Primeiros erros
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— DÊ UM PRAZO AO SEU CLÃ. — A voz era tranquila, mas havia nela aquela firmeza inquestionável que lembrava a todos por que ele ocupava aquela cadeira.
— Informe aos Hyūga que não é possível lançar Naomy nessa missão agora. — Fez uma pausa curta, olhando brevemente para a kunoichi antes de continuar. — Ela já foi designada para outra. Uma missão muito mais arriscada... e na qual a presença dela é necessária.
Shiji permaneceu imóvel, mas os olhos dele se estreitaram quase imperceptivelmente e Minato não se incomodou.
— Depois que ela retornar, precisaremos de algumas semanas. — continuou o Hokage. — Traga então o pergaminho novamente e faremos uma nova avaliação.
A decisão estava tomada e ele entendeu que aquele não era um pedido e sim uma ordem, com a qual não poderia descumprir.
Por um instante o silêncio pairou pesado dentro da sala. Aquilo era um risco político evidente. Nenhum clã tradicional gostava de esperar — muito menos um clã como o Hyūga, com castas tão retrógradas e que está acostumado a ver suas solicitações tratadas com prioridade quase automática. Mas Minato Namikaze não governava Konoha cedendo a pressões de clãs e sim como Hokage.
E com tal, faria as coisas do seu jeito.
O olhar de Shiji deslizou brevemente até Naomy, como se tentasse avaliar se aquela decisão havia partido realmente dela ou se fora apenas uma escolha estratégica do Hokage, depois passou por Obito e a tensão entre os dois homens era inegável.
Ainda assim, Shiji se recompôs rapidamente e fez uma reverência formal.
— Entendo, Hokage-sama. — A resposta saiu respeitosa, embora não completamente satisfeita. — Informarei o meu clã. — Ele então voltou a olhar para Naomy por um segundo a mais do que o necessário.
— Estarei aguardando o seu retorno. — Shiji virou-se e deixou o escritório com a mesma postura elegante com que entrara. Quando a porta se fechou atrás dele, Minato soltou um pequeno suspiro e apoiou os dedos na têmpora.
— Vocês dois... — murmurou. O olhar dele alternou entre Naomy e Obito, ainda carregando aquele sorriso quase divertido. — Eu realmente espero que sejam melhores parceiros em campo do que foram aqui dentro.
Obito cruzou os braços, ainda com o olhar escuro, claramente irritado. Naomy, por outro lado, parecia mais cansada do que furiosa e Minato pegou novamente o pergaminho da missão principal.
— Agora — disse ele — Voltemos ao que realmente importa.
O olhar azul do Hokage ficou sério.
— Porque, se minhas suspeitas estiverem corretas... vocês dois podem estar prestes a entrar em território onde política de clã será o menor dos problemas.
[...]
A reunião não foi o fim dos problemas, com capitão da polícia de Konoha, Obito tinha outro tipo de caos a resolver, mas precisava conversar com Naomy, estava furioso e nem saberia dizer ao certo o motivo, apenas suspirou convencido do que deveria fazer naquele momento.
— Vou deixá-la na casa da vovó. Fui intimado a te levar lá. Depois vou até a polícia resolver alguns assuntos... e te busco para almoçarmos.
Naomy abriu a boca para responder.
— Obito... — Ele não deixou que terminasse. Num movimento rápido, puxou-a para si, pressionando-a contra o próprio corpo de forma tão intensa e íntima que qualquer olhar entenderia o recado.
Naomy era dele.
— Conversamos depois. — murmurou ele.
A respiração foi de encontro com o pescoço dela, quente, o cheiro gostoso do perfume invadiu os sentidos dele perfurando cada canto do Uchiha antes dele se desvencilhar e escorrer os dedos pela mão dela a e continuar caminhando como se nada tivesse acontecido.
"Mas o que foi isso?" — A mente de Naomy gritava, o coração batia tão acelerado e o corpo todo estava quente.
— Você não pode fazer isso no meio da rua Obito— disse ela, tentando recuperar alguma compostura. — Precisa de limites. — Sussurrou, estava mais era tentando se convencer do que qualquer outra coisa.
