso que ele achava, mas tão intenso quanto.
— Naomy... — Ele sussurrou, o quadril pressionando o dela com firmeza fazendo-a sentir tudo, ela arfou mediante a confirmação do desejo dele e, de repente o quarto em que estavam hospedados pareceu minúsculo.
— Eu não quero esperar até retornamos para casa. — A direita subiu pelas costas dela em carícias cálidas antes dele desabotoar o fecho do sutiã enquanto esperava por uma resposta.
Porque, pela primeira vez naquela noite a decisão não era dele, sua única função seria a de aceitação e, se fosse levar em conta que não houve muita conversa desde que chegaram naquele quarto, que somente uma conexão de olhares foi estabelecida antes de se tornarem famintos um pelo outro, Naomy poderia até se arrepender por agir com tanta impulsividade, mas sinceramente, naquele momento ela não ligava. Não quando o corpo fervia, o coração disparava e os olhos não desgrudavam dos dele.
Voltar a beijar Obito foi a certeza que ele precisava para continuar, enquanto suas mãos acessavam a parte interior da camisa elevando-a, com brusquidão. O moreno se afastou e arrancou a própria peça, antes de voltar a beijá-la intensamente, os lábios indo em direção a curva do maxilar, possibilitando a respiração rarefeita dela, os dedos descendo a alça do sutiã já solto. O som de satisfação que saiu dos lábios dele seria considerado perverso se o som de algo bicando a janela não os atraísse.
Uma, duas, três vezes. Depois se repetia e repetia. Até que o moreno bufou levemente frustrado pela interrupção assim como ela. A contragosto, Obito se obrigou a parar de beijar o pescoço.
Mais uma bicada foi dada e ele roubou um selinho como se dissesse: continuamos depois e então se afastou. Naomy sentia as pernas moles, o corpo quente e o som zunindo. O corpo todo se recusava a esfriar ainda assim ela precisava se recompor.
Conforme Obito foi em direção à janela, ela ajeitou as roupas e fez um coque baixo no cabelo para tentar esfriar pelo menos a nuca. Ele abriu o trinco, deu espaço para o animal adentrar, observando o falcão médio indo até a Uchiha que, de forma desajeitada, estendeu o braço esquerdo, onde as garras do animal se fecharam e ali ele se empoleirou, a dor das garras entrando na pele foi breve e sinceramente ela não ligou, sabia que a culpa era sua, que deveria estar equipada para aquela missão e não se esfregando no marido no curto período de descanso, mas quem poderia negar, quando ambos se queriam aquele ponto? Ninguém.
Naomy respirou fundo observou que o falcão se tratava de um mensageiro e levou a mão direita até o pequeno pergaminho preso a pata do animal, ela puxou e abriu ali mesmo percebendo o selo.
Senhorita Sarutobi Naomy, do clã Sarutobi. Casa principal
— Filha de Ichi Sarutobi.
Sua presença foi confirmada, a biblioteca já está a sua disposição.
Traga o pagamento combinado e nada de visitas extras ou acompanhantes.
Shogo — 28 de outubro
Damyo — vila dos samurais.
Ela respirou fundo antes de desviar o olhar para Obito, aquela ordem estava clara e ainda assim ela não poderia ir até lá sem ele. Daria tanta confusão. Tinham discutido sobre isso antes de os impulsos falarem mais alto e, aparentemente ele voltaria com frequência. Só que dessa vez em vez de abster e procurar uma saída, entregou o pergaminho para que Obito lê-se e tirasse suas próprias conclusões e como o falcão não foi embora era de esperar que estivesse aguardando uma resposta.
Obito pegou o pergaminho das mãos dela sem pressa ou delicadeza. Os olhos correram pelas palavras uma única vez... e foi o suficiente. A mandíbula travou e o olhar escureceu e, por um segundo — só um — ele esqueceu completamente do falcão, da missão, do mundo lá fora. Porque tudo o que aquela mensagem dizia, nas entrelinhas, era simples:
Ela tinha sido convocada... sozinha.
