TODO O INTUITO DA MISSÃO PODERIA CAIR POR TERRA SE AMBOS CONTINUASSEM COM AQUELAS CARAS, SE NAOMY NÃO RECUPERASSE O MESMO ARDOR DE ANTES E OBITO A SENSAÇÃO DE SER INABALÁVEL. Afinal, eram um casal que supostamente estava de lua de mel.

Naomy pareceu perceber isso primeiro então discretamente desviou o olhar para os arredores e percebeu que eram observados apenas por uma garota, garota essa que ela conhecia bem demais. deixando o guardanapo de lado ela se levantou e encarou o esposo.

— Vou ao banheiro, acho que é o tempo mais que necessário para que possamos nos recuperar. — Sorriu sem emoção, antes de se afastar e respirar levemente. Por um lado ela estava mais aliviada em não precisar fingir naqueles poucos minutos de introspeção, por outro, precisava alcançar Tayuya, afinal de contas seu mestre já sabia de sua chegada e, isso a fez questionar como. no fundo Naomy não precisava pensar muito para concluir que sua mãe tinha se metido nisso.

Naomy manteve o passo firme até desaparecer do campo de visão de Obito, o sorriso vazio ainda sustentado nos lábios até o último segundo em que alguém poderia estar observando. Só quando virou o corredor estreito que levava aos fundos do restaurante é que a expressão caiu por completo. O ar saiu pesado pelos pulmões e os ombros relaxaram minimamente, como se estivesse finalmente autorizada a existir sem encenação.

Ela não foi direto ao banheiro. Sabia exatamente onde encontrar quem procurava.

Os passos desaceleraram de propósito, atentos, calculados. O fluxo de clientes diminuía naquela área mais reservada, onde lanternas menores iluminavam apenas o suficiente para não chamar atenção. E então, como esperado, ela a viu.

Tayuya estava encostada na parede lateral, os braços cruzados, o olhar fixo nela desde o momento em que se levantara da mesa. Não havia surpresa ali. Apenas confirmação.

— Demorou. — a ruiva disse, a voz baixa, impaciente, mas sem perder o tom característico de deboche.

Naomy não respondeu de imediato. Aproximou-se o suficiente para que qualquer conversa soasse como algo casual para quem passasse, mas manteve a distância segura de quem sabia exatamente com quem estava lidando.

— Você não muda. — respondeu por fim, igualmente baixa. — Continua aparecendo sem ser convidada e agindo como se fosse uma adulta.

Tayuya soltou um riso curto pelo nariz, descruzando os braços.

— E você continua fingindo que não esperava. — rebateu, inclinando levemente a cabeça. — O sensei já sabe que você tá aqui.

Aquilo não a surpreendeu, apenas confirmou seus pensamentos ao ver a ruiva por ali, ainda assim queria confirmar mais algumas certezas. Os olhos de Naomy estreitaram minimamente.

— Como?

— Sério que você ainda pergunta? — Tayuya ergueu uma sobrancelha, claramente achando graça. — Você deixou um rastro, princesa. Não de chakra... de informação. E vamos combinar, sua família nunca foi muito boa em guardar segredos.

Naomy fechou a expressão por um segundo. Então era mesmo isso. Sua mãe.

Claro.

— Ele quer me ver? — perguntou direto, torcendo por um sim.


— Quer. — Tayuya respondeu sem hesitar. — Mas não gostou nada de saber que você não veio sozinha. — ela bufou, odiava ser a garota dos recados porém, cumprira com todas as ordens de seu mestre sem reclamar. — Ele não confia nele. — completou, agora observando cada microrreação de Naomy.

— Ele não precisa confiar. — Naomy respondeu firme. — Só precisa falar comigo.

Tayuya soltou um leve estalo com a língua.

— Você sempre foi assim... acha que consegue controlar tudo. — deu um passo à frente, diminuindo a distância entre elas. — Mas isso aqui não é Konoha. E aquele ali — fez um gesto vago na direção do salão — não é alguém fácil de ignorar.

Naomy sustentou o olhar.

— Eu não estou ignorando.

— Tá tentando separar. — corrigiu Tayuya, com um meio sorriso enviesado. — E isso nunca termina bem.