Ele parou e virou-se para ela com um olhar incrédulo.
"Se fosse o tal de Shiji duvido que seria recriminado. Mas que porra de pensamento é esse?!" — Ele balançou a cabeça espantando o próprio pensamento e assumiu uma postura mais arrogante.
— Caso tenha esquecido, você é minha esposa. — Os olhos dele se fixaram nos dela. — E se precisamos convencer os outros de que estamos juntos... e apaixonados, Naomy... — acrescentou — eu vou te tocar cada vez mais.
Nem ele sabia exatamente de onde tinha vindo aquela sinceridade brusca. Talvez do ciúme mal disfarçado. Talvez do fato de Shiji ter beijado a mão dela minutos antes, ele só não pensou antes de dizer e Naomy não respondeu com palavras, apenas beliscou discretamente o braço dele
— Eu vou fingir que o motivo é apenas esse e não o fato de que seus amigos e Shiji estão bem ali. — Ela não desviou o olhar para o local mas sim, assim que Obito viu o Hyüga conversando com Kakashi e Might, não resistiu.
Pela visão dos jounins tudo se desenrolava com muita clareza. Kakashi observava a cena com aquele tipo de atenção preguiçosa que sempre enganava quem não o conhecia bem. O corpo relaxado, as mãos nos bolsos, a máscara escondendo metade do rosto — mas os olhos, ah, os olhos estavam atentos e divertidos.
"Interessante." — O pensamento veio rápido — "Rin precisa saber disso." — Complementou o próprio pensamento antes de olhar para Shiji.
O Hyüga, agora parado ao seu lado, estava tão confuso quanto Might Guy. Olhava para a cena alguns metros adiante com a sobrancelha franzida, claramente tentando entender o que exatamente estava acontecendo, então resolveu quebrar o silêncio.
— Desculpa se eu estiver me intrometendo, mas desde quando aquilo está acontecendo? — Desviou o olhar rapidamente para Obito e Naomy, que ainda estavam abraçados. Ao melhor, Obito a abraçava intensamente, como se estivesse deixando um recado bem claro para qualquer um que estivesse olhando.
Might foi o primeiro a responder:
— Não faço a menor ideia. — Cruzou os braços, inclinando levemente o corpo para frente enquanto analisava a cena.
Kakashi corroborou:
— Nem eu. — Fez uma pausa breve. — Mas, ao que parece, ele está cortejando ela. — O olhar dele voltou para Shiji. — Não é assim que os clãs tradicionais fazem? Em vez de... — ele gesticulou vagamente com a mão — terem um relacionamento natural e comum?
Shiji apenas deu de ombros fingindo não se importar. Ele não acreditava que os Sarutobis se aliariam aos Uchiha desse jeito. Não eram um clã pequeno ou desesperado por alianças. Muito pelo contrário. Tinham prestígio político, influência militar e acesso direto ao Hokage. Havia outras opções — opções que, estrategicamente, pareciam muito mais vantajosas.
Os clãs do País do Relâmpago já haviam demonstrado interesse, além dos próprios Hyūga. Inclusive ele.
Seria um desperdício enorme. E, sinceramente, Shiji torcia para que aquilo fosse apenas um inconveniente.
Porque, diferente dos outros que se aproximavam de Naomy por interesse em alianças, prestígio ou poder... ele realmente gostava dela.
Ele tinha interesses sua personalidade, seu jeito direto, às vezes irritado, às vezes irônico. Pelos seus gostos simples que ela revelava nas conversas que tiveram ao longo daqueles meses. Nos encontros formais, nas caminhadas pelo distrito, nos momentos em que ele a cortejava com paciência e Shiji percebeu, tarde demais talvez, que havia se apaixonado.
Só faltava deixar isso explícito para ela, oficializar o cortejo e pedir sua mão formalmente, isso é claro, se ela o aceitasse como noivo. Algo que ele pretendia fazer em breve.
Infelizmente para ele... A cena diante de seus olhos parecia anunciar uma realidade diferente. Porque Naomy já não era apenas Sarutobi.
Agora... Ela era Naomy Uchiha.
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