Pride and Hate
10 White Slavery
Notas iniciais

Um verdadeiro desfile de escravos. Cada um mais infeliz que o outro, nascido para sofrer e servir pessoas que nem ao menos conhece. São violentados, estuprados, deixados para sofrer... Por que, para os senhores, eles não merecem uma morte rápida e sem dor, e sim uma morte lenta e dolorosa que dure por meses ou até mesmo anos. Negros são de fato escravizados, e as mulheres negras estupradas por seus senhores brancos. E foi isso que aconteceu com Maddy, a escrava negra que foi estuprada por seu senhor enquanto estava a caminho do reino aonde o senhor iria fazer transações. Maddy engravidou deste senhor, e passou todos os nove meses de gravidez como qualquer outra escrava, sem nenhum tratamento especial. O senhor não estava nem um pouco comovido com o que aconteceu, apenas estava feliz pelo fato de ter mais outro escravo para trabalhar para ele.
E foi aí que aconteceu. Numa noite chuvosa, enquanto passavam pelo oceano, Maddy teve a pior dor que pudesse ter: a dor do parto. As outras escravas estavam realizando este parto em uma das carroças em que elas eram levadas, e sem nenhuma instrução sobre o que ser feito, elas realizaram o parto. Cortaram o cordão umbilical com uma tesoura enferrujada, e apenas jogaram o cordão de volta para o útero de Maddy. Nasceu uma linda menina branca, assim como o senhor de Maddy. Já com cabelos negros, ela parecia tão inocente e boa que as escravas sentiram alta inveja da menina. Mas Maddy a amava sendo branca ou negra, e assim deu a ela o nome de Narissa, em homenagem á mitologia grega que dizia da ninfa do mar chamada Narissa.
Maddy recebeu dez chicotadas simplesmente por não ter dado a luz á um menino forte capaz de se mostrar disposto a ajudar nas tarefas. Mas não foram as chicotadas que mataram Maddy, e sim o tétano que ela pegou ao uma das parteiras cortar o cordão umbilical com uma tesoura enferrujada, já que na época nem se sabia de tal doença e nem os senhores davam a mínima para curar a pobre escrava chicoteada. E assim Narissa cresceu sem mãe e com um pai que ela nem ao menos sabia que era seu pai e que a escravizava igualmente como as outras escravas, mesmo ela sendo branca como a neve.
Narissa foi discriminada por todos os escravos e escravas do mesmo senhor, e diziam que ela não era digna de ser uma deles, e que sempre seria uma branquinha esquisita. Assim, Narissa teve que crescer seus dezessete anos comendo de sobras do que os outros escravos deixavam, ficando extremamente magra. Por muitas vezes Narissa foi estuprada pelos senhores afiliados do seu senhor que também era seu pai. E com dezessete anos Narissa engravidou, mas ao ter um filho branco, o mesmo foi levado de si para viver com o senhor que a estuprou, já que o próprio não tinha filhos ou mulher. E Narissa sofreu com a partida de seu filho.
E foi com vinte e dois anos que aconteceu. Em uma das carroças, sozinha em um fim de tarde frio de inverno com um casaco de palha que pouco esquentava, Narissa foi capaz de ouvir gritos e uma batalha do lado de fora da sua carroça. Sua carroça virou, deixando ela e as outras escravas negras altamente feridas. E foi aí que o som parou. Um silêncio se estabeleceu, e podia apenas ouvir o andar dos cavalos do lado de fora da carroça. E ouviu-se algo batendo no cadeado que deixava a porta da carroça trancada para as escravas não fugirem. Dali apareceu um soldado. Um soldado bonito e jovem que tinha uma aparência boa, ao lado de outros soldados. Pouco atrás podia-se ver os cavalos.
– Quem são as senhoras? – perguntou o soldado.
– Somos meras escravas, senhor. – fala uma escrava negra.
– Não são mais. Não há espaço para escravidão em Andalasia. – fala o soldado. – Sou o rei deste pequeno reino, e gostaria de convidá-las ao meu castelo, onde trabalharão e receberão por seu trabalho, e serão tratadas assim como todos os outros seres humanos do meu reino. Vão, saiam, pobres mulheres.
Narissa ficou desconfiada, mas se levantou lentamente e saiu da carroça. Apenas alguns passos após sair, sentiu a mão do rei segurar seu braço.
– Me desculpe, mas a senhora é branca. – fala o rei.
– Sim. – fala Narissa, levantando o rosto. – Sim senhor, vossa realeza. Minha mãe era negra, por isso sou escravizada assim como todos aqui.
– Me desculpe. – fala o rei. – Eu sinto muito. Mas nunca vi tamanha beleza em uma só pessoa. Eu digo, todas as outras escravas são tão belas quanto, eu garanto. Mas uma mulher tão linda como você nunca chegou aos meus olhos.
– Eu agradeço ao senhor. – fala Narissa, fazendo uma pequena reverência.