Por um instante, o silêncio voltou. Naomy odiava o quanto aquela adolescente era petulante.

— Amanhã. — Tayuya disse por fim, recuando meio passo. — No fim da tarde. Floresta ao norte, depois do terceiro rio. Você vai saber onde é.

Naomy assentiu uma única vez.

— Eu vou e não me subestime, você sabe muito bem o que acontece quando comentem esse erro.

Tayuya a observou por mais um segundo, como se avaliasse algo além das palavras.

— Sozinha. — acrescentou.

Naomy não respondeu imediatamente, mas também não recusou e isso foi resposta suficiente.

A ruiva sorriu de lado, satisfeita.

— Boa garota.

Sem mais uma palavra, virou-se e desapareceu pelo mesmo caminho de onde veio, como se nunca tivesse estado ali.

Naomy permaneceu parada por alguns segundos, o olhar perdido no ponto onde Tayuya sumira. A informação já começava a se organizar na mente dela, encaixando-se perfeitamente.

Orochimaru não só sabia, como estava esperando e queria vê-la sem interferências.

Ela fechou os olhos por um breve instante, respirando fundo antes de finalmente se mover em direção ao banheiro, desta vez de verdade. Isso fez com que calculasse o quanto sua mãe deveria estar brincando com ela, afinal de contas só tinha algumas horas que havia pisado no país do arroz e provavelmente seu mestre soube de seu rastro assim que cruzou os portões de Konoha. Naomy adentrou a cabine e deixando as emoções transcorrerem pela pele, precisava de alguns segundos a mais, recuperar o controle com a expressão alinhada, com o papel pronto para ser retomado.

O pior era pensar que do outro lado daquele corredor, havia outro problema. Outro tipo de tensão que ela ainda não tinha decidido como lidar.

Quando voltou ao salão, o rosto já estava recomposto. A postura, impecável. O olhar, firme, mesmo que em sua mente pensasse na melhor forma de executar o plano e finalmente se encontrar com Orochimaru sozinha.

Obito viu quando ela saiu, notou a cabeleira vermelha de longe através da visão de Naomy e soube naquele exato momento que a ruiva se tratava de umas das ninjas da vila do som, ele então esperou que sua esposa sumisse de suas vistas para ir na mesma direção que ficava o banheiro masculino, ele se manteve intangível e invisível enquanto se esgueirava pelo corredor estreito e ouvia a conversa delas.

— Ele quer me ver? — Fora o Naomy perguntou de maneira ansiosa e quando obteve a confirmação os ombros relaxaram de uma forma que fez Obito questionar o que ela realmente queria de Orochimaru depois quando a garota de fios vermelhos deixou claro que ele queria vê-la sozinho o Uchiha respirou fundo sabendo que Naomy faria de tudo para lhe dar um perdido.

— No fim da tarde. Floresta ao norte, depois do terceiro rio. Você vai saber onde é.

Essa foi a última parte da conversa que ele escutou e o suficiente para que retornasse a mesa e esperasse por ela. Assim que Naomy retornou, Obito observou a face da esposa, estava suavizada, mesmo que estivesse claro que ela ainda lutava para manter a falsa sensação de mulher apaixonada e feliz com a lua de mel, algo que o irritava profundamente pois ele realmente queria ver essas emoções nela.

Ele apoiou o cotovelo na mesa, girando lentamente o copo entre os dedos, mas não bebeu.

— Demorou. — disse por fim, os olhos fixos nela. — Problemas no caminho? — A pergunta parecia simples.

Mas não era.

Naomy poderia responder com qualquer coisa. Uma desculpa, uma meia verdade, um desvio elegante. E ele saberia. Obito inclinou levemente a cabeça, o olhar descendo por um segundo pelo rosto dela, como se buscasse alguma rachadura naquela fachada perfeita.

— Ou encontrou alguém interessante? — Agora não havia mais espaço para ingenuidade. Não depois do que ele ouviu, sobre escolhas sendo feitas... sem ele.

Ele deixou o copo de lado, o som leve da cerâmica contra a madeira marcando o fim daquela falsa calmaria.

