Pride and Joy

19 Capítulo 19


Notas iniciais
N/A: Plot rolando! Espero que gostem e que criem expectativas pro próximo capitulo. Façam suas apostas!
[N/A (13/04/2012): Capítulo corrigido/revisado]

PRIDE AND JOY


Sasuke acordou cedo, seu corpo cansado e dolorido. Piscou algumas vezes até que fosse possível se acostumar com a iluminação do ambiente. Escutava alguns barulhos abafados de coisas batendo no chão e zíperes sendo fechados. Focalizando melhor o quarto, percebeu que havia uma mala ao pé de sua cama, aparentemente feita e fechada com um cadeado.

Voou para fora do quarto, procurando Itachi. Encontrou seu irmão em seu próprio quarto, retirando peça por peça do seu baú secreto e colocando em uma mala menor. Havia uma mala também aparentemente feita no pé de sua cama, e Sasuke não deixou de perceber que as portas do armário de seu Nii-san estavam abertas vazias.

_ Nós partimos em uma hora. – Itachi falou ao ficar consciente da presença de seu irmão no quarto, antes mesmo que ele questionasse qualquer coisa. Alguns segundos se passaram até que um dos irmãos se pronunciasse novamente.

_ O que você fez ontem Itachi. – Não foi um questionamento, foi uma ordem. Itachi suspirou pesadamente ao evidenciar o quanto Sasuke podia parecer consigo quando assim desejava. Olhou nos olhos gélidos e inexpressivos do irmão, sabendo que ele havia entendido que estavam fugindo por algo que o mais velho havia feito.

_ Fugaku esta atrás de nós, precisamos sair do país.

_ Itachi – o mais novo caminhou em passos firmes ate ficar a frente do irmão, indicando com o olhar que exigia que esse se levantasse do chão. Itachi assim o fez, abaixando um pouco o olhar para encarar o rosto irritado de Sasuke, se perguntando quando o garoto havia começado a parecer tão ameaçador – O. Que. Você. Fez.

_ Eu fiz Fugaku saber que estamos vivos. – Mas não adianta o quanto Sasuke parecesse ameaçador, Itachi nunca se intimidaria.

Atrapalhando qualquer outro pensamento, o punho de Sasuke colidiu com o maxilar de Itachi. O mais velho caiu sentado em sua cama, acariciando a face machucada. O olhar arregalado pela ousadia do caçula.

_ IDIOTA! – grunhiu o rapaz, pulando em cima do irmão e tentando ataca-lo novamente, sendo imobilizado com rapidez. Estava corado de raiva, seu corpo tremia.

_ Sasuke escuta! Isso faz parte do plano! Isso...

_ ISSO É O QUE ELE SABE! – Sasuke gritou, fazendo o mais velho se calar – EU IMAGINO SEU PLANO IMBECIL! FUGIR ENQUANTO ELE NOS PROCURA SEJA LA ONDE VOCE TENHA DADO EVIDENCIAS DE ESTARMOS, NÃO É?

Itachi, ainda calado, percebeu as lágrimas de raiva se formando no olhar de Sasuke, o desespero tomando conta de seu corpo e afastando pouco-a-pouco a raiva.

_ Eu sou seu irmão! Eu sei como seu cérebro funciona. – Sasuke falou, deixando as lágrimas escaparem – e ele é seu pai! Ele também sabe como você pensa Itachi!

_ Não, Sasuke, escuta.– Itachi soltou o corpo do irmão, limpando as lágrimas com os dedos, deixando claro que não vê-lo chorar – Gaara me ajudou, Gaara me delatou. Ele acha que nos somos rivais, ele vai acreditar nele Sasuke. Se acalme...

_ Por que aquele verme te ajudou?

_ Porque nós dois saímos ganhando nessa história! Nós a liberdade, e ele a empresa!