– Me desculpe, mas será que eu poderia fazer uma pergunta para a senhora? – pergunta o rei.
– Sim, senhor. – fala Narissa.
– Como te chamas?
– Narissa.
– Narissa. Que belo nome, em homenagem a ninfa do mar Narissa, suponho?
– Sim. – ela abre um sorriso. Nunca nenhum outro sabia desta informação além das parteiras da sua mãe. – É uma homenagem a ela sim.
– Prazer, Narissa. Chamo-me James. Rei James. – fala o rei, fazendo uma pequena reverência. – E gostaria que jantasse comigo esta noite.
E foi assim que aconteceu. Tudo passou tão rápido que Narissa nem foi capaz de perceber. Quando viu, já se passara um mês e os dois já estavam se casando. Uma linda cerimônia de casamento, com todos do reino lá. Até as ex-escravas que tanto a maltrataram foram, pois Narissa foi capaz de perdoa-las. O filho do rei, o príncipe Edward, de apenas seis anos, foi também e como um verdadeiro príncipe se vestiu e prestigiou o pai casando-se com uma mulher que não fosse sua falecida mãe, que já havia morrido há apenas dois anos.
Mas Narissa, apesar de encantada com cada baile e com cada luxo que lhe dava, ela tinha um terrível dor de cabeça. Talvez fosse vinho demais ou algo do tipo, mas ela não estava com cabeça para nem ao menos dançar em seu casamento, apesar de ter feito isso. A noite foi maravilhosa e Narissa estava mais do que satisfeita com tudo. Uma pessoa que viveu no nada ir de uma hora para outra ao tudo, era tudo o que ela precisava.
E chegou a hora. No quarto do rei, depois de uma noite muito cansativa para Narissa, ela deveria ir ter sua noite de núpcias. O rei estava muito animado, tanto que ele mesmo fez a barba antes para poder fazer um bom sexo ora, deixando a lâmina ao lado da cama, na cômoda.
Ele começou a beijar Narissa, que estava com a cabeça explodindo, E deitou-a na cama.
– James... – falou Narissa, enquanto James tirava seu vestido, deitada na cama. – Querido, estou com uma imensa dor de cabeça.
– Bobagem. – fala James. – Vai passar.
James tira o vestido, e cai de boca nas partes de Narissa, fazendo-a sentir uma explosão de prazer e de dor, já que sua cabeça está pipocando.
– James... – fala Narissa, depois de James acaba. – Não estou me sentindo bem...
– Pare com isso, Narissa! – fala o rei, batendo na cara de Narissa.
Ela o olha com olhos esquisitos, apenas vendo sua cara de desespero por sexo. Narissa não fala nada, até por que não quer acabar com o luxo que tem.
– Apenas se vire. – fala James.
Narissa se vira silenciosamente, deixando com que James penetrasse nela, enquanto sua dor de cabeça aumentava. Mas James não parou por aí. Puxou seus longos cabelos negros, querendo se fazer de dominante. E foi aí que Narissa não aguentou. Ela tinha que fazer aquilo parar. Procurou algo, qualquer coisa a sua volta, e sentiu algo. Pegou-o e bateu-o na mão do rei que puxava seus cabelos. E foi aí que Narissa viu o sangue. Ela havia pego a lâmina que o rei havia deixado na cama. James berrava de dor.
– James... Eu... – começa Narissa, mas James grita:
– Assassina! Maníaca! Não deveria ter casado com uma simples... Escrava!
Narissa não aguentou aquilo, mas quis se recompor:
– James, me desculpe, é que minha cabeça está...
– Você será enforcada pela manhã! – gritou o rei, enquanto enfaixava sua mão com um pedaço de pano que estava na mesinha ao lado da porta. – Vou chamar os guardas.
Mas foi aí que Narissa não aguentou. Já havia sido maltratada muito em sua vida para no final ser enforcada. Ela pulou em cima de James, apunhalando-o com a navalha pelas costas. O rei caiu no chão, morto.
Narissa não podia perder o trono. Já ganhara muito até aí. E o luxo que havia recebido era mais que mil vezes todo o luxo que teve em sua vida. Era rainha. Não podia perder isso. Tinha que fingir que o rei havia se acidentado. E assim fez. Deixou o chão do banheiro molhado, e a lâmina em uma posição estratégica. Pareceu que o rei escorregou no chão do seu banheiro e morreu com a lâmina acidentalmente apunhalada em suas costas.
Narissa se tornou a única monarca além de Edward, e faria de tudo para continuar sendo a rainha. Não poderia deixar que as ex-escravas que tanto a maltrataram a vida toda tivessem o gostinho de vê-la perder tudo o que tem. E faria, então, de tudo para que o príncipe Edward não se casasse para ter que dividir a família real. Faria de tudo para continuar sendo a rainha mais paparicada de todo o reino, e não iria dividir isso com ninguém além de Edward. Nem que para isso tivesse que mandar sua futura esposa para outra dimensão, na cidade de Nova York.
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