— Vamos direto ao ponto, Naomy. — a voz dele baixou um pouco, mais controlada, mas carregada de algo mais áspero. — Você vai tentar me deixar pra trás amanhã?

Obito se recostou na cadeira, cruzando os braços, o olhar ainda preso nela com uma intensidade que não precisava de elevação de voz para se impor.

— Porque se for isso... — uma pausa breve, o maxilar tencionando minimamente — você podia pelo menos ter a consideração de me avisar.

A irritação dele vinha do fato de que, mais uma vez, ela estava escolhendo lidar com algo importante... sem incluí-lo. E isso, para alguém que acabara de admitir que falhou exatamente nisso no passado era um golpe direto demais.

Os olhos verde-mel mostraram todo o alarme que se seguiu ao ouvi-lo, mas Naomy sabia que não era seguro conversarem sobre esse assunto de maneira tão exposta, por isso respirou calmamente e bebeu um pouco do saque.

— Peça a conta marido. — Aquela era a primeira vez que o chamava daquele jeito e todos os sentidos de Obito se embaralharam, mesmo que o shinobi extremamente experiente estivesse ali presente no lugar do Uchiha travesso que costumava ser com ela.

Ele pediu a conte e após pagarem, saíram pela porta da frente conversando calmamente sobre a comida, ao melhor, ela falava e ele ouvia em silêncio e a encarando descrente pela troca de assunto e por fingir que ele não tinha dito nada.

"Se ela continuar com essa porra, eu vou levá-la para o kamui aí vamos conversa direitinho." Pensou um pouco irritado conforme Naomy se aproximou um pouco dele e grudou em seu braço

— O quê? — Ela indagou. — Estou apenas seguindo com as aparências.

Aquilo o enervou ainda mais. Nada estava saindo como planejado e para completar sentir o corpo quente de Naomy grudado em seu braço era uma puta perda de juízo, ao ponto dele retribuir com um toque mais ousado antes mesmo de chegarem ao hotel, tendo a esposa apertada contra seu corpo, as mãos na cintura e os seios dela prensados em seu peitoral, o olhar desceu uma oitava até parar nos lábios carnudos e bem desenhados e a parede fria atrás dela foi o encontro de suas costas. Um pequeno ofego deixou seus lábios e o olhar lascivo e raivoso dele brilhou.

— O quê? Só estou encenando, esposa. — O sorrisinho cínico moldou os lábios bonitos que agora eram contemplados pelo olhar dela e a situação estava prestes a sair do controle.

Obito estava perto demais.

Perto o suficiente para que ela sentisse o calor dele atravessando o tecido.

Perto o suficiente para que o cheiro dele embaralhasse qualquer linha de raciocínio coerente.

E perto demais... para ser apenas encenação.

Os olhos dela encontraram os dele, e o que viu ali não era só provocação e costumeira irritação. Das pupilas dele parecia escorrer o mais puro desejo, algo que ele não estava mais fazendo questão de esconder.

— Não faz isso. — a voz dela saiu mais baixa do que pretendia, mas firme o bastante para não soar frágil. — Não mistura as coisas.

Mas ela não o empurrou pois mesmo querendo que ele não quebrasse aquela barreira, também queria que ele cedesse e isso... ele percebeu.

Os dedos dele apertaram um pouco mais a cintura dela, como se testasse até onde poderia ir, até onde ela permitiria sem reagir de verdade.

— Misturar? — ele repetiu, com um meio riso que não tinha humor algum. — Engraçado... você fala isso depois de praticamente combinar um encontro às escondidas com Orochimaru.

O olhar dela endureceu imediatamente.

— Não é aqui que a gente fala sobre isso. — rebateu, tentando manter o controle, mesmo com o corpo ainda preso entre ele e a parede.

— Então onde é, Naomy? — ele inclinou o rosto um pouco mais, a voz mais baixa agora e perigosa. — Porque claramente não é comigo.

Obito desviou o olhar dos olhos dela por um instante descendo até os lábios, gravando mentalmente a forma como o corpo reagia mesmo tentando se manter firme.

— Você tem uma habilidade impressionante, sabia? — murmurou, voltando a encará-la. — De me deixar puto... e ainda assim— Ele parou. Como se tivesse percebido o que estava prestes a dizer ou fazer.

