Pride and Hate
4 Submerged
Notas iniciais

Nas profundezas do oceano havia um reino submerso. Esse reino, governado por Tritão, se chamava Atlântica. Feito de pedras douradas e corais, a cidade reunia todos os tipos de criaturas marinhas, e lá no meio da corte, entre todas as sereias e peixes viviam duas irmãs bruxas. Duas moças jovens e bonitas que tinham o único defeito de não serem metade humanas metade peixe, mas metade polvo. Seus grandes cabelos brancos e os olhos azuis chamavam a atenção de qualquer homem que olhasse, inclusive do rei dos mares.
Embora a maior parte dos homens as olhassem com desejo, esse não era o caso do soberano dos mares. Muitos anos antes o reino de Atlantica era comandado por uma bruxa do mar, mas os seus desmandos custaram a sua cabeça e um novo rei tinha sido colocado no trono. Esse rei era o bisavô de Tritão. As pessoas mais sensatas teriam acabado com toda a família da bruxa do mar, mas o novo rei não era assim, ele as deixou viver, desde que nunca mais chegassem perto da cidade outra vez.
Entre as descendentes da antiga rainha, estavam Úrsula e Morgana. Ainda tinham o dom da magia e, assim como sua ancestral, não a utilizavam para o bem. Seu único objetivo era recuperar o trono, que achavam ser delas por direito. Teriam conseguido, se não se odiassem mutuamente e nunca pedissem ajuda uma da outra. Úrsula achava que a irmã era incapaz de fazer qualquer coisa que fosse e o amor exagerado da sua mãe pela mais velha só aumentava essa opinião. Morgana, sempre deixada de lado, mal amada e invejosa sempre cobiçando ser o que a irmã era, ou até mais.
O rei era casado a muito tempo com uma rainha lindíssima e pai de cinco belas meninas, o casal era conhecido por se amarem verdadeiramente. Era certamente um bom rei, mas estava muito nervoso nos últimos dias. Segundo os rumores, Úrsula estava reunindo um numero incontável de seguidores que queriam coloca-la no trono. E esse mesmo grupo estava inventando a maior mentira para desmoralizar o rei: diziam que as princesas não eram filhas dele.
A rainha estava sempre gravida ou cuidando das suas filhas, portanto nunca aparecia em publico, dando espaço para as fofocas começarem a surgir. Das cinco princesas, duas eram ruivas como a rainha, uma loira como Tritão, e a mais nova era morena. Todos acharam isso estranho, ninguém na família real tinha cabelos castanhos, como a princesa teria então?
Úrsula achava que se o povo odiasse a rainha pelo que ela fazia, talvez fosse acusada de traição e executada. As tais fofocas mentirosas sobre a rainha eram espalhadas entre os mais pobres e chegavam aos ouvidos dos nobres pelos seus empregados. Isso fez a popularidade de Athena cair muito e a de Úrsula só aumentar, ainda mais com as pequenas ajudas que ela dava as pessoas que a procuravam. Por um pequeno preço, é claro.
Mesmo com toda essa gente odiando a rainha Athena, nada iria mudar durante um bom tempo já que ela estava grávida. Segundo as tais fofocas, ela estaria grávida de um amante e a prova disso era que uma vidente tinha previsto que a próxima criança nasceria com o cabelo castanho. Em nenhum momento ela disse que a rainha era uma traidora, apenas falou a cor do cabelo e isso foi suficiente para que as fofocas aumentassem e chegassem até o principal interessado nem toda essa historia: o Rei.
Essa vidente não era uma mulher qualquer ou apenas uma bruxa, era a mãe de Úrsula e Morgana. O poder de ver o futuro era raro e apenas uma pessoa a cada cem anos o tinha. Não era fácil ser feliz quando se sabia o próprio futuro e o da sua família, ainda mais quando ele não era muito bom. A Velha Bruxa nunca contou esse futuro a nenhuma das suas filhas porque sabia que ele iria mudar se elas soubessem, e algo bem pior poderia acontecer. Ninguém que já tenha visto o poder do tridente de Tritão se atreveria a entrar no caminho dele.
