Pride and Hate
8 Village Freak
Notas iniciais

O que uma pequena vila francesa do final do século XVIII pode ter demais, afinal de contas? Claro, se existem várias figuras, afinal, se trata da França, e que lugar tem mais pessoas tantas pessoas peculiares que a França? Sim. Prostitutas, ricos, mães de família, ladrões. A vida parece normal para esta pequena vila do interior.
Mas nunca, nem se ouviu falar de algum invertido nesta pequena vila. “Invertido” seria um homem que se sente atraído por outro homem como deveria ser atraído por mulheres, ou uma mulher que se sente atraída por outra mulher como deveria ser atraída por homens. Homossexuais não seriam muito bem recebidos no século final do XVIII em uma vila com pessoas de família que fazem de tudo para manter os costumes. Mas, de fato, homossexuais existem desde que o mundo foi criado, só que não foram bem recebidos por questões biológicas. Se fossemos contar todos os homossexuais que não se revelaram, poderíamos formar uma nação. De fato, existiam homossexuais no final do século XVIII, assim como em todos os séculos. E sim, de fato existiam homossexuais nos lugares mais improváveis. Como é o caso da pequena vila.
E este homossexual se trata de um jovem rapaz, com seus 17 anos, que tem uma vida comum de um rapaz de 17 anos, porém, escondendo sua verdadeira sexualidade. Seu nome é Gaston. Ele é de fato um rapaz bonito, alto, forte, que encanta todas as meninas e dá orgulho para seus pais por se mostrar um verdadeiro homem. Ele sabe muito bem da sua atração por homens, afinal, ele se sente atraído por um rapaz que é seu vizinho. Este rapaz trabalha todos os dias para seu pai alimentando os porcos, e dá para se ter uma vista perfeita do rapaz do quarto de Gaston. Ele prefere deixar a cortina fechada o tempo todo para não abrir nenhuma suspeita, e só abri-la ás 17:00, quando o rapaz fosse trabalhar.
Gaston se sentia muito mal por ser invertido. De fato, quando nunca se ouviu falar de ninguém assim, não se deve ser considerado normal. Afinal, um homem com outro homem não podem produzir um filho, nem um casamento. Gaston não sabia se aquilo era uma doença ou algo do tipo, mas queria ter nascido sem isso. Queria ser igual às outras pessoas, poder manter um relacionamento saudável com uma mulher, ter filhos e se casar. Mas sabia que nada disso seria real, já que ele ainda continua a se sentir atraído por homens, assim como seu vizinho Mathéo.
De fato não abria suspeitas, pois a namorada de Gaston, a linda moça Louise, com seus cabelos loiros e olhos azuis, nunca nem se quer desconfiou de nada, afinal, não tinha nem por que desconfiar. Ela achava nunca ter conhecido um invertido antes. Mas o namoro de Gaston era o mais famoso de toda vila, sim, eles eram invejados por tamanha beleza em um só casal. Um homem lindo e forte ao lado de uma mulher doce e suave. Os pais de ambos aprovavam isto, e já estavam providenciando o casamento. Mas Gaston sempre teve medo de que de que algum deslize e ele pudesse ser revelado. De fato, mesmo após um bom tempo juntos, ele e Louise nunca haviam feito sexo., pois Gaston tinha muito medo de não se sentir excitado na frente de Louise e fazê-la abrir suspeitas sobre seu verdadeiro ser. De fato, Gaston planejava apenas fazer sexo com ela depois do casamento, e aí não existiriam mais dúvidas.
Louise é muito exibida, adora pegar nos músculos de Gaston quando ninguém olha, e gosta de andar com o braço cruzado no dele pela vila. Mas, apesar desses defeitos, Gaston gosta de Louise. De fato ela é uma boa pessoa para se conversar, confiar, e ser uma das melhores amigas possíveis. A única diferença é que eles podem se beijar quando ninguém os veem, pois é considerado inapropriado se beijar em público ainda por cima em uma pequena vila conservadora. Mas Louise não deixava de ser uma safada entre quatro paredes, sempre querendo partir para cima de Gaston sexualmente enquanto ele tira sua mão.
Esta noite Gaston e Louise estavam no bar da vila com as famílias de lá. Todos estavam bem arrumados para se encontrarem, como sempre se encontram uma vez por mês para “manter os laços dos moradores unidos”, como diz o pai de Louise, uma espécie de “prefeito” da vila. Todos estavam bebendo, claro, enquanto contavam piadas uns com os outros e morriam de rir contando histórias de vida. Louise estava exagerando um pouco em seu vinho e Gaston quis fazê-la parar, mas ela não parava de beber uma taça após a outra. De fato Louise não estava bem. Sim, ela não era a única bêbada nesta reunião. Gaston também estava, porém em menor escala, já que não bebeu simplesmente vinte taças de vinho em um minuto (literalmente).
– Vamos, Louise. – falava Gaston, passando sua mão pelas costas encurvadas de Louise que está debruçada sob o balcão do bar. – Você não está bem...
– Mas o que? Eu estou ótima! – fala Louise, levantando os braços. – Aliás, nunca estive melhor em toda a minha vida.
– Desculpe Louise, — fala Gaston. – Eu não queria fazer isso, mas você não me dá escolha...
Gaston pega Louise pelas pernas e pelas costas com seus dois braços fortes, e a levanta da cadeira, carregando-a pelo salão do bar. Ela se esperneia, e dá pequenos socos em seu peito, mas Gaston não para. Ele encontra seus pais conversando com os pais de Louise, e chega para eles, também bêbados, dizendo:
– Vou leva-la para casa, ela bebeu muito vinho...