_ Justamente! Qual seria a lógica Itachi? – Sasuke perguntou, empurrando o irmão para longe de si e limpando o rosto com a manga do pijama – Faz logica pra gente, mas pro nosso pai não. Por que Gaara iria ajudar Fugaku a nos encontrar se voltaríamos a viver com o pai? Tá certo que iriamos sofrer no inferno de novo e isso agradaria profundamente o Gaara, mas a empresa seria dividida com a gente de qualquer jeito. Não teria por que ele nos delatar se fosse por causa da empresa Itachi! O pai vai perceber isso!

O mais velho caminhou de volta ao baú, se sentando no chão e tornando a fazer a mala de seus pertences. Sasuke assistia a cena estupefato, não era possível que seu irmão não tivesse previsto isso. Devia haver mais, tinha que haver mais.E há mais. O inconsciente de Sasuke gritava em sua mente... sim... havia mais.

_ Sasuke... – Itachi recomeçou a falar, o mais novo não conseguia visualizar o rosto do irmão, estava encoberto pelas sombras que a franja fazia devido a iluminação no quarto. Mas pelo pouco que conseguia observar de suas mãos tremendo, ele deveria estar iniciando uma conversa séria – Eu te peço, mais uma vez, que você confie em mim.

_ Confiar? Confiar em alguém que nunca me conta a verdade? Que só diz meias-verdades ou me esconde informações importantes? Que toma uma decisão dessa magnitude sem sequer perguntar minha opinião? Me ensine como fazer isso, porque está cada vez mais difícil, e doloroso, confiar em você. – Sasuke levantou da cama de Itachi, pretendendo andar em passos firmes para o seu quarto. O primogênito, no entanto, segurou o irmão pelo calcanhar, impedindo que este andasse mais um passo.

_ Se Fugaku encontrar a gente, não terá herdeiros Uchiha para comporem o espólio da empresa. – sussurrou em voz baixa.

_ O... que...? O que você está insinuando? – perguntou com a voz tremula.

_ Fugaku não esta nos procurando porque nos quer de volta a casa dele. Ele quer vingança.

_ Do que você t falando? Escute, obviamente ele tá puto. Claro, a gente apanharia, ele iria me por num colégio interno, te prender no pé da cama com uma corrente ou algo assim, mas ele não vai nos matar Itachi. Você está louco?

_ Sasuke, – Itachi se pôs em pé e encarou Sasuke com as feições frias, aquelas que o mais novo simplesmente interpretava como desespero do irmão mais velho quando direcionadas para si – acredite, eu tenho meus motivos pra achar isso. Confie em mim.

_ O que você fez?

_ PORRA! – perdendo a paciência, Itachi se levantou e deu um chute na cadeira da escrivaninha, fazendo-a colidir com a parede e quebrar duas pernas. Sasuke engoliu em seco, não era normal ver Itachi agir desse jeito. O que estava acontecendo no apartamento dos irmãos Uchiha aquele dia? – Por que sempre tem que ser EU que fiz algo errado Sasuke! Por que não da pra você entender que não temos tempo pra discutirmos esse tipo de coisa, trocar de roupa e se preparar pra viagem? Hein? Eu não fiz nada! Bosta!

Os irmãos Uchiha se encararam com feições duras, ambos decididos a manter a sua razão sem demonstrar fraqueza. Itachi foi quem quebrou a briga de olhares primeiro, virando as costas para Sasuke e voltando em seus afazeres.

_ Eu espero que você saia da adolescência logo.

_ E eu espero que você pare de ser um egocêntrico prepotente logo. – Sasuke falou, saindo do quarto batendo a porta.

(***)

_ Rodoviária?

Essa foi a palavra que quebrou o voto de silêncio do irmão Uchiha mais novo. Sasuke piscou atordoado olhando a movimentação de pessoas saindo e entrando da Rodoviária, sentindo-se incomodado por estar próximo de tanta gente.