O papel estalou levemente entre os dedos dele quando fechou a mão ao redor dele, e então ergueu o olhar para Naomy.
— "Nada de visitas extras ou acompanhantes" — repetiu baixo, a voz controlada para não expor o amargor daquela certeza crepitante em sua face. Era a segunda vez que ele era posto como um estorvo e pior, era saber que TODOS queria sua mulher sozinha para sabe-se lá o quê.
Ele soltou um riso curto, sem humor algum.
— Que conveniente.
Os olhos voltaram para o pergaminho por um instante. Em silêncio ele parou para pensar e medir até onde aquilo era estratégia... e até onde era provocação ou armadilha. Quando levantou o olhar de novo, foi direto para ela.
— Você já sabia que isso podia acontecer, não sabia? — Não era acusação. Ele deu um passo à frente, reduzindo a distância entre eles outra vez — só que agora não havia mais aquela euforia dos corpos que se queriam tanto e sim uma sensação ruim no peito, como se fosse traído outra vez.
— Vila dos samurais... biblioteca isolada... pagamento combinado... — ele inclinou levemente a cabeça, analisando — Isso não tem nada a ver com essa missão.
Os olhos dele desceram rapidamente para o braço dela, onde as marcas das garras do falcão ainda estavam recentes, e depois subiram de novo, encontrando os dela.
— E definitivamente não é seguro.
O falcão ainda estava ali. Esperando, paciente como um presságio. Obito estendeu o pergaminho de volta para ela, mas não soltou imediatamente. Os dedos dele fecharam levemente ao redor da mão dela por um segundo a mais do que o necessário.
— Se eles acham que você vai sozinha... — a voz dele baixou, perigosa — então estão contando com você aceitar isso sem questionar. — Deu um passo para trás, passando a mão pelos cabelos já bagunçados, tentando organizar em vão a cabeça.
— E você? — perguntou, finalmente — Vai aceitar? — A pergunta ficou no ar. Mesmo que ela dissesse que sim, o Uchiha já tinha decidido que não a deixaria só.
— Será algo que terei de ver como lidar, mas encontrarei uma estratégia para que nos apresentemos juntos. — Afirmou levando o Uchiha a sorrir amargamente.
— Agradeço pela proposta... mas eu tenho o meu próprio jeito de te seguir. E de manter meus olhos em você.
Naomy respirou fundo. Obito era complicado de entender e, ao mesmo tempo, fácil de ler. Ela sabia que ele tinha planejado alguma coisa e tinha plena consciência de que não conseguiria desvendar tão facilmente. Então afastou os pensamentos dele e redigiu uma rápida resposta, mas não enviou ao Falcão. Ao invés disso, levantou o braço levemente e fez um movimento preciso com os dedos ao qual o animal entendeu.
As garras se soltaram com um leve arranhar na pele e ele grasnou baixo, como se protestasse pela interrupção, antes de bater as asas e se empoleirar no armário, próximo à porta. Naomy respirou fundo mais uma vez.
O quarto parecia menor agora. Ela caminhou até o outro lado do ambiente, afastando-se tanto do falcão quanto de Obito. A mente já estava em outro lugar.
Sem hesitar, levou o dedo à lâmina de uma kunai e fez um pequeno corte, o sangue surgiu rápido e os selos de mão vieram logo em seguida.
— Kuchiyose no Jutsu. — O ar no quarto pareceu se contrair por um instante antes de se expandir com um leve impacto.
Enma surgiu.
O grande macaco apareceu com a postura imponente de sempre, mas havia algo diferente no semblante dele. Um leve desconforto, uma confusão silenciosa ao redor do olhar atento, onde ele analisou o ambiente primeiro e depois ela. Então respirou fundo com a mesma frustração que demonstrava quando Hiruzen tomava péssimas decisões.