Os dedos dele deslizaram minimamente na lateral do corpo dela, ainda firmes, ainda presentes... mas o toque mudou, se tornando mais suave.

— Eu acabei de admitir que errei com você lá atrás. — continuou, agora mais controlado, mas ainda intenso. — E a primeira coisa que você faz é... repetir a mesma merda comigo?

O tom de frustração não conseguia mascarar o ciúme. Naomy sustentou o olhar dele, o peito subindo e descendo mais rápido do que gostaria.

— Não é a mesma coisa. — respondeu, firme. — Eu não estou te descartando.

— Então me inclui. — ele retrucou na mesma hora, sem hesitar. — Aquela tensão que já não cabia mais dentro de um simples "disfarce". Os olhos dele não saíram dos dela. — Ou você vai mesmo tentar me deixar pra trás amanhã?

Naomy não queria responder aquela pergunta e ele percebeu, principalmente quando ela só pensava o quanto as respirações estavam próximas demais ao ponto de sentir o roçar em sua boca. Se Obito a beijasse naquele momento ela não resistiria ou sequer hesitaria, afinal de contas queria muito aquele toque mesmo de maneira inconsciente.

A respiração dela bateu na dele quente e irregular. E isso foi o suficiente para fazer qualquer resquício de paciência dele se esfarelar.

— Você não vai responder, né... — murmurou, a voz rouca, baixa, quase encostando nos lábios dela. Parou tão perto que era cruel. — Você é impossível. — sussurrou, com um resquício de irritação misturado a algo muito mais perigoso.

Então, finalmente, os lábios dele encontraram os dela com precisão, quentes, firmes, pressionando o suficiente para arrancar dela uma reação imediata. E veio. O corpo de Naomy respondeu no mesmo instante, como se aquela resistência toda simplesmente tivesse deixado de existir no momento em que ele cruzou a linha.

As mãos, que antes estavam tensas ao lado do corpo, subiram, encontrando o tecido da roupa dele, segurando, puxando-o mais para perto como se precisasse diminuir qualquer espaço que ainda existisse entre eles.

O ósculo aprofundou, a língua dele deslizou contra a dela sem pedir permissão, explorando, tomando espaço, enquanto a mão na cintura apertava mais, firme, puxando o corpo dela contra o dele de um jeito obsceno que logo se tornaria perigoso estarem em público e ela respondeu na mesma intensidade.

O som baixo que escapou dos lábios femininos ficou preso entre os lábios dos dois, abafado, mas presente, e aquilo foi o suficiente para fazer Obito perder o pouco de controle que ainda sustentava.

A outra mão dele subiu, encontrando o rosto dela, segurando com firmeza, o polegar deslizando pela linha do maxilar enquanto ele inclinava levemente a cabeça, aprofundando ainda mais o beijo, como se estivesse testando até onde ela iria.

Se o Uchiha conhecesse bem a esposa saberia que ela jamais recusaria um desafio como aquele. Se entregando livremente aos braços dele deixando de lado tudo oque sua mente fazia questão de formular, pois no momento o que importava era o contato macio da boca dele na sua e das mãos firmes e quentes passeando por seu corpo, mesmo que ainda houvesse um resquício de controle. Quando finalmente se afastaram foi pela falta de ar.

Mas o bastante para que o ar voltasse a existir entre os dois. Ainda assim, não a soltou.

— Amanhã... — começou, agora com a voz mais controlada, mas ainda carregada — se você tentar fazer isso sozinha... — Os olhos dele prenderam os dela outra vez. — Eu vou atrás de você.

E ele voltou a tomá-la agora ela sabia de sua intensidade e ele estava igualmente viciado na dela. O beijo de Naomy era viciante e Obito se sentiu preso, quanto mais explorava dos lábios dela, mais queria.

Era o encaixe perfeito assim como ela se encaixava perfeitamente em seu corpo e seu peito, mais uma vez se afastaram pela falta. As respirações se misturaram, próximas demais, os rostos ainda a poucos centímetros, os olhos demorando um segundo a mais para se abrirem completamente.

E quando abriram... nada estava igual. Não teriam como negar aquela sensação que ainda formigava por suas peles e que os fazia querer mais.