_ Rodoviária. Eu não conseguiria entrar num avião com o conteúdo da minha bagagem. – Itachi respondeu, pegando a mão direita de Sasuke com a sua esquerda – Não faca mais perguntas ate estarmos sozinhos de novo. Prometo que responderei algumas delas.

Sasuke corou com o gesto de carinho. Sabia que Itachi estava irritado consigo, mas que ainda sim tinha medo de se perder do irmão no meio da multidão. Entendia que era errado brigar com ele na véspera de tomar uma atitude tão importante na vida deles, mas era inevitável. Itachi estava escondendo algo, e ele estava cansado de nunca saber o que é.

Todavia, estavam em publico e não havia a mínima possibilidade de discutir a respeito disso. E Itachi estava, finalmente, prometendo respostas.

Seguiram em frente, retirando a passagem no guichê e entrando na fila do ônibus. O primogênito olhava constantemente por cima do ombro, de uma maneira sutil de modo que apenas Sasuke era capaz de perceber, tentando ver a existência de qualquer ameaça. Ambos os irmãos suspiraram aliviados quando o ônibus deu sua partida, indicando que não teriam que se preocupar em serem descobertos até a próxima parada.

Aconchegando a cabeça na janela do ônibus, observando a chuva fina bater no vidro e embaça-lo de modo que não era possível ver o exterior claramente, Sasuke dormiu.

Acordou algumas horas depois, percebendo que havia se movido durante o sono. O silêncio indicava que todos os demais passageiros do ônibus estavam adormecidos, então já deveria ser noite. Deitava no ombro de Itachi, e este estava concentrado em ler um livro que segurava na mão esquerda, enquanto com a direita acariciava delicadamente os cabelos do irmãozinho. Sasuke tornou a fechar os olhos, tentando fazer o moreno mais velho não perceber que havia acordado, para que assim sentisse o carinho por mais alguns minutos.

_ Otouto, você não precisa fingir que esta dormindo. – Itachi falou, sem tirar os olhos da leitura iluminada fracamente pela luz individual do assento de ônibus.

_ Achei que estava bravo comigo – respondeu, trazendo o corpo ainda mais para próximo do irmão.

_ Eu estou. – Itachi falou, fechando o livro com uma mão apenas, depositando-o em seu colo e virando para encarar o irmão, sorrindo daquele jeito malicioso que só ele conseguia fazer. Sasuke sentiu novamente seu rosto corar – Mas depois eu castigo você.

Itachi riu de leve com a reação do irmão, e puxou um papel do bolso interno do casaco, estendendo-o para o mais novo ler.

_ O que é isso? – Sasuke perguntou enquanto seu rosto retornava a coloração natural. Itachi fez um sinal de silêncio aproximando o indicador da boca, e o pequeno Uchiha leu o conteúdo do papel.

Era uma reportagem jornalística, recordada do jornal daquele dia. Itachi e Sasuke tinham suas fotos estampadas no topo da página, assim como a manchete "Família Uchiha: Quando terá seu final feliz?". O texto da reportagem continha informações sobre o paradeiro de Itachi, testemunhas relatando tê-lo visto nos arredores de Suna, falando estar desacompanhado de Sasuke. A reportagem relembrava a suposta morte dos irmãos Uchiha, mas discorria sobre indicativos de que Itachi Uchiha teria sequestrado o herdeiro mais novo e o assassinado, sendo assim um foragido da lei. "Os indícios de sangue no local do desaparecimento dos irmãos Uchiha mostra que claramente houve uma briga, Itachi Uchiha provavelmente usou esses indícios para forjar um sequestro seguido de morte. Deve ser considerado perigoso, provavelmente armado" – falava, em determinado paragrafo, um detetive policial. Havia, por fim, a indicação de números para disk-denúncia e uma informação de Fugaku Uchiha sobre um aumento na recompensa por sua captura ou informações mais concretas.

_ Eu peguei isso na última parada, na loja de conveniências. Você nem se mexeu quando eu levantei...