— Hm... — murmurou, cruzando os braços. — Já faz um tempo, garota.
Os olhos dele se estreitaram levemente.
— E pelo jeito... você não me chamou aqui por algo simples. — O olhar de Enma então desviou lentamente até encontrar Obito no outro lado do quarto e foi ali que o desconforto dele fez sentido. —...Entendo.
Respirou fundo, mais uma vez, enquanto Naomy dava voltas e mais voltas no mesmo lugar. Ela então parou ao lado dele e deixou o peso relaxar, virando-se de frente e finalmente ficando em uma posição agradável para conversar com Enma.
Enma ainda estava meio receoso pelo que ela diria, mas conhecia a sobrinha de Sarutobi o suficiente para saber que não seria algo simples e ao vê-la tão envergonhada, mesmo que suprimisse qualquer demonstração, ele respirou resignado.
— Fale menina... —Ele cruzou os braços.
— Eu preciso de um conselho — ela revelou e pôde sentir praticamente o bastão de Enma batendo na sua cabeça. Ela havia mesmo executado um jutsu para chamar o rei macaco, ao melhor, O GRANDE REI MACACO para o seu quarto para pedir conselhos? Ela achava que ele era o quê, seu psicólogo particular? Seu conselheiro real? Enma a encarou aturdido e com um pouquinho de raiva, que logo se desfez ao ver aqueles olhos brilhantes. Sabia que Naomy o respeitava muito e confiava nele.
— O que você quer, princesa? — Chamou-a pelo título que ela tanto dispensava. Como resposta, Naomy pegou o pergaminho da Vila dos Samurais e entregou nas mãos dele. Ele leu. Releu e leu mais uma vez. Depois encarou Obito e voltou os olhos para Naomy. Soltou uma risada seca antes de fechar o pergaminho e entregar a ela com certa rudeza, fazendo-a cambalear um pouquinho para trás.
— Vocês Sarutobi têm péssimas decisões e péssimas escolhas. Parece que é de família! Primeiro, Hiruzen, que escolheu aquele pupilo ingrato acima da vila. Depois, novamente sua mãe, que parecia escolher a mesma praga em vez de manter o dever com o corno do jovem Sarutobi vulgo seu pai e líder do clã. E agora você, que repete o erro. Pelo menos mudou o clã, não é mesmo? Escolheu um Uchiha. — Ela revirou os olhos. Sabia que Enma encararia algumas decisões como transgressão, mas não esperava por isso.
Obito ergueu uma de suas sobrancelhas, já puto com aquela situação. Naomy simplesmente encarou mais uma vez.
— Não começa, Enma, não é por isso que eu te chamei.
— Então você me chamou pra quê? Alguém precisa dizer a verdade. Como é que você vai lidar com isso? O que foi que a sua mãe prometeu para Orochimaru? Talvez se você abrir essa boca a gente possa resolver. Quem sabe acabando com ele como o Hiruzen deveria ter feito na época que ainda era sensei. De certo. — Ela revirou os olhos, sabia que o rancor de Enma por Orochimaru era tão antigo quanto o tempo, e que nem ela mesma conseguiria entender. Em vez disso, desviou o olhar.
— Você não se dá bem com o Aoda? — Enma cruzou os braços na defensiva.
— Não é porque eu me dou bem com a cobra que responde àquela cobra peçonhenta do Orochimaru, que eu goste dele. Afinal de contas, nós parecemos que temos mais instintos do que vocês, humanos, e sabemos aonde pisar e quando pisar. — Ela bufou mais uma vez. Parecia que Enma não ia dar trégua.
Naomy já estava pronta para se recolher e pedir para que ele fosse embora quando Enma apertou a própria têmpora e a encara mais uma vez.
— Tudo bem, eu vou ajudar você, mas dessa vez você vai me dizer o que a sua mãe prometeu para ele e o que os samurais querem.
