Prig Stígur- A Atrevida
14 Conheça William
Notas iniciais

+flashback on+
Logicamente Prig foi expulsa do convento, mas não chegou à ir para casa, não... Ela foi direto para seu lugar de direito, ou seja, o hospício, o Manicômio St. Agnes sempre teve um certo renome por conseguir manter as pessoas loucas bem presas e sem causar danos à sociedade, por quê não colocar uma moça de quatorze anos lá? Afinal loucos são todos iguais.
A morena em questão sorria enquanto era levada pela viatura policial, estava algemada e por isso seus pulsos coçavam e incomodavam, a cabeleira castanha caía pela sua cara, balançando vez ou outra por conta da bufada da moça:
–É muito longe?- Ela perguntou para o policial que a ignorou completamente
O hospício também era afastado da cidade, era um prédio de arquiteura antiga, uma construção imponente e assustadora, as janelas ficavam no topo, as portas eram grandes, mas fechadas, um clima de tristeza e melancolia pairava no ar, Prig respirou fundo e sorriu, o policial a ajudou a sair da viatura e a guiou para o manicômio, os jardins eram lindos, uma explosão de aromas agradáveis e cores harmoniosas, algumas pessoas vagavam a esmo, um homem se aproximou do policial e os dois começaram a trocar informações, a moça nem ligava.
A verdade era que Prig observava outra coisa, um garoto que parecia ter a mesma idade que ela, ele tinha cabelos brancos e feição delicada, poderia ser confundido com uma garota, usava um agasalho comprido e bege, uma meia calça cinza e shorts azuis, os sapatos pareciam de antigamente, ele sacudia os braços para o nada como se discutisse com o vento, a morena sorriu e tentou rumar para o desconhecido.
O policial apertou o ombro da menina fazendo-a parar de imediato, indicou o homem com quem havia falado e a empurrou para a porta, ela caminhou ao lado do funcionário, adentrou o recinto torcendo o nariz, as paredes eram de um branco nauseante, o hall tinha poltronas espalhadas em pequenos grupos com pessoas conversando, tudo parecia normal, algumas pessoas estavam supervisionando o local e vestiam-se como enfermeiros, uma doce música clássica tocava no fundo, por um momento Prig sorriu verdadeiramente, ali ela seria feliz, não é?
Arrastaram-na por um dos corredores, as portas não faziam juz à visão paradisíaca do local, elas eram de ferro, grossas e somente com uma portinhola por onde a comida era servida, ela foi empurrada para mais além, em um depósito sujo e fedido cheio de roupas amontoadas, recebeu um tapa para se afastar da porta que foi trancada, o funcionário sorriu para ela:
–Não se atreva- Ela entoou quase rosnando
–Ora, por que tão arisca? Pelo que eu soube nem vai ser sua primeira vez
–Como...?- Ela pareceu aturdida e o funcionário aumentou o sorriso enquanto se aproximava dela
–Nada é escondido por aqui, sabemos de tudo o que aconteceu no convento e antes, desde que se mudou para a casa de sua tia
–Então podem me ajudar!- Ela exclamou exasperada- Podem provar que fui maltratada, posso alegar legítima defesa...
–Tsc tsc, garota tolinha- Ele sussurrou e a beijou, ela fechou os olhos e obrigou sua mente a escapar dali, um jardim, oh não, o jardim de St. Agnes não, o menino de cabelos brancos parecia inalcançável, com um baque descobriu que estava sem roupas- Garota deliciosa- Ele sussurrou enquanto a penetrava, enquanto a sujava com aqueles toques asquerosos, ela não resistia, apenas tentava fazer sua mente voar e conseguia em meio aos gemidos contidos do homem, ela fechou os olhos, não sentia nada e não sabia se isso era bom ou ruim
O País das Maravilhas abria as portas convidativo, por lá era fácil se viver, ninguém a queria tocar, apenas servir chá ou cortar sua cabeça, ás vezes os dois ao mesmo tempo, com um intervalo de ser julgada no tribunal, claro que sempre existia a possibilidade de jogar críquete. A mente de Prig voava longe, já seu corpo suportava silenciosamente, ela piscou uma, duas vezes, nada aconteceu, continuava no chá com a Lebre Maluca e seu caro Chapeleiro.
Tomou seu chá que tinha gosto de água suja e comeu sua fatia de bolo que tinha gosto de ovo podre, recusou as outras comidas e bebidas, uma vez havia sido suficiente, seu estômago não reclamava da decisão, o cenário ficou branco, mais branco e mais branco, a morena piscou e voltou à realidade, estava deitada em um chão branco e acolchoado, as paredes eram do mesmo material, uma porta pequena de madeira com uma janelinha ficava à sua frente, a moça tentou se levantar e percebeu que seus braços estavam presos... Camisa de força, ela estava usando uma camisa de força. Uma enfermeira entrou pela porta quase sem provocar ruídos:
–Senhorita Stígur, você tem que tomar sua injeção matinal- Ela anunciou como se aquilo fosse normal
–É de manhã?- A morena girou a cabeça tentando captar um resquício do mundo lá fora, nada, absolutamente nada, ela suspirou
–Sim, agora fique quietinha
–Injeção para que?
–Eu já te expliquei ontem e anteontem
–Impossível, eu cheguei aqui faz pouco tempo- Ela murmurou enquanto sentia a picada da agulha
–Este já é o seu terceiro dia aqui- A enfermeira respondeu retirando a agulha e saindo da sala com passos apressados
Todas as reações seriam aceitas ao descobrir tal coisa, todas exceto uma, justamente o que a morena fez, não gritou, não fechou os olhos, não chorou, não praguejou ou amaldiçoou ninguém, não permaneceu quieta, não entrou em choque, Prig Stígur tombou a cabeça e gargalhou, gargalhou mais alto do que nunca, gargalhou até sentir seus pulmões queimarem, até seu fôlego se extinguir e ela desmaiar na sala branca e vazia, ou melhor, quase vazia, nunca podemos ignorar a presença de uma sombra sem dono no canto, ou podemos?
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