_ Isso é um absurdo! – Sasuke falou revoltado, sendo silenciado por um beijo leve do irmão, que sorria. Abraçou com força, sussurrando de leve em seu ouvido uma resposta:

_ Isso é o que eu queria. Eles estão procurando apenas por mim, caso eu seja pego você está livre.

Sasuke se afastou de Itachi, olhando em seus olhos e segurando sua cabeça com as mãos, estava evidentemente assustado.

_ Prometa. Prometa que isso não vai acontecer. Jure. – sussurrou em resposta, tão baixo que Itachi só pode identificar o que o irmão falara através de leitura labial.

_ Eu não posso prometer o que eu não sei se vai ou não acontecer. – Ele respondeu, colocando suas mãos sobre as do irmão que ainda estavam na lateral de sua cabeça, acariciando-as com cuidado. Observou os olhos de Sasuke se encherem de lagrimas, e sorriu na tentativa de acalmar o menor — Mas eu prometo que vou me esforçar bastante.

Sasuke observou os olhos do irmão por mais alguns segundos, vendo todo o medo do futuro que os acompanharia adiante. Não mais suportando, deixou as lágrimas correrem, abraçando Itachi e deitando a cabeça no peito do irmão, de modo que este abafava seus soluços. Itachi voltou a acariciar os cabelos de Sasuke, e assim ficaram os dois irmãos, ate adormecerem em conjunto.


(***)


_ Gaara!

O ruivo estremeceu coma voz do outro lado da linha. Não esperava que Naruto fosse tentar telefona-lo de um telefone publico para não ser reconhecido, e, assim, atendido. Não estava pronto para conversar com o loiro, pelo menos não ainda. Nada respondeu, mas foi incapaz de desligar o telefone, desejando ouvir seja lá o que fosse que este tinha para dizer.

_ Onde você esta? – e foi isso a primeira coisa que o loiro pronunciou. Gaara suspirou aliviado, pelo menos a conversa não tinha começado tão fora do comum.

_ Estou na empresa, trabalhando.

_ Você tem dezesseis anos, como pode estar trabalhando na empresa?

_ Hn. Eu sou herdeiro, trabalho aqui desde o ano passado como aprendiz.

_ Que seja – Naruto falou rapidamente, como se estivesse com extrema pressa – Você leu o jornal hoje?

_ Não tive tempo ainda. Mas é de se surpreender que um Baka como você tenh...

_ Itachi e Sasuke foram descobertos.– Naruto falou, interrompendo o ruivo. Gaara olhou por cima do ombro, e após se certificar de que estaria sozinho.

_ Eu sei. Estava planejado.

_ O que você sabe sobre isso? Porque ninguém me falou nada, e eu ligo pra casa deles e ninguém atende, já bati lá e não tem ninguém. Os celulares estão fora de área. Por favor Gaara, não minta pra mim de novo.– Naruto falou tudo isso muito rápido, se o ruivo teve que fazer esforço para compreender cada palavra.

Neste momento, Fugaku Uchiha entrou na sala de Gaara, sua presença sendo notada prontamente. O ruivo sentiu o sangue gelar, mas manteve as feições impassíveis.

_ Sim... mas é claro que podemos discutir essa proposta senhor. – Falou no telefone, implorando mentalmente para Naruto entender.

_ Que diabos? Gaara, fala dos Uchiha...

_ Podemos discutir isso também oportunamente. Que tal um almoço de negócios? Vou fazer uma reserva e peço para minha secretaria entrar em contato com o senhor, informando-o. Agora se me der licença, nosso presidente da corporação esta me esperando pra uma reunião.

_Presidente...? – Naruto falou, entendendo depois de alguns segundos o que havia acontecido – Oh. Ok. Mas isso não acaba aqui. Vou te ligar de novo.

Gaara desligou o telefone com um click, e indicou para que Fugaku tomasse a cadeira a sua frente.