Naquele momento, Obito também se interessou, continuou em silêncio e esperou a resposta da esposa.
Naomy ficou muda. Os olhos desviaram para o chão por um instante, depois para o pergaminho nas mãos, como se ele pudesse, por algum milagre, responder por ela.
Não podia.
Nunca poderia.
Quando voltou a erguer o olhar, não foi para Enma foi para frente. Sabia exatamente quem estava ali, ouvindo cada respiração contida.
Obito.
— Minha mãe não promete coisas pequenas — começou, finalmente, a voz mais baixa do que o normal, mas firme o suficiente para não parecer hesitação diante um problema que poderia acabar com ela. Os dedos dela apertaram levemente o pergaminho. — Ela nunca prometeu nada e sim negociou.
Enma não disse nada, mas o olhar dele... mudou porque aquilo já dizia muita coisa. Naomy respirou fundo.
— Orochimaru quer acesso.
Uma pausa curta.
— Não à vila. Não diretamente. — Ela ergueu o olhar agora. — E sim aos registros. Técnicas antigas. Linhagens. Arquivos que nem o conselho tem acesso completo. Coisas que o clã Sarutobi guardou... por gerações e que pertencem exclusivamente a minha mãe.
Enma fechou os olhos por um segundo, soltando um som baixo, irritado praguejando aquela escolha, como se aquilo fosse exatamente o tipo de resposta que ele esperava... e ainda assim odiava ouvir.
— Aquela maldita mulher — murmurou entre dentes e Naomy tentou ignorar.
— Em troca... ele entrega resultados. — Agora sim, ela olhou diretamente para Enma. — Poder. Influência. E... controle indireto sobre certas rotas e contatos que a vila não alcança.
Ela desviou o olhar de novo.
— Minha mãe não vê isso como traição. — Um riso curto escapou sem humor. — Ela vê como estratégia.
Enma bufou, virando o rosto.
— Estratégia de gente que acha que consegue brincar com aquela maldita cobra sem ser mordida.
Naomy não respondeu porque agora vinha a pior parte. Ela olhou novamente para o pergaminho... e então falou:
— Os samurais querem garantir que isso continue equilibrado.
Obito podia praticamente ouvir o encaixe das peças em seu cérebro.
— Eles não confiam em Konoha o suficiente — continuou ela — mas também não querem que Orochimaru tenha liberdade total.
Ela ergueu o queixo, o olhar agora mais frio.
— Então me chamaram.
Enma estreitou os olhos.
— Como intermediária. — O próprio desconfiava da sugestão que havia dado.
— Como garantia — corrigiu ela.
Outra pausa.
— E como alguém que pode... avaliar se isso ainda está sob controle.
Agora o olhar dela se moveu direto para Obito, estava tão transparente que o Uchiha evitou pensar em tudo o que ouvir para não discutir com ela de imediato.
— E é por isso que não querem acompanhantes.
Aquilo não era só a maldita logística igualitária entre as vilas que faziam de tudo para manter o "poder equilibrado". Se tratava de política. De quem teria mais poder no fim das contas, era o maldito risco de se pertencer a Konohagakure e seu sumo de poder que poderia até mesmo desbalancear o país se houvesse uma guerra.
E, acima de tudo...
Era pessoal. Era a jogada suprema de sua mãe que a movia como uma peça de tabuleiro. Enma cruzou os braços, o rabo balançando de forma impaciente.
— Então deixa eu ver se entendi — a voz dele veio mais pesada agora — você está no meio de um acordo entre sua mãe, Orochimaru e um bando de samurais desconfiados... — Ele inclinou levemente a cabeça. — ...e ainda acha que isso é só uma missão?
O silêncio respondeu por ela. Porque no fundo ela sabia que quando se tratava de sua família nada nunca era fácil. Nunca foi.
E agora, com Obito ali... Definitivamente não era mais só dela.
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