Falando no rei, ele ficou muito furioso quando soube das tais fofocas e decidiu procurar a Velha Bruxa para saber se tudo isso era verdade. Longe da cidade, numa caverna distante e sombria ele a encontrou mexendo num grande caldeirão ao lado de duas moreias e um tubarão. Haviam várias perguntas rondando sua mente, mas ele só podia fazer uma, essa era a regra. A bruxa disse para ele se sentar numa pedra e esperar enquanto terminava o que quer que estivesse fazendo no caldeirão. Tritão não gostou de ficar esperando, ele é o Rei, reis não esperam sentados numa pedra enquanto bruxas fazem...bruxarias.
– Você sabe as regras, rei Tritão. Só uma pergunta eu irei responder, não mais.
Ele esteve pensando na pergunta desde quando saiu do palácio, uma pergunta que para ele era mais importante do que saber se sua mulher o traíra ou não.
– Algum dia eu terei um filho homem para ser rei depois de mim?
A bruxa olhou fundo nos olhos claros dele, procurando sua resposta na alma dele. Ela viu sua infância e os primeiros anos como rei, viu o nascimento de cada filha e cada amante que ele teve. Viu o presente e o futuro, as guerras que iria lutar, as coisas que iria perder, até o dia de sua morte.
– Um bom Rei será, durante muitos e muitos anos. Mas a bondade sempre vem acompanhada de tristeza e catástrofe. Sua esposa Athena morrerá antes de te dar um filho, e não acaba assim. Sua maior tristeza virá quando perder seu maior tesouro para a superfície.
– Como assim? Que tesouro é esse? Como morrerá Athena? — Ele se levantou irritado achando que ela só tinha piorado a situação. Pegou seu tridente e ameaçou joga-lo nela, mas a bruxa simplismente olhou para ele e disse.
– Você não tem poder aqui. Nesse lugar seu título não importa, só sua alma. E o que eu vi na sua alma não é nada melhor do que a maioria das pessoas.
O rei voltou para seu castelo tenso e com vontade de bater em alguem, mas não podia sair batendo em qualquer um, o rei tem que dar o exemplo. Depois da conversa com a bruxa, Tritão voltou para os braços da sua esposa. Úrsula sabia que sua mãe nunca falaria todo o futuro ao rei e após saber o que ela tinha dito ficou ainda mais feliz. Se a rainha morreria antes de dar um filho ao rei, talvez seu plano estivesse funcionando e logo ela seria exilada, executada ou qualquer coisa do tipo.
A Rainha estava tão alegre com a chegada de mais uma criança que essa felicidade contagiou Tritão. Ele esqueceu da parte ruim da profecia, das fofocas de do possível golpe de estado, seu maior medo agora era a superfície e as pessoas que lá viviam. Eram os comedores de peixes e poluidores dos mares, jogavam seu esgoto lá sem se preocupar com os moradores do oceano. Mas sua família fez ele se esquecer disso por uma noite e boa parte do dia seguinte.
Os dois estavam deitados na cama dela admirando o novo dia quando alguns guardas entraram correndo e avisaram o rei de que o castelo estava sendo atacado. Segundo o chefe dos guardas, Morgana foi pega tentando forjar as provas da traição da rainha Athena, e ainda confessou o plano dela e da irmã de tentar roubar o trono de Atlântica. Úrsula estava la fora, na cidade usando seus novos adimiradores para atacar a cidade e tentar tomar o poder à força. Transtornado,Tritão pegou seu tridente e junto com seu exercito lutou contra Úrsula. Depois de muitos mortos dos dois lados, Tritão venceu, mesmo assim as irmãs conseguiram fugir. Ele foi até seu gabinete e assinou a ordem de prisão de Morgana e sua irmã mais velha, oferecendo uma grande quantia em dinheiro para quem as capturasse.
O tempo passou rápido e nada de encontrarem as duas. Não que tivessem ido muito longe, mas quem as achou não voltou para contar a historia.
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