Primeiros erros
2 1
AQUELA REUNIÃO FORA UMA MERDA, Obito estava revoltado com tudo o que teve de aturar e aguentar por parte de Danzou, até mesmo Shisui que costumava ficar do lado do Shimura tinha plena ciência de que ele havia exagerado porém, a voz que mandava naquela situação era a do atual Hokage, ou seja, Minato e ele não aturaria desrespeito e misoginia com clãs por conta de uma rixa antiga e pensamentos arcaicos, porém não tinha como ir contra todo o conselho de uma vez então, mesmo do lado de Obito precisou conter-se nas palavras.
— Talvez ele possa apresentar a noiva no evento. – Minato sugeriu e Obito respirou pesado.
— Um noivado claramente forjado. Está evidente que o rapaz não possui comprometimento suficiente. Todos aqui são pais, líderes de famílias consolidadas. Essa exigência não surgiu com você, Hokage. E continuará existindo quando o seu posto mudar de mãos.
A veia na têmpora de Minato pulsou. Foi sutil, mas perceptível.
Ele levou o copo aos lábios, bebeu um gole de água, e então sorriu — aquele sorriso calmo que antecedia um corte preciso.
— Não se preocupe, Shimura. Quando este posto mudar de mãos, certamente não será para você… nem para qualquer discípulo seu. Afinal, poucos desejariam herdar um fardo tão… indigesto.
Houve um silêncio mortivo na sala enquanto o Uchiha achava engraçado que seu sensei havia perdido parte da paciência para lidar com o Shimura e Obito quase sorriu. Quase. Parecia que Minato tinha absorvido um pouco dos traços de personalidade de Kushina isso é, para quem não o conhecia pessoalmente.
Danzou sustentou o olhar por um segundo a mais do que o confortável. Depois desviou.
As discussões prosseguiram, mas o equilíbrio havia mudado.
...
O corredor da torre estava silencioso quando a reunião finalmente terminou. O som dos passos ecoava discreto pelo piso de madeira polida conforme conversavam.
Obito caminhava alguns centímetros à frente, mãos nos bolsos, expressão fechada. Minato o acompanhava com tanta calma que, para o mais novo era irritante.
— Você quase atravessou a mesa — comentou o Hokage, leve.
— Quase não é o suficiente.
Minato soltou um riso contido.
— Não me refiro somente à mesa.
O silêncio voltou. O ar parecia mais pesado fora da sala do conselho. Ali, não havia testemunhas. Apenas mestre e aluno e Obito poderia ser completamente sincero, só precisava deixar o coração falar.
Minato parou diante da janela, observando Konoha abaixo. Depois falou, sem virar o rosto:
— Você sabe que ele não vai parar.
Obito não respondeu.
— Danzou encontrou seu ponto fraco. Ele vai pressionar até conseguir o que quer. Ou até você errar.
A mandíbula do Uchiha tencionou.
— Então eu não errarei.
— Não é assim que funciona — Minato virou-se finalmente. — Você pode ser brilhante em campo, pode ter se tornado um bom estrategista, pode ter apoio do clã. Mas política não é sobre força. É sobre percepção e quem tem mais aliados e você sabe como funciona, se não tiver o máximo de apoio para a aprovação todos os seus esforços serão desperdiçados.
Obito bufou baixo deixando a raiva falar.
— Percepção de quê? Que eu preciso exibir uma noiva como se fosse um troféu? Isso é ridículo demais porra… desculpa sensei. — Minato ignorou o palavreado, realmente não se incomodava, talvez se Kushina estivesse ali, aí sim teriam problemas.
— Percepção de estabilidade.
O Hokage aproximou-se alguns passos.
— Eles não querem apenas um prodígio ou alguém que esculpiu seu próprio futuro. Querem que pareça enraizado. Alguém que transmita continuidade. Família é símbolo de poder institucional e você sabe disso.
Obito sabia. Era isso que mais o irritava.
Minato cruzou os braços.
— Você precisa decidir logo.
Por alguns minutos a sala permaneceu silenciosa, era tão ruim lidar com isso, até que Obito respirou pesado.
— Eu não vou forçar você — continuou o Hokage —, mas não posso proteger você de todas as investidas. Se quer mudar o conselho por dentro, precisa jogar o jogo deles… pelo menos até sentar à mesa com autoridade suficiente para alterar as regras.
Aquilo era um sermão. E Obito odiava admitir quando Minato estava certo, ele respirou fundo, desviando o olhar para a vila ao longe.
— Eu já pensei nisso.
Minato arqueou uma sobrancelha, atento. Obito falou quase num murmúrio, o contragosto evidente por ter que se render:
— Vou aceitar a proposta do Ichigi.
O silêncio que se seguiu foi diferente, com se o Namizaki estivesse medindo a própria vontade de demonstrar a verdadeira euforia que sentiu.
Minato piscou uma vez. Depois duas e então aquele brilho surgiu nos olhos dele. Um quase juvenil, como se recordasse de algo sem ter a certeza de poder expor.
— Ah…
Obito estreitou os olhos.
— Não faz essa cara.
— Que cara?
— Essa cara de quem já sabia.
Minato não conseguiu esconder o sorriso.
— Eu não sabia. Eu torcia.
— Não é a mesma coisa?
— Para mim? Nem um pouco.
O Hokage estava visivelmente satisfeito. Não apenas politicamente, havia algo pessoal ali e Obito fingia não perceber.
— Você entende o que isso significa, não entende? — Minato perguntou.
— Significa que Danzou vai engolir a própria língua.
— Também.
Obito desviou o olhar, ele não tinha certeza de nada além disso.
Naomy Sarutobi.
O nome ecoava na mente como algo distante e próximo ao mesmo tempo. Quatorze anos. Uma carta guardada. Um presente esquecido que nunca foi realmente esquecido.
Ele não fazia ideia de como ela reagiria.
Talvez risse na cara dele. Talvez fechasse a porta. Talvez aceitasse por pura conveniência política — o que seria pior.
— Isso é complicado — murmurou, mais para si do que para Minato.
O Hokage suavizou a expressão.
— Relações humanas sempre são.
Obito cruzou os braços, tentando parecer indiferente.
— Não estou fazendo isso por ela.
Minato inclinou levemente a cabeça como se ao observar o ex-aluno ele aparentasse ter os mesmos quatorze anos de quando estava perdidamente confuso e, com isso não conteve a própria risadinha.
— Claro que não. — O tom era leve demais, para que o Uchiha levasse em consideração, sentia que o loiro estava tirando uma com a sua cara.
— É estratégia.
— Evidente.
Obito fechou os olhos por um segundo.
Estratégia.
Era isso que ele repetia para si mesmo.
Não tinha nada a ver com a carta guardada.
Nem com o calor daquela lembrança.
Nem com a aliança simbólica que o fez pensar que poderia realmente contar com ela, mesmo após tudo o que aconteceu.
Era apenas política.
E enquanto repetisse isso a si mesmo ficaria bem, pelo menos era isso que continuava pensando.
Fale com o autor