_ Vejo que os negócios andam bem. – O homem mais velho falou, analisando de maneira imparcial seu subordinado. Gaara tentou parecer confortável, folheando uma pilha de papeis a sua frente.

_ Andam, na verdade. Teremos um aumento de 50% nos investimentos se continuarmos com as proposta de...

_ Sabaku. – Gaara encarou seu chefe nos olhos, odiando profundamente este dom que todos os Uchiha tem de esconder suas emoções. Sentiu suas células gritarem de alivio quando este estendeu uma mão de forma amigável. Tomando-a com a sua, escutou o que o Uchiha tinha a lhe dizer – Apreciei consideravelmente suas informações de ontem a noite. Já tomei as devidas providencias e creio que em alguns dias meu filho ingrato estará atrás das grades. Espero que encontrem Sasuke vivo.

Mas Gaara não era ingênuo, sabia muito bem o que Fugaku iria fazer se botasse as mãos nos filhos.

_ Certamente senhor. – No entanto, sabia o papel que deveria interpretar. Afinal, a vida dos irmãos Uchiha dependiam de sua desenvoltura.

_ Vim trazer sua recompensa. – Fugaku disse, colocando uma maleta em cima da mesa de Gaara, abrindo-a e revelando a imensa quantidade de dólares verdes em seu interior. Gaara arregalou os olhos – São cinco milhões e quinhentos mil, conforme ofertado.

_ Senhor, não desejo seu dinheiro. Fiz o que fiz pelo bem da empresa. Mal posso imaginar quão terrível seria se Itachi aparecesse após sua morte declarando o que lhe é de direito, seria uma afronta a sua memoria devido ao que fez contra Sasuke.

Fugaku sorriu e se levantou, andando com passos firmes para a porta, deixando a bolsa de dinheiro aberta ainda em cima da mesa do ruivo. Gaara nunca havia visto o homem sorrir, e isso era demasiadamente assustador. Não parecia, nem de longe, um sorriso genuíno, e sim um perverso cheio de más intensões.

_ Então considere isto um presente. Você deveria ter nascido Uchiha, certamente age como um. – Fechou a porta com um click atrás de si, e Gaara expirou aliviado, tornando-se finalmente confortável em sua cadeira. Com as mãos ainda trêmulas, pegou o celular para retornar a ligação de Naruto.

_Alô.

_ Naruto. Eu não posso falar tudo que aconteceu por telefone, mas se quiser conversar, posso ir até a sua casa.

_ Você vai viajar até aqui?

_ Sim... Tem uma coisa – Gaara olhou para o dinheiro reluzente em cima da mesa – que eu quero te dar.

_ Hm... ok. Venha rápido então.

_ Certo. – Gaara se preparava para fechar o flip do telefone, mas ouviu a voz de Naruto na outra linha.

_ Existem outras coisas que precisamos conversar também... – a voz era indecifrável, Gaara não conseguia perceber se Naruto parecia irritado, indiferente ou feliz. Mordendo o lábio, respondeu:

_ Sim, existem. – ambos ficaram alguns segundos em silêncio, sem saber exatamente o que falar. Gaara ouviu Naruto suspirar pesadamente no outro lado da linha, antes de se despedir.

_ Até breve.

_ Até. – e fechou o telefone com um click, passando as mãos pelo cabelo cansativamente. Tinha a leve impressão de que as coisas iriam piorar consideravelmente...


(***)


A saída do país foi tranquila. Em três dias já haviam atravessado a fronteira, e em apenas mais um, no máximo dois, estariam na cidade almejada. Mas os irmãos estavam exaustos, ficar tanto tempo dentro de ônibus era por demasiadamente cansativo, por mais que trocassem eventualmente de automóvel e motorista.

_ Nii-san... – Sasuke gemeu, enquanto tentava se sentir confortável em seu assento. Itachi grunhiu em resposta, descansava a cabeça nas mãos apoiadas em seus joelhos, estava tendo mais uma crise de enjoo por causa do sacolejar do ônibus na estrada de terra – vamos parar num hotel essa noite, por favor.

