Pride and Hate
22 Savages
Notas iniciais

Era final de tarde em uma pequena cidadezinha pobre inglesa. Todos estavam voltando para casa depois de um dia estressante trabalhando ou simplesmente tentando ganhar ainda a vida. No meio de uma dessas casas, sem se destacar em meio aos barracos imundos cheios de pobreza, havia uma casinha.
Uma casinha igual a qualquer outra, com uma família pobre como todas as outras. Ali era a casa da família Ratcliffe. Lauren e James, os pais, que se viravam para conseguir sustentar o pouco que tinham com seus filhos Garrett e John.
John era o mais velho. Naquele final de tarde ele olhou-se no pequeno pedaço de espelho que ele tinha no quarto que dividia com seu irmão dois anos mais novo. Com dezessete anos, John não era diferente de todos os outros adolescentes comuns. Sonhos, pensamentos, desejo de mudança. Ali jazia uma alma linda. Um coração agora infeliz, mas que sentia gosto de mudança por vir, especialmente naquela noite.
– John, o jantar já está pronto! – gritou sua mãe, chamando seu filho que já estava todo organizado para poder sair.
– Já vou, mamãe. – fala John.
Ele foi descendo as escadas de madeira velha e cheia de cupins enquanto via aos poucos sua família sentada na mesa pronta para comer o que sempre tinha: castanha com arroz.
– Não estou com fome. Podem pegar meu prato. Preciso sair. – fala John, passando direto pela sala.
– Vai para onde, meu filho? – pergunta sua mãe Lauren.
– Um amigo meu deu-me uma oportunidade de trabalho a poucos quilômetros daqui. – fala John. – Vou lá ver do que se trata e quem sabe eu possa trazer dinheiro para dentro de casa...
– Oh, meu filho... – fala sua mãe, aproximando-se dele para abraçar-lhe. – Nós não merecemos um filho tão bom como você.
– Claro que merecem. – fala John, dizendo essas palavras com toda sinceridade e gratidão que possa ter por sua família.
John, naquele final de tarde, seguiu as trilhas do emprego que seus amigos o arranjaram. Sabia que teria chance de poder tirar sua família da miséria. E iria fazê-lo a qualquer custo.
Pegando uma carruagem de carona de um desconhecido simpático, John Ratcliffe conseguira chegar ao local onde haviam combinado: no meio do mato em uma fronteira entre a pequena cidade pobre e a grande Londres, haveria uma caverna mais escura que a noite, e com uma abertura maior do que o buraco da vagina da maior prostituta de Londres. Ali, John deveria dar um grito e bater em sua boca repetidamente. Um grito selvagem, que ecoara na caverna.
Depois de alguns minutos, um homem aparecera da escuridão daquela caverna.
– Siga-me. – disse ele.
Johan, apreensivo, seguiu o homem adentro da caverna, sem enxergar nada, por mais ou menos dez minutos. Ele achava que seus amigos o haviam feito de idiota e o iriam executar ali, decapitando-o.
Mas no fim, depois de vários minutos de caminhada, Johan avistou uma luz. Entrando mais ainda, aproximou-se, juntamente ao homem que seguia, daquela luz.
Eram tochas. Tochas acesas em meio a uma imensa caverna, com muitas pessoas em volta de uma jaula. Uma jaula com pessoas seminuas, com cor de pele escura e gritando desesperadas.
– John! – fala seu amigo Henry, abraçando-o ao chegar naquele local dentro da caverna. – Você veio! Que bom. Vou lhe dizer, esse emprego lhe dará muita grana!
– Henry, o que é isso? – pergunta John , vendo todos aquele seres humanos desesperados na gaiola em meio á muitos homens olhando para eles como se nada tivesse acontecendo.
– Ah, esses são os selvagens que vieram de Portugal. Parecem que são de sua colônia, o Brasil. – fala Henry, aproximando-se da gaiola com mais de vinte selvagens gritando. – Foram traficados por navios para cá, e o dono desse rodeio os comprou para nos divertirmos um pouco com eles...
– Divertir-nos como? – pergunta John, sem entender nada.
– Ora, você sabe, queima-los com aqueles bastões em brasa, dar um trato nas fêmeas... – fala Henry, sem muito se importar com o peso de suas palavras.
– “Dar um trato”? – pergunta John, confuso.
– Sim, sexo, já ouviu falar? – fala Henry, como se fosse óbvio.
– Mas eles são seres humanos! – fala John, indignado com o que vê. Sabe distinguir animais de seres humanos, e vendo aquelas pessoas sofrendo ali não o deixava nem um pouco alegre, na verdade, o deixava revoltado. Para John, toda vida tem seu valor, independente de sua cultura. – E eles não querem ficar aqui, quer dizer, olhe para como eles estão, estão desesperados!
– É da natureza deles. – fala Henry, frio. – eles não são dignos de pena. São selvagens.
No momento em que Henry falara isso, John não aguentou. Partiu para cima da fechadura da gaila e a abriu, de forma bem simples, para se falar a verdade.
– John. O que você está fazendo? – pergunta Hnery, vendo os índios escaparem da gaiola correndo por suas vidas.
– O único selvagem que vejo aqui é você. – fala John, parado em frente a Henry apavorado.
Todos os homens brancos correm atrás de todos aqueles índios que saíam da caverna correndo, mas não conseguem alcança-los. Ao chegar na boca da caverna, John consegue ver os índios indo em direção á sua cidadezinha.
– Satisfeito? Agora eles vão destruir sua casa. – fala Henry, todo quebrado da surra dos índios.
John não acredita no que vê e corre atrás dos selvagens. Corre o mais rápido que pode, sempre em vão, pois eles conseguem correr mais rápido do que qualquer coisa que ele jamais vira antes. John os perde de vista.
Demora alguns minutos até John chegar à cidadezinha que ele mora, e vê-la destruída. Os índios, desesperados por sua vida e revoltados contra os brancos, destruíram-na toda. Ele não acredita no que vê. Corpos no chão, casas derrubadas e não existia nenhum local eu ele olhasse que não houvesse destruição.
John chegou á sua casa, e entrou nela, toda quebrada, cada pequena coisa que eles possuíam fora do lugar. E ali, no meio da sala onde eles deveriam estar jantando, Lauren e James, seus pais, debruçados em cima da mesa, com sangue escorrendo de suas bocas, mortos.
John olhou ao redor e viu a silhueta de uma pessoa escondida atrás da poltrona da sala.
– Garrett? – pergunta John, vendo que é seu irmão?
– John? John! – fala Garrett, indo abraçar seu irmão mais velho, chorando. – Eles destruíram tudo, os selvagens, eles destruíram tudo. O que será de nós agora? Como iremos viver?
Daquele momento em diante John sabia muito bem o que fazer: teria que arranjar ouro para poder sustentar seu irmão, e assim como os portugueses acharam no Brasil, ele acharia em qualquer outro lugar cheio de selvagens que não sabem o valor do que tem. Iria tirar seu irmão da ruína e se vingar de cada selvagem que tirou tudo de mais precioso em sua vida.
Se mudaria para Londres, entraria no ramo da política e comandaria uma grandes expedições para Novos Mundos, indo até o fim em sua missão de vingança e busca por enriquecimento.
Suas expedições seriam muito bem sucedidas, levando-o á riqueza em poucos anos, mas isso iria mudar quando um de seus tripulantes apaixonar-se por uma selvagem na colônia de Jamestown.
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