– Vá, Gaston... – fala o pai de Louise, com um copo de cerveja na mão.
Enquanto Gaston sai, consegue ouvir comentários positivos ao seu respeito:
– Que menino bom...
– É uma benção que minha filha vá se casar com este rapaz...
Após sair e andar pelas ruas da vila escuras, leva Louise para a casa dela, e deita-a em sua cama.
– Não, Gaston... – fala Louise, puxando para si seu corpo cheio de músculos para a cama. – Por favor, faça amor comigo.
Gaston estava fraco por conta da bebedeira, e estava sem reação. Se sentou na cama, e começou a beijar Louise, enquanto ela tirava a roupa.
– Não, Louise... – fala Gaston. – Não posso...
– Pode sim. – sussurra Louise em seu ouvido.
– Não, não posso eu...
– Shh... – faz Louise, colocando o dedo em seus lábios e depois colocando-os na abertura na calça de Gaston, abaixando-a.
– Louise, não, eu...
– Não precisa falar nada. – fala Louise, e começa.
Ela faz sexo oral em Gaston, e enquanto faz, Gaston, cego pela bebedeira, se deixa levar pelo prazer e esquece que tem uma mulher que ele considera sua melhor amiga de joelhos em sua frente. E de fato esquece.
– Sim, isso, Mathéo... – fala Gaston, com olhos fechados, fantasiando com seu vizinho.
Neste momento Louise para, se levanta, e olha bem no fundo dos olhos de Gaston. Ela poderia estar bêbada, mas não burra.
– O que você disse, Gaston? – fala ela.
– Eu? – o coração de Gaston dispara. – Eu não disse nada...
– Não, você disse sim. – fala ela. – Você disse “Sim, isso”...
– “Louise” – completa Gaston a frase, mentindo.
– Não. – fala Louise, um pouco zonza. – Você disse “Mathéo”.
– Eu? Não disse não!
– Disse sim! – fala Louise. – Mathéo! O seu vizinho! Por que você disse o nome dele, Gaston?
– Louise, você deve ter escutado errado... – fala Gaston
– Não tente me fazer de burra, Gaston! – fala Louise. – Por que você falou o nome dele?
Gaston ficou paralisado naquele momento, enquanto via Louise em sua frente o pressionando. Ele sabia que ela não descansaria até que ouvisse uma resposta. E foi aí que ele tomou a pior decisão da sua vida: contar a verdade para sua suposta melhor amiga.
– Louise, eu sou invertido. – fala ele.
– Você é o que? – pergunta Louise, de fato ela sabia pouco sobre isso. Se ouviu falar sobre invertidos duas vezes em sua vida, já foi muito.
– Eu me sinto atraído por homens do mesmo jeito que eu deveria ser atraído por mulheres...
– Como é que é, Gaston? – pergunta ela. – Então você estava fantasiando com seu vizinho enquanto eu estava aqui. Que nojo!
E aí começou o julgamento de Louise.
– Você é um perigo para nós! – fala ela, se levantando. – O que seus pais vão pensar? As crianças! Você não pode se aproximar das crianças, de jeito nenhum. Elas podem pegar o que quer que você tenha. Nossa, eu preciso alertar as pessoas sobre você. Você é um perigo para todos. Não, isso deve ser resolvido.
– Louise... – fala Gaston, se levantando e colocando a calça enquanto corre atrás de Louise, que abre aporta, mas é impedida quando Gaston a segura pelo braço.
– Me solte, sua aberração! – fala ela. – Como ousa encostar em mim? Eu posso pegar uma doença ou algo do tipo...
– Louise, eu sou a mesma pessoa que eu era a cinco minutos... Você não entende? – fala Gaston.
– Nossa! Eu já devo ter pego sua doença! – fala ela, se soltando de Gaston. – Eu vou dizer a todo mundo quem você é, e quando souberem, vão ir com lanças e tochas acabar com você, Gaston. Prepare-se para morrer!
Louise sai correndo do quarto e passa para o corredor. Gaston não podia deixar nada disso acontecer, afinal, ele tem um futuro brilhante pela frente. Ele corre atrás de Louise com uma escova de cabelo que pegou em sua mesa de cabeceira.
Ele corre atrás dela até o início da escada, e bate em sua cabeça com a escova de madeira. Louise cai da escada, rolando e rolando até cair no chão do andar abaixo, na sala.
– Louise? – fala Gaston, mas não era por arrependimento ou por que ele queria leva-la para a cama e fazê-la pensar que tudo era um sonho. Ele queria saber se ela estava devidamente morta, como ele quis. O álcool não afetou suas ideias, e de fato mesmo se estivesse sóbrio ele faria o mesmo.
Louise estava morta. E Gaston fez de tudo para fazer aquilo parecer um acidente. Se de fato alguém percebesse o calo na cabeça de Louise, seria deduzido que ocorreu na queda da escada. De fato um acidente falso foi muito bem a calhar, assim como as lágrimas que Gaston forçou ao “ficar sabendo” da sua morte por queda da escada.
Daquele dia em diante Gaston tomaria o maior cuidado possível para se provar másculo o suficiente. Tentaria ao máximo provar sua masculinidade matando patos, batendo em homens, e até mesmo tentando a qualquer custo se casar com a mulher mais bela que a vila já viu, nem que para isso tivesse que enfrentar uma fera horrenda.
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