Primeiros erros
2 A primeira vez que saímos juntos
Notas iniciais
Katsuya tentou erguer o rosto para encarar o namorado, estranhando a quietude e imaginando se ele havia pegado no sono, até que Mikaru se moveu ao seu lado, ajeitando no colchão de modo a encarar o teto.
— Eu estava pensando em ser cruel e perguntar algo difícil, mas vou ser bonzinho com você, dessa vez. – Mikaru sorriu de canto, fazendo o namorado duvidar que seria algo fácil – Se lembra da primeira vez que saímos juntos? Pode ser o local ou só o que fizemos.
— Hm… imagino o que perguntaria se quisesse ser cruel mesmo…
— Isso mostra que esses momentos não foram especiais pra você, por isso não se lembra.
— Nem pense em começar com esse joguinhos. – dessa vez foi Katsuya quem se moveu na cama, se colocando sobre o namorado – Você tem memória boa, não tenho nem coragem de competir com isso. Além do mais, eu não gosto de ficar pensando no passado quando posso aproveitar o presente. Não importa o que aconteceu pra gente ficar junto, mas sim que estamos agora.
— Aham… está desconversando novamente. – Mikaru sorriu de canto, contornando o lábio de Katsuya com o dedo, mas havia gostado e muito daquela declaração. O namorado sabia ser gentil e amável, e não só quando queria, mas em todos os momentos – Pode pensar um pouco, se quiser.
— Eu quero. – e soltou o peso do corpo sobre o outro, recebendo um resmungo como resposta, mas teve o corpo abraçado ao invés de ser afastado, sentindo Mikaru brincar e puxar seu cabelo de leve – Hmm… a conversa não foi quando eu estava trabalhando, mas o encontro, levando em conta como você era, o convite partiu de mim.
— Como assim ‘como eu era’? Está muito ousado hoje. Pedindo pra fazer brincadeiras e me criticando…
— Só estou apontando a verdade. Você mudou bastante desde aquela época, quando ficava me afastando e tinha medo até da própria sombra.
— Eu tinha meus motivos. – Mikaru retrucou amuado, enfim empurrando-o para o outro lado da cama – E você está pesado.
— Certo, acho que lembrei. Acredito que quando te chamei pra sair, fomos no parque Yoyogi. Teve uma apresentação de uns amigos e você não tinha me dado certeza se iria, mas acabou chegando antes de mim.
— Hmm… interessante sua lembrança.
— Eu errei?
— Você não tem certeza?
— Ok, errei. Eu não lembro. Desculpe. – deu-se por vencido, virando no colchão e ficando de costas para o namorado. Por que propôs um jogo se não ia participar do jeito certo? Ele devia lembrar! Como Mikaru mesmo disse há pouco, eram momentos especiais para os dois!
— Eu não disse que estava errado. – Mikaru se aproximou, deitando com as costas contra as de Katsuya, achando graça da situação – Notei que, assim como a primeira conversa, você está focando em situações que foram boas. O primeiro encontro não foi memorável e não nos conhecíamos bem, não tinha porque lembrar. O encontro no parque foi agradável, por isso é o que lhe vem à mente. Você está ignorando as situações ruins e excluindo das possibilidades.
— Esse foi um jeito muito bonito de dizer que estou errado.
— Você me convidou pra tomar sorvete quando fui devolver seu casaco e seu celular naquela loja de livros.
Mikaru deixou a lembrança no ar, esperando que Katsuya a confirmasse, mas apenas o sentiu respirar fundo.
— Você foi um grande de um filho da… – Katsuya praguejou, arrancando um risinho de Mikaru – Aquele almoço não foi nem de longe um encontro!
— Eu não perguntei sobre um encontro e sim quando saímos juntos.
— Aquilo foi vergonhoso! Você me levou lá só pra zombar de mim!
— Culpado. – Mikaru se afastou até a outra ponta da cama quando o sentiu se virar, preparado para as acusações.
— E ainda assume! Você queria brincar comigo naquela época.
— Não queria, mas também não queria que se aproximasse. – mesmo que Mikaru estivesse errado, também estava se divertindo com a situação. Nunca havia perguntado a respeito daquela situação, mas pelo visto, ele guardava um pouco de mágoa – A ideia era fazer você desistir de ficar me procurando. Mostrar que eu não era uma pessoa muito legal. Quando contei pro Takeo sobre o almoço, ele me perguntou se eu joguei vinho em você.
— Você não faria isso, por mais que tenha sido um grande sacana! – Katsuya se sentou de braços cruzados, mostrando que ficaria na defensiva a partir daquele momento – Mesmo que o almoço não estivesse agradando, acho que você teria sido sincero e dito o que pensava. Teria sido melhor ir embora do que fazer uma cena e chamar atenção.
— É? Acha que eu não teria coragem de jogar alguma coisa em você?
— Não é bem coragem. Não é da sua personalidade. Talvez você tenha vontade de fazer isso algumas vezes com outras pessoas, mas sempre é racional e tenta resolver conversando.
— Está me pintando como bonzinho, que amável. – Mikaru estendeu as mãos num chamado silencioso para que ele se aproximasse, mas Katsuya se negou a sair do lugar – Realmente, já tive vontade de fazer isso, mas prefiro evitar agressão, principalmente porque eu estaria em desvantagem nesse caso.
— Hmm antes sim, agora eu estou aqui pra proteger você.
— Me protegeria mesmo se eu estivesse errado? Se eu fosse o causador de qualquer coisa que seja?
— Claro que sim! Você já me apoiou muito. É o mínimo que posso fazer em troca. Mesmo que você não esteja merecendo no momento!
— Não quero que entre em brigas por minha causa, ok? – Mikaru sorriu agradecido, pedindo que ele se aproximasse com um gesto, mas recebeu outra negativa, rindo baixinho e tomando a iniciativa de se aproximar – Promete? Nada de confusão por alguém que não merece.
— Se for preciso, eu vou fazer.
— Eu sei que vai, mas não devia. – Mikaru sorriu satisfeito, puxando-o para se deitarem novamente, aconchegando-o em seu abraço – Sua vez de perguntar.
Fale com o autor