_ Não podemos. Temos que chegar o quanto antes.

_ Aniki, por favor. Precisamos comer direito e tomar banho. Não aguento mais ficar sentado, e você parece ate mais magro de tanto que passa mal.

_ Não. Sasuke, não me faça me repetir. Isso não é um passeio de férias, você sabe muito bem disso.

Sasuke fez bico, irritado com o mal humor de Itachi. Poucos minutos depois, Itachi correu novamente para o banheiro do ônibus, e o moreno mais novo sabia que não podia ser nada agradável vomitar em um lugar como aquele. O mais velho voltou alguns instantes depois, parecendo mais pálido e fraco.

_ Está bem Otouto... Vamos parar essa noite. Eu não aguento mais também.

O Uchiha caçula sorriu e acariciou os cabelos do irmão cansado sentado ao seu lado. Itachi suspirou pesadamente e descansou a cabeça no colo novamente, rezando para que chegassem à próxima parada o quanto antes.

A verdade era que o primogênito não queria parar em um lugar onde ficasse à sós com Sasuke. Havia prometido respostas, e não se sentia preparado nem confortável para contar tudo que precisava ser dito. Sabia que ainda não era a hora certa de Sasuke saber a verdade, mas sua boca grande havia prometido e ele teria de cumprir. No entanto, passar mal mais um dia não valia a pena, sendo que ele teria que falar mais cedo ou mais tarde.

Chegaram algumas horas depois numa cidade pequena de fronteira, e desembarcaram. Itachi planejara pegar o próximo ônibus para o destino, sem um intervalo maior do que duas horas, mas haviam decidido parar aquela noite. Tomaram um taxi, foram até um hotel de estrada extremamente simples, mas consideravelmente melhor que aquele ônibus apertado.

Fizeram o check-in, Itachi fez o pedido de quarto e em poucos minutos estavam ambos de banho tomado, comendo tudo que podiam comer. Sasuke irradiava alívio e felicidade, e o primogênito parecia estar adquirindo um pouco de cor na sua pele naturalmente pálida.

_ Você ia morrer se continuasse a passar mal mais um dia Aniki, tenho certeza. – Sasuke disse de maneira brincalhona, dando mais uma mordida em sua torrada. Itachi sorriu em resposta, se sentindo bem mais saudável.

_ Do jeito que você come, vai morrer de diabetes antes que eu, seu idiota. – Itachi sorriu, voltando a tomar o seu suco e desviando a tempo do soco de Sasuke.

O tempo passou, o barulho da TV do quarto distraia os Uchiha. Itachi mudava de canal em canal, procurando um noticiário que falasse algo sobre eles, mas nada encontraram. Sasuke estava estranhamente quieto, e o primogênito se perguntava quanto tempo levaria ate que fosse questionado novamente.

_ Você me prometeu respostas.

Bom, pelo jeito não muito tempo.Itachi se sentou na cama, encarando o caçula nos olhos.

_ Eu prometi. E eu sempre cumpro o que prometi. Pergunte o que deseja saber.

_ Por que... – Sasuke engoliu em seco, temendo o que ouviria de resposta – por que você acha que o pai mataria a gente se nos encontrasse?

Itachi levantou da cama, andando em direção a porta. Sasuke, por um breve momento, chegou a imaginar que o irmão mais velho iria fugir novamente ao invés de lhe fornecer respostas, mas foi surpreendido quando este trancou a porta do quarto, guardando a chave em seu bolso. Virou-se novamente para Sasuke, ficando entre ele e a porta, como se temesse que este fosse fugir do quarto a qualquer momento. Respirando fundo, disse de uma só vez:

_ Porque você não é filho de Fugaku Uchiha.


... continua...


Notas finais
N/A: TAN-DAN! Nem preciso dizer que quero saber a opinião de vocês não é? Chutem! Chutem! Chutem! xD